Praia do Açu: do improviso à lama

No dia 29.12.2015 notei aqui neste blog a realização de uma obra improvisada na Praia do Açu (Aqui!). Agora, poucos dias depois, já se tornou possível verificar que a improvisação beira o escárnio, pois bastou um pouco de água para que toda a “obra” virasse um verdadeiro lamaçal.

Ao contrário do que poderia ser imaginado, eu não acredito que o principal agente a ser responsabilizado é a Prefeitura de São João da Barra, eventual responsável pela “obra”.

É que passados pelos menos dois anos desde que o processo foi detectado, não temos ainda nenhuma ação objetiva do Ministério Púbico para obrigar que a Prumo Logística, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e a Companhia Estadual de Desenvolvimento Industrial (Codin) a cumprir as obrigações associadas à emissão das licenças ambientais que autorizaram a construção das infraestruturas às quais estava associada a ocorrência do processo erosivo que esta improvisação tenta reparar de forma precária e temporária.

Enquanto isso resta aos moradores da Barra do Açu esperaram pela próxima maré alta para ver esse aterro seguir o seu destino inexorável que é ser varrido em direção à planície abissal.  Simples, irônico, e trágico.

O Diário noticia operação do MPF no Porto do Açu

porto

A nota abaixo que acaba de ser publicada pelo jornal O Diário dá conta de uma operação realizada na manhã desta 4a. feira (04/11) no interior do Porto do Açu pelo Ministério Público Federal (MPF), a qual contou com o apoio de um contingente policial formado por membros da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Como a nota é breve e o jornal está prometendo maiores explicações sobre esta operação, acho prudente esperar por mais informações, bem como por uma manifestação formal do próprio MPF. Mas uma coisa é certa, motivos para o MPF olhar este empreendimento com uma lupa de alta precisão não faltam. É que como tenho abordado aqui neste blog, existem inúmeras questões de natureza ambiental que já deveriam ter acarretado operações de inspeção desde o tempo em que Eike Batista reinava soberana por aquelas paragens. Entre estas destaco a poluição atmosférica causada pela movimentação do minério de ferro e da bauxita, a salinização de águas e solos, bem o processo de erosão que atualmente devora a Praia do Açu.

Como nesse mundo as coincidências abundam, uma equipe da Globo News está atualmente na região do Porto do Açu realizando uma reportagem de fôlego sobre os diversos problemas ambientais que cercam o empreendimento. Em outras palavras, as más notícias para a Prumo Logística e os órgãos governamentais responsáveis pelo cumprimento da legislação ambiental (INEA e IBAMA) podem estar só começando com esta simpática visita do MPF. A ver!

MPF realiza ação no Porto do Açu

 Em uma ação do Ministério Público Federal (MPF), seis agentes do órgão, com suporte da Polícia Federal (PF) e Polícia Rodoviária Federal (PRF), estiveram na manhã desta quarta-feira (04) no Porto do Açu, em São João da Barra, para realizar inspeções no que diz respeito à licença ambiental e também questões de segurança no Complexo. Eles chegaram por volta das 10h45 e permaneceram no local por várias horas.

FONTE:http://diarionf.com/mpf-realiza-acao-no-porto-do-acu

Audiência no MPE sobre o TPO Canaã foi cancelada sem previsão para nova data

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Acabo de ser informado que a audiência pública convocada pelo Ministério Público Estadual para analisar os efeitos sociais e ambientais da instalação do Terminal Portuário Offsore Canaã que eu havia anunciado neste blog (Aqui!) foi cancelada sem previsão para nova data. A suposta causa foi que a empresa interessado em instalar o empreendimento “não tinha certeza” de que todos os interessados haviam sido notificados a tempo de comparecer, o que poderia trazer o risco de terem gastos desnecessários com a vinda dos técnicos e tudo mais.

Além disso, a mesma fonte me informou de que em havendo duas representações feitas por um morador do Quilombo da Barrinha – uma no MP estadual e outra no federal – tudo indica que está ocorrendo uma reorganização ou uma definição de competências, em que o problema, ou parte dele, estaria sendo passado para análise na esfera do Ministério Público Federal (MPF).  Se isto realmente ocorrer,  o MPF e passaria a ficar encarregado de todo o processo, já que a existência de um quilombo na área em que se pretende instalar o TPO Canaã levaria o assunto para a esfera federal. Em função disso, entrariam em cena o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Fundação Cultural Palmares (FCP). 

