Reinações de Flávio e Fabrício criam cenário de terra arrasada para Jair Bolsonaro

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A situação do filho primogênito de Jair Bolsonaro, o senador eleito pelo Rio de Janeiro Flávio Bolsonaro, que já andava complicada saiu da CTI para a UTI com a revelação de que ele teria feito um pagamento de um título de mais de R$ 1 milhão para um beneficiário ainda não identificado [1].

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Além disso, agora se sabe que o ex-motorista (e guarda-costas) de Flávio Bolsonaro gificativ não “meros” R$ 1,2 milhão em sua conta bancária, mas mais significativos, assim por dizer, R$ 7 milhões entre 2014 e 2017 [2].  Nas palavras do jornalista Lauro Jardim, “haja rolo” para explicar tanto dinheiro nas contas bancárias de quem seria um mero assessor parlamentar cuja residência oficial numa viela no bairro da Taquara , no mínimo, relativamente modesta .

Como disse ontem, a situação de Flávio Bolsonaro fica pior na medida em que ele e sua família utilizaram o combate à corrupção como sua principal bandeira, tendo se destacado e alcançado os cargos que ocupam ou ocuparão justamente por causa disso Assim, ao ser pego em uma situação que fica cada vez mais complicado, Flávio Bolsonaro coloca em risco também  a estabilidade do governo federal, na medida que Fabrício Queiróz também foi assessor de Jair Bolsonaro, além de ser amigo de pescarias e ter feito um depositado polpudo na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Com isso tudo, os setores mais pragmáticos que cercam Jair Bolsonaro em seu ministério devem estar totalmente arrependidos de terem permitido o ataque furioso que realizou contra a mídia corporativa brasileira em seus primeiros dias de governo (e em especial às Organizações Globo). É que após meros 20 dias de duração, o cenário criado com a apuração de apenas um de seus filhos já criou um cenário de terra arrasada. 

Imginemos o que acontecerá quando o governo realmente começar a tentar se consolidar no terreno após o Carnaval. Bom, parece que até as cinzas esfriarem ainda teremos muitas emoções. Enquanto isso, as panelas da classe média continuam silenciosas. Vamos ver por quanto tempo.

 

Bolsogate: imprensa portuguesa repercute imbróglio dos depósitos de Flávio Bolsonaro

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Ao contrário da mídia corporativa brasileira que continua em sua maioria avassaladora “mordendo e assoprando” o ainda a ser empossado Flávio Bolsonaro no escândalo envolvendo depósitos suspeitos que foram feitos em sua conta bancária, em Portugal o nome dado ao caso é bem revelador… Bolsogate.

Em matéria assinada pelo jornalista João Almeida Moreira do “Diário de Notícias”  a repercussão aos 48 depósitos de R$ 2.000,00 feitos na conta de Flávio Bolsonaro em um mesmo mês (santa coincidência de valores!) , cita explicitamente que se trata de um “Bolsogate” na medida em que o problema também envolve a primeira dama Michelle Bolsonaro e o próprio pai e presidente da república, Jair Bolsonaro [1].

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A matéria cita ainda que “fontes do governo (Bolsonaro) citadas anonimamente na imprensa admitem que o caso, mesmo envolvendo dois membros do clá Bolsonaro, Flávio e Michelle, que não fazem parte do executivo, causam desgaste ao presidente da República recentemente empossado.”

E eu complemento.. isso é tanto verdade que um governo que nem completou um mês de vida já dá todos os sinais de ter esclerosado precocemente.

Leonardo DiCaprio usa “10 Years Challenge” do Instagram para denunciar avanço do desmatamento em Rondônia

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Um dos muitos modismos que apareceram nas redes sociais nos últimos tempos é o chamado “10 Years Challenge” onde celebridades e pessoas anônimas mostram fotos pessoais mostram suas mudanças fisionômicas nos últimos dez anos [1].

Pois bem, uma celebridade resolveu usar  hoje (18 de janeiro) sua página oficial na rede Instagram para mostrar duas imagens mostrando mudanças radicais não em sua aparência, mas de um estado da Amazônia brasileira. A celebridade no caso é o ator Leonardo DiCaprio e o estado é Rondônia (ver imagem abaixo).

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Di Caprio duas imagens do satélite Landsat para mostrar o avanço do desmatamento em Rondônia entre 2006 e 2018 no que ele classificou corretamente de sendo uma das regiões que mais perderam cobertura florestal na Amazônia brasileira. E ainda que alguém ache que DiCaprio errou o tamanho do estado de Rondônia, é preciso lembrar que “over” no sentido usado por ele é de “mais de”.  E a área total de Rondônia é de 237,576 km², a maioria coberta por florestas até meados da década de 1970 quando o regime militar começou a expansão da frente pioneira na Amazônia ocidental brasileira.

