Lula está livre. E agora Jair?

lula livreCercado por correligionários, o ex-presidente Lula sai da prisão em Curitiba. Gibran Mendes / CUT Paraná

A saída da prisão (ao menos temporariamente) do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva certamente terá o dom de alterar o balanço político brasileiro que, neste momento, estava facilmente controlado pelo presidente Jair Bolsonaro e pelas forças políticas que orbitam em torno dele, a começar pelos DEM que hoje detém as presidências das Câmaras de Deputados e do Senado Federal.

É que Lula, em que pesem todas as suas eventuais limitações políticas e judiciais, continua sendo o principal sustentáculo de um agrupamento de forças que em sua ausência demonstrou extrema debilidade (e eu diria indisposição) para organizar a necessária reação ao projeto ultraneoliberal desenhado pelo “Chicago Boy” Paulo Guedes e sua equipe.

Agora que Lula está solto após uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) é bem provável que grupos e partidos mais ao centro do espectro político se sintam ainda mais empoderados para pressionar o presidente Jair Bolsonaro a aplicar uma receita menos amarga do que a planejada por Paulo Guedes que, entre outras coisas, pode lhes custar muitas prefeituras em 2020.

O primeiro discurso de Lula, apesar de algumas pitadas mais duras contra Jair Bolsonaro e a Lava Jato, apresentou elementos que indicam que ele buscará retomar o amplo arco de alianças com conseguiu chegar ao poder em 2002.  Nada do que o ex-presidente disse apontou para um giro à esquerda que colocasse o PT em alianças com o PSOL, por exemplo.  E esse é um movimento provavelmente pensado para dialogar com segmentos que tendo apoiado o golpe parlamentar contra Dilma Rousseff já concluíram que fizeram uma aposta equivocada.

O principal problema que Lula enfrentará para se colocar como o principal porta-voz da oposição aos planos da dupla Bolsonaro/Paulo Guedes não será, em minha modesta opinião, com o presidente Jair Bolsonaro e seus eleitores mais aguerridos. Para mim, o principal problema do ex-presidente será colocar o PT e os movimentos sociais e sindicatos que orbitam em torno em uma postura menos prostrada frente à conjuntura política estabelecida.  

O fato é que enquanto Lula esteve preso em Curitiba, o PT e seus aliados não puderem (ou não quiseram) se apresentar como opções reais para os milhões de brasileiros que estão sofrendo as principais consequências do giro ultraneoliberal que está sendo executado pelo governo de Jair Bolsonaro. Mesmo no plano parlamentar, o PSOL que possui uma bancada bastante diminuta foi quem se colocou de forma mais resoluta para pressionar a base partidária do governo federal, rendendo os principais momentos de confronto em defesa de bandeiras populares dentro do congresso nacional.

Mas como Lula continua sendo o principal estrategista da política brasileira e líder inconteste do PT é possível que agora tenhamos o fim do estado de letargia que tem permitido o governo Bolsonaro avançar de forma muito tranquila a sua agenda de desmanche do Estado nacional. Para ampliar essa possibilidade há ainda a saída do ex-ministro José Dirceu da prisão. Se ele tiver condições mínimas de assessorar Lula, apesar dos seus problemas de saúde, é bem provável que muito rapidamente tenhamos movimento no que hoje é pura estagnação.

Tudo indica que o presidente Jair Bolsonaro já sentiu o tamanho do problema que lhe foi criado pela decisão do STF de restabelecer os ditames estabelecidos na Constituição Federal quanto à prisão após o chamado “trânsito em julgado“. É  que sua primeira medida após a notícia da decisão de libertação de Lula foi cancelar uma entrevista coletiva que daria em Goiânia, provavelmente para não ter que oferecer respostas sobre o novo momento que se abre no Brasil.

bolsonaroAo lado do ministro da Educação Abraham Weintraub, o presidente Jair Bolsonaro recebe a informação da libertação do ex-presidente Lula. Após isso, ele cancelou a entrevista que iria conceder em Goiânia. Imagem: GABRIELA BILÓ/ESTADÃO CONTEÚDO

O problema para Jair Bolsonaro é que ele não terá como fugir eternamente de entrevistas ou, muito menos, da sombra que Lula, agora livre, levanta sobre seu governo anti-nacional e anti-pobres.  Isso me permite levantar a seguinte questão ao presidente Bolsonaro: e agora, Jair?

