Enquanto Bolsonaro quebra isolamento em Brasília, coronavírus se espalha dentro de unidades de saúde como fogo no pasto

O presidente Jair Bolsonaro esteve hoje fazendo um giro por diferentes pontos da periferia do Distrito Federal fazendo o que tem feito nas últimas semanas, qual seja, atrapalhar os esforços de contenção da difusão da pandemia do coronavírus no Brasil (ver vídeo abaixo da ida a um supermercado onde rapidamente causou a indesejável, por ser perigosa, aglomeração de pessoas).


Enquanto o presidente Bolsonaro faz mais estripulias, os leitores da Folha de São Paulo puderam ler a notícia abaixo, a qual dá conta que pelo menos 90 servidores do hospital paulistano Sírio-Libanês contraíram o coronavírus que transmite a COVID-19, estando assim alijados da frente de combate à expansão dessa pandemia na capital paulista. Com isso, os profissionais que ainda não foram infectados estão ficando cada vez mais sobrecarregados.

sirio coronavirus

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Como o Hospital Sírio-Libanês não é exatamente um daqueles que atenderá a clientela que estava no supermercado visitado por Brasília, imaginem o que já não está acontecendo nas unidades do Sistema Unificado de Saúde (SUS) que está na linha de frente da guerra contra o coronavírus e, mais especificamente, no atendimento dos mais pobres. Aliás, não precisa nem ser o Sírio-Libanês, pode ser, por exemplo, o Hospital da Unimed em Volta Redonda onde ao menos 10 médicos já foram contaminados.
A verdade é que os profissionais da área da saúde (seja pública ou privada) estão sendo colocados para enfrentar um vírus com capacidade comprovada de produzir óbitos em alta velocidade, sem que haja um mínima de condição em termos de infraestrutura para fazê-lo. E, pior, aquele que deveria estar se empenhando para dotar esses profissionais com a condição de vencer a pandemia, parece estar mais inclinado a assumir o lado do vírus nesta guerra.
Finalmente, não deverá surpreender ninguém se partes dos adoecidos ou mortos pela COVID-19 não forem os profissionais da saúde que hoje enfrentam o coronavírus sem a devida proteção.

Michel Temer com ares de Tancredo Neves

michel neves

Será que sou só eu a achar que a situação da saúde do presidente “de facto” Michel Temer não está tão boa quanto querem nos fazer crer os repetidos boletins médicos do Hospital Sírio-Libanês? É que já estando em tratamento há vários meses por complicações supostamente relacionadas ao sistema urinário, Michel Temer parece não estar se recuperando tão bem quanto os anúncios protocolares que são feitos pelos médicos do Sírio-Libanês e escrupulosamente repetidos pela mídia corporativa.

Esse caso me faz lembrar do caso do presidente eleito Tancredo Neves que chegou a posar com sua junta médica para mostrar que seu quadro médico estava sob controle apenas para morrer poucos dias depois.

O fato é que se a saúde de Michel Temer entrar num quadro de piora haverá certamente um terremoto político no Brasil, na medida em que repousa sobre sua figura a chancela de todos os projetos antipopulares que as elites brasileiras têm imposto sobre os trabalhadores desde a concretização do golpe parlamentar contra Dilma Rousseff.

Por isso, não me surpreendo com os boletins otimistas que teimam em se materializar numa efetiva melhora das condições de saúde de Michel Temer.  É que, como já nos mostrou o caso de Tancredo Neves, a capacidade de mistificação das elites brasileiras é insuperável.