O caso Decotelli: um vexame em evolução

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O caso envolvendo o novo ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli, parece ainda não ter chegado ao seu ápice. É que depois de ter tido o seu alegado título de Doutorado pela Universidade Nacional de Rosário desmentido publicamente pelo reitor da instituição argentina, agora o que está sendo questionada é a legitimidade acadêmica da dissertação de mestrado que ele defendeu no programa de Mestrado Profissional da Fundação Getúlio Vargas.

É que segundo o professor Thomas Conti, doutor em Desenvolvimento Econômico pela UNICAMP e professor do Instituto de Ensino Insper, a dissertação intitulada “Banrisul do PROES ao IPO com governança corporativa” possui trechos inteiros extraídos ao de um documento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) do Banrisul (ver imagem abaixo).

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Independente do montante retirado diretamente do documento da CVM para o interior da dissertação de Carlos Alberto Decotelli, o fato se reveste em mais um mico acadêmico, que terá impactos diretos na legitimidade dos futuros atos do novo ministro da Educação. Isto se o orientador da dissertação na FGV,  o Dr. Luís Cesar Gonçalves, não decidir tomar alguma providência para se afastar academicamente do seu ex-orientando.

Como professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense, dediquei uma parte significativa dos meus anos de sala de aula oferecendo uma disciplina chamada “Fundamentos da Metodologia da Pesquisa”, onde um dos itens abordados se referia explicitamente aos problemas legais e acadêmicos decorrentes da prática de plágio. É que o plágio normalmente resulta na retirada do título que o plagiador recebeu ao violar uma das regras básicas da preparação de qualquer documento acadêmico.

No tocante ao plágio, é interessante notar que existem várias modalidades deste tipo de prática que transgride os princípios básicos da boa prática científica, que são: Integral: cópia de um trabalho inteiro, sem citar a fonte;  Parcial: ‘colagem’ resultante da seleção de parágrafos ou frases de um ou diversos autores, sem menção às obras; Conceitual: utilização da essência da obra do autor expressa de forma distinta da original.   Aparentemente o novo ministro da Educação incorreu no tipo de plágio parcial que é inobstante sua parcialidade poderia ser motivo de anulação do seu título de mestre pela FGV, caso alguém de dentro ou de fora da instituição decida solicitar uma apuração formal do caso.

Como se vê, o caso do ministro Carlos Alberto Decotelli parece ainda estar em evolução, com chances concretas do vexame público aumentar significativamente.

 

 

Escândalo na União Européia: especialistas plagiaram documentos da Monsanto para renovar autorização de comercialização e uso do glifosato

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O jornal Diário de Notícias repercutiu hoje uma matéria inicialmente publicada pelo francês Le Monde que revelou que  um relatório encomendado por deputados europeus mais de um ano depois de ter sido renovada a autorização de comercialização na Europa foi praticamente copiado de um dossiê de  produzido pela Monsanto (empresa que comercializa o glifosato) e outras indústrias e que foi entregue às autoridades europeias.

A avaliação do relatório dos “especialistas” contratados pela União Europeia, realizada a pedido de deputados europeus dos Verdes, dos socialistas e do grupo da esquerda unitária, concluiu que 50% do documento oficial foi plagiado e 70% é resultado de cópia.  Segundo o artigo assinado pela jornalista Ana Bela Ferreira, a “análise foi feita pelo especialista em plágio austríaco Stefan Weber e pelo bioquímico Helmut Burstcher, da ONG Global 2000”. A matéria acrescenta ainda que “desde que o documento do BfR foi apresentado que existiam suspeitas que este teria sido escrito pela Task Force Europeia do Glifosato (consórcio de empresas de agrotóxicos)”.

Duas coisas a salientar em relação a esse verdadeiro escândalo. A primeira é que grande parte dos problemas associados à desinformação existente acerca dos malefícios ambientais e à saúde humana causados por agrotóxicos se relacionam à atuação pouco ético de cientistas que se prestam a servir de peões em prol dos interesses das corporações que produzem venenos agrícolas. A segunda é que estas revelações vão tornar ainda mais difícil a situação do Glifosato e, muito provavelmente, implicar em maiores perdas financeiras para a multinacional alemã Bayer que acaba de adquirir a Monsanto.

Enquanto isso no Brasil, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM/MS) está mais preocupada em identificar “maus brasileiros” do que atuar para garantir a sustentabilidade ambiental e social da produção agrícola nacional.

Quem desejar o referido relatório que descobriu o plágio em prol do glifosato, basta clicar [Aqui!]

Especialistas contratados pela UE copiaram relatórios da Monsanto

Autores do relatório de avaliação dos riscos e que deram mais cinco anos de autorização para o uso do glifosato copiaram 70% da informação que estava no relatório feito pela própria produtora do herbicida

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O Roundup é a forma mais popular de comercialização do glifosato © REUTERS/Benoit Tessier/File Photo

Por Ana Bela Ferreira para o Diário de Notícias [1]

O Relatório Europeu de Avalliação dos riscos do glifosato – herbicida suspeito de poder causar cancro (i.e., câncer) – e que permitiu a renovação da autorização por cinco anos de utilização na União Europeia foi quase totalmente copiado de informações prestadas pela própria própria indústria que comercializa o produto.

