O Brasil já perdeu investidores por causa da Amazônia. Vai perder ainda mais

Brazil's President Jair Bolsonaro, Environment Minister Ricardo Salles and Vice President Hamilton Mourao attend a swearing-in ceremony for the country's new army commander in BrasiliaO êxito de Jair Bolsonaro e Ricardo Salles no retrocesso ambiental na Amazônia já custa caro ao Brasil. Vai custar ainda mais em 2020

O comentarista da GloboNews João Borges publicou uma nota em seu blog no portal G1 dizendo que o Brasil  “já paga o preço pelas queimadas na Amazônia e, de forma geral, pela política ambiental do governo Bolsonaro“. Borges acrescentou ainda que “gestores de grandes fundos de investimentos europeus informaram a autoridades brasileiras que seus cotistas não querem mais ter dinheiro aplicado aqui. Alguns não vão mais aplicar. Outros sinalizam que podem retirar o que já investiram“.

Imagem relacionadaJair Bolsonaro se gabou pelo aumento das queimadas na Amazônia. Investidores estrangeiros não acharam graça

Pois bem, eu particularmente acho que João Borges foi até comedido na forma com que divulgou a informação de que o Brasil, sob Jair Bolsonaro e seus ministros terraplanistas e céticos das mudanças ambientais, já é visto e tratado como uma pária ambiental até pelos grandes operadores do mercado financeiro global.

Esse é o preço do retrocesso na governança ambiental e no desmanche dos mecanismos de comando e controle que existiam para diminuir a sanha destruidora  de diferentes pilhadores dos ecossistemas amazônicos, cuja proteção interessa a todos os que se preocupam com as mudanças climáticas que o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, é um negacionista contumaz.

O problema é que fora do Brasil há pouca ou nenhuma paciência com a visão de “economia de fronteira” que Jair Bolsonaro almeja impor na Amazônia para atender interesses muitas vezes paroquiais de seus apoiadores “raiz” que estão na cabeça de ponte da pilhagem, a começar por garimpeiros e madeireiros ilegais que estão hoje causando uma ampla devastação em áreas proteção ambiental e terras indígenas.

Como já tenho escrito aqui, em que pesem a natureza intrínseca do Capitalismo de buscar incessantemente novas fronteiras de extração de recursos, as forças mais modernas do sistema querem que a apropriação se dê dentro de marcos que favoreçam os altos investimentos feitos em tecnologia extrativa, em vez de se favorecer aquelas formas mais antiquadas e ultrapassadas como as que parece favorecer Jair Bolsonaro.

Como as previsões para as taxas de desmatamento e números de queimadas são de alta para 2020 em função da inércia do governo Bolsonaro para brecar os piores elementos de sua pauta antiambiental, o mais provável é que tenhamos mais fuga de investidores, o que aumentará as dificuldades cambiais do Brasil. Com isso, teremos ainda um provável aumento na carestia dentro país, o que, por sua vez, aumentará a débâcle econômica do Brasil, que já não é pequena, diga-se de passagem.

Um elemento adicional neste cenário é que cedo ou tarde vão aparecer os números mais completos da degradação florestal na Amazônia, o que aumentará o grau de alarme em torno do destino do maior estoque de florestas tropicais do planeta. Com isso, as pressões sobre o presidente Jair Bolsonaro deverão aumentar ainda mais e, com isso, a crise política que a visão terraplanista de governar que ele representa.

Em resposta previsível, Leonardo DiCaprio reforça compromisso com a Amazônia e ignora Bolsonaro

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Não durou muito o momento de glória infame que o presidente Jair Bolsonaro obteve às custas da notoriedade do ator Leonardo DiCaprio. É que Leonardo DiCaprio usou a sua página da rede social Instagram para dar a previsível resposta à acusação sem evidências de que ajudou a incendiar a Amazônia ao apoiar organizações não-governamentais que, curiosamente, são vistas como inimigas pelo “bolsonarismo” por defenderam a natureza (ver imagem abaixo).

