Norsk Hydro: Debatedores relatam evidências de crime ambiental em rios em Barcarena (PA)

alunorte

Comissão que investiga o vazamento de rejeitos ouviu relatos do Ministério Público, do Ibama, de pesquisadores e de moradores da região atingida

Autoridades reforçaram evidências de crime ambiental na contaminação de rios em Barcarena, no Pará. O assunto foi discutido nesta semana em audiência pública da comissão externa da Câmara dos Deputados que investiga o vazamento de rejeitos de bauxita da empresa Hydro Alunorte, em 17 de fevereiro, após fortes chuvas na região.

Os dados apresentados na audiência apontam que a contaminação é bem mais ampla na bacia de rios e igarapés que circunda o distrito industrial de Barcarena.

O pesquisador Marcelo Lima, do Instituto Evandro Chagas, não tem dúvidas quanto ao vazamento da Hydro. Falta concluir apenas a origem dos demais poluentes. “Quanto ao transbordo, nós temos evidências por meio de imagens e dados químicos que mostram que o que estava dentro da empresa [Hydro] estava também fora da empresa. A gente chama isso de assinatura química. Detectamos alterações nos níveis de alumínio, ferro, cromo, chumbo, arsênio, urânio e mercúrio. E hoje nós temos como comprovar a origem de tudo isso. Só falta consolidarmos os nossos resultados de análise”, afirmou.

Vários desses elementos químicos são cancerígenos. Por decisão da Justiça do Pará, 50% das atividades da Hydro Alunorte estão paralisadas desde fevereiro.

Dano ambiental

O procurador da República no Pará, Ubiratan Cazetta, informou que a força-tarefa dos ministérios públicos federal e estadual busca embasar novos inquéritos criminais e cíveis. “Alguns crimes são mais simples, mas o principal dado que nos falta, tanto na área criminal como na área cível, é a identificação do tamanho do dano. Nós sabemos que há um dano, mas não temos o que isso produziu de permanente. Por exemplo, qual é a situação de solo dessas comunidades? Com foco criminal, nós já estamos identificando quem foi o responsável por cada tipo de orientação e cada tipo de ordem. E, especialmente, a questão do dano é importante para dimensionar o tamanho da pena”, declarou.

Segundo o procurador, a região tem “histórico de desprezo por questões socioambientais”. A população será ouvida no novo termo de ajustamento de conduta que o Ministério Público pretende negociar com a Hydro.

Ameaças

Dirigentes da Associação dos Caboclos, Indígenas e Quilombolas da Amazônia denunciaram constantes ameaças de morte aos moradores que denunciam crimes ambientais. O coordenador da comissão externa de Barcarena, deputado Edmilson Rodrigues (Psol-PA), garantiu que esse item constará de seu relatório final. “Outra tarefa é buscar incluir as pessoas nos programas de proteção: as lideranças e as testemunhas”, disse o parlamentar.

Os deputados Éder Mauro (PSD-PA) e Elcione Barbalho (MDB-PA) reforçaram a necessidade de criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar o histórico de contaminações em Barcarena. 

Elcione Barbalho reclamou de tentativa de intimidação por parte da Hydro. “O estrago está feito e eles respondem lá: ‘nós vamos demitir todo mundo’. Como uma forma de nos pressionar, nos intimidar e querer que a gente recue”, disse a deputada.

Também presente na reunião da comissão externa, a coordenadora de emergências ambientais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Fernanda Inojosa, disse que o órgão não constatou rompimento na barragem de resíduos da Hydro, mas aplicou duas multas de R$ 10 milhões à empresa pela existência de um duto clandestino e problemas de licenciamento ambiental.

