Agrotóxicos fazem pássaros perder peso e o rumo em seus voos para se reproduzir

Segundo pesquisas, os agrotóxicos que estão matando e alterando o fluxo migratório de diversas aves são os mesmos que exterminam abelhas no mundo todo, pondo em risco a reprodução vegetal

GARY KRAMER/US FISH AND WILDLIFE SERVICE

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Por Rede Brasil Atual, Redação

São Paulo – Os prejuízos dos agrotóxicos à saúde e ao meio ambiente não têm mesmo limites. Além de serem os principais responsáveis pelo desaparecimento de inúmeras espécies de abelhas em todo o mundo, colocando em risco a polinização para reprodução de mais de 70% das espécies vegetais, os agroquímicos neonicotinóides também estão por trás do adoecimento, morte e alterações no senso de direção de aves migratórias. É o que revela uma pesquisa das universidades de Saskatchewan e de York, no Canadá.

Segundo o estudo divulgado em boletim da revista científica Nature, no início de novembro (clique aqui para ler), os pesquisadores capturaram pardais de coroa branca (zonotrichia leucophrys) durante migração do sul dos Estados Unidos e parte do México para o Canadá. E os alimentaram com milho tratado com doses baixas e altas de imidacloprida, da classe dos neonicotinóides, fabricado principalmente pela Bayer, e clorpirifós, um organofosfarado produzido pela Dow.

Após o experimento, os pesquisadores observaram que os pássaros do grupo controle mantiveram massa corporal e preservaram sua orientação norte-norte, conforme a direção de seu fluxo migratório. Já os que receberam imidacloprida exibiram perda significativa nas reservas de gordura e massa corporal conforme as dosagens recebidas. E os tratados com clorpirifós não tiveram prejuízos sobre a massa corporal, mas danos significativos na orientação.

Os resultados, segundo os cientistas, sugerem que as aves selvagens que consomem o equivalente a apenas quatro sementes de canola tratadas com imidacloprida ou oito grânulos de clorpirifós por dia, ao longo de três dias, podem sofrer comprometimento físico, tão importante para os voos, além de atrasos de migração e direção migratória inadequada. Consequentemente, estão com maior risco de mortalidade e menos chances de se reproduzir.

O plantio e a aplicação dos agrotóxicos ocorrem na primavera, período em que as aves estão migrando para o norte e param nas plantações para se alimentar e seguir jornada.

Ao jornal inglês The Guardian, os cientistas afirmaram que os resultados das pesquisas são considerados “dramáticos”. Não é à toa que em 2013 a União Europeia proibiu três neonicotinóides devido a riscos inaceitáveis ​​para abelhas e outros polinizadores. E está em análise a proibição total. O Canadá também está considerando uma proibição total. Os danos ambientais causados por produtos estão embasando argumentos em prol da redução do uso desse agrotóxico.

Atualmente, os pesquisadores canadenses avaliam os níveis de inseticidas no sangue das aves, para medir o nível de contaminação. Eles também estão analisando dados de aves marcadas com radio. Mesmo com doses menores de neonicotinoides, parece haver prejuízos à sua orientação durante a migração.

Não é de hoje que os agrotóxicos são suspeitos de causar o declínio das populações de pássaros em áreas de cultivo agrícola.

Em julho, o mesmo The Guardian publicou reportagem em que discutia a associação entre o inseticida agrícola mais usado no mundo e o desaparecimento de aves migratórias, durante o voo, por perder o senso de direção. E mesmo a interferência do veneno na saúde de pássaros, levando-os à perda de peso e à morte.

E citava uma pesquisa publicada na revista Nature, de cientistas da Universidade de Tadboud, na Holanda. Em 2014, o grupo holandês associou os neonicotinóides a danos e morte em outras formas de vida selvagem além das abelhas.

Os pesquisadores queriam conhecer as causas da diminuição de pássaros nas zonas rurais da Europa e América do Norte nas últimas décadas. Chegaram à conclusão de que as populações de aves decaíram mais acentuadamente nas áreas onde a contaminação por neonicotinóide era mais alta.

ONU

O fim do uso de agrotóxicos na agricultura é recomendado pela ONU. Em março passado, dois integrantes do Conselho de Direitos Humanos da organização, Hilal Elver e Baskut Tuncak, defenderam a criação de um tratado global para regulamentar e acabar com o uso desses produtos. Eles defendem práticas agrícolas sustentáveis em prol da saúde humana. Para os especialistas, os padrões atuais de produção e uso de pesticidas são muito diferentes em cada país e causam sérios impactos aos direitos humanos.

Em seus relatórios, eles citam pesquisas que mostram que os agrotóxicos causam cerca de 200 mil mortes por envenenamento a cada ano em todo o mundo. Quase todas as fatalidades – 99% delas – ocorrem em países em desenvolvimento, onde as legislações ambientais são frágeis.

