Patrimônio ecológico marinho sob grave risco: Petrobras anuncia que vai explorar petróleo nas áreas de recifes de corais no delta do Amazonas

O gigantesco - e ainda misterioso - recife de corais encontrado na foz do  rio Amazonas - BBC News Brasil

Sistema de recifes descoberto em 2019 está sob grave risco por causa das atividades da Petrobras no delta do Amazonas

Em setembro de 2019, o “Blog do Pedlowski” publicou uma nota sobre a publicação de um artigo científico pela revista “Nature” dando conta da existência de um rico sistema de corais no delta do Rio Amazonas que mudou tudo o que se suponha conhecer acerca da existência desse tipo de ecossistema marinho.  Quase um ano depois da publicação daquele artigo que mudou o paradigma científico acerca dos recifes de corais, a empresa petrolífera francesa Total noticiou o abandono da sua intenção de explorar petróleo na área em que o sistema recifal amazônico está localizado por causa da devastação ambiental que suas atividades poderiam causar.

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Pois bem, agora a paraestatal petrolífera brasileira Petrobras está anunciando que vai tocar sozinha o projeto que francesa Total abandonou por causa dos problemas ambientais, em um total desprezo às implicações destrutivas que a extração de petróleo vai inevitavelmente causar no sistema de recifes do delta do Amazonas (ver imagem abaixo).

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Como o anúncio é de que as perfurações no delta do Amazonas, região onde se encontra o sistema recifal em sistema lamoso descoberto em 2019, deverão ser iniciadas em novembro de 2022, há que se começar um amplo movimento político para impedir mais este crime ecológico que ameaça um sistema ecológico singular e de vital importância para a biodiversidade marinha.

E sim, quando se pensa que sob o governo Bolsonaro já cometeram todos os absurdos contra o patrimônio ecológico brasileiro, a realidade vem mostra que sempre pode se cavar um poço mais fundo.

 

 

Organizações alertam para impactos ambientais e socioeconômicos da concessão de blocos de petróleo e de gás natural da ANP

No edital há garantias mínimas de R$ 10 mil para exploração de petróleo por sete anos, ONGs contestam

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A Agência Nacional do Petróleo (ANP) realizará, na próxima quarta-feira (13 de abril) às 9h, a sessão pública do 3º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão (OPC), licitação para concessão de contratos de blocos de exploração ou reabilitação e produção de petróleo e gás natural. O leilão oferta 379 blocos exploratórios para concessões localizados em dez estados brasileiros: Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe, Ceará, Bahia, Espírito Santo, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, sendo que 32 dessas áreas estão localizadas em alto mar (offshore) e 347 blocos terrestres. 

“Essa rodada é um total absurdo, pois o edital líquida blocos que podem ter garantias de ofertas a partir de 10 mil reais. Estão loteando o nosso subsolo a preço de banana, em plena crise climática,” argumenta o engenheiro Juliano Bueno de Araújo, diretor técnico do Instituto ARAYARA. As organizações do terceiro setor que atuam na área questionam o leilão especialmente por desconsiderar os povos tradicionais, que têm seus direitos garantidos na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), internalizada no país por meio do Decreto no 5.051/2004. 

Referente às Diretrizes Ambientais deste certame, ainda não foram concluídas pela ANP as Avaliações Ambientais de Áreas Sedimentares (AAAS), instrumento definido pelo Conselho Nacional de Politica Energética (CNPE) para o planejamento de outorga de áreas petrolíferas. Dessa forma, há blocos que estão sendo ofertados em zonas de alta sensibilidade ambiental e sem consulta às populações tradicionais destes territórios como indígenas, quilombolas e pescadores artesanais. O processo de licitação desconsiderou, inclusive, o impacto em áreas de Unidades de Conservação próximas.

Os blocos são distribuídos por 14 setores de sete bacias: dois setores de Santos, um de Pelotas, dois do Espírito Santo, três do Recôncavo, quatro do Potiguar, dois em Sergipe-Alagoas e Tucano. De acordo com as regras da Oferta Permanente, os setores definidos para um ciclo são aqueles que receberam declarações de interesse de empresas previamente inscritas, acompanhadas de garantia de oferta e aprovadas pela Comissão Especial de Licitação.

Aumento da exploração

O edital vigente da Oferta Permanente publicado em 30 de julho de 2021 contempla o total de 1068 blocos em 72 setores de 17 bacias sedimentares brasileiras: um total de 462,5 mil quilômetros quadrados (o correspondente a mais de 16 vezes o tamanho do estado de Alagoas), com 522 blocos nas bacias terrestres e 546 blocos nas bacias marítimas. Restam 1005 mil blocos que poderão receber ofertas pelas atuais 79 empresas aprovadas pela Comissão Especial de Licitação (CEL) da ANP para declararem interesse em um ou mais dos blocos e áreas ofertados no edital da Oferta Permanente. Essa modalidade licitatória da ANP permite que as empresas não esperem mais uma rodada de licitação ‘tradicional’ para ter oportunidade de arrematar um bloco ou área com acumulação marginal. 

O Brasil foi loteado pela ANP para que os blocos com risco exploratório fiquem permanentemente em oferta, ou seja, disponíveis às companhias petrolíferas no tempo que elas julgarem necessário para estudarem essas áreas antes de fazer uma oferta, sem o prazo limitado como nos editais anteriores. O Instituto ARAYARA entrará com uma representação judicial na Justiça Federal contestando a ausência da consulta a comunidades diretamente atingidas pela exploração e produção de petróleo. Entre os impactados estão colônias de pescadores artesanais, quilombolas, comunidades indígenas e outros povos tradicionais extrativistas.

