Qualis CAPES “quântico” abriga revistas científicas potencialmente predatórias e deixa cientistas brasileiros à mercê dos tubarões

Businessman chased by shark

A classificação de revistas científicas se tornou uma das formas mais práticas para pesquisadores escolherem o potencial destino do resultado de suas pesquisas.  Com o crescimento exponencial do número de revistas que se colocam no mercado editorial, a tarefa de classificar se tornou um grande desafio, pois é preciso orientar de forma confiável o resultado de grandes investimentos com o dinheiro público. No Brasil, o instrumento de classificação mais conhecido é o chamado “Qualis Capes“. A prática é que todo pesquisador que tem em mãos um trabalho potencialmente publicável se dirige ao sítio que abriga o “Qualis” para verificar a “nota” que uma dada revista alcançou. 

Mas aí é que começam os problemas de quem quer fazer a escolha correta, pois o Qualis continua adotando um tipo de classificação que pode dar notas completas díspares para uma mesma revista, dependendo do comitê setorial que a avalia, criando o que o jornalista Mauricio Tuffani, do Direto da Ciência, já classificou como sendo um “sistema quântico de notas“.  Com isso, todo pesquisador que sinceramente deseja publicar em uma revista qualificada acaba sem saber qual é efetivamente o nível de qualidade de uma dada publicação.  Para piorar a situação, a difusão das chamadas “revistas de acesso aberto” colocou no mercado editorial científico milhares de publicações que hoje aposentado bibliotecário da Universidade do Colorado-Denver, Jeffrey Beall, denominou de “revistas predatórias“, tendo impulsionado uma lista que se tornou célebre entre os pesquisadores e fortemente perseguida pelos donos das editoras que eram identificadas como predatórias (ou como eu chamo produtoras de “trash science“.

A situação é tão grave que desde o nascimento deste blog venho abordando a situação criada pelas revistas predatórias na disseminação de ciência de baixíssima qualidade ou mesmo de pseudo ciência sobre a qualidade das publicações científicas, além das inúmeras distorções que isso causa nos sistemas de premiação e concessão de recursos públicos para a ciência, inclusive no Brasil. 

Entretanto, confesso que tinha deixado um pouco de lado a questão das revistas predatórias pela premência de outros assuntos, incluindo principalmente as consequências do retrocesso ambiental imposto pelo governo Bolsonaro. Mas hoje um colega me fez uma provocação sobre a presença de uma possível revista predatória no Qualis Capes que havia lhe enviado um e-mail “convite” para que enviasse um artigo para ser publicado, no caso a “International Journal of Advanced Engineering Research and Science (IJAERS Journal)”. A peculiaridade da IJAERS é que o e-mail enviado por seus diretores citava explicitamente ter a nota A2 (o segundo mais alto) no Qualis (ver imagem abaixo).

IJAERS 0

Curioso para ver a a IJAERS estava realmente indexada no Qualis Capes, e não ser apenas um caso de propaganda enganosa, acessei a plataforma e inseri o título da revista para verificar se a mesma estava listada, obtendo o resultado mostrado abaixo.

IJAERS 1

Como pode se ver o IJAERs possui uma dispersão razoável no Qualis,  com C em Astronomia/Física e Engenharias IV, B4 em Engenharias III, B3 em Ciências Ambientais, e atinge o pico na área Interdisciplinar com um A2 (confirmando parcialmente o conteúdo do e-mail convite do editor da revista).

Após verificar se a IJAERs estava mesmo indexada no Qualis Capes e tendo confirmado a sua classificação “quântica”, acessei a Lista de Beall para verificar se esta revista foi incluída como predatória por Jeffrey Beall. Para nenhuma surpresa minha, a IJAERS está classificada como uma “standalone predatory journal” (ou em um português, uma revista predatória independente).

Dois detalhes ficaram evidentes após eu acessar o site da IJAERS, verifiquei várias questões peculiares: 1) a inexistência de informações claras sobre os custos de publicação, apesar de haver uma menção de que isto deveria  estar explicitado para os interessados em publicar ali, 2) a ampla dispersão de assuntos, muitos sem qualquer ligação aparente com o avanço da pesquisa em engenharia ou em ciência, 3) a forte presença de pesquisadores brasileiros que no “current issue” representam a imensa maioria dos artigos publicados, e 4) o tamanho relativamente pequeno dos artigos, sendo que um deles tem apenas 2 páginas.

Uma curiosidade final sobre o IJAERS é que o mesmo é supostamente publicado na cidade de Jaipur, no estado do Rajastão,  que fica localizada a 260 km da capital da Índia, New Delhi. Essa curiosidade geográfica reforça a minha curiosidade de como uma publicação indiana logrou chamar a atenção de tantos pesquisadores brasileiros, a ponto de ser ranqueada, ainda que quanticamente, no Qualis Capes.

Finalmente, o que o caso da IJAERS me mostra é que não há revista predatória que se sustente se não houver interessados em adquirir o produto que elas oferecem, no caso publicações publicadas no máximo após 60 dias após serem submetidas para serem supostamente avaliadas pelo sistema de revisão por pares. Eu particularmente estou aguardando há quase 2 anos que uma renomada revista brasileira da área dos estudos ambientais decida se vai publicar um artigo do qual sou co-autor.  Mas, apesar de toda essa demora, não irei tomar a “rota das Índias”, enquanto que outros já o fizeram, e provavelmente já ostentam os produtos dessa “viagem” em seus respectivos CV Lattes.   

Quanto ao Qualis Capes, fica evidente que é preciso fazer uma descontaminação e remover da lista as revistas identificadas como predatórias. Do contrário, ficará impossível que se cobre qualidade dos pesquisadores brasileiros que usam justamente o Qualis para se orientar sobre onde publicar.

Guia para detectar revistas predatórias, sequestrantes e megapredatórias

depredadoras

Por Rafael Repiso e Júlio Montero-Diaz para o “The Conversation”

Em 2008, um bibliotecário da Universidade do Colorado em Denver (EUA), Jeffrey Beall, batizou um fenômeno emergente de “revistas predatórias”. Essas publicações fraudulentas, a antítese da qualidade científica, têm se multiplicado nos últimos anos como uma consequência negativa da digitalização e, mais especificamente, dos modelos de acesso aberto em que os autores dos artigos arcam com os custos de edição. Esse sistema é conhecido como “estrada de ouro”, não só para os periódicos que impõem essa prática, mas também para alguns dos autores.

A principal falha dos periódicos predatórios é que eles mal realizam processos de revisão dos manuscritos que recebem, o que agiliza o processo. Eufemisticamente, eles próprios se gabam de sua velocidade de publicação. Claro, eles aceitam a maioria dos documentos que recebem para atingir seu objetivo principal: cobrar dos autores.

Os autores devem demonstrar satisfação e, portanto, não sofrem rejeições ou modificações (na verdade, melhorias) dos originais. Estes devem obter resultados em curto prazo para atender às demandas das autoridades acadêmicas . Por exemplo, para obter credenciamentos, prazos de seis anos ou justificar o financiamento de projetos.

O resultado é que os trabalhos publicados por essas revistas carecem da validação da comunidade científica e seus resultados não são confiáveis. Em áreas como a biomedicina, eles podem até ter repercussões fatais.

