Fogo no Museu, bilhões para as universidades privadas

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Já foi informado por diversas fontes da mídia corporativa que o BNDES estaria pronto para desembolsar R$ 21 milhões num empréstimo que teria sido usado para realizar uma ampla reforma nas estruturas do Museu Nacional. O empréstimo agora deverá ser inviabilizado pelo simples fato de que o prédio e 90% da sua coleção foram perdidos para o incêndio devastador que ali ocorreu.

Entretanto, esse dinheiro não deverá  ficar muito tempo parado dentro do BNDES.  É que no dia de hoje, o jornal Valor Econômico informou, em matéria assinada pela jornalista Beth Koike, que o BNDES e o Ministério da Educação negociam a criação de uma linha de crédito, de R$ 2 bilhões, para ajudar faculdades particulares a financiar as mensalidades de seus estudantes [1].

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Na prática o dinheiro (público) do BNDES seria entregue para que os estudantes das instituições privadas de ensino se endividem para que não fiquem inadimplentes em suas mensalidades. A coisa é tão estapafúrdia que as instituições que utilizarem essa linha estarão supostamente impedidas de “ganhar dinheiro”. Ora, o pagamento de mensalidades serve para que elas façam o que?

Há que lembrar que com esse valor seria possível reformar várias vezes as estruturas de todos os museus federais existentes no Brasil, e impedir que novas catástrofes como a do Museu Nacional aconteça. Mas a verdade é que, como ocorre com todos os governos neoliberais, os únicos que são beneficiados com empréstimos generosos são aquelas que já estão ganhando o máximo que podem da precarização da coisa pública.

Por isso, os ataques que estão sendo realizados contra a reitoria da UFRJ e a diretoria do Museu Nacional não passam de exercícios de puro cinismo, vindos daqueles que se beneficiam privadamente da destruição daquilo que é público no Brasil.


[1] https://www.valor.com.br/empresas/5799801/bndes-negocia-liberar-r-2-bi-para-faculdades

Sérgio Sá Leitão Filho, o ministro que é a cara do governo Temer

Sa Leitao, the new Minister of Culture gestures during his inauguration ceremony, at the Planalto Palace, in Brasilia

Estou atualmente em Portugal para um período de pesquisas no Centro de Pesquisas em Ecologia, Evolução e Mudanças Ambientais da Universidade de Lisboa. Nessa condição fui hoje inquirido pela supervisora sobre como o dito ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão Filho, não ter sido imediatamente demitido após o incêndio que devorou mais de 90% do acervo do Museu Nacional. 

Esse tipo de pergunta está sendo feito por todos os cantos da Europa, na medida em que parece impensável por aqui que um ministro não seja demitido depois de um incidente tão grave como o que acometeu o Museu Nacional.

Mas ainda bem que não havia ainda lido a entrevista publicada pela rede inglesa BBC onde o ministro Sá Leitão Filho não só se exime das suas responsabilidades, como joga o problema para os anos de governo do PT e para a reitoria da UFRJ [1]. 

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Não fosse Sá Leitão Filho um quadro egresso PT,  o qual ascendeu ao cargo muito em função trajetória que lhe foi construída nos anos dourados de Lula no Palácio Planalto, a coisa já seria feia. Mas o fato é que os dados apresentados pelo ainda ministro para defender sua gestão são tão frágeis que não resistem a um exame que seja minimamente crítico. Teria sido mais honesto e corajoso dizer que ele dirige um ministério de fachada e que nessa condição ele apenas cumpre a parte ritualística do cargo, não tendo capacidade real de resolver qualquer problema que seja.

Entretanto, honestidade e coragem não são definitivamente características fáceis de serem encontradas dentro do governo “de facto” de Michel Temer.  Aliás, muito pelo contrário. O que transparece na fala de cada componente desse governo ilegítimo é a capacidade para fazer troça com a desgraça estabelecida no Brasil.  Nesse sentido, Sérgio Sá Leitão Filho é mais do que ninguém a cara do governo Temer. Sem tirar, nem por.


