Petrópolis, uma tragédia anunciada: entrevista ao jornalista Roberto Barbosa

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Na manhã desta 5a. feira (24/02) concedi uma entrevista presencial ao jornalista Roberto Barbosa com o foco na tragédia ocorrida recentemente na cidade de Petrópolis, que continua tentando encontrar desaparecidos no chamado “Morro da Oficina”, cuja previsão de desmoronamento já tinha sido prevista em um relatório contratado pela Prefeitura Municipal daquele município (ver vídeo abaixo).

Lamentavelmente considero que se não houver uma profunda mudança de postura tanto de governos municipais e estaduais, como da população (especialmente daquelas pessoas vivendo em áreas com conhecido risco geológico), ainda teremos outros casos tão catastróficos quanto o que está se vivendo em Petrópolis.  E reafirmo, as eventuais repetições de mais esta tragédia anunciada não se darão por falta de conhecimento científico, mas por causa do desprezo do que a ciência já estabeleceu e é capaz de prever.

Finalmente, não custa nada lembrar que os montantes reservados para festas natalinas e publicidade pela Prefeitura de Petrópolis no orçamento municipal eram maiores do que aquele reservado para serviços de contenção de encostas. Em outras palavras, essa tragédia era anunciada, mas foi desprezada por aqueles que prepararam e aprovaram o orçamento municipal  petropolitana de 2021.

Siemens Energy: negócios prejudiciais ao clima, apesar da retórica sustentável

  • Transição planejada de carvão para gás não resultará em descarbonização do portfólio
  • Foco na divisão “Gás e Energia” continua danos climáticos
  • Envolvimento em projetos de GNL, como Arctic LNG2 na Rússia e Porto Açu no Brasil, estão impulsionando as mudanças climáticas

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Antes da Assembleia Geral Anual da Siemens Energy de amanhã, a organização ambiental e de direitos humanos Urgewald e a organização guarda-chuva dos “Acionistas Críticos” criticam o modelo de negócios da empresa, que ainda é prejudicial ao clima. Em seu discurso publicado anteriormente [1], o CEO da Siemens Energy, Christian Bruch, enfatizou termos como transformação, sustentabilidade e transição energética. No entanto, o discurso mostra que a Siemens Energy conta com a divisão “Gás e Energia” como geradora de lucros. A empresa está, portanto, concentrando-se principalmente na rápida transição do carvão para o gás fóssil, em vez de iniciar uma transformação real longe das energias fósseis.

Regine Richter , ativista de energia da Urgewald afirma que: “Se toda a energia do carvão for simplesmente substituída pela energia do gás fóssil, isso só trará ganhos climáticos de curto prazo, mas estabelecerá um caminho fóssil nas próximas décadas . Além disso, o metano do gás de efeito estufa de vida curta , que é muito mais prejudicial ao clima do que o dióxido de carbono , escapa repetidas vezes, especialmente no transporte de gás . Nesse sentido, a análise da Siemens Energy de que é necessária uma transformação e descarbonização do portfólio está correta, mas falta a consequência dessa análise, a saída real das energias fósseis .

As entidades também criticam o fato de que o hidrogênio verde deveria trazer um “jato verde” para a Siemens Energy e ser apresentado como a solução para todos os problemas. Isso pode desempenhar um certo papel na transição energética. No entanto, pesquisadores do Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático [2] alertam que o hidrogênio verde só pode ser usado de forma sensata em áreas que dificilmente podem ser eletrificadas devido aos altos requisitos de eletricidade.

A Siemens Energy também está envolvida em vários projetos de gás líquido em todo o mundo, por exemplo, nos EUA, Moçambique, Nigéria, Rússia e Brasil. [3] O equilíbrio climático desses projetos de GNL é particularmente ruim devido à perda de energia na dupla conversão do gás, bem como aos possíveis vazamentos de metano e ao possível uso de gás de fraturamento.

Regine Richter: “Por exemplo, o terminal de gás líquido Arctic LNG2 planejado no Golfo de Ob, para o qual a Siemens Energy quer fornecer compressores, deve ser construído na frágil região do Ártico, com impactos maciços no meio ambiente local e na população nômade . A situação já repressiva em relação às críticas é particularmente ruim nesta região e não permite protestos. Resta saber se a participação em um projeto que em breve poderá estar sujeito a sanções à luz da agressão russa na Ucrânia faz sentido para os negócios.”

Outro projeto crítico em que a Siemens Energy está envolvida são duas usinas a gás e um terminal de importação de GNL em Campos dos Goytacazes, no norte do estado do Rio de Janeiro (Gás Natural Açu, GNA). A participação levanta questões sobre a implementação da due diligence de direitos humanos na Siemens Energy. Centenas de famílias que foram desapropriadas para a construção do porto não receberam nenhuma compensação até hoje. As pessoas afetadas foram privadas da base de sua antiga agricultura familiar de pequena escala e pesca. Os transbordamentos de água salgada dos diques construídos no Porto do Açu forçaram o fechamento de áreas de pesca.

O Professor Marcos Pedlowski da Universidade Estadual do Norte Fluminense em Campos dos Goytacazes no estado do Rio de Janeiro: “A participação da Siemens Energia no parque termelétrica a gás do Porto do Açu é um bom exemplo de um padrão que prevalece no atividades de empresas multinacionais no Brasil. As usinas a gás da GNA não são apenas altamente poluentes e produzem energia cara, mas também contribuem para o não cumprimento das metas globais de emissão de gases de efeito estufa. Além disso, as denúncias de violações sociais e destruição ambiental relacionadas à construção do porto deveriam ter impedido a Siemens Energy de participar de um projeto tão questionável. Mas a preocupação com o lucro parece superar o compromisso com a boa governança corporativa e com a proteção do meio ambiente e das comunidades locais.”