Esse posicionamento de Leonardo DiCaprio é mais um revés para o governo Bolsonaro e sua política de “libera geral” para o desmatamento e para a degradação dos ecossistemas naturais existentes dentro da porção brasileira da Amazônia. 

É que apenas no Instagram, DiCaprio possui cerca de 25 milhões de seguidores. Deste universo. Em função, em menos de uma hora após a realização da postagem mais de 100 mil de seus seguidores já haviam dado um “like” no momento em que visualizei a imagem que havia recebido 1.425 comentários. Em outras palavras, uma simples postagem de Leonardo DiCaprio já teve uma forte repercussão mundial.

Mas há que se lembrar que o ator estadunidense também criou uma fundação comprometida com a conservação ambiental em escala global, a Leonardo DiCaprio Foundation (LDF).  Criada em 1998, a fundação impulsionada por DiCaprio diz já ter desembolsado US$ 100 milhões para financiar mais de 200 projetos distribuídos em 50 países [2].

Quem examinar a página oficial da LDF poderá verificar que entre as suas linhas mestras de ação estão a proteção das florestas e o esforço para  minimizar os impactos das mudanças climáticas, dois tabus para o governo Bolsonaro.

Assim, ao apontar diretamente para o desmatamento em Rondônia, Leonardo DiCaprio se soma a outras personalidades mundiais (incluindo Gisele Bündchen) que decidiram não deixar barato as anunciadas mudanças para facilitar a expansão da degradação na Amazônia.  No caso de DiCaprio, ele não só é famoso, mas como tem uma ferramenta institucional para influenciar indivíduos e governos. Em suma, o posicionamento público de DiCaprio terá consequências para o Brasil e o governo antifloresta que foi instalado em Brasília no dia 01 de janeiro de 2019.

Luta da etnia Ka’apor contra madeireiros explicita riscos que índios que correm para defender seus territórios

 

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Mapa do desmatamento acumulado na TI Alto Turiaçu em 2014 | Fonte:  ISA

O vídeo abaixo, da lavra do jornalista Pietro Locatelli, mostra o sistema montado pelos índígenas da etnia Ka’apor para defender seu território (localizado no interior do estado do Maranhão) da ação predatória de madeireiros e outros invasores interessados em saquear os ecossistemas de onde eles tiram seu sustento e garantem sua reprodução social.

Mas esta disposição de auto-organização do Ka’apor deverá colocá-los sob riscos ainda maiores agora que as estruturas mínimas criadas pelo Estado brasileiro para preservar a integridade territorial das áreas indígenas estão sendo rapidamente desmontadas pelo governo Bolsonaro.

Assim, é fundamental estabelecer canais de solidariedade aos Ka’apor e todos os povos indígenas que estão tendo seus territórios ancestrais invadidos. Do contrário, as investidas cometidas pelos saqueadores irão resultar em mais degradação ambiental e o genocídio dos indígenas que se dispuseram a resistir ao avanço da franja de destruição.

Uma prova dessa urgência é a nota publicada pela jornalista Miriam Leitão dando conta da invasão da Terra Indígena dos Awá Guajá, também no Maranhão [1].  O pior é que no caso do Awá Gujá é de contato recente, o que os torna ainda mais sensíveis às invasões de suas terras.

Enquanto chineses fazem algodão crescer no lado escuro da Lua, o Brasil aposta no banho de sangue

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Duas notícias aparentemente díspares mostram a distância em que China e Brasil se encontram neste momento. A primeira é a sensacional novidade de que os chineses conseguiram o ineditismo de fazer uma semente de algodão germinar no lado escuro da Lua.

Como informou o jornal português Público, o sucesso da semente de algodão representa a primeira “mini-experiência” de cultivo bem-sucedida da missão chinesa (e de qualquer outra nação, já agora) em solo lunar [1]. Isto logo depois de a China ter sido também o primeiro país a pousar um módulo no lado oculto da Lua, a 3 de Janeiro.

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Imagem do recipiente especial onde estão as sementes levadas para solo lunar UNIVERSIDADE DE CHONGQING/EPA

O sucesso da missão chinesa na Lua é consequência do massivo a a  em ciência que a China vem empreendendo nas últimas décadas, a ponto de se estimar que a produção científica chinesa vá ultrapassar a dos EUA.  Tal feito aponta para uma realidade bastante promissora par a economia chinesa, pois os avanços científicos estão sendo orientados para livrar o país da dependência da produção de produtos industrializados de baixo valor agregado.