Imparcial. Não partidário. Factual

Essas revistas são difíceis de detectar a olho nu porque usam a estratégia de camuflagem. Eles têm títulos muito semelhantes aos dos periódicos de referência e todos apresentam uma grande equipe de cientistas, embora sua contribuição seja decorativa ou até mesmo ignorem que fazem parte de tais comitês.

Da mesma forma, são anunciadas como indexadas em um grande número de bases de dados científicas, embora a maioria delas sejam falsas ou sejam bases de dados que não realizam processos seletivos. Produtos de avaliação já foram criados para revistas predatórias onde, claro, todos obtêm notas excelentes. Estamos simplesmente enfrentando uma fraude.

Em 2013, John Bohannon realizou uma experiência significativa: enviou um artigo falso (carregado de lugares comuns, com bibliografia falsa e um tema absurdo) a dezenas de periódicos de acesso aberto nos quais os autores devem arcar com os custos de edição do artigo. O artigo foi aceito pela grande maioria dessas revistas com pouca revisão.

Isso validou as suspeitas de quem pensava que essas avaliações não eram rigorosas em seus processos de avaliação. Essa experiência levou o Diretório Internacional de Revistas de Acesso Aberto (DOAJ), que tinha muitos desses periódicos fraudulentos indexados, a redefinir suas políticas de inclusão. Milhares deles foram expulsos.

Como detectar revistas fraudulentas?

O problema prático é apresentado aos pesquisadores que desejam publicar os resultados de seus trabalhos e enviar seus originais para uma dessas revistas, o que é como jogá-los em um poço sem fundo. Como evitar ser um otário?

Os dados que levam a suspeitar que uma revista é fraudulenta são os seguintes:

  1. Sua juventude. Eles surgiram com os custos mais baixos de periódicos 100% digitais, de modo que não têm as décadas ou mesmo séculos de história de outros como The Lancet ou Nature .
  2. Seus títulos geralmente são genéricos. São uma imitação das revistas de maior prestígio da área.
  3. Em muitos casos, eles são publicados em países da periferia científica, como Egito e Nigéria.
  4. Eles compensam suas deficiências, como a indexação de bancos de dados ou a falta de indicadores de impacto, calculando seus próprios indicadores.
  5. Eles têm uma política agressiva para atingir o investigador desavisado (cliente ideal) por meio de correspondência personalizada.

O principal aspecto que deve alertar o autor é que a revista entre em contato com ele, garanta tempos de publicação suspeitosamente rápidos e cobrar de seus autores pela publicação: quanto maior o número de trabalhos, maior a receita.

Isso não significa que todos os periódicos que cobram dos autores os custos de publicação sejam fraudulentos. Existem alguns, como Plos One , que reconheceram processos de validação muito rigorosos, mas eles são uma minoria muito pequena. Sabe-se da existência de mais de 17.000 revistas predatórias , que se tornaram uma epidemia.

Uma nova tendência: revistas de sequestro

Uma forma muito agressiva de revistas predatórias são as “revistas de sequestro”. Eles se apresentam como periódicos estabelecidos, criam seus próprios sites e contatam os autores, solicitam manuscritos e dinheiro. Se o autor sem noção no meio do processo percebe que está sendo enganado e decide interromper o processo de publicação, geralmente recebe ameaças de denúncia.

Um exemplo real recente: a revista de sequestro pediu a um autor quase US$ 8.000 por não publicar seu trabalho (quando o autor percebeu o golpe e quis removê-lo do processo de avaliação). Ameaçou ações judiciais internacionais em caso de falta de pagamento.

A realidade é que os periódicos predatórios de primeira geração, aqueles que não eram produtos científicos, dificilmente tiveram e têm impacto no estado da ciência. Na melhor das hipóteses, eles envergonham os autores e suas instituições e levam a uma perda econômica de fundos.

A segunda geração: fraude na indexação

Treze anos depois do aparecimento do fenômeno, a fraude seguiu caminhos mais sofisticados. Existem periódicos predatórios indexados em bases de dados científicas, como Web of Science ou Scopus. O perigo é que isso faça com que comecem a ser usados ​​em muitos países, como a Espanha, para avaliar a carreira acadêmica de pesquisadores.

As revistas predatórias evoluíram. Eles se tornaram sofisticados, em parte graças aos lucros obtidos. Eles deixaram de postar alguns empregos para milhares. Eles se tornaram mega-jornais , ou seja, “megapredadores ”.

Outra abordagem sofisticada é que as próprias editoras promovam os periódicos que colocam nas mãos de acadêmicos de renome e prestígio. Eles conseguem valorizá-los, obtêm sua indexação e, então, começa seu calvário. Eles estão começando a ser obrigados a aumentar o número e a quantidade de artigos a tal ponto que os processos seletivos não podem ser realizados com rigor. Se houver resistência, geralmente termina em demissão ou demissão dos membros da equipe editorial. Mas, a essa altura, o navio já foi lançado com todos os padrões de qualidade em vigor.

Normalmente esses megapredadores são especializados em um campo específico, mas também publicam sobre qualquer assunto e com processos de revisão rápidos e superficiais. Seus preços se multiplicam ao entrar nas bases de dados de referência e sobem à medida que melhora a posição dos periódicos nos rankings , em uma lógica não científica. Sua estratégia de atração continua sendo a clássica dos predadores de primeira geração: convidar autores para publicar artigos.

A sofisticação incorporou uma nova modalidade: é tocada com vaidade e a qualquer autor (com prestígio e sem prestígio) é oferecido o direcionamento de questões monográficas. São esses líderes que realizam a tarefa de marketing mais enfadonha: a de procurar autores que se empenhem para pagar a publicação de algumas contribuições para as quais, desde o início, se ofereça segurança suficiente sobre sua publicação (antes de escrevê-las). Os editores improvisados ​​da revista de monografias, comerciais voluntários, recebem a publicação gratuita de artigos ou, pelo menos, grandes descontos como benefícios. Além disso, esses editores também limpam seus nomes obtendo acordos com universidades para os quais esses centros obtêm descontos econômicos e os editores veem seus negócios apoiados. O investigador deixa de suspeitar ao ver que sua própria universidade tem um acordo com editoras suspeitas.

Por que publicar em uma revista predatória é uma má ideia

O pesquisador deve agir com muita cautela ao escolher um periódico, publicar em um periódico fraudulento é um descrédito que mostra que:

  • O pesquisador não conhece a área para onde se desloca.
  • O esforço não vai com ele, que opta por uma via rápida para conseguir a publicação.
  • É um péssimo gestor de fundos públicos, uma vez que o custo dos itens geralmente é pago com dinheiro destinado a projetos. Em outras palavras, você está fraudando algo que pode ser processado.
  • Em alguns casos, o pesquisador que envia seus manuscritos não é ele próprio um golpista, mas um cúmplice do golpe. Os fraudados são as agências de avaliação, as instituições que arcam com os custos de publicação e os colegas que, ao evitar essas práticas, competem em processos seletivos contra esses currículos inflados artificial e fraudulentamente.

