Terminal da Edison Chouest no Porto do Açu e suas promessas fabulosas de geração de empregos

Vista aérea do T2

A mídia corporativa regional e nacional estão trombeteando a aprovação de mais um financiamento público para o Porto do Açu e aproveitando a ocasião para anunciar a geração de milhares de novos empregos (Aqui!Aqui!Aqui!Aqui!).

Confesso que esperei um pouco para comentar sobre mais esse desembolso milionário no Porto do Açu por não ter identificado claramente quem iria bancar mais essa fatura de R$ 610 milhões. Agora, me parece que mais essa “bagatela” sairá dos cofres do tesouro nacional via a Secretaria Nacional dos Portos.  Só esse aspecto já merece um comentário inicial que é de como deve ser maravilhoso atuar num país que oferece dinheiro público subsidiado para empresas e fundos de investimentos que remeter quase todos os seus lucros para os países centrais onde suas sedes estão localizadas, nem sempre em prédios claramente identificados.

O outro elemento que me parece peculiar se refere à promessa de geração de novos empregos. Como em todos os casos anteriores que se referiam ao anúncio de investimentos públicos no Porto do Açu, a entrega de adicionais R$ 610 milhões é acompanhada pela promessa de, pelo menos, 26.100 empregos. Esse número é curioso porque não se explica onde eles aparecerão dentro do empreendimento ou fora dele. É que algumas matérias falam de empregos diretos e indiretos, sem explicar a diferença. Além disso, a menção é de que eles se materializarão na “região”, deixando propositalmente imprecisa a distribuição espacial onde os postos serão gerados. 

Acho particularmente estranho que um terminal portuário possa gerar milhares de novos empregos após iniciar seu funcionamento, já que o normal é que ocorra o oposto. Mas é provável que a imprecisão sobre localização e distribuição dos novos postos sirva exatamente apenas a um propósito: gerar expectativas exageradas de empregos para justificar o dispêndio de recursos públicos vultosos num período em que hospitais e escolas estão sendo fechados por falta de recursos.

Em meio a esse descompasso entre a propaganda e o que efetivamente poderá ocorrer, a imagem mais reveladora que encontrei é da própria cerimônia realizada no Palácio Guanabara para celebrar a aprovação do dispêndio em favor da Brasil Port Logística Offshore (subentenda-se Edson Chouest) e que vai logo abaixo.

pezao neco

Será que sou só que noto as face contritas do (des) governador Luiz Fernando Pezão e do ainda prefeito de São João da Barra, José Amaro Martins de Souza, popularmente conhecido como Neco? Para uma ocasião tão festiva seria de se esperar que os sorrisos estivessem presentes e aqueles famosos momentos de “olhos nos olhos” aparecessem em alegre profusão.  Mas não é isso o que se vê, o que não deixa de ser curioso.

O pior é que enquanto centenas de milhões são disponibilizados para o Porto do Açu, a vida de agricultores e pescadores que habitam o V Distrito de São João da Barra continua sendo marcada por grandes dificuldades. Erosão, salinização, fechamento de áreas de pesca e expropriação de terras são até agora as principais marcas do legado dos bilhões de dinheiro públicos que foram colocados no empreendimento iniciado pelo ex-bilionário Eike Batista, e que hoje é controlado pelos fundos internacionais EIG Global Partners e Mubadala.

E aqueles milhares de empregos que foram prometidos por Eike Batista? Obviamente ficaram muito aquém do prometido.  O pior é que não há qualquer garantia que a história não se repita com essa nova liberação para a Edson Chouest. Simples, mas tragicamente assim.

Mubadala, o investidor que engoliu o que sobrou do Império X

eike

A recente declaração de amor de Eike Batista aos fundos de investimento acaba de receber um pouco mais de luz após uma reportagem produzida pelo jornal O ESTADO DE SÃO PAULO e repercutida, como mostrado abaixo, pela Revista Exame.  Na verdade o que a matéria mostra é que esse acabou sendo um amor bandido, pois grande parte do que sobrou do Império X (e olha que não foi muito!), agora é diretamente controlado pelo fundo soberano Mubadala, um dos três mantidos pelo governo de Abu Dabi.

