Os 60 maiores bancos do mundo despejaram US$ 3,8 trilhões em combustíveis fósseis desde o Acordo de Paris

Financiamento a petróleo, gás e carvão segue em níveis elevados mesmo em meio à crise econômica global, mostra relatório de organizações pelo clima

bancos caos

 

Passados mais de cinco anos desde a assinatura do Acordo de Paris, os maiores bancos do mundo continuam a financiar massivamente a expansão dos combustíveis fósseis, em um sinal de desconexão alarmante entre o consenso científico global sobre a crise climática e as práticas do mercado financeiro.

É o que revela a 12ª edição do mais abrangente relatório global sobre financiamento de bancos a combustíveis fósseis. Intitulado Banking on Climate Chaos 2021, o documento expande seu foco, este ano, dos 35 para os 60 dos maiores bancos do mundo e revela que, desde 2016, esses bancos injetaram mais de US$ 3,8 trilhões em operações ligadas aos setores de petróleo, gás e carvão.

De autoria das organizações Rainforest Action Network, BankTrack, Rede Ambiental Indígena, Oil Change International, Reclaim Finance e Sierra Club, o estudo e é endossado por mais de 300 organizações de 50 países ao redor do mundo, inclusive a 350.org.

Os piores do mundo

O relatório nomeia os maiores financiadores de combustíveis fósseis em todo o mundo e aponta o JPMorgan Chase como o pior banco de forma geral. Também indica o RBC como o pior do Canadá, o Barclays como o pior do Reino Unido, o BNP Paribas como o pior da União Europeia, o MUFG como o pior no Japão e o Banco da China como o pior em seu país.

Ainda conclui que o financiamento de combustíveis fósseis foi maior em 2020 do que em 2016, uma tendência que se opõe diretamente à meta declarada do Acordo de Paris de reduzir rapidamente as emissões de carbono com o objetivo de limitar o aumento da temperatura global a 1,5 °C.

Mesmo em meio a uma recessão econômica induzida por uma pandemia, que resultou em uma redução generalizada do financiamento de combustíveis fósseis de cerca de 9%, os 60 maiores bancos do mundo ainda aumentaram em mais de 10% seu financiamento em 2020 para as 100 empresas mais responsáveis ​​pela expansão dos combustíveis fósseis.

Esse comportamento beneficia empresas responsáveis por projetos altamente polêmicos, como o oleoduto de areias betuminosas da Linha 3, nos Estados Unidos, e a expansão do fracking próximo a terras de comunidades indígenas Mapuche, na região da Patagônia argentina.

Bancos dos EUA e da China lideram o retrocesso

As instituições financeiras com sede nos Estados Unidos continuam a ser as maiores impulsionadoras globais de emissões em 2020, com o JPMorgan Chase permanecendo como o pior “banco de fósseis” do mundo. O Chase comprometeu-se recentemente a alinhar suas políticas de crédito ao Acordo de Paris, mas segue com o financiamento irrestrito aos combustíveis fósseis. De 2016 a 2020, as atividades de crédito e subscrição do Chase forneceram quase US$ 317 bilhões para combustíveis fósseis, 33% a mais do que o Citi, o segundo pior “banco fóssil” no período avaliado.

Já os 10 maiores financiadores de carvão desde a adoção do Acordo de Paris são todos chineses. O Banco da China, maior banco do mundo, lidera o ranking, seguido pelo ICBC (Banco Industrial e Comercial da China) e pelo China CITIC Bank. O financiamento geral dos bancos para as 30 maiores empresas de energia a carvão em 2020 caiu 9% em relação a 2019, mas permanece em um nível muito alto de US$ 39 bilhões.

“Diante da perspectiva de uma recessão global, o investimento em infraestrutura de energia a carvão se tornará ainda mais arriscado para os países tomadores de empréstimos e credores. Uma transição global para um futuro de baixo carbono já está em andamento e uma transição completa do carvão é uma oportunidade para um novo paradigma econômico de prosperidade e equidade”, afirma Yossi Cadan, gerente de campanha de finanças globais da 350.org

O relatório também examina os compromissos de política climática dos bancos, apontados como “grosseiramente insuficientes e desalinhados com os objetivos do Acordo de Paris em geral”. Muitas das políticas dos bancos concentram-se na meta distante e mal definida de alcançar “emissões líquidas zero até 2050” ou apenas na restrição de financiamento aos combustíveis fósseis não-convencionais.

