Com bolsas atrasadas, residentes do Hospital Veterinário da UENF paralisam suas atividades

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A crise financeira que atinge a UENF teve um novo capítulo nesta 6a. feira com o início de uma paralisação dos residentes do Hospital Veterinário (HV) que inicialmente deverá durar uma semana. O motivo principal deste movimento é a falta do pagamento das bolsas acadêmicas a que estes profissionais fazem jus. E conversando com uma das profissionais envolvidas no movimento fui informado que esta foi uma medida extrema, visto que apesar da entrega dos contracheques estar ocorrendo, dinheiro que é bom, nada!

Essa paralisação é justa e legítima, pois os residentes não vivem só de ar e água. E é preciso que se diga que este movimento é um reflexo do descaso do (des) governo Pezão com o funcionamento da UENF. E neste caso específico há que se lembrar que os residentes realizam atividades  que favorecem diretamente à população de Campos dos Goytacazes, visto que o HV é hoje uma referência no tratamento de animais.

Há que se frisar ainda que essa paralisação está ocorrendo após os residentes esperarem pacientemente por uma ação direta da reitoria da UENF para que o pagamento das bolsas fosse honrado o mais rapidamente possível. Agora, premidos pela urgência das suas obrigações financeiras, não restou mais nada aos residentes do que iniciar esse movimento em defesa de seus direitos. E é óbvio que o movimento dos residentes do HV deve ser apoiado por todos os que querem a UENF tendo seu funcionamento garantido nas melhores condições possíveis. E isso começa com o pagamento dos que a fazem funcionar.

 

UENF: entre o câncer e outras patologias

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Hoje (076/05) uma conversa para lá de informativa com um colega que me informou que um alto prócere da UENF me equiparou a um câncer que precisa ser isolado. Eu que já ouvi muitas adjetivações sobre a minha pessoa nos últimos 17 anos dentro da UENF ( o último tinha sido “ocioso”), achei essa um verdadeiro “mimo”.  É que em primeiro lugar, se levarmos em conta a própria definição do que é câncer, isto significa que eu estaria me multiplicando acima da normalidade do que o organismo tolera. E isso é me dar uma importância impressionante.

Agora, por que será que estou merecendo uma adjetivação assim tão candente? Afinal, não pertenço mais a nenhum órgão colegiado, e tenho me resumido a fazer aquelas coisas para as quais fui contratado como pode ser comprovado pelo meu CV Lattes. Mas dai pensei… para estar causando tanta ira e consternação, eu devo estar fazendo uma coisa: mesmo que de forma inadvertida, devo estar contrariando interesses privados, alguns provavelmente de cunho inconfessável!

E ai me ocorreu uma coisa… pode ser a coisa do “trash science” que anda deixando muita gente nervosa, e eu diria com justa razão, pois pode chegar a hora em que o CNPq decida sair de sua letargia e começar apurar onde determinados bolsistas de produtividade andam publicando seus artigos. 
Mas há também o meu blog onde eu venho falando de forma repetida sobre o atraso no pagamento das bolsas acadêmicas que inferniza a vida de centenas de estudantes da UENF, e de como a atual reitoria é simplesmente uma despachante do (des) governo Pezão dentro da nossa universidade.
 
Bom, seja o que for, eu teria a dizer que existem coisas bem piores do que ser um câncer, a começar pelas patologias que acometem, especialmente os cristãos, naquilo que eles dizem mais prezar: a alma.   E, sim, também outras coisas mais terrenas como o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro!
 
Finalmente, penso que se mais energia fosse dedicada a resolver problemas urgentes que assombram o nosso cotidiano em vez de se preocupar comigo, determinados próceres seriam lembrados na história da nossa jovem instituição por outra coisa do que a sua comprovada incompetência.

 

Campos opostos: reitoria da UENF vive pedindo a benção de Pezão, já a da UEPG defende exoneração de secretário e o direito de greve

pezão silvério

Nem toda reitoria de universidade pública se ajoelha aos ditames dos governos estaduais. Essa é a lição que se pode tirar da nota abaixo aprovado pelo Conselho de Administração da Universidade Estadual de Ponta Grossa, que se localiza na região dos Campos Gerais do Paraná.  Como os leitores deste blog poderão notar, a nota é direta e reta: repudia a violência cometida contra os professores pelo governo tucano de Beto Richa, pede a exoneração do secretário estadual de Segurança Pública que comandou o brutal ataque contra os servidores públicos, e defende o direito de greve dos servidores da instituição.

