Minicurso promovido pela UFSCAR sobre mulheres negras na música brasileira recebe inscrições até 25/9

Mc-soffia

Estão abertas até sábado, dia 25 de setembro, as inscrições para o minicurso “Lugares e não-lugares das mulheres negras na música brasileira: uma breve introdução”. A atividade integra as comemorações dos 30 anos do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e tem o objetivo de fomentar reflexões sobre as representações de mulheres negras em letras de canções, bem como de apresentar a trajetória de algumas mulheres negras que atuaram e atuam na esfera musical brasileira, apreciando exemplos de sua produção fonográfica e/ou audiovisual. 

O minicurso será realizado de forma inteiramente remota, por meio da plataforma Google Meet, em link a ser disponibilizado para as pessoas inscritas. Os encontros virtuais serão realizados às terças-feiras, das 14h às 15h30, no período de 5 de outubro a 23 de novembro. 

carta ufscar

São ofertadas 30 vagas. As inscrições, gratuitas, podem ser feitas mediante preenchimento do formulário disponível no link https://bit.ly/3CB5ZBZ, no qual constam mais informações. 

Organizada por Jarid Arraes, antologia mergulha na pluriversalidade poética de mulheres negras

Poetas Negras Brasileiras — uma antologia”, livro lançado com o selo Ferina, pela Editora de Cultura, reúne mais de 70 vozes contemporâneas. Entre elas, nomes reconhecidos como Cristiane Sobral, Conceição Evaristo, Esmeralda Ribeiro e Mel Duarte

jarid arraes

O selo literário Ferina, com curadoria, organização, coordenação de Jarid Arraes, lança, pela da Editora de Cultura, a obra “Poetas Negras Brasileiras — uma antologia”, reunindo mais de 70 poetas, dos 18 aos 70 anos e de diferentes regiões brasileiras. Em 128 páginas, a obra panorâmica apresenta vozes contemporâneas e convida a um mergulho em um pluriverso de possibilidades de apreensões da mulheridade negra e suas escritas. 

Disponível em pré-venda, a antologia reúne poetas de diferentes faixas etárias, localizações, espiritualidades e compreensões de suas humanidades.

poetas negras

De acordo Aza Njeri, professora e doutora pela UFRJ, que assina a orelha, a obra traduz em “metáforas dissonantes, plasticidades e sonoridades, as experiências éticas e estéticas que atravessam o Viver”. Ao mesmo tempo, pondera, a antologia aponta tanto para os dramas coletivos do existir, quanto para uma profunda camada da subjetividade.  

“Os poemas trazem temas como identidade, linhagem, ancestralidade, sexualidade, cabelo e fenótipo, violência, racismo, equidade, maternidade, amor, paixão… Se tivesse, entretanto, que resumir esta antologia em apenas uma palavra seria força: não aquela romantizada que limita em lugares estanques a potência das mulheres negras, mas a força daquelas mulheres que fazem do verbo as suas armas de guerra e as suas fortalezas”, reforça.

Nomes reconhecidos como Cristiane Sobral, Esmeralda Ribeiro, Jarid Arraes e Mel Duarte nos brindam com suas poesias e, em nada ofuscam as outras vozes, menos conhecidas, mas de igual potência. “Pelo contrário, são sons que dialogam e se empoderam, nos mostrando que Viver é um Ato Poético e as percepções humanas da Vida podem ter multiperspectivas”, evidencia Aza. A edição ainda conta com ilustrações e projeto gráfico de Carolina Reis.  

“Mulheres negras escritoras existem, insistem e resistem”

Jarid Arraes foi quem organizou e coordenou a antologia. Nascida em Juazeiro do Norte, na Região Metropolitana do Cariri (CE), Jarid é escritora, poeta e cordelista, autora do premiado “Redemoinho em dia quente” (2019), vencedor dos prêmios APCA, Biblioteca Nacional e finalista do Jabuti. Também é autora de “As lendas de Dandara” (2016), “Heroínas Negras Brasileiras em 15 cordéis” (2017) e “Um buraco com meu nome” (2018). Criadora do Clube de Escrita para Mulheres, é autora de mais de 70 títulos em literatura de cordel.

Em 2019, Jarid Arraes abriu uma chamada pública para que escritoras negras brasileiras enviassem contos e poemas para fazerem parte de uma antologia. “Não esperava, no entanto, receber apenas dois contos entre centenas de poemas”, conta. “A mudança de abordagem foi feita com alegria e todas as mulheres negras que enviaram seus poemas dentro do prazo foram selecionadas.”

