O explosivo desmatamento na Amazônia brasileira e suas múltiplas consequências sociais e ambientais

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Jim Wickens/Ecostorm

Graças ao jornalista Maurício Tuffani do “Direto da Ciência” tive acesso a uma matéria assinada pelo jornalista Jamil Chade para o jornal “O ESTADO DE SÃO PAULO” sobre declarações estapafúrdias proferidas pelo ecretário-executivo do Ministério da Agricultura, Eumar Novacki que classificou os aportes da Noruega em torno de US$ 1 bilhão para proteção da Amazônia brasileira como “migalhas” (Aqui!).  Além disso, Novacki ainda emitiu os costumeiros lugares comuns sobre o esforço que o Brasil estaria fazendo para preservar suas florestas.

Antes que eu me concentre no que realmente importa, não me surpreende que o governo “de facto” de Michel Temer contenha personagens tão truculentos quão desinformados como Eumar Novacki. Aliás, essa é a essência de qualquer governo originado por golpes de Estado, e o de Michel Temer não teria como ser exceção.

Agora, se Eumer Novacki tivesse se dado ao trabalho de ler a edição 1141 da “insuspeita” revista Exame teria visto que a matéria mostrada na capa, e que é assinada pelas jornalistas Ana Luíza Herzog e Renata Vieira, era justamente uma que mostra os gravísssimos riscos que hoje ameaçam a floresta amazônica brasileira (para os interessados em ler a matéria na íntegra basta clicar (Aqui!)

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Os números e tendências mostrados na matéria são alarmantes, pois mostram um forte reaquecimento das taxas de desmatamento anuais, com um aumento de 60% entre 2014 e 2016. Mais mais importante do que as taxas anuais é o espalhamento das áreas de remoção de floresta nativa que agora estão atingindo regiões previamente intocadas, o que sugiro um forte agravamento do problema (ver figuras abaixo).

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Mas outras informações trazidas pela matéria são igualmente alarmantes sobre a situação do desmatamento na Amazônia.  Por exemplo:

desmata

 Um aspecto que é elucidado na matéria é a relação direta que existe entre o aumento do desmatamento e o da produção agrícola (ver figura abaixo).  Esa associação não apenas desmente a propaganda disseminada por entidades ligadas ao latifúndio agro-exportador em termos das causas do aumento do total produzido, como também levanta elementos de risco para o futuro das exportações brasileiras de commodities agrícolas.

desmatamento

Mas esse boom no desmatamento amazônico também custos sociais graves e os seguidos massacres de trabalhadores rurais sem terra e indígenas que estão ocorrendo neste momento são apenas uma das facetas mais evidentes. É que ao se facilitar o avanço do desmatameto, não raramente com a intervenção direta das forças policiais em prol do latifúndio, centenas de comunidades estão sob o risco de desaparecer por estarem no caminho do avanço do desmatamento e de todas as atividades que precedem e se seguem à eliminação das florestas.

A relação macabra entre o avanço do desmatamento e o aumento da violência está expressa nos resultados divulgados no dia de hoje pela organização não governamental Global Witness que colocou o Brasil como líder mundial no assassinato de ativistas pró-ambiente com um total de 46 mortes (Aqui!)

Como já publiquei diversos artigos científicos sobre as causas do desmatamento na Amazônico, vejo o atual momento como extremamente grave. É que temos uma combinação muito ruim de personagens dentro do governo federal. Por um lado, o latifundiário sojeiro Blairo Maggi controla o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), enquanto o inexpressivo Zequinha Sarney está à frente do Ministério do Meio Ambiente. De quebra, o presidente “de facto” Michel Temer, atolado em graves denúncias de corrupção, está cada vez mais dependente do suporte político da bancada ruralista no congresso nacional. Essa conjunção de forças aponta para a possibilidade de que o processo de desmatamento ainda irá se agravar ao longo dos próximos anos. Se isto se confirmar, as consequências também serão desastrosas em termos das alterações climáticas e para o regime de vazão dos principais rios amazônicos (os quais já estão sendo impactdos por uma malha cada vez maior de hidrelétricas). 

