O mito do desenvolvimento econômico, uma obra extraordinária e ainda desconhecida

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Em 1974 em pleno exílio que lhe fora pelo imposto pelo regime militar de 1964 o economista publicou o livro “O mito de desenvolvimento econômico”. Ali Furtado estabeleceu as bases para que fosse feita uma ampla crítica do modelo subalterno de crescimento econômico abraçado e aprofundado pelos militares. Entretanto, quase meio século depois, o livro de Celso Furtado não apenas continua basicamente desconhecido, mas como suas elaborações quase proféticas permanecem desconsideradas tanto pela direita quanto pela esquerda.

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Mas essencialmente o que fez Celso Furtado nesta obra? Ele fez o que a intelectualidade dos tempos de “Currículo Lattes” e “Fatores de Impacto” não faz por preguiça intelectual. Ele utilizou um método de análise que lhe capacitou não apenas a olhar para dentro das engrenagens do Capitalismo, mas com de lá retirou uma análise aprofundada dos porquês da impossibilidade do modelo de crescimento dos países centrais ser universalizado no que ele chamou de periferia.

Entretanto, Celso Furtado inovou ao analisar os custos ambientais e sociais que a imitação (o que ele chamou de mimetização) dos padrões de acumulação e consumo existentes no centro do Capitalismo traria em termos de degradação ambiental e aprofundamento da concentração da renda e, por consequência, da desigualdade social em países como o Brasil.

Essa junção entre degradação ambiental e concentração da renda é hoje um dos aspectos mais notáveis da expansão das corporações transnacionais na periferia do Capitalismo, bem como os efeitos deletérios da transposição dos padrões de consumo que claramente já estão levando ao esgotamento de elementos fundamentais para a sobrevivência da espécie humana, a começar pela água.

Lamentavelmente não temos hoje qualquer debate sério sobre a produção de um modelo econômico divergente da simples imitação do que é praticado pelos países centrais. A isso se soma a total rendição do governo “de facto” de Michel Temer à lógica rentista que aprofunda a subordinação da economia brasileira aos piores aspectos da divisão internacional do trabalho vigente.  E também no campo daqueles que se dizem de esquerda não há o oferecimento de uma alternativas, já que a maioria dos partidos que estão dentro desse campo ideológico (a começar pelo PT) estão fortemente aferroados ao aspectos mais retrógrados que decorrem do mito do desenvolvimento. 

De toda forma, como o conteúdo desta obra de Celso Furtado continua objetivamente atual, caberá aos que querer escapar das armadilhas do mito que se ponham a refletir sobre as saídas que poderão ser adotadas para que não canhamos ainda mais fundo no precipício.