
Por Douglas Barreto da Mata
O que há de comum entre judeus, negros, armênios, curdos, povos originários das Américas?
Bem, todos eles sofreram o que se convencionou chamar de genocídio, e alguns ainda vivem nele, como os povos originários brasileiros, e negros em todos os cantos do planeta, inclusive aqui, quando são mortos na proporção de 30 mil por ano, todos vítimas de armas de fogo.
A questão é que nem todos tiveram o direito ao reconhecimento de seu sofrimento, as reparações devidas e claro, ninguém, salvo os armênios (mais ou menos) e judeus ganharam um Estado próprio…
No Brasil, por exemplo, aos negros foram dados um tipo de gueto, chamados de favela, que faria o Gueto de Varsóvia parecer um local salubre.
Aos povos originários, a simples menção de demarcação de terras para que constituam, não um Estado soberano, mas um ambiente de sobrevivência socioambiental e cultural, provoca conflitos sangrentos, e oposições das bancadas da bala, da bíblia e do latifúndio.
Por estranha coincidência, esse mesmo rebanho que bate com os cascos no chão ao ouvir a palavra “reserva indígena”, espaços que são instituídos com ampla pesquisa histórica, antropológica e critérios, apoia incondicionalmente a existência de um país dentro de áreas de outros países, e que só tem por legitimidade para justificar a ocupação uma passagem bíblica (e não histórica ou antropológica) de 2.000 mil anos atrás.
Sim, senhores, e há outras coisas estranhas nisso tudo, como o fato de não haver qualquer justificativa para que cristãos ocidentais usem símbolos judeus e do estado sionista em seus rituais e manifestações políticas, quer dizer, considerando que as três grandes religiões monoteístas (o Islã, o Judaísmo e o Cristianismo) descendem do mesmo tronco, não se explica o ódio que hoje unem judeus e cristãos contra os islâmicos, da mesma forma como não se explica o atual amor entre judeus de direita de cristão de direita.
A não ser que a gente estenda o raciocínio ao Grande Pai, os EUA.
Matriz de toda a cultura ocidental, e de toda a orientação geopolítica recente, é nos EUA que nasce este estranho casamento entre judeus e cristão de extrema-direita.
No entanto, para falarmos disso tudo, temos que falar de culpas ancestrais também…
A Palestina nunca foi uma terra judia, em nenhum momento das ocupações e guerras que ali se deram, onde se revezaram cristãos e muçulmanos, sendo os mais famosos de lado a lado, Ricardo I, O Coração de Leão e Saladino ou Sultão Saladin.
Nunca houve um estado (cidade) judeu naquele local.
Jerusalém é tão sionista ou judia como Goa é européia, porque fala português, ou há cristãos por lá…
Mas a “solução judia” começou a ser pensada no início do Século XX, fim do XIX.
Um dos que começou a considerar tal hipótese foi o Sir Rothschild, banqueiro inglês, e a Coroa Britânica, sendo aquela região uma possessão inglesa.
Parêntese:
Os métodos usados pelo embrião do Mossad eram ataques a bomba, isso mesmo, terrorismo, para pressionar pela implantação de um estado sionista.
Tal situação levou os árabes à defesa, óbvio, e para tanto, a luta anticolonial, contra a Inglaterra, se dava ao mesmo que tentavam evitar o que aconteceu em 1948, com a criação de Israel.
Outro parêntese:
A perseguição aos judeus não era uma exclusividade alemã, ao contrário, o antissemitismo era disseminado nos EUA, França, Portugal, Espanha e etc.
A prova desse desinteresse na causa judaica é o fato de que os aliados deixaram a libertação dos campos de concentração para o final da guerra, como último dos últimos atos.
Alguns comandantes militares, na época, quando questionados, usavam a desculpa militar, já que a logística do avanço sobre a Alemanha seria prejudicada com a demanda em atender tantos judeus sobreviventes.
Ou seja, no final, a “solução final” de Hitler ajudaria nesse quesito.
Assim, quando a guerra acabou, judeus proeminentes (ricos, e que por isso conseguiram negociar suas fugas) e as novas elites mundiais construíram a mais poderosa narrativa da história recente:
Não, está enganado, se imagina que eu falaria Holocausto Judeu, esse é um fato verdadeiro e vergonhoso de toda a Humanidade, e não só a parte alemã da Humanidade.
Estou falando da culpa ocidental com os judeus e a eterna dívida que se tem com essa denominação religiosa.
Ora, só isso explicaria o fato de que mesmo tratamento humanitário nunca tenha sido dedicado aos negros.
Apesar de terem sido sequestrados, torturados, escravizados e mortos em números que se estimam em 10 milhões, e que ainda hoje são triturados na indústria do tráfico de gente, alimentado por leis de imigração discriminatórias, justamente nos países que pregam o “mundo livre”.
E os armênios?
Pois é, sofreram o diabo nas mãos dos turcos, e até pouquíssimo tempo atrás, vários países interessados nos favores geopolíticos dos turcos se negavam a reconhecer o Pogrom dos Armênios…
1 milhão de armênios mortos, forçados a atravessar o deserto, após serem expulsos do território turco que reivindicavam…
Então, é preciso ao menos dar os nomes às coisas que tais coisas têm…
O que o Estado Sionista fez e faz com palestinos, desde 1948 até hoje, é bem próximo do que os judeus sofreram nas mãos de Hitler…
Se armênios, negros, índios brasileiros tivessem povoado a Europa, e fossem brancos, ao mesmo tempo que tivessem migrado para os EUA e controlado grandes indústrias de propaganda, como Hollywood, certamente hoje, quem sabe, o Rio de Janeiro ou a Bahia seriam um Estado Nagô, a Europa Central seria Armênia, e a Amazônia uma Nação Tupy?