Bolsonaro autoriza plantio de cana na Amazônia e no Pantanal

Após incentivar queimadas, Bolsonaro anuncia novo ataque à Amazônia e outros biomas: suas árvores poderão ser substituídas por extensos canaviais

canaviaisOs canaviais vão empurrar o gado para novas áreas de floresta, estimulando a devastação, o conflito, e ainda trarão as chuvas de agrotóxicos

Por Cida Oliveira para a Rede Brasil Atual

São Paulo — Depois de admitir a investidores árabes que “potencializou” as queimadas na Amazônia por discordar de políticas ambientais de governos anteriores, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) decretou que a região – bem como o Pantanal e a Bacia do Alto Paraguai, na mesma região – está liberada para o plantio da cana. O Decreto 10.084, de 5 de novembro, publicado hoje (6) no Diário Oficial da União, revoga o Decreto 6.961, de setembro de 2009, em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva instituiu o zoneamento para o plantio da cana e as operações de financiamento ao setor sucroalcooleiro. Além de Bolsonaro, assinam o decreto a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, e o ministro da Economia, Paulo Guedes.

A publicação coincide com os novos dados sobre o papel dos biocombustíveis na redução das emissões brasileiras de carbono em 2018, divulgados hoje pelo Observatório do Clima na Conferência Brasileira sobre Mudança do Clima, realizada em Recife.

“Com seu ato, os dois ministros, tidos como a ‘ala razoável’ do governo, expõem dois biomas frágeis à expansão predatória e economicamente injustificável da cana e jogam na lama a imagem internacional de sustentabilidade que o etanol brasileiro construiu a duras penas”, afirmou o Observatório por meio de nota.

A medida foi repudiada pelo ex-ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que chamou Bolsonaro de “ecocida”.

minc cana

Sonho antigo

A liberação do plantio de cana na floresta é objetivo antigo do agronegócio que sustenta o governo e que tem na ministra da Agricultura, a “musa do veneno“, seu mais forte representante. Em março de 2018, mais de 60 entidades ambientalistas, de direitos humanos e de defesa da reforma agrária, entre outras, assinaram manifesto contra a aprovação do Projeto de Lei do Senado (PLS) 626/2011, de Flexa Ribeiro (PSDB-PA), que libera o cultivo de cana de açúcar na Amazônia Legal.

Para essas entidades, permitir o cultivo de cana na região, mesmo que em terras degradadas, é um erro. “Significa acrescentar mais um motor ao crescente desmatamento. Para dar lugar à lavoura, a pecuária será empurrada para novas áreas, estimulando a devastação da floresta, a violência contra as populações locais e a injustiça social. Além disso, a área já liberada para a cana-de-açúcar no resto do país é do tamanho do território de Minas Gerais.”

A produção de cana também está associada à degradação do solo e dos ecossistemas. E o uso intensivo de agrotóxicos, principalmente por meio da pulverização aérea, tem aumentado o número de intoxicações agudas, crônicas e o aumento de casos de diversos tipos de câncer, malformações congênitas e outras doenças graves.

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Este artigo foi originalmente publicado pela Rede Brasil Atual [Aqui!].

Super fiasco do megaleilão do Pré-Sal é fruto do “Risco Bolsonaro”

fiascoSuper fiasco Fiasco do “megaleilão do Pré-Sal” poderá ser o Waterloo do governo Bolsonaro

Nos últimos dias assistimos a uma situação paradoxal na forma com que a mídia corporativa e a maioria do blogosfera tratavam o chamado “megaleilão do Pré-Sal” com o qual o governo Bolsonaro pretendia entregar quatro blocos de exploração na chamada “camada Pré-Sal” a quem desejasse pagar uma fração significativamente menor do valor de fato das reservas.  Assim, enquanto para a mídia corporativa nacional e internacional, o megaleilão era apresentado com a chance de se ter o início de uma era de ouro na exploração do petróleo no Brasil, para a blogosfera o caso era comparado a um mega roubo das riquezas nacionais.

