Mídia mundial dá ampla cobertura aos protestos contra cortes na educação

Ao contrário do presidente Jair Bolsonaro que minimizou as manifestações que ocorreram em todo o Brasil nesta 4a. feira contra os cortes draconianos promovidos no orçamento de universidades e institutos federais, estendidos também à CAPES e ao CNPq, a mídia mundial deu ampla cobertura. Importantes veículos de imprensa de diversos países alertaram para o tamanho dos protestos, ressaltando ainda que são os maiores já promovidos contra o governo Bolsonaro.

Abaixo algumas das matérias publicadas por gigantes da mídia internacional, tais como o Washington Post, o The New York Times, o The Wall Street Journal, a Deutsche Welle, o Financial Times e a Reuters.

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Vamos ver o que dirão agora o presidente Jair Bolsonaro e seu ministro da Educação, Abraham Weintraub. Mas uma coisa é certa: mesmo para especialistas em fake news, vai ficar complicado negar a envergadura e o alcance social das manifestações que ocorreram neste 15 de maio.

Uma coisa é certa: o recém nascido governo Bolsonaro já conseguiu um enorme desgaste político, causado principalmente pela inabilidade de seus principais ministros e pela volúpia com que estão tentando desmantelar o estado brasileiro. 

Deputado desmente desmentido e expõe descontrole político do governo Bolsonaro

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O deputado federal Capitão Wagner (PROS-CE) e o presidente Jair Bolsonaro em um tempo em que não existiam ainda os desmentidos dos desmentidos.

A greve nacional da educação que deverá ocorrer ao longo do dia de hoje é um primeiro teste para a disposição de enfrentamento de segmentos críticos às políticas ultraneoliberais e de caráter regressivo que estão sendo aplicadas pelo governo Bolsonaro.  

Antes de que se saiba o alcance e a amplitude do movimento, uma coisa que já ficou evidente é que há um grave problema de coordenação política entre os que hoje comandam o executivo federal e sua própria base partidária dentro do congresso nacional.

Uma prova disso é o depoimento mostrado no vídeo abaixo com o depoimento do deputado federal Capitão Wagner (PROS-CE), um apoiador declarado do presidente Jair Bolsonaro, sobre a reunião convocada com líderes partidários para agilizar a votação de interesse do governo federal e onde teria sido comunicado um recuo, imediatamente negado, de que os cortes nas universidades e institutos federais  teria sido suspenso.

Como não há razão para duvidar das palavras de um membro da base do próprio governo, o que esse depoimento mostra é um descontrole político dentro dos altos escalões do governo federal, na medida em que fica evidente que o presidente Jair Bolsonaro pode não ser quem efetivamente tem o controle final das decisões que estão sendo aplicadas pelos seus próprios ministros.

Há quem veja nesse movimento de anunciar a suspensão dos cortes orçamentários no MEC para depois desmenti-los como uma tática de gerar confusão e diminuir o tamanho da mobilização que deverá ocorrer. Eu já acho que se trata de um descontrole dentro dos agentes tomadores de decisão.

E se o motivo do anúncio era desmobilizar, o desmentido do desmentido que aparece no vídeo deverá gerar ainda mais instabilidade político dentro do congresso nacional e aprofundar as dificuldades já notadas na aprovação de medidas de interesse do governo Bolsonaro. Em outras palavras, tentaram apagar o incêndio com gasolina e podem acabar aumentando o seu alcance.

Brasil, no caminho do Tsunami de Jair Bolsonaro

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Quando o presidente Jair Bolsonaro anunciou de forma críptica que o Brasil (ou seria seu governo?) enfrentaria um tsunami, muitos analistas começaram a especular sobre o que ele estava falando. A notícia veiculada ontem pela mídia corporativa de que a justiça finalmente decidiu quebrar o sigilo bancário do filho primogênito e senador pelo Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro, e de outras 89 pessoas (incluindo o dublê de motorista e gerente de pessoal, Fabrício Queiróz) levou a que muitos vejam nesse desdobramento a chegada do Tsunami previsto pelo presidente Bolsonaro.