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) vê o assunto com muita preocupação, particularmente no que se refere à perspectiva de aumento da produção de gás natural no país e destinação do combustível para a geração de energia elétrica. “O aumento da geração de energia em termelétricas é muito grave, pois suja a matriz elétrica do país e pressiona ainda mais as tarifas da energia”, alerta o coordenador do Programa de Energia e Sustentabilidade do Idec, Anton Schwyter.

Para a 350.org, organização global de campanhas pelo clima, este ciclo da ANP destaca-se, ainda, por agravar o racismo climático, ou seja, a piora das condições de vida de comunidades formadas majoritariamente por pessoas negras e indígenas. Dos blocos ofertados, mais de 80% localizam-se no Nordeste do Brasil, região duramente afetada pelos vazamentos de óleo que atingiram o litoral de dez estados, em 2019 e 2020. À época, o desastre ambiental impediu o trabalho, durante meses, de milhares de famílias de pescadores, marisqueiras, trabalhadores informais do turismo, entre outros grupos economicamente vulneráveis.

Consequências ambientais

A oferta de blocos de petróleo acontece logo após o lançamento da última parte do Sexto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Segundo o documento dedicado a medidas de mitigação de mudanças climáticas, apesar da redução de emissão prevista pelos países em seus compromissos nacionais, a expectativa é que a temperatura média do planeta aumente por volta de 2,7°C neste século em relação ao fim do século XIX. Neste sentido, a queima global de combustíveis fósseis nos setores de transporte, indústria e geração termelétrica comprometem o dobro do orçamento de carbono restante para evitar um aumento da temperatura global acima de 1,5°C – meta traçada no Acordo de Paris. “Além dos compromissos nacionais não apontarem uma perspectiva suficiente de emissões de gases de efeito estufa (GEEs), a expansão de investimentos e oferta de combustíveis fósseis indica uma tendência de aumento dessa atividade”, afirma Ricardo Baitelo, gerente de projetos do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA).

O setor de energia, que contabiliza GEEs provenientes da produção e do uso de combustíveis, emitiu 393,7 milhões de toneladas de CO2 equivalente (MtCO2e) em 2020, o que representou 18% do total nacional, segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima. Dentro desse setor, a maior atividade emissora é o transporte, responsável por 47% de todas as emissões. A produção de combustíveis contabiliza a emissão de 55 milhões de toneladas em 2020, tendo sido pela primeira vez a segunda atividade mais emissora do setor de energia. A exploração de petróleo e gás natural é um exemplo de atividade que tem crescido consistentemente devido aos novos empreendimentos no pré-sal brasileiro. “A recente publicação do IPCC enviou uma mensagem decisiva de que devemos agir imediatamente para evitar os impactos climáticos provocados pelas atividades de extração de petróleo e gás natural. Vários blocos disponíveis no leilão poderão causar danos em áreas protegidas e prioritárias para a conservação da biodiversidade brasileira. O risco de investir nessa atividade é enorme e tem consequências duradouras”, ressalta Suely Araújo, especialista sênior em políticas públicas do Observatório do Clima.

A intensificação da oferta de blocos e áreas tem sido viabilizada também pelo desmonte das normas infralegais na pasta ambiental, a exemplo da PORTARIA MMA Nº 275, DE 5 DE ABRIL DE 2019. A medida destituiu o grupo de trabalho responsável por analisar a sensibilidade ambiental das bacias sedimentares antes dos leilões dos blocos de petróleo e gás. O grupo era composto por especialistas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e do Ministério do Meio Ambiente (MMA) que recomendavam quais blocos eram passíveis de ir a leilão e posteriormente adentrar um processo de licenciamento. “A portaria faz com que a decisão fique a cargo apenas do presidente do Ibama, fazendo com que seja muito mais política do que técnica. Resulta que áreas altamente sensíveis aos acidentes por vazamento, aos impactos da prospecção e ao trânsito de embarcações, como os recifes de corais, áreas de reprodução de cetáceos e ecossistemas de água doce (bacias sedimentares terrestres da Amazônia), se tornam passíveis de serem leiloadas”, ressalta Alessandra Cardoso, assessora política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc).

Mobilização da sociedade civil

Em 13 de abril, às 9h, em frente ao Hotel Windsor, representantes de comunidades pesqueiras e quilombolas de Sergipe e da pesca artesanal do Rio de Janeiro, ativistas da 350.org, da ARAYARA.org , do Observatório do Petróleo e Gás (OPG), Observatório do Clima (OC) , CONFREM e da Coalizão Não Fracking Brasil (COESUS). farão um protesto em frente ao hotel onde o leilão será realizado, na capital fluminense. O ato visa chamar a atenção da sociedade para a emergência climática que exige o fim da extração e dos projetos de exploração de petróleo e gás. “As comunidades tradicionais, quilombolas e indígenas estão na linha de frente das mobilizações contra o petróleo e o gás porque são, em geral, as mais diretamente atingidas pelos frequentes acidentes nesse setor. Ao invés de manchar de óleo o território dessas populações, o governo brasileiro deveria investir em geração de energia limpa e socialmente justa”, afirma Ilan Zugman, diretor da 350.org na América Latina.

A Oferta Permanente é a principal modalidade de licitação de áreas para exploração e produção de petróleo e gás natural no país. Nessa configuração, há ofertas contínuas localizadas em quaisquer bacias terrestres ou marítimas. Até o ano passado, ela era realizada exclusivamente em regime de contratação por concessão. Agora, será realizado o terceiro ciclo de forma diferente dos demais, onde as definições dos parâmetros poderão ser adotadas para cada campo ou bloco. O evento será híbrido (on-line e presencial) no Rio de Janeiro com transmissão ao vivo no perfil da Agência Nacional do Petróleo (ANP) no YouTube: https://www.youtube.com/user/ANPgovbr.

