Inscrições para o Encontro Anticapitalista pelo Clima e pelo Fim dos Genocídios

Inscrição de atividades autogestionadas: de 06 a 31 de outubro.

As atividades autogestionadas são fundamentais para ampliar a participação dos movimentos populares e da academia no Encontro e ocorrerão nos dia 21 e 22 de novembro em quatro sessões de 13 h 30 até 15 h 30 e de 16 h até 18 h. 

Para inscrever sua atividade você deve preencher o formulário neste link: https://forms.gle/stATSvXddW9hXH439

Os objetivos do Encontro são: 

1- Denunciar o caráter insustentável do capitalismo, a impossibilidade de um capitalismo verde e sequer da redução do ritmo de destruição sem a superação deste modo de produção.

2- Denunciar as instituições capitalistas, empresas, Estados e organismos internacionais (ONU, COPs, G20 etc.) e suas falsas soluções. 

3- Denunciar o negacionismo e o caráter destrutivo da política ambiental do Estado brasileiro, incluindo o governo Lula.

4- Promover o debate sobre o significado da ruptura com o capitalismo, bem como do programa, das táticas e das estratégias necessárias para este objetivo.

5- Colaborar para a articulação das lutas ambientais concretas travadas pelos trabalhadores e o povo.

6- Contribuir no desenvolvimento das lutas contra o imperialismo e a denúncia de todos genocídios em curso, em particular o apoio à luta do povo palestino contra o estado colonialista e racista de Israel.

O encontro da militância e das organizações que não se iludem com o capitalismo, suas empresas e instituições é fundamental diante da necessidade de atuarmos concretamente pela superação deste modo de produção como condição para que a humanidade possa começar a responder adequadamente ao colapso ambiental.

Nossa iniciativa é ousada e está apenas começando a ser construída. Inscreva sua atividade e venha conosco construir um mundo novo!

O Encontro ocorrerá entre os dias 20 e 23 de novembro de 2025 na cidade do Rio de Janeiro em local a confirmar.

Entre holocaustos de verdade e o holocausto da verdade

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Por Douglas Barreto da Mata

O que há de comum entre judeus, negros, armênios, curdos, povos originários das Américas?

Bem, todos eles sofreram o que se convencionou chamar de genocídio, e alguns ainda vivem nele, como os povos originários brasileiros, e negros em todos os cantos do planeta, inclusive aqui, quando são mortos na proporção de 30 mil por ano, todos vítimas de armas de fogo.

A questão é que nem todos tiveram o direito ao reconhecimento de seu sofrimento, as reparações devidas e claro, ninguém, salvo os armênios (mais ou menos) e judeus ganharam um Estado próprio…

No Brasil, por exemplo, aos negros foram dados um tipo de gueto, chamados de favela, que faria o Gueto de Varsóvia parecer um local salubre.

Aos povos originários, a simples menção de demarcação de terras para que constituam, não um Estado soberano, mas um ambiente de sobrevivência socioambiental e cultural, provoca conflitos sangrentos, e oposições das bancadas da bala, da bíblia e do latifúndio.

Por estranha coincidência, esse mesmo rebanho que bate com os cascos no chão ao ouvir a palavra “reserva indígena”, espaços que são instituídos com ampla pesquisa histórica, antropológica e critérios, apoia incondicionalmente a existência de um país dentro de áreas de outros países, e que só tem por legitimidade para justificar a ocupação uma passagem bíblica (e não histórica ou antropológica) de 2.000 mil anos atrás.

Sim, senhores, e há outras coisas estranhas nisso tudo, como o fato de não haver qualquer justificativa para que cristãos ocidentais usem símbolos judeus e do estado sionista em seus rituais e manifestações políticas, quer dizer, considerando que as três grandes religiões monoteístas (o Islã, o Judaísmo e o Cristianismo) descendem do mesmo tronco, não se explica o ódio que hoje unem judeus e cristãos contra os islâmicos, da mesma forma como não se explica o atual amor entre judeus de direita de cristão de direita.

A não ser que a gente estenda o raciocínio ao Grande Pai, os EUA.

