Em audiência, diretor da LLX reconhece que a situação dos moradores da Vila da Terra ainda não foi resolvida

Ouvindo o final da audiência da Comissão do Porto do Açu através da Rádio Barra de São João da Barra, ouvi o Sr. Luis Eduardo S. Baroni, diretor de implantação da LL(X), declarar que os 35 moradores da Vila da Terra ainda não possuem a documentação das unidades em que foram alocados.  É que, segundo o Sr. Luis Baroni, apesar da LL(X) ter feito o depósito em juízo o valor relativo à Fazenda da Terra onde o condomínio foi instalado, o processo ainda não foi concluído. 

Segundo o que ouvi do Sr. Baroni a LL (X) ainda aguarda o trâmite da documentação dentro do INSS e do INCRA para que a empresa possa então assumir a propriedade legal da Fazenda Palacete. Em outras palavras, neste momento, apesar de todos os compromissos públicos da LL(X), os agricultores que tiveram suas terras tomadas pela CODIN, ainda ocupam uma propriedade sem que tenham o devido resguardo legal.

Como o Sr. Baroni reafirmou o compromisso da LL(X) de que a nova dona do Porto do Açu, a EIG, vai honrar o compromisso de entregar os documentos de  propriedade aos agricultores que hoje se encontram na Vila da Terra sem as devidas garantias legais.  A ver.

Trabalhadores estrangeiros clandestinos, outra faceta obscura da construção do Porto do Açu

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Estive hoje num interessante debate promovido pela Rádio Record de Campos sobre a situação do Porto do Açu que também contou com a presença do presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Campos (STICC), José Carlos Eulálio, do professor Alcimar Chagas do Laboratório de Engenharia de Produção (LEPROD) da UENF, e da professora Marina Suzuki do Laboratório de Ciências Ambientais (LCA) da UENF.

Entre os muitos aspectos tocados nesse debate um que eu sinceramente considerei novidade foi a informação de que as empresas contratadas para a construção do Porto do Açu estariam usando mão-de-obra estrangeira (incluindo trabalhadores angolanos e paraguaios) sem atender os requisitos legais.

Ainda que essa estratégia já venho sendo usada em outras obras, como ocorreu no caso da Companhia Siderúrgica do Atlântico, o caso específico de trabalhadores angolanos e paraguaios me parece inédito.

20131130_091342[1]Além disso, o José Eulálio me informou que frente às pressões do seu sindicato para apurar essa situação, os trabalhadores vêm sendo transferidos para outras frentes, de modo a despistar a fiscalização. E ai é que eu me pergunto: por onde a fiscalização do Ministério do Trabalho nessas horas?

Isso também explica porque tão poucos trabalhadores da própria região acabam sendo empregados nas obras do Porto do Açu, no que se configura numa refutação de que esse empreendimento gera empregos localmente. Essa é apenas mais uma das balelas que foram propagadas para vender essa nuvem por Eike Batista.

Finalmente, apesar de convidada a LLX não mandou representantes para participar do debate. Com certeza devem estar se reservando para participar de fóruns mais amigáveis aos seus interesses, onde suas declarações não vão ser contestadas por dados da realidade. Isso parece indicar que a mudança de donos não mudou ainda as práticas corporativas da LLX. A ver.

INEA estende licença de instalação do Porto do Açu para 2016

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O extrato abaixo foi publicado hoje no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro e dá conta que a licença de instalação do Porto do Açu foi estendida por mais 3 anos.

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Este fato é positivo para a LL(X) (ou seja qual for o nome que a empresa deverá ter após sua próxima assembléia de acionistas), pois a última coisa que seus novos proprietários iriam querer é assumir um empreendimento sem licença ambiental.

Agora, convenhamos, que a extensão do prazo para sua instalação para 2016 é um reconhecimento tácito de que o andamento das obras não anda sim tão rápido que possa permitir a inauguração do Porto do Açu em 2014.

Por outro lado, não deixa de ser peculiar que um empreendimento cercado de tantos problemas sociais, trabalhistas e ambientais tenha sua licença de instalação prorrogada sem que a sociedade fluminense seja sequer consultada. Mas esse é o (des) governo comandado por Sérgio Cabral e o ambiente gerido por Carlos Minc.