Saiba mais sobre o processo de licitação

Para o edital da Rodada Permanente já foram realizados dois ciclos de oferta. O primeiro deles encerrou em 29 de setembro de 2021 com a assinatura de 45 contratos para concessão de 45 áreas de exploração e produção de petróleo e gás natural que totalizam 16.878 km² nas Bacias de Parnaíba, Potiguar, Recôncavo, Sergipe-Alagoas e Espírito Santo onde o SES-T6AM da área Lagoa Parda Sul foi vendido por R$ 20.159,00 para a empresa Imetame Energia Ltda.  

Já em relação ao segundo Ciclo da Oferta Permanente, a ANP em 28 de junho de 2021 realizou a assinatura dos 18 contratos de concessão, relativos a 17 blocos exploratórios e uma área com acumulações marginais que juntos somam uma área territorial de 20.149 km² nas Bacias do Amazonas, Campos, Espírito Santo, Paraná, Potiguar, Tucano e Solimões que foram arrematadas por sete empresas: Shell Brasil Petróleo Ltda., Eneva S.A., Enauta Energia S.A., Imetame Energia Ltda., Energy Paranã Ltda., Potiguar E&P S.A. e Petroborn Óleo e Gás S.A.  

Confira os blocos da Oferta Permanente:  https://www.gov.br/anp/pt-br/rodadas-anp/oferta-permanente/opc/arquivos/mapas/blocos-oferta-ciclo-1/mapa-geral.pdf

Contatos das assessorias

350.org – Peri Dias

+351 913 201 040 – peri.dias@350.org 

Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) – Isis Nóbile Diniz

(11) 98116-4880 – isis@energiaembiente.org.br

Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) – Silvia Alvarez  

(61) 98229-3659 – comunicacao@inesc.org.br

Instituto Internacional ARAYARA – Silvia Marcuzzo

(51) 993416213 – silvia@arayara.org

Observatório do Petróleo e Gás – Grazielle Garcia e Nicole Oliveira

(41) 984450000 e (11) 970795232 – Nicole@arayara.org nicole@naofrackingbrasil.com.br

Gotas no oceano

Liberação de reservas de petróleo: governo dos EUA quer amortecer as repercussões de sua política de embargo anti-Rússia com medidas inadequadas

gasolina pontoSem consequências práticas: a ordem do governo dos EUA só levou a uma ligeira queda nos preços do petróleo

Por Knut Mellenthin para o JungeWelt

O movimento foi descrito por muitos meios de comunicação como “histórico”. No entanto, as últimas ordens do governo dos EUA para aliviar a pressão no mercado internacional de petróleo resultaram apenas em uma ligeira queda nos preços. O índice de referência mais importante, o Brent, foi cotado a 106 dólares por barril na tarde de segunda-feira. Antes do início da guerra na Ucrânia, em 24 de fevereiro, o barril era de US$ 95. Especialistas também duvidam do efeito a médio e longo prazo das medidas. Vincular a União Europeia (UE) à proibição total de importação de petróleo e gás natural russos pelos EUA, de que se fala cada vez mais agressivamente, teria previsivelmente as consequências econômicas mais sérias que não poderiam mais ser compensadas.

O presidente dos EUA, Joseph Biden, anunciou na quinta-feira que um total de 180 milhões de barris de petróleo da Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA (SPR) serão colocados à venda nos próximos seis meses – um milhão de barris para cada dia. Este é o maior acesso à SPR desde que foi criada em 1975 em resposta ao embargo petrolífero dos estados árabes. Biden já havia iniciado duas retiradas menores da reserva estratégica: 50 milhões de barris foram liberados em novembro de 2021, e em março deste ano os EUA participaram com 30 milhões de barris na ação de cerca de 30 países, o mercado mundial totalizou 60 milhões barris disponíveis de suas reservas.

O SPR está armazenado em aproximadamente 60 cavernas de sal nos estados do sul do Texas e Louisiana. A capacidade máxima é de 714 milhões de barris. Antes do pedido recente de Biden, a reserva era de pouco mais de 580 milhões de barris. Mais cedo ou mais tarde, os saques da SPR terão que ser substituídos. Os especialistas não descartam que o governo dos EUA possa ter que pagar um preço mais alto do que o preço atual.

180 milhões de barris não é muito. O consumo diário nos EUA foi de 20,54 milhões de barris em 2019, o último ano antes da crise da coroa. O consumo global de petróleo é estimado em cerca de 100,6 milhões de barris por dia para o ano em curso. De acordo com isso, o mercado global, calculado para todo o ano, receberá apenas 0,5% a mais da demanda do governo dos EUA. É óbvio que isso não pode ir longe.

Deve-se notar que o impacto do embargo de petróleo e gás nos EUA e em alguns outros países sobre as exportações russas ficou muito aquém das expectativas. Em primeiro lugar, os contratos celebrados anteriormente estão a ser processados. Em segundo lugar, as vendas de petróleo russo para a Índia, em particular, dispararam nas últimas semanas. O mesmo é esperado para as exportações para a China. Supõe-se geralmente que a Rússia concede aos seus clientes reduções de preços de 20 a 30 por cento – e, portanto, ganha tão bem quanto no outono de 2021. Nessas circunstâncias, uma recusa geral da UE em importar petróleo russo provavelmente causaria muito menos danos à Rússia do que o Oeste.