Tilman Massa , palestrante da organização guarda-chuva dos Acionistas Críticos argumentou que: “A partir do próximo ano, a Siemens deve tomar medidas preventivas contra violações de direitos humanos em transações comerciais estrangeiras de acordo com a lei da cadeia de suprimentos. As desapropriações de terras sem compensação no projeto do porto brasileiro são violações claras de que a Siemens Energy tem a responsabilidade de trabalhar com as partes interessadas para remediar e garantir que não se repitam.”

Observações

[1]https://assets.siemens-energy.com/siemens/assets/api/uuid:2d1a7f49-c14a-4a9f-8932-42fa36b69a4a/siemens-energy-hv2022-rede-christian-bruch.pdf
[2] https ://www.pik-potsdam.de/de/aktuelles/nachrichten/hydrogen-instead-of-electrification-chances-and-risks-for-climate-goals

[3] Por exemplo, a Siemens Energy está fornecendo compressores para as instalações de exportação de GNL da Venture Global e turbinas a vapor e compressores para o projeto Golden Pass LNG da QatarEnergy e ExxonMobil nos Estados Unidos. Também fornecerá turbinas e compressores a gás para o projeto LNG da Total em Moçambique, bem como compressores para as plantas de GNL da Nigéria (NLNG) na Nigéria e para o projeto Arctic LNG 2 da Novatek na Rússia.

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Este texto foi escrito inicialmente em alemão e publicado pela Dachverband der Kritischen Aktionärinnen [Aqui!].

É urgente a necessidade de plano preventivo para evitar deslizamentos, enchentes e tragédias naturais, afirma especialista

As regiões Sul e Sudeste do Brasil concentram as maiores áreas de maior suscetibilidade a deslizamentos, por serem regiões serranas ou planálticas edificadas em terrenos geológicos de grande mobilidade e fragilidade crustal. É o que afirma o especialista em infraestrutura e logística, Paulo César Alves Rocha, com mais de 50 anos de experiência. Para ele, sem um plano preventivo, o Brasil seguirá assistindo enchentes, deslizamentos, entre outros trágicos episódios. 

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O recente episódio dos deslizamentos provocados pela forte chuva em Petrópolis-RJ ascendeu o debate sobre as ações dos Governos Federal e estaduais para prevenir tragédias naturais. O especialista em engenharia de infraestrutura e logística, Paulo César Alves Rocha, explica que o período de chuvas no Brasil é cíclico e que é totalmente possível a elaboração de um planejamento preventivo para desastres naturais.

“As chuvas mais intensas existem em ciclos de anos. Usualmente temos chuvas de cinco em cinco anos, vinte em vinte e assim por diante. Com as mudanças climáticas que estamos vivendo, estes ciclos estão se tornando cada vez mais curtos. Estamos convivendo com chuvas que chegam a 200mm por dia em certos locais, o que é um número que por vezes se aproxima do esperado para um mês”, explica Paulo César Alves Rocha.

O especialista afirma que as chuvas estão mais intensas devido a fatores climáticos, como o aquecimento do Oceano Pacífico, conhecido como La Niña ou do Oceano Atlântico conhecido por El Niño. Também pondera que o desmatamento da Floresta Amazônica está retirando um “freio natural” às correntes que vem o Oceano Atlântico, batem na Cordilheira dos Andes e retornam ao Brasil pelos chamados “rios voadores”.

“A derrubada quase que total da Mata Atlântica e os danos causados ao Cerrado e ao Pantanal também contribuem para acelerar os ventos e chuvas. Assim as chuvas mais intensas podem ser consideradas normais pelos ciclos de anos, mas estão turbinadas por outros fatores. A prevenção dos danos causadas por elas, servem tanto para as chuvas anormais dos ciclos de anos quanto para as chuvas de todo ano. É preciso elaborar planos preventivos urgentemente”, afirma.

Com relação as etapas para elaboração de um planejamento preventivo, Paulo César Alves Rocha destaca os seguintes pontos: “Planejamento do uso do solo, tanto nas áreas agrícolas quanto nas urbanas. Nas áreas agrícolas além de se evitar o desmatamento, se este for absolutamente necessário, proteger as nascentes naturais de água, reservar parte da área para ter árvores, deixar vegetação nas margens de rios e córregos, efetuar as plantações ao longo das linhas de nível do solo, nunca efetuar plantações na linha perpendicular às encostas que causam erosão ou voçorocas, utilizar no pasto de gado plantas que guardem água de chuvas e protejam o solo de erosões, evitar quaisquer tipos de queimadas, utilizar a parte vegetal não colhida para proteger o solo”.

Planejamento Urbano

É preciso atenção permanente às áreas de encostas e às dinâmicas urbanas. O especialista defende que: “nas áreas urbanas nunca construir em margens de rios e canais, em áreas sujeitas a alagamentos anuais, em encostas ou perto delas. Ter sempre em mente que a retirada de árvores e o tipo de vegetação, assim como a urbanização, causam a perda da impermeabilidade do solo, fazendo com que este absorva menos aguas das chuvas e consequentemente escorram mais a procura de canalizações, canais e rios”.

