Rio de Janeiro : (Des) governo do PMDB é a vanguarda do atraso

Muito tem sido dito sobre o pacote de maldades que o presidente interino Michel Temer estaria preparando para soltar após a aprovação final do processo de impeachment de Dilma Rousseff.  Os partidos alinhados à presidente Dilma anunciam um mundo draconiano com cortes profundos em direitos sociais e a privatização de grandes partes do aparato estatal federal.  Entretanto, premido pelos seguidos escândalos e a queda em sucessão de ministros, Michel Temer apenas vem ensaiando.

Mas esse viés de política ultraneoliberal que se ensaia no plano federal vai indo de vento em popa no Rio de Janeiro. As medidas anunciadas no dia de hoje pelo (des) governador em exercício, Francisco Dornelles, mostram que no tocante à privatização do Estado, o Rio de Janeiro está de forma inequívoca na vanguarda do atraso (Aqui!). 

O corte profundo em programas sociais é combinado com o sucateamento de serviços essenciais como educação, segurança e saúde. E no horizonte estão vindo as famigeradas privatizações que têm na Companhia Estadual de Água e Esgotos (Cedae) a jóia da coroa a ser entregue para as corporações privadas.

Enquanto escolas, hospitais e universidades são colocados em condição comatosa, o dinheiro segue jorrando fácil para empresas privadas nacionais e multinacionais.  Essa lógica de canalizar o dinheiro recolhido em impostos para turbinar as taxas de lucros das empresas privadas está no coração das reformas neoliberais, as quais, pasmemos todos, acabam de ser consideradas contraproducentes pelo próprio Fundo Monetário Internacional (FMI) e responsáveis pelo aumento da desigualdade social nos países onde foram executadas (Aqui!).

Há horas em que pergunto sobre o que será que esperam os agentes neoliberais do (des) governo do Rio de Janeiro com suas receitas ultraneoliberais? Certamente não é a solução da crise de caixa que se traduz na incapacidade de pagar os salários dos servidores públicos ou nas cenas diárias de terror nos hospitais estaduais. Se resolver a crise fosse a preocupação, as medidas adotadas iriam na suspensão imediata das escandalosas isenções fiscais que só em 2015 custaram mais de R$ 36 bilhões aos cofres fluminenses.  A questão é que os secretários de salários de marajás que comandam pastas estratégicas pouco se importam com o destino da maioria da população pobre do Rio de Janeiro.

Agora uma coisa é certa. Ao cortar programas sociais que servem como colchões para minimizar a miséria, o que os ultraneoliberais do (des) governo do Rio de Janeiro podem estar semeando é um grave conflito social às vésperas dos Jogos Olímpicos. Será que é esse o tipo de vitrine que o PMDB quer mostrar ao mundo? Pelo jeito, parece que sim. 

O inaceitável cerco da PM à ocupação da sede da SEEDUC/NF

Às vésperas de completar o seu décimo dia, a ocupação da sede regional no Norte Fluminense da Secretaria Estadual de Educação (SEEDUC) por professores ligados ao SEPE e estudantes que se mobilizaram em solidariedade aos seus mestres, um forte contingente da Polícia Militar continuando cercando a área.

De uma forma bem didática, este cerco da PM expressa bem o que o (des) governo Pezão/Dornelles representa para o ensino público do Rio de Janeiro: um misto de completa omissão com repressão. 

Por outro lado, todo cidadão preocupado com o futuro do Rio de Janeiro, e em especial do Norte Fluminense, deveria se perguntar sobre como é possível que enquanto nossas escolas e universidades estão sendo levadas à uma condição de completa destruição, este mesmo (des) governo se dispõe a manter uma indecorosa política de isenções fiscais que beneficia apenas interesses privados, seja de indivíduos ou de grandes empresas inclusive multinacionais.

Não há argumento que resista a um mínimo de análise dessa situação totalmente desigual no trato da coisa pública que hoje ameaça engolfar o Rio de Janeiro na maior crise social de sua história. 

Felizmente, e mesmo em meio a esta desgraça toda sempre há coisas positivas surgindo, o vídeo abaixo mostra a disposição de estudantes e professores de resistir ao cerco da PM em prol de nossos interesses coletivos.  Com esse tipo de postura firme é possível que saíamos do buraco em que o PMDB e seus aliados enfiaram o Rio de Janeiro.

