New York Times diz que há ameaça de “golpe militar” no Brasil para manter Bolsonaro no poder

Jornal afirma que o alto escalão do oficialato brasileiro está de olho em uma brecha para “acabar com a democracia”

Bolsonaro-e-militares(Crédito: Fotos Públicas)

Por Equipe InfoMoney

 

SÃO PAULO – O jornal americano The New York Times publicou nesta quarta-feira (10) uma reportagem em que afirma que há a possibilidade de um “golpe militar” no Brasil para garantir a manutenção do presidente da República, Jair Bolsonaro, no poder.

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No artigo, assinado pelos repórteres Simon Romero, Letícia Casado e Manuela Andreoni, o jornal destaca que Bolsonaro está sendo pressionado por todos os lados por conta do aumento nas mortes diárias provocadas pelo coronavírus e das investigações contra seus filhos e aliados.

“A crise cresceu de forma tão intensa que que algumas das mais poderosas figuras do País estão emitindo alertas de instabilidade – sinalizando que podem tomar o controle e acabar com a maior democracia da América Latina”, escrevem.

Os jornalistas lembram da declaração que o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) deu recentemente de que não haveria mais uma questão sobre se uma ruptura democrática iria ocorrer, mas quando.

Sem citar fontes, a reportagem informa que alguns oficiais dentro do Planalto estão ativamente examinando cenários nos quais os militares poderiam intervir.

Um oficial que não foi autorizado a falar publicamente disse que uma intervenção está fora do radar por ora, mas certos movimentos do Judiciário como ordenar uma busca e apreensão na residência oficial de Jair Bolsonaro como parte das investigações poderia mudar este quadro.

De acordo com o New York Times, o Brasil representou uma esperança para o mundo emergente nas últimas décadas, com uma economia pujante e a atração dos holofotes com a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, mas desde então o País foi abalado por uma crise econômica e por graves escândalos de corrupção envolvendo figuras políticas proeminentes.

Bolsonaro teria surgido então, de acordo com a reportagem, como uma promessa de restaurar a ordem que flerta com o passado de ditadura militar do País. Porém, desde então ele se tornou alvo de críticas por minimizar a pandemia de COVID-19, sabotar medidas de isolamento e “capitanear uma das maiores contagens de mortos do mundo”.

Tudo isso ocorre ao mesmo tempo em que a família do presidente é acusada de abuso de poder, corrupção e disseminação de fake news.

Recentemente, a casa de análises Rosa & Roubini, dos economistas Brunello Rosa e Nouriel Roubini, escreveu que Bolsonaro tem tido comportamentos cada vez mais autocráticos e o Financial Times apontou que Bolsonaro “acendeu o medo” na democracia brasileira.

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Este artigo foi originalmente publicado pelo InfoMoney [Aqui!].

Jair Bolsonaro acha que vai escapar das responsabilidades sobre a catástrofe da COVID-19, mas está enganado

bolso renitenteO presidente Jair Bolsonaro confrontou de forma ríspida uma eleitora que o questionou sobre os 38.000 mortos pela COVID-19. Ele precisará se acostumar às cobranças que virão

O presidente Jair Bolsonaro tem sido um contumaz negacionista da letalidade do novo coronavírus e da infecção que ele causa, a COVID-19.  Agora, com o total de mortos chegando a 40.000 mil, as cobranças por sua postura estão vindo até dos seus eleitores, coisa que obviamente o está irritando profundamente, já que não está acostumado a ter que dar explicações sobre o quer que seja.

Hoje ele teve um primeiro encontro com uma eleitora e apoiadora, a youtuber Cris Bernat, que trabalha com o vereador paulistano do MBL Fernado Holiday (DEM/SP),  que cobrou suas responsabilidades sobre o número de mortos pela COVID-19 (ver vídeo abaixo).

Como se vê no vídeo, a primeira reação do presidente Jair Bolsonaro foi ficar em silêncio, como se estivesse esperando que a maioria dos apoiadores mais obstinados calassem a eleitora renitente.  Mas como isso aconteceu, ele depois partiu para um costumeiro gesto de tentar calar  uma eleitora que apenas exercia o direito de cobrar o eleito. 

Aí ele fez o que sempre fez nos seus quase 30 anos de vida parlamentar:  mandou  sua eleitora renitente  se retirar da porta do Palácio da Alvorada, e ainda disse “Cobre do seu governador. Sai daqui“.