FONTE: http://www.redebrasilatual.com.br/ambiente/2017/12/agrotoxicos-matam-passaros-e-podem-fazer-aves-migratorias-perder-senso-de-direcao

Estudo britânico liga sumiço de abelhas ao uso de pesticida

Analisando dados sobre 62 espécies ao longo de 18 anos, cientistas concluem que os insetos que se alimentam em plantações tratadas com substância têm mais chances de sofrer declínio populacional

File photo of a bee leaving a Cirsium Trevors "Blue Wonder" thistle in the Well Child fresh garden at the Chelsea Flower Show in London

Por Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

Abelhas selvagens têm mais chance de sofrer declínio populacional quando buscam alimentos em plantações cujas sementes foram tratadas com inseticidas neonicotinoides, os mais utilizados no mercado mundial. A conclusão é de um estudo britânico publicado nesta terça-feira, 16, na revista científica Nature Communications.

O estudo utilizou dados de levantamentos sobre 62 espécies de abelhas em plantações de colza do Reino Unido, realizados ao longo de 18 anos, e ligou o declínio das populações de abelhas no país à escalada do uso de pesticidas neonitocinoides nesse período. 

Segundo os autores, o estudo reforça as conclusões das pesquisas de pequena escala feitas até agora e que identificaram os efeitos negativos dos neonicotinoides nas abelhas. Para cinco espécies, a pesquisa concluiu que os neonitocinoides foram responsáveis por pelo menos 20% das extinções locais.

O autor principal do estudo, Ben Wookcock, do Centro de Ecologia e Hidrologia do Reino Unido, afirmou, no entanto, que o uso desses pesticidas provavelmente não é a única explicação para o declínio global das populações de abelhas. 

“Embora tenhamos descoberto evidências de que o uso de neonitocinoides é um fator fundamental para o declínio das populações de abelhas, é improvável que eles estejam agindo de forma isolada em relação a outras pressões ambientais. Abelhas selvagens têm sofrido declínio em escala global, que pode estar ligado também à perda e fragmentação de hábitats, a doenças, às mudanças climáticas e outros inseticidas”, disse Wookcock.

Diversos estudos já apontavam que o uso desse tipo de inseticida pode ser nocivo para as abelhas, mas a maior parte deles havia testado apenas os efeitos a curto prazo. O uso da dos neonicotinoides foi parcialmente banido pela Comissão Europeia em 2013, com o apoio da maior parte dos países da União Europeia. O Reino Unido votou contra a proibição.

Foto: Heather Lowther / Centre for Ecology & Hydrology – UK
Estudo britânico liga sumiço de abelhas ao uso de pesticidaDeclínio das populações de abelhas foi três vezes maior entre as espécies que se alimentam regularmente da colza

Os neonicotinoides foram licenciados para uso como pesticidas no Reino Unido em 2002. Em 2011, o uso dessa classe de pesticidas havia crescido 83% nas plantações britânicas de colza. O grupo de cientistas examinou as mudanças na ocorrência das 62 espécies de abelhas em plantações de colza da Inglaterra entre 1994 e 2011, período que permitiu comparar a situação dos insetos antes e depois da introdução do uso comercial do pesticida em larga escala.

Três vezes mais impacto

Segundo o estudo, o declínio das populações de abelhas foi três vezes maior entre as espécies que se alimentam regularmente da colza – como a Bombus terrestris, conhecida no Brasil como mamangaba – em comparação com as espécies que buscam alimento em plantas florestais. De acordo com os autores, isso indica que a colza tem um papel importante para a exposição das abelhas aos neonicotinoides.

Os pesticidas neonicotinoides podem ser aplicados diretamente às sementes antes da plantação. O composto ativo se expressa de forma sistêmica ao longo do crescimento da planta, o que faz com que ele possa ser ingerido pelos insetos quando eles se alimentam do néctar e do pólen das plantas que receberam o pesticida.

“Por produzir flores, a colza é uma planta benéfica para insetos polinizadores. Esse benefício no entanto, parece se mais que anulado pelo efeito das sementes tratadas com neonicotinoides para uma ampla gama de abelhas selvagens”, afirmou Wookcock.

FONTE: http://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,estudo-britanico-liga-sumico-de-abelhas-ao-uso-de-pesticida,10000069958

A cracolândia dos polinizadores?

Estudos internacionais apontam que os neonicotinoides, inseticidas muito usados na agricultura, podem viciar abelhas e reduzir o crescimento de suas colônias. O tema é discutido por Jean Remy Guimarães em sua coluna de maio.

Por: Jean Remy Davée Guimarães

A cracolândia dos polinizadores?

