Tem cauda de golpe, mia que nem golpe, tem focinho de golpe, logo… golpe é

golpe

Não votei em Dilma Rousseff em nenhuma ocasião em que ela foi candidata e considero o seu governo antipopular e omisso em grandes questões relacionadas à soberania nacional e a defesa dos direitos dos pobres.

Isso me faria um candidato natural a ignorar o que está acontecendo no Brasil, e deixar isso de lado em nome de uma consciência de classe acima das disputas em curso, não é? 

Não, não é.  Ao me deparar com o aterrorizante espetáculo proferido pela bancada do “sim” no último domingo e dos planos de (des) governo que Michel Temer e seus aliados já ventilam, não posso ficar “isentão” nesse processo que é, queiramos ou não, um golpe de Estado.

Alguns poderiam dizer que tudo foi feito com um verniz de respeito aos preceitos constitucionais. Mas não bastasse aquela malta de desqualificados que se apresentaram para votar em nome “Jesus, Maria e José” e pelo impeachment, há que se ter em conta que esse tipo de estratégia já foi utilizado recentemente no Paraguai e em Honduras quando se apeou Fernando Lugo e Manuel Zelaya usando a mesmíssima via, ainda que em tinturas diferenciadas.

Dito isso tudo, a minha posição é de que estamos sim diante de um golpe de Estado, promovido pelos setores da burguesia nacional mais comprometidos com a entrega das riquezas nacionais e o desmanche das parcas estruturas de desenvolvimento autônomo que foram construídas no Brasil desde a instauração do Estado Novo em 1937.

Portanto,  o impeachment de Dilma Rousseff, tem cauda de golpe, mia que nem golpe, tem focinho de golpe, logo… golpe é

O impeachment tem sua musa: Raquel Muniz do PSD de MG

sim

A votação do impeachment teve seus momentos inverossímeis, mas nenhum que supere a manifestação da deputada federal Raquel Muniz (PSD/MG) que mandou lembranças para os filhos e netos, e exaltou o marido, prefeito pelo PSB em Montes Claros.

O que transformou Raquel Muniz na musa do impeachment não foi a declaração de voto em si, mas a prisão do seu marido, ainda em Brasília, exatamente por… corrupção.

Agora, a eloquente deputada mineira deve estar se tocando que um simples sim teria sido melhor para ela e, por que não, para o seu marido.

Abaixo o link para acessar a inesquecível declaração de voto de Raquel Muniz. O marido dela deve estar muito, mas muito, orgulhoso !

Por que tanta surpresa com a má qualidade do nosso parlamento?

Tenho notado nas mais variadas análises e repercussões da votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff uma certa estupefação com o espetáculo tragicômico que foi oferecido ao Brasil pelos que votaram a favor do impedimento. 

Uma analista astuta, por outro lado, apontou que se Eduardo Cunha usou a votação num domingo para constranger o voto contrário ao impedimento, ele prestou o serviço involuntário de nos mostrar que o tal “baixo clero” de que tanta se fala e nunca se vê, é muito mais numeroso e torpe do que se atribui normalmente.

Eu diria que se alguém não tinha noção da fraqueza intelectual e moral da maioria da Câmara de Deputados até hoje era por simples falta de curiosidade sobre quem são seus membros. Aliás, não é só na Câmara que se pode verificar a baixíssima capacidade de oferecer falas minimamente lógicas e amplas. Basta ir em qualquer em qualquer assembleia legislativa ou câmara de vereadores que o espetáculo oferecido é igual ou pior.

A culpa disso é de um sistema partidário controlado pelas corporações que beneficia quem tem dinheiro (muitas vezes de Caixa 2) para impulsionar candidaturas que, em tempos normais, não teriam a menor chance. Além disso, a falsa certeza de que a tal “Ficha Limpa” garantiria parlamentares mais probos criou uma ilusão de limpeza que equivale a limpar o chão com um pano sujo de fezes. 