Além disso, as políticas bancárias são mais fortes no que diz respeito às restrições para financiamento direto relacionado a projetos, uma frente que representa apenas 5% do financiamento total de combustível fóssil analisado neste relatório.

As organizações responsáveis pelo relatório estão unidas em sua exigência de que o respeito aos direitos indígenas, incluindo o direito à consulta livre, prévia e informada e aos direitos humanos de forma ampla, seja um requisito não-negociável para todas as decisões de financiamento bancário.

Aspas sobre o relatório

Ginger Cassady, diretor executivo da Rainforest Action Network

“A queda sem precedentes no financiamento global para combustíveis fósseis, provocada pela pandemia, oferece aos maiores bancos do mundo um ponto de escolha radical no futuro. Eles podem manter a trajetória descendente de apoio ao setor responsável pela crise climática ou irresponsavelmente retomar os negócios como antes, à medida em que a economia se recupera. Os bancos com sede nos EUA continuam a ser os piores financiadores de combustíveis fósseis, por uma ampla margem. Conforme nos aproximamos da Cúpula do Clima em Glasgow, no fim deste ano, o que está em jogo não poderia ser mais importante. Wall Street deve agir agora para interromper o financiamento da expansão fóssil e se comprometer com um cenário de zero fósseis, de modo a alinhar verdadeiramente suas práticas de financiamento com iniciativas que evitem que o planeta se aqueça mais de 1,5°C” .

Tom Goldtooth, diretor executivo da Rede Ambiental Indígena

“Devemos entender que, ao financiar a expansão do petróleo e do gás, os maiores bancos do mundo têm sangue em suas mãos. Nenhuma quantidade de greenwashing, mercados de carbono, soluções tecnológicas não-comprovadas ou compromissos líquidos zero pode absolver seus crimes contra a humanidade e a Mãe Terra. Terras Indígenas em todo o mundo estão sendo saqueadas, nossos direitos inerentes estão sendo violados e o valor de nossas vidas foi reduzido a nada em face da expansão dos combustíveis fósseis. Pela sacralidade e integridade territorial da Mãe Terra, esses bancos devem ser responsabilizados a cobrir o custo de sua destruição”.

Lucie Pinson, fundadora e diretora executiva da Reclaim Finance

“Esses números mostram o vazio dos compromissos dos bancos, que se multiplicam incessantemente, ao se declararem líquidos ou em consonância com os objetivos climáticos do Acordo de Paris. Um exemplo perfeito encontra-se na França. O ministro das Finanças, Bruno Le Maire, gosta de chamar Paris de capital das finanças verdes, mas esses dados mostram a cidade como a capital da hipocrisia climática em 2020, com quatro bancos inescrupulosos tornando a França o maior patrocinador europeu de petróleo, gás e carvão. O BNP Paribas merece ser apontado como o quarto maior financiador de fósseis do mundo em 2020, tendo canalizado empréstimos multimilionários para gigantes do petróleo como BP e Total. No entanto, está claro que todos os bancos devem substituir suas promessas vazias por políticas realmente significativas que promovam tolerância zero para desenvolvedores de combustíveis fósseis”

Ben Cushing, gerente de campanha de promoção financeira do Sierra Club

“Muitos dos maiores bancos do mundo, incluindo todos os seis principais bancos dos EUA, assumiram compromissos espetaculares nos últimos meses para zerar o impacto climático de seus financiamentos nos próximos 30 anos. Porém, o que mais importa é o que eles estão fazendo agora, e os números não mentem. Esse relatório separa palavras de ações e mostra um quadro alarmante: grandes bancos ao redor do mundo, liderados pelos EUA, estão alimentando o caos climático, ao despejar trilhões de dólares nos combustíveis fósseis que causam essa crise. Os grandes bancos não merecem um tapinha nas costas, se suas promessas para 2050 não forem combinadas com ações significativas em 2021 para cortar o financiamento fóssil”.

