SEMINÁRIO UFRJ: Política do Petróleo, Educação, Ciência Tecnologia e Saúde

petroleo

O que significa a descoberta e exploração das reservas de petróleo do Pré-sal para o desenvolvimento do País e de nosso povo? Os recursos advindos dessa riqueza descoberta por brasileiros, com tecnologia brasileira precisam ser entregues para empresas estrangeiras?

O que significa Cessão Onerosa? Contrato de Partilha? Os recursos do Pré-sal serão mesmo alocados para as áreas de Educação, Saúde, Ciência e Tecnologia? Qual o real montante desses recursos? Como dar continuidade ao papel da Petrobras como instrumento estratégico do desenvolvimento brasileiro?

Qual a Política de Petróleo que realmente interessa ao Brasil?
A Universidade não pode se omitir e precisamos discutir com urgência a Política Nacional do Petróleo e a destinação dos seus recursos.

Mais do que convidar, estamos convocando e mobilizando todo o corpo social da UFRJ para discutir, conhecer e, se for necessário, resistir aos rumos atuais que estão impondo à nossa Política do Petróleo e à Petrobras.

Vamos todos, Professores, funcionários técnico-administrativos em Educação, estudantes de graduação e pós-graduação, organizações da sociedade civil, sindicatos, associações de classe e o público em geral debater, questionar e encontrar respostas!!!

PROGRAMAÇÃO

8:00 as 8:30 – Recepção com Café da manhã
8:30 às 10:05 – Mesa de Abertura – Estado e Política do Petróleo. O Papel da Universidade.
Presidente da Mesa – Professor Roberto Leher (Reitor da UFRJ)
Arthur Raguso – Diretor de Formação da Federação Única dos Petroleiros
Prof. Luiz Pinguelli Rosa (COPPE/UFRJ).
Guilherme Estrela – Geólogo, Ex diretor de Exploração e Produção da Petrobrás.

10:05 às 10:35 – Debate com os participantes

10:35 às 10:45 – Intervalo para troca da mesa

10:45- as 12:05 – Mesa Redonda: Política do Petróleo e Orçamento Federal. Recursos para Educação, Ciência, Tecnologia e Saúde. Royalties, Fundo Social e Pré-sal, Fundos Setoriais, Dívida Pública.
Presidente da Mesa – Prof. Carlos Levi da Conceição (Ex-Reitor da UFRJ)
Prof. Eduardo Costa Pinto(I.E./UFRJ)
Prof. Roberto Leher (Reitor / UFRJ)
Profa. Esther Dweck (I.E./UFRJ)

12:05 às 12:35 – Debate com a plateia

12:35 – Encerramento

Realização:
Reitoria da UFRJ
Fórum de Ciência e Cultura – FCC

Apoio: DCE Mário Prata, ADUFRJ, SINTUFRJ
Detalhes do evento:

Dia(s): 18/09/2018
Horário: 8:30 – 13:00

Local: Auditório CGTEC-CT2
R. Moniz de Aragão, 360 – Cidade Universitária/Ilha do Fundão
Rio de Janeiro – CEP 23058-440

Evento Gratuito
Sem inscrição

http://ufrj.br
contato: jessicalemos.ufrj@gmail.com
Telefone de contato: 021-3938-2722

Coordenadoria de Comunicação da UFRJ

Os caminhoneiros e sua greve tolerada: atiraram no que se viram, mas acertaram no que não viram

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A estas alturas do campeonato, a greve dos caminhoneiros já parece ter servido aos propósitos que levaram milhares de trabalhadores rodoviários e seus patrões a colocarem o governo “de facto” de Michel Temer de joelhos. É que graça ao bloqueio de rodovias, o governo Temer já agiu para conceder R$ 5 bilhões em isenções fiscais que aliviam um pouco o fardo de quem mobiliza praticamente toda a produção nacional.

Eu diria que essa é parte visível do que os caminhoneiros acertaram, e esta não é principal coisa revelada por esta, digamos, greve. É que repentinamente todos os brasileiros se tornaram cientes de que o Brasil hoje regula os preços dos combustíveis a partir das leis de mercado que são estabelecidas pelas grandes petroleiras cujos escritórios estão alojados mormente nos países ricos. 

Aliás, com essa greve (ou seria lock out?), não teremos mais que fazer muito esforço (ou talvez tenhamos, sei lá) que explicar para aqueles milhões de esperançosos na capacidade de auto-regulação do mercado (a tal mão invisível) que isso é uma besteira completa e que só difundida para obscurecer o fato de que os donos do capital são quem controlam a economia e não uma entidade sobrenatural que teria a capacidade de fazer tudo se ajustar, de modo a que o sistema funcione da melhor maneira possível. Não, meus amigos leitores, enquanto vivermos no sistema capitalista, quem manda mesmo no mercado são os que possuem grandes quantidades de capital, e ponto final.