A verdade é que esses parlamentares representam o que pensam as elites e porções significativas da classe média brasileiras. O apoio à tortura, à violência contra os pobres, ao fanatismo religioso que adormece as consciências, e à moral seletiva e hipócrita é uma marca de quem manda nesse país desde que os portugueses por aqui aportaram entregando espelhinhos para os nativos.  Então, convenhamos, esses deputados caricatos são apenas a face explícita dos velhos escravocratas que ainda mandam nesse país. 

Mas para quem reclama apenas do parlamento, eu diria que o buraco é bem mais embaixo, ou, bem mais acima. Vejamos a situação do Supremo Tribunal Federal  (STF) que senta há quase 4 meses num pedido de prisão contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Qual é a razão de tamanha demora para uma decisão tão óbvia? Somado isso às prisões arbitrárias de pessoas que sequer tiveram crimes reconhecidos pelo juiz Sérgio Moro, encontramos uma simbiose entre o show de horrores da Câmara durante a votação do impeachment com o que efetivamente representa o STF na manutenção de uma situação de contínua desigualdade social no Brasil.

Querem uma expressão óbvia disso? A recente indicação e aprovação da jovem advogada Marianna Fux para o posto de desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio Janeiro. Principal mérito dela? Ser filha do ministro do STF, Luiz Fux! Afora, umas poucas linhas em alguns veículos da mídia corporativa, esse jogo de compadres foi aceito de muito bom grado. Ninguém se mostrou enojado como fazem com o pagamento da Bolsa Família para um punhado de pobres. Tudo muito limpinho e cheiroso.

Felizmente, e sempre há um felizmente, toda essa situação está sendo mostrada na TV. E para quem pensa que o produto final disso são massas enebriadas, eu diria que é possível que surpresas ocorram. É que, enquanto aquelas pessoas de tez clara vestindo verde amarelo pulavam felizes toda vez que um voto hediondo (como o proferido por Jair Bolsonaro em memória de um dos maiores torturadores da história do Brasil), os pobres olhavam com outros olhos o prenúncio de tempos muitos duros pela frente. Daí que ninguém se surpreenda ao ver que quem hoje planta ventos para Dilma Roussef vá colher tempestades num futuro não distante. A ver!

O impeachment como pedagogia do que pensa o opressor

Aos que querem mudanças reais no Brasil, o  resultado da votação ocorrida na Câmara de Deputados deverá valer menos pelo resultado, mas mais do que aprendemos sobre a composição deste congresso e do pensam (pensam?) os seus membros.

A partir da permissão de que Eduardo Cunha, dada de forma explícita pelo Supremo Tribunal Federal é preciso que se diga, tocasse o impeachment da melhor maneira que lhe interessasse, o resultado já estava mais ou menos definido. 

Agora, o que não estava escrito em nenhum lugar foi o show de nonsense que emergiu de bocas famosas como Jair Bolsonaro, Paulinho da Força e Marco Feliciano, e de outras nem um pouco famosas que só aprendemos quem é a figura se procurarmos pela ficha corrida da mesma.

Aos que estão em choque ao ver o que pensam os que apoiaram o golpe parlamentar para encurtar o mandato de Dilma Rousseff, eu aconselho a ver o que acontece na sua Câmara de Vereadores ou na Assembléia Legislativa do seu estado. A coisa é igual ou pior,  e a explicação para essa é a mesma: a  maioria que está lá o conseguiu a partir de campanhas milionárias, algumas vezes das mesmas empresas que alimentam os esquemas que eventualmente são apurados na polícia, e raramente são punidos na justiça.

A verdade nua e crua, e principal lição do dia de ontem, é que esse parlamento, a começar pelas figuras caricatas que soltaram voz ontem em Brasília, representa a reprodução mais fiel do que pensam as elites oligárquicas do Brasil, sem tirar nem por. A verdade é que por detrás do refinamento aparente, o que existe é o antigo latifúndio escravocrata que se recusa a tornar o Brasil um país minimamente moderno e democrático.

