De relho na mão, Hamilton Mourão nos avisa do seu perfeito mundo velho

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O general da reserva Hamilton Mourão é insuperável na elucidação do que realmente a sua chapa presidencial pretende para o Brasil. A primeira coisa é acabar com a estabilidade dos servidores públicos, abrindo o retorno para o arbítrio que existia antes dela. 

Mas como pode ser observado nas entrelinhas da matéria, o general da reserva Hamilton Mourão também explicita a sua visão de que o  Brasil precisa retroagir 30 anos (ou seja para pouco depois do fim da ditadura militar de 1964) para restabelecer as formas de convivência que existiam antes (ou seja, aquelas onde a homofobia e o racismo era parte do normal e do aceitável na convivência entre os brasileiros). Isto seria, segundo ele, para recuperar a alegria perdida porque os brasileiros não podem mais “brincar uns com os outros”.

Segundo Mourão,  “o Brasil a um “cavalo maravilhoso que precisa ser montado por um ginete com mãos de seda e pés de aço”, Mourão criticou o que considera travas para o país, como a elevada tributação, o excesso de leis, o “ambientalismo xiita” e a “hegemonia do politicamente correto“.

E para deixar claro como pretende alcançar este retrocesso,  Mourão posou com um relho na mão.

Em suma, o retrocesso que eles pretendem vai muito além da hipotética caça aos corruptos. O fato é que eles querem caçar são as formas plurais de relacionamento onde as diferenças são respeitadas em nome de um convívio mais democrático entre as pessoas.

Em Bagé, vice de Bolsonaro defende fim da estabilidade no serviço público

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Recebido aos gritos de “mito” e tendo na mão um rebenque como o usado por ruralistas para hostilizar militantes petistas em março, durante a caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo Rio Grande do Sul, o candidato a vice de Jair Bolsonaro (PSL), general Antônio Hamilton Mourão (PRTB), palestrou na noite desta quarta-feira (26) para cerca de 2,5 mil pessoas na Associação Rural de Bagé. 

Mourão defendeu a revogação da estabilidade no serviço público e uma profunda reforma do Estado, com prioridade à saúde, segurança, educação e agronegócio. 

— Por que uma pessoa faz um concurso e no dia seguinte está estável no emprego? Ela não precisa mais se preocupar. Não é assim que as coisas se comportam. Tem que haver uma mudança e aproximar o serviço público para o que é a atividade privada — afirmou Mourão.

Comparando o Brasil a um “cavalo maravilhoso que precisa ser montado por um ginete com mãos de seda e pés de aço”, Mourão criticou o que considera travas para o país, como a elevada tributação, o excesso de leis, o “ambientalismo xiita” e a “hegemonia do politicamente correto”.

— Temos uma crise de valores, resultado de mais de 30 anos de processo de desconstrução da identidade nacional provocada por uma intelectualidade. Perdemos a alegria de brincarmos um com os outros — declarou. (…)

Mourão “se corrige”: Só são desajustadas as famílias chefiadas por mães e avós pobres; logo, as ricas, não! Ouça

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Da Redação,  com informaçoes do Zé Carlos Ferreira, do Contexto Livre

Na manhã desta terça-feira, 25/09, o general da reserva Hamilton Mourão (PRTB), vice de Jair Bolsanaro (PSL), concedeu entrevista à rádio Guaíba, de Porto Alegre.

Questionado pelo jornalista Nando Gross, do programa Direto ao Ponto, sobre o que havia dito sobre famílias chefiadas por mães e avós,  Mourão conseguiu “se superar”.

Disse que só desajustadas as famílias chefiadas por mães e avós pobres.

Logo, as ricas, não!

Ouça acima. A emenda saiu pior que o soneto.

FONTE: https://www.viomundo.com.br/politica/mourao-se-corrige-so-sao-desajustadas-as-familias-chefiadas-por-maes-e-avos-pobres-logo-as-ricas-nao.html

Com Bolsonaro no hospital, vice diz que “casa só com ‘mãe e avó” são “fábricas de desajustados” que fornecem mão de obra para o narcotráfico