A recente promulgação pelo presidente “de facto” Michel Temer da Medida Provisória (MP) 759/2016, conhecida como “MP da Grilagem”, que estabelece a regularização fundiária e promove alterações estruturais em legislações do campo e da cidade (Aqui!) é uma clara demonstração da força do latifúndio agro-exportador, e um prenúncio de vem mais desmatamento por aí. 

Em suma, o cenário na Amazônia brasileira está mais ou menos como o da conjuntura política: ruim, com tendências a piorar.

 

A vitória da contra-reforma trabalhista do governo Temer e seus significados para a luta de classes no Brasil

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A aprovação por maioria folgada da contra-reforma trabalhista imposto pelo governo “de facto” de Michel Temer expressa a falência completa das relações de cooperação que alicerçaram a chamada Nova República, e também deverá abrir um período de forte recrudescimento na luta de classes no Brasil.  A verdade é que a classe trabalhadora rapidamente perceberá a gravidade dos ataques que foram desfechados contra direitos duramente acumulados ao longo de quase 100 anos, e que agora são retirados de forma até fácil pelos representantes do capital no congresso nacional.

O fato que a contra-reforma trabalhista passou por 50 votos favoráveis contra apenas 26 contrários não significa que não haverá resistência assim que todas as regressões que ela contém ficaram claras para os trabalhadores.  Nem mesmo o ambiente de profunda recessão que marca o Brasil neste momento deverá deter o agravamento dos conflitos entre capital e trabalho.  É que as regras aprovadas e que mutilam mais de 100 dispositivos de proteção aos trabalhadores estão colocando o Brasil em patamares similares ou até piores com o que é praticado em países onde as relações trabalhistas são consideradas as mais atrasadas do planeta.  

Mas é preciso que fique claro que os partidos que aprovaram com tamanha facilidade este profundo ataque aos trabalhadores e à juventude tiveram ajuda de setores que se apresentam como sendo de esquerda.  Como explicar de outra forma a apatia que marcou o dia de hoje entre as principais centrais brasileiras senão uma adesão muda aos ataques? Onde estavam as multidões de trabalhadores que poderiam ter pressionado os senadores a não consumarem este ataque tão profundo aos seus direitos? Provavelmente paralisadas em frente dos aparelhos de TV, enquanto suas direções se faziam de mortas para não terem que oferecer algum tipo de explicação sobre suas próprias responsabilidades sobre o que estava acontecendo.

Venhamos e convenhamos, o fato é que esta derrota foi desenhada desde o momento em que se deu o golpe parlamentar contra a presidente Dilma Rousseff e os partidos, movimentos sociais e sindicatos simplesmente engoliram a seco a pilula amarga do respeito à ordem democrática, que nada tem de ordem ou ainda menos de democrática.

Além disso, ao invés de se preparar o enfrentamento político aos ataques montados por um presidente que chafurda na lama das denúncias de que é um corrupto contumaz, o que se viu foi a aposta numa agenda eleitoral centrada na figura do ex-presidente Lula que nos obriga a esperar por 2018, como se as regressões que estão ocorrendo sejam sanáveis pela via eleitoral.  Essa aposta numa saída eleitoral é provavelmente um dos muitos erros que foram cometidos pela chamada esquerda institucional, os quais desembocaram na aprovação dessa contra-reforma trabalhista de tons para lá de draconianos.

De toda forma,  essa derrota conjutural tem tudo para recolocar a luta de classes no Brasil num patamar muito avançado. E nessa conjuntura que se abre é quase certo que não haverá espaço para quem tente vender a ideia de que as coisas vão se ajeitar via políticas de colaboração de classe.  Se isto acontecer, pelo menos a derrota de hoje terá começado a valer a pena.  Mas uma coisa é certa: ao apostar na semeadura de ventos, a burguesia brasileira poderá colher imensas tempestades. A ver!

NOTÍCIAS DA ADUENF: Uenf adere à greve geral e fará marcha até o centro de Campos dos Goytacazes

UENF adere à greve geral e realiza caminhada unitária até o centro de Campos

uenf

O campus da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) amanheceu virtualmente paralisada em função da adesão de seus professores e técnicos ao dia de greve geral de protesto contra as reformas do governo de Michel Temer.  A paralisação também representa um protesto contra o projeto de destruição imposto pelo governo do Rio de Janeiro que ainda não pagou bolsas e salários referentes ao mês de Abril, e  também não vem entregando as verbas de custeio para as atividades essenciais da Uenf desde Outubro de 2015.