O problema para  Jair Bolsonaro é que não será tão fácil calar aquela parcela de eleitores que votou esperando por reais mudanças na condução do governo em prol dos pobres, que nem parece ser o caso de Cris Bernat. E ainda terá de ouvir muitas vezes declarações semelhantes ou ainda piores do que aquela que pode ser ouvida no vídeo : “O senhor, como chefe da Nação, eu votei no senhor, fiz campanha para o senhor, acho até que o senhor me conhece. E eu sinto que o senhor traiu a nossa população”.

As próximas semanas e meses deverão de ser de dura provação para Jair Bolsonaro, mas não tão duras para as milhares de famílias que estão perdendo entes queridos para uma pandemia letal, que só chegou ao nível que está chegando pela postura negacionista do presidente da república. Simples assim!

Maquiagem estatística na divulgação dos dados da COVID-19 foi ideia de Luciano Hang, o “véio da Havan”

O novo método do governo de Jair Bolsonaro para esconder os  mortos da Covid-19 tem como referência a sugestão feita pelo dono da rede Havan, Luciano Hang, braço direito do ocupante do Planalto e também investigado pela PF no inquérito das Fake News

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Luciano Hang, Jair Bolsonaro e Cemitério Vila Formosa, em São Paulo (Foto: Reprodução | REUTERS/Amanda Perobelli)

247  – O novo método do governo de Jair Bolsonaro para esconder os cadáveres da Covid-19  é baseado em sugestões dadas por Luciano Hang, dono da Rede Havan, que enviou aos militares da cúpula da Saúde um vídeo por Whatsapp, informa reportagem do portal Valor Econômico. 

No vídeo, Hang promete fazer uma live com o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) para “mostrar o que está por trás dos números” recorde de mortes pela covid-19. Hang exibe, então, uma gráfico com dados de cartórios mostrando uma curva de óbito sem trajetória descendente. Assim, defende que o governo passe a publicar apenas as mortes confirmadas no mesmo dia. Segundo funcionários da Saúde, no entanto, a curva mostrada por Hang é descendente “porque os dados de mortes recentes são muito preliminares”.

A reportagem ainda acrescenta que, sob o comando do general Eduardo Pazuello e aparelhado por militares nomeados a mando de Jair Bolsonaro, o Ministério da Saúde pressiona inclusive a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que produz relatórios internos para informar o presidente, para maquiar dados e esconder o número real de mortos pelo coronavírus.

Saiba mais

Jair Bolsonaro divulgou neste sábado uma nota do Ministério da Saúde que oficializa uma política de menor transparência na divulgação dos dados de mortes e contágio por coronavírus no Brasil. 

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Este artigo foi inicialmente publicado pelo portal “Brasil 247” [Aqui!].

Por causa de Bolsonaro, comitê liderado pelos democratas no congresso dos EUA se opõe a qualquer acordo comercial com o Brasil

congresso euaO presidente do Comitê de Formas e Meios da Câmara de Deputados, Richard Neal, discute seu pedido ao comissário do IRS Charles Rettig para obter cópias das declarações fiscais do presidente Donald Trump, enquanto fala com repórteres no Capitólio dos EUA em Washington, EUA, em 4 de abril de 2019. REUTERS / Yuri Gripas

WASHINGTON (Reuters) – O Comitê de Caminhos e Meios da Câmara dos EUA disse nesta quarta-feira que se opõe ao plano do governo Trump de expandir os laços econômicos com o Brasil, dado seu histórico de direitos humanos e meio ambiente sob o presidente Jair Bolsonaro.

O presidente do comitê, Richard Neal, e seus colegas democratas no painel disseram ao representante de comércio dos EUA, Robert Lighthizer, em uma carta que o governo de Bolsonaro havia demonstrado “um completo desrespeito aos direitos humanos básicos”.

“Nós nos opomos fortemente a perseguir qualquer tipo de acordo comercial com o governo Bolsonaro no Brasil. O aprimoramento da relação econômica EUA-Brasil neste momento minaria os esforços dos defensores dos direitos humanos, trabalhistas e ambientais brasileiros para promover o estado de direito e proteger e preservar comunidades marginalizadas ”, escreveram eles.

Autoridades comerciais americanas e brasileiras concordaram no mês passado em acelerar as negociações com o objetivo de concluir um acordo sobre regras comerciais e transparência este ano, incluindo facilitação do comércio e “boas práticas regulatórias”.