[1] https://www.bbc.com/portuguese/brasil-45398965

Que o lamento pelo Museu Nacional se transforme em cuidado com a Casa de Cultura Villa Maria

Por Simonne Teixeira*– João Pessoa, setembro de 2018.

Domingo à noite entrei numa espécie de torpor, numa atmosfera nublada, da qual ainda não consegui sair completamente. As imagens do Museu Nacional ardendo em chamas abrasou meus olhos e chorei. O Museu Nacional é (porque ainda não assimilei seu desaparecimento) uma referencia na minha formação: estágio e pesquisas; colegas professores, antes estudantes. Partilhei as angustias cotidianas de saber e reconhecer o valor material e imaterial desde que seria o maior e mais importante patrimônio cultural e cientifico da nação, ao mesmo tempo que via o deterioro do edifício e das coleções, apesar dos esforços ciosos dos professores, estudantes e alunos para garantir sua integridade. Uma luta sem trégua, resistência persistente daqueles que zelavam pelo patrimônio de todos.

Na noite de domingo recebi inúmeras mensagens de amigos, alunos e ex-alunos chocados  diante daquelas imagens. Não sei se buscavam consolo ou queriam me consolar. Em realidade, estávamos todos nos sentido atacados por alguma coisa que não eram apenas aquele fogo que levava consigo parte da historia do mundo. Muitos vinham me lembrar das aulas, dos debates e discussões que tivemos ao longo destes 22 anos em que sou professora na Universidade Estadual do Fluminense (Uenf). Era para me sentir orgulhosa. Me sentia envergonhada.

Olhando aquelas imagens na TV não podia deixar de pensar nos riscos que nossas instituições centenárias estão expostas pelo descaso e pela falta de investimento. Não seria a primeira vez que tive sobressaltos com a possibilidade ver a Casa de Cultural Villa Maria da Uenf Darcy Ribeiro, ardendo em chamas. Mas naquele momento elas assumiam uma concretude dolorosa, cheguei a ver nas ruínas do Museu Nacional as da Villa Maria.

O dia-a-dia como gestora da Casa de Cultura Villa Maria exige uma espécie de cegueira consciente aos inúmeros problemas que enfrentamos devido à falta de recursos para uma restauração adequada ou mesmo para acudir aos pequenos reparos. Depois de dois anos e nove meses como gestora na Casa, vamos nos acostumando a ver os buracos no teto; as peças dos mosaicos do piso soltas, assim como os tacos de madeira; as infiltrações e as paredes manchadas; aos arbustos que brotam no telhado, assim como os problemas estruturais no telhado do anexo construído mais recentemente, sem os cuidados e os materiais de qualidade; dentre tantos outros. A lista é grande e os recursos inexistem. Nossa resistência tem sido, apesar dos problemas, dar vida à Casa, conhecer os problemas e buscar soluções que permitam o desenvolvimento das atividades fins.

Que bom seria neste ano em comemoramos o seu centenário, termos os recursos, para garantir que a Villa Maria possa comemorar o seu bicentenário, e outros tantos centenários! O espectro do incêndio do Museu Nacional deveria se configurar como alerta a todos nós, gestores da universidade, do município, do estado e dos órgãos de cultura. É preciso um esforço consciente e poderoso, com apoio da sociedade civil no sentido de tratar a cultura e a ciência como um elemento fundamental em nossa existência. O que podem tirar nós para que deixemos de ser nós mesmos? A resposta é curta: nossa memória. A memória deve ser como um farol, iluminando nosso passado para sabermos quem somos e podermos construir o nosso futuro, ou quem queremos ser. Defender nosso patrimônio, é defender nossa memória, é construir o futuro.

Desejo à Villa Maria um futuro longevo (milenar, se acaso não estou exagerando), reafirmando a importância cultural e científica da UENF no norte fluminense, resguardando a memória local. Que sua presença no Quadrilátero Histórico, seja para nós, sempre um inspiração à generosidade, a mesma que Maria de Queiróz, a Finazinha, teve como sua cidade e com sua gente. Desejo que o único fogo seja o de nossos corações, ardendo em júbilo por sermos capazes de garantir às futuras gerações nosso legado cultural, científico, cultural.