Terminado o “megaleilão”, o que se viu é que de mega a coisa não teve nada (ou como alguns já disseram “um leilão não tão mega“, pois as petroleiras estrangeiras não se apresentaram como era esperado para arrebatar as reservas que estão sendo vendidas a preços consideravelmente generosos pelo governo Bolsonaro.  Coube à Petrobras salvar o governo Bolsonaro do fiasco completo ao comprar dois dos quatro blocos anunciados a um valor de R$ 70 bilhões, cerca de R$ 36 bilhões a menos do que era esperado.

As razões para este fracasso retumbante podem ser várias, mas o descrédito que foi criado em torno da imagem internacional do Brasil pelo comportamento, digamos, excêntrico do presidente Jair Bolsonaro e seus três filhos pode ser facilmente apontado com uma, senão a principal, delas. É que, como já venho dizendo desde janeiro, a imagem do Brasil está jogada na lama após as múltiplas declarações bizarras da família Bolsonaro, capitaneada que é pelo próprio presidente da república.

O Brasil está vivenciando no dia de hoje o que pode ser classificado de “Risco Bolsonaro” em termos de atração de capital produtivo para o Brasil. E olha que as petroleiras que hoje negaram fogo no “megaleilão do Pré-Sal” nem estão entre as corporações cuja governança é das mais fortes. Assim, se até as petroleiras se mostraram avessas a enfrentar o “Risco Bolsonaro”, imaginemos outras grandes empresas cujas estruturas de governança corporativa possuem escrutínios mais apertados, principalmente por causa da presença diligente de organizações que representam os interesses dos chamados acionistas minoritários.

O mais incrível é que estão sendo as multinacionais petroleiras que estão impondo este choque de realidade ao governo Bolsonaro e não os sindicatos e movimentos sociais ditos de esquerda. É que se dependesse desses últimos, os quatro blocos do Pré-Sal teriam sido facilmente transferidos para as mãos de grandes corporações multinacionais, tamanha foi a passividade que precedeu o “megaleilão”.  Assim, em vez da ação organizada de sindicatos e movimentos sociais, o que se vê é uma derrota causada pela indisposição de grandes corporações de vir ao Brasil e operar no ambiente de completa intranquilidade que o governo de extrema-direita de Jair Bolsonaro acabou criando. Se isso não fosse tudo tão trágico para a maioria pobre dos brasileiros, eu até acharia engraçado.

Finalmente, eu desconfio que ao contrário do que muitos têm dito sobre o impacto do caso Marielle sobre o destino do governo Bolsonaro, penso que o dia de hoje será uma espécie de “wake up call” para os setores das elites brasileiras que têm sustentado Jair Bolsonaro apesar de suas “excentricidades”. Esse fiasco mais do que qualquer outra coisa poderá ser o Waterloo de Bolsonaro. A ver!

Rede Globo, Bolsonaro e lutas intra-burguesas

laranjeiras

Bairro de Laranjeira, cidade do Rio de Janeiro, dia 29 de outubro de 2019, às 23:16 min.

Por Heitor Silva*

Ontem assistimos mais um round na disputa entre o Presidente da República e a Rede Globo, as aparências remetem para mágoas de Bolsonaro com o não empenho desta emissora no primeiro turno de sua eleição e a má vontade da rede com seu governo. Do lado da Globo as mágoas seriam as ameaças reafirmadas de não renovação da concessão do canal de TV em abril de 2022. No entanto, este mesmo Presidente foi capaz de aprovar todas as reformas que o grande capital esperava e que a Globo por interesses como grande empregadora e por ser o braço ideológico, por excelência, do grande capital tanto impulsionava, ou seja, apesar das insatisfações mútuas serem questões reais elas são contrabalançadas pelas vitórias conseguidas com o Bolsonaro, portanto precisamos ir mais a fundo para entender o que está em jogo que provoque este entrechoque.

