Amazônia: sem poder questionar dados de desmatamento, Jair Bolsonaro sinaliza censura ao Inpe

bolsonaro inpe

Descontente com evidências científicas produzidas sobre o desmatamento na Amazônia, Jair Bolsonaro sinaliza que irá censurar o Inpe.

Quero começar esta postagem lembrando que no dia 11 de janeiro fui entrevistado pela jornalista Filomena Naves do jornal Diário de Notícias que é publicado em Lisboa, e nessa entrevista sinalizei algo que já me parecia óbvio: cientistas brasileiros que trabalhassem com temas sensíveis como desmatamento na Amazônia e  o uso abusivo de agrotóxicos pelo latifúndio agro-exportador tenderiam a ser perseguidos durante o governo Bolsonaro.

Pouco mais de 6 meses depois, o próprio presidente Jair Bolsonaro sinaliza de forma explícita que irá censurar o trabalho dos pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que fornecem dados contínuos sobre o avanço da franja de desmatamento na Amazônia brasileira.  Essa sinalização é um dos elementos apontados no interessante artigo assinado pela jornalista Lisandra Paraguassu e que foi publicada pela agência Reuters na tarde desta 6a. feira.

Segundo o artigo, o presidente Jair Bolsonaro teria dito que ““a questão do Inpe, eu tenho a convicção que os dados são mentirosos, e nós vamos chamar aqui o presidente do Inpe para conversar sobre isso, e ponto final nessa questão”. Bolsonaro teria dito ainda que “mandei ver quem está à frente do Inpe. Até parece que está a serviço de alguma ONG, o que é muito comum”. 

Explicitada a ameaça de censura a uma produção científica que é considerada uma das melhores em todo o planeta, alguém precisa avisar ao presidente Jair Bolsonaro que o Inpe é apenas um mensageiro altamente qualificado. E se ele, Bolsonaro, não gosta da mensagem deveria se comunicar com o encarregado do ministério do Meio Ambiente, o improbo Ricardo Salles, para ver o que de fato está acontecendo na pasta, para pelo menos evitar vexames maiores.

desmatamento

Dados obtidos pelas pesquisas do Inpe que irritaram o presidente Jair Bolsonaro.

Um aspecto que alguém deveria avisar não apenas ao presidente Bolsonaro, mas também a Ricardo Salles, é que os estudos envolvendo as mudanças no uso e cobertura da terra na Amazônia e no Cerrado possuem um longo lastro, e que estão ancorados em avanços metodológicos que não são passíveis de serem censurados. Além disso, dada a existência de uma ampla expertise internacional, qualquer tentativa de censurar os dados produzidos pelo Inpe será definitivamente um imenso tiro no pé. É que os pesquisadores do Inpe são em sua maioria absoluta não apenas altamente qualificados, mas também responsavelmente pragmáticos sobre o trabalho que realizam.

Outro elemento a ser considerado pela equipe de governo do presidente Jair Bolsonaro é que atualmente existe uma ampla gama de satélites monitorando em condição quase instantânea tudo o que está acontecendo na chamada Pan Amazônia. incluindo aí a porção brasileira da bacia Amazônica. Assim, é particularmente improdutivo questionar-se a validade científica dos dados produzidos pelo Inpe que estão demonstrando a ocorrência de taxas explosivas de desmatamento, pois existem outras instituições científicas internacionais trabalhando com as mesmas séries de dados, e que certamente chegarão às mesmas conclusões dos pesquisadores que Jair Bolsonaro está chamando de mentirosos.

Uma outra questão é que aparentemente existe forte apreço no governo Bolsonaro por tudo que está relacionado aos EUA. Pois bem, um dos principais satélites que monitoram continuamente a Amazônia é o Landsat que possui uma das mais longas (senão a mais longa série de cenas mostrando as mudanças da cobertura vegetal na Amazônia. Como se sabe, os satélites do programa Landsat são uma iniciativa da National Space Agency (NASA), sendo uma das principais ferramentas utilizadas por cientistas de todo o mundo. Assim sendo, censurar o Inpe não apenas seria autoritário, mas essencialmente inútil. E se for para reclamar, que se reclame com o papa, ou seja, o presidente Donald Trump.