A conclusão foi esta terça-feira revelada num relatório encomendado por deputados europeus mais de um ano depois de ter sido renovada a autorização de comercialização na Europa e noticiado pelo Le Monde . Um grupo de peritos alemães (do Bundesinstitut für Risikobewertung – BfR) foi mandatado pela União Europeia (UE) para avaliar os riscos do uso do glifosato, mas as 4000 páginas que produziu são afinal resultado de cópia e plágio do dossier de homologação produzido pela Monsanto (empresa que comercializa o glifosato) e outras indústrias e entregue às autoridades europeias.

Uma avaliação a esse relatório, pedido por deputados europeus dos Verdes, dos socialistas e do grupo da esquerda unitária, conclui que 50% do documento oficial foi plagiado e 70% é resultado de cópia. A análise foi feita pelo especialista em plágio austríaco Stefan Weber e pelo bioquímico Helmut Burstcher, da ONG Global 2000. Desde que o documento do BfR foi apresentado que existiam suspeitas que este teria sido escrito pela Task Force Europeia do Glifosato (consórcio de empresas de pesticidas).

Os autores usaram software WCopyfind para comparar os dois relatórios – o da indústria e o do BfR – e descobriram que “o plágio incidiu exclusivamente nos capítulos que tratam da avaliação de estudos publicados sobre riscos para a saúde relacionados com o glifosato”. O plágio é o ato de cópia maligna, o que inclui páginas inteiras, que descrevem o resultado dos estudos e avaliam a sua relevância e confiabilidade.

Entre outras coisas, cada uma das 58 avaliações chamadas Klimisch de estudos publicados no relatório de avaliação do BfR foram copiadas dos pedidos de aprovação e são apresentadas como avaliações das autoridades.

No capítulo sobre os estudos da indústria o método utilizado foi o da cópia e aparece numa percentagem ainda maior (81,4%). Ou seja, reprodução entre aspas. Neste capítulo, até a descrição do BfR sobre a abordagem para avaliar os estudos publicados foi plagiada a partir do relatório do consórcio de indústrias.

Foi este estudo encomendado ao instituto alemão que serviu de base à decisão da autoridade europeia de segurança alimentar (EFSA) e os peritos dos estados-membros decidiram que o glifosato não podia ser associado diretamente ao risco de cancro. Em março de 2015, a Organização Mundial da Saúde classificou como “provavelmente cancerígeno” o glifosato.

Em setembro de 2017, a Global 2000 já tinha revelado que três sub-capítulos do relatório tinham sido largamente copiados. Em novembro desse mesmo ano, a Comissão Europeia aprovava por mais cinco anos a utilização do glifosato.


Artigo publicado originalmente pelo Diário de Notícias [Aqui!]

Docente da UFPA que teve título de doutor cassado por plágio é exonerada de funções administrativas

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No dia 27 de outubro de 2015 repercuti a cassação do título de doutorado de uma docente da Universidade Federal do Pará (UFPA) por motivo de plágio (Aqui!).  O caso era mais peculiar já que a docente era responsável pelo processo de avaliação institucional da instituição, e ainda atuava como avaliadora de cursos de graduação em plano nacional pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep) que é vinculado ao Ministério da Educação (MEC).

Pois bem, quase quatro meses após essa cassação, o Diário do Pará publicou uma matéria comunicando que a referida professora havia sido exonerada de suas funções administrativas (seja isso lá o que for), tendo que retornar aos cofres públicos todos os valores que recebeu, na forma de gratificações e progressões salariais, como recompensa por deter um título que acabou sendo cassado.

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Eu costumo dizer que no meio acadêmico (que está longe de ser composto por anjos), a pessoa vive ou sobrevive pelo que se pode ligar ao seu nome em termos de ações de formação de novos pesquisadores e, mais importante, publicações.  Assim, o “nome” é algo pelo qual se pode ser laureado ou excomungado e enviado para o inferno acadêmico. Nesse caso, a professora em questão deve estar experimentando algumas labaredas fortes.

Se isso for verdade, alguns poderiam dizer que ela está recebendo o que merece, já que quem comete plágio acadêmico conhece bem os riscos envolvidos, especialmente quando já se chegou ao nível de doutoramento. 

Apesar disto ser verdade, existem evidências suficientes de que os plágios de dissertações e teses se tornou uma epidemia mundial. O que parece variar é o tempo que se leva para apurar e punir, especialmente se quem plagiou estiver em postos altos de comando como foi o caso da ministra da Educação da Alemanha, Annette Schavan, que teve seu título de doutora na Universidade de Dusseldorf cassado em 2013 e acabou tendo que renunciar ao cargo (Aqui!). Mas, no caso em tela, o incrível é que se passou mais de uma década para que se chegasse ao veredito de que a docente da UFPA cometido plágio!