Rafael Repiso é Professor de Metodologias de Pesquisa e Documentação, UNIR – Universidade Internacional de La Rioja, e Julio Montero-Díaz é Vice-reitor  de Pesquisa, UNIR – Universidade Internacional de La Rioja

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Este texto foi escrito originalmente em espanho e publicado no site “The Conversation”  [Aqui!].

Coloque sua publicação predatória no PubMed!

Como fazer uma carreira acadêmica em medicina, um guia para homens brancos e suas esposas

Por Leonid Schneider para o “Forbetterscience”

Conheça Samy McFarlane , distinto professor de medicina e reitor associado da SUNY Downstate Health Sciences University em Nova York, e também editor-chefe de periódicos predatórios onde ele se publica ansiosamente, na verdade quase exclusivamente lá. Os periódicos não estão listados no PubMed, exatamente porque são predatórios, sendo seus editores tudo menos confiáveis.

O bizarro é que os próprios artigos de McFarlane (e de sua esposa!) Nesses periódicos predatórios, principalmente no American Journal of Medical Case Reports , estão todos bem listados no PubMed , o que ele consegue usando uma lacuna disponível para pesquisadores financiados pelo NIH. Só que McFarlane não é realmente financiado pelo NIH, o professor branco usa a bolsa de algum colega do corpo docente destinada a treinamento anti-racismo e recrutamento de minorias! E não há nada que o PubMed possa ou esteja disposto a fazer sobre o abuso do sistema.

Aposto que os trapaceiros predadores entre os cientistas fora dos EUA se sentem estúpidos agora, porque seus artigos nunca serão incluídos na lista de permissões do PubMed.

McFarlane é editor-chefe do American Journal of Medical Case Reports , a maioria de seus próprios artigos aparecem lá; seus co-autores são, pelo que entendi, estudantes de medicina e residentes em seu SUNY Downstate. A revista é publicada por uma agência predatória chamada SciEP .

O SciEP foi listado pelo bibliotecário americano Jeffrey Beall como um editor predatório já em 2012. A lista de Beall e seu blog foram completamente excluídos em 2017 porque alguns editores questionáveis ​​na Suíça (a saber, Frontiers ) contrataram advogados e até conseguiram que Beall fosse demitido. Mas algumas almas gentis preservaram as cópias do blog de Beall, então aqui está a entrada de 2012 sobre SciEp :

“ Uma nova editora de acesso aberto acaba de aparecer: Science and Education Publishing (SciEP). A editora está lançando com 85 novos periódicos […] Essa prática de começar uma editora com um número excessivo de periódicos é chamada de “startup de frota ”.

Não está claro de onde exatamente o SciEP é realmente operado, Smut Clyde suspeita de Hyderabad, na Índia. O endereço oficial em “ 10 Cheswold Blvd., # 1D, Newark, De, 19713, Estados Unidos ” é obviamente falso, nada menos que 250 empresas estão registradas neste único apartamento em um edifício residencial de dois andares. O American Journal of Medical Case Reports em 2012 ainda não estava entre os 85 periódicos iniciais, foi criado um ano depois pelo proprietário do SciEP, quem quer que seja esse cavalheiro indiano. Tudo que ele precisava era de um acadêmico interessado: o SciEP ainda oferece um botão prático “ Launch a New Journal” Para este propósito. O “editor” fundador provavelmente não foi McFarlane, o professor de Nova York parece ter chegado à revista em algum lugar em 2018, seus artigos começaram a aparecer lá a partir do Volume 6, Edição 12, 2018.

As Taxas de Processamento de Artigo ( APC ) para o jornal predatório de McFarlane costumavam custar US$ 600, mas como seus clientes são ele mesmo, sua esposa e, em geral, pessoas de países de baixa renda, a taxa caiu em 2021 para US $ 150.

Embora a maioria dos artigos de McFarlane tenham aparecido naquele jornal predatório do SciEP de que ele é o editor-chefe, como um cientista respeitável, McFarlane também publica ocasionalmente seus estudos científicos em outros lugares. Especificamente, em

Em 2020 e em 2021 até agora, McFarlane publicou mais de 50 artigos listados no PubMed. Quase todos apareceram em uma dessas três revistas (com Am J Med Case Rep liderando de longe), exceto uma colaboração ocasional. Em 2019-2017 não foi melhor. Para aquele período de três anos, McFarlane lista mais de 70 artigos no PubMed, excluindo novamente algumas colaborações raras. Eu localizei 3 artigos em periódicos de Hindawi, um em Karger, o resto com vários periódicos predatórios, especialmente Am J Med Case Rep e os outros dois listados acima . Vários artigos listados no PubMed, como Shaikh et al Scifed J Cardiol 2019, apareceram em scifedpublishers.com, independentemente do que fosse essa armadilha predatória, ela deixou de existir. O mesmo destino parece ter atingido jornais como Jehan et al. Sleep Med Disord . 2018 , publicado por outro mau funcionamento predatório inalcançável em jscimedcentral.com. Pelo que sabemos, McFarlane pode ter atuado como editor lá também, mas não podemos verificar mais. Em suas publicações de 2021-2017, também localizei artigos ocasionais na OMICS-offspring Longdom, Gavin Publishers, Juniper Publishers e Baishideng, além de outra entidade em formato de jornal PeertechZ.

Conforme indicado acima, outro colaborador regular do American Journal of Medical Case Reports é a reumatologista Isabel McFarlane da SUNY Downstate , que de fato é a esposa de Samy. Quase todos os seus cerca de 60 artigos listados no PubMed com a Sra. McFarlane como última autora apareceram naquele periódico, a rara exceção foi o outro periódico de seu marido, o International Journal of Clinical Research and Trials , ou o extinto Scifed J Cardiol . Veja, há algo em Crimson Publishers listados por Beall:

Que carreira acadêmica este casal alcançou

Quanto ao nosso principal protagonista, pode-se dizer que quase tudo o que o Sr. McFarlane publicou nos últimos 3 anos e meio apareceu em periódicos predatórios, dos quais em quase todos os casos ele é o Editor-Chefe. Estamos falando de mais de 120 artigos, todos listados no PubMed.

Como assim? Cientistas dos EUA que recebem financiamento da agência nacional de financiamento biomédico National Institutes of Health (NIH) devem enviar seus manuscritos publicados para o site da National Library of Medicine (NLM) do NIH e do National Center for Biotechnology Information (NCBI), comumente conhecido como PubMed. É o site onde todos os pesquisadores biomédicos em todo o mundo procuram por literatura revisada por pares, encontram artigos para citar em seus próprios estudos e onde todos desejam que seus próprios artigos sejam listados. Embora artigos com editores na lista de permissões e, entretanto, até mesmo pré-impressões biorxiv apareçam no PubMed automaticamente, periódicos predatórios não são permitidos e, portanto, nunca chegam lá.

Ou seja, exceto para artigos de cientistas como McFarlane e sua esposa, que simplesmente carregam seus manuscritos no PubMed, e voila, a publicação em um jornal predatório é subitamente legalizada com um PubMed ID (PMID) e pode ser usada para obter uma promoção ou a próxima concessão do NIH. Apenas que você geralmente precisa de uma concessão do NIH para começar, caso contrário, você não está qualificado para enviar seu lixo predatório para o PubMed.