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Sem sequer citar o nome de Jair Bolsonaro, Leonardo DiCaprio afirmou que “neste momento de crise para a Amazônia, apoio o povo do Brasil que trabalha para salvar seu patrimônio natural e cultural. Eles são um exemplo incrível, comovente e de grande humildade do compromisso e paixão necessários para salvar o meio ambiente. O futuro desses ecossistemas insubstituíveis está em jogo e tenho orgulho de apoiar os grupos que os protegem. Embora dignos de apoio, não financiamos as organizações visadas. Continuo comprometido em apoiar as comunidades indígenas brasileiras, governos locais, cientistas, educadores e público em geral que estão trabalhando incansavelmente para garantir a Amazônia para o futuro de todos os brasileiros.

A mensagem de DiCaprio é clara: apoia os que lutam em prol da preservação natural e cultural da Amazônia, e os que fazem essa luta acontecer no chão. Além disso, DiCaprio também nomina com quem está comprometido: as comunidades indígenas brasileiras, governos locais, cientistas, educadores. Além disso, ele aponta para o fato que a proteção da Amazônia é essencial para garantir o futuro de todos os brasileiros.

Como já escrevi, essa tentativa do presidente Jair Bolsonaro de jogar nas costas de Leonardo DiCaprio a culpa de seu próprio êxito na aceleração da hecatombe ambiental em desenvolvimento na Amazônia vai trazer consequências desastrosas para a imagem internacional do Brasil. 

A questão é que se no Brasil as ideias ambientalmente regressivas de Jair Bolsonaro e seus ministros terraplanistas  e céticos das mudanças climáticas estão passando sem a devida checagem do sistema política e da maioria dos veículos da mídia corporativa, a coisa não é bem assim no exterior. Assim, atacar Leonardo DiCaprio pode até render alguns pontos entre a malta de apoiadores do presidente do Brasil, mas nada comparado à antipropaganda que isto representa em muitas partes do mundo.

Atacar Leonardo DiCaprio foi mais um tiro pela culatra de Jair Bolsonaro

Leonardo-DiCaprio-GettyImages-1163710136Ao associar Leonardo DiCaprio aos fogos que devastaram partes da Amazônia, Jair Bolsonaro pode ter cometido um erro custoso à combalida economia brasileira

Não sei de quem foi a péssima ideia de associar o ator Leonardo DiCaprio aos incêndios que consumiram a floresta amazônica ao longo de 2019. Mas independente de quem teve a ideia, o rosto e a voz que apareceram dando maior ressonância a essa besteira foi a do presidente Jair Bolsonaro. Esse é mais um tiro pela culatra do governo Bolsonaro que deverá causar ainda mais prejuízo ao Brasil em 2020.

O fato que parece ter passado despercebido a quem idealizou o desastre ataque a Leonardo DiCaprio, além de astro de Hollywood, é que ele se tornou um personagem de alto impacto em questões relacionadas à formulação de políticas de investimento porque já ultrapassou faz muito tempo o status nada desprezível de ator bilionário.

Para quem não sabe,  ainda em 1998, pouco depois do sucesso de Titanic,  DiCaprio criou a The Leonardo DiCaprio Foundation, instituição dedicada a proteger o bem-estar de todos os habitantes da Terra, incluindo um projeto de proteção à regiões ecológicas ao redor do mundo. Além disso,  DiCaprio se envolveu com outros grupos como o Natural Resources Defense Council,  organização não governamental  que existe desde a década de 1970; a Global Green USA, que faz parte da Cruz Verde Internacional; a International Fund for Animal Welfare, e o Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal.

Em outras palavras, mexer com Leonardo DiCaprio e acusá-lo de ser, pelo menos, parcialmente responsável pelos incêndios devastadores que consumiram a Amazônia em 2019 é, no minimo, uma besteira tremenda. É que atacando DiCaprio, a chance maior é de que o ator saia ainda mais fortalecido, até em função de quem e do porquê dele estar sendo atacado.