As gravações reveladoras de Romero Jucá e o cinismo do impeachment

A eclosão de gravações envolvendo o ministro do Planejamento, Romero Jucá (PMDB/R (Aqui!) escancara de vez o fato de que o impeachment/golpe parlamentar de Dilma Rosseff representou um esforço escancarado para parar o combate à corrupção no Brasil.

Agora eu quero ver aquelas multidões vestindo, ironia das ironias, a camisa da CBF de volta nas ruas para exigir o impeachment do presidente interino Michel Temer. É que não há outra coisa a ser feita por quem dizia estar querendo ver o Brasil passado a limpo. Caso contrário o que teremos sacramentado o fato de que a corrupção só não é tolerada quando praticada pelo PT, o estranho no ninho das elites brasileiras.

Em relação ao PT, o que fica evidente é que a resposta tímida ao golpe pode ser decorrência dos mesmos interesses que foram escancarados pela divulgação das gravações de Romero Jucá. É que se o golpe tiver sucesso no controle das ações rotuladas de “Lava Jato”.  Resta agora ver como a direção do PT vai responder à afirmação de que o impeachment poderia ser a única via para salvar todos, inclusive Lula e Aécio.

Quanto a Jucá, o mais provável é que ele se torne um dos ministros mais breves da história da república, e que volte ainda hoje para o Senado preparar a sua defesa contra um inevitável pedido de cassação de seu mandato. É que, por comparação, as gravações envolvendo o ex-senador Delcídio Amaral e que motivaram a cassação relâmpago de seu mandato são brincadeira de criança. 

E, sim, como Romero Jucá disse ter conversado com vários ministros do STF sobre o impeachment de Dilma Rousseff como ferramenta para brecar a Lava Jato,  vamos ver o que dizem os digníssimos ministros daquele egrégio tribunal. O mínimo o que eu espero é que tenhamos declarações tão ou até mais ultrajadas do que aquelas proferidas quando uma gravação envolvendo o ex-presidente Lula mostrou uma fala dele dizendo que o STF estava de cócoras (ou coisa do gênero).

A crise seletiva do (des) governo do RJ: R$ 120 milhões para propaganda oficial!

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Vem do blog “Transparência RJ” mais uma prova cabal de que a alegada crise financeira por que estaria passando o estado do Rio de Janeiro é, digamos, altamente seletiva. É que na segunda postagem deste blog recém-lançado é apresentado o curioso caso da licitação mais recente para propagandear os supostos feitos do (des) governo do Rio de Janeiro (Aqui!).

E como mostram as imagens abaixo, o valor alocado para a propaganda é generosíssimo: R$ 120 milhões, e com apenas cinco agências agraciadas, cada uma delas com o generoso valor de R$ 20 milhões.

Apenas para termos de comparação, o valor separado para a propaganda representa um porção significativa do orçamento de 2016 da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf)! E não custa nada lembrar que, ao contrário, das agências de publicidade aquinhoadas com essas polpudas verbas públicas, a Uenf continua sem ver a cor do dinheiro em 2016, e acumulando dívidas que, ironicamente, chegam cada vez mais perto do que cada uma das agências aquinhoadas deverá receber.

Em outras palavras, a opção não é definitivamente por investimentos em instituições que contribuam para o desenvolvimento econômico fluminense, mas sim pela geração de versões fantasiosas que encubram a realidade.

Agora, o que eu espero é que ninguém caia na conversa de que “os cofres foram raspados” para pagar a folha dos servidores estaduais. Esses cofres estão sendo raspados á quase uma década por todo tipo de uso que não traz qualquer ganho público. 

E de posse das informações que o “Transparência RJ” se torna possível questionar publicamente a seletividade desta crise que tenta jogar nos nossos olhos para fazer com que a caravana continue passando e,  por que não, turbinada com muito dinheiro público.