A intenção foi mostrar a diversidade estética e temática das mulheres negras na literatura. “A grande variedade é a prova que mulheres escrevem e não cabem em apenas uma categoria temática. É a prova de que curadores que não incluem mulheres negras em seus eventos literários precisam ampliar seus repertórios. Mulheres negras escritoras existem, insistem e resistem”, crava a escritora.

Conheça a lista de poetas da antologia

Participam da “Poetas Negras Brasileiras — uma antologia”: Conceição Evaristo (poema de abertura), Aline Cardoso, Ana Fátima, Andrea Cristina Garcia, Andrezza Xavier, Benedita Lopes, Bianca Gonçalves, Bianca Chioma, Bruna Barros, Camila Santana, Carina Castro, Cassiane Nascimento, Catita, Cecília Floresta, Cristiane Sobral, Dandara Kuntê, Dayane Tosta, Débora Gil Pantaleão, Eliza Araújo, Esmeralda Ribeiro, Evinha Eugênia, Fabíola Cunha, Fernanda Rodrigues, Georgia Ianka, Gessica Borges, Giovanna Pina, Hilda França, Isabela Alves, Ivy de Lima, Jaisy Cardoso, Jarid Arraes, Jéssica Ferreira, Jéssica Regina, Jhen Fontinelli, Jovina Souza, Juliana Berlim, Juliana Gonçalves Tolentino, Karla Alves, Kiusam de Oliveira, Laís Santos, Lara de Paula Passos, Laura Oliveura, Lorena Ribeiro, Lubi Prates, Luna Vitrolira, Ma Njanu, Maggie Paiva, Magna Oliveira, Maíra Luciana, Mari Vieira, Maria Vitória, Mariana Madelinn, Marília Casaro, Marina Farias, Marli Aguiar, Mayara Ísis, Mel Duarte, Mika Andrade, Natalia Amoreira, Nicole de Antunes, Nina Maria, Nina Rizzi, Orleide Ferreira, Pétala Souza, Priscilla Rosa, Rebeca Victória Rocha, Samantha Machado, Silvia Barros, Stella Almeida, Tainah Cerqueira, Tatiana Nascimento, Thais Andrade, Thamires P. e Zainne Lima da Silva.

Poetas negras cariocas da lista

Conceição Evaristo (Maricá/RJ)

Eliza Araújo (Campos dos Goytacazes/RJ)

Georgia Ianka (Rio de Janeiro/RJ)

Jéssica Regina (Volta Redonda/RJ)

Jhen Fontinelli (Cabo Frio/RJ)

Juliana Berlim (Rio de Janeiro/RJ)

Marina Farias (Nilópolis/RJ)

Silvia Barros (Niterói/RJ)

Stella Almeida (Macaé/RJ)

Thamires P. (Belford Roxo/RJ)

Uma eulogia para Kathlen Romeu

Kathlen-Romeu-gravida-tiroteiro-Rio-2Kathlen Romeu,  que morreu assassinada durante investida de forças policiais na comunidade do Lins na cidade do Rio de Janeiro

Ao longo de pouco mais de uma década da existência deste espaço, escrevi várias eulogias para pessoas com quem convivi, aprendi e admirei a partir do meu convívio pessoal. Além dos textos refletirem o meu esforço para reconhecer o impacto que as pessoas retratadas tiveram na minha vida e na de outros, escrever eulogias é um esforço pessoal para conviver com a perda de pessoas que foram e continuam sendo importantes na forma com que toco a minha vida.

Hoje decidi escrever uma eulogia para Kathlen Romeu, jovem mulher negra assassinada muito provavelmente por uma arma empunhada por uma agente das forças policiais do Rio de Janeiro. Ao contrário das outras pessoas a quem dediquei minhas eulogias, nunca encontrei pessoalmente com Kathlen, mas conheço pelo menos uma pessoa que teve a oportunidade de ser seu professor. Kathlen, como mostram suas fotos que estão aparecendo nas redes sociais, era uma jovem que tinha sonhos e, mais importante, trabalhava para torná-los realidade.  Os relatos que surgem é de que era uma pessoa de bem com a vida, ainda que preocupada com o espectro da violência que se abate diariamente sobre os negros brasileiros, especialmente aqueles que nascem e vivem em áreas impactadas pela pobreza e pela constante ação do aparato repressivo do Estado brasileiro.