Por outro lado, dizer que o plágio se tornou epidêmico sem explicar as causas, torna-se insuficiente.  No caso brasileiro, além dos elementos prosaicos que envolvem retornos financeiros para os títulos de pós-graduação, penso que a lógica produtivista que tem guiado a consolidação do nosso sistema nacional de pós-graduação é uma das causas principais não apenas para a proliferação do plágio, mas como da lerdeza existente em identificar e punir os transgressores.

É que presos a uma lógica de que quantidade é que importa, docentes e dirigentes institucionais acabam permitindo toda sorte de frouxidão na condução da formação dos futuros mestres e doutores, e que não raramente deságua na aprovação de documentos claramente desqualificados.  A lógica dominante é que quase ninguém lê as dissertações e teses, mas os artigos, capítulos de livros ou livros que as mesmas geram.

Essa lógica perversa que permite a proliferação do plágio também facilita a proliferação exponencial das chamadas “editoras predatórias” que se especializam em publicar “trash science“, muitas vezes financiadas com dinheiro público.  É que neste mundo imperfeito que se gera a partir da quantidade sobre qualidade, também se sabe que a imensa maioria desse lixo científico tampouco será lido ou, se lido, levado à sério.

De minha parte, venho insistindo que o atual contexto de valoração da quantidade sobre a qualidade precisa ser urgente e radicalmente transformado.  Do contrário, continuaremos produzindo uma ciência que é tão cara quanto inútil para as necessidades estratégicas do Brasil. Lamentavelmente, poucos quadros qualificados têm se mostrado dispostos a falar abertamente desse problema. E se isso continuar assim, não tenho dúvidas que outros casos de plágio vão surgir. Resta saber se vão ser apurados e punidos e numa velocidade mais célere. E tome “trash science“!

Trash science e suas múltiplas manifestações: plágio leva a cassação de título de doutorado na UFMG

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Em 07 de junho deste ano publiquei aqui o caso da cassação de um título de mestre na Universidade Federal de Viçosa que teve uma ampla repercussão (Aqui!). Naquela postagem notei que poderíamos estar apenas diante da ponta de um grande iceberg.  Não é que hoje (27/10), a Universidade Federal de Minas Gerais comunicou a decisão do seu Conselho Universitário de cassar de um título de doutor em Estudos Literários (ver nota abaixo) também pela prática de plágio!

No presente caso, o que mais me chamou a atenção é de que a tese em questão foi defendida no já longínquo ano de 2004, tendo o plágio sido identificado em 2010. Em outras palavras, a cassação do título levou em torno de cinco anos para ser concretizada, o que revela uma morosidade inaceitável na apuração desse caso.

Além disso, além da profissional que teve o título cassado ser docente da Universidade Federal do Pará (Ufpa), ela, segundo o currículo que ela mantém na Base Lattes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNpq), ocupa os postos de presidente da Comissão Própria de Avaliação (CPA) e Diretora de Avaliação Institucional (Aqui!).

Ainda que o fenômeno do uso do plágio para obtenção de títulos acadêmicos não esteja restrito ao Brasil (visto que até uma ministra do gabinete de Angela Merkel, justamente a da Educação, perdeu seu diploma em 2013 por acusação de ter plagiado sua tese de doutorado (Aqui!)), o problema por aqui é particularmente grave em face do estágio ainda relativamente recente do nosso sistema nacional de pós-graduação. 

Agora o que se espera é que as universidades brasileiras estabeleçam mecanismos voltados para garantir a lisura no processo de obtenção de títulos acadêmicos, e também formas e rituais mais ágeis para identificar e punir os eventuais casos de transgressão da ética acadêmica. Do contrário, corremos o risco de sermos inundados por “trash science” e condenados a nunca sermos um país detentor de um robusto sistema científico e tecnológico.

UFMG comprova plágio e cassa título de doutora de ex-estudante da Faculdade de Letras

O Conselho Universitário da UFMG determinou a nulidade da defesa de tese de doutorado de Scarlet Yone O´Hara e a cassação do seu título de doutora em Estudos Literários pela Faculdade de Letras, obtido em 2004. A decisão foi tomada na reunião do dia 13 de outubro, e o ofício de notificação, enviado na última semana à ex-aluna.

A decisão é resultado de processo disciplinar instaurado contra Scarlet Yone, por prática de plágio, com base em denúncia feita pela autora do trabalho plagiado. A investigação, aberta em setembro de 2010, foi conduzida por comissão de sindicância formada por professores da Faculdade de Letras. Antes de chegar ao Conselho Universitário, o caso foi analisado pela Congregação e pela Câmara de Pós-graduação da Faculdade de Letras e pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe).

