Jair Bolsonaro aprofunda agonia da mídia corporativa ao dispensar publicação impressa de documentos oficiais

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Já tem algum tempo que mídia corporativa brasileira vem vivendo uma lenta agonia por sua incapacidade aguda de se ajustar à emergência das mídias eletrônicas. Em função disso, muitos veículos tradicionais já desapareceram e outros tantos estavam vivendo um processo crônico de definhamento.  

Essa situação de agonia é mais explícita nas cidades do interior onde inexiste uma base ampla de leitores e assinantes, o que torna a manutenção de edições impressas quase que um desperdício de papel jornal, pois a maioria dos potenciais interessados já migrou para plataformas eletrônicas que são muito mais eficazes em obter informações e transmiti-las quase em tempo real.

Essa agonia toda tem feito que muitas sirenes tenha soando e resultando no que se convenciona chamar no meio jornalístico de “Passaralhos” com demissões de redações inteiras, as quais estão sendo substituídas por contribuições externas sob a forma dos manjados artigos de opinião, ou pela contratação de estagiários parcamente remunerados (muitos mal entrados nos cursos de comunicação).

Como aquilo que está ruim sempre pode piorar, o presidente Jair Bolsonaro resolveu extinguir uma das últimas fontes de renda da mídia corporativa ao desobrigar a publicação impressa de editais de concursos e licitações em jornais. 

Além de ser uma tremenda ingratidão de Jair Bolsonaro com um segmento empresarial que lhe foi muito útil na caminhada para a presidência, essa desobrigação deverá causar o fechamento de muitos veículos tradicionais e outros nem tradicionais assim.

Mas, convenhamos, os principais afetados por essa transição toda serão os vendedores de frutas e hortaliças que ainda utilizam folhas velhas de jornais para embrulhar seus produtos.  É que não há sequer vácuo a ser preenchido em função da transição quase completa para as mídias eletrônicas. É que se pode repetir o velho adágio de que “o rei está morto. Longa vida ao rei”.

E vida que segue!

Jair Bolsonaro vira o Coringa em um dos principais programas de TV dos EUA

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Trevor Noah, do “The Daily Show” durante o sketch em que comparou o presidente do Brasil ao vilão “Coringa” por causa das queimadas na Amazônia.

O “The Daily Show” é comandado pelo comediante Trevor Noah e vai ar de segunda a quinta feira pelo canal “Comedy Central”.  O “The Daily Show” é um daqueles programas satíricos que revolve em torno de temas políticos, sendo que Trevor Noah substituiu outro comediante com forte ação política nos EUA,  Jon Stewart.

Nao segmento dedicado a abordar os problemas que estão ocorrendo na Amazônia brasileira e suas repercussões globais em função das mudanças climáticas, Trevor Noah faz um sketch com fortes tintas nos quais o pintado em cores menos favorecidas é justamente o presidente Jair Bolsonaro que é citado como o “Coringa” (em referência ao vilão “preferido” do Batman) das mudanças climáticas.

Apesar do material estar em inglês é bem fácil entender a lógica e a péssima conotação com que o presidente do Brasil é usado para fazer a série de tiradas satíricas que Trevor Noah faz (ver vídeo abaixo).

Mas que ninguém ache que o “The Daily Show” é só um programa de piadas, pois o mesmo representa um amplo espectro político dentro dos EUA, especialmente entre os que se opõe ao governo de Donald Trump.

Assim,  os setores que dependem da exportação de commodities agrícolas e minerais (os quias apoiaram de forma massiva a eleição de Jair Bolsonaro) devem estar muito preocupados com esse segmento do “The Daily Show”. É que apesar de ser o presidente Jair Bolsonaro o “escada” da vez, a piada acaba sendo mesmo a condição em que o Brasil foi colocado pelo seu governo. E , cada vez mais, em meio a boicote que se amplia na Europa, as tiradas de Trevor Noah não têm nada de engraçado para o Brasil.

ONG fundada por Leonardo DiCaprio lança fundo de defesa da Amazônia

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A EarthAlliance,  organização não-governamental criada em julho de 2019 pelo ator Leonardo DiCaprio, pela víuva do fundador da Apple, Laurene Powell Jobs e pelo investidor e filantropista Brian Sheth, formou um Fundo em Defesa da Floresta Amazônica com um compromisso de US $ 5 milhões para concentrar recursos essenciais para comunidades indígenas e outros parceiros locais que trabalham para proteger a biodiversidade da Amazônia contra o surto de incêndios atualmente queimando em toda a região.