Mas os democratas no comitê disseram que o governo de Bolsonaro não pode estar realisticamente preparado para assumir novos padrões de direitos dos trabalhadores e proteções ambientais estabelecidos no acordo comercial EUA-México-Canadá, dado seu próprio histórico ruim sobre direitos humanos e outras questões importantes.

O representante Kevin Brady, o republicano no comitê, disse a repórteres que desconhecia a carta.

Em vez de buscar um acordo comercial com o Brasil, os legisladores democratas disseram que Lighthizer deveria intensificar a aplicação das leis americanas e levantar preocupações sobre as práticas comerciais desleais do Brasil com o governo brasileiro.

O presidente dos EUA, Donald Trump, desenvolveu um relacionamento próximo com Bolsonaro, um ex-capitão do exército de direita. A Casa Branca disse na semana passada que os Estados Unidos forneceram ao Brasil 2 milhões de doses de hidroxicloroquina para uso contra o coronavírus, apesar das advertências médicas sobre os riscos associados ao medicamento antimalária.

Reportagem de Andrea Shalal e David Lawder; Edição por Richard Chang e Tom Brown

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Este artigo foi inicialmente publicado pela agência Reuters [Aqui!].

Jair Bolsonaro, o bode na sala

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Por Luiz Felipe Miguel*

Ao fazer com que boa parte da esquerda brasileira aceite ficar a reboque da direita “civilizada”, abrindo mão de toda a sua agenda em nome nem sequer da democracia representativa, mas simplesmente de um regime menos iliberal, Bolsonaro cumpre seu último serviço aos golpistas de 2016: ser o bode na sala.

A metáfora deve ser entendida em sua plenitude. A presença do bode não é banal. Ele fede, faz barulho, quebra coisas, destrói o estofamento do sofá, ataca as pessoas. Por isso é tão tentadora a sugestão de dar tudo em troca de retirá-lo.

Mas é preciso um pouco de sangue frio, para pensar: é preciso mesmo dar tudo? Não é possível expulsar o bode sem abrir mão de quem somos?

Para a classe dominante sempre é mais fácil. Ela negocia em condições de força – não é à toa que exibe o adjetivo “dominante”. Mostra que pode se acomodar com Bolsonaro, se nós não aceitarmos todas as suas condições.

Mas isso não é tão verdade. Se a acomodação com Bolsonaro fosse tão tranquila, esses acenos à sua derrubada não estariam nem sendo feitos. O Brasil está se tornando um pária no sistema internacional. Está caminhando para o colapso, com a gestão tanto obtusa quanto criminosa da crise sanitária e econômica.

A classe dominante tem mais condições de pretender que pode prosseguir com essa situação indefinidamente, mas é isso: pretender.

Por isso, submeter-se a seu programa não é a única alternativa. É possível afirmar a disposição por ação conjunta contra Bolsonaro sem deixar de reafirmar nossas diferenças profundas e irreconciliáveis.

Elas podem ser resumidas ao seguinte contraste:

O que eles desejam restaurar, com a saída do bode, é o Brasil do pós-golpe. Violência estatal menos escancarada, menos irracionalidade no poder, aceitação ritual dos direitos humanos. Mas a disputa política continua tutelada de maneira a excluir de antemão o campo popular – e, portanto, deixar caminho aberto para o aprofundamento de todas as desigualdades.

Para o nosso lado, o projeto deles não é irrelevante, mas é insuficiente. Para nós, a verdadeira retirada do bode tem que significar, pelo menos, a vigência plena da Constituição de 1988. Abrir mão de assumir esse discurso é abrir mão da disputa política e aceitar, nos documentos e na prática, os limites que eles estão impondo.

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Luis Felipe Miguel é professor de Ciência Política da UNB, e autor de Democracia e resistência: desafios para uma política emancipatória (Boitempo, 2018) e, em conjunto com Flávia Biroli, Feminismo e política: uma introdução (Boitempo, 2014), entre outros. Ambos colaboram com o Blog da Boitempo mensalmente às sextas.

No Le Monde, pesquisadores demandam a imposição de severas sanções ao Brasil pela União Europeia

Brasil: “A Europa pode agir impondo severas sanções diplomáticas e comerciais”

A epidemia de COVID-19 parece completamente fora de controle no Brasil e a ameaça do estabelecimento de um regime autoritário é real, estima no fórum no “Mundo”  no jornal Le Monde um grupo de pesquisadores da Rede Europeia para a Democracia no Brasil, exortando a União Europeia (UE) a agir.