Johan Frijns, diretor da BankTrack

À medida que a Cúpula do Clima de Glasgow se aproxima – e Deus nos livre de que a pandemia impeça essa reunião essencial para enfrentarmos uma crise existencial ainda maior, que é a do clima – testemunhamos um banco após outro fazendo promessas solenes de alcançar o “zero líquido até 2050″. Não existe caminho para esse objetivo, que devemos alcançar em uma geração, que não seja lidar com o financiamento bancário para a indústria de combustíveis fósseis aqui e agora. No entanto, muitas promessas atuais carecem exatamente disso: um firme compromisso de começar a romper laços com todas as empresas de carvão, petróleo e gás que planejam continuar suas atividades de destruição climática nos próximos anos”.

Lorne Stockman, analista de pesquisa sênior da Oil Change International

“O relatório serve para dar conta da realidade dos bancos que acreditam que essas metas muito vagas de “zero líquido” são suficientes para conter a crise climática. Nosso futuro vai para onde o dinheiro flui e, até 2020, esses bancos têm investido bilhões para nos aprisionar em um caos climático ainda maior. Os bancos precisam se concentrar na redução da produção de combustíveis fósseis agora, em vez de estabelecer metas distantes e insuficientes no futuro distante. Não podemos seguir adiante com compromissos pela metade”.

Sobre a metodologia

O relatório Banking on Climate Chaos 2021 agrega empréstimos bancários e subscrição de emissões de dívida e ações, de acordo com a metodologia de crédito da liga da Bloomberg (que divide o crédito entre os bancos que conduzem uma transação) para empresas com qualquer atividade de combustível fóssil relatada de acordo com a Bloomberg Finance L.P. e a Lista Global de Saída de Carvão. O crédito da liga atribuído a um banco para uma determinada transação é ajustado por uma aproximação da intensidade do combustível fóssil do tomador ou emissor específico.

As conclusões do rascunho do relatório são compartilhadas com os bancos com antecedência, e eles têm a oportunidade de comentar sobre as avaliações de financiamento e políticas.
 
 
Leia o relatório AQUI

Em frente a leilão da ANP, comunidades exigem o fim do petróleo e gás na Amazônia

Manifestantes dizem às empresas participantes que impactos sobre 47 Terras Indígenas e 22 Unidades de Conservação são inaceitáveis

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Em uma manifestação na manhã desta sexta-feira, 04 de dezembro, em frente ao hotel Sheraton da Avenida Niemeyer, no Rio de Janeiro, líderes indígenas, pescadores e ambientalistas da 350.org pediram o fim da extração de petróleo e gás na Amazônia.

A ação foi realizada no mesmo horário em que, do lado de dentro do hotel, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) promoveu a sessão pública de anúncio das propostas pelos blocos exploratórios disponíveis no 2o Ciclo da Oferta Permanente. Entre os blocos leiloados, 16 localizam-se na Bacia do Amazonas, dos quais três foram arrematados pela empresa Eneva.

Estudo inédito da 350.org mostra que a produção de petróleo e gás nesses 16 blocos pode provocar ou agravar impactos socioambientais consideráveis, como desmatamento, invasões e conflitos, em 47 Terras Indígenas e 22 Unidades de Conservação do entorno.

“A Amazônia representa a vida para os Povos Indígenas e para o planeta, mas o petróleo pode trazer a morte de animais, florestas e pessoas. Estamos unidos para lutar e vencer essa ameaça”, afirma Ninawá Huni Kui, presidente da Federação do Povo Huni Kui do Estado do Acre, presente à manifestação no Rio.

Também foram leiloados blocos em outras nove bacias, com potenciais impactos em biomas terrestres e sobre a vida marinha. As pescadoras e os pescadores artesanais de Magé (RJ), que participaram da ação, se pronunciaram em defesa desses territórios em risco.

“Nas últimas décadas, vimos os estragos que a exploração de petróleo trouxe para o meio ambiente, para as mulheres e para as famílias na Baía de Guanabara. Por isso, viemos mostrar nosso apoio à luta para proteger a Amazônia e todo o Brasil dos impactos dessa indústria”, afirma Daize Menezes de Souza, diretora da Ahomar e coordenadora da Articulação Nacional das Pescadoras. 

