O Grupo de Pesquisa “Reviravoltas do simbólico” da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que é coordenado pela professora Lidiane Soares Rodrigues, está realizando uma pesquisa sobre as diferentes experiências de isolamento social durante a atual pandemia da COVID-19.
Para obter dados para essa pesquisa, o grupo de pesquisa liderado pela professora Lidiane Soares Rodrigues desenvolveu um instrumento de pesquisa onde procuram apurar os sentimentos das pessoas, de seus arranjos domésticos e de suas estratégias diante das privações impostas pelo isolamento social.
O participante da pesquisa poderá por responder e manter-se anônimo ou deixar seu contato no final, para a eventualidade de ser escolhido para uma entrevista. O grupo de pesquisa assume o compromisso de manter o sigilo absoluto em relação à identidade dos participantes.
Essa é uma pesquisa importante, na medida que as pesquisas sobre os impactos da pandemia da COVID-19 ainda não alcançaram os espaços onde as pessoas estão confinadas e os problemas que eventualmente estejam ocorrendo em função dessa situação.
Quem desejar participar desta pesquisa, basta clicar [Aqui!].
Ao contrário da imagem inicial de que a pandemia da COVID-19 funcionaria como uma sequência de ondas que se sucederiam em amplitude menor (a primeira onda sendo a maior de todas) está sendo substituída por outra, a de um incêndio florestal. Nessa versão, enquanto houver material para queimar, o fogo vai continuar ardendo.
Se usarmos a imagem do incêndio nos cenários de desconfinamento que estão sendo usados no Brasil ao arrepio do conhecimento científico acumulado em quase 4 meses de vigência, e agora crescimento descontrolado da pandemia, veremos que governadores e prefeitos que estão relaxando as medidas de confinamento estão apenas jogando mais material para ser queimado, reavivando o incêndio sem que ele tenha dado mostras de que iria ser extinguido.
O problema é que o material que está sendo consumido não é composto de árvores mortas, galhos e folhas, mas de vidas humanas. No dia de hoje (30/06), a contagem oficial(e subnotificada) é de que quase 1,5 milhão de pessoas já foram infectadas e quase 60 mil já morreram por complicações causadas no Brasil. Esse número de mortos é quase 100 vezes mais o que o presidente Jair Bolsonaro previu logo no início de sua cruzada contra as regras de confinamento, mas a contagem continua se acelerando. Lembremos que em março, Bolsonaro previu (equivocadamente) que o número de mortos pelo coronavírus não alcançaria os 796 causados pelo vírus H1N1(ver o vídeo abaixo).
Culpados para esse verdadeiro massacre são muitos, começando na presidência da república e chegando até os comerciantes que pressionam prefeitos e trabalhadores de que é preciso trocar vidas humanas por um simulacro de retomada da normalidade. Somado a isso a fragilização do Sistema Único de Saúde (SUS), temos as condições perfeitas para o levantamento das chamas que cada vez mais se aproximam de nós, levando ou mutilando pessoas conhecidas.
Aqui em Campos dos Goytacazes vejo com um misto de “eu já sabia” e pasmo, a decisão do jovem prefeito Rafael Diniz de permitir a reabertura do comércio e igrejas (muitas delas comércios da fé) a partir de amanhã. A alegação, absurda é preciso se frisar, é que se chegou a um equivalente aceitável entre leitos e doentes, desconhecendo por completo as evidências de que há uma gritante subnotificação de casos.
Alguém já disse, e eu assino embaixo, que de Rafael Diniz, o exterminador das políticas sociais que protegiam minimamente os pobres, não se poderia esperar muito, já que seu governo sempre agiu controlado pelo princípio da necropolítica. E não seria agora que Rafael Diniz se elevaria à condição de estadista que a cidade de Campos dos Goytacazes precisaria para enfrentar uma pandemia letal. Ainda que isso seja verdade, não deixa de ser chocante a tomada de uma decisão que ignora o conhecimento científico já firmado sobre o fato que um confinamento social estrito é a única forma conhecida de conhecer a pandemia da COVID-19 até que a onda passe ou as chamas do incêndio virem brasas dormentes.
Interessante notar que em Goiás e Paraná, estados que juntos não possuem números que cheguem sequer próximos dos registros no Rio de Janeiro, os governadores estão restabelecendo medidas mais duras de confinamento social após detectarem o crescimento vertiginoso do número de casos. E olhe que estamos falando de Ronaldo Caiadoe Ratinho Júnior, dois governadores conhecidos por suas posições de direita. Mas o processo está sendo reimposto na cidade de Belo Horizonte, governada por Alexandre Khalil, que não é nem de perto uma pessoa que defende ideias de esquerda.
A verdade é que para se combater a ampliação do caos causado pela COVID-19 não devemos nos guiar pela posição do espectro político em que possamos estar, mas pelas evidências científicas já amealhadas para conter e controlar a pandemia. Essa seria uma questão simples para ser entendida, mas que em um país no qual o novo ministro da Educação é pego mentindo sobre o seu currículo acadêmico de forma explícita e não é demitido sumariamente, isto evidentemente não é. Está mais claro do que nunca que as elites brasileiras se preocupam pouco com as evidências científicas, e muito mais com suas próprias necessidades de gerar lucro, nem que isso custe algumas milhares de mortes a mais. Até porque a ciência já demonstrou que quase 70% dos mortos pela COVID-19 no Brasil fazem parte da classe trabalhadora, que é para essas elites apenas material descartável que pode ser consumido no incêndio.
Por isso, aos que estão sendo empurrados para o desconfinamento precoce e jogados à própria sorte dentro do olho do furacão, restará a adoção das medidas de minimização da contaminação pelo coronavírus. Será deste disciplina coletiva que poderá sair o controle que não tem sido propiciado pela ação governamental.
Mas que fique claro que a história irá registrar quem foi que ajudou a manter o fogo aceso. Por ser exatamente por isso que os historiadores sejam tão detestados no Brasil.
A imagem abaixo mostra uma multidão ocupando uma rua central da cidade de Campinas (SP), após a decretação do fim do isolamento social pela Prefeitura Municipal comandado por Jonas Donizete (PSB).
Lojistas entrevistados pelo jornal A Cidademostraram um resultado heterogêneo, mas houve comerciante que ficou desapontado com o baixo nível de vendas. É que, segundo um lojista entrevistado, a maioria das pessoas que estava no centro de Campinas nesta segunda-feira foi lá para passear e não comprar.
Em cerca de duas semanas (que é o tempo de leva para o coronavírus completar o seu ciclo mortal) é muito provável que Campinas esteja com um alto número de mortes pela COVID-19. É que o alto nível de infecção que inevitavelmente ocorreu hoje, já que a liberação do comércio campineiro se deu em um momento de elevação da curva, resultará em muitos óbitos.
Os culpados para a tragédia que está sendo montada com a abertura precoce na maioria das cidades brasileiras serão os governantes que estão optando por abrir espaço para a ampla disseminação de um vírus letal em troca sabe-se lá do que.
Felizmente no Rio de Janeiro, um juiz que honra a toga, o meritíssimo Bruno Bodart da 7a. Vara de Fazenda Pública, suspender partes dos decretos que relaxavam o isolamento social no estado e município do Rio de Janeiro. Co m isso, o juiz Bruno Bodart está salvando milhares de vidas, pois, como se viu em Campinas, toda a confusão criada acerca da letalidade da COVID-19 terminou criando um ambiente social que beira a anomia.