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Por Antoine Acker, Maud Chirio, Olivier Compagnon , Juliette Dumont e Anaïs Fléchet no jornal Le Monde

Arquibancada

Ao quebrar o recorde de maior número de mortes diárias no COVID-19, o Brasil está fazendo um triste retorno à frente da mídia. As notícias desta tragédia da saúde, que atingiu duramente as populações mais pobres, são geralmente informadas por breves comentários sobre o isolamento e a radicalização do presidente.

Mas essa descrição erra o ponto: Jair Bolsonaro não está tão enfraquecido quanto pressionado por uma corrida precipitada que pode levar ao estabelecimento de um regime autoritário. Apoiado pela maioria das equipes militares e por um setor de opinião fanático, apoiado pelas igrejas evangélicas mais reacionárias, o presidente brasileiro está se preparando para destruir a Nova República, nascida em 1988 a partir das ruínas da ditadura militar. E isso, com a máxima indiferença da comunidade internacional.

Desde que as primeiras medidas de contenção foram adotadas pelos governadores em março, o executivo se envolveu em um confronto com instituições democráticas. Bolsonaro quebrou o pacto federal ao enfrentar de frente as medidas de distanciamento social. Acusado de interferir na polícia para proteger sua família de possíveis processos, próximo das milícias da máfia do Rio de Janeiro, ele multiplicou as provocações contra o Supremo Tribunal Federal, e apoiou os manifestantes que exigiam seu fechamento definitivo. .

Brasil, um estado altamente militarizado

Além disso, há uma intensa campanha nas redes sociais, apoiada por uma hashtag longa e explícita: # intervençaomilitarcombolsonaronopoder (intervenção militar com Bolsonaro no poder). Essa “intervenção militar” não é um mero espantalho. Sua perspectiva agora está sendo agitada diariamente, não apenas por manifestantes e em redes de extrema direita, mas por membros do governo e, em 28 de maio, pelo próprio Bolsonaro. Para justificá-lo, seus parentes invocam um artigo da Constituição que autoriza as forças armadas a agir pela “manutenção da lei e da ordem” se forem chamadas a fazê-lo por “qualquer um dos poderes constitucionais” .

No entanto, este artigo 142, vestígio de uma transição democrática realizada sob supervisão militar, visa justificar o uso do exército em missões de segurança pública e, em nenhum caso, legitimar um golpe. Com quase metade dos ministros de uniforme e 3.000 oficiais nos ministérios, o poder no Brasil já está fortemente militarizado. Se amanhã os principais freios e contrapesos forem derrubados, testemunharemos essa viagem no tempo, o retorno de uma ditadura militar na maior democracia da América Latina.

Diante da ameaça de um fim próximo, as instituições democráticas brasileiras são extremamente vulneráveis. Entre o oportunismo dos parlamentares ansiosos por preservar suas vantagens, a oposição inaudível e o medo de represálias por parte do exército, o Congresso fica petrificado diante dos pedidos de “impeachment” que se acumulam às dúzias. Pior ainda, cada tentativa de reagir legalmente às provocações do governo aumenta o risco de uma gorjeta na ditadura.

Risco real de um golpe militar

Recentemente, uma operação para desmantelar redes de notícias falsas próximas ao governo levou várias personalidades-chave do bolsonarismo a exigir a morte do juiz do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, que estava na origem. O perigo iminente de um golpe militar não é apenas o resultado de uma confusão política agravada pela pandemia. Confirma uma desintegração da democracia cujas elites financeiras, políticas e de mídia nos países ocidentais subestimaram, e às vezes até alimentaram, a força dos estágios: a demissão da presidente eleita Dilma Rousseff em 2016, por uma razão superficial e desprezo pelo espírito da Constituição, o abuso repetido do poder por uma justiça parcial e politizada, a imobilidade das instituições diante de provocações, violência e trapaça pela extrema direita.

A situação é explosiva, a democracia à beira do abismo. Desta vez, ninguém será capaz de fingir surpresa, porque Bolsonaro e seus parentes prometeram consistentemente, durante sua campanha e desde que chegaram ao poder, o fechamento do Supremo Tribunal Federal, a intervenção do exército e a prisão de oponentes. políticos. A extinção da democracia brasileira teria sérias conseqüências internacionais.