Muitos analistas esperavam que o atentado cometido contra Jair Bolsonaro em Juiz de Fora e consequente ida do capitão para a UTI do Albert Einstein, o dublê de general da reserva e candidato a vice-presidente, Hamilton Mourão, iria se aproveitar para elevar o nível da qualidade da campanha. É que sendo mais intelectualmente preparado, se esperava de Mourão que elevasse a capacidade de análise da realidade e, ao mesmo tempo, diminuísse o volume da retórica.
Pois bem, quem apostou numa postura mais elevada de Hamilton Mourão, errou redondamente. É que na tarde desta segunda-feira, Mourão conseguiu ao mesmo tempo alienar países em desenvolvimento que são parceiros comerciais do Brasil ao chamá-los de “mulambada” e, ainda pior, colocar sobre os lares comandados por mães e avós o epíteto de serem “fábrica de desajustados” que fornecem mão de obra para o narcotráfico [1] .
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Inobstante o alvo que o vice de Jair Bolsonaro tivesse em mente quando emitiu essa opinião escabrosa, o fato é que objetivamente ignorou a luta cotidiana que se desenvolve em lares encabeçados por mulheres e impõe a milhões de brasileiras uma responsabilidade que não lhes é devida.


Agora, vejamos como se comportarão eleitores brasileiros que cresceram nos lares que o general da reserva designou como sendo “fábricas de desajustados” que “fornecem mão de obra para o narcotráfico”. Ficarão com a dupla ou com suas mães e avós. A ver!


[1] https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/09/casa-so-com-mae-e-avo-e-fabrica-de-desajustados-para-trafico-diz-mourao.shtml

PRTB decide colocar General Mourão para substituir Bolsonaro em debates e entrevistas, mas “esquece” de avisar o PSL

A atual campanha eleitoral está recheada de esquisitices, mas eu diria que a notícia publicada pelo jornal “Valor Econômico” dando conta que a cúpula do PRTB , partido do general Hamilton Mourão, decidiu entrar com um pedido no Tribunal Superior Eleitoral em que requisita substituir  Jair Bolsonaro em entrevistas à TV e debates eleitorais, mas “esqueceu” de consultar cúpula do dublê de capitão e deputado federal que convalesce em hospital ou a seu partido, o PSL [1].

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A situação criada por esse pedido sem consulta é para lá de inusitada. É que se este padrão de conduta for mantido durante um eventual governo comandado pelo “capitão”, o que poderemos esperar?

Por essas e outras é que no dia 08 de Agosto de 2018, postei aqui no blog um texto intitulado “Que diria Carlos Marighella da chapa presidencial do capitão e do general?” [2]. Não precisava ter o mesmo tino e faro de Carlos Marighella para saber que dificilmente um capitão vai mandar num general, especialmente quando o general é um profissional condecorado, e a carreira do capitão quase acabou numa malograda operação conhecida como “Beco sem saída” [3] .

Ironicamente, mais de três décadas depois, a chapa do general e do capitão é que ameaça colocar o Brasil num beco sem saída.

 


[1] http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2018-09-12/mourao-justica-bolsonaro.html

[2] https://blogdopedlowski.com/2018/08/08/que-diria-carlos-marighella-da-chapa-presidencial-do-capitao-e-do-general/

[3http://observatoriodaimprensa.com.br/jornal-de-debates/capitao-bolsonaro-a-historia-esquecida/

Que diria Carlos Marighella da chapa presidencial do capitão e do general?

Sou um feliz portador de uma cópia do livro “Marighella, o guerrilheiro que incendiou o mundo” do jornalista Mário Magalhães.  Como tive a oportunidade de organizar lançamento da obra na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), lembrei hoje de uma das muitas histórias curiosas que constam da obra de Mário Magalhães, e que ele compartilhou com a plateia que esteve presente no evento realizado na Sala de Multimídia do Centro de Ciências do Homem.

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Essa história, aliás, estava imortalizada na página 424 do livro, e narra um encontro frustrado entre Carlos Marighella e Carlos Lamarca onde o líder da Aliança Libertadora Nacional não conseguiu que sua organização e a Vanguarda Popular Revolucionária lançassem um documento comum, apesar da concordância do seu interlocutor.  O que impediu a assinatura do documento que indicaria uma unidade política entre a ALN e a VPR foi a oposição de Onofre Pinto, outra liderança da organização comandada por Lamarca.

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O fracasso da negociação teria então irritado Marighella, já que Onofre Pinto era sargento, enquanto Carlos Lamarca era capitão. Em função disso, Marighella teria dito que “nunca vi capitão obedecer a sargento“.

Pois bem, passados 39 anos daquele momento crucial na luta armada contra o regime militar, temos uma chapa presidencial que tem um capitão concorrendo a presidente, enquanto a vice-presidência é pleiteada por um general.

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Não tendo como não notar a semelhança na inversão hierárquica, eu me pergunto sobre o teria Carlos Marighella a dizer sobre a chapa Bolsonaro/Mourão.  Certamente teria muito mais a dizer do que simplesmente notar a evidente inversão hierárquica.