Em 2015, CQC mostrou a grave ameaça do reservatório da mineradora Kinross em Paracatu

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Kinross Brasil Mineração em Paracatu — Foto: Emílio Braga/G1

No dia 03 de fevereiro publicou aqui a situação de medo que se espalha pelo estado de Minas Gerais em função da existência de centenas de barragens de rejeitos tóxicos, muitas delas em condições duvidosas de manutenção.

Mas além do medo, o que está se espalhando é uma espécie de “revival” de matérias jornalísticas que foram feitas anos atrás sobre alguns dos casos que se tornaram mais notórios em termos dos riscos que oferecem esses reservatórios.  

Um  dos casos em que encontrei matérias jornalísticas detalhadas é o da mineradora canadense Kinross em Paracatu (MG) que foi alvo de uma visita do programa CQC em 2015 (ver vídeo abaixo).

Um dos elementos de repetição desta matéria do CQC em relação a outros casos emblemáticos em Minas Gerias incluem a perseguição aos ativistas que se insurgem contra os problemas sociais e ambientais causados pelas atividades de mineração, bem como o nível de secretude e controle do território que as mineradoras utilizam para manter as suas atividades pouco permeáveis às populações que vivem no entorno de suas atividades.

Mais notável ainda é que se permitiu que represas gigantescas de rejeitos extremamente tóxicos fossem construídas sem o devido controle por parte das diferentes esferas de governos e agências de fiscalização como o DNPM e o IBAMA.  Enquanto isso, como se vê no caso de Paracatu, o que foi o surgimento de uma forte correlação entre as atividades de mineração da Kinross e a incidência de uma taxa altíssima de casos de câncer.

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O medo se espalha pelas cidades com grandes barragens de rejeitos em Minas Gerais

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Kinross Brasil Mineração em Paracatu — Foto: Emílio Braga/G1

A eclosão do segundo Tsulama da Vale na cidade de Brumadinho (MG) serviu para romper com toda a falsa calma que havia em muitas cidades mineiras que estão abaixo de grandes reservatórios de rejeitos de mineração. E com justa razão, pois agora se sabe que muitos destes reservatórios possuem, como os reservatórios da Vale em Brumadinho, alto poder de destruição.

Já citei aqui os exemplos de Santa Bárbara que abriga uma mega barragem da mineradora de ouro AngloGold Ashanti e Congonhas do Campo que abriga outra da Companhia Sideúrgica Nacional. 

Mas a população do município de  Paracatu, localizado no Noroeste de Minas Gerais, tem razões para conviver com o medo, pois é ali que existe atualmente o maior volume de reservatórios de mineração do território mineiro (ver imagem abaixo), resultado das operações da mineradora canadense Kinross.

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Imagem de satélite capturada no Google Earth mostra a localização das barragens da mineradora canadense Kinross acima da área urbana de Paracatu (MG).

Apesar das garantias oferecidas por representantes da Kinross, que é uma das maiores mineradoras de ouro do planeta, de que não há motivo para pânico, há que se lembrar que essa multinacional teve que fechar uma mina no Chile por causa da “gestão inadequada de impactos ambientais imprevistos na bacia Pantanillo-Ciénaga Redonda“.

O que parece mais inacreditável é que os órgãos ambientais tenham deixado que a Kinross acumular um montante de rejeitos (547 milhões de metros cúbicos) que é cerca de 40 vezes maior do que a Vale possuía em seus reservatórios em Brumadinho. É que dada a precariedade estrutural dos órgãos de fiscalização tanto em nível estadual como federal, a população de Paracatu nas mãos de uma corporação multinacional. E, pior, num tipo de mineração que tende a guardar resíduos altamente tóxicos com potencial de destruição ainda maior do que aqueles gerados pela mineração de ferro.

Por isso,  é mais do que justo a sensação de medo que se espalha por Paracatu.   A minha expectativa é que a consciência que foi acordada pela tragédia em Brumadinho sirva como fator de mobilização por mais segurança não apenas em Paracatu, mas em todos os municípios que possuam este tipo de estrutura de estoque de rejeitos.

Mais lama a caminho do rio Doce

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O grande volume de chuvas na região de Mariana levará mais lama para o rio Doce nos próximos dias. A denúncia foi feita pelo biólogo Dante Pavan. Em sua página no Facebook, ele postou fotos mostrando que a lama retirada do leito do rio Gualaxo, pela Samarco, após a tragédia que devastou Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, está novamente sendo engolida pelas águas por negligência da própria empresa.

FONTE: http://mundovastomundo.com.br/18919-2/