Rocha defende que seja realizada uma ampla análise de riscos pelo Governo Federal dividindo o país por grandes bacias hidrográficas e subdividindo-as até os rios menores. Também promover campanhas educativas e ações efetivas para a que o lixo e demais detritos sejam reciclados ou depositados em locais corretos evitando-se assim que obstruam redes de canalizações, canais e rios.

“Ampliar esta análise para as tubulações que atravessam estradas, para rios e canais das áreas urbanas, para todas as pontes com a finalidade de verificar se o vão útil embaixo delas comporta a vazão máxima dos rios na época das maiores chuvas. Realizar uma ampla investigação dos níveis de assoreamento das redes de canalizações, canais, pequenos rios, grandes rios e represas, com a finalidade de averiguar a situação real da vazão ou capacidade de armazenamento de água”, explica.

O serviço de limpeza e conservação urbana também pode ajudar. “É preciso verificar com base na análise de riscos, o dimensionamento das redes de águas e calha real dos canais e rios. Corrigir ou planejar a correção dos casos de subdimensionamento. É preciso efetuar a limpeza periódica de redes de águas servidas/pluviais e canais e rios. Também executar obras, com base na análise de riscos, que mitiguem as inundações de áreas em que se torne inviável a remoção de construções”.

*Paulo César Alves Rocha é especialista em infraestrutura, logística e comércio exterior com mais de 50 anos de experiência em infraestrutura, transportes, logística, inovação, políticas públicas de habitação, saneamento e comércio exterior brasileiro. Mestre em Economía y Finanzas Internacionales y Comércio Exterior e pós-graduado em Comércio Internacional pela Universidade de Barcelona. É mestre em Engenharia de Transportes (Planejamento Estratégico, Engenharia e Logística) pela COPPE-UFRJ. Pósgraduado em Engenharia de Transportes pela UFRJ e graduado em Engenharia Industrial Mecânica pela Universidade Federal Fluminense. Tem diversos livros editados nas Edições Aduaneiras.

O aquecimento global já está doendo, adaptar é preciso

A segunda parte do sexto relatório de status do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas está prestes a ser finalizada – trata-se de adaptação às mudanças

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Secas extremas – como as do oeste dos Estados Unidos – estão se tornando mais frequentes mesmo com o aquecimento atual. Foto: AFP/Josh Edelson

Por  Jorg Staude para o Neues Deutschland

Centenas de especialistas do grupo de trabalho dois do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) estão sentados juntos virtualmente há uma semana, pesando sentença por sentença e ainda têm uma semana inteira de debates pela frente.

A cada seis anos, o IPCC apresenta um relatório abrangente resumindo o status da pesquisa sobre mudanças climáticas, nomeando suas consequências e formas de proteger o planeta. A segunda parte do sexto relatório de status do IPCC será publicada em 28 de fevereiro . Os especialistas do grupo de trabalho dois estão atualmente debruçados sobre isso, especialmente sobre a parte mais importante: o resumo para os políticos.

Em sua essência, a proteção climática é sempre sobre duas coisas, conhecidas como mitigação e adaptação . Mitigação – no significado latino original da palavra, significa apaziguar, mitigar ou aliviar algo. Em termos de clima, mitigação significa eliminar as causas das mudanças climáticas. Então, acima de tudo, reduzir as emissões de gases de efeito estufa, inicialmente para zero; e depois voltar a extrair gases de efeito estufa da atmosfera e assim gerar as chamadas emissões negativas.

Mas mesmo que consigamos limitar o aquecimento global a dois graus ou menos, as mudanças climáticas já terão consequências para a vida humana. É aqui que entra em jogo o segundo pilar da proteção climática: a adaptação . O ponto aqui é chegar a um acordo com as mudanças no clima ou se adaptar de tal maneira que os danos à civilização possam ser evitados na medida do possível ou as oportunidades que surgirem possam ser aproveitadas.

A segunda parte do sexto relatório do IPCC, que está em fase final de edição, trata principalmente dessas consequências das mudanças climáticas e das possibilidades de adaptação a elas. Boas notícias não estão em casa.

Conexão homem – clima – natureza

Como nenhum outro antes, o novo relatório mostrará “o quanto o mundo já mudou devido às mudanças climáticas e quais riscos climáticos catastróficos devemos esperar no futuro – dependendo da rapidez e do quanto reduzirmos as emissões de gases de efeito estufa”, disse ele. disse Hans-Otto Pörtner, um dos dois co-presidentes do grupo de trabalho dois, explicou recentemente o que pode ser esperado em uma entrevista coletiva do Consórcio Climático Alemão.

O novo relatório causará sensação, não apenas porque trata de impactos climáticos como calor, seca, precipitação extrema ou novos patógenos. Pörtner caracteriza a nova qualidade desta vez, os cientistas apresentariam as conexões entre humanos, clima e natureza “de uma maneira muito mais próxima e clara” do que antes.

Para o biólogo marinho do Alfred Wegener Institute for Polar and Marine Research, o “pensamento em silo” ainda domina o debate climático. O que ele quer dizer pode ser ilustrado pelas demandas que estão sendo feitas atualmente sobre o uso da terra, por exemplo.

Os operadores de energia eólica querem, com razão, mais espaço – mas também os conservacionistas para salvar a biodiversidade, ou o governo federal, que quer construir 400.000 novas casas todos os anos.