Um detalhe que me impactou particularmente no caso de Kathlen foi o fato de que ela estava grávida em uma gestação que deveria estar no seu quarto mês de duração. Assim, o seu assassino não ceifou apenas a vida de uma jovem mulher negra, mas também do ser humano em formação que ela carregava dentro de si. Mais chocante ainda é saber que esse duplo assassinato é apenas mais um de uma série de extermínios de mulheres, a maioria negra, grávidas no chamado “Grande Rio“. Isso me leva a crer que o extermínio de Kathlen Romeu não foi um mero “acidente de trabalho”, mas faz parte de uma ação orquestrada para intimidar ainda mais aqueles que já vivem eternamente em contato direto com o medo.

A morte de Kathlen Romeu deveria deixar qualquer um que se preza como ser humano com o sangue fervendo, pois não há como aceitar que alguém que passou pela vida realizando coisas boas para quem se aproximava dela se torne apenas mais uma estatística nos malfeitos cometidos pelo Estado. Aliás, o silêncio das autoridades constituídas, a começar pelo governador acidente Cláudio Castro, revela que os culpados pela morte de Kathlen e de tantas outras pessoas não são apenas aqueles que disparam suas armas em condições de pouquíssima transparência e controle por parte da sociedade fluminense.

Se esse texto chegar até quem conviveu com Kathlen Romeu, quero apenas dizer que o mero contato com as narrativas de quem ela foi, e mais importante, o que ainda poderia ser como mãe e como cidadã, me motivou a expressar meu sentimento de senso de perda pessoal que sua morte me causou.  Por isso, me somo à todas as vozes que estão se levantando para exigir que seu assassinato seja exemplarmente apurado e os responsáveis punidos de forma rigorosa.

Ondas da Resistência: podcast, site, artigos e lives ecoam vozes de populações atingidas pelo vazamento de petróleo e pela COVID-19

Iniciativa do Intervozes em parceria com entidades representativas de Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs) será lançada nesta sexta-feira (24)

ondas de resistencia

“As mulheres daqui muitas não tão doente de coronavírus, tão doente de tristeza porque não podem trabalhar, porque mesmo se for pra maré e catar algo não tem onde vender”. A voz forte da pescadora Joana Moussinho chega a embargar quando fala da vida dela e de suas companheira de maré e da Articulação Nacional de Pescadoras (ANP). Para Joana, suas vizinhas e parentes de Itapissuma, litoral pernambucano, o ‘novo normal’ imposto pela pandemia chegou antes em forma de prenúncio, quando o mar se pintou de preto, em fins de 2019.

Quase um ano se passou desde que o maior desastre com petróleo do Atlântico Sul aconteceu no Brasil vitimando mares, mangues, rios e estuários de 11 estados e 130 municípios, com danos irreversíveis a localidades invisíveis aos mapas e jornais, muitas destas no nordeste do país. Pescadoras, pescadores, marisqueiras, quilombolas, catadoras de mangaba, indígenas, agricultores/as e outros Povos e Comunidades Tradicionais diretamente atingidos pelo vazamento de petróleo denunciam a falta de respostas do Estado. A interrupção do trabalho é agora agravada pela interiorização do novo coronavírus ameaçando a subsistência e os modos de vida tradicionais.

Hoje, 11 meses após o aparecimento das primeiras manchas no litoral, a imprensa e o Estado brasileiro parecem considerá-lo episódio superado. Buscando quebrar o silêncio, nesta sexta-feira, 24, será lançado o projeto Ondas da Resistência, que reúne esforços coletivos para para contar histórias e dar voz a pescadoras, pescadores, marisqueiras e outros PCTs que vêm enfrentando os impactos do vazamento de petróleo agravados pela crise sanitária da Covid-19.

Iniciativas

Um dos instrumentos principais do projeto é o site www.ondasdaresistencia.org, que reunirá dados e informações da Pesquisa Vozes Silenciadas – a cobertura da mídia sobre o derramamento de petróleo na costa brasileira, e artigos sobre comunicação, justiça socioambiental e direitos de povos e comunidades tradicionais.

Outra iniciativa, que leva o mesmo nome do projeto, é o podcast, que será apresentado por Tâmara Terso, mulher negra, jornalista, integrante do Intervozes, e Maryellen Crisóstomo, mulher negra, jornalista e integrante da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).

Com seis episódios previstos, o podcast abordará a situação de territórios atingidos pelo vazamento de petróleo e pela pandemia do novo coronavírus e estará disponível no site do projeto e nas plataformas Spotify, Deezer e Google Podcasts.