“A materialidade é indiscutível. Após ampla e exauriente instrução, restou provado neste processo, de forma inconteste, a existência do plágio de que foi acusada Scarlet Yone O´Hara”, conclui o parecer da Comissão de Legislação que embasou a decisão do Conselho Universitário.

No documento, a Comissão acrescenta que a própria autora da tese “não apresentou nenhuma justificativa excludente do ilícito de propriedade autoral por ela praticado. Pelo contrário, confessa expressamente a cópia realizada sem a citação da fonte”.

No parecer, também é citado trecho da análise feita pela comissão de sindicância que concluiu pela existência de plágio, uma vez que o texto da tese inclui “várias passagens integralmente copiadas ou ligeiramente modificadas”, sem citação de fonte.

Tramitação
A comissão de sindicância da Faculdade de Letras concluiu sua investigação em maio de 2011, quando a Reitoria recomendou que a matéria fosse encaminhada à apreciação da Congregação da Faculdade de Letras. Em agosto de 2014, a Congregação deliberou pela cassação do grau de doutora conferido a Scarlet Yone O´Hara, decisão ratificada pela Câmara de Pós-graduação.
Por fim, em reunião realizada em abril deste ano, o Cepe confirmou a decisão de cassar o título de doutora e de anular sua defesa de tese.

De acordo com o parecer da Comissão de Legislação do Conselho Universitário, a medida se sustenta em “farto material probatório, está revestida de legitimidade e confere segurança à comunidade acadêmica para ratificar o veredito, pois, além de combater a fraude acadêmica, cumpre-se pedagógica no sentido de dar amplo conhecimento de que a improbidade intelectual é inadmissível no ambiente universitário e deve ser severamente repudiada”.

FONTE: https://www.ufmg.br/online/arquivos/040650.shtml

Ética na pesquisa e seus 7 pecados capitais

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Em agosto de 2015, a jornalista Giuliana Miranda escreveu um artigo para a Folha de São Paulo onde foi abordado o fato de que os problemas éticos afetando o comportamento de pesquisadores não estão restritos ao Brasil (Aqui!).  Até ai não há grande novidade, pois os problemas gerados pelo paradigma do “publicar ou perecer” já produziram situações vexaminosas para pesquisadores vinculados a algumas das tradicionais instituições acadêmicas do planeta.

Mas  a matéria de Giuliana Miranda foi bastante enriquecida pela adição de um infográfico que mostrou quais seriam, digamos, os 7 pecados capitais que hoje assombram a comunidade científica e cujos efeitos não se resumem apenas ao mundo das revistas de acesso aberto, sejam elas produtoras conscientes de “trash science” ou não.

Abaixo coloco os “7 pecados” da ciência e as principais características de cada um deles:

Plágiopecado 1

Clube da coautoria pecado 3

Roubo de ideiapecado 4

Criatividade pecado 5

Máfia da citação pecado 6

Autoplágio pecado 7

Produção Salamepecado 2

O mais pernicioso da manifestação destes “pecados” é que raramente os mesmos vem acompanhados, já que o pesquisador que se habilita a realizar um deles vai acabar tentado a realizar os demais, já que atualmente a definição de mérito, e consequentemente premiação, está diretamente atrelada ao número de artigos publicados e não á efetiva contribuição ao avanço do conhecimento científico um determinado indivíduo está prestando com suas pesquisas.

Plágio acadêmico e o surgimento dos antídotos, pagos, é claro

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Em meio ao avanço dos casos de plágios dos mais variados que estão sendo cometidos em diferentes níveis de formação acadêmica no Brasil, um colega que é também professor na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) me chamou a atenção para a existência de um software que pode ser usado online, o qual possui diferentes serviços que ajudam na detecção, mas também nas formas de se cometer plágio de forma não intencional. A ferramenta no caso é a Turnitin (Aqui!).  

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Visitando a página do Turnitin cheguei a uma matéria produzida pela Ciência Hoje já em 2012, onde as diversas facetas do uso deste software são abordadas (Aqui!).O que mais me chamou atenção na matéria, e esse é um aspecto que me colega da Uenf também me apontou pessoalmente, é que a questão do plágio não decorre necessariamente apenas da decisão individual de alguém de violar as regras acadêmicas, mas também por falta de conhecimento de como proceder em termos de reconhecer de forma própria a autoria intelectual de um dado documento científico.

Como um das características dos tempos que vivemos é da “fastfoodização” de todas as esferas de vida, e que na ciência se manifesta também na forma do “trash science“, o que deveria estar sendo tratado nas universidades brasileiras, e aparentemente isto está acontecendo em um número ainda reduzido, é de como a pressão por resultados rápidos (e não necessariamente qualificados e devidamente reconhecidos) contribui para a disseminação de casos de plágio, como venho abordando aqui no blog.

