Gripezinha? Governo Trump informa população sobre estimativa “dolorosa” para a COVID-19: 100.000 mortes

O principal especialista em doenças infecciosas dos EUA, Dr.  Anthony Fauci, informou hoje em coletiva de imprensa que, com base em modelos matemáticos, o país poderá ver 100.000 ou mais mortes  causadas pelo COVID-19.

covid 19 usa

Enquanto isso no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro trabalha para acabar com as medidas confinamento social que, em grande parte está contribuindo para diminuir a velocidade da disseminação no território nacional.

Quantos mortos devemos esperar em um país marcado pela existência de grandes bolsões de miséria e com uma capacidade econômica muito menor como Brasil, e que ainda tem que conviver com um presidente que se tornou uma espécie de líder do negacionismo da pandemia?

E agora, Jair? Steve Bannon defende que Trump adote formas mais estritas de confinamento para acelerar recuperação econômica

bannon bolso

Steve Bannon, sentando ao lado do presidente Jair Bolsonaro, é considerado um guru da extrema-direita mundial

Agora é que a disputa retórica empreendida pelo presidente Jair Bolsonaro e seu “gabinete do ódio” em prol da flexibilização das medidas de confinamento social vai entrar em uma fase difícil.

É que o líder da extrema-direita e guru da família Bolsonaro, Steve Bannon, está prevendo que o presidente Donald Trump “desejará realizar um bloqueio social mais duro à medida que os EUA avançarem na pandemia de coronavírus” (ver vídeo abaixo de sua entrevista à rede FOX a partir do segundo 49).

Bannon afirmou ainda que “acho que você passa por um bloqueio mais difícil no momento e depois passa por cima”, disse Bannon., e acrescentou que “ninguém deve perder um emprego, nenhuma empresa deve sair do negócio. Temos que unir as pequenas empresas, os empreendedores para passar para o outro lado“.

Steve Bannon disse ainda à Fox News que “se você tiver que passar pelo inferno, passe o mais rápido possível“, disse ele.   Em conclusão Bannon  prognosticou que “o presidente Trump chegará à conclusão de que quero reforçar isso ainda mais, para que possamos passar por isso cada vez mais rápido e ter um reavivamento mais acentuado. Acredito que é isso que vai acontecer“.

Vamos ver agora como reage o presidente Jair Bolsonaro às posições de Steve Bannon. No mínimo será interessante ver qual será a reação.

Enquanto Bolsonaro quebra isolamento em Brasília, coronavírus se espalha dentro de unidades de saúde como fogo no pasto

O presidente Jair Bolsonaro esteve hoje fazendo um giro por diferentes pontos da periferia do Distrito Federal fazendo o que tem feito nas últimas semanas, qual seja, atrapalhar os esforços de contenção da difusão da pandemia do coronavírus no Brasil (ver vídeo abaixo da ida a um supermercado onde rapidamente causou a indesejável, por ser perigosa, aglomeração de pessoas).


Enquanto o presidente Bolsonaro faz mais estripulias, os leitores da Folha de São Paulo puderam ler a notícia abaixo, a qual dá conta que pelo menos 90 servidores do hospital paulistano Sírio-Libanês contraíram o coronavírus que transmite a COVID-19, estando assim alijados da frente de combate à expansão dessa pandemia na capital paulista. Com isso, os profissionais que ainda não foram infectados estão ficando cada vez mais sobrecarregados.

sirio coronavirus

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Como o Hospital Sírio-Libanês não é exatamente um daqueles que atenderá a clientela que estava no supermercado visitado por Brasília, imaginem o que já não está acontecendo nas unidades do Sistema Unificado de Saúde (SUS) que está na linha de frente da guerra contra o coronavírus e, mais especificamente, no atendimento dos mais pobres. Aliás, não precisa nem ser o Sírio-Libanês, pode ser, por exemplo, o Hospital da Unimed em Volta Redonda onde ao menos 10 médicos já foram contaminados.
A verdade é que os profissionais da área da saúde (seja pública ou privada) estão sendo colocados para enfrentar um vírus com capacidade comprovada de produzir óbitos em alta velocidade, sem que haja um mínima de condição em termos de infraestrutura para fazê-lo. E, pior, aquele que deveria estar se empenhando para dotar esses profissionais com a condição de vencer a pandemia, parece estar mais inclinado a assumir o lado do vírus nesta guerra.
Finalmente, não deverá surpreender ninguém se partes dos adoecidos ou mortos pela COVID-19 não forem os profissionais da saúde que hoje enfrentam o coronavírus sem a devida proteção.