A  Earth Alliance também lançou uma campanha mundial de arrecadação de fundos na sua página oficial, e informou que 100%  das doações irão para parceiros que estão trabalhando no local para proteger a Amazônia. Entre as primeiras organizações beneficiadas pelo Fundo Amazônia estão o Instituto Kabu (ligada aos Kayapó), o Instituto Raoni (também ligado aos Kayapó) e o Instituto Socioambiental.

Esse é um desdobramento que deverá incomodar bastante o presidente Jair Bolsonaro que já vê a ação as ações pretéritas das ONGs ambientalistas como uma espécie de obstáculo aos planos de transformar a Amazônia em uma espécie de fronteira aberta para o saque das riquezas naturais ali existentes, nem que para isso seja preciso eliminar os povos indígenas e outras comunidades tradicionais que habitam as florestas.  O fato das doações iniciais da Earth Alliance estarem indo para duas organizações ligadas à etnia Kayapó deverá ser outro elemento causador de contrariedades.

Mas o que a principal contrariedade com a decisão da Earth Alliance de lançar o Fundo Amazônia deverá ser a capacidade de atração de doações que esta ONG possui em função de estar diretamente ligada à Leonardo DiCaprio, cuja proeminência em defesas de causas ambientais o tem colocado como uma personalidade altamente confiável a amplas setores da população mundial.

A boa notícia é que esta ação do Earth Alliance irá fornecer recursos financeiros que estão em alta demanda para fazer a ampla defesa das florestas da Amazônia e de seus povos.

 

 

Após recusa de Bolsonaro ao G-7, líder de boicote aos produtos brasileiros lança campanha para financiar a proteção da Amazônia

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Após recusa do governo Bolsonaro em receber doação do G-7, líder do boicote a produtores brasileiros na Suécia lança campanha de apoio financeiro à proteção da Amazônia

O fundador e CEO da rede sueca de mercearias orgânicas Paradiset, Johannes Cullberg, que iniciou em junho uma campanha de boicote a produtos brasileiros por causa do uso de agrotóxicos banidos na União Europeia e do aumento no desmatamento na Amazônia, reagiu hoje à recusa do governo Bolsonaro em aceitar o apoio financeiro do G-7 para combater as queimadas na Amazônia.

Em vídeo, Cullberg informou que está lançando uma campanha financeira nas redes sociais e na rede Paradiset para levantar fundos que não serão entregues ao governo Bolsonaro, mas sim à ONG Earth Alliance, que é apoiada publicamente pelo ator Leonardo DiCaprio, e ao chamado Amazon Forest Fund

Johannes Cullberg também está convocando outras redes de supermercado e  quaisquer outros negócios na Suécia e na Europa a seguirem o caminho que ele está apontando, pois esta seria a hora de agir, não importando o a quão grande ou pequeno o tamanho da empresa que decida participar do movimento.

A mensagem política de Cullberg fica ainda mais clara quando ele afirma que é preciso  mostrar a Jair Bolsonaro “o incrível poder de muitos quando estamos unidos para proteger o futuro de nossos filhos” (ver abaixo o vídeo explicando o lançamento da campanha).

Essa decisão de Cullberg, mesmo que se concentre inicialmente na Suécia, tem tudo para atingir outros países da Europa em função da esperada repercussão negativa que a recusa do governo Bolsonaro em receber os recursos oferecidos pelo G-7 definitivamente terá na Europa.

Se essa campanha tiver o alcance esperado por Johannes Cullberg, estaremos diante de um exemplo claro de como arrogância misturada com forte virulência verbal tende a causar fortes prejuízos econômicos. No caso atual do atual cenário econômico do Brasil, isto terá efeitos desastrosos, e não adiantará o presidente Jair Bolsonaro ou seus ministros anti-ambiente espenearem. É que eles vão acabar colhendo o que estão plantando. Simples assim!