Esse tipo de postura, lamentavelmente, não é a que se observa na Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) onde a tônica é obedecer as ordens e aplicar o arrocho contra professores e estudantes. E, como observei ontem, ainda usar de subterfúgios para assimilar outras unidades para as quais a UENF não possui hoje orçamento para manter em funcionamento.

Por essas e outras é que a reitoria da UEPG merece muitos aplausos, e a da UENF, uma imensa e sonora vaia.

NOTA DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

por Assessoria de Imprensa

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No uso de suas atribuições, em reunião realizada em 4 de maio de 2015, presidida pelo reitor Carlos Luciano Sant’Ana Vargas, o Conselho de Administração da Universidade Estadual de Ponta Grossa, por unanimidade, decidiu:

– Referendar a Nota da Reitoria publicada em 29 de abril no portal da instituição (www.uepg.br), na qual, em nome da comunidade universitária e expressando o sentimento de pesar de alunos, professores e agentes pelos lamentáveis fatos ocorridos em frente à Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, naquela data, manifesta o seu repúdio pelo uso da força desproporcional e totalmente descabida contra os servidores públicos paranaenses no seu direito democrático de manifestação.

– Deliberar que a administração da UEPG não deverá adotar nenhuma medida administrativa e restritiva que possa prejudicar os servidores desta Universidade, quer tenham participado ou não das paralisações e greves da categoria.

– Aprovar o envio de ofício ao Governo do Estado solicitando a exoneração do secretário estadual de Segurança Pública, Fernando Francischini, que, no entendimento deste Conselho, devido aos fatos ocorridos em 29 de abril de 2015, não reúne mais condições de permanência no cargo.

Conselho de Administração 

FONTE: http://portal.uepg.br/noticias.php?id=7491

Estripulia à vista! Reitoria da UENF tenta aprovar nas férias a assimilação do Colégio Agrícola Antonio Sarlo

pezão silvério

Não estivesse a  Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) afundada numa grave crise financeira, certas ações alopradas da sua reitoria até poderiam ser consideradas simplesmente como apenas mais uma pedra na longa estrada de desatinos que hoje causam graves prejuízos ao funcionamento administrativo, acadêmico e cientifico da universidade idealizada por Darcy Ribeiro.

No entanto, o fato  é que a UENF hoje mal tem recursos para continuar com as portas abertas e com serviços de eletricidade e água sendo disponibilizadas para a comunidade universitária poder exercer suas atividades de ensino, pesquisa e extensão.  Essa situação é de conhecimento  público dentro da UENF, especialmente para centenas de estudantes que ainda não viram a cor do dinheiro referente ao pagamento das bolsas acadêmicas relativas aos meses de fevereiro, março e abril de 2015!

Mas se alguém achava que  esta grave crise financeira impediria a reitoria de tentar novas estripulias, pense de novo! É que na última reunião do Conselho Universitário realizada no período de recesso acadêmico foi apresentada a proposta de assimilação do Colégio Agrícola Antonio Sarlo que, curiosamente, era o 13º.  ponto da pauta! Em suma, com poucos conselheiros  na reunião e muitos suplentes presentes!

E se não fosse pela insistência de uma conselheira, a proposta teria sido aprovada sem o necessário quórum qualificado e, mais, sem que se tenha qualquer garantia por parte do (des) governo Pezão de que uma verba específica seria incluída no orçamento da UENF para custear anualmente o funcionamento de uma estrutura que, até os pés de maracujá mais inocentes sabem, demandará altos investimentos para simplesmente não desabar.  É que, como sempre, para atender às vontades do (des) governo do Rio de Janeiro, a reitoria  não hesita em tripudiar sobre o Estatuto e o Regimento da UENF.