Para Pörtner, no entanto, também é uma espécie de “mentalidade de silo” quando hoje, por exemplo, 70% da terra arável global é usada para a produção de ração animal. “Precisamos de cerca de dez quilos de massa vegetal para produzir um quilo de carne animal”, calcula. Com uma mudança consistente na dieta , a humanidade não só faria algo diretamente para a proteção do clima, porque as emissões de metano e óxido nitroso da pecuária diminuiriam – ao mesmo tempo, muito espaço seria ganho para biodiversidade, espécies e proteção de terras e de curso também para a produção de alimentos que não são obrigados a fazer o desvio através do animal.

Para Pörtner, o armazenamento de dióxido de carbono ainda é visto demais do ponto de vista da tecnologia “silo”. A meta climática da UE – neutralidade climática até 2045 – já inclui uma porcentagem de CO2 que deve ser “embalada” em ecossistemas naturais.

Segundo Pörtner, tal abordagem pressupõe que os ecossistemas também possam gerenciar o armazenamento. “Mas já temos uma atenuação de importantes sistemas de armazenamento de CO2, como a floresta tropical e as florestas boreais”, alerta o biólogo. Esses são sinais de alerta. “Não há mais uma gaveta onde você pode colocar CO2, mas é preciso valorizar e cuidar dessa gaveta”, explica. Quando você sai do »silo«, você reconhece, como diz Pörtner, »dependências compulsivas« e »influências mútuas«. Em outras palavras: as pessoas, o clima e a natureza estão mais intimamente relacionados do que pensávamos – e certamente não agimos de acordo.

Atualmente, não há como nutrir e cuidar deles, reclama Josef Settele, chefe de pesquisa de conservação da natureza do Centro Helmholtz de Pesquisa Ambiental (UFZ) em Halle. As mudanças climáticas provocadas pelo homem estão ameaçando cada vez mais a natureza hoje, alerta ele.

A Settele não se concentra apenas na grande e visível destruição causada por secas, ondas de calor ou incêndios florestais. Mesmo atividades menores que foram atrasadas devido a mudanças de temperatura foram suficientes para desequilibrar a natureza. Como exemplo, ele cita os tempos de voo dos insetos polinizadores, que muitas vezes não coincidem mais com os tempos de floração atrasados ​​das plantas relacionados ao clima. Então os polinizadores voam muito cedo ou muito tarde.

Áreas protegidas ajudam o clima

Settele pede que 30 a 50% dos habitats continentais e dos oceanos do mundo sejam protegidos para impedir o declínio da biodiversidade. Este “não é um número utópico” se você incluir diferentes categorias de proteção . Não se trata apenas de reservas totais, mas também de paisagens culturais protegidas.

O cientista certamente está ciente de que essa demanda é uma afronta para muitos empresários – mas, como sugere Settele, provavelmente não há alternativa. “Quem ignora as conexões entre clima, natureza e a base da vida humana não comemorará nenhum sucesso na proteção do clima”, enfatiza o ecologista. »Qualquer coisa que impeça o declínio da biodiversidade também beneficia a proteção do clima.«

Mesmo em regiões urbanas, proteção climática e adaptação climática ainda são amplamente consideradas separadamente, confirma Daniela Jacob, diretora do Climate Service Center Germany, que coleta e processa os resultados da pesquisa climática para a Alemanha em nome do governo federal. Quando se trata de proteção climática, geralmente trata-se da “cidade de curtas distâncias”, da expansão do transporte público ou de edifícios energeticamente eficientes – e quando se trata de adaptação, trata-se de ondas de calor ou de lidar com chuvas fortes.

Jacob defende que se pense em ambos juntos, por exemplo, a infraestrutura “azul” das cidades, voltada para o equilíbrio hídrico, com a “verde”, voltada para árvores e espaços verdes.

É tudo sobre construção inteligente e verde , diz ela. Nas cidades, é concebível uma rede de espaços verdes e telhados verdes. O sombreamento natural pode enfraquecer o efeito do sol e, ao mesmo tempo, reduzir os requisitos de refrigeração doméstica e a quantidade de energia necessária para fazê-lo. De fato, os efeitos duplos e múltiplos da política climática na combinação de natureza e tecnologia já seriam possíveis hoje. Fachadas que protegem contra o calor também podem gerar eletricidade usando energia fotovoltaica de fachada. Poderia brotar verde sob sistemas de telhados fotovoltaicos.

O mesmo vale para as paisagens. Não apenas a energia eólica, mas também a energia fotovoltaica poderia continuar a abranger áreas agrícolas usadas ou – a última idéia – charnecas renaturalizadas. Um conceito fascinante: A maioria das antigas charnecas na Alemanha são agora usadas como pastagens – como pastagem ou como forragem para o gado. Uma mudança na dieta para menos carne e leite de vaca, como Hans-Otto Pörtner tem em mente, tornaria mais fácil tirar grande parte dos mouros de uso, remolhe –os e recuperá-los como armazenamento natural de CO2. Se os fotovoltaicos fossem adicionados no topo sem prejudicar a proteção da charneca, isso resultaria em um sumidouro de CO2 de técnica natural até então desconhecido.

Eco-puristas podem torcer o nariz aqui. Mas preservar a natureza como a conhecemos atualmente dificilmente será possível de qualquer maneira. »Os organismos são especializados para determinadas características climáticas e janelas de temperatura. Este é um ponto importante para o planejamento futuro das medidas de renaturação«, destaca Pörtner. »Simplesmente supondo que podemos restaurar algo histórico, em alguns casos não será suficiente.«

Especialistas em florestas na Alemanha, por exemplo, estão atualmente intrigados sobre quais árvores são adequadas para as condições climáticas que prevalecerão na Alemanha em 20 a 30 anos. Não se sabe exatamente o quanto o clima regional terá mudado até então, nem quais árvores podem ser adequadas para as novas condições. Para descobrir, seria preciso testar uma variedade de árvores por longos períodos de tempo – tempo que a humanidade e a natureza não têm mais se as mudanças climáticas mantiverem seu ímpeto atual.