Outra grande descoberta para a maioria dos brasileiros é que, graças à política de desmanche da Petrobras imposta pelo tucano Pedro Parente, a produção de combustíveis derivados do petróleo teve uma forte diminuição em 2017 (ver figura abaixo).

dependente

Desta forma, o Brasil está fortemente dependente da importação de gasolina, especialmente dos EUA, aquele país para onde o juiz federal Sérgio Moro tanto adora viajar (ver gráfico abaixo).

gasolina brasil eua

Assim, a única forma de termos uma saída sustentada dessa armadilha criada pela gestão de Pedro Parente na Petrobras seria modificar radicalmente não a política de preços como tem sido aventada, mas retomar a lógica da diminuição da dependência que o Brasil possui em relação à importação de combustíveis, apesar de estar se tornando rapidamente, graças ao petróleo da camada Pré-Sal, um dos pesos pesados da produção de petróleo no mundo.

E é aí que o mora o principal problema e que deverá passar a dominar os debates presidenciais: qual dos candidatos que já se apresentaram vai se comprometer a reverter o processo de desnacionalização do refino do petróleo no Brasil, que tem sido a tônica da ação de Pedro Parente na ainda estatal Petrobras? Jair Bolsonaro, Rodrigo Maia, João Amoedo, Marina Silva, Ciro Gomes, Manuela D´Ávila, Guilherme Boulos ou, quem sabe, Lula? É que sem um presidente ou presidenta comprometida com o fim da dependência em termos de importação de combustíveis, o que estamos tendo agora é só uma pequena demonstração do que vai acontecer nos próximos anos e décadas: um país rico em petróleo e transformado numa neocolônia dos países ricos. 

Ah, sim, não deixa de ser curioso o comportamento dos “patos” que inundaram nossas ruas, avenidas e postos de gasolina para protestar contra a corrupção na Petrobras e que surtavam  quando o combustível custava módicos, comparados aos preços atuais, R$ 2,80. É que no meio dessa confusão toda, o que mais se destaca não são os caminhões bloqueando as estradas brasileiras, mas o silêncio dos patos paneleiros.

Por essas e outras é que eu digo: os caminhoneiros atiraram no que viram e acertaram no que não viram. É que sem querer, com sua greve eles alteraram radicalmente o rumo dos debates presidenciais que ainda vão acontecer. Vamos ver como cada candidato apresenta sua visão para a Petrobras e, por extensão, para o preço dos combustíveis no Brasil. Vai ser interessante!

Relatório do Banco Mundial aponta para aumento do preço das commodities

Silhouette of crude oil pump in the oilfield at sunset. Photo: P.V.R.Murty/Shutterstock

O Banco Mundial publicou na última 3a. feira um relatório intitulado “Commodity Markets Outlook. Oil exporters: policies and challenges” acerca da variação dos preços das principais commodities agrícolas e minerais que mostram um aumento de preços acima do esperado para 2018 [1]. 

price indexes

As razões para essa elevação dos preços se deve basicamente a uma combinação clássica entre aumento de demanda e diminuição da oferta. No caso do petróleo a estimativa do Banco Mundial é que o preço médio do barril do petróleo gire em torno de 65 dólares ao longo deste ano, devido principalmente à restrições na produção de óleo originada de “fracking” nos EUA e à restrições impostas pelos países produtores de petróleo, sejam eles ligadas à OPEC ou não.

No caso das commodities agrícolas, a elevação de preços seria devida à diminuição da área plantada e não à ação de fenômenos climáticos como o da La Ninã. O relatório antecipa que possíveis reações da China às punições tarifárias impostas pelo governo Trump poderão elevar o preço da soja.

Antes que muita gente se anime com as novidades trazidas pelo Banco Mundial, o relatório traz a informação de que no caso de 4/5 das commodities analisadas o aumento de preços que ocorrerá em 2018 continuará distante dos valores que eram praticados em 2011 quando houve a queda abrupta que acabou gerando o atual ciclo de crise nos países e áreas produtoras de commodities.

Quem desejar acessar o relatório completo, basta clicar [Aqui!].

Porto do Açu: vazamento de petróleo é apenas outra face das mazelas ambientais impostas pelo porto de Eike Batista

A mídia e a blogosfera regional têm dando cobertura a um incidente ainda sem dimensões conhecidas que ocorreu na última 5a. feira (04/05) durante a realização de uma operação de transbordo de petróleo no Porto do Açu, megaempreendimento portuário iniciado pelo ex-bilionário Eike Batista no município de São João da Barra (Aqui!Aqui!Aqui!Aqui! e Aqui!).