O mais interessante nesta matéria foi a citação de dois dos “investidores” do Mubadala, a General Eletric e a gestora americana Carlyle, o que na prática evidencia uma evidente desnacionalização de ativos que foram vitaminados com quantias significativas de dinheiro público, como no caso dos portos Sudeste e do Açu.

Aos adoradores de Eike Batista, felizmente em número bem mais minguado do que nos tempos áureos em que ele era um dos campeões nacionais do Neodesenvolvimentismo lulopetista, a pergunta que fica é a seguinte: é esse o tipo de “campeão” que o Brasil precisa? 

O fundo que controla o que restou do império X

Emirados Árabes: em março de 2012, estava assinado o cheque de US$ 2 bilhões

Mariana Sallowicz e Naiana Oscar, do Estadão Conteúdo

mubadala

Emirados Árabes: em março de 2012, estava assinado o cheque de US$ 2 bilhões

Rio e São Paulo – Desde que foi criado, em 2002, o mais novato dos três fundos soberanos do governo de Abu Dabi – o Mubadala – nunca teve um escritório fora do território árabe, embora esteja presente em 20 países, com US$ 48 bilhões em ativos.

O príncipe herdeiro Mohammed bin Zayed Al Nahyan, filho do fundador de Abu Dabi e presidente do conselho de administração do fundo, decidiu que os negócios seriam todos tocados de lá.

Até que um brasileiro cruzou seu caminho e o obrigou a mudar de planos.

Antes da derrocada, Eike Batista conseguiu convencer o Mubadala a investir em suas empresas.

As conversas começaram em 2011, duraram quase um ano, exigiram muitas idas do empresário e de representantes do governo brasileiro ao país mais rico dos Emirados Árabes e culminaram com uma visita do príncipe ao carnaval do Rio.

Em março de 2012, estava assinado o cheque de US$ 2 bilhões.

Não era pouco dinheiro, considerando que o fundo já registrou alguns prejuízos e, no ano passado, por exemplo, lucrou US$ 282 milhões – uma queda de 28% na comparação com 2013.

“O time do Mubadala ficou impressionado com a capacidade de Eike de gerar negócios, num momento em que o Brasil estava muito bem lá fora, e se interessou muito pelos ativos”, diz uma fonte que acompanhou a aproximação dos árabes com o empresário brasileiro.

“Eles chegaram a fazer uma avaliação gigantesca no grupo, que durou quase um ano.” Mas os números traíram os árabes. A começar pela petroleira OGX, os projetos de Eike Batista não deram os resultados prometidos e foram caindo um a um.

Renegociação

Com o risco cada vez mais real de perder o dinheiro investido, o Mubadala, que tem participações em empresas como a General Eletric e a gestora americana Carlyle, se apressou em mudar o acordo inicial, segundo o qual o fundo converteria o aporte em ações à medida que as empresas X começassem a entrar em operação e dar resultado.

Pelo que foi divulgado à época, os árabes teriam 5,6% das ações da holding de Eike. Como acionistas, numa situação de falência, seriam os últimos a recuperar o dinheiro – se recuperassem.

Por isso, em 2013, o príncipe sentou novamente à mesa com Eike Batista e o pressionou a mudar o contrato por meio de uma operação complexa, em que o investimento foi convertido em dívida e o Mubadala virou um dos principais credores do grupo X, com direito de ficar com alguns de seus principais ativos.

Hoje, o Mubadala controla a mineradora de ouro AUX, a empresa de entretenimento IMX, dona da marca Rock in Rio, e tem participação na Prumo Logística (antiga LLX). Mas é na Ilha da Madeira, no município fluminense de Itaguaí, que está seu ativo mais valioso no Brasil: o Porto Sudeste.

Ao lado da trading de origem holandesa Trafigura, o Mubadala detém 65% do terminal portuário privado, que já está pronto, à espera de licença para iniciar operação.

Para acompanhar de perto os negócios e recuperar o quanto for possível do investimento, Al Nahyan fez alguns de seus executivos trocarem o clima árido de Abu Dabi pelo calor úmido do Rio de Janeiro.