Para entender o que está em disputa precisamos como ponto de partida compreender qual é a coalizão que chegou a Presidência; trata-se de um aglomerado de políticos do baixo clero, ou seja, políticos sem maiores expressões a nível nacional, o exemplo maior é o próprio Presidente que foi deputado por 27 anos, eleito sempre pelo fato de ser o representante dos militares nas lutas por salários. Na última legislatura de que participou se notabilizou pelos enfrentamentos com o ex- deputado Jean Wyllis e com a deputada Maria do Rosário assumindo protagonismo nacional por defender com virulência uma pauta conservadora já representada pelos evangélicos, mas sem o impulso retórico e a beligerância apresentada por Bolsonaro. Sem maiores apoios construiu um partido de inexpressivos, basta ver que a figura de proa do partido no maior estado do país, São Paulo, era um ex-ator de filmes pornográficos, o Sr. Alexandre Frota. Esta coalizão por não ter apoio dos setores tradicionais pode aparecer para a população como contra estes grupos que lhe negavam apoio, entre eles a Globo.

Outro setor importante nesta trajetória foram os evangélicos que apesar da crescente importância eleitoral e até empresarial ainda são setor marginal nos grandes negócios do país e que encontraram em Bolsonaro alguém com capacidade de comunicação muito maior e mais aguerrida do que seu principal quadro político, o Prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, garantiram votos concentrados nas grandes cidades e a capilaridade no interior que um partido recém-criado, o PSL, não tinha.

Também foi importante a contribuição dada por celebridades da internet, o melhor exemplo foi o Sr. Olavo de Carvalho elas trouxeram um conteúdo ideológico para sustentar a candidatura e foram avalistas da aproximação com a extrema direita americana representada por Steve Bannon que contribuiu com aparato midiático nas redes para contrabalançar o pouco tempo na propaganda eleitoral e o isolamento imposto pela Globo.

O grande capital tinha como candidato Geraldo Alckmin que não conseguiu se tornar uma alternativa nas eleições, quando este quadro se configura Bolsonaro estava consolidado no segundo turno e diante de um discurso de aprovar as reformas, mesmo diante do discurso do candidato petista Haddad da necessidade de reformas, o capital preferiu aquele que garantia realizá-las de forma acelerada.

Instalado na Presidência começa a luta pelos “espólios de guerra” que têm várias frentes. A luta é encarniçada porque os grupos em torno do Presidente estavam de fora, ou seja, não se trata de rearrumar uma mesa posta no banquete, trata-se de conseguir lugar na mesa para os arrivistas. Os eventos que assistimos são desdobramentos desta luta.

Temos em primeiro plano a luta pelas verbas publicitárias, de um lado a TV dos evangélicos, do outro a Rede Globo. Para termos uma noção do montante o investimento em publicidade no Brasil chegou a R$ 16,54 bilhões em 2018, segundo o Cenp (Conselho Executivo das Normas-padrão), entidade que reúne os principais anunciantes, veículos de comunicação e agências de propaganda do país. Claro que a publicidade governamental é apenas uma fatia deste total, mas nada desprezível.  O butim em disputa são as publicidades do governos mais as verbas publicitárias das estatais, entre elas: Caixa Econômica Federal, 7o maior anunciante do país com gastos em 2018 de mais de 1 bilhão e meio de reais[1] , sendo que deste total, matérias de jornais apontam, 370 milhões de reais como destinados as redes de TV; Banco do Brasil com gastos em 2018 de mais de 1 bilhão de reais; a Petrobras tem em execução dois contratos de publicidades entre 2018 e 2020, o valor total é de 550 milhões de reais[2].

