Observatório dos Agrotóxicos: na surdina, Ministério da Agricultura passa a controlar exclusivamente o registro de agrotóxicos

Enquanto a população brasileira está sendo distraída pelo show de horrores que está acontecendo no Congresso Nacional em meio à PECda Blindagem e a anistia para os golpistas frustrados de janeiro de 2023, o Ministério da Agricultura, segundo o que foi aprovado no Pacote do Veneno, se tornou a porta exclusiva para os pedidos de registros de novos (velhos) agrotóxicos no Brasil.

É que entrou em vigor na última segunda feira (15.set.2025), as regras apontadas no ATO Nº 40, DE 1º DE SETEMBRO DE 2025 que determinam que todos os pedidos de registro de novos agrotóxicos devem ser protocolados exclusivamente no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).   Com isso, os protocolos que tenham sido enviados diretamente à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ou ao Ibama  não serão mais considerados válidos, como acontecia antes da promulgação do Pacote do Veneno.

Ainda que com a análise técnica dos pedidos continuará sendo tripartite, envolvendo também a Anvisa, responsável pela área de saúde, e o Ibama, que avalia os impactos ambientais, na prática isso será apenas consultivo, já que caberá ao MAPA que serve primariamente aos interesses do latifúndio agro-exportador e dos fabricantes de venenos agrícolas.

É aquela velha história, o que é ruim sempre pode piorar. Como venho acompanhando mais de perto a questão dos registros de novos agrotóxicos desde 2019 e disponibilizando as informações via o Observatório dos Agrotóxicos, considero que essa mudança trará prejuízos consideráveis à capacidade de controle, que já era baixa, dos impactos ambientais e sobre a saúde humana de uma grande quantidade de substâncias que são sabidamente causadoras de uma série de alterações significativas nos fluxos ambientais, e que acabam atingindo a população brasileira.

A verdade é que com o Pacote do Veneno sendo aplicada na prática, o papel tanto da Anvisa como do Ibama serão meramente decorativos, já que o poder decisório estará totalmente concentrado no MAPA. Assim, poderemos esperar a ampliação do quadro de doenças que já está sendo detectado em todo o território nacional, quadro esse resultante da contaminação das fontes de abastecimento e alimentos.

Considerado particularmente preocupante a falta de dados recentes sobre a contaminação por agrotóxicos da água de abastecimento e dos alimentos que estão sendo consumidos diariamente pelos brasileiros.  Em ambos os casos, a obrigação do governo Lula seria garantir não apenas a ampliação da coleta de dados, mas também da divulgação expedita dos resultados. Mas não é o que está se vendo, e estamos basicamente em um voo cego no que se refere ao processo de contaminação.

A situação é complicada pelo baixo nível de investimento feito nas universidades públicas onde são feitas as pesquisas sobre o processo de contaminação por agrotóxicos. O pior é que as pesquisas que ainda possuem financiamento sempre trazem notícias alarmantes sobre a contaminação em ampla escala de solos, água, alimentos, e até da chuva.  

 

MAPA com indicações de cargos ditadas pela Frente Parlamentar da Agricultura segue sendo um ministério bolsonarista

fpa

Graças à intervenção poderosa da FPA, o MAPA continua sendo bolsonarista no governo Lula

Muita gente me pergunta como é possível que o governo Lula continue aplicando a mesma política de aprovação de agrotóxicos desenvolvida pela equipe de Jair Bolsonaro.  A resposta mais simples é que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) tem no seu comando o senador ruralista Carlos Fávaro (PSD/MT) que possui vínculos com Aprosoja que foi um dos principais sustentáculos do governo Bolsonaro nas entidades de classe dos ruralistas.

Entretanto, o buraco parece ser mais embaixo já que obtive informações que cargos importantes no MAPA são de indicação direta da chamada Frente Parlamentar da Agricultura (FPA) que teria conseguido, entre outros coisas, promover ao cargo de Secretário de Defesa Agropecuária do MAPA, o diretor da área responsável pela coordenação da área de avaliação de agrotóxicos do MAPA. Com isso, não é nenhuma surpresa que tenhamos tido a promulgação das portarias 02 e 03 que flexibilizaram ainda mais o processo de liberação de agrotóxicos no Brasil. 

Na prática, o que alguns observadores de indicações políticas feitas no governo Lula, mas especial no MAPA, é que quadros indicados pelo Bolsonarismo não apenas foram mantidos, mas, também, promovidos dentro da equipe ministerial do presidente Lula.

Alguns poderão dizer que esse tipo de procedimento é um dos custos da governabilidade, na medida em que a FPA saiu fortalecida nas eleições realizadas em 2022, não restando assim outra alternativa senão entregar a ela o controle da indicações de cargos importantes.

Particularmente não compro a tese da necessidade de se garantir a governabilidade. É que nos mandatos anteriores,  Lula já estabeleceu vínculos claros com o chamado agronegócio, ainda que isso jamais tenha lhe garantido alguma garantia de gratidão política. Tanto isso é verdade que o agronegócio foi um dos garantidores o gole parlamentar que tirou a presidente Dilma Rousseff da presidência da república.