 

Mário Magalhães detona o golpe: Mais um golpe vagabundíssimo

 

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Com ressalvas insignificantes em relação conteúdo abaixo, penso que o jornalista Mário Magalhães matou a bola no peito e mandou para dentro do gol.  O artigo que ele acaba de postar talvez entre para um tipo de galeria de artigos notáveis dada a capacidade que ele teve de desvelar a natureza mais reacionária do golpe de estado que estamos vendo neste momento.

A única coisa que eu tenho a observar é que, como já tenho dito várias vezes nos últimos meses aqui mesmo neste blog, os golpistas estão esquecendo de combinar o jogo com os russos, neste caso a maioria pobre da população brasileira. E, por isto, é bem provável que venham colher ventos e tempestades muito além do que desejariam. É que como bem observou aquele banqueiro que levou a babá para empurrar seus filhos numa manifestação em Copacabana, vai ser muito complicado explicar para os pobres porque eles terão que abrir mão do pouco que conseguiram evoluir nos últimos 13 anos em nome da possibilidade que as elites brancas possam a voltar a viajar tranquilamente para Miami.

Mais um golpe vagabundíssimo

Por Mário Magalhães

O muso, a cara e o coração do impeachment – Foto Pedro Ladeira/Folhapress

Poucos anos depois da deposição do presidente constitucional João Goulart, em 1964, um dos arautos mais estridentes do movimento avacalhou-o como “golpe vagabundíssimo”. Houvera, de fato, golpe de Estado. Mas antes o arauto o incensara como “Revolução”, em caixa-alta. E como cruzada em defesa da democracia e contra a corrupção.

Proclamaram que seria uma “Revolução” destinada a assegurar eleições diretas para o Planalto. Logo aboliram-nas. Denunciados pelos golpistas como larápios, Jango e o ex-presidente Juscelino Kubitschek tiveram a vida devassada, e os esbirros não obtiveram uma só prova de que os investigados tivessem se apropriado de patrimônio público. Os dois acabaram formando ao lado do velho antagonista. Batalhando pela redemocratização, conforme os dois ex-governantes, ou democratização, como preferia o arauto do 1º de abril. Juntos contra a ditadura parida pela derrubada de Goulart.

Neste exato instante, começo da tarde de 11 de maio de 2016, o Senado debate o afastamento da presidente constitucional Dilma Rousseff. A guilhotina tem hora marcada, a madrugada vindoura. Sem blindados nas ruas e divisões de infantaria nas estradas. Com uma embalagem menos vulgar que a de 52 anos atrás. Mas mesmo assim um golpe de Estado. Mais um golpe vagabundíssimo.

Dilma sofre processo de impeachment sem que exista um único indício ou prova de que tenha cometido crime. Ao contrário de numerosos algozes, os senadores e deputados denunciados por uma vastidão de artigos do Código Penal. As manobras fiscais de créditos e ditas pedaladas não constituem subtração de dinheiro do povo. Eram práticas corriqueiras de todos os grandes partidos, aqueles que em maioria se preparam para eliminar a presidente consagrada em 2014 por 54.501.118 votos. Configura injustiça _ou golpe_ aplicar determinados critérios punitivos a gestores de certa coloração, e a de outras, não.

Dilma Rousseff não está sendo deposta em virtude do seu desastroso segundo mandato. Ao trocar suas promessas de palanque pela plataforma do candidato derrotado, ela impôs à sua base social os maiores sacrifícios da crise. Agravou-a, castigando os brasileiros mais pobres. Um dia a história talvez esclareça por que a presidente fez o que fez.

Seria indigno, contudo, culpar Dilma pelo golpe. As responsabilidades são dos autores. Na raiz do impeachment se identifica a rejeição à soberania do voto popular, cultivada atavicamente por castas sociais poderosas. Quatro dias após a reeleição, o PSDB já questionava a legitimidade da candidata que triunfara. Diante da inércia e da hesitação do governo, grupelhos de fanáticos de extrema-direita se vitaminaram, deflagrando a formação de coalização semelhante à que fulminou Jango (as Forças Armadas e a Igreja são exceções notáveis; os grandes proprietários de terras, o empresariado mais graúdo, os meios de comunicação hegemônicos, o Congresso conservador e a classe média mais radicalizada reeditam o papel desempenhado há meio século; a Casa Branca, rápida no gatilho para pitacar até sobre corrida de calhambeques mundo afora, cala sobre a farsa antidemocrática no Brasil).