Finalmente, reitero a urgente necessidade de defender os pesquisadores do Inpe dos ataques que estão sendo desferidos contra eles. Digo isso não apenas porque é totalmente incorreta a natureza dos ataques, mas também porque necessitamos que eles continuem realizando o seu trabalho científico de forma autônoma, com requer a boa ciência que eles praticam há décadas, sempre com o rigor científico que seus estudos demandam.

A vaia que mostra a Jair Bolsonaro que a maré está virando

bolsonaro vaiadoApesar de ter negado que era destino da sonora vaia ocorrida no final da Copa América, a expressão de incredulidade mostra que Jair Bolsonaro sabia que era sim.

Procurar emular o que o generais presidentes fizeram no Brasil e na Argentina, o presidente Jair Bolsonaro esteve ontem para, como ele mesmo anunciou, para testar a sua e a popularidade do ainda ministro da (in) Justiça Sérgio Moro.  O objetivo era claramente faturar créditos políticos a partir de uma quase certa vitória de um time vestindo a camisa da CBF onde possui vários eleitores. Era como se diz na gíria “juntar a fome com a vontade de comer”.

Entretanto, mesmo diante de uma plateia composta por brasileiros que puderam pagar por um ingresso o que a maioria do nosso povo trabalha quase um mês para ter, o presidente Jair Bolsonaro foi saudado com uma sonora vaia na entrada e na saída do evento ( ver vídeo abaixo).

Essa vaia, por exemplo, não foi ouvida por Emilio Garrastazu Medici quando ia no velho estádio do Maracanã e era aplaudido pelos presentes. Aqueles eram tempos em que a ditadura podia executar e não  ter nada ou ninguém que pudesse falar nada contra o regime.

A gigantesca vaia teria deixado irritado o ministro Paulo Guedes que teria saido soltando fogo pelas narinas após ouví-las.  O próprio presidente Bolsonaro chegou a negar que era o alvo das vaias, mas os vídeos mostram que além das vaias, vários “elogios” foram claramente dirigidos a ele.

Há que se dizer que Jair Bolsonaro não é o primeiro, nem será o último político a ser vaiado em um estádio de futebol. Mas no caso de ontem, o fato é que quem vaiava certamente eram majoritariamente eleitores de Bolsonaro, visto a votação mais do que expressiva que ele teve nos dois turnos da eleição presidencial de 2018. 

Além disso, dada a persistente incapacidade do governo federal comandado por Jair Bolsonaro de fazer a economia brasileira voltar a crescer, as vaias de ontem são apenas prenúncio de tempos ainda mais difíceis para o governo Bolsonaro.  É que o que determina a estabilidade de governos é exatamente a capacidade de fazer a economia funcionar com um mínimo de dinamismo, o que não está acontecendo até agora.

Assim, seria melhor que Jair Bolsonaro saia rapidamente da negação do real destino das vaias de ontem, sob pena de ver a onda virar com mais força do que o seu governo poderá aguentar.

Pó branco, faces vermelhas: O “The New York Times” ironiza o caso do “aerococa” que embaraça mundialmente o governo Bolsonaro

O “The New York Times”, um dos mais importantes jornais do mundo, publicou ontem (26/06) um devastador artigo sobre o embaraçoso caso do sargento da Força Aérea Brasileira que foi preso na Espanha com 39 Kg de cocaina a bordo de um dos aviões que compõe a comitiva brasileira que está participando do encontro do G-20 no Japão. 

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Sob o título de “White Powder, Red Faces”, o jornalista Ernesto Londoño aborda a grave contradição que o caso cria para o presidente Jair Bolsonaro que chegou ao poder prometendo uma perseguição sem tréguas ao narcotráfico, apenas para terminar tendo que explicar com um avião presidencial pode cruzar o oceano Atlântico carregando 36 Kg de cocaina durante uma viagem oficial.