Reportagem – José Carlos Oliveira, Edição – Pierre Triboli,  A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura ‘Agência Câmara Notícias‘ 

 

FONTE:  http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/MEIO-AMBIENTE/559066-DEBATEDORES-RELATAM-EVIDENCIAS-DE-CRIME-AMBIENTAL-EM-RIOS-EM-BARCARENA-(PA).html

Brasil de fato lançou filme sobre barcarena no dia do meio ambiente

Cidade do Pará sofreu com 20 crimes ambientais graves nos últimos 15 anos; documentário “Tinha Gosto de Perfume: Barcarena e os Crimes Ambientais Impunes” conta histórias de moradores; exibição será nesta terça-feira 5 em São Paulo

barcarena

Brasil de Fato  O documentário Tinha Gosto de Perfume: Barcarena e os Crimes Ambientais Impunes, produzido pelo Brasil de Fato, retrata a realidade cotidiana dos cerca de 99 mil moradores da cidade de Barcarena, no Pará, que enfrenta gravíssima crise humanitária por conta de recorrentes acidentes causados pela indústria da mineração de bauxita para produzir alumínio.

Entre 2003 e 2018, foram 20 acidentes que resultaram em contaminação significativa da terra, do ar ou das águas de Barcarena, segundo um estudo da Comissão de Direitos Humanos da Alepa (Assembleia Legislativa do Pará). Isso significa uma contaminação grave a cada nove meses.

Um dos mais graves e recentes foi o transbordamento, em fevereiro de 2018, de material tóxico da bacia de rejeitos da Hydro Alunorte, multinacional norueguesa que explora jazidas no município, durante o período de chuvas. À época, houve contaminação de rios, igarapés, poços e nascentes na região.

A cidade de Barcarena tem aproximadamente, 31 mil crianças e adolescentes com idades entre 0 e 14 anos, o que representa 26,3% da população. O contato com a poluição e a contaminação constante causa doenças de pele, alergias e problemas respiratórios, entre outros tipos de doenças.

Danos ambientais

Outro impacto significativo ocorre sobre biodiversidade de rios e igarapés. A pesca, importante atividade de subsistência e geração de renda na região, foi interrompida por causa do sumiço dos peixes na bacia do rio Mucurupi, que tem 7 km de extensão e 20 afluentes.

Resíduos de contaminação de diversos acidentes ambientais e metais pesados estão depositados no fundo do leito do rio. Os pescadores relatam que os poucos peixes encontrados tinham “gosto de perfume” –citação que inspirou o título do documentário do Brasil de Fato.

O impacto na vida dos moradores também é econômico. Quase metade da população vive com uma renda inferior a 50% do salário mínimo. E apenas 20,8% dos moradores de Barcarena têm emprego com remuneração fixa.

Uma degradante fonte de renda que restou para centenas de moradores da cidade é a coleta de material reciclável, disputando espaço com urubus no lixão que fica próximo à Hydro Alunorte.

Para o documentário, foram feitas mais de 20 entrevistas, pesquisas e análises de dados. Ao todo, foram 25 horas de gravações e cinco dias convivendo com os moradores de Barcarena e ambientalisltas.

Lucro

A Hydro Alunorte ganhou do Estado do Pará uma isenção fiscal por 15 anos, que representa algo em torno de R$ 8 bilhões em impostos que não serão recolhidos. A multinacional, que tem negócios em outros 40 países ao redor do mundo, teve um lucro bruto de 11,2 bilhões de coroas norueguesas (R$ 4,5 bi).

Após o último acidente, a Hydro Alunorte forneceu água potável e disponibilizou atendimento médico, embora o número de exames realizados corresponda a apenas 2% da população.

Por outro lado, a multinacional norueguesa comunicou que, para apoiar a transformação social em Barcarena, pretende investir cerca de R$ 100 milhões (250 milhões de coroas norueguesas) em ações sociais nas comunidades por meio da Iniciativa Barcarena Sustentável –uma entidade legal financiada pela empresa, mas com gestão e estrutura independentes.

O gesto, porém, corresponde a 0,8% do lucro bruto global da empresa em um único ano.