A partir das 14:30 ocorrerá uma aglomeração da comunidade universitária da Uenf e de outras instituições de ensino superior no portão principal do campus Leonel Brizola para que seja realizada uma marcha até o centro da cidade de Campos dos Goytacazes onde será realizada um ato político que reunirá categorias profissionais que estão participando das manifestações deste dia de greve geral.

Os temas da marcha “Não tá normal!” e #Eudefendo a Uenf!

A diretoria da ADUENF convoca a todos que apoiam a Uenf que apoiem esta ação de defesa da universidade.

Fora Temer! Fora Pezão!

DIRETORIA DA ADUENF
Gestão Resistência & Luta

FONTE:  http://aduenf.blogspot.com.br/2017/06/uenf-adere-greve-geral-e-realiza.html

Greve geral em andamento, mas fora das manchetes da mídia corporativa

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O dia de “Greve Geral” convocado pelas centrais sindicais e movimentos sociais está causando embaraços reais nas principais cidades e capitais brasileiras, mas não estão ganhando o devido espaço na mídia corporativa.  Parece que os donos dos veículos de mídia insistem na tecla do que aquilo que eles não mostram, não existe.

Mas como o monopólio da informação já foi abalado faz tempo pela forma mais fluída e rápida de disseminação da informação que as redes sociais oferecem, as imagens indicam uma mobilização massiva em várias partes do Brasil. E isso apesar do corpo mole das centrais sindicais que convocaram, mas não trabalharam com devido afinco pela greve geral. 

O fato é que o presidente “de facto” Michel Temer e seus satélites que comandam a destruição de direitos sociais nos governos estaduais estão recebendo hoje mais uma sinalização da profunda oposição que a população brasileira tem por suas medidas de destruição de direitos e garantias sociais.

Abaixo cenas deste dia de mobilização em diferentes partes do Brasil.

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Para os que desejarem ter informações em tempo real das mobilizações do dia de hoje, sugiro os sites abaixo:

https://www.brasildefato.com.br/

http://www.esquerdadiario.com.br/

https://www.brasil247.com/

E antes que me esqueça: Fora Temer, Fora Pezão!

NOTÍCIAS DA ADUENF: Professores da Uenf aderem à greve geral

Assembleia dos professores da Uenf aprova adesão à greve geral do dia 30 de Junho

Reunidos primariamente para discutir a grave situação financeira que afeta a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e que vem inclusive comprometendo o pagamento de salários e bolsas acadêmicas, os professores decidiram aderir à greve geral que está sendo convocado nacionalmente contra as contrarreformas que afetam direitos trabalhistas e previdenciários.

Com isto serão paralisadas todas as atividades acadêmicas durante toda a sexta-feira (30/06).  Para participar da manifestação que ocorrerá a partir das 15 horas na Praça São Salvador no centro de Campos dos Goytacazes, Os professores também decidiram que irão se aglomerar a partir das 14:30 na entrada principal do campus Leonel Brizola para partir em direção ao local da manifestação.

É importante lembrar que no caso da Uenf os servidores técnico-administrativos também já aderiram à greve geral, o que demonstra que a unidade de todos os servidores está se dando na prática.

Todo apoio à greve geral! Fora Temer, Fora Pezão!

DIRETORIA DA ADUENF

Gestão Resistência & Luta

FONTE: http://aduenf.blogspot.com.br/2017/06/assembleia-dos-professores-aprova.html

 

Uma imagem que mostra bem quem nos (des) governa

Recebi a imagem abaixo que mostra em que tipo de problemas estão metidos aqueles que foram ontem apoiar o ainda presidente “de facto”  Michel Temer em seu pronunciamento contra seu indiciador e seu indiciamento por crimes de corrupção pelo procurador geral da República, Rodrigo Janot.

folha comentada

A amplitude dos problemas a que cada um dos sleecionados na imagem revela muito bem o tipo de elite política que o Brasil possui no seu comando neste momento.   É que tendo derrubado uma presidente eleita sob a alegação de “pedaladas fiscais”, o que se vê quando o grupo é olhado de mais perto vai muito além de impropriedades na gestão de recursos públicos, muito além.