Matriz de toda a cultura ocidental, e de toda a orientação geopolítica recente, é nos EUA que nasce este estranho casamento entre judeus e cristão de extrema-direita.

No entanto, para falarmos disso tudo, temos que falar de culpas ancestrais também…

A Palestina nunca foi uma terra judia, em nenhum momento das ocupações e guerras que ali se deram, onde se revezaram cristãos e muçulmanos, sendo os mais famosos de lado a lado, Ricardo I, O Coração de Leão e Saladino ou Sultão Saladin.

Nunca houve um estado (cidade) judeu naquele local.

Jerusalém é tão sionista ou judia como Goa é européia, porque fala português, ou há cristãos por lá… 

Mas a “solução judia” começou a ser pensada no início do Século XX, fim do XIX.

Um dos que começou a considerar tal hipótese foi o Sir Rothschild, banqueiro inglês, e a Coroa Britânica, sendo aquela região uma possessão inglesa.

Parêntese:

Os métodos usados pelo embrião do Mossad eram ataques a bomba, isso mesmo, terrorismo, para pressionar pela implantação de um estado sionista.

Tal situação levou os árabes à defesa, óbvio, e para tanto, a luta anticolonial, contra a Inglaterra, se dava ao mesmo que tentavam evitar o que aconteceu em 1948, com a criação de Israel.

Outro parêntese:

A perseguição aos judeus não era uma exclusividade alemã, ao contrário, o antissemitismo era disseminado nos EUA, França, Portugal, Espanha e etc.

A prova desse desinteresse na causa judaica é o fato de que os aliados deixaram a libertação dos campos de concentração para o final da guerra, como último dos últimos atos.

Alguns comandantes militares, na época, quando questionados, usavam a desculpa militar, já que a logística do avanço sobre a Alemanha seria prejudicada com a demanda em atender tantos judeus sobreviventes.

Ou seja, no final, a “solução final” de Hitler ajudaria nesse quesito.

Assim, quando a guerra acabou, judeus proeminentes (ricos, e que por isso conseguiram negociar suas fugas) e as novas elites mundiais construíram a mais poderosa narrativa da história recente:

Não, está enganado, se imagina que eu falaria Holocausto Judeu, esse é um fato verdadeiro e vergonhoso de toda a Humanidade, e não só a parte alemã da Humanidade.

Estou falando da culpa ocidental com os judeus e a eterna dívida que se tem com essa denominação religiosa.

Ora, só isso explicaria o fato de que mesmo tratamento humanitário nunca tenha sido dedicado aos negros.

Apesar de terem sido sequestrados, torturados, escravizados e mortos em números que se estimam em 10 milhões, e que ainda hoje são triturados na indústria do tráfico de gente, alimentado por leis de imigração discriminatórias, justamente nos países que pregam o “mundo livre”.

E os armênios?

Pois é, sofreram o diabo nas mãos dos turcos, e até pouquíssimo tempo atrás, vários países interessados nos favores geopolíticos dos turcos se negavam a reconhecer o Pogrom dos Armênios…

1 milhão de armênios mortos, forçados a atravessar o deserto, após serem expulsos do território turco que reivindicavam…

Então, é preciso ao menos dar os nomes às coisas que tais coisas têm…

O que o Estado Sionista fez e faz com palestinos, desde 1948 até hoje, é bem próximo do que os judeus sofreram nas mãos de Hitler…

Se armênios, negros, índios brasileiros tivessem povoado a Europa, e fossem brancos, ao mesmo tempo que tivessem migrado para os EUA e controlado grandes indústrias de propaganda, como Hollywood, certamente hoje, quem sabe, o Rio de Janeiro ou a Bahia seriam um Estado Nagô, a Europa Central seria Armênia, e a Amazônia uma Nação Tupy?

Hospital bombardeado em Gaza e a pergunta que não quer calar: quem tem a capacidade militar para tal destruição?