Uma imagem didática sobre a transferência do coronavírus

A imagem abaixo vem da lavra do fotógrafo Joedson Alves, da Agência EFE Brasil, tirada hoje pela manhã. O que você vê? E mais do que isso, você ficaria na frente de qualquer pessoa que possa emitir o mesmo volume de spray pela boca? Pense nisso! Afinal, se não houver o necessário distanciamento social, a expansão do coronavírus se tornará ainda mais exponencial.

bolsonaro spray

Essa é a hora exata de Bolsonaro imitar Trump

trump bolsonaroJair Bolsonaro e Donald Trump durante encontro ocorrido nos EUA.

Como todos sabem, o presidente Jair Bolsonaro é um fã ávido do seu congênere estadunidense Donald Trump.  Em função disso, boa parte da sua linha de raciocínio vinha sendo uma espécie de espelho do que Trump estava mandando seu governo e o povo dos EUA fazerem para achatar a curva de difusão da COVID-19. A partir de uma minimização do potencial devastador do vírus, Trump estava efetivamente tratando o coronavírus como uma “gripezinha”, tal como Bolsonaro.

Pois bem, agora que os EUA se tornaram o epicentro global da pandemia causada pelo coronavírus, Donald Trump acaba de fazer um giro considerável em sua posição e enviou cartas à população pedindo que restrinja ao máximo a circulação e que, sempre que possível, os estadunidenses fiquem em casa (ver imagens abaixo).

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É interessante nota que as diretrizes de Donald Trump incluem os seguintes pontos:

  1. Escutar e seguir as determinações dos estados e autoridades locais
  2. Não ir trabalhar se estiver com sintomas
  3. Não sair de casa com crianças doentes e chamar a assistência médica
  4. Idosos e pacientes com doenças crônicas devem ficar em casa
  5. Isolamento total da família caso haja a confirmação de um caso de COVID-19
  6. Trabalhar e estudar em casa sempre que possível
  7. Evitar reuniões sociais e em grupos com mais de 10 pessoas
  8. Evitar bares e restaurantes, dar preferência a delivery e “para viagem”
  9. Evitar viagens desnecessárias, para compras ou turismo
  10. Não visitar berçários ou asilos
  11. Praticar sempre uma boa higiene

Todas essas orientações são muito semelhantes ao que já foi largamente recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e que países que contiveram a explosão da contaminação por COVID-19 já adotaram.

Pois então, esse momento me parece o mais recomendado e oportuno para que o presidente Jair Bolsonaro tome medidas para fazer o que ele tem mais feito ao longo de 15 meses de governo, qual seja, imitar as ações de Donald Trump. 

Aliás, falando em imitar as boas ações de Donald Trump, o governo Bolsonaro poderia também cessar o desfinanciamento do sistema nacional de ciência e tecnologia. É que no recente pacote aprovado pelo Congresso dos EUA, um total de US$ 1,25 bilhão (algo próximo R$ 7 bilhões) para agências federais de pesquisa apoiarem cientistas que tentam entender melhor COVID-19. Além disso,  parte desse valor será utilizado para apoiar universidades que fecharam devido à pandemia, algumas das quais poderiam apoiar pesquisas que foram interrompidas.

 

Negacionismo científico de Donald Trump colocou os EUA no centro da pandemia da COVID-19

Donald Trump,Jair Bolsonaro,TrumpDonald Trump e Jair Bolsonaro: dois negacionistas do conhecimento científico que agora precisam que os cientistas gerem respostas rápidas e eficazes para uma pandemia que eles ignoraram propositalmente.