Mas não podemos ignorar que Michel Temer não chegou ao poder por obra de Deus como ele sugeriu, mas de uma complexa política de colaboração de classes, liderada pelo ex-presidente Lula e o PT.  Assim, não há como deixar de observar que qualquer ilusão de que num futuro governo Lula esta visão de aliança será abandonada é fútil. Mesmo porque até hoje não se viu uma reflexão crítica acerca das opções que foram feitas e que nos levaram à condição desastrosa em que nos encontramos neste momento.

Mais importante de que sonhar com a volta de um passado que não foi assim tão glorioso é construir estruturas organizativas que nos permitam ir além do que temos mostrado na patética imagem de Temer e os que ainda conseguem se mostrar em público ao seu lado.

A inação frente a esta tarefa urgente coloca o risco de vermos em 2018 outra eleição em que as políticas contra a classe trabalhadora e os mais pobres serão ungidas nas urnas, pois quando não há alternativa viável, o que se vê é a permanência do que existe.  Mesmo que isto seja representado pelo PMDB e seus aliados.

A denúncia de Rodrigo Janot desvela um presidente e ministros nada acima de suspeitas

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A esperada bomba atômica que era esperada para hoje foi efetivamente lançada pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente “de facto” Michel Temer foi efetivamente lançada, mas uma leitura preliminar do documento aponta que os piores temores do PMDB foram confirmados.

É que a denúncia de Rodrigo Janot não ficou apenas circunscrita a Michel Temer e o hoje deputado suplente Rodrigo Rocha Loures, mas atinge figuras de proa do ministério de “notáveis” que tomou o poder, digamos, de assalto após o impeachment da presidente Dilma Rousseff. A denúncia aponta para o envolvimento direto de Wellington Moreira Franco e Eliseu Padilha, dois dos ministros mais poderosos de Temer.

Entre os crimes arrolados por Janot se encontram  a prática de crime de corrupção
em coautoria, o que segundo o procurador geral impediu a separação das responsabilidades.

Um dos pontos mais espinhosos que aparecem na denúncia se refere à aludida ligação de Michel Temer com a  Rodrimar S/A  Transportes, Equipamentos e Armazéns Gerais e do malfadado “decreto dos portos” que beneficiaria diretamente a empresa com forte atuação no Porto de Santos (SP).

Dada a magnitude da denúncia e dos nomes arrolados por Rodrigo Janot, é bem provável que a volatilidade política aumente no Brasil nas próximas horas e dias, o que poderá ainda ser agravado se a greve geral marcada para o dia 30/06 tiver um alcance semelhante à anterior.

Para os interessados, o completo teor da denúncia  pode ser acessado Aqui!

Prefeito Rafael Diniz prossegue no célere desmanche de políticas sociais para os mais pobres

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Funcionários e usuários do restaurante popular “Romilton Bárbara” que será fechado até o estabelecimento de uma parceira público-privada pelo prefeito Rafael Diniz.

Confesso que quando comecei a ouvir um certo “buzz” nas redes sociais sobre o fechamento do restaurante popular Romilton Bárbara pela gestão do prefeito Rafael Diniz, eu não acreditei e não repercuti qualquer menção a esta ação de desmanche da precária rede de seguridade social existente em Campos dos Goytacazes.  

É que me pareceu muita insensibilidade e até um pendor exagerado de brincar com o perigo, o prefeito Rafael Diniz na semana aumentar o preço da passagem social,  congelar para precarizar o Cheque Cidadão, e ainda por cima fechar o restaurante popular.

Mas ao acessar o jornal “Terceira Via” acabo de descobrir que além das medidas aprovadas na Cãmara Municipal,  o prefeito Rafael Diniz irá efetivamente fechar o único acesso  diário a alimentos que muitos pobres desta cidade possuíram por vários anos (Aqui!).

restaurante popular

Considero este fechamento não apenas absurdo, mas também um fator que deverá elevar as tensões sociais, que já não são pequenas, já que muita gente vai começar a passar fome. 