Eu particularmente penso que o tsunami de Bolsonaro possui muitas outras facetas com potencial ainda maior de deixar o seu governo em uma condição política muito semelhante a que afogou o da ex-presidente Dilma Rousseff.  A razão para isso, obviamente, é a combinação de uma situação econômica precária com medidas que apenas aprofundam o estado comatoso em que se encontra o Brasil. 

Além disso, graças a um ministério selecionado a dedo para não conseguir fazer nada certo, as áreas de aresta dentro e fora do Brasil não param de aumentar. Desde as justificativas algebricamente erradas de Abraham Weintraub para os cortes feitos nos orçamentos de universidades e institutos federais, passando pela “denúncia” feita por Damares Alves de que a princesa Elsa do filme infantil “Frozen” seria gay, e chegando no cancelamento de mais uma reunião sobre as mudanças climáticas que ocorreria em Salvador pelo agroboy Ricardo Salles que temia manifestações contrárias à sua gestão à frente do Ministério do Meio Ambiente, o governo Bolsonaro só acumula desgastes e pouco avança (felizmente) em áreas em que prometeu mundos e fundos para seus apoiadores corporativos.

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Percepção externa de que Ricardo Salles e Jair Bolsonaro estão desmanchando governança ambiental é cada vez mais negativa.

Como para toda ação há uma reação, o governo Bolsonaro passará amanhã pelo seu primeiro teste real nas ruas com a anunciada greve nacional da educação.  Esse movimento, muito provavelmente, iria ser mais daqueles com pouco adesão que ocorreram no Brasil nos últimos anos.  Entretanto, graças aos cortes draconianos que foram operados no orçamento do Ministério da Educação, agora abundam sinais de que teremos manifestações importantes em diferentes partes do território nacional.  Este será uma espécie de ensaio geral para a greve geral que as centrais sindicais convocaram para o dia 14 de junho. 

Mas o Tsunami também tem importantes componentes externos, a começar pela guerra comercial EUA-China que já jogou partes das bolsas mundiais, incluindo as de mercadorias e futuros numa espiral de grave incertezas e derrubando preços de commodities estratégicas como a soja. Entretanto, a principal consequência do que foi iniciado pelo governo dos EUA é a fuga de capitais especulativos, o que já começou a causar uma aceleração no preço da moeda estadunidense e queda nas bolsas mundiais.

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Mercados mundiais respondem negativamente ao recrudescimento da guerra comercial entre EUA e China.

A combinação desses fatores pega a economia brasileira e seus principais indicadores em posição de extrema fragilidade.  Tal fragilidade somada à receita ultraneoliberal do ministro Paulo Guedes e sua equipe de “Chicago Boys” oferece um caldo de cultura altamente promissor para que tenhamos uma degradação ainda mais acelerada dos índices de popularidade um governo que ainda nem completou cinco meses de existência e já aparece altamente envelhecido e sem capacidade de gerar alternativas estratégicas para resolver os muitos problemas que nos afligem.

E o resultado disso é a formação do Tsunami que o presidente Jair Bolsonaro previu. Resta saber se ele mesmo não será engolido no processo. É que em condições de mares revoltos, não há espaço para improvisação.

A guerra comercial China-EUA poderá ampliar a recessão brasileira

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Os mercados mundiais amanheceram hoje em ritmo frenético por causa da imposição de novas tarifas pelo governo de Donald Trump e a esperada reação chinesa de também impor este mesmo tipo de ação punitiva sobre os produtos estadunidenses (ver imagem abaixo que reproduz manchete da Bloomberg News).

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Esse aumento das tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo poderá ter efeitos devastadores sobre a economia brasileira que já não anda muito bem das pernas após quase 4 anos de medidas ultraneoliberais impostas por Michel Temer e Jair Bolsonaro, estando em virtual processo de recessão com milhões de desempregados e sem perspectivas de recuperação imediata.