A pergunta que não quer calar é a seguinte: a quem realmente interessa a assimilação do Colégio Antonio Sarlo pela UENF? Essa pode ser uma das questões que poderão ser respondidas pelos eventuais candidatos a reitor na eleição que foi marcada nessa reunião do Conselho Universitário. A ver!

Docentes da UEZO mandam carta para (des) governador Pezão para mostrar situação crítica da instituição

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Carta aberta dos docentes da UEZO ao Exmo Governador Sr. Luís Fernando Pezão

UEZO: Um Centro Universitário esquecido há 10 anos! 

Exmo Governador do Estado do Rio de Janeiro

Sr. Luiz Fernando Pezão,

O Centro Universitário Estadual da Zona Oeste – UEZO localizado no Bairro de Campo Grande, Zona Oeste do Rio de Janeiro, uma das regiões mais populosas desta cidade, com cerca de 2.600.000 habitantes foi criado com o intuito de atender à demanda desta região por um ensino público superior de qualidade.

A UEZO completou neste ano 10 anos de existência. Infelizmente os professores desta instituição não têm muito o que comemorar por diversos motivos:
• Somos a única instituição pública de ensino superior do país onde não se tem implementado o regime de dedicação exclusiva, apesar de 100% dos professores possuírem doutorado e nos dedicarmos às atividades de ensino, pesquisa e extensão com afinco, considerando a indissociabilidade entre estas atividades;
• Não possuímos um plano de cargos e salários;
• Não recebemos adicional de periculosidade, nem de insalubridade.
• Não possuímos Campus próprio. Segundo o deputado Waldeck Carneiro, presente na audiência pública realizada no dia 25 de março de 2015 para tratar do tema: “O Ensino Superior no Estado do Rio de Janeiro – UERJ, UENF, UEZO e FAETEC”, a UEZO é a única universidade no mundo sem Campus próprio.
• E ainda, no “Campus emprestado” (Instituto de Educação Sarah Kubitschek) convivemos com falta de água, falta de funcionários para as atividades de apoio, falta de professores contratados, falta de infraestrutura (a exemplo: salas de aula insuficientes para atender à demanda dos cursos da UEZO, falta de espaço físico para a instalação dos laboratórios de pesquisa para os professores.
• Nossas demandas já foram ouvidas diversas vezes pela Comissão de Educação da ALERJ. O regime de dedicação exclusiva está previsto na Lei 5.380, de 16 de janeiro de 2009, que assegurou autonomia administrativa à UEZO. O projeto de Lei 1.703, de 16 de agosto de 2012 da deputada Inês Pandeló, que autoriza o poder executivo a implementar o regime de trabalho em dedicação exclusiva para os docentes da UEZO ainda tramita na ALERJ, mesmo passado quase dois anos de sua criação. O Projeto de Lei, Processo E-26/15462 de 2011, que regulamenta a Dedicação Exclusiva na UEZO, tramita na SEPLAG/subsecretaria de remunerações e carreiras.

Por isso, nós professores da UEZO passamos a ter a sensação de que fomos esquecidos, embora exerçamos as mesmas funções de ensino, pesquisa, extensão e administração realizadas pelos nossos colegas professores da UERJ e da UENF, recebemos um salário de cerca de 70% menor que o daqueles professores, em função de não possuirmos implementado o regime de dedicação exclusiva. Vale salientar, neste momento, que o artigo 14, seção 4.4 da Lei nº 5.597 de 18 de dezembro de 2009, que definiu o Plano Estadual de Educação do Estado do Rio de Janeiro – PEE/RJ, não foi cumprido. De acordo com esse documento, deve ser assegurado um Plano de Cargos e Salários único para todos os professores da rede pública estadual, independente da Secretaria em que estejam atuando, garantindo carga horária semanal, isonomia salarial e enquadramento por formação e tempo de serviço.

Acreditamos que vossa excelência conhece todas as nossas demandas. Aguardamos, sinceramente, o estabelecimento de um diálogo afim de mitigarmos os problemas acima apresentados com objetivo de melhor atendermos à população de nosso estado, dever primeiro e fundamental e objeto de atenção de vosso governo.

Um viva à UEZO que comemora seus 10 anos de existência e sobrevive sem sede própria e com problemas sérios de infraestrutura.