Estudo publicado na ‘Nature’ indica que inseticidas neonicotinoides têm efeito viciante sobre as abelhas. (foto: Kim Seng/ Flickr – CC BY-NC-ND 2.0)

A vida anda mesmo dura para os fabricantes de pesticidas. Não bastasse a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter recentemente classificado o glifosato, herbicida mais vendido no Brasil e no mundo, como possivelmente cancerígeno – o que foi tema da coluna de março –, dois trabalhos publicados este mês na prestigiosa Natureevidenciam os impactos negativos dos inseticidas neonicotinoides, largamente utilizados na agricultura, sobre as abelhas.

Em coluna anterior, eu já havia descrito estudos de campo ingleses e franceses que demonstravam que a exposição a concentrações realistas de neonicotinoides deixava abelhas e zangões desorientados, fazendo com que 30% do efetivo da colmeia não retornasse à mesma no fim do dia, reduzindo a produção de rainhas e o tamanho da colônia.

Desta vez, os neonicotinoides são suspeitos de deixar as abelhas viciadas… em neonicotinoides. O nome dessa classe de inseticidas não é coincidência; eles têm de fato estrutura química semelhante à da nicotina e podem estimular os centros de recompensa das abelhas da mesma forma que a nicotina em humanos. O efeito viciante de neonicotinoides em ratos já havia sido demonstrado em 2012 por pesquisadores japoneses.

Esses inseticidas têm de fato estrutura química semelhante à da nicotina e podem estimular os centros de recompensa das abelhas da mesma forma que a nicotina em humanos

Agora os autores de um artigo publicado na Nature verificaram que abelhas não só não evitam alimentos com neonicotinoides como preferem estes em relação aos que não contêm o pesticida, o que reduz sua ingestão total de alimento.

Os resultados desmontam o argumento – não comprovado – usado pelos fabricantes para contrapor os estudos anteriores que já apontavam a nocividade dessa classe de inseticidas para abelhas e outros generosos polinizadores. Segundo eles, as abelhas seriam espertas e evitariam os cultivos tratados, reduzindo assim sua exposição (ao custo de deixar de polinizá-los, supõe-se). Mas, infelizmente, se alguns dos sensores das abelhas não detectam a presença dos neonicotinoides, outros percebem muito bem seu canto mavioso e a promessa de prazer, ou fugaz alívio da dor da abstinência. (Alô, fumantes e outros dependentes químicos, isso soa familiar?)

Que mania a indústria tem de inventar produtos viciantes! O fast-food é nocivo e viciante. Os psicotrópicos, idem. Agora temos pesticidas que viciam suas vítimas pretendidas e as outras também. Aguardo ansioso por estudos que investiguem se os neonicotinoides provocam adição em humanos, assim como provocam em abelhas e ratos.

Não duvido que depois de estrilarem como de costume, os fabricantes acabem revertendo essas evidências a seu favor. Já posso imaginar os slogans explorando a atração irresistível das pragas pela toxina que vai matá-las. Pelo menos até desenvolverem resistência ao produto. Que beleza, inventamos a zoocracolândia rural! Nada detém o progresso.

Extermínio de populações

Enquanto isso, um segundo estudo da Nature mostrou que o tratamento de sementes de plantas com flores com o inseticida Elado, que contém uma combinação de um neonicotinoide (clothianidin) e um piretroide (β-cyfluthrin), teve sérias consequências para abelhas selvagens, reduzindo a densidade das colônias, bem como seu crescimento, tudo isso nas chamadas condições de campo, em que a intensidade da exposição e suas vias são semelhantes àquelas vigentes rotineiramente em cultivos reais.

Colmeia
O tratamento de sementes de plantas com flores com um inseticida que contém um neonicotinoide reduziu a densidade e o crescimento de colônias de abelhas selvagens. (foto: Jordan Schwartz/ Flickr – CC BY 2.0)

Os estudos em questão ganharam razoável destaque na imprensa estrangeira (esqueça a local, incorrigível), porque a Comunidade Econômica Europeia aprovou uma moratória sobre o uso de certos neonicotinoides na agricultura. A moratória foi pesadamente criticada pelo governo inglês, que a acusa de não ser baseada em evidências científicas suficientes e prefere ir na onda de um relatório da Fera (Food and Environment Research Agency), agência inglesa para pesquisa sobre alimentos e meio ambiente.

Os resultados apresentados no relatório dizem basicamente o contrário das conclusões do mesmo, um caso inédito de bipolaridade bibliográfica

O problema é que a Fera não só é mansa como também míope. O tal relatório não passou pelo crivo anônimo dos pares, como acontece com um artigo científico que se preze, já que é apenas um relatório, e vale tanto quanto a agência governamental que o escreveu e os políticos que o sancionaram (aaaaai, que medo!).