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As cenas de horror vindas do Hospital al-Ahli al-Arabi  na cidade de Gaza impressionam pela letalidade da explosão que ceifou a vida de pelo menos 500 pessoas, incluindo uma grande quantidade de mulheres e crianças.  O governo  israelense que inicialmente reclamou para si o bombardeamento, agora tenta jogar a culpa nas costas do grupo Jihad Islâmica que teria cometido um erro e lançado para a área do hospital  um foguete que era destinado para Israel.

O presidente dos EUA, Joe Biden, comprou a versão do governo israelense e teria afirmado que a explosão seria responsabilidade do “outro time”, em uma espécie de metáfora esportiva macabra destinada a culpar os palestinos pelo incidente mortal.

O problema para o governo de Israel e seus aliados estadunidenses tem a ver com a escala de destruição que foi imposta ao edifício que abrigava o hospital al-Ahli al-Arabi, pois os grupos palestinos não são possuidores de armamentos capazes de tamanha destruição. Se esse fosse o caso, a escala de destruição dentro de Israel já seria muito maior do que é.

Mas como em guerras a primeira vítima é a verdade, certamente teremos nos próximos dias uma onda de matérias jornalísticas confirmando a tese israelense. Mas aí que aparece a questão: qual lado deste conflito que tem a capacidade militar para tamanha destruição?

Conflito Israel/Palestina e mais uma cobertura enviesada da mídia corporativa

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O agravamento do conflito entre Israel e as forças da resistência palestina que teve como estopim a inesperada invasão e bombardeamento do território israelense por forças combinadas dos grupos Hamas e Jihad Islâmica tem mais um capítulo de uma cobertura enviesada (obviamente em prol de Israel) por parte da mídia corporativa nacional e global.

Ao não oferecer a devida base para a origem e sustentação de um conflito que está centrado na reação palestina à crescente perda de território, inclusive na Cisjordânia ocupada, o que acaba sendo apresentada é uma versão precária que apenas contribui para a demonização dos palestinos, como se do outro lado existissem paladinos da democracia no Oriente Médio.

https://youtu.be/YQq0HLCex4M?si=SPZnX663eeSvhWVr

O fato é que desde 2007 quando o Hamas forçou a retirada das tropas israelenses, a denominada Faixa de Gaza, incluindo a cidade de Gaza, tem sido submetida a um cerco implacável, com a negação de serviços básicos como água e esgoto, mas também hospitais e escolas.  Dentro da Faixa de Gaza, tudo é tratado como alvo legítimo por Israel, sempre com a cobertura generosa dos grandes jornais e demais veículos da mídia corporativa, e que tem como resultante um balanço altamente desproporcional entre o número de mortos e feridos de cada lado (ver imagem abaixo).

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Com esse ataque inesperado e eficiente, a liderança do Hamas e da Jihad Ilâmica certamente sabem que a reação israelense que conta com forças militares formidáveis será implacável, repetindo bombardeamentos de escarumuças anteriores. O problema para Israel e os seus apoiadores confortavelmente sentados em capitais do mundo industrializado é que esse cálculo já deve ter sido feito pelas facções palestinas.

Disso tudo o que se pode prever é que os esforços em andamento para a normalização das relações diplomáticas entre Israel e os estados árabes que o circundam vai ser postergada por tempo indeterminado. Com isso, Hamas e Jihad Islâmica já terão atingido o seu objetivo mais importante, deixando todo o Oriente Médio em compasso de espera.

Quanto à cobertura da mídia corporativa a este novo capítulo sangrento do conflito palestinos e israelenses, o melhor mesmo é não usá-la para firmar julgamentos na maior parte dos casos. É que não estamos sendo informados, mas apenas recebendo propaganda disfarçada de informação.

Jean Wyllys, seu mea culpa incompleto, e os limites de um identitário

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Por uma conjunção de ordem de espera em uma lista de entrevistados, pude ouvir com a devida atenção a uma entrevista com o ex-deputado e ativista social autoexilado Jean Wyllys na qual ele, entre outras coisas, realizou uma espécie de mea culpa sobre a percepção de que os identitários não se preocupam com aqueles que não estão dentro de determinados rótulos de identidade. Segundo o que eu entendi da fala de Wyllys, identitários como ele se preocupam sim com as múltiplas dimensões pelas quais a opressão se dá, seja ela na forma homofobia, violência contra as mulheres, a discriminação racial, e por aí vai.