O presidente Donald Trump, como seu congênere brasileiro Jair Bolsonaro, é um negacionista da importância do conhecimento científico. Como Bolsonaro, Trump negou os imensos riscos que estavam sendo criados sobre o povo dos Estados Unidos da América (EUA) pela rápida e letal expansão do COVID-19 em diferentes partes do planeta (ver vídeo abaixo).

Agora, os EUA estão no olho do furacão e já possuem mais cidadãos contaminados do que a China. A rede hospitalar estadunidense, majoritariamente controlada por grandes corporações, já chegou rapidamente à beira do colapso e, como em outros países, é provável que também os serviços funerários cheguem ao limite de sua capacidade em um momento muito distante.

Como já previsto pelo economista israelense Nouriel Roubini, o mesmo que previu o crash das bolsas em 2008,  já disse que Trump deverá perder as próximas eleições presidenciais por sua insistência por negar as evidências robustas que estavam sendo apresentadas pela comunidade científica acerca dos perigos postos pelo COVID-19.

Mas pior do que perder uma eleição, é provável que Donald Trump passe aos livros de história como aquele governante que permitiu que a maior potência econômica e militar do mundo sofra uma hecatombe sanitária por sua arrogância em relação ao conhecimento científico.

Entretanto, as semelhanças entre os presidentes do Brasil e o dos EUA nos ensinam importantes lições sobre a necessidade de se valorizar o conhecimento científico como a base de superação dos grandes desafios que estão postos neste momento, a começar pela pandemia do coronavírus.

Finalmente, lembro que morei nos EUA por mais de 7 anos, contando desde a minha chegada no Oak Ridge National Laboratory onde participei de uma equipe incrível por 1 ano e meio, o meu doutoramento na Virginia Tech onde fiquei quase 5 anos, e finalmente o meu pós-doutorado na Fairfield University onde atuei como bolsista da Comissão Fulbright por 11 meses. Em todo esse tempo, acumulei amizades que perduram até hoje, e hoje me preocupo com o destino de todas as amigas e amigos que como nós estão expostos aos riscos do COVID-19. 

Coronavírus já causou 1.000 mortes nos EUA, e governo Trump terá pacote de R$ 10 trilhões para impedir crise econômica

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No agora infame discurso do presidente Jair Bolsonaro em que ele atacou todos os que estão tentando impedir as piores manifestações da pandemia do coronavírus no Brasil,  houve uma clara menção de que a posição defendida era a mesma de Donald Trump. Pois bem, dois dias depois, o que se vê é os EUA alcançando o trágico número de 1.000 mortes por coronavírus e a negociação de um pacote anti-crise que deverá alcançar R$ 10 trilhões, um valor que é maior do que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2019.

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Então não há melhor hora para que o presidente Bolsonaro e seu ministro da Fazenda, o banqueiro Paulo Guedes, sigam os mesmos passos do governo Trump e despejem dinheiro não apenas nos bancos, mas que haja o aporte de renda para todos os trabalhadores brasileiros que estejam perdendo seus empregos por causa da pandemia.

Até aqui o que se viu foi um desprezo pelos efeitos gravíssimos dessa pandemia, especialmente nos segmentos mais pobres da população brasileira. Mas o exemplo que está vindo dos EUA, onde Donald Trump está fazendo um giro de 180 graus nas posições que defendia até ontem e adotando posições extremas para conter o vírus e a crise econômica que se seguirá a ele, não poderá ser mais desprezado em outros países, ainda que possuam recursos financeiros mais limitados.

E, sim, o que está ocorrendo nos EUA onde a rede hospitalar está rapidamente entrando em colapso demonstra duas coisas básicas: 1) o coronavírus não é uma mera gripezinha, e 2) os serviços de saúde privada não possuem nem a competência ou o grau de preparo necessários para conter pandemias. Que isso sirva de lição para todos os que nos últimos anos agiram para sucatear o Sistema Único de Saúde (SUS) e a difamar os servidores públicos que nele servem à maioria pobre da nossa população.