Para complicar ainda um pouco mais o assunto, também fui informado que no âmbito do MPF já existem dois inquéritos relativos a essa questão, e que um posicionamento deverá ser emitido nas próximas semanas.

Se todas essas informações forem confirmadas, isto significa que a análise do processo de licenciamento ambiental do TPO Canaã acaba de sofrer uma súbita, digamos, subida no telhado.  Isto me leva a perguntar sobre como a existência do Quilombo da Barrinha estava sendo considerada (e se estava) nas análises já realizadas pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) para emitir as licenças ambientais de mais essa unidade portuária no Norte Fluminense.

De toda forma, essa “subida no telhado” acaba dando mais tempo para que a comunidade da Barrinha se organize melhor para defender seus direitos territoriais. E, sim, para que o Inea possa finalmente ser informado que aquela terra já  tem donos, os quilombolas da Barrinha.

 

Erosão na Praia do Açu: em vez de ação, Prumo responde vereador com evasivas

Trecho do RIMA - Explicação da Erosão

As últimas semanas foram mais calmas na Praia do Açu, já que o avanço da língua erosiva deu uma acalmada. Isto deveria estar sendo usado pelo poder público e pelos gestores do Porto do Açu para agilizar todas o cumprimento das exigências legais para que fossem iniciadas ações para mitigar a destruição daquela praia que está dentro da chamada Área de Influência Direta do empreendimento. Lamentavelmente não parece ser esse o “espírito” que reina ao menos na direção da Prumo Logística.

Implicância minha com a empresa que herdou o Porto do Açu? Não, nada disso. É que ao receber via redes sociais um ofício que a Prumo Logística enviou à Câmara de Vereadores de São João da Barra no dia 09/10/2015 após um pedido de informações do vereador Franquis Arêas (PR), não me resta outra conclusão senão a de que não há efetivamente compromisso com a resolução de um problema que estava previsto nos Estudos de Impactos Ambientais (EIAs) e nos Relatórios  de Impactos Ambientais (RIMAs) que foram utilizados para se obter as licenças ambientais para a construção da Unidade de Construção Naval (UCN) da OS(X) e do Canal de Navegação (CN) do Porto do Açu.

Vejamos então o ofício da Prumo Logística à Câmara de Vereadores de São João da Barra com destaques visuais que coloco para ressaltar as contradições objetivas que o mesmo contêm:

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Já na primeira página identifiquei um exagero criativo e uma contradição em termos. O exagero criativo fica por conta do fato de que o estudo a que a Prumo Logística se refere foi o documento essencialmente qualitativo que foi preaprado a pedido da empresa pelo professor da UFRJ/COPPETEC, Paulo César Rosman, onde ele exonerou o Porto do Açu de ser elemento causal na erosão em curso na porção central da Praia do Açu.  Ora, naquela audiência realizada no dia 01 de Outubro de 2014, o próprio professor Rosman reconheceu que não havia 1) visitado a Praia do Açu, e 2) não tinha tido acesso aos resultados do monitoramento costeiro que a Prumo diz estar realizando na área de influência do Porto do Açu.  Em outras palavras,  o que foi apresentado na Câmara de Vereadores dificilmente passaria num teste de rigor científico para atender o critério de “estudo científico”.

Já a contradição fica a cargo da declaração contida no mesmo terceiro parágrafo onde a Prumo Logística afirma que apesar do empreendimento não ser o fator causal no processo erosivo, a empresa vai participar dos esforços para entender as “causas  reais” e “apresentar soluções emergenciais e definitivas” para o problema. Ora, se as estruturas do Porto do Açu não são causa, o que levaria a Prumo a assumir tal compromisso?  A julgar pelas práticas cotidianas que temos visto, não é por simples compromisso social. 

Agora, vejamos a segunda página do ofício.

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Aqui temos a combinação de duas novidades velhas com promessas vagas. A primeira novidade velha é que houve uma reunião no dia 10 de Dezembro de 2014 (mais de 10 meses atrás!). e a segunda é que ali, se acordou que o mesmo professor Paulo César Rosman para coordenar estudos para se chegar à conclusão das causas do processo erosivo do Porto do Açu. Será que é preciso ser algum Einstein para se intuir que nesse novo estudo, a causa do processo erosivo continuará a não ser a construção do Porto do Açu e suas estruturas perpendiculares á costa? 