Obviamente a imensa maioria dos grandes veículos da mídia de língua inglesa já deu amplo destaque ao ataque cometido contra DiCaprio, sendo que a maioria das reportagens tem enfatizado que esse é um ataque despropositado e sem que se tenha oferecida qualquer evidência que permitisse corroborar tamanho despautério.  Abaixo posto um vídeo com 10 das centenas de matérias que foram publicadas ao longo desta 6a. feira (29/11).

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A verdade é que o estrago causado pela tentativa de jogar nas costas de Leonardo DiCaprio a culpa pelos incêndios devastadores que ocorreram na Amazônia em 2019 só vai aparecer ao longo do próximo ano, já que este está literalmente chegando ao seu fim inglório.

A  minha hipótese é que o principal estrago virá de uma de debandada ainda maior de investidores, especialmente daquele grupo que vem se notabilizando por evitar investimentos em atividades degradadoras do meio ambiente e coloquem em risco a existência de povos tradicionais, os chamados socially conscious investors“, ou “investidores com consciência social”. 

E não esqueçamos que a resposta que DiCaprio der a esse ataque sem base real poderá aumentar ainda mais o estrago já causado na imagem brasileira no exterior. A ver!

 

 

Jair Bolsonaro e a falácia do desmatamento como traço cultural brasileiro

salles bolsonaroO presidente Jair Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles sorriem com o sucesso do desmanche da governança ambiental na Amazônia. Mas o problema seria o traço cultural dos brasileiros

Após ter exitosamente exterminado as estruturas de comando e controle que garantiam formas básicas de governança ambiental no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro saiu pela tangente ao tentar explicar a jornalistas as razões da explosão nas taxas de desmatamento ao afirmar que “... você não vai acabar com o desmatamento, nem com queimadas, é cultural“.

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A primeira coisa que precisa ser dita é que se há uma cultura do desmatamento e do fogo no Brasil, a explicação para isso está fundamentalmente ligada à permanência de um padrão de alta concentração da propriedade da terra e ao aprofundamento de um modelo de forte dependência na exportação de commodities agrícolas como geradoras de reservas de moedas fortes. 

Em segundo lugar, como já está fartamente ilustrado na literatura científica, padrões culturais são ajustáveis e se transformam conforme os incentivos que ocorrem por parte de diferentes agentes societários, incluindo o Estado. O problema aqui é que o governo Bolsonaro foi montado a partir da noção de que seria preciso (e quase um direito divino) aprofundar os padrões ditados pelo latifúndio agro-exportador que é fortemente dependente do aumento da área em produção em face de sua inaptidão para fomentar ganhos significativos de produtividade.

Outro elemento importante é que se forem estudados os custos de produção das principais culturas de exportação, a começar pela soja, o que se observa é que a maioria dos produtores está operando com margens magérrimas de lucro e com fortes pressões advindas do aumento dos custos dos insumos, especialmente fertilizantes e agrotóxicos. Em função disso é que o governo Bolsonaro operou de forma industriosa em duas áreas expressas: 1) garantir a ampliação da área em produção, mesmo sob o risco de aumentar as taxas de desmatamento, e 2) baixar os custos de produção do insumo “agrotóxico”, mesmo sob pena de gerar uma hecatombe química no Brasil a partir da liberação de substâncias que já estão banidas em outras partes do mundo, inclusive na China que é o principal parceiro comercial do Brasil (o herbicida Paraquate é o maior exemplo disso).

Em suas explicações sobre o desastre de imagem que o aumento de 30% no desmatamento na Amazônia entre 2018 e 2019, o governo Bolsonaro está apontando para a necessidade de ampliar o processo de titulação de terras como a principal ferramenta para combater o que se classifica como desmatamento ou queimadas ilegais. Essa receita vem diretamente do receituário do Banco Mundial que há pelo menos três décadas aposta na entrega de títulos como uma ferramenta que poderia ampliar as chances de “usos sustentáveis da terra”.  O problema é que essa é mais uma falácia pró-mercado. Além disso, no caso da Amazônia, boa parte dos “novos desmatamentos” está ocorrendo em terras públicas, sejam elas reservas indígenas ou unidades de conservação.

