Abraham Weintraub dá mais uma mostra pública de incapacidade matemática

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No dia 05 de Maio mostrei aqui um equívoco grave do ministro da Educação, Abraham Weintraub, que festejou um custo fictício de R$ 500 mil para um exame nacional que, na realidade, custará R$ 500 milhões. Disse naquela ocasião que se não estivéssemos tempos, digamos, tão bagunçados, Weintraub seria sumariamente demitido.

Mas se houvesse quem pudesse pensar que Abraham Weintraub se tornaria mais cuidadoso com seus manuseios públicos de cálculos matemáticos triviais, a pessoa que operou um ajuste draconiano no orçamento de universidades e institutos federais, hoje ele provou o contrário e de forma igualmente bisonha. É que ao lado do presidente Jair Bolsonaro (PSL), o ministro da Educação, Abraham Weintraub, usou bombons para explicar o congelamento  médio de 28,46% do orçamento das universidades públicas do país (ver vídeo abaixo).  

 

E qual é o problema aqui? É que o corte feito equivale a 28,5 e não 3,5 bombons! Ainda que em comparação com o erro anterior, a ordem de grandeza do erro tenha caído duas vezes, há que lembrar que Weintraub possui um curso de graduação em Ciências Econômicas pela Universidade de São Paulo (USP), o que torna esse tipo de erro algo inexplicável, para não dizer surreal.

A única explicação que não seja a de pura falta de letramento matemático por parte de Weintraub é que ele estava de gozação com a cara de quem assiste as transmissões que o presidente Jair Bolsonaro faz pelas redes sociais.

Em qualquer uma das opções acima, o caso é grave e torna ainda mais inexplicável a indicação e agora a permanência num dos cargos mais estratégicos da república brasileira.

‘Exterminador do futuro’: Bolsonaro é denunciado por assalto ao meio ambiente

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Nesta foto de 1988, as árvores queimam na Amazônia após um incêndio iniciado por fazendeiros no estado de Rondônia. Críticos dizem que as políticas de Bolsonaro já estavam prejudicando a posição internacional do país. Foto: Stephen Ferry / Getty Images

Por Anna Jean Kaiser, em São Paulo, para o “The Guardian”

Jair Bolsonaro está transformando o Brasil em um “exterminador do futuro”, alertou a ativista e política Marina Silva, enquanto ela e outros sete ex-ministros do Meio Ambiente denunciam o ataque do presidente de extrema-direita às proteções da floresta tropical.

Os oito ex-ministros – que serviram governos em todo o espectro político durante quase 30 anos – alertaram na quarta-feira que o governo de Bolsonaro estava sistematicamente tentando destruir as políticas de proteção ambiental do Brasil.

“Estamos observando-os desconstruir tudo o que montamos”, disse José Sarney Filho, que foi ministro do Meio Ambiente dos presidentes de direita Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer.

“Estamos falando sobre biodiversidade, vida, florestas … a Amazônia tem um papel incrivelmente importante no aquecimento global. É o ar condicionado do mundo; regula a chuva para todo o continente ”.

Silva, a ministro do Meio Ambiente de Lula, disse: “O que está acontecendo é um desmantelamento, levando a educação e o meio ambiente e tornando-os questões ideológicas”.

Ela disse que o governo arriscou “transformar nosso país no exterminador do futuro – e não podemos deixar isso acontecer”.

Bolsonaro foi severamente criticado em casa e no exterior por suas alegações de que as proteções ambientais impedem o crescimento econômico do Brasil. Ele é um aliado próximo do poderoso lobby do agronegócio e durante sua campanha disse que, se ele fosse eleito, não alocaria “mais um centímetro” de terra para reservas indígenas.

Izabella Teixeira, que liderou a equipe de negociação do Brasil no Acordo Climático de Paris como ministra do Meio Ambiente sob a presidência de esquerda Dilma Roussef, disse que as políticas de Bolsonaro já estavam prejudicando a posição internacional do país.

Ela disse: “Ser um negador da mudança climática é muito sério porque é uma questão geopolítica. Os sinais que o governo está enviando agora contra o consenso internacional estão comprometendo nossa credibilidade – sem mencionar nossa imagem ”.