Essa postura de Wyllys foi para mim uma tentativa de resposta e até de autocrítica contra os eventuais excessos daqueles que dentro de uma determinada “identidade” se esquecem de também denunciar as outras formas pelas quais as pessoas são oprimidas.  Nesse sentido, a explicação oferecida por Wyllys é benvinda, na medida em que muitos identitários o têm no alto da escada daqueles que podem ou merecem ser ouvidos.

O problema é que na mesma entrevista, Wyllys chamou a atenção para supostos setores do PT e do PSOL que não se importariam e até se oporiam às lutas setoriais que estão ligadas à determinadas identidades. Aqui é que a porca torce o rabo. É que o próprio Wyllys já reconheceu que enquanto esteve dentro do PSOL ele não se ocupava de falar para dentro do partido, mas principalmente para fora em uma busca de suposto diálogo com os movimentos sociais, com entidades da sociedade civil, instituições democráticas, com a academia, com os artistas, pois ele (nas suas próprias palavras) não se importava com a luta interna. Em outras palavras, o PSOL para ele não passava de um pouso temporário (ou seria um palco?), na medida é que não havia interesse de dialogar com outras pessoas e suas posições divergentes, o que ainda é a única forma de se conseguir evolução organizacional.

Por outro lado é interessante lembrar que em uma questão bem específica, Jean Wyllys objetivamente se alinhou ao estado de Israel que se encontra em guerra contínua contra o povo palestino em função de um grau de liberdade maior que os gays israelenses desfrutam em uma sociedade que seria, por isso, mais democrática. Como nunca li ou ouvi uma autocrítica por fortalecido a imagem construída pelo estado israelense (aliás, Wyllys só criticou quem o criticou), fica óbvio qual opção de identidade ele resolveu dar preferência naquele caso.

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Wyllys como símbolo dos limites das identidades

Sempre que leio ou ouço Jean Wyllys falar raramente ouço críticas ao sistema político, cultural e econômico que é peculiar ao capitalismo. Se espremermos bem o suco, veremos que a crítica de Wyllys é sempre às discriminações, que resvalam sempre em um  suposto arrivismo da esquerda contra as pautas identitárias, não sobrando as acusações de que os partidos de esquerda são, de alguma forma, portadores de elementos racistas e homofóbicos

Criticar o capitalismo enquanto sistema hegemônico e que se mantém tendo o uso da violência contra todos os que se tornam problema para manutenção da ordem eu sinceramente nunca ouvi Wyllys expressar algo sequer próximo disso. Em sua defesa é importante dizer que raros são os ativistas identitários que procuram ligações para fora de seu próprio campo de identidade. 

Essa indisposição para formular uma crítica ao sistema em si explica ainda toda a indisposição com a esquerda que se pauta pela identidade que galvaniza todas as outras, que é a de classe.  Aos que insistem em manter como a “meta identidade” sobram rótulos manjados de “esquerdo machos”. Por isso, são habituais os ataques à esquerda classista, muitas vezes em grau mais virulento do que aqueles oferecidos, por exemplo, à extrema direita.

Isso tudo, especialmente em um momento de graves ataques aos trabalhadores (sejam gays ou não), contribui para um fracionamento indesejável de energias, pois na hora em que se precisa estar unido sob uma só bandeira, as múltiplas pautas identitárias geram fragmentação.

Jean Wyllys já disse mais de uma vez que se o ex-presidente Lula vencer as eleições ele sairá de seu autoexílio em Barcelona e voltará ao Brasil.  Para aqueles que como eu comemos o osso e vimos milhões de brasileiros só tendo osso para comer, a questão que fica sobre qual mudança qualitativa que Wyllys imagina que essa vitória trará, inclusive, para os milhões de gays pobres que hoje vivem sob o tacão de uma sociedade empobrecida e cada vez mais violenta.