Um viva muito especial aos professores, ao corpo técnico e ao pessoal de apoio terceirizado que lutam para que essa instituição se torne cada dia melhor, que não percamos a esperança de uma remuneração mais justa, igualitária, compatível com as funções que ora desempenhamos.

Um viva muito especial aos nossos alunos e à comunidade que depositam nessa instituição a esperança de um futuro melhor!

Respeitosamente

Primeiro de Maio de bolsas atrasadas na UENF

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O Primeiro de Maio é celebrado na maior parte do mundo como um dia dos trabalhadores. As manifestações que ocorrem para celebrar a capacidade dos trabalhadores de se organizar na luta por seus direitos contra os detentores do capital deverá movimentar milhões de pessoas ao redor do mundo. 

Na Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), este Primeiro de Maio está  sendo marcado pela situação ultrajante que o (des) governo Pezão, com a sempre prestimosa colaboração da reitoria, está impondo a centenas de bolsistas de diferentes modalidades que estão sem ver a cor do dinheiro relativo ao trabalho que realizam nas três atividades finalísticas que marcam a existência de qualquer instituição acadêmica: ensino, pesquisa e extensão.

Aproveito desta data para manifestar a minha solidariedade, em especial,  aos bolsistas ligados aos projetos de Extensão,que como bolsistas de outras modalidades,  acumulam um atraso de três meses no pagamento de suas bolsas! 

Essa situação é vergonhosa, pois explicita a cara desse (des) governo que corta as verbas da educação em nome de gastos com, por exemplo, megaeventos esportivos cujo retorno para a maioria da população fluminense é próximo de zero!

O fracasso da política de esculacho das UPPs nas comunidades pobres

 

 

 

 

 

 

Por Pedro Porfirio

Deixaram as ruas ao léu e jogaram 10 mil policiais numa guerra cega contra populações criminalizadas

Essa violência sem fim em morros festejados como “pacificados” pela presença assustadora de policiais despreparados é o retrato mais exuberante de um grande fracasso – o da odiosa política de ocupação e humilhação das comunidades proletárias do Rio de Janeiro.

Você deve estar lembrando da propaganda enganosa patrocinada pelo Sérgio Cabral: os bandidos tinham fugido dos morros à simples presença de aparatos policiais. Tendo à frente da Segurança Pública um delegado forasteiro, que quase nada conhecia do Estado do Rio de Janeiro e contando com o patrocínio “generoso” do então bajulado Eike Batista, as tais UNIDADES DE POLÍCIA PACIFICADORA – UPPs vendiam à classe média do asfalto a ideia de que a criminalidade seria vencida esculachando as comunidades onde os bandidos se homiziavam.

Desde a primeira UPP, em dezembro de 2008, no Morro Dona Marta (e não Santa Marta como falam os altos funcionários do governo e uma mídia que não sabe de nada) o governo do Estado do Rio tem insistido nessa estratégia, com o que abandonou as ruas da cidade e transformou cada comunidade numa “faixa de Gaza” sob ocupação: COM ISSO, OS BANDIDOS PASSARAM A VENDER DROGAS NO SAPATINHO E NO DELIVERY, DISPENSANDO OS PRÓPRIOS APARATOS CONTRA INVASÕES DE RIVAIS, JÁ QUE A PM ESTAVA LÁ COM ESSE ESCOPO INIBIDOR. (Escrevi várias colunas a respeito dessa “segurança de fachada”, como você achará pelo Google).

Agora, já não há como esconder o tremendo fracasso dessa política que tentou desmerecer todo um esforço no sentido de levar cidadania às comunidades que abrigam milhares de trabalhadores, as quais tiveram um grande crescimento a partir das décadas de 60/70, quando da implantação do sistema financeiro de habitação pela ditadura, que tornou insuportável o custo dos aluguéis nas áreas urbanas.

Na década de 80, com os CIEPs, centros de educação pública integral, um novo horizonte se descortinou nessas áreas pobres. OFERECIA-SE INSTRUÇÃO COMO MELHOR ALTERNATIVA AO CRIME EM UM PROGRAMA OUSADO, NO QUAL A CRIANÇA PASSAVA O DIA NA ESCOLA (projeto que, a bem da verdade, foi boicotado não apenas pela Rede Globo, mas pelo PT, que travava uma queda de braço com o brizolismo pela hegemonia do campo popular).