Em relação às promessas (isto é, “produtos”) me causa espécie o fato de que já se saiba as causas da erosão e a Prumo Logística não se digna a informá-las à Câmara Vereadores de São João da Barra neste mesmo ofício. Já em relação à segunda promessa (“produto”), me causa ainda mais espécie que o projeto para conter a erosão só deverá ficar pronto até Março de 2016! Com esse prazo elástico, é capaz de que quando for iniciar os trabalhos de construção das estruturas de proteção, não haja mais nada a ser protegido!

Mas vamos agora à última página do ofício que também contém declarações e omissões peculiares para uma empresa encarregada de gerir um negócio de grande porte como se diz que o Porto do Açu seria.

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Nesta página, o primeiro detalhe é que de cara se volta à ladainha de que não houve erosão ao sul e ao norte do molhe (quebra mar) como se essa fosse uma informação relevante. Ora, ali houve e está havendo deposição que só não causa maiores impactos porque existe um processo de dragagem todos os dias por 24 horas! Esse fato acompanhado da alteração que está ocorrendo ao sul do quebra mar é que se apresenta como relevante para quem quer realmente explicar o que está acontecendo na Praia do Açu. E, novamente, chamar o documento que foi enviado para a Câmara de Vereadores e apresentado publicamente na audiência realizada no dia 01 de Outubro de 2014 é, quando muito, um exagero criativo.

Agora, notei ainda o detalhe de que o documento é assinado por alguém que não teve seu nome ou cargo na Prumo Logística identificados.  Como o mundo das corporações não é controlado por pessoas ingênuas, esta falta de identificação deve ter seu propósito. Resta saber apenas qual.

Mas o que me causa realmente espécie não apenas na situação particular da erosão da Praia do Açu, mas em várias outras relacionadas aos problemas ambientais que decorrem da construção do Porto do Açu, é a completa ausência de cobranças formais por parte do Estado sobre as responsabilidades que foram assumidas no processo de emissão de licenças por parte do Instituto Estadual do Ambiente.  Que a Prumo Logística procure se eximir de responsabilidades é esperável.  Mas não é aceitável que a resposta a esta posição seja de completa inércia por parte de quem deveria estar cobrando o cumprimento das exigências legais contidas no processo de licenciamento ambiental.

Enquanto isso, a comunidade que vive nas imediações da Praia do Açu fica à mercê do imponderável e, sim, da inclemência das ondas. 

Dois ângulos da destruição da Praia do Açu

Estive na tarde desta sábado em uma nova visita á Praia do Açu e o que vi realmente foi chocante, mesmo para quem vem estudando o processo nos últimos anos. É que além da destruição completa da Avenida Atlântica, pude ainda ver o risco em que muitas construções, inclusive uma igreja, se encontram  neste momento de ter o mesmo destino da avenida.

Como imagens valem mais do que mil palavras, escolhi dois ângulos da seção da Praia do Açu que venho acompanhando para comparar a situação em duas datas do ano de 2015, e os resultados são mostrados abaixo.

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Sentido Lagoa do Açu para final da Avenida Atlântica – 12/05

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Sentido Lagoa do Açu para o final da Avenida Atlântica – 26/09

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Sentido final da Avenida Atlântica para Lagoa do Açu – 12/05

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Sentido final da Avenida Atlântica para Lagoa do Açu – 12/05

Ainda que existem pequenas diferenças de ângulos, a diferença visual deixa claro que uma grande quantidade de areia foi removida da Praia do Açu.  Aliás, conversando com moradores da Praia do Açu durante essa visita, me foi narrado que no recente episódio que destruiu a Avenida Atlântica, a principal sensação que acometeu todos que foram ver a ação do mar foi de completo abandono. 

Diante do cenário que se devela nas imagens acima, outra sensação que captei entre os moradores foi de que as soluções estão sendo proteladas para que ninguém seja responsabilizado pelo já foi destruído. É que, segundo este raciocínio, a completa destruição da Barra do Açu vai acabar justificando a omissão por parte de quem tem a responsabilidade pela situação. Pensando bem, não posso culpar os moradores por pensarem assim. É que até onde eu saiba, a Natureza continua sendo apontada como a única culpada pela destruição. Pobre natureza: tão judiada e tão difamada.