O diretor da 350.org na América Latina, Ilan Zugman, lembrou que as pessoas mais afetadas pela crise climática, provocada pela queima de combustíveis fósseis, são aquelas que menos contribuíram para o aquecimento do planeta.

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“As empresas participantes deste leilão e a própria ANP estão agravando a injustiça climática, ao colocar comunidades tradicionais em risco e concentrar dinheiro nas mãos de poucos, já que nem mesmo os ganhos econômicos chegam aos moradores da região. Para as companhias que fazem ofertas nesses leilões, fica o lucro da exploração, mas para os moradores da Amazônia fica só o medo de vazamentos, destruição ambiental e invasões”, afirma.

A manifestação desta sexta-feira foi a primeira iniciativa da campanha Resistência Amazônica, coordenada pela 350.org e lideranças indígenas, para amplificar as vozes e potencializar as ações de comunidades tradicionais em defesa de suas terras e do clima global, frente às investidas dos setores de petróleo e gás na Amazônia.

O diagnóstico positivo para coronavírus de Donald Trump perturba os mercados financeiros mundiais

A notícia da infecção da corona do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está impactando os mercados financeiros internacionais. Os analistas temem que a incerteza política continue a crescer

trumpO presidente dos EUA, Donald Trump testou positivo para o coronavírus

O teste positivo para o coronavírus do presidente dos EUA, Donald Trump, causou inquietação nos mercados financeiros em todo o mundo. O Dax estava 1,5 por cento mais fraco na sexta-feira, com 12.542 pontos. Em Londres, o FTSE 100 caiu 1,1 por cento, o CAC 40 em Paris caiu 1,4 por cento.

Trump e sua esposa Melania testaram positivo para o patógeno, conforme o presidente dos EUA anunciou por meio do serviço de mensagens curtas Twitter. Para o presidente dos Estados Unidos, isso ocorre “em um momento extremamente desfavorável”, comentou Thomas Gitzel, economista-chefe do VP Bank. Os mercados poderiam ficar turbulentos, em particular se Trump passasse por uma doença grave: “As incertezas já existentes aumentariam novamente.”

O preço do petróleo também está caindo

Se Trump adoecer apenas um pouco e se recuperar rapidamente, ele pode esperar mais aprovação, disse Yako Sera, estrategista de mercado do Sumitomo Mitsui Trust Bank, em Tóquio . “No entanto, a doença atrapalha suas oportunidades eleitorais e o tempo antes das eleições está se esgotando.” Enquanto não estiver claro se o próximo presidente será Trump ou Joe Biden , é difícil para os mercados se posicionarem com clareza.

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Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pela Die Spiegel [Aqui!].

Sete maiores empresas de petróleo rebaixam ativos em US $ 87 bilhões em nove meses

Thinktank afirma que as mudanças nas previsões refletem uma mudança acelerada dos combustíveis fósseis

PLATAFORMAUma plataforma de petróleo do Mar do Norte. Fotografia: Alamy

Por Jillian Ambrose para o  The Guardian

As maiores empresas petrolíferas listadas no mundo eliminaram quase US $ 90 bilhões do valor de seus ativos de petróleo e gás nos últimos nove meses, à medida em que a pandemia de coronavírus acelera uma mudança global para longe dos combustíveis fósseis.

Nos últimos três trimestres financeiros, sete das maiores empresas de petróleo reduziram suas projeções para os preços futuros do mercado de petróleo, desencadeando uma onda de rebaixamentos no valor de seus projetos de petróleo e gás, totalizando US $ 87 bilhões.

A análise feita pelo instituto de finanças climáticas Carbon Tracker mostra que apenas nos últimos três meses, empresas como a Royal Dutch Shell, BP, Total, Chevron, Repsol, Eni e Equinor relataram rebaixamentos no valor de seus ativos, totalizando quase US $ 55 bilhões.

Os prejuízos na valorização do petróleo começaram no final do ano passado em resposta ao crescente apoio político para a transição dos combustíveis fósseis para fontes de energia mais limpas, e eles se aceleraram conforme a pandemia afetou a indústria do petróleo.