De toda forma, como existem ferramenta como o Turnitin para serem utilizadas para prevenir a disseminação e naturalização do plágio, este desvio de conduta não pode ser mais ignorado sob a alegação que inexistem as formas para identificar, corrigir ou, ainda, punir quem for flagrado usando o trabalho alheio para se autobeneficiar. 

Jeffrey Beall disseca o “article spinning”, uma técnica de plágio para o Século XXI

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Artigo Spinning: Um técnica de plágio para o Século 21

Por Jeffrey Beall

Esteja preparado para o “Article spinning!

Article spinning é uma técnica cada vez mais popular para a criação de artigos acadêmicos plagiados que os software de detecção de plágios nem sempre conseguem detectar. O “article spinning” envolve o uso de um software para copiar e reformular um acadêmico publicado para criar um novo artigo. A partir dessa técnica, termos e frases no artigo original são substituídas por sinônimos. Aqui está um exemplo.

O primeiro dos dois artigos abaixo é o original. O segundo duplica grande parte do conteúdo usando a técnica de “article spinning”, substituindo palavras e frases com palavras e frases sinônimos.

Zai, M. A. K. Y., Ansari, M. K., Quamar, J., Husain, M. A., & Iqbal, J. (2010). Stratospheric ozone in the perspectives of exploratory data analysis for Pakistan atmospheric regions. Journal of Basic and Applied Sciences, 6(1), 45-49.

Mian, K., Abbas, S. Z., Kazimi, M. R., Rasheed, F. U., Raza, A., & Iqbal, S. M. Z. (2015). Study heftiness in the astrophysical turbulence at Pakistan air space. European Academic Research, 2(12), 15697-15709.

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Exemplo de texto do artigo original

b) Para os dados normais, a média da amostra e a variância são os avaliadores imparciais sobre localização da distribuição subjacente. A maioria dos conjuntos de dados físicos não são distribuídos normalmente, mesmo depois de transformação, porque o pressuposto subjacente de uma distribuição normal é uma idealização matemática que nunca é cumprida exatamente na prática, porque grandes conjuntos de dados inevitavelmente contém valores atípicos.

Exemplo de texto do artigo que resultou do “spinning”

(c) Para os dados de Gauss, o exemplo desagradável e alteração são os avaliadores imparciais sobre a localização da distribuição de Gauss. Maiores círculos de informação corporais não são distribuídos de forma suave após alteração, uma vez que a suposição de uma distribuição de Gauss é um romantismo exato que não é sempre que encontrado precisamente na repetição desde grandes grupos de dados inevitavelmente cobrem valores atípicos [10].

Notem como os termos “média da amostra” foi convertida em “exemplo desagradável” e a frase “idealização matemática” foi alterado para “um romantismo exato”, e alteram o sentido em ambos os casos. Existem inúmeros outros casos de parágrafos do artigo sofreram spining e ; de fato; afigura-se que a maior parte do artigo que resultou do spinning é banal e  copiado.

Fui informado, mas não posso  confirmar que o segundo autor listado do artigo que passou pelo spinning, S. Zeeshan Abbas, obteve seu título de doutor na Universidade de Karachi, em grande parte por causa da publicação do artigo copiado no European Academic Research

European Academic Research: Euro-lixo.

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A European Academic Research, onde o artigo resultou do “spinning”  foi publicado, é uma revista de qualidade extremamente baixa, e está incluída na minha lista de revistas questionáveis. O seu co-editor-chefe é Ecaterina Patrascu, uma romena que eu relatei no ano passado quando ela e seus companheiros lançaram a ridícula revista “American Research Toughts“.

Acredito que a European Academic Research é apenas mais um dos modos de Patrascu de fazer dinheiro, e deste artigo lixo na revista é prova disso. Notem que European Academic Research, incluindo o artigo que passou por spinning e que foi descrito aqui, está indexada no Google Scholar, o maior índice mundial de indexação de lixo científico.

Além disso, o título do artigo que passou pelo “spinning”, “Estudo da importância da turbulência astrofísica no espaço aéreo do Paquistão” – é um completo disparate.

Outra complicação: o “The Journal of Basic and Applied Sciences”, onde o artigo original apareceu, é publicado por uma empresa chamada Lifescience Global, uma editora também incluída na minha lista de editoras e revistas predatórias. Na página “números anteriores” da revista, a maioria dos links para volumes e questões anteriores não funcionam adequadamente, e conduzem apenas a anúncios de publicidade, o que significa  que o  conteúdo anterior da revista está perdido, e muitos que pagaram para publicar ali foram roubados.  Aliás, acessei o artigo 2.010 discutido aqui através de uma cópia arquivada no portal “Research Gate“.

O spinning de artigos é usado principalmente como um instrumento de desonesto de Search Engine Optimization (SEO). Existem pacotes de software e sites que fazem o spinning gratuito  de artigos.  O seu uso como descrito aqui é uma readaquação da técnica e oferece aos pesquisadores uma forma de obter publicações acadêmicas sem ter que fazer qualquer tipo de trabalho real. 