Biden salpicou seu discurso na quinta-feira passada sobre a liberação dos 180 milhões de barris da SPR com uma repreensão populista capitalista. Graças à “guerra de Putin” e aos altos preços resultantes, as petrolíferas norte-americanas teriam os maiores lucros em muitos anos, acusou-os. O “patriotismo” agora exige que eles invistam seus lucros de forma produtiva, aumentem drasticamente a produção de petróleo e assim garantam preços mais baixos, especialmente “nos postos de gasolina”. Em vez disso, alguns deles “aproveitariam a situação, sentariam, jogariam os lucros em seus investidores enquanto as famílias americanas lutavam para sobreviver”. Bilden ameaçou que o Congresso teria que decidir sobre penalidades financeiras contra eles.


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Este texto foi escrito inicialmente em alemão e publicado pelo jornal JungeWelt [Aqui!].

Indígenas e 350.org farão protesto na sede do BTG Pactual por causa da mineração na Amazônia

Em meio à COP26, grupo denuncia escolhas do banco que, apesar de sua postura de apoio à políticas ambientais e sustentáveis, investe na exploração de petróleo e gás na Amazônia. Manifestação acontece em meio à diversas ações globais que pedem pelo fim do investimento em combustíveis fósseis
 
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Nesta sexta-feira (5), indígenas, ativistas pelo clima e representantes da sociedade civil, estarão unidos em uma manifestação pacífica, em São Paulo (SP), denunciando ações contraditórias do BTG Pactual, maior banco de investimento da América Latina, que colocam em risco a Amazônia e as comunidades indígenas do local, além de contribuir com a crise climática em todo o mundo.

A ação de ativismo será realizada durante a manhã, a partir das 10h, em frente à sede do banco, localizada em uma das ruas mais refinadas do País, para alertar sobre a ambiguidade de um banco se considerar dentro das práticas ESG (ambientais, sociais e de governança) e, ainda assim, seguir com o investimento em combustíveis fósseis. O protesto contará com performances artísticas e debates para dar voz à comunidades que serão diretamente impactadas pela extração de petróleo e gás na região Amazônica.

Apesar de sua postura de apoio à políticas ambientais e sustentáveis, o BTG Pactual é hoje um dos maiores acionistas da Eneva, maior operadora de gás do Brasil, dona de duas termelétricas a carvão e responsável pela compra de blocos para a exploração de petróleo e gás na Amazônia.

“O BTG fazer anúncios sobre o quanto é moderno e sustentável, enquanto financia a expansão de petróleo e gás em áreas preservadas da Amazônia, parece tão verdadeiro quanto uma empresa de cigarros publicar uma propaganda se dizendo amiga dos pulmões de seus clientes”, diz o diretor da 350.org na América Latina, Ilan Zugman. Para ele, é uma narrativa hipócrita, prejudicial à sociedade e que, no fim das contas, tira a credibilidade do próprio banco.

Além de ter a Eneva em sua carteira de investimentos, no último relatório anual, o BTG declarou investimentos de mais de R﹩5,4 bilhões em combustíveis fósseis e apenas R﹩964,6 milhões em energia renovável. “Com tantos setores promissores da nova economia, é surpreendente que o BTG tenha escolhido a expansão do petróleo e do gás na Amazônia como área para investir e siga com esses ativos em sua carteira. Isso revela uma desconexão assustadora do banco com os princípios ESG e com uma visão saudável de crescimento corporativo”, reitera Zugman.

Para o Cacique Jonas Mura, está na hora de pararmos de enxergar a Amazônia como um produto de grande comércio. “A Amazônia representa a vida. Não podemos aceitar que projetos que visam a exploração de petróleo e gás tenha maior valor do que uma vida”, diz.

“Os bancos e outras grandes empresas precisam parar de investir em indústrias que ameaçam os povos indígenas e toda a biodiversidade local da Amazônia e de muitos outros lugares. De nada adianta pautar o avanço econômico de poucos, deixando um rastro de destruição para tantos”, reforça Mura.

O manifesto acontece em meio à COP26 e faz parte de uma onda de ações visando revelar instituições financeiras que continuam a apoiar a indústria de combustíveis fósseis. Com mais de 120 ações em 26 países coordenadas pela 350.org e parceiros, as mobilizações expressam um sentimento coletivo de urgência, para exigir justiça climática e impedir o financiamento criminoso dos combustíveis fósseis, que matam populações em todo o mundo. A ideia é que esses bancos redirecionem seus investimentos para uma transição energética justa, apoiando as nações mais vulneráveis no enfrentamento da crise climática.

Para mais informações sobre esta o protesto citado e as manifestações ao redor do mundo, por favor, contate a 350.org.

Serviço

O quê: Manifestação contra o banco BTG Pactual, organizada por 350.org

Quando: 6ª-feira, 05/11, a partir das 10:00

Onde: Em frente à sede do BTG Pactual, em São Paulo (SP) – (Av. Brigadeiro Faria Lima, 3477 – Itaim Bibi)

Contato:

* Para apoio no local do protesto: Renata Padilha, da 350.org: (51) 99206-2626

* Para entrevistas, fotos e aspas: Paulinne Giffhorn, da 350.org: paulinne.giffhorn@350.org / +55 (41) 99823-1660

Os 60 maiores bancos do mundo despejaram US$ 3,8 trilhões em combustíveis fósseis desde o Acordo de Paris

Financiamento a petróleo, gás e carvão segue em níveis elevados mesmo em meio à crise econômica global, mostra relatório de organizações pelo clima

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Passados mais de cinco anos desde a assinatura do Acordo de Paris, os maiores bancos do mundo continuam a financiar massivamente a expansão dos combustíveis fósseis, em um sinal de desconexão alarmante entre o consenso científico global sobre a crise climática e as práticas do mercado financeiro.