Além do possível efeito dominó em um continente enfraquecido pelas grandes crises políticas, a aceleração do desmatamento suscita temores de um desastre ambiental e humano, que, segundo os cientistas, poderia perturbar o equilíbrio climático da Terra em alguns anos. Por enquanto, o Brasil se afirma como o novo foco da pandemia global que, diferentemente dos precedentes chinês, europeu ou norte-americano, está completamente fora de controle.

Apelo urgente à Europa

A Rede Europeia para a Democracia no Brasil é o produto do movimento de solidariedade internacional que se eleva desde 2016 diante do estado de direito vacilante neste país. Por muitos anos, a comunidade internacional assistiu com braços balançando a ascensão de forças autoritárias no coração da segunda maior democracia do mundo ocidental.

Apelamos à conscientização da mídia e da opinião européia. Pedimos aos líderes de diferentes nações e à UE que afirmem inequivocamente seu apoio aos democratas brasileiros, à Suprema Corte, aos governos dos estados federados e ao Congresso diante dos ataques do presidente Bolsonaro e sua comitiva.

Diante de um executivo obcecado por suas raízes ocidentais e preocupado com sua reputação internacional, a Europa pode agir impondo severas sanções diplomáticas e comerciais ao Brasil, em particular contra setores ligados ao desmatamento e empresas associadas ao poder bolsonariano.

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Este artigo foi originalmente publicado em francês pelo jornal “Le Monde” [Aqui!].


 

Antoine Acker , professor assistente da Universidade de Zurique. Historiador e membro do Centro da América Latina em Zurique, autor da Volkswagen na Amazônia: A tragédia do desenvolvimento global no Brasil moderno (Cambridge University Press, 2017); Maud Chirio , professor da Universidade Gustave Eiffel. Historiador, especialista em ditadura militar, repressão política e extrema direita no Brasil, autor de La Politique eniform. A experiência brasileira, 1960-198 0 (PUR, 2016); Olivier Compagnon , professor de história contemporânea da Universidade Sorbonne Nouvelle (IHEAL) e co-editor-chefe das Cahiers des Amériques latines  ; Juliette Dumont, Professor de História no Instituto de Estudos Avançados na América Latina (Sorbonne Nouvelle Paris-III University) e presidente da Associação para a Investigação sobre o Brasil na Europa, coordenador da História Cultural do Brasil XIX th – XXI th  séculos (IHEAL, 2019); Anaïs Fléchet , historiadora, professora da Universidade Paris-Saclay e membro do Instituto Universitário da França, autora de História Cultural do  Brasil dos  séculos XIX a XXI (IHEAL, 2019).

 

Os signatários deste fórum são membros da Rede Europeia para a Democracia no Brasil (Red. Br, https://red-br.com )

Depoimento para marcar as 30.000 mortes por COVID-19 no Brasil

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Meu depoimento para marcar o dia em que o Brasil ultrapassou a marca de 30 mil mortos pela COVID-19, gravei o depoimento que segue abaixo. É preciso lembrar que o Brasil sequer chegou ao pico da curva de contaminação, o que torna imprevisível neste momento quantos brasileiros serão infectados e quantos morrerão pela infecção da COVID-19.

Relatório do Greenpeace/Alemanha aponta que Acordo EU/Mercosul aumenta as ameaças à biodiversidade

As duas dimensões dos venenos agrícolas: como as empresas da UE e da Alemanha se beneficiam do comércio de pesticidas perigosos para a biodiversidade

 

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O Governo alemão não impede as empresas europeias de exportarem para o Brasil e distribuírem  ingredientes ativos de agrotóxicos altamente venenosos para as abelhas, e que estão proibidos na União Europeia (UE).  Estes fatos são apresentados em um estudo produzido pelo Greenpeace, que foi lançado no Dia Mundial da Biodiversidade que foi celebrado este ano no dia 22 de maio. Os agrotóxicos são uma parte essencial da agricultura industrializada, que, por sua vez, é parcialmente responsável pela perda da biodiversidade.

Segundo a análise apresentada no relatório do Greenpeace/Alemanha, por  exemplo, muito mais de metade dos ingredientes ativos comercializados pela Bayer e pela BASF no Brasil estão classificados como agrotóxicos altamente perigosos, e alguns deles estão proiboidos na UE.  Exemplo disso são os ingredientes ativos do fipronil, imidaclopride e clorpirifos, que são altamente perigosos para as abelhas (para mais informações ver (Aqui!).