*Simonne Teixeira é professora associada do Laboratório de Estudos do Espaço Antrópico, bolsista de produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e diretora da Casa de Cultura Villa Maria.

“Foi uma tragédia anunciada” – Fogo destrói o Museu Nacional do Brasil e suas premiadas coleções científicas

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Incêndio no Museu Nacional do Brasil no domingo FOTO AP / LEO CORREA

Por Herton Escobar e Gretchen Vogel para a Science [1]

Um incêndio no Museu Nacional do Brasil no Rio de Janeiro destruiu uma das coleções científicas mais importantes do país. Ninguém ficou ferido no incêndio, que eclodiu depois que o museu fechou no domingo à noite. Mas o incêndio devastou os enormes arquivos e coleções do museu, com cerca de 20 milhões de itens, segundo algumas estimativas. O museu não tinha sistema de sprinklers, e apenas uma quantidade limitada de água  estava disponível em hidrantes localizados ao lado do prédio quando os bombeiros chegaram.

Fundado há 200 anos, antes da independência do Brasil de Portugal, o museu abrigava antigos artefatos egípcios, gregos e romanos, importantes coleções de paleontologia e história natural, incluindo um dos mais antigos fósseis humanos da América Latina, o crânio de 11.500 anos chamado Luzia. Nos últimos anos, os problemas orçamentários haviam atormentado o museu, e os cientistas haviam alertado, desde 2004, para uma rede elétrica precária e para a falta de proteção contra incêndios.

“É uma perda irreparável, não só para a ciência brasileira, mas para o mundo. O edifício pode ser reconstruído, restaurado e tudo mais, mas as coleções nunca poderão ser substituídas. Dois séculos de ciência e cultura estão perdidos para sempre ”, disse Sergio Alex Azevedo, paleozoologista e ex-diretor do museu.

A extensão total do dano ainda não está clara. Alguns espécimes de vertebrados e algumas coleções de botânica foram alojados em um prédio separado que não foi afetado pelo incêndio. Mas milhões de espécimens, incluindo a coleção de invertebrados globalmente importante do museu, foram destruídos. Imagens aéreas mostravam telhados desmoronados, com pilhas de cinzas e entulho no interior das paredes externas que estavam de pé. O interior do prédio era em sua maioria de madeira, e as atualizações de segurança eram difíceis de serem feitas por causa das regras federais que regem sites historicamente protegidos. (O edifício foi construído em 1808 como a residência oficial da família real portuguesa no Brasil.)

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) gerenciou o museu com recursos do governo federal, e muitos cientistas culparam o subfinanciamento crônico pelo desastre. “Todos nós sabíamos que algo assim ia acontecer mais cedo ou mais tarde; era apenas uma questão de tempo ”, disse o antropólogo Walter Neves, professor aposentado da Universidade de São Paulo, que descreveu o crânio de Luzia. “O museu foi completamente abandonado, deixado a apodrecer pelo desdém e descuido das autoridades públicas. Estou em completa tristeza ”, disse ele. (O crânio de Luzia foi coletado na década de 1970, mas permaneceu esquecido no museu até que Neves o encontrou 20 anos depois. Ele foi mantido em um estojo de metal, então os pesquisadores dizem que existe a possibilidade de ele ter sobrevivido ao incêndio.)

Outros compartilhavam a raiva e a tristeza de Neves. “Foi uma tragédia anunciada”, diz o herpetólogo Hussam Zaher, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, que é natural do Rio e iniciou sua carreira científica no Museu Nacional. “O museu nunca recebeu o reconhecimento que merecia.”

Alexander Kellner, o paleontólogo que recentemente se tornou diretor do museu, usou as comemorações do aniversário de 200 anos do museu em junho para soar novamente o alarme, dizendo que o museu precisava de ajuda urgente para atualizar sua infraestrutura. A coleção de paleontologia continha vários espécimes-chave de pterossauros, a especialidade de Kellner, dinossauros e outros animais pré-históricos da América do Sul.