FONTE: http://scholarlyoa.com/2015/09/22/article-spinning-a-plagiarism-technique-for-the-21st-century/#more-5968

À guisa de clarificação segue uma definição de “article spininning”: Article spinning consiste em escrever o mesmo artigo, com uma combinação de frases e/ou palavras diferentes, mas mantendo o mesmo sentido, de forma que cada um dos artigos seja conteúdo original (ou substancialmente original). 

Plágio em monografias, dissertações e teses: a face emergente do “trash science” no Brasil

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No dia 07 de junho de 2015 postei aqui no blog uma postagem que atraiu grande atenção ao abordar a cassação de um título de mestre na Universidade Federal de Viçosa por graves violações contra a ética acadêmica por parte de seu autor (Aqui!). 

Pois bem, pouco mais de 90 dias depois a caixa de correio eletrônico do blog está sendo alimentada com diferentes casos de supostos plágios que estariam sendo flagrados em diferentes instituições federais de ensino superior, em algo que parece estar se constituindo numa verdadeira epidemia do “trash science”.

Confesso que, apesar de estar acompanhando o fenômeno do que eu chamo de “trash science”, o número de casos de plágio de monografias de conclusão de curso de graduação, dissertações de mestrado e teses de doutoramento chega a me espantar. Ainda que eu estivesse ciente do papel nefasto que a internet cumpriu na disseminação da prática do plágio, o número crescente de casos de pessoas flagradas praticando plágios em níveis variados é realmente de espantar.

Uma das explicações para essa situação foi a dinâmica produtivista que se apossou de muitos professores/pesquisadores que, sob pressão de publicar, deixarem de cumprir alguns requisitos básicos no processo de acompanhamento de seus orientandos, o que facilitou a difusão das práticas antiéticas que comprometem a lisura do processo de produção científica.

Mas essa pode ser apenas uma explicação parcial, já que existem outros ingredientes importantes como é o processo de distribuição de fomento científico, seja na forma de projetos ou bolsas de produtividade. Além disso, o fato de que a produção de artigos acabou se tornando um elemento primário para valorização salarial, ficamos defrontados com a disseminação de práticas e costumes que podem até assegurar a melhoria salarial, mas que acabam bastardizando a produção científica.

De toda forma, se as evidências que estão surgindo em torno da multiplicação dos casos de plágio se confirmarem, o problema será como adotar práticas que controlem e revertam a predominância do trash science como fonte de obtenção de mérito. E baseado na minha parca experiência, conseguir isso não será tarefa nada fácil. Até porque mesmo o reconhecimento de que o problema existe está limitado, e a maioria prefere fingir que está tudo bem no Quartel de Abrantes.  

UnB cassa diploma de doutora por plágio

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A professora Ana Zuleide é servidora da Universidade Federal de Roraima e perdeu título e gratificação. Cópia teria sido feita de trabalho da UFRJ

MANOELA ALCÂNTARA

Vergonha para o mundo acadêmico, o plágio chegou às teses de cursos de pós-graduação em instituições conceituadas como a Universidade de Brasília (UnB). O assunto é tratado com cautela para evitar escândalos e macular o círculo fechado frequentado por doutores e mestres. Mas o silêncio começa a ser rompido pelas denúncias dos autores que tiveram seus trabalhos copiados. Este ano, a UnB cassou o diploma de doutora de uma ex-aluna e analisa mais dois casos de suspeita de clonagem em dissertações de mestrado.

O diploma cassado foi o de Ana Zuleide Barroso da Silva, professora da Universidade Federal de Roraima (UFRR). Segundo consta nos processos referentes ao caso, ela teria copiado trechos de um trabalho da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para defender a própria tese com o título: “Construção da Governança nos Espaços Protegidos Fronteiriços Brasil – Venezuela”. A professora recorreu da anulação do título de doutora no Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF-1), mas perdeu.

Em setembro de 2011, a professora Ana Zuleide chegou a receber publicamente os parabéns do então reitor da UFRR, Roberto Ramos, junto com outros dois professores. Eles foram homenageados por fazerem as primeiras defesas públicas de teses de doutorado do Estado de Roraima. Ana Zuleide defendeu a tese no Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais naquele ano, mas somente em 2013 a instituição de ensino superior brasiliense constatou a fraude.

A denúncia partiu de integrantes da UFRJ. A Câmara de Pesquisa e Pós-Graduação da UnB abriu um procedimento administrativo para apurar o caso e concluiu pelo plágio. A professora de Roraima pediu na Justiça que permanecesse com o diploma até o julgamento final da demanda. A principal alegação foi o cerceamento ao direito de defesa.

No entanto, a UnB alegou ter seguido todos os procedimentos legais e o juiz federal substituto Bruno Anderson Santos negou provimento à docente: “O agravante teve acesso aos autos do processo administrativo com amplo conhecimento dos fatos investigados, produziu as provas pertinentes e ofereceu defesa escrita….o que afasta qualquer alegação relativa à ofensa ao devido processo legal e à ampla defesa.”