Os bloqueios provocaram o colapso mais acentuado na demanda por combustíveis fósseis em 25 anos, fazendo com que os mercados de commodities de energia caíssem para níveis históricos.

O colapso do mercado de petróleo, que atingiu seu ponto mais baixo em abril, obrigou as empresas a reavaliarem suas expectativas de preços nos próximos anos.

A BP cortou suas previsões para o petróleo em quase um terço, para uma média de $ 55 o barril entre 2020 e 2050 , enquanto a Shell cortou suas previsões de $ 60 o barril para uma média de $ 35 o barril este ano, subindo para US$40 no próximo ano, US$ 50 em 2022 e US$ 60 a partir de 2023.

Ambas as empresas reduziram seus pagamentos aos acionistas depois que as revisões geraram um rebaixamento de US$ 22,3 bilhões no portfólio de combustíveis fósseis da Shell e um prejuízo de US$ 13,7 bilhões nos ativos de petróleo e gás da BP.

Andrew Grant, chefe de petróleo, gás e mineração do Carbon Tracker, disse que o coronavírus acelerou uma tendência inevitável de redução dos preços do petróleo – uma tendência que muitos ativistas climáticos alertaram que levará a ativos perdidos e a um risco cada vez maior para os fundos de pensão que investem em petróleo firmas.

“A COVID-19 certamente fez sua parte para eliminar o valor dos livros das empresas de petróleo, mas está claro que também acelerou uma tendência das empresas mudando suas premissas de preços de longo prazo para melhor refletir as realidades da transição energética”, ele disse.

No último trimestre financeiro de 2019, a petrolífera francesa Total e a espanhola Repsol apontaram a política climática do governo como a razão para rebaixamentos na avaliação do petróleo, totalizando US$ 6,2 bilhões.

“O fato de que os principais jogadores europeus estão baixando ativos com referência ao acordo de Paris é uma mudança muito positiva”, disse Grant. “Definir os preços de depreciação em linha com uma estimativa conservadora da demanda futura de combustível fóssil com base no acordo de Paris só pode ajudar a evitar o desperdício de capital e aumentar a resiliência das empresas.”

A BP revelou seu acentuado rebaixamento na avaliação de ativos e seu primeiro corte de dividendos em uma década, juntamente com um novo plano ambicioso para mudar seu portfólio de energia de combustíveis fósseis para alternativas de baixo carbono. Até o final da década, a BP espera produzir 40% menos petróleo e gás e está aumentando seus gastos com energia limpa em dez vezes, em um movimento bem-vindo por grupos verdes e investidores.

“No entanto, existem retardatários”, disse Grant. “As grandes petrolíferas dos EUA não divulgam suas premissas de preço e fazem poucas menções às mudanças climáticas em seus relatórios trimestrais. Nem a ExxonMobil nem a ConocoPhillips relataram quaisquer prejuízos materiais este ano, sugerindo que a administração está se apegando a uma visão otimista do preço do petróleo ”.

A companhia petrolífera estatal da Noruega, Equinor, rompeu com seus pares europeus ao manter suas previsões de longo prazo para o preço do petróleo Brent em US $ 80 o barril – “o mais alto de alguma forma”, disse Grant.

“Aferrar-se obstinadamente às previsões de preços business-as-usual pode levar as empresas a alocar capital incorretamente em detrimento de seus investidores”, acrescentou.

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Este artigo foi originalmente em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

Entidades lançam carta pró declaração de emergência por causa do derramamento de óleo no litoral nordestino

oleo 1Nas praias, o recolhimento do óleo é feito por voluntários, funcionários de órgãos ambientais estaduais, municipais e federal, além dos militares. Leo Malafaia / AFP

Diante da inépcia e inércia demonstrada pelo governo Bolsonaro em relação ao gravíssimo incidente ambiental causado pelo derramamento de óleo cru no litoral nordestino, em uma carta assinada conjuntamente pela Fundação Fiocruz (Fiocruz), pelo Instituto Ageu Magalhães (IAM) e pelo Laboratório Saúde, Ambiente e Trabalho (Lasat) é apresentada a demanda a de que seja decretada situação de emergência em saúde pública em todos os estados e municípios atingidos , com base na portaria no 2.952 de 14/12/2011 do Ministério da Saúde (ver imagens abaixo).