Uma coisa que salta aos olhos nesta cobertura é a parcimônia das notas sobre o incidente que ocorreu na última 5a. feira, pois omite a quantidade de óleo que vazou nas águas no entorno do chamado Terminal 1.  O máximo que foi informado foi a dimensão da mancha, mas não sua profundidade, o que efetivamente impede qualquer cálculo de volume.

Essa parcimônia aparentemente decorre do fato de que a mídia e até a chamada blogosfera estão apenas repercutindo uma igualmente parcimoniosa nota emitida pela Prumo Logística Global que se caracteriza por emitir aquelas informações genéricas que são comuns quando a empresa aborda os problemas da salinização de águas e solos e da erosão costeira que decorreram da implantação do Porto do Açu (ver nota abaixo).

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Entretanto, pior do que a parcimônia da Prumo Logística só mesma a falta de ação dos órgãos governamentais como o INEA e o IBAMA que já deveriam ter vindo a público oferecer informações mais precisas (e quiça imagens) sobre o montante de petróleo que vazou na operação de transbordo realizada entre os navios Windsor Knutsen e Seacross. Mas eu já não me surpreendo com esse vácuo informativo, pois o memso já se dá no caso das outras mazelas ambientais que vêm afligindo o V Distrito de São João da Barra. 

O fato é que este tipo de operação, a de transbordo entre navios em píer molhado, é considerado de altíssimo risco.  A situação é ainda mais arriscada no Porto do Açu por causa da alta energia que caracteriza a ação das correntes marinhas naquela parte da costa fluminense. Dito isso, este caso pode ser apenas o primeiro de uma longa lista de incidentes ambientais que estão por vir no Porto do Açu.

Com isso, pescadores artesanais que já sofreram graves perdas por causa das áreas de exclusão estabelecidas no entorno do Porto do Açu, agora vão ver agravados os problemas com este e outros eventuais derramamentos de petróleo.

A questão que se levanta é a seguinte: quem vai cuidar dos danos e perdas que este e outros casos irão impor aos já castigados residentes do V Distrito de São João da Barra? Com a palavra, o Ministério Público Federal!

 

Sorriam campistas, a Venezuela é aqui!

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Desde que iniciei este blog adotei a posição de não me concentrar nas questões municipais, visto o grande número de blogueiros que se dedicam a esmiuçar cotidianamente, sob os mais variados matizes, o funcionamento da Prefeitura de Campos dos Goytacazes sob a batuta da ex-governadora Rosinha Garotinho e seu marido, o também ex-governador Anthony Garotinho.

Mas a capa do jornal O DIÁRIO deste domingo (24/01) que anuncia a promulgação de um decreto de estado de emergência econômica é primeiro de tudo, impagável! É que a mesma nos remete, querendo ou não quem a criou, ao processo de crise mais amplo que ocorre nas economias dependentes do petróleo, como é o caso da Venezuela onde seu presidente Nicolás Maduro promulgou lei semelhante no dia 15.01.2016, em face da profunda crise econômica que assola aquele país (Aqui!).

Entretanto, ao contrário do governo da Venezuela que, além de enfrentar os agudos efeitos da retração do preço do petróleo, também convive com uma forte oposição de direita que, frise-se acaba de lhe impor uma pesada derrota eleitoral, o governo municipal de Campos dos Goytacazes chegou a este ponto sem maiores oposições, seja por parte do parlamento local ou da sociedade civil organizada. 

Tampouco a economia de Campos dos Goytacazes precisaria estar dependendo dos royalties para garantir mais de 50% do nosso orçamento municipal. Tivessem as diferentes administrações, aqui inclusas as de Arnaldo Vianna e Alexandre Mocaiber, investido em uma genuína diversificação da base econômica municipal, é bem provável que agora não estivéssemos presenciando a decretação de um estado de emergência.

Acho até desnecessário, mas faço assim mesmo, mencionar que não tivessem as diferentes gestões que ocorreram a partir da chegada dos recursos dos royalties (particularmente as Arnaldo Vianna, Alexandre Mocaiber e Rosinha Garotinho) optado por obras milionárias, mas de necessidade duvidosa, é quase certo que hoje não estaríamos presenciando a situação aflitiva em que estamos imersos neste momento.