“Estes agrotóxicos são venenosos para a biodiversidade”, diz Jürgen Knirsch, especialista do Greenpeace em questões comerciais. “É por isso que já não estão no mercado europeu. Mas a UE está fazendo um jogo duplo: O que é demasiado perigoso aqui ainda pode obviamente vir para o campo no Brasil – o principal é que o lucro está certo”.  O Brasil é de imensa importância para a biodiversidade, mas ao mesmo tempo é um dos maiores consumidores de pesticidas do mundo. E está a crescer rapidamente. “O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, não quer saber da preservação da biodiversidade, da proteção do clima ou da saúde humana”. Por conseguinte, a Greenpeace apela no sentido da aplicação de uma política comercial sustentável com regras vinculativas em  matéria de protecção do clima e das espécies, de proteção dos direitos humanos, e de normas laborais fundamentais.

Acordo UE-Mercosul: mais venenos para a biodiversidade

A UE negociou um acordo comercial com os Estados do Mercosul – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai – que agravaria muitos problemas sociais e ambientais nos seus países-membros. O acordo, atualmente em processo de ratificação, permitirá aos países do Mercosul exportar grandes quantidades de carne bovina e de frango para a UE em condições pautais favoráveis. Isto aumentaria a procura de soja forrageira – que é cultivada com agrotóxicos altamente tóxicos, como o clorpirifos e o fipronil.  Os agrotóxicos, por sua vez,  serão exportados por empresas europeias para a América do Sul, embora já não sejam mais permitidas na Europa.  Espera-se também que o acordo elimine as tarifas existentes sobre a importação de agrotóxicos, o que provavelmente irá aumentar ainda mais as vendas.

A biodiversidade já está sob enorme pressão; por exemplo, só em Janeiro de 2019, morreram 500 milhões de abelhas no estado brasileiro de Santa Catarina devido aos
agrotóxicos utilizados no cultivo da soja.  Na Europa, a resistência ao acordo do Mercosul está aumentando. Mas enquanto países como a Áustria e  a França pedem melhorias nos termos do acordo,  a Alemanha, entre todos os países, está exercendo pressão no sentido de uma ratificação rápida. “Se a Alemanha não puser termo ao acordo na sua forma atual, será uma recompensa e uma confirmação para  as políticas de Bolsonaro, que está a espezinhar a proteção ambiental”, resume Knirsch. “Como vai ocupar a Presidência do Conselho da UE no segundo semestre de 2020, o governo alemão tem os meios para agir”.

Para baixar o relatório do Greenpeace da Alemanha, basta clicar [Aqui!]

Os interessados em obter maiores informações sobre este relatório devem contactar Jürgen Knirsch, Tel. 0171 8780 816 ou a assessora de imprensa Agneta Melzer, Tel. 0171
7249543. 

Com o governo federal paralisado, a pandemia avança para os rincões do Brasil

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No último dia do mês de maio, o Brasil está fortemente consolidado como o segundo principal foco da COVID-19 no mundo, tendo já ultrapassado 500.000 infectados e beirand os 30.000 mortos, apenas se considerando os dados oficiais. E isso é especialmente lamentável porque não teria que ter sido assim, já que o Brasil teve tempo suficiente para evitar a confirmação dos piores cenários (ver tabela abaixo).

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O avanço da pandemia no Brasil caminha “pari passu” com a paralisia do governo Bolsonaro, que após demitir dois ministros da Saúde que procuravam imprimir um mínimo de racionalidade científica às ações do governo federal (e quando digo mínimo é isso mesmo, mínimo). Após a demissão de Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, e a ascensão de uma espécie de protetorado militar no Ministério da Saúde, o fato objetivo é que se perdeu qualquer capacidade de gestão centralizada. O resultado dessa ação, orquestrada a partir das posições negacionistas do presidente Jair Bolsonaro, foi o avanço rápido da ascensão da curva de contaminação e, consequentemente, de mortos.

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Plataforma criada para analisar avanço da COVID-19 mostra rápida interiorização da pandemia no Brasil.

É essa natureza política do avanço da pandemia que tornou o Brasil um concorrente sério a passar das 100.000 mortes por COVID-19.  Mas o pior é que se persistirem os esforços para reabrir o comércio, o número de óbitos poderá ser o dobro do que o limite atualmente estipulado.  Nesse caso, é preciso enfatizar que as pressões para reabrir atividades não- essenciais resultam da indisposição do ministro Paulo Guedes em liberar recursos para as micro- e pequenas empresas que têm carregado o piano nas costas em meio a uma crise econômica que já perdura desde 2016.  Guedes manifestadamente só se preocupa com os bancos, em uma espécie de “cuidar dos seus” já que ele é ligado diretamente ao setor.