A situação brasileira poderá ser ainda mais complicada em função das manifestações que poderão ser emanadas pelo presidente Jair Bolsonaro e seu ministro das Relações Exteriores que têm tido posições pró-EUA em vários assuntos, secundarizando os interesses comerciais brasileiros que tem na China o seu principal parceiro.

Por isso, mesmo que em alguns aspectos pontuais, a guerra comercial sino-estadunidense favoreça alguns grupos de interesse, a começar pelos vendedores de soja, em aspectos globais, o Brasil poderá se afundar ainda mais na recessão em que se encontra, especialmente se a dupla Bolsonaro e Araújo optarem pela submissão à Casa Branca em detrimento dos interesses econômicos nacionais. 

Por outro lado, é importante que quaisquer análises que sejam feitas sobre a realidade brasileira passe a levar em conta o complicado cenário mundial. É que tenho visto a preponderância de análises que passam ao largo das articulações existentes entre crise econômica e alinhamentos geopolíticos que hoje determinam fortunas e misérias na economia global. Nesse caso, se houver um alinhamento político por parte do governo Bolsonaro, não como o Brasil não sair duramente chamuscado no plano econômico.  Apesar de ser simples de se concluir, tenho dúvidas sobre qual lado o atual governo escolherá dados os perfis altamente ideológicos dos seus principais tomadores de decisões.

Cortes na ciência e tecnologia vão agravar fuga de cérebros

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Intencional ou não, um dos primeiros efeitos que os cortes draconianos que foram executados pelo ministro Abraham Weintraub, aquele que possui dificuldades extremas com o cálculo de porcentagens, no sistema nacional de pós-graduação será acelerar um processo que historicamente drena recursos humanos do Brasil que é conhecido pela alcunha de “fuga de cérebros”. 

Esse processo não é de hoje, mas será aprofundado por uma opção de retirar investimentos da ciência e tecnologia para encher os cofres dos grandes agentes internacionais e nacionais que fazem a festa com dinheiro público a partir da especulação financeira.

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Eu já vinha sendo procurado por jovens pesquisadores interessados em sair do Brasil para procurar oportunidades de treinamento em nível de pós-graduação em centros como Canadá e Austrália.  Essas conversas geralmente revolviam em torno da necessidade de manter ou aprofundar treinamentos iniciados no Brasil em países onde há maior estabilidade no aporte de verbas.  Como realizei no meu doutorado e meu pós-doutorado nos EUA, quem me procurou estava buscando informações sobre como não só acessar programas em universidades estrangeiras, mas também sobreviver ao duro teste que é viver fora do Brasil enquanto se estuda e faz pesquisas.

O que os presentes cortes drásticos feitos pelo governo Bolsonaro acabarão causando, em um sistema que objetivamente se tornou um dos mais promissores do mundo ao longo das últimas décadas onde houve uma certa melhora no aporte de recursos, será acelerar um processo que sempre existiu.  Uma das razões para isso é que muitos desses jovens pesquisadores (e até alguns assim não tão jovens) já alcançaram algum tipo de expertise científica que será facilmente assimilada em países que estão realizando o percurso oposto ao do Brasil e realizando investimentos pesados em ciência e tecnologia.

Um exemplo é a União Europeia que apenas na iniciativa conhecida como “Horizon 
Europe” irá investir algo em torno de R$ 500 bilhões entre 2021 e 2027.  Esse montante ainda será acrescido de investimentos feitos pelos próprios países europeus, a começar pela Alemanha que está planejamento investimentos de R$ 800 bilhões em suas universidades e institutos de pesquisa entre 2021 e 2030.

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Com  o “Horizon Europe”, a União Europeia irá investir R$ 500 bilhões no desenvolvimento científico e tecnológico apenas entre 2021 e 2027.

Como estive recentemente na Finlândia pude constatar que também naquele país estão sendo realizados investimentos massivos nas universidades, os quais estão permitindo a atração de excelentes quadros científicos de todas as partes do mundo para fortalecer a capacidade de produção em todas as áreas de conhecimento. Um modelo que, aliás, a China já vem executando há alguns. 