Erosão na Praia do Açu: as previsões confirmadas do Rima do estaleiro da OSX

Recebi a arte abaixo de um leitor e colaborador deste blog que possui um profundo conhecimento do processo erosivo que hoje consome a área litorânea ao sul do Terminal 2 do Porto do Açu. Uma coisa que salta aos olhos neste artefato é a confirmação das previsões que constam do Relatório de Impacto Ambiental (Rima) que foi preparado para que a OS(X) obtivesse as licenças ambientais necessárias para a construção do seu estaleiro no interior do Complexo Industrial Portuário do Açu!

Trecho do RIMA - Explicação da Erosão

Como o que a imagem mostra é, para mim, o que de fato está ocorrendo, realmente é de se lamentar que estejamos presenciando a negação do óbvio em relação ao processo erosivo em curso na Praia do Açu. É que se as medidas necessárias para conter o processo erosivo tivessem sido tomadas quando os primeiros sinais apareceram, não estaríamos hoje colocados num cenário tão preocupante, especialmente para os moradores da Barra do Açu.

Agora o que poderia ter saído mais barato, quase certamente sairá mais caro. Simples assim!

E, sim, continuo aguardando o momento que os responsáveis pelo oferecimento de respostas práticas sairão da negação do óbvio para a ação.

TV Terceira Via faz matéria sobre erosão na Praia do Açu

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A TV Terceira Via produziu uma matéria com um conteúdo que considero interessante sobre o avanço do processo erosivo que está consumindo a Praia do Açu, e hoje ameaça a localidade da Barra do Açu que ficam na área de influência direta do Porto do Açu.

Insisto que um aspecto que me causa estranheza total é a insistência da negação causal entre a construção do Canal de Navegação e do Terminal 2 do Porto do Açu no processo de desequilíbrio ambiental que hoje causa grave preocupação na comunidade da Barra do Açu.

Abaixo segue o vídeo que mostra a matéria. Mais do que assistir, é importante divulgar principalmente o testemunho dos moradores que hoje assistem com grande preocupação a aproximação do fenômeno que ameaça consumir suas residências e estabelecimentos comerciais.

E, sim, continuo esperando a implementação das ações que visem mitigar o processo de erosão. Com a palavra o INEA e a Prumo Logística Global.

Avanço da erosão cria situação de caos na Praia do Açu

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Vista panorâmica da Praia do Açu antes da construção do Porto do Açu, Seta indica área mostrada nas imagens do dia de hoje que estão no final desta postagem.

O caos anunciado desde o início de 2014 está se materializando rapidamente na Praia do Açu nos últimos dias de maré alta e ventos fortes. Como poderá ser observado nas várias imagens que recebi de moradores da Praia do Açu, o pouco que restava da faixa da Avenida Atlântica já foi tragado pelo mar, e agora a frente erosiva já está próxima das primeiras residências que existem na área.

Como não poderia deixar de ser, os informes que estou recebendo dão conta que os moradores estão vivendo momentos extremamente tensos, pois muitos depositou anos de trabalho em estruturas residências e comerciais que agora correm o perigo de serem simplesmente destroçadas pelo avanço do mar.

E o mais intrigante é que este processo erosivo é de conhecimento da Prefeitura de São João da Barra, da Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (Codin), do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e da Prumo Logística Global que é a atual gestora do Porto do Açu, empreendimento ao qual este processo erosivo está ligado por um Relatório de impacto Ambiental (Rima) que foi produzido para que fossem emitidas as licenças ambientais necessárias para a construção da unidade de Construção Naval (UCN) da OS(X) e do Canal de Navegação do Porto do Açu.

Assim, toda a inércia e o jogo de empurra que ocorreu desde que o problema foi detectado inicialmente é inaceitável. Agora que a queda das primeiras casas é uma questão de tempo, não será de se estranhar que a situação se transfira das esferas da blogosfera e da mídia corporativa para a da justiça. É que certamente os moradores da Barra do Açu não vão assistir inertes à destruição do seu patrimônio. E nunca é demais dizer que não chegamos a este ponto por falta de avisos!