A recusa às urnas não é mera idiossincrasia desvinculada de outros propósitos. Coube a um jornalista bem-humorado boa explicação. Falando pela boca da dona História, Luis Fernando Verissimo escreveu: “[…] A ilusão que qualquer governo com pretensões sociais poderia conviver, em qualquer lugar do mundo, com os donos do dinheiro e uma plutocracia conservadora, sem que cedo ou tarde houvesse um conflito, e uma tentativa de aniquilamento da discrepância. Um governo para os pobres, mais do que um incômodo político para o conservadorismo dominante, era um mau exemplo, uma ameaça inadmissível para a fortaleza do poder real. Era preciso acabar com a ameaça e jogar sal em cima. Era isso que estava acontecendo [em 2016]”.

Não é no piscar de olhos histórico de pouco mais de um século desde a Abolição que são suprimidas relações de poder obscenas na derradeira nação a extinguir a escravidão formal. O Brasil permanece como um dos dez países mais desiguais. A terra onde uma patroa de classe média tinha e quem sabe ainda tenha chiliques ao se deparar com a empregada doméstica trajando roupa igual à sua.

Há uma pegadinha marota, abrangendo apenas três anos e pouco, nos balanços da economia e de indicadores sociais na queda de Dilma. Seu governo agoniza, mas o cartão vermelho é sobretudo para os 13 anos e quatro meses de representantes do PT na Presidência. Perdas e danos devem ser contabilizados desde 2003.

Nesse período, ninguém insinuou revolução ou ameaça aos interesses mais caros dos manda-chuvas de sempre. Mas o que se passou não foi indiferente à população que desde o desembarque de Cabral levou a pior. Nos 13 anos petistas, a renda dos mais pobres teve 129% de aumento real, descontada a inflação. E a dos mais ricos, 32%.

De 2001 a 2009, a taxa de pobreza no país despencou de 35,2% para 21,4%. A da extrema pobreza, para menos da metade, de 15,3% para 7,3%. O programa Bolsa Família contribuiu para a queda, bem como o aumento real do salário mínimo em 53%, nos oito anos de Lula (2003-2010). Em 2013, 13,8 milhões de famílias eram atendidas pelo Bolsa Família, aproximadamente 27% da população ou ao menos 50 milhões de viventes. Poucas iniciativas dos anos Lula-Dilma foram tão demonizadas como o Bolsa Família. O programa tem notórias limitações, mas comer um prato de comida não é capricho para os ao menos 30 milhões de seres humanos que deixaram a miséria absoluta, a da fome.

Nesses 13 anos, as universidades receberam mais estudantes que antes. E mais negros. Avião deixou de ser transporte só de bacana. Empregadas domésticas conquistaram carteira assinada. O desemprego hoje, a despeito do aumento recente, é menor do que em tempos de Fernando Henrique Cardoso. A mortalidade infantil despencou. O salário mínimo recuperou-se também com Dilma.

Nada foi benesse, e sim conquista de quem foi à luta. Mas tudo sobreveio de 2003 a 2016, o que é fato, e não opinião.

Eis o que a dona História, de Verissimo, quis dizer: até dividir um pouquinho da riqueza é inaceitável para os donos do dinheiro.

Tomara que no porvir os historiadores não minimizem um capítulo decisivo da deposição de Dilma: o golpe não ocorreria se o PT tivesse aceitado livrar Eduardo Cunha do voto pró-cassação por quebra de decoro parlamentar. Para retaliar, Cunha instaurou a ação do impeachment, acelerou-a, tramou e presidiu a sessão da Câmara em 17 de abril, encaminhando a degola.

Dilma paga por um gesto de decência do PT, e não por uma das numerosas ações indecentes que caracterizam a trajetória do partido. Se Aécio Neves tivesse se submetido à manifestação soberana dos cidadãos em 2014, talvez o impeachment não prosperasse. Sem Eduardo Cunha, com certeza a conspiração não teria vingado.

O PMDB participou das administrações do PSDB e do PT. Agora deve alcançar o poder, sem intermediários. O Brasil cai na mão do que existe de mais atrasado, e não apenas em matéria de zelo pela coisa pública. É medieval a agenda sobre comportamento e direitos civis de muitos figurões do impeachment e do iminente governo Michel Temer. Quem assume é a agremiação de Eduardo Cunha.