Com financiamento da Fundação Heinrich Boll, o projeto Ondas da Resistência é coordenado pela Intervozes e desenvolvido em parceria com diversas entidades, como Movimento de Pequenos Agricultores (MPA), Articulação Nacional de Pescadoras (ANP), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP), Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP), Movimento das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Nordeste (MMTR-NE), Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), Carrapicho Virtual, Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA Brasil) e Escola das Águas.

Pesquisa Vozes Silenciadas

De acordo com a pesquisa Vozes Silenciadas – a cobertura da mídia sobre o derramamento de petróleo na costa brasileira, lançada no dia 5 de junho deste ano, em média 60% das fontes ouvidas pela imprensa nacional em reportagens e matérias sobre o vazamento do petróleo foram autoridades públicas e apenas 5% foram oriundas de moradoras e moradores de territórios tradicionais pesqueiros e outras comunidades.

O estudo investigou a cobertura de sete veículos de comunicação impressa, três jornais televisivos e uma mídia pública, são eles: O Globo (RJ), Folha de S. Paulo (SP), O Estado de S. Paulo (SP), A Tarde (BA), Jornal do Commercio (PE), O Estado do Maranhão (MA), Diário do Nordeste (CE), Jornal Nacional, SBT Brasil, Jornal da Record e Agência Brasil. A análise qualitativa se ateve aos materiais jornalísticos não opinativos, totalizando 350 conteúdos analisados.

Verifica-se, por exemplo, que a referência ou nomeação de “pescadores/as” e “marisqueiros/as” é quase que apagada dos títulos dos jornais impressos estudados. Dos 16 títulos de O Globo, não há sequer uma menção às palavras “pescadores”, “pescadoras”, “marisqueiros” ou “marisqueiras”. Já na Folha de S. Paulo, dos 55 títulos listados, aparecem apenas três. O Estado de S. Paulo abordou o vazamento do petróleo em 31 títulos, mas somente em um referenciou as categorias dos trabalhadores/as atingidos/as.

“Quando fizemos a pesquisa, ficou explícita como a imprensa e o próprio Estado não reconhecem as mulheres negras e indígenas, pescadoras, marisqueiras e outras que vivem das águas, como sujeitas de direito, como silenciam e invisibilizam estas pessoas, daí a ideia de buscar espaços em que estas histórias e vozes pudessem ser amplificadas”, conta Iara Moura, jornalista e integrante do Intervozes.

Mulheres Negras Latino-americanas e Caribenhas

Também marcando o lançamento do Ondas da Resistência, na semana do Dia Internacional de Luta da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha e do Dia Nacional Tereza de Benguela, será realizada, na sexta-feira, 24, a partir das 16h, a live “Mulheres Negras Latino-americanas e Caribenhas e a luta pelo Direito à Comunicação”.

A atividade será transmitida ao vivo pelos perfis do Intervozes no Youtube e Facebook e contará com as presenças de Maryellen Crisóstomo (jornalista, quilombola, executiva da CONAQ), Leonor Soares (jornalista, militante feminista negra e interseccional, mestranda em Direitos Humanos na Universidade de Brasília, diretora do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal e diretora da Federação Nacional dos/as Jornalistas), Alana Vieira (comunicadora afroperuana e feminista, com experiência em comunicação política. Ativista e sócia da Anistia Internacional Peru) e Vilma Almendra (indígena nasa-misak do Cauca na Colômbia, integrante do coletivo Pueblos en Camino). A mediação será da coordenadora executiva do Intervozes, Gyssele Mendes.

Durante o projeto Ondas da Resistência, outras lives serão realizadas, com temáticas que discutirão direito à comunicação e justiça socioambiental.

Serviço

Lançamento do projeto Ondas da Resistência, sexta-feira, dia 24 de julho

– 12h: Lançamento do site e primeiro episódio do podcast (www.ondasdaresistencia.org)
– 16h: Live “Comunicação e Mulheres Negras na América Latina” (Facebook e Youtube do Intervozes)

 Margarette Macaulay, relatora da OEA, reunida com mulheres negras em evento no Rio

 

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Relatora da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), Margarette May Macaulay – esteve ontem (27/09) em agenda pública, para debater e reconhecer casos sobre violação de direitos humanos das mulheres negras. Das muitas convidadas Cátia Cruz, Clátia Vieira do Fórum Estadual de Mulheres Negras Rio, as escritoras Wânia Sant’Anna e Helena Theodoro, Mãe Flávia e Defensora Livia, Janaína da Grife Afro Jô, Helena Theodoro, Dra. Sandra (vice-presidente da  comissão igualdade racial da OAB Rio), entre outras.

O evento, repleto de representantes negras, aconteceu ono Hotel Vila Galé, na Rua do Riachuelo.