Mas como imagens valem mais que mil palavras, posto abaixo algumas das imagens que me chegaram hoje.praia do açu 1 praia do açu 3 Praia do Açu 4 Praia do Açu 5 Praia do Açu 6 Praia do Açu 7 Praia do Açu 8 praia do açu

 

Erosão na Praia do Açu: moradores entregam nova denúncia no MPF

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Cansados de esperar por respostas objetivas para conter o avanço do mar, um grupo de moradores da Praia do Açu organizou um abaixo assinado e o protocolou, acompanhado de relatórios técnicos e imagens de satélite, no Ministério Público Federal em Campos dos Goytacazes como mostra a imagem abaixo.

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Essa demonstração de ação organizada da comunidade da Barra do Açu vem colocar mais pressão sobre a Prumo Logística e o (des) governo do Rio de Janeiro que já se encontram envolvidos no conflito agrário gerado pelo escabroso processo de desapropriação de terras no V Distrito de São João da Barra cujo capítulo mais recente foi a ocupação de diversas propriedades desapropriadas cujos donos ainda não foram ressarcidos pela perda de suas terras.

Além disso, há que se lembrar que o Ministério Público Federal em Campos dos Goytacazes já possui um inquérito relativo ao processo de erosão na Praia do Açu. Assim, esta entrega de documentos pela comunidade atingida pelo avanço do mar na Praia do Açu poderá ter sérias repercussões num futuro não muito distante.

Mas, como em outros casos relativos ao processo de implantação do Porto do Açu, o que está na gênese de todos estes conflitos é a falta de disposição por parte do Estado e das corporações privadas de oferecerem soluções práticas para os problemas que surgiram em diversas frentes.  E novamente não foi por falta de aviso que estamos chegando a esta situação de impasse.

Agora, uma coisa é certa. Não vai ser com meros discursos em palanques que vai se acalmar a demanda por reparações que estão surgindo na população do V Distrito. E quanto mais cedo se oferecerem respostas efetivas, menos dinheiro terá de ser gasto. Simples assim!

Erosão na Praia do Açu: prefeito Neco está preso entre as explicações e as promessas

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O vídeo abaixo mostra o prefeito de São João da Barra, o Sr. José Amaro Martins de Souza (Neco) do PMDB, dando explicações durante um evento comemorativo do dia 7 de setembro na localidade da Barra do Açu que se encontra ameaçada pelo processo erosivo em curso na sua faixa de praia. As declarações que aparecem no vídeo são importantes porque são as primeiras que sei terem sido feito diretamente à população daquela localidade.

Agora, o discurso que misturou explicações tardias com promessas imprecisas, levanta algumas questões importantes.  As que eu consegui identificar foram as seguintes:

1. Quem pagou pelo  estudo que o prefeito Neco afirmou que está sendo realizado e que será apresentado brevemente em audiência pública  à população da Praia do Açu?
2 –  Quem vai pagar pelas obras que deverão criar estruturas de proteção para a Praia do Açu? Se depender de recursos governamentais (municipal, Estadual ou Federal) a situação ficará ainda pior, dada a profunda crise financeira por que passam os diferentes níveis de governo. Isso quer dizer que a Prumo Logística vai assumir essa responsabilidade?;
3 – O prefeito Neco afirmou que é preciso fazer estudos até da areia que será colocada na Praia do Açu. Eu acho isso estranho, pois basta que se lembre que a areia que estava na Praia do Açu atualmente está depositada junto ao quebra-mar Sul do Terminal 2 (T2) do Porto do Açu, e  só seria preciso que se transportasse de volta para se começar a resolver o problema.
4 – Será que as licenças ambientais a serem emitidas pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) para a recuperação da Praia do Açu vão sair de forma tão rápida quanto as que liberaram a construção da Canal de Navegação e do Terminal 2 que, afinal, são os prováveis causadores da destruição em curso?
 
Uma coisa que me parece importante lembrar ao prefeito Neco e seus secretários é que os aplausos que foram ouvidos ao final de sua fala poderão se transformar em vaias caso as obras prometidas não ocorram antes que as primeiras casas comecem a ser devoradas pelo mar na Praia do Açu.  E vaias certamente serão traduzidas em negação de renovação de mandato em 2016.  E há que se lembrar que não se chegou a esta situação por falta de aviso. Simples assim!