Em outras palavras, não vai ser com titulação de terras que se resolverá os problemas relacionados à ampliação do binômio desmatamento-queimadas. Aliás, o que a titulação deverá incentivar é a ampliação da invasão de reservas indígenas e áreas de proteção ambiental, pois os grileiros e invasores poderão depois pedir a “legalização” das invasões via a titulação das terras invadidas.

A verdade é que não vejo muita saída para a crise ambiental em desenvolvimento na Amazônia sem muita pressão interna e dos parceiros comerciais do Brasil. É que sem isso, não haverá por parte do governo Bolsonaro qualquer disposição para retomar as ações de comando e controle. Aliás, o mais provável é que sejam desmanteladas as poucas estruturas que ainda restam. Tudo isso em nome do elemento cultural vislumbrado pelo presidente Jair Bolsonaro.

Lula está livre. E agora Jair?

lula livreCercado por correligionários, o ex-presidente Lula sai da prisão em Curitiba. Gibran Mendes / CUT Paraná

A saída da prisão (ao menos temporariamente) do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva certamente terá o dom de alterar o balanço político brasileiro que, neste momento, estava facilmente controlado pelo presidente Jair Bolsonaro e pelas forças políticas que orbitam em torno dele, a começar pelos DEM que hoje detém as presidências das Câmaras de Deputados e do Senado Federal.

É que Lula, em que pesem todas as suas eventuais limitações políticas e judiciais, continua sendo o principal sustentáculo de um agrupamento de forças que em sua ausência demonstrou extrema debilidade (e eu diria indisposição) para organizar a necessária reação ao projeto ultraneoliberal desenhado pelo “Chicago Boy” Paulo Guedes e sua equipe.

Agora que Lula está solto após uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) é bem provável que grupos e partidos mais ao centro do espectro político se sintam ainda mais empoderados para pressionar o presidente Jair Bolsonaro a aplicar uma receita menos amarga do que a planejada por Paulo Guedes que, entre outras coisas, pode lhes custar muitas prefeituras em 2020.

O primeiro discurso de Lula, apesar de algumas pitadas mais duras contra Jair Bolsonaro e a Lava Jato, apresentou elementos que indicam que ele buscará retomar o amplo arco de alianças com conseguiu chegar ao poder em 2002.  Nada do que o ex-presidente disse apontou para um giro à esquerda que colocasse o PT em alianças com o PSOL, por exemplo.  E esse é um movimento provavelmente pensado para dialogar com segmentos que tendo apoiado o golpe parlamentar contra Dilma Rousseff já concluíram que fizeram uma aposta equivocada.

O principal problema que Lula enfrentará para se colocar como o principal porta-voz da oposição aos planos da dupla Bolsonaro/Paulo Guedes não será, em minha modesta opinião, com o presidente Jair Bolsonaro e seus eleitores mais aguerridos. Para mim, o principal problema do ex-presidente será colocar o PT e os movimentos sociais e sindicatos que orbitam em torno em uma postura menos prostrada frente à conjuntura política estabelecida.  

O fato é que enquanto Lula esteve preso em Curitiba, o PT e seus aliados não puderem (ou não quiseram) se apresentar como opções reais para os milhões de brasileiros que estão sofrendo as principais consequências do giro ultraneoliberal que está sendo executado pelo governo de Jair Bolsonaro. Mesmo no plano parlamentar, o PSOL que possui uma bancada bastante diminuta foi quem se colocou de forma mais resoluta para pressionar a base partidária do governo federal, rendendo os principais momentos de confronto em defesa de bandeiras populares dentro do congresso nacional.

Mas como Lula continua sendo o principal estrategista da política brasileira e líder inconteste do PT é possível que agora tenhamos o fim do estado de letargia que tem permitido o governo Bolsonaro avançar de forma muito tranquila a sua agenda de desmanche do Estado nacional. Para ampliar essa possibilidade há ainda a saída do ex-ministro José Dirceu da prisão. Se ele tiver condições mínimas de assessorar Lula, apesar dos seus problemas de saúde, é bem provável que muito rapidamente tenhamos movimento no que hoje é pura estagnação.