Collor foi apeado em 1992 depois de comprovadamente ter cometido crime. Com Dilma, isso não ocorreu. A deposição de 2016 pertence à família da de 1964.

A saída à força da presidente é menos uma derrota pessoal e muito mais uma tragédia para o Brasil e a democracia tão golpeada.

P.S.: o autor da expressão “golpe vagabundíssimo” é Carlos Lacerda, governador da Guanabara em 1964. Durante sua vida, Lacerda (1914-1977) foi protagonista de golpes bem ou mal sucedidos. Mas enfrentou duas ditaduras e muitas vezes lutou pela democracia e contra o golpismo. Militou no comunismo, tornou-se anticomunista. “Não era um homem, mas uma convulsão da natureza”, disse Barbosa Lima Sobrinho. É legítimo supor que hoje Lacerda estaria deste ou daquele lado. Não me arrisco a chutar. Ele é o protagonista do meu próximo livro, a sair pela Companhia das Letras no ano que vem. Sem deixar de contar as décadas anteriores, concentro-me no período 1964-1977. Ao iniciar a empreitada do livro, sabia que seus personagens e temas permanecem apaixonantes. Mas não imaginava que seriam tão atuais.

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O mergulho no escuro

O impeachment que se avizinha da presidente Dilma Rousseff é um verdadeiro mergulho no escuro a que os brasileiros estão sendo empurrados por suas elites econômicas e políticas. As incertezas geradas pela interrupção de um mandato garantido nas urnas são amplas, gerais e irrestritas.  

O fato é que o impeachment de Dilma Rousseff é um golpe de estado via o uso de um parlamento pouquíssimo representativo e da participação partidarizada da justiça, a começar pelo Ministério Público Federal, passando pela Procuradoria Geral da República,e chegando no Supremo Tribunal Federal.

Nessa equação de usurpação da vontade popular também está a imensa maioria da mídia corporativa brasileira que, em vez de informar, se portou como um agente ativo da derrubada de uma presidente eleita, ainda que por uma margem estreita.

Entretanto, ao contrário de muitos colegas que se angustiam com esse golpe parlamentar/judiciário/midiático, eu penso que estamos entrando num período em que as elites ainda vão se arrepender do que estão fazendo. É que não há como um mergulho no escuro de tamanhas proporções dar certo. A disposição demonstrada de empurrar milhões de brasileiros de volta para a miséria absoluta certamente terá uma resposta pot parte da maioria da população que se manteve basicamente silenciosa desde que todo esse imbróglio começou.   Sinais disso já estão sendo dados pela juventude que ocupa escolas em vários estados brasileiros contra as mesmas políticas que Michel Temer diz que vai implantar a partir da decisão do Senado Federal de interromper o mandato de Dilma Rousseff.

E antes que eu me esqueça: boa parte da culpa da crise política que estamos vivendo cabe ao ex-presidente Lula que desenvolveu e aplicou uma engenharia política que dependeu sempre dos mesmos personagens que hoje se movem para retirar a sua escolhida do poder. E Dilma Rousseff tem uma boa parcela de culpa por ter abraçado o programa econômico que ela mesma derrotou nas urnas.  

 

O Rio de Janeiro: nau a pique ou carro desgovernado?

As notícias que continuam aparecendo sobre a situação financeira do estado do Rio de Janeiro continuam dando vazão para mais alarme e angústia. Hoje o insuspeito (no tocante ao apoio que tem dado ao (des) governo comandado pelo PMDB) apresentou uma matéria que apenas reforça a sensação de que se fosse uma empresa, o estado do Rio de Janeiro estaria inapelavelmente fadado à falência (Aqui!).

Aos que, como eu, não são especialistas em finanças públicas, a principal informação que aparece na matéria se refere ao tamanho da dívida acumulada pelo estado do Rio de Janeiro, como bem demonstra a figura abaixo.