Lamentavelmente tudo indica que essa hegemonia da FPA no MAPA vai resultar em ainda mais desmatamento na Amzônia e no Cerrado, e liberações de agrotóxicos altamente perigosos.  Para faze fremte a essa situação só resta apostar na ação organizada dos movimentos socais, comunidade científica e da população.  Do contrário, a boiada irá continuar passando.

Plano Diretor de São João com problemas nos mapas. Pode isso, Jaime Lerner?

SJB - Novo PD - Zoneamento -questão

Escrevi faz algum tempo aqui neste blog que um dos caminhos para se entender os interesses efetivamente em jogo na aprovação do Plano Diretor Municipal de São João da Barra seria analisar o mapa que norteia o futuro ordenamento territorial municipal (Aqui!)

Pois bem, ao ler a postagem abaixo no blog do Arnaldo Neto, fiquei abismado justamente com a causa apontada pelos vereadores, inclusive o vereador Kaká (PT do B) que hoje é apontado como o homem forte do prefeito Neco no legislativo sanjoanense, para se pedir mais um dia para apreciar o projeto nº 008/2015, que institui o novo Plano Diretor de São João da Barra; A razão é tão simples quanto estranha: os mapas que constam no projeto enviado à Câmara não coincidem com os disponibilizados no site da Prefeitura! 

Se isso for mesmo verdade, todo o processo está comprometido desde o seu início, visto que esses mapas são a consumação do que é determinado na parte textual da lei sendo proposta. Em suma: uma coisa não pode ser diferente da outra.

A explicação mais simples para isso é a pressa, inimiga eterna da perfeição. Mas outras explicações podem existir, e obrigam, em tese, que a Câmara Municipal exija explicações pelas vias judiciais, caso seja necessário, sobre a causa de tais discrepâncias.

Mas, cá entre nós, que essa história está estranha, está! Se fosse um desfile de escola de samba, eu diria que alguém faltou ao ensaio!

Com a palavra, o Prefeito Neco e o Secretário Municipal de Planejamento, Sidney Salgado. A ver!

Vereadores pedem para adiar, por um dia, apreciação do Plano Diretor em SJB

sessão dia 28 (1)

O vereador Kaká (PT do B) solicitou ao plenário que deixasse a apresentação de uma emenda e a apreciação do projeto de lei nº 008/2015, que institui o novo Plano Diretor do município, para a sessão desta quarta-feira (29). O requerimento foi feito na sessão da Câmara de SJB. A apreciação do projeto dentro do pedido de urgência estipulado pelo prefeito Neco (PMDB) deveria acontecer na sessão desta terça (28). O Legislativo pediu um prazo de mais 60 dias para analisar o projeto (aqui), mas o pedido foi negado pelo Executivo, que acionou a Justiça (aqui) para conseguir um mandado de segurança preventivo, no entanto, o juiz não concedeu a liminar e ainda pedi para ouvir (aqui) a Câmara. A expectativa do Legislativo ainda é dilatar o prazo para apreciação.

Segundo Kaká, a matéria é de alta complexidade e, após reuniões com técnicos da Prefeitura e da Câmara, os vereadores resolveram propor uma emenda substitutiva do mapa geográfico a fim de melhorar a identificação das áreas. O vereador Ronaldo Gomes (Pros) debateu que seria interessante um prazo maior para que a Câmara pudesse realizar uma audiência pública para mostrar à população as tais mudanças. Segundo fontes ligadas ao Legislativo, os mapas que constam no projeto enviado à Câmara não coincidem com os disponibilizados no site da Prefeitura (aqui).

Outro ponto de divergência seria sobre a determinação dos trechos urbanos e rurais, principalmente em parte da localidade de Degredo, no 5º distrito sanjoanense, onde ao lado esquerdo da BR 356 (para quem segue de SJB para Campos) seria território urbano e o lado direito de uso rural. Vereadores devem pedir a mudança para que toda localidade seja de uso urbano.

Kaká lembrou que o prazo de tramitação do projeto de lei se encerraria nesta terça, por estar sob o regime de urgência. Franquis Arêas ressaltou que a Prefeitura realizou várias audiências públicas nos distritos e que a população já participou expondo sua reivindicação. Ronaldo cobra que a Câmara tenha tempo para realizar uma audiência pública.

Com informações da Ascom/Câmara SJB

FONTE: http://fmanha.com.br/blogs/arnaldoneto/2015/04/28/vereadores-pedem-para-adiar-por-um-dia-apreciacao-do-plano-diretor-em-sjb/

Mapeamento de Violações de Direitos em Territórios de UPPs

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Este mapeamento é uma Iniciativa de um morador de Manguinhos,que participa de espaços e de movimentos sociais/comunitários quem tem dentro de seu campo de atuação/incidência o campo dos Direitos Humanos.

Esta ferramenta visa construir um compartilhamento das violações de direitos realizados pelo ESTADO,nos territórios de UPPS,em especial com as juventudes negras.

A idéia de construção deste mapeamento também surgiu com a finalidade de gerar informações com o olhar de quem sofre as violações e também contrapor as informações da grande mídia.

O mapeamento é uma ferramenta de comunicação comunitária.

Ver todos os objetos no mapa  http://maps.mootiro.org/project/360/map

FONTE: http://maps.mootiro.org/project/360