Em um discurso na quarta-feira, Bolsonaro disse que removeria proteções ambientais em uma parte da costa florestada ao sul do Rio de Janeiro para criar “uma Cancun do Brasil”. Bolsonaro recebeu uma multa de US $ 2.500 da polícia ambiental pela pesca ilegal em a reserva em 2012.

Os ex-ministros destacaram o “esgotamento” dos poderes do Ministério do Meio Ambiente, incluindo a privação de jurisdição sobre a agência de água do país e o serviço florestal e também a eliminação de três secretários, incluindo o secretário sobre mudançaS climáticaS.

O governo de Bolsonaro também transferiu a autoridade para alocar novas terras indígenas da agência de assuntos indígenas para o ministério da Agricultura. Em determinado momento, Bolsonaro estava considerando se retirar do Acordo de Paris.

“Os defensores do meio ambiente estão de mãos atadas e os piores atores – os poluidores, o agronegócio – têm uma pistola na deles”, disse Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente de Lula da Silva. “Eu diria que se tornou o ministério do anti-ambiente.”

O ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, Ricardo Salles, respondeu com uma declaração em que acusou administrações anteriores de “má administração” e alegou que existe uma campanha para manchar a reputação do Brasil.

“O que está prejudicando a imagem do Brasil é a permanente e bem orquestrada campanha de difamação de ONGs e supostos especialistas, dentro e fora do Brasil”, escreveu ele.

Salles chamou a mudança climática de uma “questão secundária” e disse que as multas ambientais são “ideológicas”. Em suas primeiras semanas no cargo, ele suspendeu por três meses as parcerias entre o governo e as ONGs e mais tarde chamou o respeitado ativista ambiental Chico Mendes de “irrelevante”.

No início desta semana, Salles cancelou uma viagem ao Reino Unido, Noruega e Alemanha. A agência de notícias Folhapress informou que o ministro desistiu da viagem por causa de uma carta assinada por 602 cientistas que pediam que empresas européias fizessem apenas negócios com o Brasil sob a condição de que cumprissem compromissos de reduzir o desmatamento e os conflitos indígenas.

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Este artigo foi originalmente publicado em inglês pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

Governo Bolsonaro aprofunda ataque à ciência brasileira

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Abraham Weintraub e Jair Bolsonaro, os arautos da destruição da ciência brasileira.

Gosto sempre de lembrar que no dia 11 de janeiro de 2019 concedi uma entrevista ao jornal português “Diário de Notícias” onde declarei que a ciência brasileira estava sob ataque ideológico do governo Bolsonaro.  De lá para cá, os ataques contra a ciência nacional foram paulatinamente se intensificando, primeiro sob a batuta de Ricardo Vélez Rodriguez e mais recentemente pelas mãos de Abraham Weintraub.

A primeira grande evidência de que o ataque inicialmente no campo da ideologia havia mudado de patamar passando para a área financeira foi o corte médio de 40% do orçamento de universidades e institutos federais. Tal ação ameaça inviabilizar o funcionamento das instituições federais de ensino em meados de agosto, justamente quando deverá (ou deveria) começar o segundo semestre acadêmico de 2019.

Mas usando uma tática brutal que se assemelha à “blitzkrieg” utilizada pelo exército alemão no início da Segunda Guerra Mundial, hoje o presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (CAPES), o Sr. Anderson Ribeiro Correia, fez chegar às universidades brasileiras a informação de que foram sustadas bolsas em cinco programas ( i.e., Programa de Demanda Social (DS);  Programa de Excelência Acadêmica (PROEX);  Programa de Suporte à Pós-Graduação de Ins tuições Comunitárias de Ensino Superior (PROSUC);  Programa de Suporte à Pós-Graduação de Ins tuições de Ensino Par culares (PROSUP); e  Programa Nacional de Pós-Doutorado (PNPD/CAPES), no que implica num processo de asfixia financeira que deverá atingir todas as áreas do conhecimento, impedindo a continuidade de centenas de projetos de pesquisa e comprometendo a sobrevivência do ainda jovem sistema nacional de ciência e tecnologia (ver ofício abaixo).