Desde o fim do ano passado, cerca de 20 executivos do Mubadala ocupam uma sala no segundo andar do Centro Empresarial Mourisco, em Botafogo, na zona sul do Rio.

É um escritório improvisado, alugado pelo sistema de coworking – em que o espaço é compartilhado com outras empresas.

Em nota, o fundo confirmou a informação e, sem dar detalhes, disse que “tem uma pequena equipe no Brasil gerindo ativamente o portfólio e interesses no País, tendo em vista a criação de valor a longo prazo”.

À frente da operação está o sueco Oscar Fahlgren, de 35 anos. Ex-executivo do JP Morgan em Londres, ele trabalha há cinco anos no Mubadala e é o braço direito de Hani Barhoush, responsável pela área de investimentos globais do fundo soberano.

De acordo com o fundo, uma “parte substancial do investimento inicial na EBX foi recuperada”.

Uma fonte próxima aos árabes disse que, por enquanto, novos investimentos na área de infraestrutura no País estão descartados.

Ainda que esse seja um bom momento para comprar ativos baratos no Brasil, o Mubadala está “fechando a torneira” em meio à queda do preço do barril de petróleo.

O fundo é um dos instrumentos do governo de Abu Dabi para investir a riqueza oriunda da atividade petroleira e diversificar a economia local.

“Se o Porto Sudeste funcionar bem, quem sabe eles tenham vontade de colocar mais dinheiro no Brasil”, diz Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). “Por enquanto, eles têm de se livrar dos problemas que herdaram do Eike.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/o-fundo-que-controla-o-que-restou-do-imperio-x

A volta de Eike Batista como prova de que cadeia no Brasil é coisa só para ladrão de galinhas

galinhas-ladrao-de-galinhas

O retorno de Eike Batista à cobertura da mídia é um daqueles casos exemplares de que o Brasil é um país onde a cadeia é feita apenas para ladrões de galinha. Mas na matéria abaixo publicada pela cambaleante Revista Veja, Eike Batista consegue se superar em muitos aspectos. O primeiro é que ele aparece para dizer que zerou suas dívidas e que está de volta aos negócios. Como assim zerou suas dívidas? E voltou a qual tipo de negócios?

Também achei interessante a declaração tardia de amor feita por Eike Batista indicando que fundos de private equity e fundos soberanos são preferíveis ao mercado de ações porque “ficam com você por dez anos”. Essa nova inclinação de Eike Batista parece ter resultado dos seus contatos com o EIG Global Partners (private equity) e o Mubadala (soberano).  Aqui a coisa beira o surreal, pois foi justamente para esses dois fundos que Eike teve que vender algumas jóias da sua coroa quando a coisa apertou. Exemplo maior disso é o Porto do Açu que tem esses dois fundos como controladores, ainda que o EIG Global Partners seja o dominante.

A pitada de sarcasmo Eike Batista reservou aos que indicam que o BNDES teve prejuízo com os empréstimos feitos ao Grupo EBX. O problema é que como cedo ou tarde haverá uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre os empréstimos feitos pelo BNDES aos “campeões nacionais” do neodesenvolvimentismo lulopetista, é bem possível que essa declaração ainda venha a assombrar Eike Batista num futuro não muito distante. A ver!

 

Eike diz ter zerado as dívidas e que está de volta aos negócios

‘Aos contribuintes, I’m sorry, não devo nada’, diz o empresário sobre empréstimos do BNDES

QUE PERSONAGEM – Eike, no auge: filhos com o nome de deuses nórdicos, recorde mundial em corrida de lancha apesar da asma e restaurante chinês para chamar de seu
QUE PERSONAGEM – Eike, no auge: filhos com o nome de deuses nórdicos, recorde mundial em corrida de lancha apesar da asma e restaurante chinês para chamar de seu( André Valentim/VEJA)

O empresário Eike Batista disse que não tem mais dívidas e que está de volta aos negócios, com projetos na área de biotecnologia. “I’m back. Eike Batista zerou a sua dívida. E eu tenho algum patrimônio para começar”, afirmou na noite de sexta-feira, no programa Mariana Godoy Entrevista, da Rede TV!. “Quer saber qual o tamanho do meu patrimônio? Sabe o que está escrito no manual de um Rolls-Royce, na potência do motor? ‘O suficiente.'” Eike não quis dar detalhes, mas explicou que não pretende mais levantar recursos financeiros para os seus projetos na bolsa de valores. “Fundos de private equity e fundos soberanos ficam com você por dez anos“, afirmou.