A redução de CO2 continua crucial

Em todos os esforços para proteger a natureza e a biodiversidade – os especialistas em clima não deixam dúvidas sobre isso – a proteção climática clássica deve continuar a desempenhar o primeiro papel. Josef Settele: »Só teremos sucesso se reduzirmos massivamente o uso de combustíveis fósseis. Não há maneira de contornar isso. Compensar completamente as emissões não é possível.«

Também para Pörtner, a redução de CO2 é o pré-requisito decisivo para que haja um futuro. Para o especialista do IPCC, a interação de temperaturas alteradas e o orçamento global de CO2 ainda disponível resulta em um prazo apertado no qual uma política climática sensata ainda pode ser buscada e as sociedades podem se tornar resilientes e resistentes às mudanças climáticas. E para ele, a mensagem do próximo capítulo do relatório climático mundial é bastante clara: »A janela de tempo para um mundo resiliente ao clima está se fechando.«

Daniela Jacob também avisa. “Não podemos nos adaptar a tudo, especialmente se ultrapassarmos três graus de aumento da temperatura global. Então teremos até seis graus mais regionalmente – e então acabou.« Então não se trata mais de proteção e adaptação climática, mas sobre a pura sobrevivência da civilização.

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Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo jornal “Neues Deutschland” [Aqui!].

O grande golpe do greenwashing: as empresas de relações públicas enfrentam o acerto de contas depois de trabalhar para as grandes petroleiras

Um estudo abrangente confirma que as empresas petrolíferas são em grande parte só conversa e nenhuma ação quando se trata de iniciativas de energia limpa

torre de petroleoUm local de perfuração da Chevron perto de Midland, Texas. É improvável que as empresas de relações públicas consigam atender à indústria de combustíveis fósseis como fizeram no passado. Fotografia: Jessica Lutz/Reuters

Por Amy Westervelt para o “The Guardian”

Nesta semana, um estudo revisado por pares confirmouo que muitos suspeitavam há anos: as grandes empresas petrolíferas não estão apoiando totalmente sua conversa sobre energia limpa com ações. Agora, as empresas de relações públicas e publicidade que vêm criando as estratégias de “greenwashing” (lavagem verde) do setor há décadas enfrentam um acerto de contas sobre se continuarão servindo grandes empresas de petróleo.

O estudo comparou a retórica e as ações sobre clima e energia limpa de 2009 a 2020 das quatro maiores empresas de petróleo do mundo – ExxonMobil, Chevron, Shell e BP. Escrevendo na revista Plos One, pesquisadores da Universidade de Tohoku e da Universidade de Kyoto no Japão concluem que as empresas não estão, de fato, migrando seus modelos de negócios para energia limpa.

“A magnitude dos investimentos e ações não condiz com o discurso”, escrevem. “Até que as ações e o comportamento de investimento sejam alinhados com o discurso, as acusações de greenwashing parecem bem fundamentadas.”

Embora esta não seja a primeira vez que as empresas petrolíferas são acusadas de exagerar sua boa fé climática, nunca foi tão abrangente, de acordo com o sociólogo ambiental Dr. Robert Brulle, da Brown University. “Esta é a primeira análise robusta, empírica e revisada por pares das atividades – do discurso, dos planos de negócios e dos padrões reais de investimento das grandes petrolíferas em relação ao seu apoio ou oposição à transição para uma sociedade sustentável”, diz ele .

Brulle diz que as empresas de relações públicas e agências de publicidade que criaram campanhas em torno das reivindicações líquidas de zero das empresas petrolíferas estão agora em alerta. “Não há como negar que eles desconhecem as atividades dessas empresas após a publicação deste artigo”, diz ele. “Este artigo mostra claramente que essas empresas não estão falando sobre isso.”

Isso força a mão de empresas de relações públicas como a Edelman – que ganhou as manchetes no final do ano passado por fazer grandes promessas climáticas enquanto também trabalhava para grandes petrolíferas como Exxon e Shell – e grupos comerciais como a American Fuel and Petrochemical Manufacturers, que têm uma reputação de bloqueando a política climática. Em uma reunião da empresa em dezembro, o presidente-executivo da empresa, Richard Edelman, disse aos funcionários que a empresa não se afastaria dos clientes de combustíveis fósseis, mas que “rejeitaria projetos que atrasassem o progresso em direção a um futuro com emissões líquidas de gases de efeito estufa zero”. Diante do relatório desta semana, seria difícil dizer que qualquer grande petroleira atende a esse padrão.

Casey Norton, porta-voz da Exxon, disse: “A ExxonMobil há muito reconhece que a mudança climática é real e apresenta sérios riscos. Além de nossos investimentos substanciais em tecnologias de próxima geração, a ExxonMobil também defende políticas responsáveis ​​relacionadas ao clima.”

“Essas reivindicações de investimentos em energia limpa são mais um caso de palavras que não combinam com ações”, diz Gregory Trencher, um dos autores do estudo. Trencher observa que a Exxon investiu apenas 0,23% de suas despesas totais de capital na produção e desenvolvimento de energia de baixo carbono de 2010 a 2018, e que a empresa declarou em um relatório resumido de energia e carbono de abril de 2021 que não investe em renováveis. Quanto ao reconhecimento da ciência do clima, Trencher diz que compõe “apenas uma pequena parte do nosso estudo – especificamente, é apenas um dos 25 indicadores estudados”.