Abraçando a visão das elites, que criminalizavam as comunidades pobres como santuários do crime, Sérgio Cabral mandou descer o cacete e espalhou “caveirões”, sobretudo nas áreas de auto-suficiência econômica, com comércio próprio pujante, como na Rocinha, no Complexo do Alemão, no Jacarezinho e na Cidade de Deus.

Por muito tempo, essa política de UPPs encheu os olhos da classe média do asfalto e a especulação imobiliária aproveitou para valorizar imóveis do entorno das comunidades “pacificadas”. Estatísticas não faltaram para dourar a pílula: não é difícil manipular os números diante de pessoas superficiais e acríticas.

Agora taí: a conta que vai sobrar pra gente. As comunidades “pacificadas” estão explodindo e tornando traumática a vida no entorno. Usado por mais de 60 mil carros diariamente, o túnel Zuzu Angel, sob a Rocinha, é o maior emblema da insegurança epidérmica: quem passa por lá, a qualquer hora do dia ou da noite, tem a pressão elevada.

Enquanto isso, as vítimas inocentes da militarização dos morros se sucedem numa cadeia cada vez mais crescente. A última delas, o menino Eduardo Jesus Ferreira, mostra a certeza de impunidade de policiais sem treinamento, que também estão lá jogados na fogueira, numa espécie de “guerra santa” contra quem levantar qualquer suspeita. O garoto de 10 anos estava na porta de casa jogando no celular, que foi confundido por uma arma, segundo seu pai.

Diante dessa tragédia que compromete definitivamente esse modelo de “segurança”, o governador Pezão disse que o Estado vai pagar o sepultamento do menino no Piauí, para onde a família quer retornar.

O mais é pura lorota, porque esse mesmo governador anunciou que vai mandar mais tropas para o Alemão, e policiais nervosos são o único pessoal de que dispõe o governador para lidar com as comunidades pobres.

http://www.blogdoporfirio.com/2015/04/o-fracasso-da-politica-de-esculacho-nas_4.html

Pezão: mostra as fotos!

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Uma matéria publicada hoje traz a seguinte e primorosa declaração do (des) governador Luiz Fernando, o Pezão, ainda em relação ao caso do assassinato de Eduardo de Jesus Ferreira, de 10 anos,no Complexo do Alemão:

“— Soube que o policial (que afirmou que pode ter realizado os disparos) está muito abalado desde aquele dia. Ele tomou um susto, achou que o garoto estava com uma arma. Infelizmente é uma chaga que a gente tem dentro das diversas favelas no Rio. Nós temos fotos do serviço de inteligência e dos próprios soldados das UPPs, de diversas crianças de 10, 12 anos portando fuzil, postando pistola glock. A gente vem trabalhando sistematicamente para mudar essa realidade — afirmou o governador após reunião no Ministério dos Transportes, em Brasília, nesta quarta-feira.”

Em relação a essa declaração, o deputado estadual Flávio Serafini do PSOL fez o seguinte comentário em sua página pessoal no Facebook:

“Com essas declarações em que tenta justificar um tiro em uma criança de 10 anos que brincava com um celular na porta de casa, Pezão começa a sair de trás da máscara de fazedor de obras e mostrar com mais clareza sua face política. E é assustadora!!!!

Querem saber de uma coisa: apesar de concordar com o deputado Serafini, eu gostaria mesmo é de ver o (des) governador Pezão mostrando publicamente estas tais fotos. Só assim para não ficarmos com a impressão de que ele está mentindo para encobrir a evidente falência das UPPs e o caos estabelecido na segurança pública do estado do Rio de Janeiro. Simples assim!

A agonia das UPPs: entre o esperado e o previsível

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Faz alguns anos, quando as chamadas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), tive uma conversa com um amigo que mora na cidade do Rio de Janeiro acerca do significado da forma “inovadora” de policiamento que o (des) governador Sérgio Cabral havia inaugurado sob o som da fanfarra da mídia empresarial. Esse amigo me disse que, apesar de todos os problemas conceituais, a população das comunidades onde as UPPs haviam sido instaladas o processo.