 Sem gratificação

Mesmo diante da decisão da Justiça, Ana Zuleide continuou a receber a gratificação por titulação de doutor e a ocupar o cargo de Diretora do Centro de Ciências Administrativas e Jurídicas da Universidade Federal de Roraima.

Em 5 de março deste ano foi exonerada. Em 7 de maio, foi publicado acórdão dos ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) determinando que a UFRR suspendesse cautelarmente os pagamentos da professora relativos à titulação de doutorado e de quaisquer rubricas decorrentes do título.

A professora é servidora pública federal efetiva da UFRR e recebeu gratificação pelo título. No Portal da Transparência da Controladoria-Geral da União, o salário bruto da servidora até março deste ano era de R$ 13.912,17. Depois da decisão do TCU, a remuneração básica bruta passou a ser R$ 7.336,14.

Em nota publicada no site da UFRR sobre o caso, a reitoria reconhece a “dedicação ao trabalho e a eficiência como gestora da professora Ana Zuleide”. No entanto, ressalta que “infelizmente, esses méritos não permitem o descumprimento de uma decisão do TCU”. Afirma que o diploma foi cassado pela UnB e a UFRR não pode julgar o mérito da cassação.

“A professora não praticou nenhum ilícito no exercício da gestão como diretora. O problema é de outra índole, a UFRR não tem nada a investigar num PAD (Processo Administrativo Disciplinar). Trata-se de mero cumprimento de decisão de instância legalmente instituída. Os acórdãos do TCU são títulos executivos cujo cumprimento é irrecorrível para quem não tenha competência para fazê-lo, como no caso específico a Reitoria não tem”, diz o comunicado.

Providências

Preocupada com os prejuízos que o plágio de dissertações e teses pode trazer à instituição, a Universidade de Brasília adotou medidas mais rigorosas para descobrir e combater a clonagem. No momento, mais dois casos estão em investigação. Se as denúncias forem comprovadas, dois mestres vão perder seus títulos. Os processos correm em segredo de Justiça e até que sejam apurados não podem ser divulgados. De acordo com o decano de Pesquisa e Pós-graduação da UnB, Jaime Martins de Santana, a universidade é cautelosa, porém criteriosa em qualquer caso de plágio.

Brasília (DF) 01/09/2015 - Na foto, o decano de pesquisa e pós-graduação da UnB, Jaime Martins de Santana no predio da Reitoria da UnB - Foto, Michael Melo

Brasília (DF) 01/09/2015 – Na foto, o decano de pesquisa e pós-graduação da UnB, Jaime Martins de Santana no prédio da Reitoria da UnB – Foto, Michael Melo

“Temos que educar, mas também coibir irregularidades. Não vamos admitir plágios.” Jaime Martins de Santana

Outra medida: será criado na biblioteca um sistema para informar à comunidade científica sobre como proceder para identificar corretamente a literatura. “Se a pessoa faz a devida citação, não é plágio. Vamos informar o que pode e o que não pode. A intenção é informar, educar”, completa o decano.

Além disso, um aplicativo fará o rastreamento para identificar possíveis cópias. “Com o software, poderemos fazer as comparações com teses de outros países, até da Rússia, por exemplo. O sistema vai pegar 90% das fraudes”, afirma.

Praga mundial
Para o decano, o plágio virou uma praga mundial. “O orientador é um especialista na área de atuação. Mesmo que ele leia muito não vai decorar detalhes, citações”, analisa. O professor Célio Cunha, do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Católica de Brasília (UCB), concorda. “Se um aluno decide, por exemplo, copiar um trabalho em um centro pouco conhecido da Ásia e traduzir, é muito difícil pegar”, afirma. No entanto, a ressalva do especialista é para que a análise comece desde a aprovação para o programa de pós-graduação.

De acordo com a Portaria 174, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Ministério da Educação, cada orientador fica condicionado a acompanhar, no máximo, oito alunos. Mas esse número é ultrapassado em algumas universidades. Célio da Cunha acredita que a pressão para se formar cada dia mais doutores vai aumentar os casos de plágio nos próximos anos.

Não é fácil fazer um doutorado. É difícil ser original. O que as pessoas precisam ter em mente é que devem ser honestas, fazer as citações.”
Célio Cunha, professor

Segundo Cunha, os meios de burlar as regras são inúmeros. Por isso, cabe também aos orientadores ficarem atentos aos assuntos estudados. “Existem professores que conferem todas as citações de uma dissertação, de uma tese, mas é impossível fazer isso com todos os trabalhos”, completa.

A reportagem do Metrópoles tentou contato com a professora que teve a tese clonada, na UFRJ, e com a professora Ana Zuleide, mas não obteve sucesso. O advogado de Ana Zuleide nos processos, Bernardino Dias, também não atendeu as ligações para o celular e para o escritório dele.