Os apoiadores do governo Bolsonaro poderão dar de ombros e dizer que o aeroporto será o melhor caminho para aqueles que não quiserem “amar” o Brasil que está sendo montado pelo “mito”.  O problema é que ao perdermos quadros científicos, aumentaremos ainda mais a nossa dependência em todo tipo de produto, a começar, por exemplo, por vacinas e remédios contra doenças tropicais.  Cito aqui o caso da pesquisadora da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, Letícia Takahashi ,que anunciou a sua desistência do seu programa de doutoramento cujo foco seria a continuidade de suas pesquisas sobre a Leishmaniose, doença transmitida por mosquitos, que cresceu quase 53% nos últimos 26 anos no Brasil e que pode ser fatal. Não ficarei surpreso se alguma universidade estrangeira vier ao nosso país para recrutá-la, pagando muito mais do que os minguados R$2.200,00 que ela receberia na forma de uma bolsa de pesquisas da CAPES.

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Leticia Takahashi, pesquisadora que teve que interromper o doutorado por falta de bolsa. Arquivo pessoal

Assim é preciso que fique claro que se centenas ou até milhares de pesquisadores decidirem sair do Brasil em busca de condições de trabalho, os culpados serão não apenas os membros do governo Bolsonaro que engendraram os cortes operados no sistema nacional de ciência e tecnologia, mas também aqueles que podendo pressionar para que isso não ocorresse estão se omitindo. Um desses personagens omissos é o ministro da Ciência e Tecnologia, o auto intitulado astronauta Marcos Pontes, que está assistindo a tudo o que está sendo com cara de paisagem.  Se é para se comportar assim, melhor seria ele voltar a anunciar travesseiros feitos como se fossem da NASA, mas que não o são.

Abraham Weintraub dá mais uma mostra pública de incapacidade matemática

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No dia 05 de Maio mostrei aqui um equívoco grave do ministro da Educação, Abraham Weintraub, que festejou um custo fictício de R$ 500 mil para um exame nacional que, na realidade, custará R$ 500 milhões. Disse naquela ocasião que se não estivéssemos tempos, digamos, tão bagunçados, Weintraub seria sumariamente demitido.

Mas se houvesse quem pudesse pensar que Abraham Weintraub se tornaria mais cuidadoso com seus manuseios públicos de cálculos matemáticos triviais, a pessoa que operou um ajuste draconiano no orçamento de universidades e institutos federais, hoje ele provou o contrário e de forma igualmente bisonha. É que ao lado do presidente Jair Bolsonaro (PSL), o ministro da Educação, Abraham Weintraub, usou bombons para explicar o congelamento  médio de 28,46% do orçamento das universidades públicas do país (ver vídeo abaixo).  

 

E qual é o problema aqui? É que o corte feito equivale a 28,5 e não 3,5 bombons! Ainda que em comparação com o erro anterior, a ordem de grandeza do erro tenha caído duas vezes, há que lembrar que Weintraub possui um curso de graduação em Ciências Econômicas pela Universidade de São Paulo (USP), o que torna esse tipo de erro algo inexplicável, para não dizer surreal.

A única explicação que não seja a de pura falta de letramento matemático por parte de Weintraub é que ele estava de gozação com a cara de quem assiste as transmissões que o presidente Jair Bolsonaro faz pelas redes sociais.

Em qualquer uma das opções acima, o caso é grave e torna ainda mais inexplicável a indicação e agora a permanência num dos cargos mais estratégicos da república brasileira.

‘Exterminador do futuro’: Bolsonaro é denunciado por assalto ao meio ambiente

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Nesta foto de 1988, as árvores queimam na Amazônia após um incêndio iniciado por fazendeiros no estado de Rondônia. Críticos dizem que as políticas de Bolsonaro já estavam prejudicando a posição internacional do país. Foto: Stephen Ferry / Getty Images

Por Anna Jean Kaiser, em São Paulo, para o “The Guardian”

Jair Bolsonaro está transformando o Brasil em um “exterminador do futuro”, alertou a ativista e política Marina Silva, enquanto ela e outros sete ex-ministros do Meio Ambiente denunciam o ataque do presidente de extrema-direita às proteções da floresta tropical.