Eu, sempre cético do olhar de quem não sente na carne a presença repressiva do Estado, respondi que minha percepção era de que esse apoio não era só superdimensionado pela mídia que apoiava tudo o que Cabral fazia, mas que teria vida curta, já que se estava colocando um “band aid” para cobrir uma pele tomada por tumores cancerígenos. Passaram-se os anos e as UPPs resistiram bravamente, com um “Amarildo” aqui e outra “Regina” ali, mas sem nada que indicasse que o modelo iria entrar em colapso.

Pois bem, do final de 2014 para cá, os sinais evidentes são de que o modelo entrou em colapso e que estamos diante de uma nova explosão de violência, onde as comunidades majoritariamente formada por pessoas negras e pobres estão na linha de fogo entre um aparato policial-militar despreparado e o narcotráfico.

Celebrar esse colapso seria celebrar a morte de crianças e mulheres como ocorreu nos últimos dias no Complexo do Alemão, onde um menino de apenas 10 anos foi morto pela Polícia Militar. Mas cabe perguntar aos “experts” da segurança pública o porquê desse colapso que deverá trazer ainda mais violência, numa espiral em que a atual crise econômica não nos permite antever uma saída que seja realmente duradoura, e ancorada numa convivência democrática que englobe todos os moradores (e não apenas os abastados) de nossas metrópoles. 

A dívida do Rio de Janeiro é quase 3 bilhões, mas sobre isso ninguém por aqui parece quer falar

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Eu não sou nem de perto um apoiador das políticas e práticas do grupo político comandado pelo Sr. Anthony Garotinho. No plano da Prefeitura de Campos, vejo a ação dos Garotinho como, no mínimo, paroquial e atrelada a uma visão de mundo que os torna prisioneiros de interesseiros políticos que ocupam cargos relevantes sem ter muito o que propor. 

Mas o espaço deste blog tem sido pouco usado para criticar Anthony Garotinho e a forma de governar do seu grupo político. É que já existem tantos blogs fazendo isso que eu me arriscaria a ser apenas mais um na multidão se centrasse o que publico na arte de jogar pedra e tudo o que vier na mão contra Garotinho e seu modus operandi. Para isso há gente mais ressentida e magoada que possui uma sede insaciável de sangue. Mas para ser justo, Garotinho também não leva desaforo para casa e sempre parece conseguir revidar com mais pontaria e intensidade nos seus muitos adversários locais. Tampouco é raro ver mudanças incríveis de lado, onde quem odeia hoje é o que ama Garotinho amanhã, e vice-versa.

Nada disso para dizer a verdade me importa, pois considero isso como um resultado inevitável da política paroquial, onde não raro há parentes e contraparentes envolvidos, o que sempre traz uma pitadinha a mais de novo. Algo que deixaria os Borgia roxos de inveja.

Na verdade o que me motiva aqui é notar, mais uma vez, como a crítica furibunda contra Anthony Garotinho não chega nem perto de ser aplicada ao Sr. Luiz Fernando Pezão e seu Sancho Pança, o ex-(des) governador Sérgio Cabral. Por exemplo, fala-se muito da crise financeira que a Prefeitura de Campos está passando ,mas a omissão é quase completa quando se trata do mega rombo de quase R$ 3 bilhões em que foram afundados os cofres estaduais. As evidências são de casos incríveis de, pelo menos, descuido no uso do dinheiro público. Mas aqui na planície dos Goytacazes, essa situação parece nem existir, a despeito dos graves problemas que afetam, por exemplo, a Universidade Estadual do Norte Fluminense que hoje amarga todo  tipo de débitos que colocam em risco o seu funcionamento ao longo de 2015.

Para mim esse tratamento desequilibrado evidencia que precisamos tomar cuidado com certas gritarias sobre corrupção e incompetência, pois para terem um mínimo de credibilidade teríamos que ter exibido um mínimo de equilíbrio no tratamento dos problemas rondando não apenas a Prefeitura de Campos, mas também o Palácio Guanabara. Até lá, eu que não estou do lado de qualquer dessas facções, vou apenas me restringir a apontar esse paradoxo.