TsuLama da Samarco: Governo Dilma e mineradoras ensaiam o tango da impunidade

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Desde que o TsuLama da Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton) eclodiu em Mariana (MG) e devastou o Rio Doce e partes do litoral capixaba, o governo federal e dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo vem ensaiando um belo tango da impunidade.

As características desse tango entre governantes e importantes financiadores de suas campanhas eleitorais ficou evidente por um lado com a demora de Dilma Rousseff de ir visitar as áreas destruídas pelo TsuLama da Samarco e, por outro, pela celeridade de Fernando Pimentel de realizar uma coletiva de imprensa na sede da Samarco para declarar basicamente que a empresa também era vítima do evento que sua negligência tornou possível.

Depois tivemos manifestações pífias da ministra do Meio Ambiente Izabela Teixeira e da sua ajudante de ordens e presidente do IBAMA, Marilene Ramos. Somado tudo o que essas duas autoridades disseram, a impressão que ficou é que a coisa no Rio Doce e no litoral capixaba não era tão feia quanto as redes sociais pintavam.

Ainda tivemos a manifestação de um pesquisador contratado pelo Ministério do Meio Ambiente que foi na imprensa nacional e internacional anunciar que a ressurreição do Rio Doce ocorreria num prazo de até 5 meses (Aqui!)

Toda esses fatos colocados juntos apontam para a submissão do Estado brasileiro em relação às duas mineradoras, Vale e BHP Billiton, que são as efetivas proprietárias da Mineradora Samarco.

Mas agora, em meio a pesadas chuvas e mais material do TsuLama chegando no Rio Doce, vemos uma etapa mais objetiva desse tango da impunidade que combina dois passos: 1)  a ação da Vale para impedir que sua empresa seja obrigada a pagar as multas determinadas pela justiça e 2) a entrada em campo do governo Dilma para chegar a um acordo “por fora” da justiça que certamente jogará qualquer desembolso de recursos por parte da Vale e da BHP Billiton para um cenário fictício.

Há que se ressaltar que este tango não é algo de ocasião, pois é dançado toda vez em que um grande incidente ambiental acontece no Brasil. A diferença é que agora Estado e corporações tentam esse tango para escapar dos tribunais que ameaçam, provavelmente por causa da dimensão do problema, ter uma ação mais diligente e rápida.

Além disso, é preciso considerar a possibilidade de que  esta volúpia em chegar a um valor para este tal fundo de reparação se deva à possibilidade que as dimensões ambientais e sociais tornem a quantia de R$20 bilhões uma pechincha.

A defesa da UENF passa por apoiar a luta dos seus estudantes

Os estudantes realizaram uma assembléia ontem (03/03) após convocação pelo DCE-UENF. É que confrontados pelo espectro do caos financeiro que implica, entre outras coisas, no atraso do pagamento de todas as modalidades de bolsas que dependam de recursos do tesouro estadual, os estudantes optaram pelo caminho da luta organizada.

Com base nessa disposição é que fui informado que uma série de atividades políticas deverão acontecer no futuro imediato visando responsabilizar o (des) governo do Rio de Janeiro pelos diversos problemas que hoje comprometem o funcionamento da UENF. Nesse sentido, foi definida a publicização da hashtag #Pezão inimigo da educação.  Pode parecer exagero, mas não é!

Neste cenário de precarização que ameaça a UENF, é preciso ficar claro que apoiar a pauta de reivindicações formulada pelos estudantes é essencial para que a universidade possa continuar cumprindo seu papel estratégico no desenvolvimento econômico e social da região Norte Fluminense.

É como bem disse o bispo sul africano Desdmond Tutu, quem fica neutro em situações de injustiça, escolhe o lado do opressor. No caso da UENF,  quem ficar neutro em relação à luta dos estudantes, vai estar fazendo a opção pelo (des) governo Pezão e pelo sucateamento e desmanche que está promovendo na UENF e nas outras universidades estaduais.

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