Edelman não respondeu a um pedido de comentário até o momento. Nem a empresa de relações públicas WPP, que fez um extenso trabalho para aBP e a Chevron . O T Brand Studio do New York Times, que criou campanhas tanto para aExxon quanto para a Shell ampliando suas alegações de zero líquido, também se recusou a comentar sobre como esse estudo pode contribuir para esse trabalho. O Washington Post também se recusou a responder a perguntas sobre se seu WP Creative Group continuaria a criar campanhas para ChevronShell ou American Petroleum Institute , à luz de uma documentação tão extensa que as campanhas anteriores eram enganosas.

De acordo com Brulle, é improvável que as empresas de relações públicas e publicidade consigam atender à indústria de combustíveis fósseis como fizeram no passado. “Não me parece que eles tenham mais espaço para fazer isso”, disse ele. “Eles teriam que basicamente se envolver em publicidade de má fé e lavagem verde para continuar apoiando essas organizações como realmente engajadas na ação climática”.

O estudo de lavagem verde ocorre apenas uma semana depois que os democratas da Câmara Katie Porter e Raúl Grijalva enviaram cartas a seis empresas de relações públicas pedindo mais detalhes sobre seu trabalho para empresas de combustíveis fósseis, principalmente com relação a campanhas que enganaram o público sobre as mudanças climáticas. O comitê de supervisão da Câmara indicou que também questionará as empresas de relações públicas como parte de sua investigação sobre desinformação climática.

Enquanto isso, a ExxonMobil deve voltar ao tribunal em Massachusetts no início do próximo mês para combater as acusações de que fraudou os moradores daquele estado sobre o clima. Acusações de fraude semelhantes foram feitas a todas as grandes petrolíferas por meio de uma lista cada vez maior de casos, incluindo aqueles registrados em Minnesota, DC, Delaware e Vermont.

Mas Christine Arena, ex-vice-presidente da Edelman que agora dirige sua própria produtora de impacto social, a Generous Films, diz que a fraude climática não pode acontecer sem a ajuda da indústria de relações públicas e publicidade.

“As empresas de relações públicas e publicidade são atores centrais no que vemos como a indústria de influência”, diz ela. “Há muito dinheiro gasto e ênfase em publicidade, marketing e promoção voltados para o exterior que ajudam a sustentar a licença social da indústria de combustíveis fósseis para operar e dar ao mundo uma sensação de que, para citar a API, ‘estamos nisso. ‘ Não precisamos de regulamentação. Somos bons atores corporativos.”

Brulle diz que a mídia também deve tomar nota deste estudo, especialmente quando um executivo-chefe de uma empresa de petróleo faz uma reclamação sobre os compromissos climáticos de sua empresa. “Relatórios bons e críticos teriam que desafiar as declarações dessas empresas de combustíveis fósseis”, diz ele.

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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian”  [Aqui!].

Crise climática expõe necessidade de uma ampla reforma agrária urbana no Brasil

Os acontecimentos de ontem em Petrópolis mostram a necessidade urgente da retomada de uma discussão atualmente adormecida no Brasil, mas que já foi um dos temas centrais da retomada da democracia após o final do regime militar de 1964. Falo aqui da implementação de uma ampla reforma agrária da terra urbana que seria um dos primeiros passos para o reordenamento urbano necessário para iniciar um urgente processo de adaptação das cidades brasileiras ao novo regime climático.

A reforma da terra urbana é uma política de planejamento social que poderá iniciar a democratização do  direito à cidade, pois é a única forma de readequar o espaço das cidades que não é utilizado ou que é utilizado de forma precária e,  proporcionar a construção de moradias ou de espaços sociais públicos, que teriam a função de atender demandas como lazer, cultura, saúde, educação e outros.

A verdade é que toda vez que um grande evento climático se abate sobre as cidades brasileiras, os que mais sofrem são os mais pobres. As razões para essa correlação direta entre evento extremo e penalização extrema dos mais pobres se dá em função da especulação imobiliária que gera “latifúndios urbanos” e gera uma ampla difusão de lotes vagos em zonas densamente habitadas. 

Assim sendo, a reforma da terra urbana não apenas é necessária para tornar os espaços urbanos brasileiros mais democráticos e menos violentos para a maioria pobre dos seus habitantes, mas também para evitar que as mudanças climáticas em curso tragam uma longa e interminável sequência de catástrofes urbanas.

O problema é que desde o final da Assembleia Nacional Constituinte que gerou a atual Constituição Federal brasileira, o debate do direito à cidade foi abandonado pelas chamadas “forças democráticas” que preferiram fechar os olhos (e não raramente celebraram acordos proveitosos eleitoralmente) com os grandes incorporadores imobiliários.

Agora que as mudanças climáticas vieram para chacoalhar as estruturas anti-democráticas que regem o tecido urbano brasileiro, torna-se urgente a retomada da luta pela reforma agrária, tanto no campo como nas cidades.