“Me deixa extremamente triste pensar naqueles milhões de espécimes e exibições, o produto de duzentos anos de coleta e o trabalho da vida de tantas centenas de cientistas e exploradores, apenas pegando fogo e transformando-se em pó. Isso me faz querer chorar ”, diz o paleontólogo Stephen Brusatte, da Universidade de Edimburgo, que trabalhou com as coleções de fósseis do museu.

O físico Luiz Davidovich da UFRJ, presidente da Academia Brasileira de Ciências, diz que o desastre foi algo “para ser lamentado oficialmente com bandeiras a meio mastro”, para que todos soubessem que “o Museu Nacional está morto”. O incêndio é outro golpe,  além dos drásticos cortes orçamentários recentes, acrescenta. “É outro triste capítulo no desmantelamento da ciência brasileira – que afeta não só o futuro do país, mas também sua memória”.

Publicado originalmente em inglês pela revista Science [Aqui!]

Mídia internacional dá outro banho de cobertura no caso do Museu Nacional

Tem algum tempo que venho notando neste blog que se algum brasileiro quiser se informar minimamente sobre o que acontece no Brasil deve procurar os sites dos veículos da mídia internacional que tenham cobertura sobre o nosso país.  Isso não chega a ser nenhuma surpresa já que a mídia corporativa brasileira sempre opta por oferecer coberturas superficiais e desequilibradas do ponto de vista ideológico. 

O caso do incêndio que devastou o Museu Nacional está se mostrando outro exemplo de como a mídia internacional é capaz de oferecer matérias mais substanciais e até manchetes que expressam a real dimensão, bem como as causas subjacentes ao episódio.

Cito apenas para exemplo as matérias publicadas pelo jornal El País, pela rede inglesa BBC e pela alemã Deustche Welle (ver reproduções abaixo).

 

Não sei qual das manchetes é mais ilustrativa do que tivemos no incêndio do Museu Nacional, mas a manchete de que o “Brasil queimou- e não tinha água para apagar o fogo” é a mais reveladora do estado de coisas em nível federal e estadual, já que as responsabilidades sobre o incêndio estão depositadas diretamente nos ombros de Luiz Fernando Pezão e Michel Temer.

Entretanto, sabermos que “em 2017, mais brasileiros foram ao Louvre, em Paris, do que ao Museu Nacional“, ou que a “verba usada no Museu Nacional em 2018 equivale a 2 minutos de gastos do Judiciário e 15 minutos do Congresso” também deixa a coisa bem clara sobre como a cultura nacional é vista (aliás, não é) pelas elites que controlam o Brasil.

Para quem desejar ler essas matérias, basta clicar [1 , 2 , e 4

O incêndio do Museu Nacional pode ser apenas o primeiro

pec gastos

Por mais dramático que seja, o incêndio que dizimou o rico acervo que era guardado no Museu Nacional é apenas um tímido sinal do que pode acontecer no  Brasil se for mantido o congelamento imposto pela chamada PEC do teto de gastos.  É que outros incêndios estão na fornalha, e poderão tornar o do Museu Nacional apenas mais um entre tantos outros.

É preciso lembrar que a PEC do teto de gastos congelou o investimento público pelos próximos 20 anos não apenas na área da ciência e tecnologia, mas em tantos outras em que as corporações não investem, apenas lucram. A começar por saúde e educação, a limitação atingirá a espinhal dorsal dos serviços públicos, e tenderá a criar um fosso social muito maior do que o já existente. E olha que o Brasil já é uma das maiores concentrações de renda no mundo!

A maior mostra da seletividade da PEC em termos da sua distribuição de efeitos deletérios, basta ver a figura abaixo que compara as despesas do Museu Nacional com um único contrato lavrado pela Câmara de Deputados para que se entenda quais foram as prioridades que foram levadas em conta!

museu camara

E não esperem que membros do moribundo governo “de facto” de Michel Temer apareçam para reconhecer suas responsabilidades. É mais fácil algum dos ministros que ainda sobraram aparecerem para dar um show de cinismo e colocar a culpa em que está tendo que se virar para gerir órgãos públicos que recebem cada vez menos recursos em meio ao aumento da demanda pelos seus serviços.  Um exemplo dessa postura cínica foi dada ontem para dizer que o gerenciamento da verba do Museu Nacional cabe à UFRJ que possui autonomia para executar seus orçamentos [1]. Tudo estaria bem se a UFRJ não estivesse amargando com o encolhimento de seu orçamento, operando basicamente no vermelho há vários anos, em que pese ser uma das melhores universidades da América Latina.

