Pedagogia invertida: os estudantes ensinam o caminho a seguir

Não tenho dedicado o merecido espaço ao processo de ocupação de escolas e prédios públicos por estudantes que se mobilizam para defender a escola pública e para exigir a apuração de crimes cometidos por ocupantes de cargos públicos como no caso lapidar do escândalo da máfia que atuava roubando merenda escolar em São Paulo.

O movimento dos estudantes começou ocupando escolas em São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e ameaça se espalhar por todo o Brasil. Aliás, há notícias que o movimento de ocupação de escolas já atingiu até o Paraguai.

Este movimento de base está sendo duramente reprimido pelos governos estaduais, e o maior exemplo da truculência governamental tinha que estar ocorrendo no “tucanistão” sob a batuta de José Geraldo Alckmin (PSDB). Entretanto, quanto mais repressão ocorre, maior parece ser a disposição dos estudantes de exigir que a educação pública seja gratuita e de qualidade, e que sejam punidos os que se locupletam de diversas formas das verbas que deveriam estar sendo investidas em prol da qualidade do ensino.

Há que se observar que este movimento dos estudantes tem características autônomas, ainda que eventualmente as organizações estudantis tradicionais apareçam, até tardiamente, para emprestar o necessário apoio. 

Essa situação que se assemelha muito ao que aconteceu na Espanha e acontece agora na França é um daqueles elementos que fogem ao controle dos partidos tradicionais, seja de direita ou de esquerda, e expressa um profundo inconformismo com o estado de coisas que prevalece no plano da política partidária tradicional. Esse inconformismo é uma espécie de imponderável que poderá causar um desarranjo profundo na transição conservadora e golpista que as elites estão levando a cabo em Brasília. 

E na parte que me cabe, expresso meu total e irrestrito apoio aos estudantes que lutam em defesa da educação pública, gratuita e democrática.  E não faço nada mais do que a minha obrigação de agradecer a quem me enche de esperança num momento tão pleno de desesperanças. 

PSDB, uma nau de vestais nada vestais

doria

A iminência de que o impechment (pode chamar de golpe parlamentar) da presidente Dilma Rousseff é quase uma certeza, vemos novos escândalos envolvendo o PSDB (principal parceiro do PMDB na empreitada de impor um presidente pela via indireta).

A mais nova revelação de tucano enfiado em coisas esquisitas é o do Sr. João Dória, candidato tucano à prefeitura de São Paulo, que foi pego com uma conta offshore no escândalo conhecido como “Panama Papers” (Aqui!). Mas em São Paulo temos ainda o escândalo da máfia das merendas cuja comissão parlamentar de inquérito (CPI) continua paralisada na Alesp.

O elemento mais singular de todo esse suposto processo de combate à corrupção que foi utilizado como argumento para desgastar o PT e a presidente Dilma Rousseff foi de que o partido era corrupto e ela era, no mínimo, cúmplice.

Quando o caso é com o caso é com o PSDB, os meios que esperneiam contra o PT se calam ou, pior, continuam jogando a culpa em Lula et caterva.  A impressão que fica é que as elites e a classe média não sou contra a corrupção como um todo. Elas são apenas contra a corrupção que foi cometida por outros, já que a delas parece ser um direito divino.