É o que revela a 12ª edição do mais abrangente relatório global sobre financiamento de bancos a combustíveis fósseis. Intitulado Banking on Climate Chaos 2021, o documento expande seu foco, este ano, dos 35 para os 60 dos maiores bancos do mundo e revela que, desde 2016, esses bancos injetaram mais de US$ 3,8 trilhões em operações ligadas aos setores de petróleo, gás e carvão.

De autoria das organizações Rainforest Action Network, BankTrack, Rede Ambiental Indígena, Oil Change International, Reclaim Finance e Sierra Club, o estudo e é endossado por mais de 300 organizações de 50 países ao redor do mundo, inclusive a 350.org.

Os piores do mundo

O relatório nomeia os maiores financiadores de combustíveis fósseis em todo o mundo e aponta o JPMorgan Chase como o pior banco de forma geral. Também indica o RBC como o pior do Canadá, o Barclays como o pior do Reino Unido, o BNP Paribas como o pior da União Europeia, o MUFG como o pior no Japão e o Banco da China como o pior em seu país.

Ainda conclui que o financiamento de combustíveis fósseis foi maior em 2020 do que em 2016, uma tendência que se opõe diretamente à meta declarada do Acordo de Paris de reduzir rapidamente as emissões de carbono com o objetivo de limitar o aumento da temperatura global a 1,5 °C.

Mesmo em meio a uma recessão econômica induzida por uma pandemia, que resultou em uma redução generalizada do financiamento de combustíveis fósseis de cerca de 9%, os 60 maiores bancos do mundo ainda aumentaram em mais de 10% seu financiamento em 2020 para as 100 empresas mais responsáveis ​​pela expansão dos combustíveis fósseis.

Esse comportamento beneficia empresas responsáveis por projetos altamente polêmicos, como o oleoduto de areias betuminosas da Linha 3, nos Estados Unidos, e a expansão do fracking próximo a terras de comunidades indígenas Mapuche, na região da Patagônia argentina.

Bancos dos EUA e da China lideram o retrocesso

As instituições financeiras com sede nos Estados Unidos continuam a ser as maiores impulsionadoras globais de emissões em 2020, com o JPMorgan Chase permanecendo como o pior “banco de fósseis” do mundo. O Chase comprometeu-se recentemente a alinhar suas políticas de crédito ao Acordo de Paris, mas segue com o financiamento irrestrito aos combustíveis fósseis. De 2016 a 2020, as atividades de crédito e subscrição do Chase forneceram quase US$ 317 bilhões para combustíveis fósseis, 33% a mais do que o Citi, o segundo pior “banco fóssil” no período avaliado.

Já os 10 maiores financiadores de carvão desde a adoção do Acordo de Paris são todos chineses. O Banco da China, maior banco do mundo, lidera o ranking, seguido pelo ICBC (Banco Industrial e Comercial da China) e pelo China CITIC Bank. O financiamento geral dos bancos para as 30 maiores empresas de energia a carvão em 2020 caiu 9% em relação a 2019, mas permanece em um nível muito alto de US$ 39 bilhões.

“Diante da perspectiva de uma recessão global, o investimento em infraestrutura de energia a carvão se tornará ainda mais arriscado para os países tomadores de empréstimos e credores. Uma transição global para um futuro de baixo carbono já está em andamento e uma transição completa do carvão é uma oportunidade para um novo paradigma econômico de prosperidade e equidade”, afirma Yossi Cadan, gerente de campanha de finanças globais da 350.org

O relatório também examina os compromissos de política climática dos bancos, apontados como “grosseiramente insuficientes e desalinhados com os objetivos do Acordo de Paris em geral”. Muitas das políticas dos bancos concentram-se na meta distante e mal definida de alcançar “emissões líquidas zero até 2050” ou apenas na restrição de financiamento aos combustíveis fósseis não-convencionais.

Além disso, as políticas bancárias são mais fortes no que diz respeito às restrições para financiamento direto relacionado a projetos, uma frente que representa apenas 5% do financiamento total de combustível fóssil analisado neste relatório.

As organizações responsáveis pelo relatório estão unidas em sua exigência de que o respeito aos direitos indígenas, incluindo o direito à consulta livre, prévia e informada e aos direitos humanos de forma ampla, seja um requisito não-negociável para todas as decisões de financiamento bancário.

Aspas sobre o relatório

Ginger Cassady, diretor executivo da Rainforest Action Network

“A queda sem precedentes no financiamento global para combustíveis fósseis, provocada pela pandemia, oferece aos maiores bancos do mundo um ponto de escolha radical no futuro. Eles podem manter a trajetória descendente de apoio ao setor responsável pela crise climática ou irresponsavelmente retomar os negócios como antes, à medida em que a economia se recupera. Os bancos com sede nos EUA continuam a ser os piores financiadores de combustíveis fósseis, por uma ampla margem. Conforme nos aproximamos da Cúpula do Clima em Glasgow, no fim deste ano, o que está em jogo não poderia ser mais importante. Wall Street deve agir agora para interromper o financiamento da expansão fóssil e se comprometer com um cenário de zero fósseis, de modo a alinhar verdadeiramente suas práticas de financiamento com iniciativas que evitem que o planeta se aqueça mais de 1,5°C” .

Tom Goldtooth, diretor executivo da Rede Ambiental Indígena

“Devemos entender que, ao financiar a expansão do petróleo e do gás, os maiores bancos do mundo têm sangue em suas mãos. Nenhuma quantidade de greenwashing, mercados de carbono, soluções tecnológicas não-comprovadas ou compromissos líquidos zero pode absolver seus crimes contra a humanidade e a Mãe Terra. Terras Indígenas em todo o mundo estão sendo saqueadas, nossos direitos inerentes estão sendo violados e o valor de nossas vidas foi reduzido a nada em face da expansão dos combustíveis fósseis. Pela sacralidade e integridade territorial da Mãe Terra, esses bancos devem ser responsabilizados a cobrir o custo de sua destruição”.