Em teoria, é isso. A prática é diferente.

McFarlane se descreve no site da IntechOpen (uma editora listada por Beall como predatória) como alguém que é financiado pelo NIH:

“Ele é um acadêmico reconhecido nacional e internacionalmente que atuou como membro do comitê do National Institute of Health-NIDDK (3x mandatos de 4 anos) e como presidente do comitê de revisão do NIH-NIDDK U01 (três vezes). Ele recebeu vários reconhecimentos, incluindo Certificado de Reconhecimento Especial do Congresso e também atuou como Presidente Distrital do American College of Physicians. Ele também é um mentor bem conhecido, com alguns de seus estagiários servindo em posições de liderança no NIH e em outras instituições importantes. ”

O site institucional de McFarlane em SUNY Downstate também parece impressionante e insiste que ele recebe bolsas do NIH:

“ Ele é um pesquisador prolífico e autor de mais de 300 publicações, incluindo vários livros nas áreas de diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares. Ele usa pesquisas e publicações como forma de promover a carreira de seus alunos, residentes e bolsistas. Sua pesquisa financiada pelo NIH, ADA e NKF, bem como por outras instituições importantes, foi citada mais de 10.000 vezes. 

Talvez tenha sido no passado? As mesmas referências do NIH foram feitas em 2016, quando McFarlane foi nomeado um professor ilustre por suas ” contribuições significativas para a literatura de pesquisa “:

“Seu talento natural, amor e dedicação pela educação dos alunos são evidentes em todos os aspectos de sua carreira. Ele publicou extensivamente e escreveu vários livros […] Dr. McFarlane é um renomado pesquisador clínico e foi nomeado consultor do Instituto Nacional de Saúde – Instituto Nacional de Doenças Digestivas e Renais de Diabetes (NIH) – (NIDDK) e atuou como Presidente do comitê de revisão NIH-NIDDK U01. ”

O problema é que não consegui encontrar Samy McFarlane entre os donatários do NIH no site Grantome . Por isso, verifiquei alguns de seus trabalhos, onde os cientistas sempre reconhecem o seu financiamento, ou seja, se houver algum. Comecei com esta publicação mais recente listada no PubMed, que obviamente apareceu no próprio jornal predatório de McFarlane:

Julian C. Dunkley, Krunal H. Patel, Andrew V. Doodnauth, Pramod Theetha Kariyanna, Emmanuel Valery, Samy I. McFarlane Encefalopatia Induzida por Contraste Pós-Cateterização Cardíaca, Uma Rara Mimetismo de Acidente Vascular Cerebral – Apresentação de Caso e Revisão da Literatura American Journal de Relatos de Casos Médicos . (2021) DOI: 10.12691 / ajmcr-9-5-8

O reconhecimento vai:

“ Este trabalho é apoiado, em parte, pelos esforços do Dr. Moro O. Salifu MD, MPH, MBA, MACP, Professor e Presidente de Medicina através do NIMHD Grant número S21MD012474 .”

É tudo muito bonito, mas o Dr. Moro Salifu não é co-autor desse papel! Eu então escolhi aleatoriamente outro artigo de McFarlane no mesmo periódico (Doudnath et al 2020 ), e ele também reconhece Salifu, que novamente não é um co-autor!

Um artigo um pouco mais antigo de McFarlane, escolhido aleatoriamente de outro de seus próprios jornais predatórios:

Angelina Zhyvotovska, Denis Yusupov, Haroon Kamran, Tarik Al-Bermani, Rishard Abdul, Samir Kumar, Nikita Mogar, Angeleque Hartt, Louis Salciccioli e Samy I. McFarlane Meta-análise Disfunção pulmonar diastólica em pacientes com doença obstrutiva crônica: A Meta- Analysis of Case Controlled Studies , International Journal of Clinical Research & Trials (2019) doi: 10.15344 / 2456-8007 / 2019/137

Acho.

“ Este trabalho é apoiado, em parte, pelos esforços do Dr. Moro O. Salifu MD, MPH, MBA, MACP, Professor e Presidente de Medicina através do NIH Grant número S21MD012474 .”

OK, que tal um artigo da esposa de Samy, a altamente produtiva pesquisadora do SUNY Isabel McFarlane ?

Pramod Theetha Kariyanna, Naseem A. Hossain, Neema Jayachamarajapura Onkaramurthy, Apoorva Jayarangaiah, Nimrah A. Hossain, Amog Jayarangaiah, Isabel M. McFarlane Hypereosinophilia e Löffler’s Endocarditis: A Systematic Review American Journal of Medical Case Reports (2021 aji Cr. 1) -9-4-10

Você já sabia disso.

“ Este trabalho é apoiado em parte pelos esforços do Dr. Moro O. Salifu por meio do NIH Grant # S21MD012474 .”

Agora vem a parte desagradável. SUNY Dowstate é uma universidade tradicionalmente negra, cuja fonte de financiamento S21MD012474 não é uma bolsa de pesquisa, mas uma bolsa de treinamento, para ” Health Disparities Research Training “, basicamente para estudar o racismo na saúde dos EUA, projetado para ” recrutar e treinar minoria sub-representada “. Esta bolsa de treinamento do NIH foi concedida em 2018 a Salifu e duas outras pessoas (Carlos Pato , ex-reitor da Faculdade de Medicina, e Wayne J Riley , Presidente da SUNY Downstate). Tem exatamente uma conexão ZERO com o que tratam aquelas centenas de papéis predatórios de McFarlane em todos os campos possíveis da medicina.

Não há nada para Salifu, que é ou costumava ser “Presidente do Departamento de Medicina da SUNY Downstate”, ganhar com esse golpe, ele não pode enviar os papéis de outra pessoa em um relatório para o NIH, uma vez que também não são nem remotamente relacionados ao tema da bolsa e ele não é coautor dos mesmos. Mas McFarlane pode usar esse número de concessão do NIH para enviar o lixo predatório dele e de sua esposa para o PubMed e legalizá-lo dessa forma. O que não apenas impressionará sua universidade, mas pode até render à família McFarlane outro aumento salarial e uma bolsa do NIH!

A universidade não me respondeu. Não posso dizer o que está acontecendo, se eles sabem, ou mesmo se Salifu sabe. Ele parece estar no jogo, aqui ele publicou um livro com McFarlane com a editora muito limítrofe Bentham:

A lógica parece ser que mesmo que McFarlane pessoalmente possa ter exatamente zero a ver com a bolsa de Salifu, cujo propósito é fazer algo sobre ” a falta de minorias na ciência e na medicina “, alguns dos alunos co-autores podem ter assistido a uma palestra sobre racismo na área da saúde, e aparentemente isso é suficiente para ajudar um homem branco desonesto e sua esposa branca desonesta a mexer em seus currículos desonestos.

O privilégio dos brancos também funciona em uma faculdade negra, ao que parece.