Finalmente, uma propaganda grátis para Jean Wyllys. Na entrevista que citei no início desta postagem ele nos informou que está lançando um livro que é uma espécie de memória do exílio em colaboração com outra autoexilada a filósofa Márcia Tiburi. Como alguém que viveu fora do Brasil por mais de sete anos, fico curioso com o que saiu das cartas trocadas entre um que estava em Barcelona e outra que estava em Paris. Mas a despeito da minha própria curiosidade, fica a dica.

 

Em Jerusalém, um ataque aos enlutados durante serviço fúnebre de jornalista assassinada por forças israelenses

Dezenas de milhares no funeral do repórter Abu Akle. Forças israelenses atacaram os participantes

palestine killedProtesto em frente ao Hospital Francês em Jerusalém na sexta-feira com uma foto de Shirin Abu Akle

Por  Gerrit Hoekman para o JungeWelt

As imagens falam muito: na tarde de sexta-feira, a polícia israelense atacou o início do serviço fúnebre da conhecida repórter Shirin Abu Akle em Jerusalém. Forças armadas pesadas impediram brutalmente o povo de formar uma procissão fúnebre. A carroça que transportava o corpo seguiu sozinha para a Igreja Católica Romana na Cidade Velha de Jerusalém.

A jornalista da emissora de TV Al-Jazeera foi baleada na cabeça durante uma operação do exército israelense no campo de refugiados de Jenin, na Cisjordânia ocupada, na quarta-feira. A estação de TV acusou Israel de assassinato seletivo.

Assim que o caixão foi retirado do hospital francês em Jerusalém por volta das 13h, na presença de mais de 100 pessoas, as forças de ocupação israelenses provocaram os participantes do cortejo fúnebre. Bandeiras palestinas e cantos foram proibidos durante o funeral. A cerimônia obviamente não pretendia se tornar uma demonstração da resistência palestina. A população em Gaza ou na Cisjordânia não poderia participar de qualquer maneira. Muitos enlutados não obedeceram, e a polícia espancou os carregadores de caixão e os enlutados sem aviso prévio. O caixão quase caiu no chão. O canal em árabe da emissora Al-Jazeera transmitiu as imagens perturbadoras ao vivo em frente ao hospital francês.

“Infelizmente, sob o disfarce do funeral e explorando-o cinicamente, centenas de pessoas começaram a perturbar a ordem pública antes mesmo de começar”, disse a agência de notícias AFP citando um comunicado da polícia. “Quando o caixão estava prestes a ser retirado do hospital, pedras foram jogadas nos policiais na praça do hospital, obrigando-os a usar medidas de controle de distúrbios.”

No caminho da igreja para o cemitério, um interminável cortejo fúnebre de mais de 10.000 pessoas pôde acompanhar a jornalista em sua última caminhada. A polícia israelense não era mais vista. Apenas um helicóptero fez suas rondas sobre o cemitério.

Em Jenin, o dia do funeral começou com outro tiroteio que durou várias horas entre o exército israelense e os combatentes da resistência palestina. De acordo com a agência de notícias oficial palestina WAFA , os soldados destruíram um prédio com mísseis guiados. A casa pegou fogo. Vários membros da »Jihad Islâmica«, que tem uma forte base em Jenin, estariam escondidos lá. De acordo com o site de notícias palestino Maan , pelo menos 13 palestinos ficaram feridos, alguns com gravidade. Um está em estado crítico. O exército israelense relatou um policial israelense ferido.

De acordo com o jornal israelense Haaretz , os soldados israelenses também estavam em Jenin na manhã de sexta-feira para procurar vestígios do local onde o jornalista Abu Akle foi morto a tiros na quarta-feira.. Foi sugerido que um atirador palestino matou o repórter. “Jenin é um reduto terrorista”, disse um porta-voz do Exército no Twitter na sexta-feira. O primeiro-ministro Naftali Bennett afirmou na quarta-feira que os palestinos dispararam incontrolavelmente em todas as direções durante o tiroteio. O exército israelense postou um vídeo no Twitter naquele dia mostrando um combatente palestino atirando em um beco sem olhar em quem ele está atirando. Um homem grita em árabe: “Você encontrou um soldado! Ele está no chão!” Autoridades israelenses disseram que só poderia ser o jornalista porque o exército não sofreu baixas.

