Norsk Hydro usa twitter para tentar limpar sua barra suja de bauxita em Barcarena

barcarena hydro

A empresa para estatal dinamarquesa Norsk Hydro vem fazendo um esforço concentrado para tentar afastar suas próprias responsabilidades acerca do grave incidente ambiental ocorrido no município de Barcarena (PA) quando fortes chuvas causaram um processo de extravazamento de rejeitos tóxicos em corpos hídricos existentes naquela região.

Dentro deste esforço um ponto de disseminação da posição oficial da Norsk Hydro é a conta oficial da empresa no Twitter, onde sem medo de ser feliz, é apresentada a versão de que auditoria interna não revelou a presença de contaminantes oriundos dos tanques de rejeitos existentes em Barcarena nos corpos aquáticos que foram identificados como estando fortamente impactados, inclusive por metais pesados (ver figura abaixo).

norsk hydro denial

O que a Norsk Hydro não diz aos seus leitores no Twitter é que o Instituto Evandro Chagas (IEC), que fez análises independentes da empresa, já apresentou relatórios que mostram justamente o contrário, qual seja, que os corpos aquáticos no entorno de sua planta em Barcarena estão sim fortemente impactados, causando riscos aos ecossistemas naturais e à população humana assentada naquela região.

Tampouco a Norsk Hydro informa aos seus leitores do Twitter que a empresa vem fazendo um esforço concentrado para desmentir os relatórios produzidos pelo IEC, numa tentativa de cobrir o sol com a peneira, contando com cooperação ativa da mídia corporativa nacional [1]. Aliás, como bem já retrucou o pessoal do IEC, o que a Norsk Hydro está tentando fazer é desqualificar a validade científica dos trabalhos realizados pelos pesquisadores brasileiros em Barcarena, os quais lhes são completamente detrimentais.

O que a Norsk Hydro não aborda são os dutos clandestinos que foram encontrados após o incidente ocorrido em fevereiro dentro de suas instalações e que lançavam detritos tóxicos diretamente nos corpos aquáticos existentes na região de Barcarena.  E para não ter que se explicar principalmente aos seus acionistas sobre este tipo de procedimento ilegal que os executivos da Norsk Hydro estão tentando desacreditar os resultados científicos produzidos pelo IEC.

Como se pode ver, governança ambiental para a Norsk Hydro é coisa para “dinamarquês ver”, especialmente se ele for acionista. Já no Brasil, o negócio é poluir sem temer o amanhã.

 


[1] http://www.valor.com.br/empresas/5439335/norsk-hydro-quer-processar-mpf-e-rever-laudo-do-evandro-chagas

[2] https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2018/04/hydro-rebate-contaminacao-no-para-e-anuncia-fundo-de-r-100-mi-para-moradores.shtml

Barcarena: Instituto Evandro Chagas recomenda que os moradores de comunidades impactadas continuem recebendo água potável

Pará: Novo relatório atesta contaminação de rios e igarapés pela Hydro Alunorte

Por Lilian Campelo / Brasil de Fato

 

Rios e igarapés que serpenteiam o município de Barcarena, no Pará, estão contaminados por metais tóxicos provenientes de efluentes da lama vermelha de uma das bacias da empresa Hydro Alunorte. Este foi o resultado do segundo relatório técnico apresentado nesta terça-feira (28) pelo Instituto Evandro Chagas (IEC).

A análise feita nas águas do rio Pará chamou a atenção do químico Marco Marcelo Oliveira Lima, pesquisador em Saúde Pública da Seção de Meio Ambiente do Instituto. Foram encontrados altos níveis de alumínio, apesar do grande volume de água do rio.

“Nós estamos falando de coletas que foram feitas no rio Pará, onde você tem um volume de água muito grande, você tem alto poder de diluição, mas no rio Pará na praia Bejá, na praia de Sirituba e nos rios Arapiranga e Guajará do Beja o nível de alumínio e ferro encontrados foram muito altos logo após o evento.”

Lima afirma que o rio Pará é um dos mais estudados pelo IEC ao longo de anos e destaca que nunca se apresentou resultados com níveis tão elevados como se observou nesta última análise.

As amostras de água também foram coletadas nos rios Murucupi, Arienga, Arapiranga e Guajará do Beja, além dos igarapés Curuperê, Dendê e de um igarapé que é afluente do Tauá. O instituto também coletou amostras de lama dentro da empresa e na estrada PA-481, após o tombamento de um caminhão no dia 22 de fevereiro, que levava rejeitos químicos da Hydro. As coletas foram feitas entre os dias 25 de fevereiro e oito de março.

No rio Murucupi, nas amostras coletadas no trecho entre a comunidade Vila Nova e as nascentes, foram encontrados alumínio, ferro, arsênio, cobre, mercúrio e chumbo acima do que prevê a legislação. Lima recomenda que as águas do rio não sejam usadas para o consumo humano, recreação ou pesca.

Ele ainda ressalta que os relatórios apresentados pela empresa Hydro sobre os rios e igarapés do entorno são “falhos e insuficientes”.

“Porque esses dados não mostram os níveis de metais tóxicos nem mostram outras características físico-químicas, ou seja, não mostram que essas áreas apresentavam níveis de metais acima dos recomendados pela legislação brasileira.”

Diante de novos resultados, o IEC recomenda que a empresa continue fornecendo água potável para as comunidades impactadas até o final do período de chuvas na região.

 

Foto: Igor Brandão/ Ag Pará / Igor Brandão/ Ag Pará,  Edição: Camila Salmazio

FONTE: http://mamnacional.org.br/2018/03/29/para-novo-relatorio-atesta-contaminacao-de-rios-e-igarapes-pela-hydro-alunorte/