Alguém pode fazer alguma coisa? Não. Recebi esta declaração da National Library of Medicine (NLM):

“ Os pesquisadores financiados pelo NIH estão sujeitos à Política de Acesso Público do NIH , que exige que os artigos de pesquisa descrevendo pesquisas financiadas pelo NIH estejam disponíveis ao público gratuitamente por meio do PubMed Central (PMC) em até 12 meses após a publicação. Consistente com a prática do NLM, cada um dos artigos no PMC tem uma citação correspondente no PubMed.O NIH não direciona a escolha dos pesquisadores sobre os periódicos nos quais publicar suas descobertas. Conseqüentemente, os manuscritos do autor no PMC podem ser publicados em periódicos que não foram revisados ​​pelo NLM ou não fazem parte da coleção do NLM.Todas as pesquisas financiadas pelo NIH são altamente examinadas e monitoradas de perto durante seu progresso. O NIH também tomou medidas para encorajar os autores a publicar em periódicos conceituados para proteger a credibilidade dos artigos decorrentes de seu investimento em pesquisa. (Ver NIH Guide Notice NOT-OD-18-011: NIH Statement on Article Publication Resulting from NIH Funded Research .) “

Traduzindo: os NLM não apenas são indefesos ou não querem fazer nada, eles até parecem acreditar que o que McFarlane e sua esposa estão fazendo é ciência “ altamente aprovada ”. Porque tem um número de concessão do NIH. De alguma maneira.

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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado no blog “Forbetterscience” [Aqui!].

Trash science com selo de garantia: centenas de periódicos ‘predatórios’ estão indexados nos principais bancos de dados acadêmicos

Scopus parou de adicionar conteúdo da maioria dos títulos sinalizados, mas a análise destaca como a ciência de baixa qualidade está se infiltrando na literatura

nature 1Revistas que exigem altas taxas de publicação, mas oferecem poucos serviços editoriais, são consideradas ‘predatórias’. Crédito: Getty

Por Dalmeet Singh Chawla para a Nature

A amplamente usada base de dados acadêmica Scopus hospeda artigos de mais de 300 periódicos potencialmente ‘predatórios’ que têm práticas de publicação questionáveis, concluiu uma análise 1 . Juntos, esses títulos contribuíram com mais de 160.000 artigos em três anos – quase 3% dos estudos indexados no Scopus no período. A presença deles no Scopus e em outros bancos de dados de pesquisa populares levanta preocupações de que estudos de baixa qualidade possam enganar os cientistas e poluir a literatura científica.

“Há consequências potencialmente sérias de artigos predatórios indexados em bancos de dados científicos”, diz Anna Severin, socióloga que estuda revisão por pares na Universidade de Berna e escreveu sobre periódicos predatórios que se infiltram em bancos de dados de citações 2 . “Os pesquisadores podem basear suas pesquisas futuras em descobertas de baixa qualidade ou mesmo fabricadas e citá-las em suas próprias publicações, distribuindo ainda mais ciência não confiável”, diz Severin, que não estava envolvido no último estudo.

Periódicos predatórios são aqueles que tendem a publicar ciência de baixa qualidade e se desviam das melhores práticas editoriais . Eles podem usar informações falsas ou enganosas, ou práticas agressivas de solicitação, e cobrar taxas pela publicação de trabalhos que passam por pouco escrutínio editorial. Pesquisadores descobriram anteriormente que alguns desses periódicos são indexados em bancos de dados acadêmicos populares, como o site biomédico PubMed 3 , mas a extensão do problema é difícil de quantificar.

Para realizar a última análise, publicada na Scientometrics em 7 de fevereiro de  , Vít Macháček e Martin Srholec, economistas baseados em um instituto econômico administrado pela Charles University e a Academia Tcheca de Ciências em Praga, compararam os títulos indexados na Scopus com uma lista de potencialmente periódicos predatórios mantidos pelo ex-bibliotecário Jeffrey Beall até 2017. Eles encontraram 324 desses periódicos questionáveis ​​no banco de dados; em conjunto, esses títulos publicaram cerca de 164.000 artigos entre 2015 e 2017. Isso representa cerca de 2,8% do número total de artigos indexados na base de dados no período.

O Scopus, que é administrado pela editora holandesa Elsevier, diz que parou de indexar novos conteúdos para 65% de todos os periódicos marcados para reavaliação devido a preocupações com as práticas de publicação. Isso significa que os artigos com esses títulos não são mais adicionados ao banco de dados – no entanto, o conteúdo antigo permanece indexado, disse um porta-voz. “Scopus está vigilante na identificação e descontinuação de periódicos que são, ou se tornaram, predatórios”, disseram à Nature . O comitê de seleção de conteúdo da Scopus avalia e analisa regularmente a inclusão de periódicos no banco de dados, verificando se eles atendem a determinados limites de métricas.

A inclusão de periódicos predatórios em bancos de dados é problemática porque significa que eles podem inflar as métricas do autor, dizem os fisiologistas Andrea Manca e Franca Deriu da Universidade de Sassari, na Itália, que trabalharam no estudo de identificação de periódicos predatórios no PubMed. Isso pode fazer diferença em países onde o avanço na carreira depende estritamente dessas métricas.

Em 2017, em um esforço para resolver o problema dos periódicos predatórios, o PubMed emitiu diretrizes sobre os títulos que os autores deveriam publicar. Mas manter o controle desses títulos é difícil, dizem Manca e Deriu. “Os periódicos predatórios estão continuamente mudando de nome e editora, e continuam crescendo em número enquanto falamos.”

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Este artigo foi escrito originalmente em inglês e publicado pela Nature [Aqui!].

Revistas predatórias e revistas fronteiriças, uma entrevista com Jeffrey Beall

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Por Heiner Mercado Percia

Jeffrey Beall é um dos oradores convidados no 4º Encontro Regional de Editores de Periódicos Acadêmicos que será realizado de 5 a 7 de junho na cidade de Medellín, Colômbia. Ele serviu como bibliotecário na Universidade do Colorado, na cidade de Denver, até 2018 e foi a pessoa que chamou a atenção para um certo tipo de publicações e editores, cunhados por ele como predadores, o que representa um problema para a ciência.

Esta breve entrevista visa não só servir como uma prévia para a sua palestra, mas também para tentar esclarecer algumas dúvidas sobre a clareza dessa noção.

Heiner Mercado (HM): Você foi perguntado várias vezes, mas eu ainda gostaria de perguntar se puder. Eu acredito que, apesar do uso generalizado do termo “predatório” para se referir a um certo tipo de publicações e editores, nem sempre é claro quando usá-lo corretamente e assim evitar cometer uma injustiça contra, digamos, uma publicação de baixa qualidade científica que, embora não pretenda aproveitar financeiramente o modelo do Acesso Aberto, compartilha algumas características de uma publicação abusiva. Por exemplo, muitos editores enviam e-mails para convidar pesquisadores a publicar em seus periódicos. Esta é uma prática muito comum, tanto entre revistas predatórias como entre outras revistas que não seriam referidas com precisão como predadoras. A questão então é a seguinte: O que é um periódico predatório ou editor? Essa definição mudou?

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O professor e bibliotecário Jeffrey Beall no período em que trabalhava na University of Colorado/Denver.

