Black Bode expiatório

Os fatos dos últimos dias em 10 passos, por Samuel Braun. Via coletivo vinhetando

1 – Fabio se entrega voluntariamente à polícia, acompanhado de um advogado particular.
1.A – Nenhum manifestante (ou PM) se entregou até hoje, em nenhuma manifestação.
1.B – Fabio não estava foragido, nem procurado, ele resolveu se apresentar ‘voluntariamente’.

2 – Seu advogado é o mesmo que fez a defesa de ex-vereador miliciano preso em penitenciaria federal.
2.A – O miliciano preso é irmão de outro miliciano preso, Jerominho, do mesmo partido (PMDB) do governador e do prefeito, alvos dos protestos.
2.B – Quando defendia o miliciano, responsável pela morte de diversas pessoas em chacinas, este advogado não entregou seu cliente em nenhuma delegacia.

3 – Advogado denuncia, através de seu assistente, o deputado Freixo como ligado aos atos criminosos em apuração.
3.A – Após fazer questão de comunicar esta versão ao delegado e registrá-la, voltou atrás. Não antes de toda míidia dar ampla divulgação.
3.B – Freixo concorreu contra Eduardo Paes e se constituiu como único candidato forte de oposição ao atual governo.

4 – Fabio alega que apenas entregou o artefato, que outra pessoa o detonou, mas não sabe quem foi.
4.A – Fabio repentinamente conhece alguem, que conhece alguém que sabe nome, apelido e CPF deste que teria acendido o artefato.
4.B – O tal denunciante não é revelado, e o advogado é que assume a responsabilidade pela denúncia.

5 – O advogado Jonas denuncia à polícia quem teria sido o detonador do artefato. A estratégia da defesa de Fabio é responsabilizar Caio, negro de cabelo curto e duro.
5.A – As imagens apontam um rapaz claro, cabelos lisos e volumosos.
5.B – Polícia vai a caça de Caio na casa de sua família. Jonas, o advogado denunciante vai junto.

6 – Partem num avião um delegado do Rio, o advogado denunciante e a imprensa para prenderem Caio na Bahia, após sua família ser pressionada a entregá-lo.
6.A – Caio é preso pelo delegado e pelo advogado denunciante. Um trunfo para a defesa de Fabio.
6.B – Inexplicavelmente, o advogado de Fabio, denunciante e auxiliar na captura, vira defensor TAMBÉM de Caio.

7 – Jonas, que não entregou Natalino, mas entregou Fabio, acusou e prendeu Caio agora defende Caio contra Fabio e Fabio contra Caio.
7.A – a polícia aceita que um advogado da parte ré participe de uma operação policial.
7.B – Autoridade policial aceita, sem estranhamento, que advogado de um réu que denunciou outro e auxiliou na prisão deste siga como defensor deste.

8 – Jonas, o advogado que faz prisões, e a Globo, que teve permissão pra cobrir com exclusividade a operação (porque, porque?) dizem que Caio afirmou que “políticos aliciam para manifestações”.
8.A – Caio não assinou nenhuma declaração nesse sentido. Um vídeo mostra que ele disse claramente que pessoas são convocadas (não aliciadas) e que é papel da polícia investigar quem convoca (portanto, não acusou ninguém, muito menos políticos).

9- Senadores do PT, PRB e PP (aliança dos governos municipal e estadual, foco dos protestos) apresenta projeto que tipifica manifestação e greve como terrorismo. Outro senador do mesmo partido sobe na tribuna exigindo urgência na aprovação.
9.A – Secretário de Segurança do Rio apresenta projeto para Congresso (!!!) para tipificar tambem crime de desordem e incitação a desordem pública.
9.B – Imprensa, liderada pela Globo, exige maior repressão policial e jurídica ao que chama de atentado à liberdade de imprensa.

10 – Instituições democráticas, partidos de esquerda, militantes e personalidades ligada aos governos apoiam a cruzada acima.
10.A – Em se aprovando os projetos, todas as atividades dos sindicatos, entidades estudantis e movimentos sociais serão considerados terrorismo e desordem pública.
10.B – Santiago foi a 10ª pessoa morta em decorrência das manifestações, a primeira por conta de manifestantes. Das outras 9, nem o nome se sabe direito.