Impunidade

Segundo a Hydro Alunorte, “nenhum transbordo foi evidenciado proveniente dos depósitos de resíduos sólidos em virtude das fortes chuvas de fevereiro. Entretanto, foram identificadas algumas situações relativas ao descarte de águas pluviais, que foram comunicadas pela Alunorte publicamente e confirmadas pelos estudos realizados pela força-tarefa interna e pela consultoria SGW, anunciados em 9 de abril”.

A empresa também informou que é responsável pela geração de cerca de 8.500 empregos diretos e indiretos em suas operações em Barcarena. Diz ainda que “estudos [da SGW consultoria, contratada por ela] apontam que não há evidências de que os descartes realizados tenham causado impacto ambiental significativo ou duradouro nos rios”.

A Alunorte também contesta o resultado e a precisão de dois estudos de impacto ambiental feitos pelo Instituto Evandro Chagas, que atestaram a contaminação dos rios, em fevereiro de 2018, logo após o vazamento.

A exibição do documentário Tinha Gosto de Perfume: Barcarena e os Crimes Ambientais Impunes, do grupo Brasil de Fato, será na terça-feira (5), na Casa do Baixo Augusta (rua Rego Freitas, 533, República –São Paulo/SP), a partir das 19h. O filme foi dirigido por Marcelo Cruz e Juca Guimarães. 

Logo após a exibição, haverá uma mesa de debate sobre Meio Ambiente com Karina Martins, coordenadora do MAM (Movimento pela Soberania Popular na Mineração), e Gilberto Cervinski, dirigente nacional do MAB (Movimentos dos Atingidos por Barragens).

Confira a entrevista com Marcelo Cruz, um dos diretores do filme: 

 

FONTE: https://www.brasil247.com/pt/247/cultura/357297/Brasil-de-Fato-lança-filme-sobre-Barcarena-no-Dia-do-Meio-Ambiente.htm

 

 

 

O fantasma do mar de lama

Minas Gerais possui quase 50 barragens de rejeitos que podem produzir desastres ambientais semelhantes ao de Mariana em 2015. Apesar de estudos que alertam para os riscos, mineradoras não realizam obras que poderiam evitar tragédias

Crédito: Antonio Milena

ALERTA Depois de quase romper, barragem da CSN em Congonhas (MG) pode ser ampliada (Crédito: Antonio Milena)

Por André Vargas

Os riscos de novas rupturas de barragens de rejeitos de mineração pairam sobre cidades de Minas Gerais, quase dois anos e meio após o desastre de Mariana, que matou 19 pessoas, destruiu o subdistrito de Bento Rodrigues e poluiu o Rio Doce até sua foz, afetando 230 municípios. Um levantamento da Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam) aponta que 48 estruturas estão em situação precária ou precisam ser monitoradas com atenção. Em todo o estado há 435 barragens de rejeitos, 51% do total existente no País.

Em Congonhas, cidade histórica que abriga os Doze Profetas e Via Crucis, do escultor Aleijadinho, a Barragem Casa de Pedra, da CSN, precisou passar por reformas urgentes em 2017. Com 79 metros de altura, a base de seu dique fica a menos de 300 metros de bairros onde residem quase 5 mil pessoas. Em caso de rompimento, não haveria plano de evacuação que funcionasse a tempo para evitar que uma onda de lama atingisse a cidade. Em abril, a estrutura foi considerada segura e a CSN aguarda licença para elevar o dique.

Em Rio Acima e Nova Lima, na Grande Belo Horizonte, a manutenção de duas precárias barragens abandonadas da Mundo Mineração, subsidiária da australiana Mundo Minerals, teve que ser assumida pelo poder público. A empresa extraía ouro, gerando rejeitos altamente tóxicos, como cianeto. Nenhum responsável legal foi encontrado para desativar os reservatórios. “As ações não deram resultado”, lamentou a promotora ambiental Andressa Lanchotti, do Ministério Público mineiro. Em caso de vazamento nesses locais, haveria contaminação do Rio das Velhas, onde é feita captação de água para 3 milhões de habitantes da Grande BH.