Eike negou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tenha perdido dinheiro com os empréstimos que fez para as empresas do grupo X. “O BNDES ganhou comigo”, disse o empresário. Ele usou como argumento o fato de que parte do capital do banco vem de recursos subsidiados pelo Tesouro Nacional, ou seja, bancados pelos contribuintes. Mas ele negou estar em dívida com os brasileiros. “Eu não devo nada ao BNDES. A vocês contribuintes, I’m sorry, eu não devo nada.”

O empresário disse que as dívidas que tinha foram assumidas pelos credores que passaram a controlar as suas empresas. “A OGX tinha uma dívida de 5,7 bilhões de dólares com os credores. Eles assumiram o controle da empresa e, na negociação, aceitei todos os pedidos deles”, disse o empresário, que aproveitou para se defender. “Nos Estados Unidos, vergonha não é fracassar. Vergonha é não negociar de peito aberto, que foi o que eu fiz.”

O empresário criticou o ambiente de negócios ao tentar se justificar. “No Brasil, quando você é muito bom, vai atrasar dois anos na execução do projeto. É a nossa realidade”, disse Eike, citando greves trabalhistas e a demora na concessão de licenciamento ambiental como fatores que acabam atrasando a conclusão de projetos no país.

Eike é investigado pela suspeita de manipulação de mercado e uso de informações privilegiadas na negociação de ações de suas empresas. Ele já foi multado em 1,4 milhão de reais pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o órgão que regula o mercado de capitais, por irregularidades na divulgação de informações das companhias.

FONTE: http://veja.abril.com.br/noticia/economia/eike-diz-que-zerou-as-dividas-e-que-esta-de-volta-aos-negocios

E a saga descendente de Eike Batista continua: agora ele vendeu a IMX

Eike Batista vende controle da IMX para Mubadala

Douglas Engle/Bloomberg News
Eike Batista, CEO da EBX, durante uma conferência no Rio de Janeiro, em uma foto de janeiro de 2008

Eike Batista: empresário vendeu o controle da IMX para seu principal credor, o fundo Mubadala

São Paulo – A IMX não pertence mais a Eike Batista. O empresário vendeu o controle da empresa para o fundo Mubadala, de Abu Dhabi, segundo o jornal Valor Econômico.

O fundo, que é o principal credor de Eike, agora tem o controle da holding de negócios em esportes e entretenimento.

Ainda segundo o jornal, a IMG Worldwide também tem participação no capital da IMX. A empresa americana estava entre as cotadas para adquirir a participação de Eike na IMX.

O Mubadala foi criado em 2002 e tem participações em diversos setores da indústria, como energia, saúde, infraestrutura, setores financeiro, aeroespacial e imobiliário, além de possuir participação em empresas de serviços e comunicação.

Já a IMX é sócia do Cirque du Soleil e do Rock in Rio, além de fazer parte do consórcio que administra o Maracanã, por exemplo. 

Histórico

A empresa de negócios no setor de esportes e entretenimento é apenas mais uma das vendas do empresário.

Eike Batista já foi o sétimo homem mais rico do mundo, de acordo com a Forbes. Ele já se desfez de empresas, jatinhos e até mesmo de seu iate com o objetivo de acertar as contas com os credores.

O empresário sofre acusações pelos crimes de uso de informação privilegiada (“insider trading”) e de manipulação de mercado.

A tentativa de colocar o ex-bilionário na prisão acontece menos de três anos depois de Eike Batista ter sido chamado de “orgulho do Brasil” pela presidente Dilma Rousseff.