Jeffrey  Beall (JB): Na minha experiência, os defensores do acesso aberto tentam forçar discussões sobre se “predatório” é o melhor termo a ser usado ou não para distrair dos problemas criados pelos editores predatórios e criar confusão e dúvida em relação a esses editores e sobre  Acesso. Eu sempre usei a definição “editores predatórios são aqueles que exploram o modelo de acesso aberto para seu próprio lucro”. Nenhuma definição é perfeita, especialmente para algo que é determinado por um julgamento subjetivo, e não devemos jogar jogos de palavras para fazer o problema desaparecer. Eu não confiaria em uma única característica de um editor (como spam) para determinar que é um predador.
 
HM: Mas é possível estabelecer uma diferença clara entre periódicos predatórios e periódicos de baixa qualidade, ou aqueles que não são incluídos no Web of Science ou Scopus, ou seja, periódicos de acesso aberto que não precisam cobrar dos autores porque eles são inteiramente financiados por universidades ou associações científicas?

JB: Por favor, lembre-se que a avaliação de periódicos acadêmicos para determinar se eles são predatórios ou não não é uma ciência exata – como a matemática – e não devemos tentar transformá-la em uma. Em quase todos os casos, a maioria das pessoas concorda que um determinado periódico é predatório ou não. As únicas discordâncias surgem com os periódicos fronteiriços. Além disso, não cometa o erro de pensar que, se uma revista estiver incluída no Web of Science ou no Scopus, isso não é predatório. Como as pessoas e o leite, os periódicos podem “ir mal” e passar de não predatórios para predatórios.

HM: O que você quer dizer com periódicos fronteiriços?

JB: São periódicos difíceis de classificar como predatórios ou não predatórios. Eles possuem algumas características de um periódico predatório e alguns de um periódico respeitado. Com esses periódicos, é difícil ou impossível obter um consenso sobre a qualidade da revista. Haverá discordância significativa. Com os periódicos predatórios não limítrofes, geralmente há um forte consenso de que se trata de um periódico predatório. Muitas vezes, os únicos que defendem uma revista predatória são aqueles que nela publicaram e que obtiveram crédito acadêmico por seus artigos, ou pesquisadores felizes por terem finalmente encontrado uma publicação que aceitará e publicará seu trabalho, depois de ter seus manuscritos rejeitados. por muitas revistas ao longo dos anos.

HM: Como surgiu a ideia de compilar uma lista negra? Como você desenvolveu critérios tão precisos e por que os publicou em um blog?

JB: Sou bibliotecário, estudei organização do conhecimento e entendi o valor de índices e catálogos no acesso à informação. Então, depois que eu defini o problema dos editores predatórios, era natural que eu criasse uma lista deles. Também achei que um blog era uma boa maneira de publicar as informações de uma forma que as pessoas pudessem acessá-las e que eu pudesse adicionar postagens de blogs comentando sobre o fenômeno dos editores predatórios. Em termos de critérios, recebi muita ajuda de pesquisadores de todo o mundo. Sou grato por toda a assistência que recebi de algumas pessoas muito inteligentes e generosas.

HM: Em várias ocasiões, você nos alertou que compilar listas brancas, onde revistas legítimas são listadas, é um erro. Infelizmente, o seu blog não está mais ativo e, embora a lista tenha sido emulada e publicada por outras pessoas (https://predatoryjournals.com/journalshttps://www2.cabells.com/about-blacklist), você ainda aderir a esta ideia de publicar listas negras? Ou, pelo contrário, você acha que agora é possível implementar regras ou critérios novos e eficazes que tornem as listas de permissões mais confiáveis?

JB: Criar  listas brancas não é um erro; usá-las como uma ferramenta para evitar revistas predatórias é, no entanto. Como já disse, os periódicos nas listas de permissões podem ficar ruins, e há um número crescente de exemplos disso. Para um periódico predatório, ser incluído no Scopus é um ingresso para a riqueza, porque combina uma lista branca e um diário de fácil aceitação.

HM: Eu gostaria de perguntar sobre o relacionamento que você estabelece entre a ciência e as publicações científicas. Até que ponto os periódicos ou editores predatórios impactam a ciência?

JB: Revistas acadêmicas, monografias e apresentações em conferências são as ferramentas que usamos para comunicar e registrar descobertas científicas. Na filosofia da ciência, existe um conceito chamado problema de demarcação, e se refere à linha entre a ciência autêntica e a não-ciência. A revisão por pares impõe a demarcação, rejeitando a pseudociência. Mas os jornais predatórios não se importam com a revisão por pares, por isso publicam material que é ciência falsa, material não validado por revisão por pares. Também há o conceito do registro científico. Periódicos predatórios estão envenenando a literatura científica com lixo científico.

HM: Finalmente, você poderia nos dar um vislumbre da conferência que será realizada em 6 de junho na cidade de Medellín no 4º Encontro Regional de Editores de Revistas?

JB: Bem, nas minhas respostas aqui, eu me referi algumas vezes ao conceito de algo bom que se torna ruim, como leite azedo. Assim, neste contexto, quando tenho a honra de me apresentar em Medellín, espero discutir uma revista venezuelana que já foi respeitada, mas que agora está completamente podre.

*Heiner Mercado Percia. Colaborador do blog Journals & Authors, Club de editores. Professor da Universidade EAFIT. Coordenador editorial da revista Co-herencia da Escola de Humanidades da mesma universidade. Twitter: @heinermercado

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Esta entrevista foi inicialmente publicada em espanho e inglês no blog Journals & Authors [Aqui!]

Em meio ao silêncio sepulcral da comunidade científica, trash science chega ao nirvana

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Depois de terem se livrado da incômoda lista produzida por  Jeffrey Beall, usando para isto sabe-se lá quais mecanismos de convencimento, os editores de  revistas de “trash science” devem estar mais felizes do que nunca. 

É que venho constatando cada vez mais a inclusão de artigos publicados por tradicionais editoras de trash science em minha própria contagem de citações na tradicional  base de dados de citação conhecida como “Web of Science”, e que foi criado pelo Institute for Scientific Information (ISI), que foi propriedade da Thomson Reuters, e que hoje está sob o controle da empresa Clarivate Analytics [1].

O primeiro efeito dessa entrada das revistas de “trash science” no Web of Science é, mais do que certamente, o encarecimento das publicações do chamado “open access” que ganharam uma importante chancela de legitimidade ao serem incluídas em uma plataforma que antes estava reservada a revistas que, em tese, publicavam ciência que tivesse passado pelo crivo do sistema de “peer review” (ou revisão por pares em português) . Nesse caso, os proprietários das editores de “trash science” são os claramente vencedores, visto que seus lucros deverão aumentar de forma estratosférica.

O segundo efeito é o que considero mais nefasto para a ciência enquanto um campo intelectual em que os elementos de rigor deveriam guiar aquilo que é publicado. É que a validação dada a revistas de “trash science” implica também na validação daquilo que elas publicam. Tal fato tornará basicamente o artigo científico em algo não apenas ultrapassado em termos de divulgação científica, mas principalmente em um veículo de de divulgação não de resultados científicos que tenham passado pelas provas de acurácia e precisão, mas daquilo que muitas vezes falhou nestas duas dimensões essenciais para que algo seja considerado uma verdade científica.