Tudo indica que o presidente Jair Bolsonaro já sentiu o tamanho do problema que lhe foi criado pela decisão do STF de restabelecer os ditames estabelecidos na Constituição Federal quanto à prisão após o chamado “trânsito em julgado“. É  que sua primeira medida após a notícia da decisão de libertação de Lula foi cancelar uma entrevista coletiva que daria em Goiânia, provavelmente para não ter que oferecer respostas sobre o novo momento que se abre no Brasil.

bolsonaroAo lado do ministro da Educação Abraham Weintraub, o presidente Jair Bolsonaro recebe a informação da libertação do ex-presidente Lula. Após isso, ele cancelou a entrevista que iria conceder em Goiânia. Imagem: GABRIELA BILÓ/ESTADÃO CONTEÚDO

O problema para Jair Bolsonaro é que ele não terá como fugir eternamente de entrevistas ou, muito menos, da sombra que Lula, agora livre, levanta sobre seu governo anti-nacional e anti-pobres.  Isso me permite levantar a seguinte questão ao presidente Bolsonaro: e agora, Jair?

Bolsonaro autoriza plantio de cana na Amazônia e no Pantanal

Após incentivar queimadas, Bolsonaro anuncia novo ataque à Amazônia e outros biomas: suas árvores poderão ser substituídas por extensos canaviais

canaviaisOs canaviais vão empurrar o gado para novas áreas de floresta, estimulando a devastação, o conflito, e ainda trarão as chuvas de agrotóxicos

Por Cida Oliveira para a Rede Brasil Atual

São Paulo — Depois de admitir a investidores árabes que “potencializou” as queimadas na Amazônia por discordar de políticas ambientais de governos anteriores, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) decretou que a região – bem como o Pantanal e a Bacia do Alto Paraguai, na mesma região – está liberada para o plantio da cana. O Decreto 10.084, de 5 de novembro, publicado hoje (6) no Diário Oficial da União, revoga o Decreto 6.961, de setembro de 2009, em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva instituiu o zoneamento para o plantio da cana e as operações de financiamento ao setor sucroalcooleiro. Além de Bolsonaro, assinam o decreto a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, e o ministro da Economia, Paulo Guedes.

A publicação coincide com os novos dados sobre o papel dos biocombustíveis na redução das emissões brasileiras de carbono em 2018, divulgados hoje pelo Observatório do Clima na Conferência Brasileira sobre Mudança do Clima, realizada em Recife.

“Com seu ato, os dois ministros, tidos como a ‘ala razoável’ do governo, expõem dois biomas frágeis à expansão predatória e economicamente injustificável da cana e jogam na lama a imagem internacional de sustentabilidade que o etanol brasileiro construiu a duras penas”, afirmou o Observatório por meio de nota.

A medida foi repudiada pelo ex-ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que chamou Bolsonaro de “ecocida”.

minc cana

Sonho antigo

A liberação do plantio de cana na floresta é objetivo antigo do agronegócio que sustenta o governo e que tem na ministra da Agricultura, a “musa do veneno“, seu mais forte representante. Em março de 2018, mais de 60 entidades ambientalistas, de direitos humanos e de defesa da reforma agrária, entre outras, assinaram manifesto contra a aprovação do Projeto de Lei do Senado (PLS) 626/2011, de Flexa Ribeiro (PSDB-PA), que libera o cultivo de cana de açúcar na Amazônia Legal.

Para essas entidades, permitir o cultivo de cana na região, mesmo que em terras degradadas, é um erro. “Significa acrescentar mais um motor ao crescente desmatamento. Para dar lugar à lavoura, a pecuária será empurrada para novas áreas, estimulando a devastação da floresta, a violência contra as populações locais e a injustiça social. Além disso, a área já liberada para a cana-de-açúcar no resto do país é do tamanho do território de Minas Gerais.”