Finalmente, um aspecto interessante nessa autorização: o que foi beneficiado pela extensão de prazo foi apenas o “terminal portuário denominado como Porto do Açu”.  É que eu venho dizendo, o Complexo Industrial Portuário do Açu vai acabar sendo apenas um porto. E olhe lá!

Canal do Quitingute: mortandade de peixes pode ser a gota final na paciência dos habitantes do V Distrito

 

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Estou recebendo nesse feriado uma série de ligações de moradores do V Distrito de São João da Barra dando conta que peixes mortos estão aparecendo em pontos mais ao norte de Água Preta. A razão disso pode ser o transporte pela corrente dos peixes mortos ou um espalhamento da onda de anoxia que causou a mortandade inicial nas proximidades da ponte que liga Água Preta a Sabonete. De toda forma, esses ligações trazem indicativos ‘in loco” de que o problema que começou na semana passada ainda não seguir o seu curso completo.

Uma informação adicional que saiu dos resultados das análises que estão sendo realizadas no Laboratório de Ciências Ambientais (LCA) da UENF indica que há uma forte contaminação biológica nas águas do Quitingute neste momento, o que desaconselha qualquer tipo de uso de suas águas se forem seguidas as determinações da RESOLUÇÃO CONAMA Nº 357, DE 17 DE MARÇO DE 2005. Como o LCA deverá continuar o monitoramento das águas do Canal Quitingute o certo é que teremos medidas confiáveis sobre a evolução do problema. Mas já parece seguro dizer que a situação está longe da normalidade.

A questão aqui é que o elemento ambiental está sendo agravado pela tensão social já existente, o que torna crítico que as autoridades responsáveis, a começar pelo Instituto Estadual do Ambiente (INEA) venham a público dar a devida publicidade sobre o que realmente aconteceu e quais são os reais prognósticos para a normalização da situação.  É bom lembrar que depois de quase cinco anos de enfrentamentos com a CODIN e o Grupo EBX, a paciência dos moradores do V Distrito está por um fio.

De qualquer forma, a indignação das pessoas estão aumentando na medida em que o fenômeno persiste e causa mais danos à população de peixes no Canal de Quitingute da qual centenas de famílias dependem para obtenção de proteína animal e geração de renda.

O DIÁRIO: Névoa de areia salgada em distrito de SJB

MARCOS PEDLOWSKI/DIVULGAÇÃO
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Uma névoa de areia salgada invade os telhados das casas das localidades de Bajuru e Mato Escuro, no 5º distrito de São João da Barra (SJB). O problema foi levantando pelo professor Marcos Antônio Pedlowski, responsável pelo setor de Estudos sobre Sociedade e Meio Ambiente da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). Segundo ele, a areia estaria depositada no aterro hidráulico construído pela LLX, do Grupo EBX, como parte das obras do Porto do Açu. O vento Nordeste seria o responsável por levar o material às residências.

“Para construir um canal artificial, removeram a areia salgada, mas em vez de colocá-la fora do oceano, que seria o certo, fizeram o aterro hidráulico, sem mecanismo de contenção, que poderia ser uma camada de argila ou brita. Com isso, a areia se movimenta e voa em direção às casas”, disse Pedlowski, que considera o 5º distrito “um caldeirão de problemas ambientais”, acrescentando que no local existe uma “duna móvel” de sete metros de altura.

Em outubro, o professor visitou as localidades. “Em poucos minutos estava lacrimejando. Soube também que os motociclistas evitam usar seus veículos em dias com ventos fortes por causa da grande quantidade de areia no asfalto. A sensação é a de que está nevando”.

Salinização também preocupa

Além de destruir a vegetação, a areia, que estaria depositada a dois quilômetros das obras do Porto do Açu, pode causar problemas respiratórios, segundo alertou ainda o pesquisador.
“Estamos tornando o problema público, embora exista também o interesse acadêmico, onde pretendemos iniciar um estudo sobre esse material. Queremos saber, por exemplo, o teor de salinidade e se existem outros tipos de materiais depositados ali. São milhões de metros cúbicos de areia se perdendo”, informou o professor da Uenf.

Pedlowski citou o problema da salinização da água e do solo na área do 5º distrito de São João da Barra, que seria decorrente das obras do estaleiro, denunciado no final do ano passado. “Pelo jeito, os efeitos ambientais são mais amplos do que se imaginava inicialmente quando se detectou o problema”, ressaltou o pesquisador.