Para termos uma ideia de como está sendo travada esta disputa, o site Poder360 nos informa que o Banco do Brasil estaria com campanha publicitária pronta, focada no mercado de varejo e de crédito, com veiculação prevista de R$ 20 milhões. Mas que teria sido barrada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), pelo fato de o valor alocado pela mídia para a Rede Globo ser maior que para Record e SBT[3].

No entanto a Rede Globo não teria condições de enfrentar um presidente da República que tivesse apoio maciço dos grandes anunciantes, que ameaçariam retaliar reduzindo verbas, se ela o faz de forma tão aberta antes fez as contas de quanto pode perder no setor público, que nem mesmo somando todas as verbas é seu principal anunciante e ter a certeza de que não será retaliada pelo grandes anunciantes privados. Para compreender o apoio, na surdina, que o grande capital dá a Globo nesta guerra é necessário compreender as “trapalhadas” cometidas pelos novatos no poder. Claramente o estilo do Presidente o isola do grande capital, quando põe a ideologia acima dos negócios como foi no caso da abertura da embaixada em Jerusalém, para agradar os evangélicos, criando um atrito com os árabes, que são, de longe, os maiores compradores do conglomerado BRF que junta a Sadia e a Perdigão. Também se enquadra neste caso os atritos criados com os chineses que estavam em vias de investir em infraestruturas importantes para o agronegócio, na mesma direção foram as declarações sobre as queimadas da Amazônia abrindo um flanco para retaliações aos nossos produtos agrícolas e animais nos países centrais.

Diante desta falta de habilidade, já com as reformas aprovadas e para afasta-lo mais ainda dos oligarcas e dos banqueiros há a sede com que os arrivistas se lançam e, neste caso, as notórias relações com os milicianos também novos-ricos sedentos de dinheiro e poder abrem a possibilidade de sua utilização como “guarda pretoriana” do Presidente. Com este quadro de referências procuramos ouvir interlocutores do mercado financeiros e todos disseram uníssonos – o mercado não se abalou diante da denúncias da Globo, aliás todos esperam e torcem pela saída dele e entronização do Vice-Presidente Mourão.

Estamos vendo uma luta que no Rio de Janeiro poderia ser traduzida como Leblon versus Barra da Tijuca e em S. Paulo como Jardins versus Itaim Bibi ou Moema.

Enquanto isso a América Latina arde e os atores em cena já se posicionam, o filho do Presidente ameaça com uso brutal de tropas para reprimir manifestações, o Prefeito Pastor da cidade do Rio de Janeiro contradizendo toda a sua trajetória resolve uma pendência sobre pedágio em uma  importante via da cidade, a Linha Amarela, pela força destruindo a praça do pedágio, mostrando que se houver radicalização ele já está se posicionando para “mudar tudo e assim permanecer como era antes”. É plausível supor que dada a luta entre eles as manifestações tenham as “bençãos”  da Globo, relembrando seu comportamento no impeachment do Presidente Collor. Para verem como ela está apostando nisso ontem logo após o Jornal Nacional com as denúncias contra o Presidente foi projetado em prédio no bairro da Laranjeiras a imagem abaixo, vejam equipamento de laser, caro e dos quais há poucos na cidade, já estava de plantão em um dos bairros onde o PSOL teve a maior votação na cidade esperando as reações diante de denúncias de relação do Bolsonaro com o assassinato da Vereadora Marielle Franco do PSOL carioca.

Não podemos, nós a esquerda, sermos marionetes neste jogo e nem acreditar em alianças tática com a Rede Globo, precisamos mostrar que isso é uma luta nos intestinos do capitalismo periférico e que nossa alternativa não pode ser outra que não seja a mudança completa de tudo que aí está, ou seja a Revolução Brasileira.