 

Mídia brasileira “passa o pano” para livrar Jair Bolsonaro de suas responsabilidades na Amazônia

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Li as manchetes das matérias que dominam as capas dos principais veículos da mídia corporativa brasileira e o que vi pode ser sintetizado como um esforço coletivo de “passar o pano” na imagem combalida de Jair Bolsonaro que está completamente chamuscada pelos incêndios devastadores que suas políticas anti-ambientais alimentam na Amazônia e por seus excessos na rede social Twitter, incluindo o ataque sexista à primeira dama da França, a qual já foi vigorosamente respondido por Emmanuel Macron.

Aliás, no tocante às manifestações de Emmanuel Macron, o que verifiquei foi a existência de uma tentativa de mostrá-lo como voz isolada dentro do G-7 e que teria sido derrotado em suas postulações em relação ao controle internacional da Amazônia, caso o Brasil continue permitindo a devastação de uma região que possui papel estratégico no controle das mudanças climáticas.

Aqui é preciso que ninguém caia nesse engano, pois não apenas Emmanuel Macron não é uma voz isolada, pois outros países membros da União Europeia estão dispostos a seguir a mesma orientação da França.  O que parece ter havido na reunião do G-7 foi a tomada de uma posição mais pragmática em prol dos interesses comerciais dos seus membros, principalmente os da Alemanha e da Espanha. Entretanto, os bombeiros dentro do G-7 não vão poder conter a disposição de medidas punitivas contra o Brasil se não houver uma reversão das posições expressas publicamente pelo presidente Jair Bolsonaro sobre o que eu caracterizei como sendo o exercício da “pirosoberania”. 

Outra coisa que precisa ser mencionada é que mais uma vez foram os veículos internacionais que expuseram a verdadeira dimensão da tragédia que continua ocorrendo na Amazônia. Tivesse o problema sido apenas tratado por veículos da mídia corporativa brasileira, o mais provável é que continuássemos totalmente desinformados e achando que essa era apenas mais uma estação “normal” de queimadas.  Entretanto, como os veículos internacionais não apenas possuem bons profissionais, mas como os colocam em campo para fazer jornalismo de verdade, pudemos ver que não há nada de normal no que está acontecendo na Amazônia.

É graças à mídia internacional e ao funcionamento intenso das redes sociais que não se pode mais esconder o que as pesadas colunas de fumaça estavam escondendo.  Simples assim!

Imprensa francesa destaca sexismo de Bolsonaro e farpas de Weintraub contra Macron

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A troca de críticas e ofensas entre Jair Bolsonaro e o presidente da França, Emmanuel Macron, motivadas pelos incêndios na Amazônia, respingou também na primeira-dama francesa, Brigitte Macron, de 66 anos.Sergio LIMA / AFP

A imprensa francesa nesta segunda-feira (26) destaca sexismo de Bolsonaro contra a primeira-dama francesa e insultos do ministro da Educação Abraham Weintraub, que chamou Emmanuel Macron de “calhorda” e “cretino” no final de semana.

Pelo Twitter, Weintraub chamou Emmanuel Macron de “calhorda oportunista buscando apoio do lobby agrícola francês”, a respeito da ameaça de que a França não ratificaria o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia caso o Brasil não agisse contra os incêndios na Amazônia.

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“Ferro no cretino do Macrón [sic]”, tuitou ainda Weintraub. Questionada a respeito dessas declarações nesta segunda-feira (26), a ministra da Justiça francesa, Nicole Belloubet, disse em entrevista a um canal francesa que não comentaria “esse tipo de baixaria”.

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“A sugestão do presidente francês, de que assuntos amazônicos sejam discutidos no G7 sem a participação dos países da região, evoca mentalidade colonialista descabida no século XXI”, alfinetou Jair Bolsonaro na sexta-feira (23).

Macron também acusou Bolsonaro de ter ‘mentido’ sobre o clima no G20 de Osaka, atiçando os comentários do lado brasileiro.

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Jair Bolsonaro endossou um comentário de um internauta no Facebook, que zombava da mulher de Macron 

O jornal Le Parisien desta segunda-feira acusa o presidente brasileiro de sexismo, por ter comentado um post de um internauta com fotos das duas primeiras-damas e dizendo que o francês estava “com inveja”. Bolsonaro respondeu ao simpatizante: “não humilha o cara. KKKKK”.