Ao ler a nota expedida Superintendência de Comunicação Social da Prefeitura Municipal de Campos Goytacazes aos jornalistas do “Terceira Via”, não posso deixar de sublinhar algumas pérolas que estão ali contidas:

“Devido a um rombo encontrado nos cofres do município, deixado pelo governo passado, como já é de conhecimento público, a atual gestão vem tomando medidas que visam reduzir o déficit de R$ 35 milhões mensais. Readequações financeiras seguem sendo feitas, como o corte de mais de 500 cargos comissionados, revisão de contratos, redução de despesas e cortes em todos os setores. Se o déficit encontrado no início do ano chegou a ser de R$ 50 milhões, hoje, por conta de tais medidas, gira em torno dos R$ 35 milhões, mas as contas da prefeitura seguem fechando no vermelho.
É importante destacar que não havia previsão orçamentária e muito menos um critério técnico de assistência social, pois o valor de R$ 1 é único para todos, o que não prioriza as pessoas que realmente necessitam deste serviço. Sendo assim, após avaliações técnicas e criteriosas, foi detectada a necessidade da suspensão para avaliação de um novo modelo dos serviços prestados pelo Restaurante Popular, já que anteriormente não havia sido realizado estudo de impacto orçamentário para que o município pudesse arcar com este custo. Porém, a prefeitura já está revendo as questões orçamentárias, buscando parceiras público-privado, como já vem sendo feito em diversos segmentos desde o início do ano, como foi no Verão do Farol, a ajuda ao projeto Orquestrando a Vida, tal como em diversas outras ações, e reavaliando os critérios para que possa dar continuidade ao projeto do Restaurante Popular.”

Ao ler essa nota, eu me pergunto se o prefeito Rafael Diniz já se deu ao trabalho de sequer passar em frente do restaurante popular para ver o tipo de público que o frequenta.   Além disso, quem terá o sido o “gênio” que decidiu que, enquanto não se chega a um “novo modelo”  baseado aparentemente nas parcerias “público-privado”,  os pobres não precisam ter acesso à comida!?  

Diante de tamanha insensibilidade com a realidade social existente no município, só posso apontar para o inescapável fato de que a gestão do prefeito Rafael Diniz  está executando em Campos dos Goytacazes a mesma política de extermínio das políticas sociais voltadas para os pobres que  o presidente “de facto” Michel Temer e o (des) governador Pezão já vem aplicando nos planos federal e estadual.   Algo na linha, Temer é Pezão, Pezão é Diniz! 

Como aparentemente a minha sugestão de leitura do “Como morrem os pobres” de George Orwell não chegou ao prefeito Rafael Diniz, agora ofereço a trilha sonora que mais parece compatível com o que ele está fazendo contra os pobres deste município neste momento.  

 

Para resolver a crise que aí está, realizar eleições diretas para presidente é muito pouco

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O Brasil vive hoje o resultado de duas graves crises: a econômica e a política. Entre os resultados mais visíveis desta combinação estão os mais de 14 milhões de brasileiros desempregados que ainda têm de conviver com contra-reformas altamente impopulares que visam dificultar ainda mais o seu retorno ao mercado de trabalho.

Enquanto a crise se agrava, setores da burguesia se enfrentam para tentar escolher o melhor timoneiro presidencial para continuar com a agenda ultraneoliberal que Michel Temer abraçou e não tem mais condições de aplicar de forma eficiente. O resultado desse enfrentamento é a sucessão de proto candidatos biônicos que são lançados e removidos sem qualquer compromisso com a vontade da maioria da população.

Do lado do que se pode rotular de oposição, a situação também não é muito animadora. O Partido dos Trabalhadores (PT), principal partido da oposição e onde está abrigado o  maior líder político brasileiro, o ex-presidente brasileiro, oscila entre aceitar o jogo podre que a burguesia oferece dentro dos limites institucionais e partir para uma plataforma de mudanças controladas para que tudo acabe bem numa eleição em 2018. A mesma sina parece ser seguida pelos sindicatos e movimentos sociais ligados umbilicalmente ao PT ou simplesmente à Lula.

Já uma parte minoritária da esquerda apresenta uma plataforma mais avançada de descolamento das políticas neoliberais, mas oferece como limite a bandeira das “Diretas Já”,  pois falta a partidos como o PSOL não só a musculatura políticas para ir além, mas como também uma plataforma política que escape aos limites institucionais.