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Há que ficar claro que pós-graduandos representam não apenas a mão-de-obra essencial para que o sistema nacional de ciência e tecnologia funcione em suas estruturas fundantes que são as universidades, mas são também a garantia de que haverá continuidade na formação de pessoal de alta qualificação, um elemento estratégico para que qualquer país enfrente os desafios científicos e econômicos deste início do Sèculo XXI. Apenas para exemplificar como a atitude tomada pela CAPES vai no sentido contrário do que está sendo feito em outros países, o governo da Alemanha anunciou no dia 03 de maio um aumento de investimentos em suas universidades e institutos de pesquisa científica na ordem de 160 bilhões (algo em torno de 800 bilhões de reais) de euros apenas para o período 2021-2030. 

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É preciso que fique claro que o movimento de asfixiar universidades e reduzir o investimento na formação de quadros científicos não é um ponto fora da linha. Como já afirmei anteriormente, o deinvestimento em universidades e no sistema de pós-graduação faz parte de um projeto de abandono de qualquer perspectiva de desenvolvimento autônomo que objetivamente ampliará a dependência da economia brasileira dos países centrais, a começar pelos EUA de Donald Trump.

Em meio a essa avalanche de ataques friso que a comunidade científica brasileira está sendo forçada a sair de dentro dos muros universitários e ir para as ruas onde se dará a disputa pelo modelo de país que queremos ser.  Como estou calejado por anos de duros enfrentamentos com os governos de Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, a boa notícia que tenho para aqueles que agora irão começar seu noviciado de lutas fora de laboratórios de pesquisa é que a maioria da população brasileira, especialmente os seus segmentos mais proletarizados, não apenas entendem a importância das universidades, mas como não se furtam a apoiar as ações em suas defesas.

Por outro lado, o despreparo intelectual dos que lideram os ataques às instituições federais de ensino, a começar pelo ministro (sic!) Abraham “Kafta” Weintraub, são um elemento a mais a ser utilizado para derrotar o projeto de desmonte da ciência brasileira do governo Bolsonaro.  Entender essa particularidade será fundamental não apenas para organizar as ações de sensibilização da população, mas também para colocar o debate na arena onde a ciência tem o seu forte que é no uso racional e lógico do conhecimento.

Às ruas pesquisadores, a hora de defender o futuro da ciência brasileira é essa!

 

Os ministros de Bolsonaro e o (auto) elogio à ignorância

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Abraham Weintraub: entre Franz Kafka e a Kafta, o elogio à própria ignorância do ministro da Educação do governo Bolsonaro

As trapalhadas de diversos ministros do governo Bolsonaro não escondem ou, tampouco, mudam o perfil autoritário dos mesmos, apenas o reforça. Entretanto, mesmo para os padrões brasileiros que não são assim tão altos quando se trata de definir quem pode ser ministro, convenhamos que a atual safra é de uma qualidade intelectual sofrível.

Entre a apologia aos venenos agrícolas de Tereza Cristina ao Jesus na goiabeira de Damares Alves, já tivemos que ouvir Vélez-Rodriguez dizendo que todos os brasileiros são canibais, sem falar no “conge” de Sérgio Moro.

Mas, convenhamos, que dentre tantas provas de incapacidade de relacionar sua própria capacidade à realidade, destacam-se Abraham Weintraub e Ricardo Salles. O primeiro, com um currículo acadêmico que não o habilitaria em condições normais a ser docente de uma universidade federal, e o segundo com sua capacidade explícita de entender qual ministério dirige (apesar de estar no Meio Ambiente, acha que está na Agricultura).

Ainda que Weintraub e Salles nos rendam momentos hilários como a confusão feita ontem em audiência no Senado por Weintraub entre o escritor theco Franz Kafka e o prato árabe Kafta, a verdade é que esses dois ministros (ministros?) são personagens que possuem em comum a dificuldade de se autoavaliar, sempre se apresentando como muito mais importantes do que jamais conseguirão ser.