Desconfiança

Já em Itabirito, a Vale pretende erguer a Barragem Maravilhas 3, com 86 metros de altura e capacidade para 108 milhões de metros cúbicos de rejeitos – três vezes o volume do reservatório rompido da Samarco. A Vale alega que cumprirá todas as normas e que fez estudos adequados. Mesmo assim, a desconfiança persiste. Junto com a australiana BHP Billinton, a empresa é sócia da Samarco. Os problemas potenciais não param por aí. O braço da Vale que explora manganês possui sete estruturas que não foram garantidas pela auditoria da Feam. Cinco delas ficam no entorno da Mina do Fundão, em Nazareno, uma na usina de Ouro Preto e outra em Conselheiro Lafaiete.

Imagem relacionada

Desde o desastre de Mariana há um esforço para limitar novas barragens. O MP-MG apresentou sugestões que estão paradas no Legislativo mineiro. As principais são vetar barragens acima de comunidades, proibir obras de elevação a partir do topo do dique e incentivar métodos alternativos de armazenamento. “Não se pode altear mais do que três metros por ano por razões de segurança, mas no Brasil tudo pode”, critica o professor de Engenharia Hidráulica da Unifei Carlos Barreira Martinez.

“A mina se esgota, as mineradoras vão embora e o problema fica” Carlos Barreira Martinez, professor de Engenharia Hidráulica da Unifei

Professor de Engenharia de Minas da UFMG e pesquisador de barragens, Evandro Moraes da Gama diz que existem alternativas de armazenamento que podem gerar receita e que isso só não ocorre por falta de diálogo entre as empresas. No processamento de minério de ferro, a areia fina e o pó de rocha resultantes podem ser usadas na indústria de cimento. “O material pode virar um agregado seco estocável”, diz. Outra possibilidade é transformá-lo em brita e tijolos.

Depois de Mariana, outro acidente ambiental ganhou repercussão. Em fevereiro, fortes chuvas causaram o transbordamento de rejeitos de bauxita do reservatório da usina da norueguesa Hydro Alunorte, em Barcarena, Pará. A empresa negou qualquer problema ambiental. Porém, laudos do Instituto Evandro Chagas (IEC), de Belém, detectaram índices elevados de chumbo, sódio, nitrato e alumínio nos cursos d’água próximos e peritos encontraram dutos clandestinos que despejavam poluentes. Mais de 500 famílias ribeirinhas foram afetadas. Há casos de diarréia e vômitos na população, além de mortandade de peixes. Diante das evidências, a empresa recuou. “Vertemos água de chuva e de superfície não tratada”, afirmou o CEO Svein Brandtzaeg, em março. A negativa de dano ambiental foi mantida, porém não sem consequências. O ministro da Indústria Torbjorn Isaksen terá que dar explicações ao parlamento norueguês. O governo é o principal acionista da Hydro e lá os contribuintes cobram responsabilidades. Uma atitude que deveria ser seguida por aqui.

FONTE: https://istoe.com.br/o-fantasma-do-mar-de-lama/

Brasil, paraíso dos poluidores, ruma para se transformar num pária ambiental

multas 0

O jornal “O GLOBO” publicou na sua edição de ontem (06/05) uma ampla reportagem assinada pela jornalista Danielle Nogueira mostrando que no Brasil as multas ambientais são definitivamente uma peça de ficção. É que segundo dados levantados na matéria, desde Novembro de 2015 quando ocorreu o TsuLama da Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton) apenas 3,4% de um total de R$ 785 milhões relativos à multas lavradas por crimes ambientais [1].

multas 1

A matéria mostra ainda que se apenas forem levadas em conta 3 mineradoras (Anglo American, Norsk Hydro e Samarco (Vale+ BHP Billiton), a distância entre a aplicação das multas milionárias e o recebimento dos valores aplicados é colossal, ficando claro ainda que sem a intervenção do IBAMA, a liberdade para poluir seria mais ampla ainda. Isto fica particularmente claro quando se verifica as multas aplicadas contra a Mineradora Samarco (Vale+ BHP Billiton) e Norsk Hydro por órgãos estaduais de proteção ambiental no Espírito Santo e no Pará, respectivamente (ver figura abaixo).

multas 2

As táticas usadas pelos grandes poluidores que atuam no Brasil são manjadas. Entre estas táticas estão o questionamento dos procedimentos legais adotados para emitir as multas, a procrastinação no pagamento das mesmas por vários caminhos, e ainda a colocação em xeque de dados levantados por órgãos ambientais sobre a própria ocorrência do incidente de poluição e seus efeitos. 