A produção de cana também está associada à degradação do solo e dos ecossistemas. E o uso intensivo de agrotóxicos, principalmente por meio da pulverização aérea, tem aumentado o número de intoxicações agudas, crônicas e o aumento de casos de diversos tipos de câncer, malformações congênitas e outras doenças graves.

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Este artigo foi originalmente publicado pela Rede Brasil Atual [Aqui!].

Super fiasco do megaleilão do Pré-Sal é fruto do “Risco Bolsonaro”

fiascoSuper fiasco Fiasco do “megaleilão do Pré-Sal” poderá ser o Waterloo do governo Bolsonaro

Nos últimos dias assistimos a uma situação paradoxal na forma com que a mídia corporativa e a maioria do blogosfera tratavam o chamado “megaleilão do Pré-Sal” com o qual o governo Bolsonaro pretendia entregar quatro blocos de exploração na chamada “camada Pré-Sal” a quem desejasse pagar uma fração significativamente menor do valor de fato das reservas.  Assim, enquanto para a mídia corporativa nacional e internacional, o megaleilão era apresentado com a chance de se ter o início de uma era de ouro na exploração do petróleo no Brasil, para a blogosfera o caso era comparado a um mega roubo das riquezas nacionais.

Terminado o “megaleilão”, o que se viu é que de mega a coisa não teve nada (ou como alguns já disseram “um leilão não tão mega“, pois as petroleiras estrangeiras não se apresentaram como era esperado para arrebatar as reservas que estão sendo vendidas a preços consideravelmente generosos pelo governo Bolsonaro.  Coube à Petrobras salvar o governo Bolsonaro do fiasco completo ao comprar dois dos quatro blocos anunciados a um valor de R$ 70 bilhões, cerca de R$ 36 bilhões a menos do que era esperado.

As razões para este fracasso retumbante podem ser várias, mas o descrédito que foi criado em torno da imagem internacional do Brasil pelo comportamento, digamos, excêntrico do presidente Jair Bolsonaro e seus três filhos pode ser facilmente apontado com uma, senão a principal, delas. É que, como já venho dizendo desde janeiro, a imagem do Brasil está jogada na lama após as múltiplas declarações bizarras da família Bolsonaro, capitaneada que é pelo próprio presidente da república.

O Brasil está vivenciando no dia de hoje o que pode ser classificado de “Risco Bolsonaro” em termos de atração de capital produtivo para o Brasil. E olha que as petroleiras que hoje negaram fogo no “megaleilão do Pré-Sal” nem estão entre as corporações cuja governança é das mais fortes. Assim, se até as petroleiras se mostraram avessas a enfrentar o “Risco Bolsonaro”, imaginemos outras grandes empresas cujas estruturas de governança corporativa possuem escrutínios mais apertados, principalmente por causa da presença diligente de organizações que representam os interesses dos chamados acionistas minoritários.

O mais incrível é que estão sendo as multinacionais petroleiras que estão impondo este choque de realidade ao governo Bolsonaro e não os sindicatos e movimentos sociais ditos de esquerda. É que se dependesse desses últimos, os quatro blocos do Pré-Sal teriam sido facilmente transferidos para as mãos de grandes corporações multinacionais, tamanha foi a passividade que precedeu o “megaleilão”.  Assim, em vez da ação organizada de sindicatos e movimentos sociais, o que se vê é uma derrota causada pela indisposição de grandes corporações de vir ao Brasil e operar no ambiente de completa intranquilidade que o governo de extrema-direita de Jair Bolsonaro acabou criando. Se isso não fosse tudo tão trágico para a maioria pobre dos brasileiros, eu até acharia engraçado.

Finalmente, eu desconfio que ao contrário do que muitos têm dito sobre o impacto do caso Marielle sobre o destino do governo Bolsonaro, penso que o dia de hoje será uma espécie de “wake up call” para os setores das elites brasileiras que têm sustentado Jair Bolsonaro apesar de suas “excentricidades”. Esse fiasco mais do que qualquer outra coisa poderá ser o Waterloo de Bolsonaro. A ver!