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O problema é que estando à frente de pastas estratégicas como a da Educação e do Meio Ambiente, Weintraub e Salles possuem a capacidade ímpar de causar danos que requisitarão décadas para ser corrigidos em um momento no qual há muito pouco espaço para o erro.  Por isso, mesmo que esses dois personagens sejam matéria prima de primeira qualidade para a sátira política, o fato é que precisam ser levados muito a sério, particularmente por aqueles que entendem a gravidade das consequências que o desmanche que estão realizando seja levado a cabo em sua plenitude.

E que ninguém se engane: o auto elogio à ignorância é apenas reflexo de problemas bem mais graves no tocante à capacidade de conviver com o diferente e entender do que se realmente trata experimentar a vida em sua sociedade democrática. Bom, pelo menos essa lição podemos tirar da passagem, ao mesmo tempo, de tantas figuras nada pitorescas por postos de comando no Brasil.

Por fim, há que se refletir sobre a razão da escolha de personagens tão explicitamente ignorantes para a direção de pastas fundamentais para a formulação de políticas que ajudem a tirar o Brasil do buraco em que está. Para mim a razão é bem simples: quem de fato dirige esse governo (e não falo aqui do  presidente Jair Bolsonaro) não quer tirar o Brasil das profundezas em que está. Aliás, muito pelo contrário, quando mais fundo estivermos, melhor será para eles. E, por isso, essa hegemonia de ignorantes em postos chaves. Simples mas, mesmo assim, trágico.

Jair Bolsonaro: rejeitado fora, sob pressão dentro

Estudantes do Colégio Pedro II protestam contra Jair Bolsonaro por causa de ajuste draconiano no orçamento da educação federal.

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O presidente Jair Bolsonaro teve hoje uma espécie de aperitivo dos inevitáveis protestos que ocorrerão em diferentes partes do Brasil por causa do ajuste orçamentário draconiano que seu governo está realizando contra a educação pública em nível federal.  

Esse aperitivo foi servido por estudantes do Colégio Pedro II  que foram protestar contra os cortes realizados contra o orçamento daquela instituição centenária durante celebrações dos 170 anos do Colégio Militar do Rio de  Janeiro (ver imagens abaixo).

Como está marcada uma paralisação nacional da Educação para o dia 15 de Maio, o “aperitivo” servido hoje pelos estudantes e muitos pais do Colégio Pedro II (e também de outras instituições federais de ensino), o mais provável é que cada vez mais o presidente Jair Bolsonaro tenha dificuldades para circular pelas ruas e participar de eventos públicos.

Tudo indica que os cortes realizados por Abraham Weintraub, o ministro que não sabe diferenciar  500 mil de 500 milhões, ainda vão causar muita dor de cabeça a Jair Bolsonaro. É que, como esperado, a asfixia financeira de instituições altamente qualificadas não irá ocorrer sem fortes resistências.

Ajuste orçamentário nas universidades e institutos federais deverá ampliar o desemprego e a recessão

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O corte anunciado de cerca de R$ 2,2 bilhões no orçamento de 2019 de universidades e institutos federais deverá causar fortes atrapalhos não apenas no interior das instituições ou só capacidade de produção científica brasileira.  Algo que ainda não foi apontado até aqui será o feito que esse ajuste terá sobre um número incalculável de empresas que prestam serviços ou vendem insumos e equipamentos para o sistema federal de ensino.

É que confrontados com o encurtamento do orçamento, as direções das instituições certamente terão que cortar na própria carne, começando pelos serviços básicos de limpeza e segurança, mas chegando naquelas empresas que aportam insumos e equipamentos utilizados não apenas para a pesquisa, mas também para o funcionamento de serviços hospitalares, por exemplo. Com isso, não sofrerão apenas as empresas que prestam serviços ou vendem produtos para o sistema federal de ensino, mas, principalmente, a população brasileira.

Com o encurtamento orçamentário teremos então inevitavelmente fechamentos de empresas e demissões como subprodutos do ataque que está sendo desferido pelo governo federal contra o sistema federal de ensino.

Interessante notar que, ao contrário das fake news divulgadas para dar sustentação a este ataque inédito às instituições federais de ensino, o controle orçamentário realizado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e também por outros órgãos de controle, o sistema federal já é fortemente monitorado, havendo pouco espaço para estripulias com o dinheiro público.  