O “The New York Times” ressalta ainda que o caso representa ainda um embaraço para Jair Bolsonaro e sua defesa da superioridade moral das forças armadas.  A coisa pioraria ainda mais se o jornalista que escreveu a matéria soubesse que o Sgt. Manoel Silva Rodrigues já foi identificado por varreduras nas redes sociais como sendo um eleitor do presidente brasileiro (ver imagem abaixo).  

A verdade é que a presença de Jair Bolsonaro no encontro do G-20 já tinha tudo para ser tenso antes desse imbróglio vergonhoso.  Agora, além da grande chance que ele termine escanteado das principais reuniões, ainda é provável que parte do tempo dele e dos demais representantes brasileiros ainda seja tomado pelo oferecimento de explicações para um caso que, convenhamos, não há o que se explicar.

Imagens de satélite mostram que o desmatamento está aumentando na Amazônia no Brasil comandado por Jair Bolsonaro

madeiraPilhas de toras de madeira foram encontradas durante a “Operação Onda Verde”, conduzida por agentes do Instituto Brasileiro para o Meio Ambiente e Recursos Naturais Renovávei (Ibama) para combater a extração ilegal de madeira em Apui, na região sul do estado do Amazonas. , 27 de julho de 2017. REUTERS / BRUNO KELLY / ARQUIVO FOTO

Por Anthony Boadle e Lisandra Paraguassu para a Reuters

BRASÍLIA (Reuters) – O desmatamento da floresta amazônica no Brasil acelerou em maio ao ritmo mais rápido em uma década, segundo dados de um sistema de alerta antecipado por satélite, enquanto especialistas apontam atividade de madeireiros ilegais incentivados pela flexibilização das proteções ambientais sob o presidente Jair Bolsonaro.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o sistema de alerta do DETER registrou desmatamento de 739 Km2  em maio de 2019, o primeiro dos três meses em que a atividade madeireira tende a aumentar após a estação chuvosa da região.

Esse valor é maior do que os 550 Kmobservados em maio de 2018, e mais que o dobro do desmatamento detectado dois anos antes.

“Se essa curva ascendente continuar, poderemos ter um ano ruim para a floresta amazônica”, disse Claudio Almeida, diretor do programa de monitoramento por satélite do INPE, na terça-feira. “Dependerá de quanto policiamento há nos próximos dois meses críticos”, acrescentou.

Os dados somam preocupações de ambientalistas que advertem que o governo de cinco meses de Bolsonaro desmantelou agências de conservação, demonstrou ceticismo quanto ao combate à mudança climática e cortou o orçamento para fazer cumprir as leis ambientais.

O órgão de proteção ambiental do Brasil, IBAMA, que perdeu recursos nos últimos anos, perdeu a autoridade quando assumiu o cargo em janeiro, e a comissão florestal foi transferida para o Ministério da Agricultura, que é administrado por aliados do agronegócio.

Para Marcio Astrini, coordenador de políticas públicas do Greenpeace Brasil, o governo de Bolsonaro é “anti-ambiental” e tem pressionado para reduzir as proteções florestais sem apresentar um plano para combater o desmatamento.

“Com Bolsonaro, as pessoas que destroem as florestas se sentem seguras e as que protegem as florestas se sentem ameaçadas”, disse Astrini.

O ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, Ricardo Salles, disse em entrevista à Reuters que o Brasil continua comprometido como sempre em proteger as florestas.

“Não vamos retirar nada. Vamos acrescentar mais”, disse ele, negando na segunda-feira um relatório do jornal Folha de São Paulo de que o monitoramento do INPE, cujos números ele disse serem manipulados, poderia ser substituído por satélite. imagem gerida por uma empresa privada.

Salles disse que um concurso público será emitido para contratar uma empresa que possa fazer imagens de alta resolução em tempo real.

“Queremos um sistema que possa fornecer imagens em tempo real para melhor direcionar as operações de fiscalização para que elas sejam mais eficazes”, disse o ministro.