Alterações climáticas. “Situação nunca foi tão grave”, alerta IPCC

O Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) vai elaborar um novo relatório, cuja “necessidade nunca foi tão grande”. Documento será apresentado a 28 de fevereiro

KENYA DROUGHT

Com o aquecimento do planeta a acelerar, os impactos das alterações climáticas sucedem-se, com secas, tempestades ou inundações. © EPA/DANIEL IRUNGU

O presidente do grupo de cientistas do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla em Inglês) declarou esta terça-feira que “a situação nunca foi tão grave”, ao lançar o processo de adoção de um novo relatório.

“A necessidade (deste documento) nunca foi tão grande, porque a situação nunca foi tão grave”, afirmou Hoesung Lee, durante uma teleconferência que abriu um período de discussão, à porta fechada, que vai decorrer durante duas semanas.

Com o aquecimento do planeta a acelerar, os impactos devastadores das alterações climáticas sucedem-se, com canículas, secas, tempestades ou inundações, os quais vão agora motivar aquele relatório do IPCC.

Em agosto último, em um outro documento do IPCC, os cientistas estimaram que a subida do mercúrio atingiria em torno de 2030 — dez anos mais cedo do que antecipado — os 1,5ºC estabelecidos como meta no Acordo de Paris.

Antes de uma terceira publicação, esperada para abril, sobre as soluções para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, esta segunda, cuja discussão começou hoje, trata dos impactos do aquecimento e da adaptação.

“Cerca de 4,5 mil milhões de pessoas sofreram uma catástrofe associada a um acontecimento meteorológico nos últimos 20 anos”

Espera-se que decline as consequências sobre todos os continentes e em todos os seus aspetos, como saúde, segurança alimentar, escassez de água, deslocação de populações ou destruição de ecossistemas.

“Cerca de 4,5 mil milhões de pessoas sofreram uma catástrofe associada a um acontecimento meteorológico nos últimos 20 anos”, acrescentou o diretor da Organização Meteorológica Mundial, Petteri Taalas, apontando a responsabilidade das energias fósseis.

Em quase todos os continentes, as pessoas veem as catástrofes em curso. Como em 2021, as chamas a devastarem o oeste dos EUA, a Grécia ou a Turquia, inundações a submergirem regiões da Alemanha ou da China, ou a temperatura a chegar aos 50ºC no Canadá.

E “sabemos (…) que o crescimento dos impactos climáticos supera de longe os nossos esforços de adaptação”, insistiu a diretora da agência da ONU para o Ambiente, Inger Andersen, considerando que o novo relatório do IPCC é “capital para ajudar os líderes mundiais a desenharem respostas aos impactos climáticos”.

Face à litania das catástrofes e à necessidade de reduzir as emissões em cerca de 50% até 2030 para não exceder o objetivo de 1,5ºC, os dirigentes mundiais prometeram em novembro, em Glasgow, durante a 26.ª Conferência das Partes (COP26) da Convenção das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC, na sigla em Inglês), acelerar a luta contra o aquecimento global e financiar mais as medidas de adaptação.

“Insuficiente para afastar a catástrofe climática que continua a bater à porta”, declarou então o secretário-geral da ONU, António Guterres.

“Espero que este relatório seja um bom pontapé de saída” para a COP27, que vai decorrer no Egito, no final do ano, disse à AFP o enviado dos EUA para os assuntos do clima, John Kerry.

Relatório vai ajudar a “elaborar políticas e a tomar decisões”

O documento “vai integrar mais fortemente as ciências económicas e sociais e fornecer aos líderes, informação e conhecimento para os ajudar a elaborar políticas e tomar decisões”, disse, por seu lado, Hoesung Lee.

Em 28 de fevereiro vai ser apresentado este novo documento do IPCC, depois dos 195 Estados membros analisarem, linha a linha, o ‘resumo para decisores”, um condensado politicamente sensível dos milhares de páginas do relatório científico, preparado por 270 cientistas.

O foco da publicação é a adaptação.

Mas “há limites à adaptação”, sublinhou à AFP o climatologista Laurent Bopp, um dos coautores, evocando o risco de migrações importantes de populações.

“Em algumas zonas, se as temperaturas ultrapassarem níveis já muito elevados, a vida humana deixa de ser possível. Se em algumas zonas costeiras, o nível do mar subir mais de um metro, a proteção com diques deixa de ser possível”, exemplificou.

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Este texto foi originalmente publicado pelo jornal “Diário de Notícias” [Aqui!].

Matéria do “Terceira Via” inicia bom debate para os esforços futuros para adequar a cidade às pressões criadas pelas mudanças climáticas

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Em uma matéria assinada por Ocinei Trindade o jornal “Terceira Via” traz uma importante contribuição para a reflexão para os futuros esforços para preparar a cidade de Campos dos Goytacazes para realizar os ajustes necessários para dotar sua infraestrutura urbana para responder aos eventos meteorológicos extremos que ficarão cada vez mais comum nestes tempos de mudanças climáticas (ver imagem abaixo).

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Como um dos “experts” citado na matéria, penso que os alertas que constam da matéria deveriam ser levadas mais a sério pelo prefeito Wladimir Garotinho que continua fazendo o que outros prefeitos já fizeram no passado quando grandes alagamentos, com medidas que se assemelham a enxugar gelo em com os pés dentro da água em alguma praia da região nordeste.

Em tempo: um primeiro caminho para sair da posição obsoleta que tem guiado as ações do governo municipal neste início de 2022 seria a recriação da secretaria municipal de Meio Ambiente que foi inexplicavelmente (se a análise for feita com bases nos interesses da sociedade como um todo e não de um pequeno segmento de negacionistas científicos e inimigos do ambiente) extinta por Wladimir Garotinho.