Na quinta-feira, a ONG israelense »B’Tselem« visitou o beco em Jenin onde o vídeo foi feito. Conclusão da visita ao local: a cena não pode ter nada a ver com a morte de Abu Akle. O local onde ela sangrou até a morte fica em uma rua a quase 300 metros de distância. Casas e paredes estão localizadas entre os dois lugares. O jornal norte-americano Washington Post entrevistou testemunhas do incidente. Todos afirmam que o grupo de jornalistas, que incluía Abu Akle, não estava nem perto do conflito armado. ‘Onde estávamos não havia nenhum lutador. Não nos colocamos na linha de fogo. O que quer que o exército israelense nos peça, faremos. Eles atiraram em nós diretamente e de propósito”, garantiu o jornalista Ali Al-Samudi ao jornalWashington Post .

Enquanto isso, a Autoridade Palestina se recusa a entregar o cartucho usado para atirar em Abu Akle para Israel. Aparentemente, ela desconfia da experiência israelense e teme a manipulação. “Todas as pistas, evidências e testemunhas confirmam seu assassinato pelas forças especiais israelenses”, disse o ministro palestino de Assuntos Civis, Hussein al-Sheikh, na quinta-feira. A autoridade de autonomia agora quer levar a morte de Abu Akle ao Tribunal Penal Internacional em Haia. como crime de guerra.


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Este texto foi inicialmente escrito em alemão e publicado pelo jornal “JungeWelt” [Aqui!].

Palestinos convocam greve geral

No Oriente Médio, os ataques de Israel e do Hamas continuam. Os palestinos estão expandindo o conflito. Os EUA continuam a rejeitar um papel ativo de mediador.

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As crianças estão sendo levadas para um local seguro na Cidade de Gaza. © Anas Baba / AFP / Getty Images

No conflito entre Israel e o radical islâmico Hamas, os palestinos convocaram uma greve geral nacional na terça-feira. A mídia local informou que a intenção era protestar contra os ataques israelenses a Gaza, o deslocamento forçado de palestinos de Jerusalém e a violência dos colonos israelenses. Marchas de protesto são esperadas em todas as grandes cidades e nos postos de controle entre Israel e a Cisjordânia.

Enquanto isso, militantes israelenses e palestinos continuam seus ataques com severidade inalterada. Os caças israelenses voltaram a atacar alvos na Faixa de Gaza. Segundo os militares, as casas de nove comandantes de alto escalão da militante organização palestina Hamas e túneis de extremistas com extensão total de 15 quilômetros foram destruídos. Hasam Abu Harbid, líder do grupo militante Jihad Islâmica, também foi morto nos ataques.

Mais feridos em Ashdod – situação precária na Faixa de Gaza

Testemunhas falaram sobre os piores ataques desde o início da guerra, há uma semana. O prefeito de Gaza, Jahja Sarradsch, disse à estação de televisão Al-Jazeera que os ataques aéreos haviam causado estragos em estradas e outras infraestruturas. Combustível e peças sobressalentes se tornariam escassos na Faixa de Gaza. Um porta-voz da empresa local disse que o combustível para a usina que alimenta Gaza duraria dois ou três dias. As linhas destruídas não podem ser reparadas no momento por causa dos ataques israelenses.

Por outro lado, os ataques com foguetes de Gaza também continuaram. As milícias da Jihad Islâmica também relataram que novamente dispararam foguetes na direção de Tel Aviv. Em Israel, o alarme disparou, principalmente perto da Faixa de Gaza. Dez feridos tiveram que receber atendimento médico em Ashdod. Três deles ficaram feridos por vidros quebrados, disse o serviço de ambulância Magen David Adom.