Pessoalmente simpatizo com a bandeira das “Diretas Já”, mas acho que sozinha ela serve apenas para que haja mais uma transição conservadora no Brasil cujo resultado será a devastação dos parcos direitos sociais e trabalhistas que vão restar após a débâcle que os anos de Dilma Rousseff e Michel Temer combinados resultou nas condições de vida da maioria da população.  É que ninguém pode esquecer que uma das razões pelas quais Dilma Rousseff caiu foi o abandono do seu programa eleitoral em prol das medidas formuladas e aplicadas por Joaquim Levy que mais pareciam ter sido gestadas pelo comitê de campanha do hoje desgraçado quase ex-senador tucano Aécio Neves.

Assim, para caminharmos para além do que a burguesia brasileira vai querer tolerar é preciso agregar outras bandeiras à das “Diretas Já”, incluindo a eleição de uma assembleia nacional constituinte, e isso apenas para começo de conversa. Do contrário, vai ser aquilo que o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, alcunhou de “mais do mesmo” (Aqui!).

O problema aqui é a esquerda, que eu chamo de “para além do PT”, precisa decidir arregaçar as mangas das camisas para ir onde está a maioria pobre do nosso povo e se conectar às suas demandas, mas também oferecer caminhos de saída que não impliquem apenas em reestabelecer um mínimo de condição de sobrevivência digna. Isso, depois da experiência com os anos de governos petistas, já está demonstrado que não é apenas insuficiente, mas sem qualquer saldo estrutural. Do contrário, o máximo que vamos conseguir são eleições diretas, o que será muito, mas muito pouco, para o tamanho da crise que aí está.

O paradoxo brasileiro: esquerda é quem quer eleições diretas

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Sob todos os ângulos que se possa olhar a atual crise política e econômica que coloca o Brasil à beira do caos, uma solução seria substituir um presidente “de facto” sobre o qual pesam grossas acusações de corrupção.  Mas paradoxalmente, a esquerda é quem assumiu a bandeira de eleições diretas para presidente. Enquanto isso, as forças de centro (seja isso lá o que for) e de direita tratam de buscar formas de manter Michel Temer ou algum outro presidente biônico para continuaro  processo de contra-reformas anti-populares que estão aplicando à revelia da vontade da maioria do povo brasileiro.

Esse aparente paradoxo serve para revelar o atraso democrático que caracteriza não apenas o Estado brasileiro, mas principalmente as elite econômicas que o controlam com mão de ferro. Um anônimo usuário da internet notou corretamente que os mesmos empresários que querem tirar direitos sociais, impedir que os trabalhadores possam sequer almoçar dignamente e, muito menos, se aposentar são os mesmos que jogam bilhões de reais nas mãos de políticos e partidos com o objetivo de corrompê-los e obter regalias.

Agora, há que se ressaltar o papel trágico que está sendo cumprido pela mídia corporativa cujo afã de proteger o presidente “de facto” Michel Temer só não é maior que sua disposição de esconder as demandas populares em prol de eleições presidenciais.  Isso ficou claro ontem quando uma grande multidão se reuniu na cidade do Rio de Janeiro para demandar eleições presidenciais. É que a grosso modo, essa manifestação só não ficou invisível porque as transmissões online trataram de mostrar seu tamanho e energia produzida. É como se ao esconder o fato, a mídia corporativa conseguirá deter o avanço da plataforma que a mesma expressa. Isso já aconteceu durante a campanha para as diretas na década de 1980, e é lamentável notar que três décadas depois, os barões da mídia não aprenderam a lição.

Por isso, essa paradoxal situação de termos, novamente, a esquerda propondo que se cumpra uma condição básica de qualquer democracia que se pretenda moderna, qual seja, a presença de um presidente eleito pelo voto da maioria dos eleitores de uma dada Nação.  

Finalmente, curioso notar que numa manifestação que supostamente reuniu mais de 100 mil pessoas, Copacabana não foi palco de nenhum ato de vandalismo ou violência. Bastou o Batalhão de Choque da PMERJ não estar lá para que tudo transcorresse de forma pacífica do início ao fim.  Por que será?