O importante é que graças a esse arcabouço de ferramentas de bloqueio do cumprimento das multas ambientais, os grandes poluidores ficam livres para continuar explorando as riquezas existentes no subsolo brasileiro, enquanto deixam para trás um rastro de destruição social e ambiental.

Há que se notar que em seu livro “Neoliberalismo”, o geógrafo inglês David Harvey caracteriza o ato de poluir como um instrumento que as grandes corporações utilizam para externalizar para o conjunto da sociedade o custo ambiental de suas operações. Em outras palavras, enquanto as corporações poluem e lucram muito com isso, a conta acaba sobrando para a população brasileira que acaba sendo forçada a viver sob constantes riscos em nome de uma suposta garantia de emprego e crescimento econômico.

Por isso o pequeno reparo à manchete assinada por Danielle Nogueira que diz que “Ninguém paga a conta”. A verdade é que quem paga a conta somos todos nós. Já os grandes poluidores seguem basicamente livres para transformar poluir e lucrar.

Uma nota final sobre essa situação é que neste exato momento a bancada governista do presidente “de facto” Michel Temer está tentando golpear de morte a legislação do licenciamento ambiental. Se isto se confirmar, o Brasil certamente será palco de mais crimes ambientais que sequer poderão ser objeto de multas, o que deixará o país na condição de um pária ambiental na comunidade internacional.


[1] https://oglobo.globo.com/economia/empresas-envolvidas-em-desastres-ambientais-quitaram-so-34-de-785-milhoes-em-multas-22657874

Norsk Hydro é acionada na justiça do Pará por distribuição de água contaminada em Barcarena

barcarena hydro

Não bastassem as acusações de que suas atividades de mineração causaram a contaminação de diversos hídricos na região de Barcarena, a Norsk Hydro agora foi indiciada pelo Ministério Público do Pará por estar supostamente distribuindo água contaminada aos moradores das áreas que foram afetadas pelo derramamento de rejeitos tóxicos ocorrido em fevereiro.

Eu diria que a Norsk Hydro, apesar das juras e compromissos feitos em sua página oficial no Twitter (ver imagem abaixo), continua não cumprindo sequer as obrigações postas por seu modelo de governança corporativa.

norsk hydro 1

Mas não é de hoje que a Norsk Hydro pratica mais governança corporativa no Twitter do que na vida real no mais puro espírito do “para norueguês ver”.  Resta esperar que mais esse ataque aos moradores de Barcarena não fique por isso mesmo. 

Abaixo matéria assinada pela jornalsita Sayonara Moreno para a Radioagência Nacional sobre esse assunto.

MP do Pará responsabiliza Hydro Alunorte por distribuição de água contaminada

Por Sayonara Moreno

Resultado de imagem para hydro alunorte barcarena

Um inquérito policial pode ser aberto, para apurar a responsabilidade da empresa Hydro Alunorte, sobre as condições da água que está sendo fornecida, em carros-pipa, a moradores de Barcarena, no Pará.

O pedido é do Ministério Público do estado, que considera inadequada a qualidade da água oferecida à população, depois do vazamento de rejeitos, em rios da cidade paraense.

O órgão informou que pediu à Secretaria de Saúde do estado, informações sobre análise de amostras da água dos poços e dos sistemas de abastecimento para as casas das comunidades em torno do Polo Industrial de Barcarena.

O resultado apresentou contaminações em diversas fontes, entre elas metais pesados, como o chumbo, na água fornecida para as comunidades Bom Futuro, Itupanema, Vila Nova, Jardim Cabano e Burajuba.