Mas cientista é bicho chato. Dave Goulson, professor de biologia na Universidade de Sussex, Inglaterra, também teve medo e resolveu ir à fonte e passar o pente fino no texto. Ele concluiu (está sentado?) que os resultados apresentados no relatório dizem basicamente o contrário das conclusões do mesmo, um caso inédito de bipolaridade bibliográfica que só passou desapercebido pelos atribulados legisladores ingleses devido ao efeito aditivo (com trocadilho, por favor) das generosas contribuições de campanha, sejam de que origem forem.

Não sei não, mas deve ser terrível viver num país onde coisas assim acontecem.

Jean Remy Davée Guimarães é professor do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho

FONTE: http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/terra-em-transe/a-cracolandia-dos-polinizadores

A Agência de Proteção Ambiental dos EUA decidiu restringir fabricação e uso de neonicotinóides

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Após uma longa espera, a Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos EUA finalmente concordou em restringir a fabricação e uso de agrotóxicos neonicotinóides, e impôs uma moratória na aprovação de novos produtos dessa classe de inseticidas (Aqui! e Aqui!). Os neonicotinóides têm sido associados a mortes de abelhas, e restrições  ao  seu uso já tinham sido estabelecidas anteriormente pelo Serviço de Pesca e Vida Selvagem (FWS) , embora o FWS ainda tenha que fazer valer o seu novo conjunto de regras.

O estado do Oregon proibiu o uso de neonicotinóides em terras públicas, e em 2013 a União Europeia emitiu uma moratória temporária sobre o uso desses produtos até que mais pesquisas sobre os efeitos ambientais dos agrotóxicos possam ser realizados. 

Essa decisão da EPA ocorre após a publicação de um artigo por pesquisadores da Harvard University que demonstrou que o uso dos neonicotinóides é o principal fator responsável pela ocorrência cada vez mais comum do conhecido “Distúrbio do Colapso das Colônias” (CCD) (Aqui!). De acordo com o Serviço de Pesquisa Agrícola do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, CCD é uma síndrome misteriosa em que uma colmeia de abelhas é encontrada sem abelhas adultas ou corpos de abelhas adultas, mas com as abelhas jovens, uma rainha viva e mel ainda em seu interior.

Enquanto isso no Brasil, o uso de neonicotinóides continua em evolução, sem que medidas cautelares como as sendo adotadas pela EPA estadunidense estejam sendo sequer cogitadas. Esse é mais um caso do algo que não é bom para os agricultores estadunidense, acaba sendo empurrado para dentro do Brasil. 

Primavera silenciosa versão 2.0

Por: Jean Remy Davée Guimarães

Nos anos 1960, foi disparado alerta contra o DDT, que controlava pragas, mas matava insetos que não eram seu alvo e também aves. O problema está de volta – agora com o uso dos neonics, como mostra Jean Remy Guimarães em sua coluna de julho.

Primavera silenciosa versão 2.0

Análise de cientistas filiados à União Internacional para a Conservação da Natureza revela que os inseticidas neonics ameaçam polinizadores como as abelhas, além de outros grupos animais. (foto: William Droops/ Flickr – CC BY-NC-SA 2.0)

Uma análise da literatura das últimas duas décadas sobre os inseticidas neonicotinoides e fipronil confirma que eles são um fator significativo de declínio das abelhas e outros invertebrados úteis, comprometendo serviços ambientais como a polinização e o controle de pragas.

Apesar das eloquentes evidências, estas parecem nunca ser suficientes para deflagrar uma ação regulatória mais enérgica – ou menos anêmica, dependendo do ponto de vista –, visando à limitação do uso dos neonicotinoides.

Mas um pequeno grupo de irredutíveis guerreiros empreendeu uma profunda análise da literatura disponível nos últimos 20 anos e concluiu que já há evidências de sobra para acionar o alarme e ações regulatórias enérgicas para limitar ou suspender o uso de neonicotinoides e fipronil, apelidados de neonics para não enrolar a língua.

O Grupo de Trabalho sobre Pesticidas Sistêmicos, que reúne cientistas independentes filiados à União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), se debruçou sobre 800 trabalhos revisados por pares e publicados em revistas indexadas.

Os resultados da iniciativa, batizada Worldwide Integrated Assessment (algo como Avaliação Global Integrada), serão publicados na revista Environment Science and Pollution Research.

Testemunhamos uma ameaça à produtividade de nosso ambiente natural e agrícola tão grave quanto aquela causada no passado pelos organofosforados e pelo DDT

A meta-análise concluiu que esses compostos são uma séria ameaça às abelhas e a outros polinizadores, como borboletas e zangões, e também a uma vasta gama de invertebrados, como as minhocas, além de vertebrados, inclusive aves. Estamos na fila – e as filas andam.

Segundo Jean-Marc Bonmatin, do Centro Nacional de Pesquisa Científica, da França, um dos autores do estudo, as evidências são claras: testemunhamos uma ameaça à produtividade de nosso ambiente natural e agrícola tão grave quanto aquela causada no passado pelos organofosforados e pelo DDT.