Em 2015, a Justiça deverá dar uma sentença sobre o caso.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/eike-batista-vende-controle-da-imx-para-mubadala

Eike Batista: de multibilionário a administrador de ativos de credores. A estranha odisseia de um “campeão nacional” do Neodesenvolvimentismo

Acuado pela Justiça, Eike se defende e diz que seus ativos são de credores

Por Rafael Rosas, Ana Paula Ragazzi e Francisco Góes | Do Rio

Patrick Fallon/Bloomberg

Batista, em entrevista na antiga sede da EBX, diz que nunca teve a intenção de ludibriar os investidores e que não usou informação privilegiada para fazer negócios

Réu em uma ação penal na Justiça Federal do Rio, o empresário Eike Batista decidiu romper o silêncio. Fazia cerca de um ano e meio que ele se mantinha recluso, sem falar sobre a derrocada do grupo EBX. Em pouco mais de meia hora de conversa em seu escritório, na zona sul do Rio, Eike fez sua autodefesa. Disse que nunca teve a intenção de ludibriar nenhum investidor pois colocou todo o seu patrimônio nos projetos do grupo e ofereceu garantias pessoais aos bancos credores. Hoje, depois de um longo processo de reestruturação de dívidas que ainda está em curso, disse ter patrimônio negativo de cerca de US$ 1 bilhão.

Apontado como oitavo homem mais rico do mundo, com patrimônio de US$ 30 bilhões em 2012, segundo a “Forbes”, transformou-se em uma espécie de administrador de ativos que pertencem aos credores: Mubadala (empresa de investimentos de Abu Dhabi), além dos bancos Itaú e Bradesco.

Eike vem trabalhando na criação de valor para os ativos em que ainda tem participação acionária, mas cuja posse está em mãos desses credores. “Ouso dizer que essa [da EBX] vem a ser a maior reestruturação do mundo de um grupo de empresas. Não tem nada igual”, disse. A frase mostra que, apesar da debacle, ele continua a usar superlativos para definir seus negócios.

Ele recebeu o Valor na antiga sede da EBX, no 10º andar de um prédio comercial na Praia do Flamengo, para onde voltou depois de deixar o luxuoso Edifício Serrador, no centro da cidade. Diferentemente do período áureo, quando chegou a ocupar todo o Serrador, um dos prédios mais tradicionais do Rio, o escritório atual é austero e tem poucos funcionários. A sala de Eike tem vista para a Baía de Guanabara e o Pão de Açúcar, mas desta vez ele não quis fotos. Vestido de camiseta azul escura, camisa social rosa e terno cinza com listras, com aspecto cansado e mais grisalho, admitiu que a crise afetou “muito” o lado pessoal. “Mas sou um cara que sempre construí minhas coisas do zero”, frisou.

Apesar das dificuldades, ele mostrou-se otimista. Disse acreditar que, ao fim do processo de renegociação das dívidas, terá possibilidade de criar valor e, eventualmente, em um encontro de contas, ainda sobrem ativos para ele. Eike afirmou que a prioridade tem sido pagar todas as dívidas, sem redução de valores, mas com alongamento nos prazos de vencimento. “O cash se foi e os ativos estão penhorados nos bancos. As participações que ainda tenho em algumas empresas são dos bancos, não tenho ativos, porque eles [os ativos] eram meu avais pessoais. As pessoas esquecem disso”, afirmou. Ele disse só ter falado agora, quase dois anos depois do grupo ter sido arrastado pela crise da petroleira OGX, porque precisava de tempo para achar novos sócios. “Eu estava desacreditado,” lamentou.

No começo da entrevista, acompanhado pelo advogado Sergio Bermudes, Eike leu nove tópicos alinhados em duas folhas sob o título: “Fatos”. No documento, ele repetiu ideias que havia exposto em artigo publicado no Valor em julho do ano passado, e apresentou novos argumentos. Disse que sempre acreditou no Brasil e por isso investiu no país. Admitiu que os problemas na antiga OGX, hoje OGPar, contaminaram todo o grupo. Segundo ele, ocorreu uma espécie de fenômeno “darwiniano” [de seleção]. “Criou-se desconfiança que afetou todas as empresas [do grupo], uma espécie de corrida bancária que me forçou a fazer uma megareestruturação buscando novos grandes investidores”.