A segunda notícia foi a lamentável decisão do governo federal do Brasil de liberar a compra de até 4 armas de fogo por cidadãos acima de 25 anos. Ao lado do fato de que o Brasil já detém o recorde de ser o país onde mais se mata com arma de fogo no mundo (estimativas dão conta de 45 mil mortes anuais), a liberação de armas ocorre num momento de grave crise econômica e social.  Assim, a chance de que os números de assassinatos crescem ainda mais, pondo o Brasil na antessala de um banho de sangue inédito até para seus padrões altamente violentos.

Enquanto isso, a ciência brasileira está sob forte ataque ideológico já que vários dos novos dirigentes de importantes agências científicas brasileiras são discípulos de uma personagem que coloca em dúvida até o heliocentrismo!

O resultado do descompasso que essas notícias desvalam não é difícil de se antever: os chineses vão continuar produzindo suas proezas científicas, enquanto o Brasil continuará sendo o país detentor do maior recorde de mortes por armas de fogo.

Em Rondônia, terra indígena Uru-Eu-Wau-Wau sofre grave invasão no começo de 2019

Indígenas Uru-Eu-Wau-Wau estão enfretando sozinhos a invasão de suas terras em Rondônia.

A Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau localizada na região central do estado de Rondônia vem sendo alvo de invasores desde que estive por lá no início da década de 1990. Agora, aproveitando a conjuntura benéfica oferecida pelo governo Bolsonaro que literalmente desmantelou o Ministério Meio Ambiente e transferiu a FUNAI para o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos,  aquela importante área indígena está sofrendo uma invasão que já destruiu mais de 20 km de florestas, gerando graves ameaças aos Uru-Eu-Wau-Wau.

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Abaixo posto um vídeo como um depoimento da historiadora Ivaneide Bandeira, dirigente da organização não-governamental Associação de Defesa Etnoambiental Kanindécuja atuação em favor dos povos indígenas do estado de Rondônia tem sido fundamental para impedir um processo ainda mais rápido de invasão das suas reservas. O depoimento é grave e precisa ser amplamente disseminado.

O fato é que, enquanto a população brasileira está literalmente distraída por um início aparentemente desencontrado do governo Bolsonaro, as terras indígenas e os povos que nelas habitam estão sendo colocados no centro de um agressivo processo de pilhagem dos recursos naturais da Amazônia.

Assim, é preciso que se pressione o governo Bolsonaro para que realize a devida defesa dos povos indígenas e de seus territórios, começando pela expulsão dos invasores da T.I. Uru-Eu-Wau-Wau.

 

Com Davos totalmente esvaziado, mídia corporativa brasileira planta protagonismo para Jair Bolsonaro

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Se dentro de casa já houve confusão na largada, se segurem para o que pode acontecer no Fórum Econômico Mundial de Davos!

Que a mídia corporativa brasileira está tentando fazer mimos com o presidente Jair Bolsonaro não há dúvidas. Mas uma matéria assinada pelo jornalista Jamil Chade, correspondente em Genebra do “O Estado de São Paulo” mostra que para o servilismo da mídia brasileiro não há mesmo limite.bolsonaro protagonismo

A começar pelo título da matéria “Sem Donald Trump, Bolsonaro deve ser destaque em Davos” todo o conteúdo é uma tentativa de dourar a pílula para uma liderança que é vista com péssimos olhos em toda a Europa [1]. Além disso, como Bolsonaro não é fluente em inglês, os contatos que existirem ficarão por conta de ministros e de seu filho Eduardo. Em outras palavras, se houver algum protagonismo de Jair Bolsonaro na edição de 2019 do Fórum Econômico Mundial de Davos [2], provavelmente isso não será por alguma coisa boa. E, pior, daqueles habilitados a falar pelo menos um inglês no nível “freshman“, as chances maiores é de que pronunciamentos bizarros sejam a tônica.

Aliás, com a presença do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, na delegação, é bem provável que nos próximos dias sejamos brindados com matérias jornalisticas da mídia internacional sobre uma de suas muitas elaborações bizarras, a começar por aquela que diz que as mudanças climáticas são um complo marxista destinada a fortalecer o papel da China na geopolítica mundial.

Em suma, não se faz mais protagonismo como antigamente.