 

Seguindo o raciocínio elaborado por Carlos Marun, todos os que morrerem por falta de hospitais públicos nos próximos anos só terão a sí mesmos para culpar, visto que ficaram doentes quando sabiam que não havia recursos para oferecer serviços adequados. 

Quero ainda lembrar que o governo ilegítimo de Michel Temer foi extremamente cuidadoso ao não incluir os gastos com juros bancários causados pela dívida pública na PEC do teto de gastos. Com isso, a atual proporção de mais de 50% do orçamento da União poderá não ser apenas mantido, como também poderá aumentar, em detrimento de serviços públicos essenciais que, estes sim, terão seus orçamentos congelados.

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 Por isso, é esperada a reação de setores da direita que, em vez de reconhecer o papel das políticas ultraneoliberais sobre a capacidade da UFRJ de funcionar corretamente, estão centrando seu fogo na reitoria da instituição em função da filiação partidária de seus membros.  É que o fogo que destruiu o Museu Nacional deixa nua a verdade sobre os efeitos que estas políticas estão já causando no Brasil. Quanto maior for a estridência desses setores, maior é o seu temor de que as chamas que consumiram 200 anos de história sirvam para tirar a população de sua postura expectante. 

O meu desejo é que os piores temores da direita sejam confirmados. Ou é isso, ou teremos outros incêndios no Brasil.


[1] https://oglobo.globo.com/rio/agora-que-aconteceu-tem-muita-viuva-chorando-diz-marun-sobre-incendio-no-museu-nacional-23035180

Em Campos existem outros patrimônios históricos prontos para arder. Vamos esperar pelas chamas para nos mexer?

Ainda sinto uma indignação incontível com as cenas do incêndio que exterminou uma das maiores coleções arqueológicas do mundo na Quinta da Boa Vista. Mas como morador da cidade de Campos dos Goytacazes, sinto-me ainda mais incomodado quando vejo outros patrimônios históricos abandonados à mercê da própria sorte pelos governantes e pelo setor privado.

Falo aqui do  Solar Maria Queirós de Oliveira que abriga a Casa de Cultura Villa da Maria da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e do prédio do Mercado Municipal de Campos dos Goytacazes.   O solar completa este ano 100 anos e o prédio do mercado foi inagurado há 97 anos.

Ambos monumentos são monumentos históricos e sofrem com o caso dos (des) governos de Luiz Fernando Pezão e Rafael Diniz, principalmente no que se refere a elementos mínimos de manutenção.  

A situação da Casa de Cultura Villa Maria só não é pior porque sua diretora, a historiadora Simonne Teixeira, realiza um trabalho hercúleo onde precisa tirar leite de pedra todos os dias em meio à completa ausência de recursos financeiros.  Mas é sabido que o solar doado por Maria Queirós de Oliveira encontra-se em condições lamentáveis em termos de sua infraestrutura elétrica e de telhado. E é preciso dizer que, como no caso do Museu Nacional, a Casa de Cultura possui um projeto preparado à espera da liberação de recursos por parte do (des) governo Pezão.

Mas a Casa de Cultura da Uenf e o Mercado Municipal não são os únicos patrimônios arquitetônicos que estão expostos ao mesmo tipo de destino que foi reservado ao Museu Nacional. O jornalista Vitor Menezes lembrou em sua página no Facebook o caso do Solar dos Ayrizes que está completamente abandonado.  Ele também mostra preocupação com a situação do  Solar do Colégio dos Jesuítas que abriga o Arquivo Público Municipal de Campos dos Goytacazes.

Assim, para que não tenhamos que chorar pela perda desses patrimônios, há que se mobilizar para pressionar Pezão e Rafael Diniz que saiam de sua indiferença olímpica e liberem os recursos necessários para não tenhamos outros incêndios que realizem aqui o mesmo de desastre que acaba de acontecer no Museu Nacional.