Não custa lembrar que em 1962 a pesquisadora norte-americana Rachel Carson publicou o seminal Primavera silenciosa, em que descrevia os efeitos imprevistos da aplicação indiscriminada de DDT em cultivos. O pesticida de fato controlava diversas pragas, mas não havia como evitar que pássaros comessem sementes contaminadas e morressem, o que explica o título do livro, considerado fundador da moderna consciência ambiental.

Moderna? Há controvérsias. A espécie humana se destaca por sua capacidade não só de memória, mas também de esquecimento. Tanto que estamos repetindo exatamente o mesmo roteiro de meio século atrás. Os insetos, polinizadores ou não, estão de novo desaparecendo. Desaparecendo os insetos, somem seus predadores, entre os quais as aves são os mais visíveis. E audíveis. Ou ao menos eram, até aqui.

Não é para menos. Os chamados neonics são neurotoxinas com efeitos imediatos e crônicos. Exposições crônicas a baixas doses podem também ser prejudiciais, com efeitos que incluem comprometimento do olfato e da memória, redução da fecundidade, alteração no padrão de voo, maior susceptibilidade a doenças, alteração no padrão de alimentação e forrageio, alteração (em minhocas) no padrão de construção de tocas.

Minhoca
Invertebrados como minhocas e até vertebrados também estão ameaçados quando expostos cronicamente a doses, mesmo baixas, dos neonics. Em minhocas, viu-se mudança no padrão de construção de tocas. (foto: Daniel Kinpara/ Flickr – CC BY-NC 2.0)

Esses são alguns dos efeitos investigados e quantificados. Aguardamos trabalhos sobre os efeitos que ainda não foram investigados ou que ainda não são mensuráveis de forma confiável.

Estamos cercados

Os neonics contaminam espécies não-alvo de forma direta, como é o caso dos insetos que consomem o néctar de plantas tratadas, e atingem áreas anexas às áreas intencionalmente tratadas, o que alguns técnicos chamam pudicamente de “deriva técnica”.

Talvez eles dessem nomes menos pudicos se fossem vítimas desse infortúnio. Mas, mesmo que não frequentemos áreas tratadas com esses prodígios da revolução verde, sua solubilidade garante ampla dispersão para zonas ribeirinhas, estuarinas e costeiras.

Os neonics representam cerca de 40% do mercado global de pesticidas e movimentaram 2,62 bilhões de dólares em 2011

Que chato, pois eles representam cerca de 40% do mercado global de pesticidas e movimentaram 2,62 bilhões de dólares em 2011. Bem, mas isso é problema de quem vive no campo, não meu. Ledo engano, pois os mesmos produtos são usados em fórmulas para combater pulgas em cães e gatos, e cupins em estruturas de madeira. Você está cercado.

Mas convém resistir. Segundo Maarten Bijleveld van Lexmond, que preside o grupo de trabalho da IUCN, os resultados do levantamento são preocupantes, uma vez que evidenciam ameaças graves ao funcionamento dos ecossistemas e ao fornecimento de serviços ambientais como polinização e controle natural de pragas.

Resta explicar por que as entidades que regulam o setor não perceberam o que estava fartamente disponível na literatura. O grupo da IUCN chegou às suas preocupantes conclusões sem sequer levantar da cadeira; bastaram alguns cliques e muitos homens-hora e mulheres-hora de leitura.

As abelhas e seu sumiço são, já há algum tempo, a parte mais visível (sem trocadilho) do problema. Mas nem assim se tomaram medidas para limitar o uso dos neonics, à exceção de tímidas ações da Comissão Europeia.

Ativista do Greenpeace
Ativista do Greenpeace descansa após fixar cartaz em Basileia, na Suíça, pedindo o banimento de neonicotinoides. (foto: Greenpeace Switzerland/ Flickr – CC BY-NC-ND 2.0)

Enquanto isso, os fabricantes dos neonics juram que estes não têm culpa no colapso das abelhas e que alegações em contrário são obra da concorrência (qual?) e do poderoso lobby ambientalista internacional, que quer nos levar de volta a uma era de fome e doença.

Aluguel de polinizadores

Para as abelhas, tal era chegou faz algum tempo. Concentrações ambientalmente realistas de neonics afetam seriamente sua capacidade de orientação, aprendizado, coleta de alimento, resistência a doenças, fecundidade e longevidade.

Mesmo quando transferidas para um campo não tratado, cerca de metade das abelhas antes expostas a um campo tratado não consegue retornar à colmeia e acaba morrendo.

Cerca de metade das abelhas expostas a um campo tratado com neonics não consegue retornar à colmeia e acaba morrendo

Mas pare de sofrer. Seus problemas acabaram. A iniciativa privada, sempre atenta às demandas do mercado, já tem solução para os problemas que ela própria causou: o aluguel de polinizadores, com colmeias volantes que são alugadas a agricultores.