Agora, passado o frenesi da aprovação, o que essas mesmas elites que se utilizaram dessas figuras caricatas precisam entender é que todos os planos de ataque trazem consigo outro de reação. E como eu sempre disse desde o início, todo esse jogo está sendo jogado sem combinação prévia com os russos, quer dizer, os pobres.  E como não vivemos mais numa sociedade rural dominada pelos senhores de escravos, há sempre espaço para imponderável que escape ao script que está traçado nas mansões e corredores do poder. A ver!

E no meio do impeachment, o TsuLama continua

Enquanto todas as atenções estão voltadas para as idas e vindas da tentativa de impeachment da presidente Dilma Rousseff em Brasília, o TsuLama causado pela Mineradora Samarco (Vale+ BHP Billiton) já completou cinco longos meses, sem que a empresa tenha se dado ao trabalho de conter a chegada de rejeitos que acabam chegando no Rio Doce.

O TsuLama da Samarco é a expressão mais clara de tudo o que está errado com o Estado brasileiro. Até hoje, apesar das mortes de moradores de Bento Rodrigues e do incalculável impacto sobre os ecossistemas naturais que existem entre Mariana (MG) e Linhares (ES), ainda não se tem notícia de que a Samarco tenha pago uma única multa ambiental.

Além disso, o propalado acordo assinado entre as mineradoras e o governo federal apenas serviu para atrapalhar o andamento dos múltiplos processos que existem em diferentes esferas do judiciário.

De quebra, os governos de Minas Gerais e Espírito Santo pouco ou nada tem feito para impor que os danos ainda impactando as vidas de centenas de milhares de pessoas tenham a devida contrapartida pela Samarco e suas proprietárias, a Vale e a BHP Billiton.

Diante desses fatos é que me parece que havendo ou não o início do processo de impeachment de Dilma Rousseff, estamos longe de assistir a anunciada ressurreição do Rio do Doce. Pior ainda, o que provavelmente continuaremos assistindo é a completa impunidade das corporações responsáveis pelo pior desastre mundial da mineração nos últimos 100 anos.

Findada a nova república, a volta da luta de classes se tornará ainda mais explícita

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Seja qual for o resultado da votação do impeachment da presidente da Dilma Rousseff, o certo é que estamos assistindo ao desmoronamento da chamada “Nova República” que sucedeu ao regime dos militares em 1985. 

A exposição do apodrecimento do sistema político partidário brasileiro é tão evidente que não é mais possível negar que estamos assistindo a um processo de esfacelamento do processo de colaboração que o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva tão bem sintetizou após chegar à presidência da república em 2003.

Mas a vitória da ampla aliança de partidos direitistas liderada por Michel Temer e Eduardo Cunha no impeachment de Dilma Rousseff também implicará em algo que provavelmente as elites não estão calibrando bem, qual seja, o extremo recrudescimento da luta de classes no Brasil.

Parece até que os desejosos da partida de Dilma Rousseff esqueceram os múltiplos casos de saques de supermercados que ocorreram no início do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso. Tampouco as elites parecem estar assistindo a insurreição estudantil que se espalha por vários estados importantes da federação por causa da destruição do ensino público.

As elites também estão desprezando os crescentes enfrentamentos no campo que nas últimas semanas resultou em mortes de sem terra em diferentes pontos do território do Brasil, e também da disposição mostrada pelos sobreviventes de prosseguir o enfrentamento.

O nome dessa coisa que as elites não parecem estar visualizando numa proporção minimamente correta é o que Karl Marx rotulou de “luta de classes”.  E essa consequência desprezada nos corredores do congresso nacional é poderá resultar num incêndio para o qual as elites não vão poder contar com seu principal bombeiro, o ex-presidente Lula. É que Lula sabe que no frigir dos ovos, a sua saída de cena momentânea tornará o seu retorno inevitável em 2018, pelas mãos das mesmas elites que hoje o espezinham.

Agora resta saber se os “russos” (no caso os pobres) vão topar esperar a próxima eleição presidencial.

 

Temer repete FHC e senta na cadeira antes da hora

Eu que já pensava ter visto todo o primarismo da classe política brasileira se desvelar no imbróglio do impeachment da presidente Dilma Russeff, fui, confesso, surpreendido, com a liberação de um pronunciamento antecipado à nação do vice-presidente Michel Temer (PMDB) já se apresentado como o novo supremo mandatário do Brasil (Aqui!).