As autoridades vão acompanhar para ver se os dados preliminares do DETER mostrando o desmatamento acelerando em maio são confirmados no final deste ano por um programa de satélite mais preciso chamado PRODES, que serve como referência do governo.

A imagem do PRODES para os 12 meses até julho de 2018 mostrou que 7.900 Km2 de floresta foram desmatados na Amazônia brasileira, igual a quase todo o território de Porto Rico.

Ainda assim, o desmatamento continua bem abaixo dos níveis no início dos anos 2000, antes de o Brasil lançar uma campanha para combater a extração de madeira. Em 2004, por exemplo, mais de 27.000 Km2 foram desmatados, uma área do tamanho do Haiti.

(Reportagem de Anthony Boadle e Lisandra Paraguassu; Edição de Brad Haynes e Tom Brown)

Nossos padrões: Os Princípios de Confiança da Thomson Reuters.

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Este artigo foi publicado originalmente em inglês pela Reuters [Aqui!]

Jair Bolsonaro quer desvirtuar o uso dos recursos do Fundo Amazônia

O objetivo do Fundo Amazônia é lutar contra o desmatamento da floresta tropical. Agora o Brasil quer usar o dinheiro para  pagar as indenizações de proprietários expropriados.

IPBES-Weltbericht: Menschheit tilgt die Natur von der Erde

A tarefa do Fundo da Amazônia é lutar contra o desmatamento da floresta tropical. Foto: dpa

Que ninguém diga que a Alemanha não faz nada pelo clima. A República Federal  da Alemanha contribui junto com a Noruega e a petrolífera brasileira Petrobras para o financiamento do “Fundo da Amazônia. O objetivo deste fundo é lutar contra o desmatamento da floresta tropical, por exemplo, financiando o reflorestamento e o socorro aos povos indígenas. Mais de 753 milhões de euros foram arrecadados desde 2010, dos quais quase 43 milhões foram entregues pela Alemanha.

Agora, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, quer usar recursos do fundo para a indenização de grandes proprietários de terra, que foram expropriados para o estabelecimento de áreas protegidas designadas. Isso foi relatado pelo jornal Estado de São Paulo . Como as regras do fundo, que é administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas não fornecem explicitamente verbas para este tipo de ação, o governo de Bolsonaro simplesmente quer mudá-las.

“Podemos minimizar os conflitos com o dinheiro do Fundo Amazônia. Significaria menos madeira ilegal e menos minas ilegais “, disse o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Os problemas existentes precisam ser enfrentados com “ousadia e criatividade”.

A composição do Comitê Diretivo do Fundo, que decide os critérios para alocação de recursos, também deve ser alterada. Até agora, este comitê é composto por 23 delegados dos governos federal e regional, bem como da sociedade civil. Ele não deve apenas encolher para sete a dez membros, mas também deve ser composto por um número maior de autoridades federais.

“Adequada e corretamente usado”

Já na semana anterior, sob pressão do ministro do Meio Ambiente, a ex-chefe do Fundo Amazônia, Daniela Baccas, foi destituída do cargo. Salles já havia falado de “irregularidades” na alocação de fundos, mas essas acusações não foram especificadas. As razões para remover Baccas também não foram mencionadas. O chefe de Baccas, Gabriel Visconti, anunciou sua renúncia em protesto à demissão dela. O Tribunal de Contas da União (TCU) também não apresentou em seu relatório de 2018  quaisquer alegações de irregularidades no uso dos recursos do Fundo Amazônia. O dinheiro é usado pelo BNDES “de forma adequada e correta”, como cita o jornal Folha de São Paulo .

Quais programas e iniciativas são apoiados com recursos do fundo, o Brasil pode decidir a partir do BNDES. No entanto, os países doadores monitoram isso, assim como a extensão do desmatamento. Em 2008, o Brasil se comprometeu a limitar o desmatamento anual para 8.143 quilômetros quadrados para fazer jus à entrega de recursos financeiros ao fundo.