Naturalmente, elas são criadas em áreas não tratadas antes de ir para o sacrifício. O serviço é caro, porque há poucas áreas não tratadas à disposição dos apicultores e porque as perdas de abelhas são elevadas, já que boa parte delas perde o rumo de casa após o trabalho – e não é porque pararam nalgum bar…

Não há dúvida, o mercado tem solução para tudo. Mas não para todos. Reserve já sua colmeia para a safra 2015: a demanda é maior que a oferta.

Jean Remy Davée Guimarães, Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, Universidade Federal do Rio de Janeiro

FONTE: http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/terra-em-transe/primavera-silenciosa-versao-2.0

Pesticidas que matam abelhas também afetam aves

Pesticidas que já são suspeitos de matar abelhas também afetam populações de aves, de acordo com estudo

Richard Ingham, da 

Jacques Demarthon/AFP

 Abelha em flores

Abelha: ao acabar com insetos, inseticida afetou a capacidade das aves de procriar

Paris – Já suspeitos de matar abelhas, os chamados pesticidas neonicotinoides – ou neônicos – também afetam populações de aves, possivelmente eliminando os insetos dos quais se alimentam, revelou um estudo publicado na Holanda esta quarta-feira.

O novo artigo é publicado depois que um painel internacional de 29 especialistas revelou que aves, borboletas, minhocas e peixes estavam sendo afetados por inseticidas neonicotinoides, embora detalhes desse impacto sejam incompletos.

Estudando regiões na Holanda onde a água superficial tinha altas concentrações de uma substância química chamada imidacloprida, descobriu-se que a população de 15 espécies de aves caiu 3,5% anualmente em comparação com lugares onde o nível do pesticida era muito menor.

A queda, monitorada de 2003 a 2010, coincidiu com o aumento do uso da imidacloprida, destacou o estudo conduzido por Caspar Hallmann, da Universidade Radboud, em Nijmegen.

Autorizado na Holanda em 1994, o uso anual deste neonicotinoide aumentou mais de nove vezes em 2004, segundo cifras oficiais.

Descobriu-se que grande parte deste produto químico foi disperso em concentrações excessivas.

Ao acabar com os insetos – uma fonte de alimento crucial na época da reprodução -, ele afetou a capacidade das aves de procriar, sugeriram os autores, alertando que outras causas não poderiam ser excluídas.

Nove das 15 espécies de aves monitoradas eram exclusivamente insetívoras.

“Nossos resultados sugerem que o impacto dos neonicotinoides no ambiente natural é inclusive mais substancial do que foi reportado no passado”, revelou a pesquisa, publicada na revista “Nature”.

“No futuro, a legislação deveria levar em conta os efeitos em cascata potenciais dos neonicotinoides nos ecossistemas”, acrescentou.

Também chamados de neônicos, estes pesticidas são amplamente usados no tratamento de sementes para cultivos aráveis. Eles são projetados para serem absorvidos pela muda em crescimento e são tóxicos para o sistema nervoso central de pestes devoradoras de plantios.

Em um comentário publicado na “Nature”, o biólogo Dave Goulson, da Universidade de Sussex, na Grã-Bretanha, disse que os neonicotinoides podem ter um impacto de longo prazo nas populações de insetos.

Cerca de 5% do ingrediente ativo do pesticida é absorvido pelo cultivo, afirmou.

A maior parte do restante entra no solo e na água subterrânea, onde pode persistir por meses, ou até anos.

Diminuir à metade as concentrações pode levar mais de mil dias.

Como resultado, as substâncias químicas se acumulam, sendo os campos aspergidos sazonal, ou anualmente, afirmou.

Gordon disse que o processo é similar ao do DDT, um pesticida conhecido, cujos danos ao meio ambiente vieram à tona em 1962, graças à pesquisa de Rachel Carson, que resultou no livro “Primavera Silenciosa”.

A discussão sobre os neônicos tem aumentado desde o final dos anos 1990, quando os apicultores franceses culparam-nos pelo colapso das colônias de abelhas melíferas.

Em 2013, a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA, na sigla em inglês) declarou que os pesticidas neônicos representavam um “risco inaceitável” para as abelhas.

A isto se seguiu um voto da União Europeia a favor de uma moratória de dois anos ao uso de três substâncias químicas neonicotinoides amplamente utilizadas nos cultivos de flores, que são visitados pelas abelhas.

Mas a medida não afeta a cevada e o trigo, nem afeta pesticidas usados em jardins e em áreas públicas.

No mês passado, a Casa Branca determinou que a Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos faça sua própria revisão sobre os efeitos dos neonicotinoides nas abelhas.