Além de explicitar a ânsia de apear sua parceira de chapa do poder via um golpe parlamentar, Michel Temer também antecipou seu receituário amargo para a crise que o Brasil atravessa ao avisar que a população será chamado a fazer sacrifícios!

Tanta açodamento tem um paralelo recente na história brasileira, pois Temer praticamente repete o gesto cometido em Novembro de 1985 por Fernando Henrique Cardoso (FHC) que sentou antes do tempo na cadeira de prefeito da cidade de São Paulo numa eleição que ele acabaria perdendo para Jânio Quadros.

Além de ter se exposto antes do tempo, Michel Temer agora se arrisca a ver Dilma Rousseff repetindo o gesto de Jânio Quadros que dedetizou a cadeira onde FHC sentou após assumir a direção da prefeitura da capital paulista.

No embalo do impeachment está declarada a temporada de caça aos pobres que ousam resistir

cacaulandia

A morte de dois trabalhadores sem terra no município de Quedas do Iguaçu, no extremo oeste do Paraná (Aqui!), é apenas mais um episódio de um processo da temporada de caça aos pobres que ousam resistir que está ocorrendo no Brasil.  Há poucos dias, capangas haviam colocado fogo num acampamento em Cacaulândia em Rondônia (Aqui!). Enquanto isso na Bahia, um líder indígena da etnia Tupinambá foi preso numa reintegração de posse promovida numa área que foi designada como terra indígena, mas que ainda aguarda ação do governo federal para sua demarcação (Aqui!).

Esses três casos são apenas a ponta de um imenso iceberg de repressão e violência contra setores organizados da maioria pobre da população brasileira.  E a violência vem pelas mãos de jagunços ou por agentes do próprio Estado.  A marca que unifica essas ações de truculência explícita é a negação do direito dos pobres à condições minimamente dignas de existência. E não é à toa que a violência que ocorre no campo sempre cai sobre “sem terras” ou índios. É que nesses dois grupos está concentrada a disputa pela propriedade da terra no Brasil.

Qual é a ligação imediata entre a violência que grassa nos campos e florestas com o impeachment (quer dizer golpe institucional) que se quer promover contra Dilma Rousseff? Eu diria que é o fato de que, apesar de todas as suas contradições e omissões, o governo Dilma ainda não faz o trabalho completa de eliminar fisicamente os que ousam demandar seus direitos. Dai para a ação de jagunços ou do braço armado do Estado é um passo. E tudo isso colocado, podemos entender a sanha de tirar Dilma Rousseff da presidência custe o que custar.

E que ninguém se engane. A violência que está aparecendo agora nas áreas rurais é a mesma que floresce a olhos vistos há bastante tempo nas principais cidades brasileiras. A diferença é que a explicitação e o aprofundamento da crise sistêmica por que passa neste momento o capitalismo mundial, e que possui particularidades ainda mais drásticas no Brasil, torna a eliminação dos pobres uma necessidade para aqueles que querem continuar se apropriando de toda a riqueza, de forma a torná-la ainda mais concentrada. É por isso que nunca ouviremos ninguém batendo panelas nas áreas mais abastadas quando for para denunciar a morte de trabalhadores de sem terra ou a repressão à lideranças indígenas. 

Karl Marx manda recado a Lula: enquanto houver capitalismo, a luta de classes não será anulada

As últimas semanas têm sido pródigas nas idas e vindas da tentativa de golpe parlamentar contra a presidente Dilma Rousseff. De um lado, temos personagens do calibre de Eduardo Cunha, Paulinho da Força e Aécio Neves.  Já do outro lado, o principal personagem é o ex-presidente Lula a quem eu credito a origem de todo o problema quando abandonou as alianças clássicas com partidos de esquerda que o  Partido dos Trabalhadores (PT ) fez até 2002 para cair nos braços de José Sarney et caterva.

