“The Lancet” publica artigo negando benefícios da cloroquina no combate à COVID-19

Did chloroquine really fail a COVID-19 study—or was the trial ...Estudo científico mostra que cloroquina e hidroxicloroquina são ineficazes no combate à COVID-19, com ou sem o acompanhamento de antibióticos

Uma das principais, senão a principal, revista científica na área da Medicina, a “The Lancet” acaba de publicar um artigo que nega quaisquer benefícios associados ao uso da cloroquina ou da hidroxicloroquina no tratamento da COVID-19.

cloroquina trial

De autoria de pesquisadores ligados ao  Brigham and Women’s Hospital Heart  e ao Vascular Center and Harvard Medical School (Massachusets, EUA),  à Surgisphere Corporation (Illinois, EUA), à University Heart Center, University Hospital Zurich (Suiça), ao Department of Biomedical Engineering da Universidade de Utah (Utah, EUA), e ao HCA Research Institute (Tennessee, EUA), o artigo aponta de forma categórica que “não foi possível confirmar o benefício da hidroxicloroquina ou cloroquina, quando usado isoladamente ou com um macrólido (pertencentes a um grupo de antibióticos de amplo espectro), nos resultados hospitalares do COVID-19. Cada um desses esquemas medicamentosos foi associado à diminuição da sobrevida hospitalar e a um aumento da frequência de arritmias ventriculares quando usado no tratamento do COVID-19“.

Este novo estudo é provavelmente um dos (senão o mais) robustos realizados sobre o uso de cloroquina ou hidroxicloroquina, na medida em que inclui resultados obtidos com 96.032 pacientes (idade média 53,8 anos, 46,3% mulheres) que tiveram COVID-19  e foram hospitalizados durante o período do estudo, tendo preenchido critérios de inclusão. Os autores informam ainda que 14.888 pacientes analisados estavam nos grupos de tratamento (1868 receberam cloroquina, 3783 receberam cloroquina com um macrólido, 3016 receberam hidroxicloroquina e 6221 receberam hidroxicloroquina com um macrólido, sendo que  81.144 pacientes foram colocados no chamado grupo de controle. O resultado final é que 10.698 (11,1%) pacientes morreram no hospital.

Como se vê, quando submetido a uma análise  rigorosa, o mito da utilidade da cloroquina e da hidroxicloroquina para combater a COVID-19 se esfarela rapidamente, não resistindo ao exame próprio de quem realmente tem a capacidade de analisar dados científicos. Por isso, enquanto a comunidade cientifica não produz as alternativas eficazes contra a COVID-19, a melhor alternativa continua e continuará sendo o isolamento social, independente do que pensem os bufões que eventualmente são eleitos para presidir países como o Brasil (Jair Bolsonaro) e os EUA (Donald Trump).

Uso de hidroxicloroquina é associado a problemas cardíacos e mortes na França

O jornal francês “Le Parisien” publicou hoje (10/04) um artigo onde diz que muitos médicos franceses estão preocupados com os riscos associados à prescrição sistemática de hidroxicloroquina como arma anti-coronavírus. A razão para isso é simples: o risco de graves distúrbios cardiológicos nos pacientes.

cloroquina mortal

As preocupações da comunidade médica francesa se devem em boa parte à divulgação pelo Centro de Farmacovigilância da França que informou que desde 27 de março foram registrados 54 casos de problemas cardíacos, incluindo quatro fatais, relacionados à ingestão de hidroxicloroquina para combater a infecção causada pelo COVID-19.

A matéria traz uma entrevista com o professor de farmacologia clínica Milou-Daniel Drici  que afirmou gostaria que todos os hospitais e médicos da França pensassem nisso antes de prescrever o tratamento com hidroxicloroquina para seus pacientes com Covid-19.

Drici estar preocupado com os efeitos indesejáveis, em particular afecções graves, às vezes fatais, no coração de certos pacientes, não param de aumentar na França em conexão com o uso deste medicamento. “Exceto no contexto de ensaios clínicos para avaliar esse medicamento ou no caso de pacientes hospitalizados em estado grave com o acordo colegial dos médicos, ele não deve ser prescrito”, insistiu o professor Drici.

Segundo ele, entre os potenciais efeitos indesejáveis da ​​hidroxicloroquina estão: náusea, vômito, erupções cutâneas, mas também ataques dermatológicos, oftalmológicos, psiquiátricos.

A matéria do “Le Parisien” informa ainda que o Centro de Farmacovigilância observou casos de desconforto, palpitações ou perda repentina de consciência, e que nos casos mais graves, o paciente sofreu arritmia cardíaca: o coração começa a bater de maneira anárquica e desordenada.  

O que se depreende do caso francês é que o uso de hidroxicloroquina não é a panaceia que os presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro têm insistentemente apregoado, e que, em muitos casos, em vez de curar o COVID-19, essa droga poderá causar a morte dos pacientes. 

Por isso é que em vez de se procurar por uma droga milagrosa, o que temos de fazer é seguir os protocolos da Organização Mundial da Saúde e aprofundar as medidas de isolamento social.  Do contrário, a contagem de mortos subirá exponencialmente no Brasil, como já ocorreu em outros países onde o sistema de saúde estava em situação menos precária do que o nosso se encontra após anos de sucateamento premeditado.