  1. Fonte: Kantar IBOPE Media – Monitor Evolution – ME1812TOTALPTVHS – Período: de Jan/ 2018 a Dez/2018. Valores Publicitários Brutos (GAV- Gross Adverseting Value), desconsiderados descontos e negiciações.
  2. Fonte: Transparência Petrobras. Disponível em: http://transparencia.petrobras.com.br/despesas/publicidade
  3. Fonte: https://www.poder360.com.br/economia/semana-do-brasil-comeca-nesta-6a-com-adesao-de-mais-de-6-mil- empresas/

*Heitor Silva é professor e economista

Marielle e Anderson: há mesmo chance que se faça justiça aos mortos?

mari-e-andersonA vereadora Marielle Franco (PSOL/RJ) e o motorista Anderson Gomes foram barbaramente assassinados no dia 14 de março de 2018

As últimas 48 horas têm sido plenas em termos de cobertura sobre uma matéria produzida pelo jornal nacional sobre uma possível ligação entre os assassinos da vereadora Marielle Franco (PSOL/RJ) e do motorista Anderson Gomes com o agora presidente Jair Bolsonaro.

Um dos aspectos mais peculiares foi a velocidade dignidade do personagem “The Flash” com que o Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro saiu a campo para desmentir e colocar em xeque o depoimento de um porteiro do condomínio “Vivendas da Barra” que estabeleceu a ligação entre os supostos assassinos de Marielle e Anderson com a residência de Jair Bolsonaro.

Foi graças a essa celeridade inaudita que o Brasil ficou sabendo que uma das procuradoras da equipe responsável pelo caso se chama Carmen Eliza Bastos de Carvalho (ver reprodução abaixo de matéria da Agência Brasil). 

mp marielle

Mas é justamente aí que a porca torceu o rabo. É que a partir da publicização dos membros da equipe do MP/RJ que acompanha o caso, vários veículos da mídia alternativa puderam detectar que a procuradora Carmen Eliza Bastos de Carvalho não apenas fez campanha para o então deputado federal Jair Bolsonaro, como também foi homenageada com a maior comenda do estado do Rio de Janeiro, a Medalha Tiradentes, por iniciativa do deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL) que se tornou conhecido durante a campanha de 2018 por ter quebrado a placa que homenageava Marielle Franco (ver imagem abaixo).

carmen eliza

O que me parece curioso é que as imagens acima estão disponíveis na página que a procuradora Carmen Eliza Bastos de Carvalho, o que torna impossível que seus superiores hierárquicos (pelo menos os imediatos) não tivessem conhecimento de suas preferências partidárias quando a indicaram para um caso que é marcado por um evidente elemento ideológico dada o perfil pessoal e a natureza da ação política de Marielle Franco.

Agora, diante das revelações que se tornaram públicas, vamos como se comporta o MP/RJ. É que a manutenção da procuradora Carmen Eliza Bastos de Carvalho no caso tenderá a gerar suspeições profundas de conflito de interesses por parte dela.

E a questão que não quer ficar calada: há nesse contexto todo alguma chance real de que seja feita justiça para Marielle e Anderson?

Não é porque é úmida que a Amazônia não pega fogo…

fogo floresta

O vídeo abaixo é mais uma daquelas demonstrações que dentro do atual governo há a clara expectativa de que ninguém que ouça que é dito entende do que está sendo falado. Nele o presidente Jair Bolsonaro nega de cara limpa o fato de que em 2019 a Amazônia brasileira literalmente ardeu em chamas por causa do desmanche dos mecanismos de comando e controle que existiam até dezembro de 2018.

A coisa é que flagrantemente inverídica que apenas um exame rápido de uma imagem do satélite MODIS para o período de 15 a 22 de Agosto de 2019 já indica o tamanho do fogaréu que tomou conta da Amazônia brasileira, em especial na região conhecida como “Arco do Desmatamento” [ver imagem abaixo].

modis.png

E mais, os incêndios florestais diminuíram porque houve o início do período chuvoso, o que torna inviável a combustão do material seco. Entretanto, isso já torna possível prever que em 2020 o número de focos de incêndio e a intensidade dos mesmos será ainda maior do que em 2019.