Finalmente, agora que a dura realidade está sendo reconhecida sob a forma de decreto, há que se esperar que os postulantes a suceder Rosinha Garotinho a partir de 2017 parem de encenar a peça maniqueísta do “nós bonzinhos contra eles malvados” para oferecer um projeto estruturante para o município de Campos dos Goytacazes. Do contrário, o decreto da Prefeita Rosinha Garotinho é apenas o prenúncio de tempos bastante duros. É que lendo o receituário básico que está sendo apontado em vários de seus dispositivos (a começar pelo que prevê um programa de aposentaria incentivada!), a aposta parece ser de um médico que oferece açúcar a um diabético em estado terminal. Em outras palavras, não tem como dar certo!

Irã aponta um fato inexorável: não há futuro no petróleo

O mundo acordou hoje para as consequências imediatas da suspensão do embargo econômico promovido contra a república islâmica do Irã após o governo daquele país cumprir as exigências feitas em relação ao abrandamento do seu programa nuclear.

Mas para quem pensa que está todo mundo contente com o retorno do Irã ao acesso pleno à economia mundial, engana-se redondamente. Para tanto, basta ver duas matérias publicadas sobre o assunto pela Rede Francesa de Informação (RFI) e pela BBC que são mostradas nas imagens abaixo.

É que a alegria do Irã em poder retomar US$ 100 bilhões de dólares que estavam arrestados nos países ocidentais e de poder vender seu petróleo livremente estão causando uma forte derrubada das bolsas de valores no Golfo Pérsico, deixando as monarquias da região em polvorosa. Aliás, o mesmo efeito deverá ser sentido nas bolsas da Ásia, da Europa e dos EUA. 

Aparentemente o que é bom para a paz e para o Irã é péssimo para os especuladores que operam no mercado de ações.

Agora, interessante mesmo é o conteúdo de uma matéria publicada pelo jornal Folha de São Paulo e que repercute conteúdo de agências internacionais. É que, como mostra a imagem abaixo, o governo dos aiatolás não quer que a economia iraniana continue dependente da venda do seu petróleo!

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É que além de saber que a entrada do seu próprio petróleo vai jogar ainda mais os preços que já estavam afundando, o Irã também sabe que há uma forte mudança em curso na matriz energética que tornará os combustíveis fósseis obsoletos.  Dai que a transição para menos dependência do petróleo deve estar sendo considerada como estratégica pelos iranianos.

Aliás, é só no Brasil, e em especial no Rio de Janeiro, que o petróleo ainda é tratado como esperança do futuro. Celso Furtado e Florestan Fernandes certamente atribuiriam este erro grosseiro de análise ao caráter dependente da economia brasileira. 

Sinais surpreendentes da crise mundial

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Originalmente postado por Beth Monteiro em sua página do Facebook

Navios petroleiros parados do oceano não conseguem desembarcar sua mercadoria e esperam encontrar um comprador disposto a pagar um pouco mais pelo óleo. Me fez lembrar vendedores de frutas na beira da estrada, a espera de fregueses.

No mais recente sinal de que o mundo capitalista está simplesmente ficando sem capacidade quando se trata de lidar com uma oferta inexorável das commodities, três navios diesel, a caminho do Europa a partir Golfo , realizaram uma estranha manobra, na quarta-feira (16): eles pararam, deram meia volta no meio do oceano e retornaram ao seu ponto de partida. A partir de agora, os petroleiros devolverão suas cargas de diesel na Costa do Golfo ou ficarão aguardando novas ordens.

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Pontos vermelhos na imagem são petroleiros estacionados na costa do Golfo do México próximo a Galveston no estado do Texas

O excesso de fornecimento de petróleo bruto global está começando a manifestar-se em uma frota de superpetroleiros estacionárias, com milhões de barris de petróleo ficando simplesmente presos no oceano esperando para descarregar. Isto levou a que cerca de 40 petroleiros com uma capacidade de carga combinada de 28,4 milhões de barris, a ter que esperar para ancorar perto de Galveston.

O que se percebe nestas cenas inéditas em alto mar é um excesso de oferta tão agudo que navios petroleiros estão literalmente apenas navegando ao redor do mundo sem nenhum lugar para ir, acumulando uma carga de cerca de 250.000 toneladas de diesel ancorado ao largo Europa e do Mediterrâneo à procura de um lar.

Um comerciante de petróleo deu uma explicação, no mínimo, preocupante, à Agência Reuters, dizendo que se trata de uma tática : “A ideia é manter petroleiros na água enquanto tentamos encontrar um comprador que pague melhores preços.”

Fontes : Financial Time – Reuters

http://www.zerohedge.com/news/2015-11-12/something-very-strange-taking-place-coast-galveston

FONTE: https://www.facebook.com/beth.monteiro/posts/1121050941239027?fref=nf&pnref=story