FONTE:http://rebaixada.org/os-fatos-dos-ltimos-dias-em-10-passos-por-samuel-braun-via-coletivo-vinhetando/

RJ: advogado e estudante são ameaçados por defender manifestantes

Na segunda-feira, eles receberam ligações anônimas. “Por que você defende bandido?”, dizia a voz do outro lado da linha

Por Redação

O advogado Felipe Coelho e o estudante de direito Hugo Pontes receberam ligações anônimas na última segunda-feira (10), dia em que protestos contra o aumento da passagem do transporte coletivo ocorreram no Rio de Janeiro. Ambos colaboram voluntariamente com o Instituto de Defensores dos Direitos Humanos (DDH), que presta assistência jurídica a pessoas detidas durante as manifestações.

Antes de todos os atos, o DDH publica na internet uma nota com os telefones dos profissionais que estarão trabalhando naquela ocasião. Os números de Coelho e Pontes constavam na mensagem, que foi disseminada pelas redes sociais.

Coelho conta que, antes de ir à rua, às 19h22, recebeu telefonema de um número restrito. Quando atendeu, uma pessoa que não se identificou perguntou se ele se encontrava na ONG (referindo-se ao DDH) e se poderia comparecer à delegacia, onde manifestantes estariam detidos. “Achei estranho porque, quando nos ligam pedindo ajuda, não perguntam onde estamos”, aponta.

Cerca de uma hora e meia depois, o celular voltou a tocar. Novamente, o número de quem chamava não estava à mostra. A pessoa do outro lado da linha foi mais incisiva. “Disse que eu era advogado de bandido. Pra eu tomar cuidado. Isso nunca tinha acontecido antes”, revela. Em ambas as chamadas, as vozes eram masculinas, mas diferentes.

Hugo recebeu uma ligação por volta das 17h. Em seu caso, era possível ver o número que ligava. Ao atender, um homem se identificou como Thiago Tavares. “Ele se apresentou como um cidadão que estava inconformado e queria fazer uma queixa. Perguntou porque eu estava defendendo bandidos”, explica o estudante. “Falou que quem andava com assassino é assassino também. Que era melhor a gente repensar voltar pra rua ou ir para as delegacias de novo, porque ia começar a morrer mais gente nas manifestações e o próximo poderia ser eu”.

Felipe e Hugo consideram os telefonemas reflexo dos acontecimentos das últimas semanas, que acirraram os ânimos em torno dos protestos de rua. Junto a outros colegas que passaram pela mesma situação, organizam, agora, um dossiê com informações sobre as ligações – o horário em que ocorreram, tempo de duração, número, conteúdo. O registro é uma forma de se precaver, caso os episódios desta semana deixem de ser fatos isolados e passem a ser frequentes. Eles discutem, também, se vão registrar boletins de ocorrência.

FONTE: http://revistaforum.com.br/blog/2014/02/rio-de-janeiro-advogados-sao-ameacados-no-rio-por-defender-manifestantes/

José Eduardo Cardozo e sua dolorosa Via Ápia de tentar regras as manifestações políticas no Brasil

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Nesse exato momento, o ministro da (in) Justiça de Dilma Rousseff, José Eduardo Cardozo, está dando uma coletiva sobre as medidas que serão adotadas para estabelecer regras para garantir (sic!) que não ocorram atos violentos em manifestações públicas.  O irônico é que ele acaba de enfatizar (ladeado pelos impolutos secretários de segurança de São Paulo e Rio de Janeiro, Fernando Grella e José Mariano Beltrame, respectivamente) que as polícias paulista e fluminense já trabalham sob regras quando vão acompanhar manifestações.  Como sei que o ilustre ministro  não está falando de algum outro universo paralelo, essa declaração só é explicável pelo cinismo mesmo.

O essencial nessa coletiva é que está se dizendo de forma aberta que vem mais repressão por ai, endurecimento como bem frisou um jornalista presente na coletiva, ainda que de uma forma obtusa, já que supostamente também será garantida a liberdade d e manifestação. O problema é que o ministro petista está querendo impor regras para que os movimentos informem previamente a realização de manifestações. Eu sempre fico pensando se ainda não estaríamos sob o regime feudal se os revolucionários franceses tivessem seguido essa regra à risca.  Aliás, sob essa ótica do capitalismo sem conflitos de classe, nem a Revolução Bolchevique teria ocorrido em 1917, e provavelmente a família imperial russa ainda estaria no poder.

Por essas e outras é que o Brasil, sob o governo do neoPT, cada vez mais se parece com aquela fazenda inglesa da obra “Revolução dos Bichos” de George Orwell, principalmente nas páginas finais quando descobrimos que não é mais possível separar os humanos dos porcos (no caso em tela o neopetistas dos tucanos).

Agora dizer que vai apurar todos os crimes sendo cometidos pelas forças policiais dentro das manifestações que vem ocorrendo desde junho que é bom, nada!