Um terceiro efeito é que, especialmente em países onde esses índices são usados para decidir a alocação de recursos públicos em fomento à ciência, teremos cada vez mais a premiação de pesquisadores que se sirvam das editoras predatórias para turbinar seus currículos para aumentar indevidamente as suas chances de obterem suporte para seus projetos de pesquisa. Tal efeito será desastroso não apenas para o avanço da ciência pura, mas também da aplicada, representando um vexaminoso exemplo de desperdício de recursos públicos.

O assombroso, ao menos para mim, é o completo silêncio que está cercando a chegada das editoras “trash science” ao nirvana dos indexadores de citação como é o caso do Web of Science.  Este silêncio é mais do que uma simples omissão, mas representa uma opção de cumplicidade em relação ao processo de validação do que pode ser considerado ou não como sendo ciência de qualidade.

E viva o trash science!


[1] https://clarivate.com/

Caçando Jeffrey Beall para calar a incomoda verdade sobre as revistas predatórias

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Até o início de 2017 era um leitor assíduo do blog que o Professor Jeffrey Beall da University of Colorado-Denver possuía na plataforma WordPRess, e lamentei que repentinamente ele tenha interrompido postagens e removido todo o material que havia depositado, principalmente os relacionados às editoras e jornais predatórios (ou como chamo pessoalmente de reprodutores de lixo científico).  Entretanto, graças a um par de artigos publicados pelo “Times of Higher Education” pude finalmente entender as razões que levaram ao professor Beall a tomar uma medida tão drástica e que literalmente deixou a incontáveis membros da comunidade internacional órfãos da valiosa informação sobre os editores predatórios e suas estratégias de venda e publicação de lixo científico [1 e 2]

Agora, já sei que Jeffrey Beall encerrou seu blog por pressões diretas da sua própria instituição e pelo medo de ser demitido do cargo que ali ocupa.  E isso já foi até explicitado num artigo publicado por Beall na revista “Biochemia Medica” em um artigo publicado em Maio deste ano [3]. Mas a leitura do artigo de um dos artigos da “Times of Higher Education” também elucida uma das fontes principais dos ataques feitos contra a lista preparada por Jeffrey Beall. E surpreendentemente, Beall aponta o dedo para seus próprios pares em outras bibliotecas universitárias, os quais estariam focados demais na rejeição às revistas publicadas pelas grandes editoras científicas mundiais para se deter de forma cuidadosa nos riscos que estão sendo criados pela disseminação do lixo científico publicado por jornais predatórios.

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O fato  é que não é preciso ir longe para verificar que muitos dos que se concentraram em atacar o trabalho voluntário de Jeffrey Beall,  de forma até virulenta, não mostram a mínima disposição para sequer falar dos riscos que estão sendo criados pela disseminação de um incontável número de revistas de acesso aberto cujo valor científico é praticamente nenhum.  Um dos resultados disso é o fato de que muitos pesquisadores estão se tornando vítimas de esquemas criminosos que são utilizados para ludibriar incautos em nome da velocidade de publicação.

Neste caso, me interessaria saber quantas novas “editoras” e revistas predatórias foram lançadas após o encerramento do blog do Professor Beall. Como ele mesmo descreve todo tipo de tentativas de coação para que ele interrompesse a publicação de sua lista, imagino que este crescimento esteja sendo exponencial em 2017. 

Uma coisa é certa: o problema causado pela proliferação de revistas (se é possível de chamá-las assim) científicas predatórias representa um grave risco à credibilidade da ciência, o que é particularmente grave num contexto histórico onde as forças mais reacionárias da sociedade vem escolhendo os cientistas como alvos específicos da sua fúria anti tudo o que pareça ser socialmente progressivo. Um exemplo disso é o presidente dos EUA, Donald Trump, que vem desmantelando toda a infraestrutura científica que foi construída na principal economia do planeta, de modo a impedir que sejam formulados alertas sobre o grave cenário ambiental em que estamos envolvidos.

Alguns poderão dizer que os cientistas que escolhem publicar em revistas predatórias são igualmente culpados pelo problema.  O problema é que as pressões feitas sobre os pesquisadores para que publiquem ou desapareçam acabam contribuindo para que a régua da escolha de onde publicar esteja sendo usada de forma muito frouxa.  Além disso, como ainda inexistem mecanismos para substituir a Beall´s List, aumentou-se consideravelmente o fosso da ignorância sobre quais e onde estão as revistas predatórias, o que nos coloca numa situação objetiva de “faroeste caboclo” onde é cada um por si mesmo.

Um aspecto final que precisa ser ressaltado é que parece prevalecer dentro da comunidade científica internacional (e na brasileira isso se dá de forma marcante) um silêncio em relação às revistas predatórias que normalmente se esperaria se encontrar em favelas dominadas por narcotraficantes ou milicias.  E como estamos no meio de uma profunda crise econômica nota-se muito pouca disposição para sequer tocar nesse assunto. E isto é lamentável, já que a consequência imediata disso será um aumento ainda maior na proliferação das revistas predatórias.


[1https://www.timeshighereducation.com/news/journals-blacklist-creator-blames-university-website-closure;

[2https://www.timeshighereducation.com/news/beall-social-justice-warrior-librarians-betraying-academy.

[3] Para baixar o artigo do professor Beall na Biochemia Medica, basta clicar [Aqui!]

Nature publica duas cartas que lamentam o fim da Lista de Jeffrey Beall

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A respeitada revista Nature publicou na sua edição do último dia 27 de Abril duas cartas de lamento sobre o encerramento da lista de revistas predatórias (trash science) do professor Jeffrey Beall (ver abaixo).

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De forma geral as cartas assinadas pelos professores Vinicius Giglio e Osmar Luiz e a do professor Wadim Strielkowski apontam na mesma direção: a Beall´s List cumpria um papel inestimável na identificação de editores e revistas predatórias, e seu desaparecimento deixou muita gente perdida na selva formada pelas publicações “trash”.

Mas ambas as cartas vão além do lamento e cobram que editoras e instituições de pesquisa estabeleçam critérios que contribuam para a identificação de revistas científicas meritórias de publicação, bem como a necessidade de que sejam estabelecidos bancos de dados que permitam a rápida identificação destes reprodutores de lixo científico, de modo a que a comunidade científica os evite. 

Por fim, a carta assinada por Strielkowski aponta para a necessidade de que sejam estabelecidos comitês de ética cientifica para que estes estabeleçam diretrizes que possam facilitar a identificação das revistas e editoras predatórias.

Ainda que eu considere todas essas considerações mais do que necessárias, tendo a ficar cético quanto à disposição da comunidade cientifica mundial,  e a brasileira em particular, de atacar frontalmente o problema representado pelas revistas reprodutoras de “trash science“.  É que as revistas predatórias apenas suprem um nicho de mercado que está diretamente associado à aceitação explícita do dogma do “publicar ou perecer” que guia premiações individuais e alocação de verbas estatais e privadas para a pesquisa científica em todo o mundo. A verdade é que enquanto a cultura do produtivismo, que premia quantidade em vez de qualidade, não for revista como critério de alocação de verbas e estabelecimento de padrões salariais, o mais provável é que as revistas predatórias continuem a florescer como cogumelos em pastagens em dias de chuva.