Mas há algo ainda mais básico sobre a declaração do presidente Jair Bolsonaro indicando que a floresta amazônica “não pega fogo porque é úmida”. O fato é que o bioma Amazônia é muito mais diverso do que se possa imaginar, incluindo desde formações mais densas e fechadas até as mais abertas. Essa diferenciação estrutural invalida a noção de que as florestas amazônicas são todas úmidas a ponto de impedir a ocorrência de fogo em seu interior. Aliás, bastaria uma olhada rápida nos documentos gerados pelo projeto RADAM BRASIL para se saber disso. 

A verdade é que o atual governo tem pouco ou nenhum interesse em proteger a biodiversidade amazônica. Mas como o resto do mundo se interessa, há então a necessidade de oferecer explicações que não param em pé. Cedo ou tarde, essa disposição para tentar ocultar o inocultável vai criar problemas intransponíveis para o acesso das commodities brasileiras aos mercados globais.

 

O assassinato de Marielle e Anderson: Rede Globo expõe as ligações perigosas de Jair Bolsonaro

bolso queirozO presidente Jair Bolsonaro com o ex-PM Élcio Queiróz, um dos principais acusados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes

A estas alturas do campeonato ninguém deveria mais se surpreender com o que se pode chamar de “ligações perigosas” que cercam o presidente Jair Bolsonaro e seus filhos com o mundo das milícias no Rio de Janeiro. É que as fartas ligações dentro de gabinetes e até mesmo dentro do condomínio onde o presidente mora na Barra da Tijuca são mais do que conhecidas.

O que há de diferente agora é a ação da família Marinho para escancarar estas evidentes ligações com o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes por figuras que estavam, ou ainda estão, próximas do presidente Jair Bolsonaro e seus filhos. E isto tudo usando o principal instrumento da Rede Globo, i.e., o Jornal Nacional, para explicitar questões que permaneciam um tanto submersas em uma investigação que parecia destinada ao esquecimento (ver vídeo abaixo).

Em se tratando das Organizações Globo sempre há que se perguntar sobre o motivo da veiculação desta ou daquela matéria, pois a família Marinha não é de bater prego sem estopa. Entretanto, a ação de jogar na cara da população brasileira a possível ligação de Jair Bolsonaro e seus filhos com o assassinato de Marielle e Anderson é um movimento robusto. Tanto isto é verdade que desde a Arábia Saudita, e em plena madrugada de lá, Jair Bolsonaro já ofereceu o que pode ser considerado um ensaio de resposta (ainda que em tom relativamente desgovernado) à matéria do Jornal Nacional.

O que parece evidente é que o mandato do presidente Jair Bolsonaro acaba de ser colocado na linha de fogo como nunca antes ao longo deste ano. Se ele insistir em uma linha de resposta como a mostrada acima, o grande risco é que ele seja abandonado até pelos setores que o sustentam em nome de evidentes ganhos que estão auferindo com as políticas de desmanche do Estado brasileiro. 

E a razões para um eventual abandono de Jair Bolsonaro em meio ao deserto das potenciais revelações que ainda estão por vir são eminentemente de ordem econômica. É que nenhuma empresa multinacional vai querer vir para o Brasil em meio a um ambiente em que o presidente da república esteja lutando pela sua sobrevivência por causa do tipo de ligação (perigosa) que a Rede Globo decidiu explicitar na noite de ontem.

Suspeito que as próximas semanas serão preenchidas com mais adrenalina, pois a peça que foi veiculada ontem parece mais uma espécie de “preparo” para revelações ainda mais cabeludas acerca das responsáveis pelo assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. De quebra, ainda há a fratura exposta que atende pelo nome de Fabrício Queiróz que parece um potencial candidato a delator. Talvez por isso o presidente Jair Bolsonaro se mostrou particularmente agitado com a possível prisão de um dos seus filhos.

Como se vê, o Brasil não é mesmo um país para principiantes.  Por isso mesmo, por mais tarimbados que alguém seja, sempre há por aqui amplo espaço para surpresas e enredos rocambolescos.