Os oito ex-ministros – que serviram governos em todo o espectro político durante quase 30 anos – alertaram na quarta-feira que o governo de Bolsonaro estava sistematicamente tentando destruir as políticas de proteção ambiental do Brasil.

“Estamos observando-os desconstruir tudo o que montamos”, disse José Sarney Filho, que foi ministro do Meio Ambiente dos presidentes de direita Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer.

“Estamos falando sobre biodiversidade, vida, florestas … a Amazônia tem um papel incrivelmente importante no aquecimento global. É o ar condicionado do mundo; regula a chuva para todo o continente ”.

Silva, a ministro do Meio Ambiente de Lula, disse: “O que está acontecendo é um desmantelamento, levando a educação e o meio ambiente e tornando-os questões ideológicas”.

Ela disse que o governo arriscou “transformar nosso país no exterminador do futuro – e não podemos deixar isso acontecer”.

Bolsonaro foi severamente criticado em casa e no exterior por suas alegações de que as proteções ambientais impedem o crescimento econômico do Brasil. Ele é um aliado próximo do poderoso lobby do agronegócio e durante sua campanha disse que, se ele fosse eleito, não alocaria “mais um centímetro” de terra para reservas indígenas.

Izabella Teixeira, que liderou a equipe de negociação do Brasil no Acordo Climático de Paris como ministra do Meio Ambiente sob a presidência de esquerda Dilma Roussef, disse que as políticas de Bolsonaro já estavam prejudicando a posição internacional do país.

Ela disse: “Ser um negador da mudança climática é muito sério porque é uma questão geopolítica. Os sinais que o governo está enviando agora contra o consenso internacional estão comprometendo nossa credibilidade – sem mencionar nossa imagem ”.

Em um discurso na quarta-feira, Bolsonaro disse que removeria proteções ambientais em uma parte da costa florestada ao sul do Rio de Janeiro para criar “uma Cancun do Brasil”. Bolsonaro recebeu uma multa de US $ 2.500 da polícia ambiental pela pesca ilegal em a reserva em 2012.

Os ex-ministros destacaram o “esgotamento” dos poderes do Ministério do Meio Ambiente, incluindo a privação de jurisdição sobre a agência de água do país e o serviço florestal e também a eliminação de três secretários, incluindo o secretário sobre mudançaS climáticaS.

O governo de Bolsonaro também transferiu a autoridade para alocar novas terras indígenas da agência de assuntos indígenas para o ministério da Agricultura. Em determinado momento, Bolsonaro estava considerando se retirar do Acordo de Paris.

“Os defensores do meio ambiente estão de mãos atadas e os piores atores – os poluidores, o agronegócio – têm uma pistola na deles”, disse Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente de Lula da Silva. “Eu diria que se tornou o ministério do anti-ambiente.”

O ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, Ricardo Salles, respondeu com uma declaração em que acusou administrações anteriores de “má administração” e alegou que existe uma campanha para manchar a reputação do Brasil.

“O que está prejudicando a imagem do Brasil é a permanente e bem orquestrada campanha de difamação de ONGs e supostos especialistas, dentro e fora do Brasil”, escreveu ele.

Salles chamou a mudança climática de uma “questão secundária” e disse que as multas ambientais são “ideológicas”. Em suas primeiras semanas no cargo, ele suspendeu por três meses as parcerias entre o governo e as ONGs e mais tarde chamou o respeitado ativista ambiental Chico Mendes de “irrelevante”.

No início desta semana, Salles cancelou uma viagem ao Reino Unido, Noruega e Alemanha. A agência de notícias Folhapress informou que o ministro desistiu da viagem por causa de uma carta assinada por 602 cientistas que pediam que empresas européias fizessem apenas negócios com o Brasil sob a condição de que cumprissem compromissos de reduzir o desmatamento e os conflitos indígenas.

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Este artigo foi originalmente publicado em inglês pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].