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A carta alerta ainda que “o desastre tem afetado a todos de forma muita negativa em diferentes dimensões e níveis“. Dentre os impactos econômicos, a carta destaca que “a população de baixa renda que depende dos negócios no litoral,  tem atuado de forma voluntária, apesar da falta de material e preparo, na retirada do óleo com o intuito de não prejudicar na sua renda familiar de subsistência, no período do ano mais produtivo“.

Os signatários da carta apontam ainda que a cadeia produtiva pesqueira artesanal também vem sendo prejudicada, e que a liberação do seguro defeso só atende a “30% dos pescadores e pescadoras, deixando os demais em estado de ainda maior vulnerabilidade social.”  Mas também é frisado o impacto que também está ocorrendo na atividade hoteleira e de bares e restaurantes, com fortes repercussões na economia local.

Do ponto de vista dos graves impactos sobre a saúde pública, a carta lembra que seria “importante a compreensão da gravidade da situação e a implementação de medidas precaucionárias aos danos futuros na saúde“, pois seria “preciso ter a garantia da
qualidade das águas do mar, dos mananciais e da saúde pública“.

Ativistas ambientais se mobilizam contra o “Oleocausto” no litoral nordestino

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Ativistas ambientais do Nordeste unidos em força e colaboração, para estar no sábado em ato de protesto pela omissão institucional que sofremos, literalmente, na pele, nosso povo não pode se expor a mais risco, precisamos cobrar dos órgãos competentes.

A União, A Marinha do Brasil, O IBAMA e o Governo do Estado não estão agindo com o tempo e a habilidade necessária, enquanto nossas praias e nosso povo está sendo contaminado.

Dizemos um basta ao OLEOCAUSTO, desastre ambiental ainda sem causa determinada, a certeza que nós temos é o despreparo e má-vontade das nossas instituições

Se junte à nós vamos cobrar de quem tem a OBRIGAÇÃO LEGAL de agir!

INFORMAÇÕES SOBRE O ATO:

  • Local: Assembleia Legislativa de Pernambuco. R. da União, 397 – Boa Vista, Recife – PE, 50050-909
  • Horário: Concentração de 14h
  • Dia: 26/10, sábado.
@amazonianaruarecife – Amazônia Na Rua -Recife
@salvemaracaipe – Salve Maracaípe
@recifesemlixo – Recife Sem Lixo
@gpbr.recife – Greenpeace – Recife (PE)
@pesemlixo – Movimento Pernambuco Sem Lixo
@xoplastico – Xô Plástico
@manifestoambiental – Manifesto Ambiental

@alternativaterrazul – Alternativa Terrazul

#MarNaRua #ChegaDePetroleoNasPraias #SOSNordeste  #Nordeste #SalveONORDESTE #oleononordeste #derramamentopetroleo  #VidaMarinha

Óleo no Nordeste: cadê o Plano de Contingência?

Contingência

No final da semana passada, tornou-se pública a existência, desde 2013, de um Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Água (PNC), Plano que não foi acionado pelo ministro do meio ambiente. “Uma vez que o óleo é detectado na praia, tem que acionar o PNC. Para isso que você tem um plano de contingência.” disse à BBC, o professor Emilio La Rovere, da COPPE-UFRJ.

Segundo destaca o oceanógrafo Ademilson Zamboni, da ONG Oceana, “existem atribuições claras ali dentro [no PNC]. Existe um desenho com autoridades e atribuições para serem cumpridas.”

A parte operacional do PNC previa a existência de dois comitês, o Executivo e o de Suporte. Segundo a Folha, ambos seriam compostos pelo ministério do meio ambiente, ministério de minas e energia, Marinha, Ibama, entre outros. Os dois comitês foram extintos no decreto de março que ficou conhecido por “revogaço”, e nunca foram recompostos. A acefalia nas ações do governo federal já dura quase 2 meses.

Na 6ª feira, o Ministério Público Federal “ajuizou nova ação contra a União motivada pelo derramamento de óleo que atinge a costa do Nordeste. O processo requer que a Justiça Federal obrigue a União a acionar em 24 horas o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Águas sob Jurisdição Nacional. Os pedidos da ação judicial, que é conjunta, abrangem toda a costa do Nordeste.”