FONTE: http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/pesticidas-que-matam-abelhas-tambem-afetam-aves

Pesquisadores demonstram que uso de agrotóxicos neonicotinóides está diminuindo populações de pássaros na Holanda

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Pesquisadores holandeses acabam de publicar um artigo científico na conceituada revista científica “Nature” demonstrando a ligação entre o uso de agrotóxicos neonicotinóides e a diminuição do tamanho de populações de pássaros insetívoros (Aqui!). O agrotóxico em questão é o imidacloprid, um produto considerado altamente tóxico para os seres humanos.

Um dado que explica o efeito letal que o imidacloprid está tendo em populações animais, e não apenas de pássaros como é o presente caso, é que 95% do que é aplicado acaba extrapolando as culturas que teoricamente estão sendo protegidas do ataque de insetos, causando não apenas a morte de insetos-alvo, mas de uma quantidade de espécie mais ampla, incluindo aquelas das quais os pássaros se alimentam. Outro efeito adicional é a contaminação das fontes de água, fato que acaba agravando os efeitos diretos e indiretos sobre os pássaros.

O imidacloprid no Brasil é fabricado por diversas empresas, incluindo a SERVATIS, aquela empresa que em 2008 causou um enorme desastre ecológico no Rio Paraíba do Sul quando deixou escapar outro agrotóxico, o Endosulfan, no município de Resende.

Além disso, o imidacloprid é usado em diversas culturas agrícolas tais como arroz, cana de açúcar, milho e soja, o que aumenta bastante a sua capacidade de causar por aqui os mesmos problemas ecológicos que acabam de ser comprovados na Holanda.

 

Agrotóxicos neonicotinóides estão eliminando polinizadores chaves na agricultura mundial

Pesticidas estariam colocando em risco a produção de alimentos

Pesquisadores analisaram mais de 800 estudos realizados nas últimas duas décadas e concluíram que há evidências claras de que pesticidas amplamente utilizados são danosos para espécies polinizadoras, essenciais para a agricultura.

A reportagem é de Fabiano Ávila, publicada pelo Instituto Carbono Brasil, 24-06-2014.

O impacto dos pesticidas sobre os ecossistemas já é estudado há muito tempo, e não são raros os trabalhos científicos que alertam que alguns tipos de químicos são prejudiciais para a saúde humana e animal. Porém, nunca antes um grupo de pesquisadores transmitiu tão forte a mensagem de que o uso de pesticidas está colocando em risco a produção agrícola ao acabar com espécies essenciais para a produção de alimentos.

“A evidência é clara. Estamos testemunhando uma ameaça à produtividade de nossa agricultura e ao meio ambiente equivalente à que foi provocada pelos organofosfatos – DDT. Muito longe de proteger a produção de alimentos, o uso de neocotinoides e do fipronil está ameaçando a própria estrutura que mantém a agricultura, matando polinizadores e outras espécies essenciais”, afirmou Jean-Marc Bonmatin, do Centro Nacional para Pesquisas Científicas da França, um dos autores da análise.

Bonmatin e outros 28 pesquisadores de diversas partes do mundo avaliaram mais de 800 estudos publicados nas últimas duas décadas para buscar entender qual é a visão da comunidade científica sobre o uso de alguns dos pesticidas mais populares mundialmente.

O que observaram é que existem poucas dúvidas de que os neocotinoides e o fipronil são prejudiciais para uma vasta quantidade de espécies, entre elas abelhas, borboletas, alguns tipos de minhocas e pássaros.

Entre os problemas que esses pesticidas causam nos animais estão: perda do olfato e de memória; redução da fecundidade; alteração no padrão alimentar e no senso de direção. Nas abelhas, ainda provocam dificuldades de voo e aumentam a vulnerabilidade a doenças.

“Quando os primeiros estudos apareceram sobre o tema, houve uma forte reação da indústria química e dos próprios agricultores. Assim, o assunto ficou esquecido por muito tempo. Hoje estamos vendo uma situação semelhante aos anos 1950, quando utilizávamos químicos na agricultura que eram terrivelmente nocivos”, reforçou Dave Goulson, daUniversidade de Sussex.

A estimativa mais recente aponta que os agricultores gastam anualmente mais de US$ 2,6 bilhões em neocotinoides.

Para piorar, segundo os pesquisadores, as doses utilizadas desses pesticidas e a sua potência têm sido aumentadas com o passar dos anos, já que as pestes ficam cada vez mais resistentes.

“É semelhante ao que vemos quando um ser humano abusa dos antibióticos para evitar ficar doente: quanto mais se usa, mais resistentes as bactérias ficam. É uma loucura o que estamos fazendo, utilizando esses pesticidas como profiláticos”, disse Goulson.

A análise, intitulada Worldwide Integrated Assessment on Systemic Pesticides – algo como Análise Global Integrada sobre Pesticidas Sistêmicos, será publicada nos próximos dias no periódico Environmental Science and Pollution Research.