Também foi constatada a presença de alumínio acima do valor máximo permitido, nas amostras colhidas em Itupanema, Vila Nova e Jardim Cabano. Na localidade de Bom Futuro foi encontrada contaminação por coliformes fecais, bactérias nocivas à saúde.

Após a confirmação das contaminações, o Ministério Público do Pará atribui a responsabilidade à Hydro Alunorte e aguarda até a próxima semana o número e registro do inquérito e do delegado que vai coordenar a investigação.

A Hydro Alunorte vai ser notificada para suspender o fornecimento de água imprópria à população e passar a fornecer acesso à água mineral de boa qualidade.

Em nota, a Hydro Alunorte informa que vai seguir as recomendações do Ministério Público do Pará e que vai manter a distribuição de água mineral a 1800 famílias de Burajuba, Vila Nova e Bom Futuro, que já recebem a assistência. Segundo a empresa, são distribuídos galões de vinte litros de água mineral, toda semana, às famílias.

A companhia ainda esclarece que os dez caminhões-pipa estão de acordo com as normas sanitárias e foram contratados para distribuir água potável para o preparo de alimentos, higiene corporal e uso doméstico.

A nota diz, ainda, que a água distribuída nos veículos vem da concessionária local, monitorada em conjunto com a Vigilância Ambiental de Barcarena; e que passa por inspeções a cada viagem. Por fim, a mineradora se diz comprometida em colaborar com as autoridades e a comunidade de Barcarena.

FONTE: http://radioagencianacional.ebc.com.br/geral/audio/2018-04/mp-do-para-responsabiliza-hydro-alunorte-por-distribuicao-de-agua-contaminada-em

Norsk Hydro usa twitter para tentar limpar sua barra suja de bauxita em Barcarena

barcarena hydro

A empresa para estatal dinamarquesa Norsk Hydro vem fazendo um esforço concentrado para tentar afastar suas próprias responsabilidades acerca do grave incidente ambiental ocorrido no município de Barcarena (PA) quando fortes chuvas causaram um processo de extravazamento de rejeitos tóxicos em corpos hídricos existentes naquela região.

Dentro deste esforço um ponto de disseminação da posição oficial da Norsk Hydro é a conta oficial da empresa no Twitter, onde sem medo de ser feliz, é apresentada a versão de que auditoria interna não revelou a presença de contaminantes oriundos dos tanques de rejeitos existentes em Barcarena nos corpos aquáticos que foram identificados como estando fortamente impactados, inclusive por metais pesados (ver figura abaixo).

norsk hydro denial

O que a Norsk Hydro não diz aos seus leitores no Twitter é que o Instituto Evandro Chagas (IEC), que fez análises independentes da empresa, já apresentou relatórios que mostram justamente o contrário, qual seja, que os corpos aquáticos no entorno de sua planta em Barcarena estão sim fortemente impactados, causando riscos aos ecossistemas naturais e à população humana assentada naquela região.

Tampouco a Norsk Hydro informa aos seus leitores do Twitter que a empresa vem fazendo um esforço concentrado para desmentir os relatórios produzidos pelo IEC, numa tentativa de cobrir o sol com a peneira, contando com cooperação ativa da mídia corporativa nacional [1]. Aliás, como bem já retrucou o pessoal do IEC, o que a Norsk Hydro está tentando fazer é desqualificar a validade científica dos trabalhos realizados pelos pesquisadores brasileiros em Barcarena, os quais lhes são completamente detrimentais.

O que a Norsk Hydro não aborda são os dutos clandestinos que foram encontrados após o incidente ocorrido em fevereiro dentro de suas instalações e que lançavam detritos tóxicos diretamente nos corpos aquáticos existentes na região de Barcarena.  E para não ter que se explicar principalmente aos seus acionistas sobre este tipo de procedimento ilegal que os executivos da Norsk Hydro estão tentando desacreditar os resultados científicos produzidos pelo IEC.