O senador Fabiano Contarato, Rede-ES, criticou a inação do governo diante de um dos maiores desastres ecológicos que o país já viveu. Disse que sua omissão indica que “o presidente da República não tem noção da função dele”. Em entrevista ao UOL, Contarato disse que Bolsonaro “é o capitão de um navio naufragando. Ele não visitou nenhuma praia; sequer sobrevoou a região (…) Esse é o tipo de situação em que a responsabilidade primeira é da União”. Para Bernardo Esteves, no seu blog n’O Globo, Contarato disse que “o governo não sabe absolutamente nada. Não conhece a origem do óleo, não tem ideia de como recolhê-lo e não apresenta medidas para mitigar os danos.”

Rede divulgou uma nota oficial exigindo que o governo declare estado de emergência na região e cumpra “as obrigações necessárias frente à grave situação das praias do Nordeste.”

Contaminação dos recifes

Os recifes de corais que ornam o beira mar de Recife estão sendo atingidos pelo petróleo e correm sério risco de perder parte significativa da sua população, segundo conta Ana Lúcia Azevedo nO Globo. O petróleo é um veneno para os corais. Mas ainda mais venenosos são os detergentes usados para se limpar o óleo de animais marinhos. Assim, a principal medida é impedir que o petróleo chegue perto desses recifes. Aliás, o mesmo vale para o risco das manchas chegarem aos Abrolhos, que abriga a maior biodiversidade marinha de todo o Oceano Atlântico Sul.

Óleo chega ao Sul da Bahia

Neste final de semana, a Folha contou que a mancha “atingiu dois dos principais destinos turísticos do sul da Bahia: Itacaré e Ilhéus. Em Itacaré, as manchas foram identificadas nas praias de Itacarezinho, Tiririca e Resende. As três estão entre as praias mais famosas do sul da Bahia”.

Sergipe

Naquele estado, o Ministério Público entrou na justiça pedindo que o governo federal implantasse barreiras de proteção em todo o litoral sergipano para conter manchas de óleo que apareceram na região. Ainda na semana passada, segundo a EBC, o pedido foi negado porque “a proteção das áreas vulneráveis de forma genérica não seria efetiva e poderia potencializar danos”.

Bate-boca

Bruno Ribeiro, no Estadão, conta que, no sábado, o ministro Salles e o governador da Bahia, Rui Costa, ficaram trocando tuítes com agressões mútuas.

Em tempo: vale ler o artigo de Leonardo Sakamoto em seu blog no UOL, dizendo que o governo insiste em discursos conspiratórios para desviar a atenção da falta de ação por parte dos responsáveis.

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Este material foi publicado originalmente pelo ClimaInfo [Aqui!].

UFRJ aponta que óleo pode ter saído de área a 700 km da costa

Poluição atinge praias do Nordeste desde o início de setembro

oleo praiaAdriano Machado/Reuters

Por Vinícius Lisboa – Repórter da Agência Brasil 

Um estudo realizado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) a pedido da Marinha conseguiu mapear, de forma preliminar, a provável área de onde partiu o óleo que polui praias do Nordeste desde o início de setembro. A região localizada abrange uma área que começa a uma distância de 600 a 700 quilômetros da costa brasileira, já em águas internacionais, em uma latitude próxima da divisa entre Sergipe e Alagoas.

Os cálculos foram feitos no Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (Lamce) do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe/UFRJ), utilizando uma metodologia chamada de modelagem numérica. Com informações sobre a forma como o óleo chegou às praias, correntes marinhas e ventos, os pesquisadores fizeram uma previsão às avessas, reconstituindo o caminho que esse óleo precisaria ter percorrido para se dissipar da forma que vem ocorrendo.

oleo origem

Fonte: Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (Lamce)

Professor do departamento de meteorologia da UFRJ e do programa de pós-graduação de engenharia civil da Coppe/UFRJ, Luiz Assad, explica que o foco do trabalho, iniciado há duas semanas, é reduzir a extensão da área mapeada e chegar mais perto de um ponto específico de onde pode ter partido o vazamento.