Lucie Pinson, fundadora e diretora executiva da Reclaim Finance

“Esses números mostram o vazio dos compromissos dos bancos, que se multiplicam incessantemente, ao se declararem líquidos ou em consonância com os objetivos climáticos do Acordo de Paris. Um exemplo perfeito encontra-se na França. O ministro das Finanças, Bruno Le Maire, gosta de chamar Paris de capital das finanças verdes, mas esses dados mostram a cidade como a capital da hipocrisia climática em 2020, com quatro bancos inescrupulosos tornando a França o maior patrocinador europeu de petróleo, gás e carvão. O BNP Paribas merece ser apontado como o quarto maior financiador de fósseis do mundo em 2020, tendo canalizado empréstimos multimilionários para gigantes do petróleo como BP e Total. No entanto, está claro que todos os bancos devem substituir suas promessas vazias por políticas realmente significativas que promovam tolerância zero para desenvolvedores de combustíveis fósseis”

Ben Cushing, gerente de campanha de promoção financeira do Sierra Club

“Muitos dos maiores bancos do mundo, incluindo todos os seis principais bancos dos EUA, assumiram compromissos espetaculares nos últimos meses para zerar o impacto climático de seus financiamentos nos próximos 30 anos. Porém, o que mais importa é o que eles estão fazendo agora, e os números não mentem. Esse relatório separa palavras de ações e mostra um quadro alarmante: grandes bancos ao redor do mundo, liderados pelos EUA, estão alimentando o caos climático, ao despejar trilhões de dólares nos combustíveis fósseis que causam essa crise. Os grandes bancos não merecem um tapinha nas costas, se suas promessas para 2050 não forem combinadas com ações significativas em 2021 para cortar o financiamento fóssil”.

Johan Frijns, diretor da BankTrack

À medida que a Cúpula do Clima de Glasgow se aproxima – e Deus nos livre de que a pandemia impeça essa reunião essencial para enfrentarmos uma crise existencial ainda maior, que é a do clima – testemunhamos um banco após outro fazendo promessas solenes de alcançar o “zero líquido até 2050″. Não existe caminho para esse objetivo, que devemos alcançar em uma geração, que não seja lidar com o financiamento bancário para a indústria de combustíveis fósseis aqui e agora. No entanto, muitas promessas atuais carecem exatamente disso: um firme compromisso de começar a romper laços com todas as empresas de carvão, petróleo e gás que planejam continuar suas atividades de destruição climática nos próximos anos”.

Lorne Stockman, analista de pesquisa sênior da Oil Change International

“O relatório serve para dar conta da realidade dos bancos que acreditam que essas metas muito vagas de “zero líquido” são suficientes para conter a crise climática. Nosso futuro vai para onde o dinheiro flui e, até 2020, esses bancos têm investido bilhões para nos aprisionar em um caos climático ainda maior. Os bancos precisam se concentrar na redução da produção de combustíveis fósseis agora, em vez de estabelecer metas distantes e insuficientes no futuro distante. Não podemos seguir adiante com compromissos pela metade”.

Sobre a metodologia

O relatório Banking on Climate Chaos 2021 agrega empréstimos bancários e subscrição de emissões de dívida e ações, de acordo com a metodologia de crédito da liga da Bloomberg (que divide o crédito entre os bancos que conduzem uma transação) para empresas com qualquer atividade de combustível fóssil relatada de acordo com a Bloomberg Finance L.P. e a Lista Global de Saída de Carvão. O crédito da liga atribuído a um banco para uma determinada transação é ajustado por uma aproximação da intensidade do combustível fóssil do tomador ou emissor específico.

As conclusões do rascunho do relatório são compartilhadas com os bancos com antecedência, e eles têm a oportunidade de comentar sobre as avaliações de financiamento e políticas.
 
 
Leia o relatório AQUI

Em frente a leilão da ANP, comunidades exigem o fim do petróleo e gás na Amazônia

Manifestantes dizem às empresas participantes que impactos sobre 47 Terras Indígenas e 22 Unidades de Conservação são inaceitáveis

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Em uma manifestação na manhã desta sexta-feira, 04 de dezembro, em frente ao hotel Sheraton da Avenida Niemeyer, no Rio de Janeiro, líderes indígenas, pescadores e ambientalistas da 350.org pediram o fim da extração de petróleo e gás na Amazônia.

A ação foi realizada no mesmo horário em que, do lado de dentro do hotel, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) promoveu a sessão pública de anúncio das propostas pelos blocos exploratórios disponíveis no 2o Ciclo da Oferta Permanente. Entre os blocos leiloados, 16 localizam-se na Bacia do Amazonas, dos quais três foram arrematados pela empresa Eneva.

Estudo inédito da 350.org mostra que a produção de petróleo e gás nesses 16 blocos pode provocar ou agravar impactos socioambientais consideráveis, como desmatamento, invasões e conflitos, em 47 Terras Indígenas e 22 Unidades de Conservação do entorno.

“A Amazônia representa a vida para os Povos Indígenas e para o planeta, mas o petróleo pode trazer a morte de animais, florestas e pessoas. Estamos unidos para lutar e vencer essa ameaça”, afirma Ninawá Huni Kui, presidente da Federação do Povo Huni Kui do Estado do Acre, presente à manifestação no Rio.

Também foram leiloados blocos em outras nove bacias, com potenciais impactos em biomas terrestres e sobre a vida marinha. As pescadoras e os pescadores artesanais de Magé (RJ), que participaram da ação, se pronunciaram em defesa desses territórios em risco.