Em outras palavras, o avanço da pandemia no Brasil tem origem em uma opção de gestão da nossa economia com olho na saúde dos bancos, e não do povo, especialmente dos segmentos mais pobres. Tivesse o governo Bolsonaro qualquer preocupação real em conter a pandemia, uma linha especial de crédito, tal qual a que foi criada para as grandes instituições financeiras, já teria sido criada, retornando os R$ 20 bilhões que foram retirados do orçamento do Ministério da Saúde em 2019. Mas nem gastar o que foi orçado para o ano de 2020 está se gastando.

Com surto em lar de idosos e frigorífico, Passo Fundo tem mais ...Trabalhadores de frigoríficos estão entre mais contaminados por coronavírus no Brasil.

Um aspecto que tem sido negligenciado no avanço da pandemia é aquele que revela que os grandes focos de contaminação estão hoje associados ao agronegócio e à mineração, com milhares de casos sendo concentrados em frigoríficos e áreas de mineração, onde os trabalhadores seguem sendo obrigados a se expor ao coronavírus para manter as atividades das grandes empresas aptas a exportar suas commodities agrícolas e minerais, aumentando ainda mais a concentração da renda no Brasil. A razão dessa negligência é só uma: o agronegócio e as mineradoras são aliadas de primeira hora do presidente Jair Bolsonaro, e cada vez mais são estratégicas para a sua manutenção no poder. Em troca desse apoio, esses setores receberam uma espécie de passe livre para expor seus trabalhadores aos riscos de contaminação.

Por isso, considero que todos os ruídos que estão sendo causados nas redes sociais e nas ruas pelos apoiadores do governo Bolsonaro não passam de uma tática diversionista para permitir que as ações anti-nacionais e anti-povo continuem sendo realizadas, no melhor estilo “passa boiada” de Ricardo Salles.  Mas não há propaganda de cloroquina que possa apagar as evidências já consolidadas de que o presidente Jair Bolsonaro tem sido uma espécie de “melhor amigo do coronavírus”, e as pesquisas de opinião pública revelam claramente que a maioria das pessoas já entendeu isso perfeitamente. 

“Basta!”: Juristas compram página inteira da Folha e do Estadão para divulgar manifesto contra Bolsonaro

Manifesto que condena ataques de Bolsonaro às instituições e que prega o fim da “noite de terror que cobre o país” é assinado por mais de 600 renomados juristas; leia aqui em primeira mão

BASTA

Um grupo de mais de 600 juristas comprou uma página inteira dos jornais Folha de S. Paulo e Estadão para divulgar, como um informe publicitário, um manifesto contra o presidente Jair Bolsonaro e seus constantes ataques às instituições.

O manifesto, intitulado “Basta!”, será publicado nas edições de domingo (31) dos dois jornais paulistas (ver figura abaixo).

Basta!

No texto, os juristas afirmam que “o Brasil, suas instituições, seu povo não podem continuar a ser agredidos por alguém que, ungido democraticamente ao cargo de presidente da República, exerce o nobre mandato que lhe foi conferido para arruinar com os alicerces de nosso sistema democrático, atentando, a um só tempo, contra os Poderes Legislativo e Judiciário, contra o Estado de Direito, contra a saúde dos brasileiros, agindo despudoradamente, à luz do dia, incapaz de demonstrar qualquer espírito cívico ou de compaixão para com o sofrimento de tantos”.

“Todos nós temos a firme convicção de que o Direito só tem sentido quando for promotor da justiça. Todos nós acreditamos que é preciso dar um BASTA a esta noite de terror com que se está pretendendo cobrir este país”, diz ainda o manifesto, que é finalizado com a seguinte frase: “Sejamos intolerantes com os intolerantes!”.

Entre as mais de 600 assinaturas, estão a de juristas de renome, como de Antonio Claudio Mariz de Oliveira, Dalmo Dallari, Celso Lafer, Pedro Estevam Serrano e Mario Sergio Duarte Garcia, Sebastião Tojal, Claudio Lembo.

Confira aqui, em primeira mão, a íntegra do texto.

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Este texto foi originalmente publicado pela “Revista Fórum” [Aqui!].