A peste: pacote do veneno conduz o Brasil a importar até drogas que ninguém mais usa

Não há nenhuma boa vontade na liderança do país em considerar a ideia da contenção da destruição do planeta

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Por Ariovaldo Ramos | para a RBA

A Câmera dos Deputados aprovou o chamado “Pacote do Veneno”. Assim, conduz o Brasil a se tornar o maior importador de agrotóxicos do mundo. Importando, inclusive, drogas que ninguém mais usa, e cujas consequências são extremamente danosas. Tanto para o território onde o agrotóxico é utilizado e a vida ao seu redor como para o consumidor de tais produtos.

Ao mesmo tempo, saiu um documento do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês). Trata-se de uma organização internacional de cientistas, dedicada avaliar a situação climática e a questão da sustentabilidade no planeta. E esse documento sustenta que a atividade agrícola terá de envolver-se com a preservação do meio ambiente, caso queira continuar sua atividade.

Acontece, porém, que no Brasil a crença generalizada é a de que tudo se resolve com remédios alopatas. Só tivemos um problema na hora da vacinação contra a covid-19, por causa do negacionismo incutido pelo presidente da república. Mas, de resto, o brasileiro é bastante aberto à alopatia.

Por isso, qualquer problema com a produtividade agrícola será tratado como ausência de remédio, que agora não é mais chamado de agrotóxico, mas de pesticida. Ou, mais incorreto ainda, “defensivos agrícolas”.

É verdade que muita coisa se resolve com remédio. Mas, o IPCC está deixando claro que o remédio para alimentar o mundo é diminuir drasticamente a devastação do planeta.

Porém, como parece estar claro, o produtor brasileiro não trabalha com tais categorias. Haja vista que no mês de janeiro viu um novo recorde de devastação da Amazônia.

O triste é que há os defensores do meio ambiente, mas o meio ambiente propriamente dito não tem como se defender. 

Por isso, insisto tanto em transformar o meio ambiente, pelo menos os que correm risco real de solução de continuidade, em sujeitos de direito. Desse modo, teria como, através de seus defensores legais, entrar na Justiça contra os agressores. 

Quem sabe um dia possamos ter um Superior Tribunal da Sustentabilidade.

Enfim, o quadro mundial é extremamente preocupante. Contudo, a postura brasileira não só aumentou a possibilidade de importação de agrotóxicos, como tirou poderes de órgãos de contenção, como a Anvisa e o Ibama. Portanto, fica demonstrado que não há nenhuma boa vontade na liderança do país em considerar a ideia da contenção da destruição do planeta.


Ariovaldo Ramos é coordenador da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito e apresentador do programa Daqui pra Frente, toda quarta, às 20h, na TVT.

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Este texto foi inicialmente publicado pela Rede Brasil Atual [Aqui!].

Janeiro com desmatamento recorde mostra que Jair Bolsonaro continua passando sua boiada sobre a Amazônia

Dados do Deter/Inpe apontam recorde de desmatamento na Amazônia, ao mesmo tempo em que o clima extremo afeta milhares de brasileiros.

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 Área queimada no Parque Nacional do Juruena e na Terra Indígena Apiaká do Pontal e Isolados (sobreposição entre UC e TI), em Apiacás, Mato Grosso. © Victor Moriyama / Greenpeace

Manaus, 11 de fevereiro de 2022 – Dados do sistema DETER, do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados hoje, reafirmam que o desmatamento na maior floresta tropical do planeta está fora de controle. Entre os dias 1 e 31 de janeiro, os alertas apontam para um total de 430 km² desmatados. Isso representa um aumento de mais de 418% em relação à janeiro de 2021, ainda que este ano tenha chovido mais na região. Foi também a maior área com alertas para o mês desde 2016, quando foram iniciadas as medições do Deter-B. Os alertas de desmatamento se concentram principalmente nos estados de Mato Grosso, Rondônia e Pará.

“Os estímulos para o desmatamento têm sido tão evidentes que mesmo em janeiro, quando o desmatamento costuma ser mais baixo por conta do período chuvoso na região amazônica, a destruição disparou. De fato, esse é um momento de ouro para quem desmata e/ou rouba terras públicas, já que existe uma falta proposital de fiscalização ambiental e expectativa de alteração na legislação para regularizar a invasão de terras públicas”, afirma a porta-voz de Amazônia do Greenpeace Brasil, Cristiane Mazzetti.

Segundo análise do Greenpeace Brasil, 22,5% da área com alertas de desmatamento entre 1 e 21 de janeiro deste ano se concentrou nas florestas públicas não destinadas, alvo frequente de grilagem de terras. Ao mesmo tempo, o Senado discute duas propostas preocupantes (PL2﹒633/20 e PL 510/21) que visam regularizar a grilagem de terras.

O desmatamento no Brasil é prejudicial ao clima e à economia brasileira. “Quanto mais desmatamento, maior é a contribuição do país com a ocorrência de extremos climáticos, a exemplo das fortes chuvas que afetam drasticamente as vidas de milhares de brasileiros. Além disso, o descaso do governo com as florestas e com o clima, estampados nos dados de janeiro, vão na contramão de sinalizações que mercados consumidores e entidades internacionais têm dado, exigindo cada vez mais o controle do desmatamento”, complementa Mazzetti.

A exemplo disso, a União Europeia tem discutido uma legislação que proíbe a importação de produtos oriundos de áreas desmatadas, ao passo que a falta de medidas para conter o desmatamento pode ser utilizada para barrar a entrada do Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) .