A imprensa francesa também cita o apelido que o guru Olavo de Carvalho criou para se referir ao presidente francês: “macrocon”, um jogo de palavras unindo “Macron” e “con”, xingamento de baixo calão na língua francesa. Os jornais franceses também falam de Eduardo Bolsonaro, que na sexta-feira retuitou um vídeo dos coletes amarelos, chamando Macron de “idiota”.

 

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Este artigo foi originalmente publicado pela Rede França Internacional [Aqui!].

Governo Bolsonaro: entre a piada pronta e a tragédia

bolso panela~çoPresidente Jair Bolsonaro e a primeira-dama Michelle com o humorista Jonathan Nemer

O site UOL informou hoje que o presidente Jair Bolsonaro não pode ouvir do Palácio do Planalto o panelaço que comeu solto em Brasília no momento do seu pronunciamento sobre as queimadas da Amazônia porque se encontrava assistindo em um espetáculo de um humorista gospel (fico imaginando que tipo de piada é contada por um artista dessa estirpe) em Águas Claras que fica na região metropolitana da capital federal.

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Pensando bem, ninguém pode culpar o presidente Jair Bolsonaro por preferir piadas gospel ao seu próprio discurso que pode parecer até piada, mas não passa de uma espécie de relato lisérgico de um governo que está conseguindo fechar as portas para as commodities agrícolas brasileiras.

O problema é que a mídia internacional vai aproveitar a deixa e começou a castigar a despreocupação de Jair Bolsonaro em trocar ouvir o seu próprio discurso e favorecer a ida a um show de piadas. Um exemplo disso foi o jornal britânico “The Guardian” que resolveu sapecar uma manchete bem indigesta ao notíciar essa escapada do palácio presidencial onde ficou notado que “Bolsonaro desfruta de um show de comédia, enquanto a crise das queimadas descontroladas continua“. 

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Mas pior que escapar de ouvir o próprio pronunciamento para ir a um espetáculo humorístico gospel fez o ministro (ou seria anti-ministro?) do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que resolveu se comportar como um menino mimado que não sabe brincar no playground. É que acossado pelos resultados devastadores de sua eficiente política de desmanche ambiental, Ricardo Salles resolveu apontar o dedo para Angola e para o Congo (não falou qual deles) que estariam com mais focos de queimados do que o Brasil.

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Além dessa ser a desculpa do roto falando do mal lavado,  Salles arrisca criar ainda mais problemas diplomáticos para o Brasil, em um momento que, convenhamos, o nosso país já está mais do que encrencado. É que a ausência de maiores informações sobre que tipo de área está sendo queimada nos dois países citados pode não apenas implicar em informação falsa, como também pode se estar atiçando ainda mais fogo para cima do Brasil ao correr risco de sermos vistos não apenas como irresponsáveis com os nossos ecossistemas naturais, mas também como aqueles que mexem com os outros apenas para se livrar das próprias responsabilidades.

O problema para Jair Bolsonaro e Ricardo Salles é que não vai ser nem vendo show de piadas ou fazendo piadas que o Brasil vai sair do bem sem saída que fomos colocados pela implantação de políticas anti-ambientais que foram oferecidas ao resto do mundo com pitadas monstruosas de desrespeito e soberba. É essa postura, tanto quanto a expansão da área desmatada, que criaram uma crise internacional que ameaça fechar mercados estratégicos para as commodities agrícolas.

Aliás, desde 2016 venho alertando para o risco que o Brasil estava correndo em se tornar um pária ambiental em nível mundial.  O que o governo Bolsonaro, sob a ação lépida e faceira do presidente e do seu ministro do Meio Ambiente, conseguiu fazer foi acelerar a chegada desse tratamento.  O que parece ter sido menosprezado nessa passagem para pária ambiental foram os custos políticos e econômicos que decorreriam disso. 

E agora que o Brasil, e não Angola ou o Congo, se transformou na bola da vez de possíveis punições diplomáticas por causa das políticas anti-ambientais que o governo Bolsonaro vem aplicando, a dúvida é de como sair da armadilha em que estamos metidos. Mas uma coisa é certa: não vai ser indo a shows de humor gospel ou apontando o dedo para outros países que isto vai acontecer.