FONTE: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/532653-pesticidas-estariam-colocando-em-risco-a-producao-de-alimentos

Governo norte-americano reconhece que abelhas estão morrendo a uma taxa alarmante

Por Fabiano Ávila do Instituto CarbonoBrasil

Um novo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos apontou que o atual ritmo de mortes de abelhas durante o inverno é preocupante e está insustentável economicamente para os apicultores.

De acordo com os dados levantados, 23,2% das Apis mellifera, que são as abelhas domesticadas para a fabricação de mel, do país morreram durante o inverno de 2013/2014. Um número muito acima da taxa de mortes que os apicultores consideram como o máximo aceitável para que a sua atividade seja viável economicamente, algo em torno dos 18%.

Além de ser um problema para os apicultores, o desaparecimento das abelhas significa uma grave crise ambiental e um problema para várias culturas agrícolas, que precisam delas como agentes polinizadores.

“Populações saudáveis de polinizadores são essenciais para a economia agrícola. Apesar de estarmos felizes com a diminuição de mortes, as perdas ainda são muito altas e temos que trabalhar para diminuí-las”, afirmou Tom Vilsack, secretário de Agricultura dos EUA, destacando que houve uma redução de 7,3% com relação aos 30,5% de mortes registradas em 2012/2013. 

Segundo Jeff Pettis, coautor da pesquisa e membro do Serviço de Pesquisas Agrícolas dos EUA, não foi possível identificar os fatores por trás das mortes e nem porque o número caiu com relação ao inverno anterior.

“Flutuações anuais como esta mostram como é complicado acompanhar a saúde das abelhas, que podem estar sendo afetadas por vírus, parasitas, problemas de nutrição – relacionados com a falta de diversidade de pólen – e pesticidas”, explicou Pettis.

Neonicotinoides

Um outro estudo, divulgado no último dia 9, demonstrou que neonicotinoides, que são amplamente utilizados nos EUA, são danosos para as abelhas.

Conduzido por pesquisadores da Universidade de Harvard, o trabalho salienta que esses pesticidas provocam o chamado Distúrbio do Colapso das Colônias (DCC), processo pelo qual abelhas abandonam sua colmeia sem aparente razão e acabam morrendo.

“Demonstramos mais uma vez, com alta probabilidade, que os neonicotinoides podem ser responsáveis por casos de DCC”, disse Chensheng Lu, um dos autores do estudo.

Lu e sua equipe observaram durante o inverno o comportamento de abelhas em colméias de regiões próximas às plantações onde eram utilizados neonicotinoides, e concluíram que a taxa de DCC foi 50% maior nessas colméias do que em outras localidades.

“Apesar de termos demonstrado que existe uma associação entre os neonicotinoides e a morte de abelhas, novos estudos deverão ser feitos para elucidar como funciona esse mecanismo e qual seria a quantidade de pesticida necessária para provocar o DCC. Esperamos conseguir reverter a tendência de perda de abelhas”, concluiu o pesquisador.

FONTE: http://www.institutocarbonobrasil.org.br/noticias6/noticia=737109

Pesquisadores ingleses comprovam que uso de piretróides afeta tamanho e período de erupção de mamangavas

bumblebees

O uso de piretróides (uma classe de agrotóxicos que são obtidos a partir do crisântemo) se tornou amplo em todo o mundo. Agora pesquisadores da Royal Holloway University da Inglaterra conseguiram comprovar que o uso de piretróides está afetando o tamanho e o período de erupção das mamangavas,  um tipo de abelha da espécie Bombus  que ocupa um papel importante no processo de polinização, inclusive de  culturas agrícolas (Aqui!).

Segundo esta pesquisa, o uso intenso de piretróides implica numa perda da capacidade de coleta de polén pelas mamangavás, já que indivíduos menores possuem uma capacidade igualmente menor de carregar este material.

Essa comprovação se soma à outra evidência em relação aos chamados agrotóxicos neonicotinóides que estariam causando altas taxas de mortandade de abelhas em geral, no que ficou conhecido como o fenômeno como a dizimação das colméias. O mais preocupante dessa situação é que o Brasil está usando cada vez mais piretróides e também os neonicotinóides, o que poderá ter um efeito devastador sobre abelhas e mamangavas.

Se nada disso for suficiente para acender a preocupação, os piretróides estão presentes na maioria dos inseiticidas caseiras e nos EUA já se tornaram um dos principais veículos de contaminação do ambiente domiciliar. No caso dos piretróides, o problema está relacionado aos seus efeitos sobre o sistema nervoso.

Mas nada disso parece preocupar os latifundiários e seus aliados dentro do governo Dilma, já que a pressão para acelerar a liberação dessas classes de agrotóxicos está cada vez maior, em que pese o fato de que o Brasil se tornou o maior consumidor mundial de agrotóxicos.