Repressão em São Paulo mostra pavor das elites frente à ascensão das lutas populares

As cenas que mostro abaixo são parte da documentação visual que já está circulando nas redes sociais sobre a violenta repressão cometida pela Polícia Militar de São Paulo contra manifestantes que se opõe aos preços escorchantes do transporte público na capital do estado.

Como participante das manifestações que ocorriam no início da década de 1980 pedindo o fim do regime militar, posso atestar que naqueles tempos a repressão era menor, provavelmente por causa do desgaste a que o regime estava sendo submetido pela crise econômica que então se abatia sobre o Brasil.

Mas, contraditoriamente, a violência da repressão cometida pela batuta do governador José Geraldo Alckmin do PSDB é, para mim, um reconhecimento de que os tempos de mansidão e dispersão política são coisa do passado, o que amedronta as classes dirigentes que impõe enormes sacrifício ao conjunto da população brasileira.

Como toda essa violência não vai impedir novas manifestações, e elas já estão sendo marcadas pelo Movimento Passe Livre (MPL), o mais provável é que a PM volte a agredir, dar tiros e forjar flagrantes. No entanto, isso certamente ainda vai servir como combustível para mais revolta.

É, o ano de 2016 promete!

Estudantes de São Paulo mostram que é possível derrotar os inimigos do futuro

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A lacônica decisão do lacônico governador de São Paulo, José Geraldo Alckmin (PSDB), de que iria suspender o seu plano de fechar inicialmente 92 escolas estaduais em nome de uma suposta reorganização de turmas é mostra cabal de que as forças que lutam por um futuro melhor podem sim sair vencedoras em embates marcadas pela desigualdade no uso da violência.

Já na semana passada dei uma entrevista a um programa de TV no Rio de Janeiro onde expressava a minha visão de que os estudantes de São Paulo estavam dando uma verdadeira lição cívica de como resistir aos desmandos de governos de matriz neoliberal (independente do partido a que estejam afiliados) que hoje promovem uma verdadeira guerra à educação pública no Brasil.

A questão da defesa da educação pública é essencial para que possamos ter qualquer possibilidade de oferecer um modelo alternativo de desenvolvimento econômico aos brasileiros, e os estudantes paulistas e as famílias que abraçaram o movimento que deve estar tirando o sono de muita gente. É que enquanto em Brasília fica-se num debate estéril de tirar ou não tirar Dilma Rousseff do cargo de presidente da república para a qual foi eleita,  no Brasil real o que está se vendo são os trabalhadores e a juventude agindo para impedir ainda mais retrocessos em direitos sociais que foram duramente conquistados ao longo do tempo.

Por isso, como diz o cartaz que a sorridente estudante mostra na imagem abaixo, Alckmin que reorganize o seu governo, antes que tenha que sair correndo do palácio.

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