Depois da China, Egito sinaliza que a lua de mel de Bolsonaro poderá ser curta

bolsonaro israel

Venho abordando neste blog que vários dos cenários que estão sendo desenhados pelo presidente eleito do Brasil podem ter consequências drásticas para o Brasil e sua já combalida economia. 

A primeira prova disso veio a partir de um duro pronunciamento do jornal chinês China Daily, uma espécie de porta-voz do governo chinês em inglês, que alertou para as consequências econômicas que poderiam advir para o Brasil em função da retórica belicosa que Jair Bolsonaro tem usado em relação aos negócios com a China [1].

Agora, em mais uma prova evidente de que as manifestações de um presidente eleito poderão causar graves repercussões econômicas foi o cancelamento de uma visita oficial que uma delegação brasileira faria ao Egito [2]. A razão óbvia para esta medida pouco usual da chancelaria egípcia foi o anúncio feito por Jair Bolsonaro de que a embaixada brasileira será transferida de Tel Aviv para Jerusalém.

bolsonaro palestina

Essa sinalização egípcia deverá ser vista com grande preocupação pelos pecuaristas brasileiros já que os países árabes representam o segundo mercado consumidor de carne brasileira. E se o Egito que não é um dos mais alinhados à causa palestina já adotou essa posição de enviar um “recado”, imaginem o que países mais sensíveis aos palestinos poderão fazer.

Aliás, em um trabalho de campo que realizei em grandes frigoríficos localizados no Centro-Oeste, tive a oportunidade de me deparar com profissionais árabes que estavam ali para fazer o abate de bovinos seguindo um ritual próprio e com instrumentos próprios. Ali aprendi que no momento do abate os animais eram, sempre que possível, orientados em direção à cidade sagrada de Meca.

Se realmente ocorrer a mudança da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, é possível que os frigoríficos brasileiros não tenham mais que se preocupar essas questões idiossincráticas no momento de abater seus animais.

Já ao presidente eleito restará saber que suas escolhas e preferências agora poderão ter pesados custos para a economia brasileira e para aqueles que o ajudaram a chegar ao poder.  Os primeiros a sentir isso são os vinte empresários brasileiros que já se encontram no Egito para uma rodada de negociações que não mais vai ocorrer, e agora retornarão de mãos literalmente vazias [3].


[1] https://observador.pt/2018/11/01/jornal-oficial-chines-adverte-bolsonaro-com-peso-da-china-para-a-economia-brasileira/

[2] https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2018/11/apos-declaracoes-de-bolsonaro-egito-cancela-viagem-de-comitiva-brasileira.shtml

[3] https://www.brasil247.com/pt/247/mundo/374260/Egito-barra-chanceler-do-Brasil-por-política-externa-ideológica-de-Bolsonaro.htm?fbclid=IwAR1_bv-GveBS5TG6f3ey4u8_JQQC9j74BGMqC68unVZnEtGw37B46yhYhWs#.W-CfEYY7QEI.facebook

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