Em nota, a Assessoria de Imprensa da Empresa LLX informou “que há uma rede de monitoramento da qualidade do o ar na região, incluindo a localidade de Mato Escuro, no 5º distrito de São João da Barra, e não há registro de alteração nos índices desde o início da execução do aterro hidráulico. O monitoramento é realizado por empresa especializada, e os relatórios com os dados de monitoramento de qualidade do ar são encaminhados ao Inea (Instituto Estadual do Ambiente)”.

FONTE: http://www.odiariodecampos.com.br/nevoa-de-areia-salgada-em-distrito-de-sjb-6225.html

Grande mortandade de peixes evidencia crise ambiental no Canal do Quitingute

Alertado por moradores da localidade de Água Preta, estive na manhã neste domingo em um trecho do Canal do Quitingute, onde pude constatar a presença de uma grande quantidade de peixes de várias espécies de água doce mortos. Além do forte cheiro de carne em decomposição havia ainda a presença de urubus e garças que estavam se aproveitando da situação para se alimentar. Dentre as várias espécies que pude identificar pude ver tilápias, traíras, sairús e acarás.

A informação que obtive no local é de que a mortandade teria começado a ocorrer no início da semana passada quando peixes foram avistados próximo da superfície como se estivessem com dificuldade de obter o oxigênio dissolvido na água.  No entanto, ainda hoje pude ver sinais de que alguns sobreviventes estavam tentando fazer a mesma coisa, o que pode indicar a persistência do problema.

Além de fotografar, aproveitei para coletar um número razoável de amostras da água do Quitingute que serão entregues no Laboratório de Ciências Ambientais da UENF, onde deverão ser ,medidos os principais parâmetros físico-químicos, de modo a que se tenha um diagnóstico inicial do que causou esse evento.

Conversando com um agricultor que vive nas margens do Quitingute há mais de 20 anos, ele me disse que esse episódio é singular para ele, não apenas pela morte em si dos peixes, mas pela quantidade de  especimes mortos.

Agora resta esperar o resultado das análises. Mas desde já fica em dúvida a assertiva disseminada pelo INEA e pela LLX que os problemas, pelo menos no caso da salinização causada pelas obras no Porto do Açu, seriam pontuais. O que tudo indica o Canal de Quitingute está passando por um processo crítico. Resta saber agora o que está causando isso.

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EXAME: Prejuízo da LLX cresce mais de 680% no terceiro trimestre

No período, companhia da área de logística fundada por Eike Batista registrou perdas de R$ 38,4 milhões

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Daniela Barbosa, de 

Divulgação/LLX

Obra no Porto do Açu, da LLXLLX: companhia registrou prejuízo de R$ 38,4 milhões no terceiro trimestre

São Paulo – A LLX, empresa da área de logística, criada por Eike Batista, registrou prejuízo de 38,4 milhões de reais no terceiro trimestre. O montante é mais de 680% maior que as perdas acumuladas um ano antes, de 4,9 milhões de reais.

As despesas gerais e administrativas pesaram nos resultados. No período, elas totalizaram 53,4 milhões de reais, enquanto a receita operacional atingiu 14,8 milhões de reais.

Boa parte das despesas, 43,6 milhões de reais, foi destinada aos com pessoal e serviços tercerizados, segundo balanço da LLX.

“A principal explicação para o aumento das despesas administrativas foi o impacto de 15,4 milhões de reais referente a bônus de retenção pago a certos executivos, considerados estratégicos para o desenvolvimento dos negócios no médio e longo prazo”, disse a empresa, em comunicado.

A LLX encerrou o terceiro trimestre com saldo de 99 milhões de reais em caixa, montante quase 70% menor na comparação com o mesmo período do ano passado.

Novo controlador

Desde outubro, a LLX passou a ser controlada pela EIG, que irá injetar 1,3 bilhão de reais na companhia. Segundo a LLX, a reestruturação societária da reforça significativamente a sua estrutura de capital e traz uma nova perspectiva com o novo modelo de gestão a ser implantado a partir de agora.

Além do aporte bilionário, a LLX conseguiu também um suporte financeiro adicional de 900 milhões de reais oferecidos pelos  Bradesco e Santander, que vai aumentar a capacidade financeira da companhia nos próximos trimestres.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/prejuizo-da-llx-cresce-mais-de-680-no-terceiro-trimestre