Aqui começo a falar do objeto desta postagem: o problema das disputas insolúveis no plano do Capitalismo entre capital e trabalho ao qual Karl Marx sintetizou sob o conceito de “luta de classes”.

Exemplos de governos de conciliação de classes abundam desde o Século XIX quando a social democracia efetivamente rompeu com a perspectiva de transformação revolucionária da sociedade capitalista.  O fracasso desse movimento conciliatório dentro da direção do aparelho de Estado, principalmente na Europa, é que deu origem ao Fascismo na Itália e a Nazismo na Alemanha. 

Mas as lições históricas do fracasso dos governos de conciliação de classe não serviram para nenhum tipo de aprendizado para o ex-presidente Lula e seu círculo mais próximo. Tanto isto é verdade que hoje o PT depende de personagens ilustríssimos como Paulo Maluf, Fernando Collor e Renan Calheiros para impedir o golpe parlamentar disfarçado de impeachment que  foi gestado por associações obscuras de interesses que um dia conheceremos melhor nos livros de História.

E o pior é que ao longo da última década nos foi vendida a falácia de que a única possível saída para alavancar o desenvolvimento brasileiro e diminuir a abissal diferença de renda no Brasil era abraçar de forma acrítica as políticas emanadas do governo de conciliação de classes que Lula comandou e, depois, passou para Dilma Rousseff.

Para mim a grande pretensão do ex-presidente Lula, um reconhecido gênio nos processos de articulação, foi acreditar que favorecendo a anulação do potencial transformador do Partido dos Trabalhadores também conseguiria anular a luta de classes no Brasil. É esse o pior dos erros de Lula, e não as relações pantanosas com empreiteiras como a Odebrecht e a OAS que  resultaram nos traques jornalísticos dos pedalinhos de Atibaia e o do tríplex do Guarujá.

O problema é que, enquanto a militância genuína que ainda existe dentro do PT não ver a inevitabilidade de derrotas ainda maiores por causa da volúpia colaboracionista de Lula, teremos milhões de brasileiros desarmados para o combate em defesa de minguados direitos sociais duramente conquistados.

E lá do cemitério de High Gates no norte de Londres, os ossos de Karl Marx, se pudessem enviar alguma mensagem, diriam a Lula: enquanto houver capitalismo, haverá luta de classes, meu irmão!

Meu nome é impeachment, mas pode me chamar de golpe ultraneoliberal

O imbróglio do impeachment de Dilma Rousseff continua gerando um número incalculável de afirmações e contra-afirmações entre apoiadores e opositores do processo comandado pelo “insuspeito” deputado Eduardo Cunha.

Mas se nos deixássemos toda essa conversa de lado para observar as práticas atuais do governo Dilma e da agenda de governo de Michel Temer (ou seria plano de (des) governo?) veríamos que está em marcha um formidável retrocesso nas chamadas agendas sociais e aberto um período de caça aos direitos dos trabalhadores.

A existência de pelo menos 55 projetos de lei no congresso nacional voltados para a diminuição de direitos trabalhistas é só a ponta de um iceberg que aos poucos vai mostrando a sua face a partir de declarações de pessoas como Armínio Fraga e Henrique Meirelles.

Entretanto, o próprio governo Dilma acena com recuos formidáveis nos direitos historicamente obtidos pelas lutas dos trabalhadores, ainda que num primeiro momento esteja concentrando seu fogo numa nova reforma da previdência social.

Em outras palavras, enquanto somos distraídos pelo debate do impeachment, ambos os lados da moeda estão dispostos a avançar sobre programas sociais e direitos trabalhistas para apaziguar os bancos internacionais e as agências de “rating” que o mundo financeiro criou para manter os Estados nacionais periféricos incapazes de formular agendas próprias de desenvolvimento.

Dentro desse caos político que agrava a crise financeira interna é importante não cair na balela deste falso “Fla x Flu”, pois quando a coisa é adotar um novo choque neoliberal no Brasil, a diferença efetiva é efetivamente apenas referente ao tamanho do ataque que será realizado aos trabalhadores e à juventude do Btasil.