Eike virou réu na justiça federal depois de investigação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) acusar o empresário por manipulação de mercado e negociar ações da OGX com informação privilegiada. A autarquia concluiu que os administradores da petroleira poderiam ter avisado o mercado dez meses antes da inviabilidade da empresa. Antes disso, vendeu ações e, ao mesmo tempo, via Twitter, fez declarações otimistas sobre o futuro da empresa. A CVM abriu 22 processos relacionados às suas empresas, na maioria dos casos devido a problemas na divulgação de informações sobre o grupo.

As declarações no Twitter ele justificou pelo fato de acreditar na companhia. Segundo o empresário, foram relacionadas às parcerias que fechava para participar das rodadas de exploração da Agência Nacional de Petróleo (ANP), além de uma associação com a malaia Petronas. “Sócios relevantes como esses acreditavam na companhia. Por que eu não iria acreditar?”, questionou. Por essas razões disse que recebeu o processo na Justiça com “surpresa”.

O juiz Flavio Roberto de Souza, da 3ª Vara Federal do Rio, determinou na terça-feira bloqueio de ativos financeiros de Eike até o limite de R$ 1,5 bilhão, fruto de denúncia do Ministério Público Federal (MPF) acolhida pela Justiça. O arresto de bens do empresário são para cobrir prejuízos a investidores. Ontem seus advogados disseram que R$ 117 milhões encontrados em suas contas referem-se ao total de cotas de um fundo de investimento em debêntures. No início do ano, em outra ação, Eike teve R$ 120 milhões bloqueados.

“Eu, de petróleo, infelizmente, não entendo. Mas contratei os melhores especialistas e cabia a eles escrever o que achavam e a maneira como se divulgava”, disse. Sobre a demora na declaração de inviabilidade da empresa, disse que não se sabia ao certo o futuro. “Sem o estudo final pronto, que foi divulgado em meados de junho do ano passado, me desculpe, mas não dava para falar. Como vai anunciar um negócio que você não sabe? Você tem que fazer a avaliação técnica, que não estava concluída dez meses antes”, disse o empresário.

A trajetória do grupo e seu relacionamento com a mídia mostra que Eike não teve tanto cuidado com a informação quando divulgava dados e projeções otimistas para seus negócios. Nos processos da CVM, enquanto alega que apenas confiou nos técnicos, esses técnicos afirmam que as divulgações eram infladas pelo excesso de otimismo de Eike. Em sua defesa, disse que sempre acreditou na companhia. Vendeu as ações porque estavam comprometidas com os credores e na quantia exatamente necessária. Os recursos da venda, disse, foram diretamente para o Mubadala. “Se usei informação privilegiada, por que não vendi tudo? Não me beneficiei em nada, continuei com 51% da companhia e serei diluído”, afirma. Disse que se não pagasse os credores naquele momento haveria risco sistêmico que levaria o grupo ao default.

Perguntado se arrependeu-se de ter investido no setor de óleo e gás afirmou: ” É claro que eu me arrependo de ter investido em petróleo. Levou todo o meu patrimônio e todos esses projetos fantásticos. Foi a âncora que me puxou para baixo”, afirmou. Segundo ele, grande parte de seu patrimônio, de R$ 8 bilhões, em 2008, foi para dentro dos negócios do grupo EBX. Essa foi uma riqueza construída a partir da venda de ativos de minério de ferro de Eike, no Brasil, para a Anglo American.

“Eu me calei por um ano e meio para reestruturar essa dívida gigantesca. E existe essa visão de que quem cala, consente”, disse o empresário, referindo-se ao fato de que sabe que a história que fica no mercado é que ele se beneficiou dos negócios, vendeu ações, botou dinheiro no bolso e usou dinheiro público para criar sempre estruturas gigantes e não pagou de volta. O que, de certa forma, considera uma injustiça. “Eu investi todo o meu patrimônio em negócios de infraestrutura para o Brasil. Dei avais pessoais e perdi todo o meu patrimônio. Eu não fugi. Estou aqui honrando meus compromissos. Isso as pessoas não sabem”.