“Nas últimas décadas, vimos os estragos que a exploração de petróleo trouxe para o meio ambiente, para as mulheres e para as famílias na Baía de Guanabara. Por isso, viemos mostrar nosso apoio à luta para proteger a Amazônia e todo o Brasil dos impactos dessa indústria”, afirma Daize Menezes de Souza, diretora da Ahomar e coordenadora da Articulação Nacional das Pescadoras. 

O diretor da 350.org na América Latina, Ilan Zugman, lembrou que as pessoas mais afetadas pela crise climática, provocada pela queima de combustíveis fósseis, são aquelas que menos contribuíram para o aquecimento do planeta.

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“As empresas participantes deste leilão e a própria ANP estão agravando a injustiça climática, ao colocar comunidades tradicionais em risco e concentrar dinheiro nas mãos de poucos, já que nem mesmo os ganhos econômicos chegam aos moradores da região. Para as companhias que fazem ofertas nesses leilões, fica o lucro da exploração, mas para os moradores da Amazônia fica só o medo de vazamentos, destruição ambiental e invasões”, afirma.

A manifestação desta sexta-feira foi a primeira iniciativa da campanha Resistência Amazônica, coordenada pela 350.org e lideranças indígenas, para amplificar as vozes e potencializar as ações de comunidades tradicionais em defesa de suas terras e do clima global, frente às investidas dos setores de petróleo e gás na Amazônia.

O diagnóstico positivo para coronavírus de Donald Trump perturba os mercados financeiros mundiais

A notícia da infecção da corona do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está impactando os mercados financeiros internacionais. Os analistas temem que a incerteza política continue a crescer

trumpO presidente dos EUA, Donald Trump testou positivo para o coronavírus

O teste positivo para o coronavírus do presidente dos EUA, Donald Trump, causou inquietação nos mercados financeiros em todo o mundo. O Dax estava 1,5 por cento mais fraco na sexta-feira, com 12.542 pontos. Em Londres, o FTSE 100 caiu 1,1 por cento, o CAC 40 em Paris caiu 1,4 por cento.

Trump e sua esposa Melania testaram positivo para o patógeno, conforme o presidente dos EUA anunciou por meio do serviço de mensagens curtas Twitter. Para o presidente dos Estados Unidos, isso ocorre “em um momento extremamente desfavorável”, comentou Thomas Gitzel, economista-chefe do VP Bank. Os mercados poderiam ficar turbulentos, em particular se Trump passasse por uma doença grave: “As incertezas já existentes aumentariam novamente.”

O preço do petróleo também está caindo

Se Trump adoecer apenas um pouco e se recuperar rapidamente, ele pode esperar mais aprovação, disse Yako Sera, estrategista de mercado do Sumitomo Mitsui Trust Bank, em Tóquio . “No entanto, a doença atrapalha suas oportunidades eleitorais e o tempo antes das eleições está se esgotando.” Enquanto não estiver claro se o próximo presidente será Trump ou Joe Biden , é difícil para os mercados se posicionarem com clareza.

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Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pela Die Spiegel [Aqui!].

Sete maiores empresas de petróleo rebaixam ativos em US $ 87 bilhões em nove meses

Thinktank afirma que as mudanças nas previsões refletem uma mudança acelerada dos combustíveis fósseis

PLATAFORMAUma plataforma de petróleo do Mar do Norte. Fotografia: Alamy

Por Jillian Ambrose para o  The Guardian

As maiores empresas petrolíferas listadas no mundo eliminaram quase US $ 90 bilhões do valor de seus ativos de petróleo e gás nos últimos nove meses, à medida em que a pandemia de coronavírus acelera uma mudança global para longe dos combustíveis fósseis.

Nos últimos três trimestres financeiros, sete das maiores empresas de petróleo reduziram suas projeções para os preços futuros do mercado de petróleo, desencadeando uma onda de rebaixamentos no valor de seus projetos de petróleo e gás, totalizando US $ 87 bilhões.

A análise feita pelo instituto de finanças climáticas Carbon Tracker mostra que apenas nos últimos três meses, empresas como a Royal Dutch Shell, BP, Total, Chevron, Repsol, Eni e Equinor relataram rebaixamentos no valor de seus ativos, totalizando quase US $ 55 bilhões.

Os prejuízos na valorização do petróleo começaram no final do ano passado em resposta ao crescente apoio político para a transição dos combustíveis fósseis para fontes de energia mais limpas, e eles se aceleraram conforme a pandemia afetou a indústria do petróleo.

Os bloqueios provocaram o colapso mais acentuado na demanda por combustíveis fósseis em 25 anos, fazendo com que os mercados de commodities de energia caíssem para níveis históricos.

O colapso do mercado de petróleo, que atingiu seu ponto mais baixo em abril, obrigou as empresas a reavaliarem suas expectativas de preços nos próximos anos.

A BP cortou suas previsões para o petróleo em quase um terço, para uma média de $ 55 o barril entre 2020 e 2050 , enquanto a Shell cortou suas previsões de $ 60 o barril para uma média de $ 35 o barril este ano, subindo para US$40 no próximo ano, US$ 50 em 2022 e US$ 60 a partir de 2023.

Ambas as empresas reduziram seus pagamentos aos acionistas depois que as revisões geraram um rebaixamento de US$ 22,3 bilhões no portfólio de combustíveis fósseis da Shell e um prejuízo de US$ 13,7 bilhões nos ativos de petróleo e gás da BP.

Andrew Grant, chefe de petróleo, gás e mineração do Carbon Tracker, disse que o coronavírus acelerou uma tendência inevitável de redução dos preços do petróleo – uma tendência que muitos ativistas climáticos alertaram que levará a ativos perdidos e a um risco cada vez maior para os fundos de pensão que investem em petróleo firmas.