Outros casos de plágio
Onze estudantes da especialização em Relações Internacionais da UnB perderam todo o dinheiro investido no curso, em 2001, por plágio em trabalhos de uma disciplina. Os alunos entraram com recursos na Justiça, mas perderam em todas as instâncias.

  • Por conta de uma denúncia de plágio feita por uma professora da Bahia, um estudante teve de voltar à Universidade de Brasília (UnB), em dezembro de 2005, para reapresentar uma dissertação de mestrado defendida em 2001. A comissão responsável por avaliar o caso optou pela reorganização do estudo.
  • Em 2008, a Universidade Federal Fluminense (UFF) cassou o diploma de um doutor que defendeu a tese pelo Programa de Pós-Graduação em História. Ele havia apresentado o trabalho em 2003, mas cinco anos depois um amigo do autor plagiado percebeu a fraude. Na ocasião, identificou-se a cópia de 120 páginas da tese, além de tabelas e gráficos.
  • Em 2011, a reitoria da Universidade de São Paulo (USP) demitiu um professor com mais de 15 anos de atuação por entender que o docente havia liderado pesquisas com trechos plagiados de outros pesquisadores. O caso também levou à cassação do título de doutora de outra professora.
  • Em fevereiro de 2011, o promotor de Justiça Paulo José Leite Farias, do Ministério Público do DF, admitiu ter usado trechos de um documento defendido por uma aluna da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) em um concurso de dissertações. Ele devolveu o prêmio de R$ 1,5 mil que havia ganhado.
  • Em 2013, a ministra da Educação da Alemanha, Annette Schavan, renunciou ao cargo após ter perdido o título de doutora pela Universidade Heinrich Heine, de Dusseldorf, sob a acusação de plágio. A instituição cancelou o título após uma investigação interna que comprovou a cópia.

FONTE: http://www.metropoles.com/distrito-federal/educacao-df/unb-cassa-diploma-de-doutora-por-plagio

UFRGS disponibiliza ferramentas para detectar plágio em trabalhos acadêmicos

plagio-academico

Um dos aspectos mais comentados em relação às repercussões da postagem que fiz aqui neste blog sobre a cassação de um título de mestre e da retratação de um artigo científico é a preocupação com a disseminação das práticas que levaram a este desfecho tão lamentável.

O fato é que graças à internet e a disseminação da “Lei de Gerson” nos diferentes aspectos que compõe a produção de documentos acadêmicos não apenas no Brasil, mas no mundo, uma série de ferramentas estão sendo desenvolvidas para detectar as práticas variadas de plágio.  E muitas instituições, como mostra o material abaixo, estão tentando se prevenir contra os mais variados tipos de fraude que estão sendo cometidas nos vários níveis de formação. No caso específico, o núcleo da Universidade Aberta do Brasil (UAB) reuniu e disponibilizou uma série de endereços onde se pode verificar o grau de comprometimento frente ao plágio que determinados documentos podem possuir. 

Mas é preciso que se diga que não há programa mais eficiente do que o orientador, pois se esse fizer seu trabalho com o devido cuidado, o plágio nem ocorrerá já que, em minha opinião, uma das causas fundamentais do problema é justamente a permissividade que está instalada nas relações entre orientandos e orientadores. E ressalto que não se trata apenas de problemas pessoais, mas de toda uma lógica produtivista que degrada aspectos da formação acadêmica a níveis completamente surreais. E  o pior é que retomar o caminho da qualidade não será fácil, pois, como já tentei demonstrar aqui nesse blog, o problema está ocorrendo desde os pontos mais altos até os níveis mais iniciais da comunidade científica brasileira e, sim, mundial.

Mas existem caminhos para reverter o problema. Resta saber se os que dirigem a ciência nacional estão dispostos a fazer um “mea culpa“.

 

Os seguintes links de ferramentas servem para detecção de plágio, tendo utilidade principalmente para as equipes de produção de material didático e professores/tutores.

 

Plágio de textos: Serviços online

* Turnitin – http://turnitin.com/pt_br

* Plagiarism.org. – http://www.plagiarism.or

* Glatt Self-Detection Test – http://www.plagiarism.com/self.detect.ht

* iThenticate – www.ithenticate.com

* Approbo – http://approbo.citilab.eu/

 

Plágio de textos: Software

* ephorus – www.ephorus.pt

* Safe Assign – www.mydropbox.com/

* JPlag – www.jplag.de

* Essay Verification Engine – www.canexus.com/eve

* WCopyfind – www.plagiarism.phys.virginia.edu/Wsoftware.htm

* DOC Cop – www.doccop.co

* Etblast – http://etest.vbi.vt.edu/etblast3

* Ferret – http://homepages.feis.herts.ac.uk/~pdgroup

* Farejador de plágio – www.farejadordeplagio.com.b

FONTE: http://www.ufrgs.br/uab/ferramentas-para-detectar-plagio-em-trabalhos-academicos