Assim, até que se mudem os padrões de premiação, o mais provável é que cada vez mais tenhamos lixo acadêmico sendo apresentado como ciência genuína.  E de lá da sua trincheira na Universidade do Colorado, é bem provável que Jeffrey Beall ainda seja quem mais saiba os caminhos que deveriam ser trilhados para que se evite essa verdadeira hecatombe que ronda a ciência mundial. Resta saber se alguém vai procurá-lo para ouvir o que ele tem a dizer. A ver!

Jeffrey Beall publica lista de 2017 e mostra o trash science em franco crescimento

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Graças ao trabalho voluntário do professor Jeffrey Beall, da Universidade do Colorado-Denver, que lança desde 2011 a sua lista de editoras e revistas predatórias, pesquisadores de todo o mundo vem gradativamente sendo municiados com as informações necessárias para que evitem contribuir para a expansão do que eu rotulei como “trash science”.  Esse trabalho é particularmente importante para países como o Brasil que vivem sobre a pressão crescente para que seus cientistas publiquem mais, mesmo que o ambiente de financiamento de suas pesquisas enfrentem cenários de completa incerteza como o que é atualmente oferecido pelo governo “de facto” de Michel Temer.

Pois bem, o professor Beall acaba de liberar a sua lista anual de editoras e revistas predatórias, e ainda acrescentou dados relativos a métricas fajutas e revistas legítimas que foram sequestradas por editoras predatórias (Aqui!).   Uma rápida olhada nas tabelas abaixo vai mostrar que a invasão do “trash science” está se tornando um problema crucial para a ciência mundial, pois o avanço em todos os indicadores escolhidos é impressionante.

Esse crescimento exponencial na produção de “trash science” se deve a uma combinação de variáveis que estão invariavelmente ligadas à s da produção científica em mais uma commodity. Mas obviamente sobram os aspectos relacionados à distribuição de verbas públicas e privadas para pesquisadores, bem como benefícios funcionais, seja no aumento de salários ou na obtenção da almejada estabilidade empregatícia dentro de universidades e instituições de pesquisa.

No caso brasileiro, todas as evidências apontam para a penetração irrestrita das editoras e e revistas predatórias dentro da nossa comunidade científica. Um fato que vem contribuindo para isso é a adoção de uma opção quantativa (no caso o número de publicações alcançadas por um determinado pesquisador) para se definir todo tipo de premiação, seja no plano individual ou dos programas de pós-graduação. 

E, pior, a única manifestação pública que ouvi nos últimos anos sobre a lista preparada pelo professor Beall foi um repúdio coletivo por parte de editores de revistas científicas brasileiras contra uma postagem que ele publicou acerca do alcance limitado da plataforma Scielo  (Aqui!).

Mas como nunca é tarde para se aprender, espero que os pesquisadores e instituições de pesquisa brasileiros comecem a prestar mais atenção no trabalho de Jeffrey Beall. É que se isso não acontecer, corremos o risco de virarmos uma espécie de mais um paraíso do “trash science” ao modo do que já ocorre em muitos países da periferia capitalista.   A verdade é que continuar fingindo que o problema não existe vai atrasar ainda mais a evolução do nosso sistema nacional de ciência.

Nunca é demais lembrar que os próximos anos serão marcados por uma forte contenção de verbas para a pesquisa científica no Brasil.  Isto nos obriga a cobrar critérios mais claros para o que vai ser distribuído. Do contrário, acabaremos vendo o grosso dos recursos indo para as mãos dos que não hesitam recorrer ao trash science para turbinar seus currículos.

Por ora, resta-me saudar o incansável trabalho de Jeffrey Beall. É que sem ele não teríamos a menor ideia do tamanho do problema ou de como evitar cair nas milhares de arapucas que vendem gato por lebre.

 

Jeffrey Beall e os “super achievers” da ciência salame

O Professor Jeffrey Beall, que costumeiramente traz análises e revelações sobre os efeitos da propagação exponencial de revistas predatórias sobre a qualidade das publicações científicas, acaba de produzir uma postagem lapidar sobre o irmão siamês do “Trash science“, o também pernicioso “Salami science” (Aqui!).

E Jeffrey Beall faz isto tratando do caso de dois “super achievers” (pesquisadores que se notabilizam por produzirem “solo” ou acompanhados um número acima da média de publicações anuais) da ciência mundial cuja produção combinada é de deixar a maioria dos que conhecem o caminho que um determinado artigo precisa percorrer para ser finalmente publicado se perguntando qual é o segredo de tamanha produtividade.   O próprio Jeffrey Beall desvenda parte do mistério ao destrinchar as publicações, e as claras repetições de conteúdos, dos professores Shahaboddin Shamshirband e Dalibor Petković em revistas científicas aparentemente sérias.

Eu mesmo já tratei neste blog do papel negativo que a prática do “Salami science” causa tanto na qualidade da ciência, como nos sistemas de premiação e distribuição de recursos para a pesquisa científica , e que é potencializada pela existência do mercado de “Trash science (Aqui! e Aqui!).

Uma coisa que é citada por Jeffrey Beall e com a qual eu concordo é sobre o risco de que a tolerância ao “Salami science” acarreta para a comunidade científica, na medida em que o sistema do “peer review” se funda no compromisso de que um dado experimento seja submetido apenas numa dada revista, impedindo a multiplicação de submissões e, consequentemente, de publicações de um mesmo resultado. Ao se romper com essa regra básica, tudo se torna possível. Até o rompimento dos padrões éticos que deveriam guiar a busca de publicar um artigo científico. É que se isto se tornar prática, não haverá muito o que se esperar em termos de qualidade e rigor.

Outro aspecto que Jeffrey Beall é a política de “hands off” que os chamados “super achievers” gozam em suas instituições. Eu mesmo já tenho presenciado a existência de pesquisadores extremamente prolíficos em seu número de publicações, mas que são claramente incapazes de contribuir minimamente para a qualidade intelectual dos programas de graduação e pós-graduação nos quais participam. A estes “super achievers” resta a desculpa de que são “ratos de laboratório”  que se ocupam apenas de suas pesquisas.  Mas até aí morreu o Neves. É que apesar de todas as suas omissões e incongruências, os “super achievers” são vendidos dentro de suas instituições como o exemplo a ser seguido, já que seriam eles os pilares da captação de recursos tão escassos quanto necessários.

Entretanto, o que pouco se fala é que ao se sobrevalorizar os supostos “super achievers“, o que se faz é contribuir para a privatização das pesquisas já que eles acabam por monopolizar espaços físicos dentro de suas instituições e a distribuição de verbas pelas agências de fomento.

Ainda que o aparecimento do “Salami science” e do “Trash science” seja parte de uma evolução da indústria das publicações científicas e da comodificação da ciência mundial, ignorar os seus efeitos deletérios por mais tempo poderá trazer danos irreparáveis para a produção e evolução do conhecimento científico, especialmente nos países localizados da periferia do Capitalismo.  O problema aqui é saber se haverá quem queira enfrentar os dois irmãos siameses de frente.  É que com raras exceções, como as do Professor Jeffrey Beall nos EUA (Aqui!) e do jornalista Maurício Tuffani (Aqui!) no Brasil, a maioria dos que conhecem o problema prefere olhar para  o outro lado.