De acordo com o exército israelense, um total de cerca de 3.200 foguetes foram disparados da Faixa de Gaza em direção a Israel desde a última segunda-feira, mais de um terço dos quais foram interceptados pelo sistema de defesa Iron Dome. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu anunciou em um discurso na televisão que a “campanha contra organizações terroristas” continuaria com força total.

EUA ainda apenas em um papel passivo

Os apelos internacionais para o fim da violência desapareceram até agora. Acima de tudo, o Egito está tentando intermediar um cessar-fogo. Um diplomata no Cairo disse que há duas questões principais: encerrar os ataques de ambos os lados e interromper as operações israelenses em Jerusalém, que contribuíram para o conflito. O governo dos Estados Unidos deve pressionar Israel para encerrar sua ofensiva.

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, deixou claro que os EUA não se juntariam a essas iniciativas. Os EUA lutaram por si próprios no quadro da “diplomacia intensiva”. No entanto, “em última análise, cabe às próprias partes deixar claro que estão lutando por um cessar-fogo”, disse Blinken. Pela terceira vez, o governo dos Estados Unidos está bloqueando uma declaração conjunta do Conselho de Segurança da ONU sobre a escalada da violência.

O líder do Hamas, Ismail Haniya, que vive no exterior, disse ao jornal libanês Al-Akhbar que sua organização foi contatada pelas Nações Unidas, Rússia, Egito e Qatar como parte dos esforços para garantir um cessar-fogo. Mas nenhuma “solução será aceita que não corresponda às vítimas do povo palestino”.

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Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pela revista Zeit [Aqui!].

Flávio Bolsonaro e a suprema irresponsabilidade de um neófito

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Movimento Hamas emitiu comunicado de imprensa que irritou o senador Flávio Bolsonaro.

O agora (ou seria ainda?) senador Flávio Bolsonaro mostrou o característico pavio curto que parece caracterizar a sua família e respondeu a uma crítica do movimento “Hamas” dizendo (ou desejando) que queria que o movimento palestino explodisse (ver imagem abaixo)

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A mídia corporativa informa que provavelmente orientado por pessoas mais racionais que o acompanham na viagem que ainda realiza a Israel, Flávio Bolsonaro apagou o tweet em que informava ao Hamas seu desejo de que se explodisse.

O primeiro problema aqui é que o Hamas possui notório conhecimento em mídias digitais e certamente não só de um “print” no tweet com o desejo do filho mais velho de Jair Bolsonaro, como já o está circulando em suas mídias.

O segundo problema, que decorre diretamente do primeiro, é que faltou a um senador da república o mínimo de sensibilidade ao se dirigir a um movimento que já demonstrou forte capacidade de ação militar e de usar com grande êxito táticas heterodoxas típicas da guerra de guerrilha.

Juntados os dois erros, o que temos é um agravamento do risco político causado pela visita e dos compromissos firmados pelo presidente Jair Bolsonaro com o líder israelense Benjamin Netanyahu.

Outro aspecto que gostaria de ressaltar é a impossibilidade de concretização de desejos de boa parte da mídia corporativa de que o alto número de militares no governo Bolsonaro serviria como uma espécie de contrapeso racional às manifestações intempestivas que brotam do presidente e de seus três filhos.  O que está provocação ao Hamas demonstra é que eles são incontroláveis e impulsionados por sua condição de neófitos em ação política internacional estão a nos causar danos irreparáveis nas relações comerciais, e ainda nos expondo a uma possível fúria do Hamas. Simples, mas ainda assim totalmente trágico.

 

Ao abandonar palestinos, Jair Bolsonaro coloca o Brasil numa realidade nova e mais perigosa

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Benjamin Netanyahu e Jair Bolsonaro se cumprimentam no Rio de Janeiro em dezembro do ano passado (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Já viajei por um pequeno número de países e nunca me senti sob nenhum tipo de risco especial apenas por ser brasileiro.  Também nunca me preocupei com possíveis atentados terroristas em solo brasileiro, especialmente aqueles organizados por segmentos extremistas do Islamismo.

Uma das razões para isso era a posição histórica da diplomacia brasileira de apoiar a causa palestina, mas sem se tornar adversária do Estado de Israel, o que evidenciou até hoje a correção da postura pragmática que perdurou até janeiro dentro do nosso ministério de Relações Exteriores.