Sentado de frente à tela que mostra o Porto do Açu, no norte do Rio, projeto que sempre foi a sua “joia”, Eike falou sobre seu futuro: “É cedo para falar em novos projetos. Mas sou um brasileiro que não desiste nunca.”

FONTE: http://www.valor.com.br/empresas/3700716/acuado-pela-justica-eike-se-defende-e-diz-que-seus-ativos-sao-de-credores#ixzz3DfRclsbX

Eike Batista: lá se foi mais um anel

Vende mas não embolsa

Eike: menos uma

Eike Batista fechou ontem, em Doha, no Qatar, a venda de mais uma de suas companhias – a AUX, dona de minas de ouro na Colômbia. Os emires do pais árabe vão pagar 400 milhões de dólares, mas o dinheiro não vai para o bolso do ex-bilionário.

Será repartido entre o fundo soberano de Abu Dhabi, o Mubadala, e Bradesco e o Itaú, principais credores de Eike.

Eike comprou o controle das minas da Colômbia em 2011, quando seu império ainda estava no auge. Pagou por elas 1,5 bilhão de dólares — dos quais 1,4 bilhão foram emprestados pelos dois bancos nacionais.

FONTE: http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/economia/eike-vende-mais-uma-empresa-x-a-quantia-e-milionaria-mas-o-dinheiro-nao-vai-para-o-seu-bolso/

Eike continua entregando seus “assets”: Fundo Mubadala também abocanha a MM(X)

A saga morro abaixo de Eike Batista tem outro capítulo envolvendo o fundo Mubadala que pertence nominalmente ao emirado de Abu Dabhi. É que além de sua parte na Prumo que hoje controla o Porto do Açu, Eike também teve de entregar ações e junto com elas o controle da MM(X). Com isso, ele também perde sua participação em outro porto, o do Sudeste.

Com esse encolhimento de Eike Batista, o que estamos assistindo é também o fracasso da lógica dos “campeões nacionais” idealizada no governo Lula que, por tabela, entrega áreas estratégicas e bilhões de dólares de dinheiro público a fundos de investimentos estrangeiros. 

E pensar que a este tipo de entrega se arriscou dar o nome de “Neodesenvolvimentismo”. O nome correto, agora podemos ver com mais clareza, deveria ser “Neoentreguismo” ou “Neosocialliberalismo”. Mas seja o nome que se dê, já sabemos bem quem são os maiores perdedores. E uma pista, Eike Batista não é um deles!

Eike vai transferir 10,52% do capital total da MMX para fundo Mubadala

Por Natalia Viri | Valor

SÃO PAULO  –  A mineradora MMX informou que o controlador Eike Batista vai transferir 10,52% do capital total da companhia para o fundo Mubadala, de Abu Dahbi. A transferência faz parte da reestruturação do investimento do fundo árabe no grupo EBX.

Com a transferência, Eike deve perder  controle absoluto da companhia, com redução de sua participação dos quais 59,3% para pouco menos de 49%. 

O Mubadala já é sócio da MMX no projeto do Porto do Sudeste. O controle do projeto, o mais promissor da companhia, foi vendido para um consórcio formado pelo fundo árabe e a operadora de portos holandesa Trafigura, por US$ 400 milhões, em meados do ano passado. A MMX ficou com 35% do empreendimento.

Em comunicado divulgado há pouco, a mineradora ressaltou que a transferência de ações está sujeita a “condições precedentes usuais” e está prevista para acontecer ainda o terceiro trimestre. Hoje, os papéis da MMX encerraram o pregão em alta de 1,42%, a R$ 1,43. Na máxima do dia, contudo, chegaram a R$ 1,48, com avanço de quase 5%. 

Fonte: http://www.valor.com.br/empresas/3639054/eike-vai-transferir-1052-do-capital-total-da-mmx-para-fundo-mubadala#ixzz39Yid1DOj