Entretanto, sabemos que a real motivação não é nem ampliar o investimento em educação básica, já que esse segmento também sofreu cortes, ou tampouco melhorar a gestão de recursos públicos pelo sistema federal de ensino. O que está em jogo é pura e simplesmente a destruição pura e simples de um patrimônio que levou várias gerações para começar a dar frutos.  Agora, só faltará salgar a terra arrasada em que querem transformar nossas universidades e institutos federais para que ali nunca mais brote nada. Tal como fez o Império Romano em Cartago no ano 146 antes de Cristo (a.C.).  

Por último, há que se apontar que muitas cidades que possuem instalações de universidades e institutos federais são hoje diretamente dependentes da capacidade dessas instituições de empregar e dinamizar a economia municipal. Especialmente nas cidades localizadas no interior é que os efeitos colaterais do ajuste feito pela dupla Bolsonaro/Weintraub deverão resultar em repercussões mais dramáticas.

 

Seguindo exemplo de Bolsonaro, Ricardo Salles cancela “roadshow” pela Europa

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Fugir do confronto está se tornando uma marca do governo de Salles e Bolsonaro.

Uma característica que parece marcar o governo Bolsonaro é de que se fala grosso para baixo e se foge de enfrentamentos ao menor sinal de controvérsia (tão bem lembrado pelo deputado Zeca Dirceu na contraposição entre Tigrão e Tchutchuca durante debate com o ministro Paulo Guedes).  É que depois do presidente Jair Bolsonaro cancelar sua presença em um evento em que receberia o prêmio de “Personalidade do ano” da Câmara de Comércio Brasileira Americana em Nova York, agora é a vez do antiministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, de cancelar uma viagem que faria por quatro países europeus (Alemanha, França, Inglaterra e Noruega).

Segundo informações fornecidas pela agência FOLHAPRESS, o cancelamento da viagem  se deve à repercussão negativa de uma carta assinada por 602 cientistas europeus e publicada na revista Science no último dia 26,  na qual o signatário demandam da União Europeia o condicionamento de negócios com o Brasil a compromissos com a redução do desmatamento e dos conflitos com povos indígenas no nosso país.

Esse padrão de fuga de situações controversas chega a impressionar pela rapidez com que o presidente Bolsonaro e seus ministros estão sendo constrangidos por uma ampla gama de atores, incluindo, no caso de Ricardo Salles, respeitados membros da comunidade científica internacional.

Mas fugir ao menor sinal de resistência aos planos de desmantelamento de estruturas de proteção ambiental somente deverá ampliar as dificuldades de Ricardo Salles de se apresentar como um interlocutor crível para os principais parceiros comerciais brasileiros, os quais não necessariamente concordam com a opção que está sendo feito pelo avanço do desmatamento na Amazônia, por exemplo.

Como já venho afirmando desde o início de 2019, cedo ou tarde  (talvez mais cedo do que tarde), o Brasil vai receber uma série de punições não apenas por causa da ampliação do desmatamento na Amazônia e no Cerrado, mas também pela uso abusivo de agrotóxicos altamente tóxicos nas nossas principais monoculturas de exportação e pela ameaça de genocídio contra os povos indígenas.  

Essa possibilidade aumenta exponencialmente por estar ficando rapidamente evidente que Ricardo Salles não apenas é despreparado e incompetente para o cargo de ministro do Meio Ambiente do país com as maiores áreas de floresta tropical da Terra, mas por procurar esconder sua incompetência por meio de táticas autoritárias, em especial contra os servidores do IBAMA e do ICMBio.

Assim, com o cancelamento de um roadshow onde certamente seria instado a oferecer respostas objetivas aos problemas que estão sendo causados pela postura antiecológica do governo Bolsonaro, além de salvar alguns tostões para os cofres federais, Ricardo Salles se poupará de alguns vexames inevitáveis. Resta saber até quando Ricardo Salles poderá ficar protegido dentro do território nacional, já que as cobranças certamente aumentarão, especialmente a partir da carta dos 602 pesquisadores que a Science publicou e ele inicialmente desdenhou.