Esse tempo de pragmatismo de resultados está sendo encerrado com a visita que será realizada pelo presidente Jair Bolsonaro a Israel onde quase certamente será anunciada a transferência da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, no que será um aprofundamento do abraço dado nas ações da diplomacia estadunidense liderada por Donald Trump, Mike Pompeo e John Bolton.

Esse é um erro estratégico sob todos os pontos de vista, incluindo o político e o comercial, além do aumento do risco de atentados terroristas contra brasileiros dentro e fora de nosso território nacional. 

As consequências desse erro já serão sentidas pelo próprio presidente Jair Bolsonaro que está sendo aguardado em Israel por protestos organizados pela comunidade palestina. Como ele deverá ser mantido sob estrita proteção do governo de Israel, é bem provável que nem entenda o nó que está desatando.  Mas o Brasil e os brasileiros que não terão as benesses dessa proteção estarão entrando num mundo totalmente novo com as decisões sendo tomadas por Jair Bolsonaro e seu ministro das Relações Exteriores.  

 

Depois da China, Egito sinaliza que a lua de mel de Bolsonaro poderá ser curta

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Venho abordando neste blog que vários dos cenários que estão sendo desenhados pelo presidente eleito do Brasil podem ter consequências drásticas para o Brasil e sua já combalida economia. 

A primeira prova disso veio a partir de um duro pronunciamento do jornal chinês China Daily, uma espécie de porta-voz do governo chinês em inglês, que alertou para as consequências econômicas que poderiam advir para o Brasil em função da retórica belicosa que Jair Bolsonaro tem usado em relação aos negócios com a China [1].

Agora, em mais uma prova evidente de que as manifestações de um presidente eleito poderão causar graves repercussões econômicas foi o cancelamento de uma visita oficial que uma delegação brasileira faria ao Egito [2]. A razão óbvia para esta medida pouco usual da chancelaria egípcia foi o anúncio feito por Jair Bolsonaro de que a embaixada brasileira será transferida de Tel Aviv para Jerusalém.

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Essa sinalização egípcia deverá ser vista com grande preocupação pelos pecuaristas brasileiros já que os países árabes representam o segundo mercado consumidor de carne brasileira. E se o Egito que não é um dos mais alinhados à causa palestina já adotou essa posição de enviar um “recado”, imaginem o que países mais sensíveis aos palestinos poderão fazer.

Aliás, em um trabalho de campo que realizei em grandes frigoríficos localizados no Centro-Oeste, tive a oportunidade de me deparar com profissionais árabes que estavam ali para fazer o abate de bovinos seguindo um ritual próprio e com instrumentos próprios. Ali aprendi que no momento do abate os animais eram, sempre que possível, orientados em direção à cidade sagrada de Meca.

Se realmente ocorrer a mudança da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, é possível que os frigoríficos brasileiros não tenham mais que se preocupar essas questões idiossincráticas no momento de abater seus animais.

Já ao presidente eleito restará saber que suas escolhas e preferências agora poderão ter pesados custos para a economia brasileira e para aqueles que o ajudaram a chegar ao poder.  Os primeiros a sentir isso são os vinte empresários brasileiros que já se encontram no Egito para uma rodada de negociações que não mais vai ocorrer, e agora retornarão de mãos literalmente vazias [3].


[1] https://observador.pt/2018/11/01/jornal-oficial-chines-adverte-bolsonaro-com-peso-da-china-para-a-economia-brasileira/

[2] https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2018/11/apos-declaracoes-de-bolsonaro-egito-cancela-viagem-de-comitiva-brasileira.shtml

[3] https://www.brasil247.com/pt/247/mundo/374260/Egito-barra-chanceler-do-Brasil-por-política-externa-ideológica-de-Bolsonaro.htm?fbclid=IwAR1_bv-GveBS5TG6f3ey4u8_JQQC9j74BGMqC68unVZnEtGw37B46yhYhWs#.W-CfEYY7QEI.facebook