Como se pode ver, governança ambiental para a Norsk Hydro é coisa para “dinamarquês ver”, especialmente se ele for acionista. Já no Brasil, o negócio é poluir sem temer o amanhã.

 


[1] http://www.valor.com.br/empresas/5439335/norsk-hydro-quer-processar-mpf-e-rever-laudo-do-evandro-chagas

[2] https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2018/04/hydro-rebate-contaminacao-no-para-e-anuncia-fundo-de-r-100-mi-para-moradores.shtml

Incidente em Barcarena: Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Estado do Pará lança nota contra a Norsk Hydro

SINTSEP-PA CONTRA A HYDRO E EM DEFESA DOS TRABALHADORES DO IEC

Em mais um ato colonialista, a empresa norueguesa Hydro, visando se defender dos processos movidos contra ela pelo Ministério Público, ataca o resultado dos laudos técnicos emitidos pelos pesquisadores do Instituto Evandro Chagas.

A Hydro é causadora de um dos maiores crimes ambientais recentes no país, equiparável ao crime cometido pela empresa Samarco em Mariana-MG, em 2015. O vazamento da Hydro causou a contaminação de rios, igarapés e poços artesianos das comunidades do município de Barcarena-PA. O Laudo do IEC, assinado por Marcelo de Oliveira Lima e divulgado em 22/02/18, confirmou a contaminação das águas por rejeitos de bauxita e chumbo (entre outros) e demonstrou que os índices detectados pelos peritos revelam extremo risco à saúde das famílias. O laudo revelou ainda a existência de drenos clandestinos, por onde a empresa despejava irregular e intencionalmente o resíduo por pelo menos três canais clandestinos utilizados pela empresa por onde vertiam efluentes para rios de Barcarena. O crime tinha a aquiescência da SEMAS, permitindo drenar os rejeitos quando as chuvas se intensificavam, numa clara conivência do governo do Estado com o crime cometido pela empresa.

Por fim, há fortes suspeitas de relação da Hydro com o assassinato de Paulo Sérgio de Almeida Nascimento, líder comunitário da Associação dos Caboclos, Indígenas e Quilombolas da Amazônia (Cainquiama), que denunciava o vazamento provocado pela empresa. Paulo Sérgio já vinha sendo ameaçado, pediu proteção policial ao Estado, mas Jatene negou. Após o vazamento ocorrido nos dias 19 e 20 de fevereiro, o governador Simão Jatene (PSDB) veio a público em defesa da empresa norueguesa, dizendo que o vazamento era culpa das fortes chuvas, num declarado ato de conivência com o fato.
Para se livrar dos crimes de vazamento e despejo clandestino, a Hydro divulgou no dia 09/04 laudo encomendado à Consultoria Ambiental SGW no qual se contrapõe ao laudo do IEC, afirmando não existir indicação de contaminação em rios, igarapés e lençóis freáticos. Contra esses crimes, o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) entraram com ação cautelar na Justiça Federal pedindo a suspensão parcial das atividades da Hydro Alunorte.

O Sintsep-PA repudia os crimes da Hydro, que saqueia nossos minérios, contamina nossos rios, atenta contra a vida das populações ribeirinhas e suas lideranças e ainda tenta encobrir seus crimes desqualificando o trabalho de toda uma equipe de profissionais, que compõe uma das instituições de pesquisa mais respeitada do mundo. Somos solidários a equipe de servidores do IEC e ao Dr. Marcelo pelo serviço prestado às comunidades atingidas pela assassina Hydro.

Que o MP investigue as relações de conivência entre o governo do Estado e a Hydro, com prisão imediata para Jatene, para o secretário de Meio Ambiente, Thales Belo, e para o secretário adjunto de Mineração; Prisão imediata para os dirigentes da Hydro envolvidos com o crime ambiental.

Que seja suspensa a permissão para atividade de exploração mineral à Hydro e que o controle da empresa seja entregue aos trabalhadores.

FONTE: https://www.facebook.com/sintsep.pa/posts/944527712395499