“O ponto inicial seria entre 600 e 700 quilômetros, e [a área] entra um pouco mais pro Atlântico. Estamos nesse momento trabalhando para tentar diminuir essa área. Não temos um ponto de vazamento, temos uma área grande no meio do Oceano que é uma área de provável origem do óleo”.

Se ainda não foi possível ter um resultado conclusivo sobre a área do vazamento, tampouco há condições de afirmar quando ele ocorreu. Segundo Assad, as informações atuais apontam para o início de agosto, um mês antes dos primeiros registros de petróleo na costa, o que se deu em 2 de setembro.

“É uma análise ainda preliminar. A gente ainda não tem como afirmar isso”, pondera.

O pesquisador explica que, ao ser lançado no mar, o óleo sofre transformações em suas características físico-químicas, que fazem com que ele afunde até uma camada subsuperficial do mar. Apesar de pequena, a profundidade é suficiente para que ele passe despercebido por satélites.

Assad conta que o trabalho também inclui calcular o possível alcance que o óleo pode atingir no litoral brasileiro. O pesquisador considera difícil precisar quanto tempo o estudo ainda pode levar, mas ele acredita que serão necessários, ao menos, um mês a um mês e meio.  

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Este artigo foi publicado originalmente pela Agência Brasil [Aqui!].

Petróleo, Porto do Açu e Meio Ambiente, a segunda parte da entrevista de Carlos Rezende ao Portal Viu!

roberto carlão

No último dia 27 divulguei a primeira parte de uma esclarecedora entrevista concedida pelo professor titular do Laboratório de Ciências Ambientais da Uenf, Carlos Eduardo de Rezende, ao portal de notícias Viu!.

Agora divulgo a segunda parte da entrevista do professor Carlos Rezende ao Viu! onde ele aborda as diferentes facetas envolvendo a exploração do petróleo na bacia de Campos, os danos socioambientais causados pelo Porto do Açu, bem como outras situações de desequilíbrio ambiental ocorrendo na região deltaica do Rio Paraíba do Sul (ver vídeo abaixo).

Considero que, ainda que na primeira parte da sua entrevista ao Viu! Carlos Rezende tenha apresentado aspectos muito interessantes das suas pesquisas no LCA/Uenf, nesta sequência, ele pode explanar com particular maestria questões de alto interesse não apenas para os habitantes do Norte Fluminense, mas de todo o estado.  É que ele foi capaz de explicar de forma didática várias questões que vêm há algum tempo sendo motivos de debates intermináveis.

Espero que esta entrevista com Carlos Rezende seja seguida por outros com pesquisadores de igual perfil no Portal Viu!.  Se isso acontecer, quem sairá ganhando seremos todos nós que vivemos sempre esperando por jornalismo de qualidade que saia do lugar comum das fofocas de colunas sociais que dominam boa parte da mídia corporativa regional. 

Ponto para o Portal Viu!

Chegada de armas e tropas russas mostra que invadir a Venezuela não será um piquenique

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Ainda que mal disfarçada, a retórica que emana do Palácio do Planalto indica um embarque na invasão da Venezuela supostamente para dar fim ao que seria uma ditadura impiedosa.  A realidade dos fatos tem, entretanto, dificultado a passagem da retórica para as ações concretas, já que as forças armadas venezuelanas são talvez as melhores preparadas e armadas da América do Sul.

Pois bem, essa realidade acaba de ganhar tons ainda mais agudos com a chegada de dois aviões da força aérea da Federação Russa transportando tropas e equipamentos em Caracas no último sábado (23/03).

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Com isso, a Rússia está dando um recado claro aos EUA e seus aliados regionais no sentido de que parem de pensar que uma potencial invasão à Venezuela será um piquenique de fácil resolução.  

Enquanto há que se ver o que dirão agora deputados federais, a começar por Alexandre Frota (PSL/SP), que disseram que eram voluntários de primeira hora para participar da invasão de um país soberano que possui as maiores reservas conhecidas de petróleo do planeta. Será que com tropas e armamento russo em solo venezuelano, a disposição de ser voluntário continua a mesma? A ver!