Embora a área desmatada tenha subido repetidamente e em 7.900 quilômetros quadrados em 2018 tenha sido a maior desde 2008, o fundo é considerado um sucesso. Repetimos vezes que os fundos são utilizados para o entupimento de buracos causados ​​por cortes, por exemplo, para inspeções do órgão ambiental Ibama, que teria que ser financiado pelo Estado.

Segundo o jornal “O Globo”, a Noruega e a Alemanha ficaram surpresas com os planos do ministro do Meio Ambiente. Ele falará com os embaixadores dos dois países e com o chefe do BNDES sobre as mudanças planejadas nesta segunda-feira.

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Este artigo foi originalmente publicado em alemão pelo jornal “Die Tageszeitung”, mais conhecido como Taz, [Aqui!]

Mídia mundial dá ampla cobertura aos protestos contra cortes na educação

Ao contrário do presidente Jair Bolsonaro que minimizou as manifestações que ocorreram em todo o Brasil nesta 4a. feira contra os cortes draconianos promovidos no orçamento de universidades e institutos federais, estendidos também à CAPES e ao CNPq, a mídia mundial deu ampla cobertura. Importantes veículos de imprensa de diversos países alertaram para o tamanho dos protestos, ressaltando ainda que são os maiores já promovidos contra o governo Bolsonaro.

Abaixo algumas das matérias publicadas por gigantes da mídia internacional, tais como o Washington Post, o The New York Times, o The Wall Street Journal, a Deutsche Welle, o Financial Times e a Reuters.

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Vamos ver o que dirão agora o presidente Jair Bolsonaro e seu ministro da Educação, Abraham Weintraub. Mas uma coisa é certa: mesmo para especialistas em fake news, vai ficar complicado negar a envergadura e o alcance social das manifestações que ocorreram neste 15 de maio.

Uma coisa é certa: o recém nascido governo Bolsonaro já conseguiu um enorme desgaste político, causado principalmente pela inabilidade de seus principais ministros e pela volúpia com que estão tentando desmantelar o estado brasileiro. 

Deputado desmente desmentido e expõe descontrole político do governo Bolsonaro

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O deputado federal Capitão Wagner (PROS-CE) e o presidente Jair Bolsonaro em um tempo em que não existiam ainda os desmentidos dos desmentidos.

A greve nacional da educação que deverá ocorrer ao longo do dia de hoje é um primeiro teste para a disposição de enfrentamento de segmentos críticos às políticas ultraneoliberais e de caráter regressivo que estão sendo aplicadas pelo governo Bolsonaro.  

Antes de que se saiba o alcance e a amplitude do movimento, uma coisa que já ficou evidente é que há um grave problema de coordenação política entre os que hoje comandam o executivo federal e sua própria base partidária dentro do congresso nacional.

Uma prova disso é o depoimento mostrado no vídeo abaixo com o depoimento do deputado federal Capitão Wagner (PROS-CE), um apoiador declarado do presidente Jair Bolsonaro, sobre a reunião convocada com líderes partidários para agilizar a votação de interesse do governo federal e onde teria sido comunicado um recuo, imediatamente negado, de que os cortes nas universidades e institutos federais  teria sido suspenso.

Como não há razão para duvidar das palavras de um membro da base do próprio governo, o que esse depoimento mostra é um descontrole político dentro dos altos escalões do governo federal, na medida em que fica evidente que o presidente Jair Bolsonaro pode não ser quem efetivamente tem o controle final das decisões que estão sendo aplicadas pelos seus próprios ministros.

Há quem veja nesse movimento de anunciar a suspensão dos cortes orçamentários no MEC para depois desmenti-los como uma tática de gerar confusão e diminuir o tamanho da mobilização que deverá ocorrer. Eu já acho que se trata de um descontrole dentro dos agentes tomadores de decisão.

E se o motivo do anúncio era desmobilizar, o desmentido do desmentido que aparece no vídeo deverá gerar ainda mais instabilidade político dentro do congresso nacional e aprofundar as dificuldades já notadas na aprovação de medidas de interesse do governo Bolsonaro. Em outras palavras, tentaram apagar o incêndio com gasolina e podem acabar aumentando o seu alcance.