“A COVID-19 certamente fez sua parte para eliminar o valor dos livros das empresas de petróleo, mas está claro que também acelerou uma tendência das empresas mudando suas premissas de preços de longo prazo para melhor refletir as realidades da transição energética”, ele disse.

No último trimestre financeiro de 2019, a petrolífera francesa Total e a espanhola Repsol apontaram a política climática do governo como a razão para rebaixamentos na avaliação do petróleo, totalizando US$ 6,2 bilhões.

“O fato de que os principais jogadores europeus estão baixando ativos com referência ao acordo de Paris é uma mudança muito positiva”, disse Grant. “Definir os preços de depreciação em linha com uma estimativa conservadora da demanda futura de combustível fóssil com base no acordo de Paris só pode ajudar a evitar o desperdício de capital e aumentar a resiliência das empresas.”

A BP revelou seu acentuado rebaixamento na avaliação de ativos e seu primeiro corte de dividendos em uma década, juntamente com um novo plano ambicioso para mudar seu portfólio de energia de combustíveis fósseis para alternativas de baixo carbono. Até o final da década, a BP espera produzir 40% menos petróleo e gás e está aumentando seus gastos com energia limpa em dez vezes, em um movimento bem-vindo por grupos verdes e investidores.

“No entanto, existem retardatários”, disse Grant. “As grandes petrolíferas dos EUA não divulgam suas premissas de preço e fazem poucas menções às mudanças climáticas em seus relatórios trimestrais. Nem a ExxonMobil nem a ConocoPhillips relataram quaisquer prejuízos materiais este ano, sugerindo que a administração está se apegando a uma visão otimista do preço do petróleo ”.

A companhia petrolífera estatal da Noruega, Equinor, rompeu com seus pares europeus ao manter suas previsões de longo prazo para o preço do petróleo Brent em US $ 80 o barril – “o mais alto de alguma forma”, disse Grant.

“Aferrar-se obstinadamente às previsões de preços business-as-usual pode levar as empresas a alocar capital incorretamente em detrimento de seus investidores”, acrescentou.

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Este artigo foi originalmente em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

Entidades lançam carta pró declaração de emergência por causa do derramamento de óleo no litoral nordestino

oleo 1Nas praias, o recolhimento do óleo é feito por voluntários, funcionários de órgãos ambientais estaduais, municipais e federal, além dos militares. Leo Malafaia / AFP

Diante da inépcia e inércia demonstrada pelo governo Bolsonaro em relação ao gravíssimo incidente ambiental causado pelo derramamento de óleo cru no litoral nordestino, em uma carta assinada conjuntamente pela Fundação Fiocruz (Fiocruz), pelo Instituto Ageu Magalhães (IAM) e pelo Laboratório Saúde, Ambiente e Trabalho (Lasat) é apresentada a demanda a de que seja decretada situação de emergência em saúde pública em todos os estados e municípios atingidos , com base na portaria no 2.952 de 14/12/2011 do Ministério da Saúde (ver imagens abaixo).

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A carta alerta ainda que “o desastre tem afetado a todos de forma muita negativa em diferentes dimensões e níveis“. Dentre os impactos econômicos, a carta destaca que “a população de baixa renda que depende dos negócios no litoral,  tem atuado de forma voluntária, apesar da falta de material e preparo, na retirada do óleo com o intuito de não prejudicar na sua renda familiar de subsistência, no período do ano mais produtivo“.

Os signatários da carta apontam ainda que a cadeia produtiva pesqueira artesanal também vem sendo prejudicada, e que a liberação do seguro defeso só atende a “30% dos pescadores e pescadoras, deixando os demais em estado de ainda maior vulnerabilidade social.”  Mas também é frisado o impacto que também está ocorrendo na atividade hoteleira e de bares e restaurantes, com fortes repercussões na economia local.

Do ponto de vista dos graves impactos sobre a saúde pública, a carta lembra que seria “importante a compreensão da gravidade da situação e a implementação de medidas precaucionárias aos danos futuros na saúde“, pois seria “preciso ter a garantia da
qualidade das águas do mar, dos mananciais e da saúde pública“.

Ativistas ambientais se mobilizam contra o “Oleocausto” no litoral nordestino

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Ativistas ambientais do Nordeste unidos em força e colaboração, para estar no sábado em ato de protesto pela omissão institucional que sofremos, literalmente, na pele, nosso povo não pode se expor a mais risco, precisamos cobrar dos órgãos competentes.

A União, A Marinha do Brasil, O IBAMA e o Governo do Estado não estão agindo com o tempo e a habilidade necessária, enquanto nossas praias e nosso povo está sendo contaminado.

Dizemos um basta ao OLEOCAUSTO, desastre ambiental ainda sem causa determinada, a certeza que nós temos é o despreparo e má-vontade das nossas instituições

Se junte à nós vamos cobrar de quem tem a OBRIGAÇÃO LEGAL de agir!

INFORMAÇÕES SOBRE O ATO:

  • Local: Assembleia Legislativa de Pernambuco. R. da União, 397 – Boa Vista, Recife – PE, 50050-909
  • Horário: Concentração de 14h
  • Dia: 26/10, sábado.
@amazonianaruarecife – Amazônia Na Rua -Recife
@salvemaracaipe – Salve Maracaípe
@recifesemlixo – Recife Sem Lixo
@gpbr.recife – Greenpeace – Recife (PE)
@pesemlixo – Movimento Pernambuco Sem Lixo
@xoplastico – Xô Plástico
@manifestoambiental – Manifesto Ambiental

@alternativaterrazul – Alternativa Terrazul

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