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O que mais salta aos olhos desse levantamento apresentado pelo O GLOBO é o tamanho da dívida pública e o tamanho do estoque de dívidas acumuladas por diferentes tipos de empréstimos. Nesse quesito salta aos olhos que a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) tenha autorizado apenas para a linha 4 do metrô carica a bagatela de R$ 4.8 bilhões que já devem estar causando um acréscimo generoso da dívida a partir do pagamento de juros. 

Agora, é interessante notar que se atribua mais da metade do déficit estadual ao RioPrevidência e não se ofereça qualquer explicação ao papel jogado pela desastrosa operação realizada no paraíso fiscal de Delaware com a criação de um fundo privado, o Rio Oil Finance Trust, que agora se tornou prisioneiro dos famigerados fundos abutres. E não custa lembrar que as operações feitas a partir da Lei 2.666/2013 captaram R$ 10 bilhões, o que explica boa parte (se não a totalidade) do déficit para o RioPrevidência!

O fato objetivo que se deve cobrar da Alerj, do Tribunal de Contas do Estado (TCE), e do Ministério Público Estadual é a realização de uma auditoria da dívida pública do estado do Rio de Janeiro. É que chegamos a um ponto que ou é isso, ou entramos num processo irreversível de caos e desmantelamento da capacidade de gerir a segunda economia da federação brasileira.

A ciclovia Tim Maia como oráculo da “Ponte para o futuro” da dupla Temer & Cunha

A situação política brasileira se encontra conturbada e fluída, após o impeachment da presidente Dilma Rousseff ser aprovado pela Câmara de Deputados no último domingo. Em conversa com um amigo que a coisa está tão instável que qualquer manifestação do imponderável pode fazer o castelo de cartas ruir.

E não é que o imponderável está teimando em se manifestar, e de forma para lá de pedagógica! Um exemplo disso é a queda de parte da ciclovia Tim Maia que foi construída ao preço salgado de R$ 45 milhões por uma empresa que pertence à família de um dos secretários do prefeito Eduardo Paes (PMDB).

Nesse caso se juntam várias facetas da crise que assola o sistema partidário brasileiro: mistura de assuntos privados com públicos, obras caras e de péssima qualidade  e, porque não, a omissão dos órgãos que deveriam zelar pelo correto andamento da coisa pública.

Um mérito desse caso que teve vítimas fatais (ao menos 3) é de deixar explícito que a crise do sistema político não se dá apenas no plano federal, cobrindo todos os níveis de governo. E, sim, sempre colocando o PMDB como parceiro ou gerente direto de alguma desgraça.

Abaixo algumas das imagens mais candentes que já circulam na internet sobre este caso tão emblemático.

E o título de traíra mór vai para…..

Faz tempo que eu não me deixo levar pelas falas do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Aliás, desde a inexplicável reforma da previdência que ele ordenou e fez aprovar logo no início do seu primeiro mandato. De lá para cá, sempre me mantive distante da adoração que parte da população lhe concede e da adulação que muitos lhe conferiam.

Dito isso, eu fico imaginando como é que o ex-presidente Lula se sente hoje ao lembrar da foto abaixo onde posava todo faceiro em um grupo de amigos que na última década praticamente acabou com o estado do Rio de Janeiro, e fortemente turbinado por recursos federais. 

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É claro que estou falando do quarteto formado por Pezão, Pedro Paulo, Sérgio Cabral e Eduardo Paes. E é claro que o destaque do dia é para a inseparável dupla Eduardo Paes e Pedro Paulo: o primeiro por liberar o seu secretário para ir votar em Brasília pelo impeachment de Dilma Rousseff, e o segundo por ter feito isso. Em suma, o suprassumo da trairagem.

Mas quer saber, a escolha de amigos traíras quem fez foi o  ex-presidente Lula. Ele que se entenda com eles.

 

PMDB faz festa antecipada em Brasília, enquanto deixa aposentados em condição desesperadora no RJ

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Um artigo publicado pelo site UOL dá conta que na noite de ontem (14/04), o ainda vice-presidente Michel Temer participou de um rega bofe suntuoso em Brasília numa espécie de pré-celebração da vitória do impeachment da presidente Dilma Rousseff (Aqui!).  Os convidados teriam sido recebidos com whisky, vinhos e outras bebidas e massa e risoto.

Já aqui no estado do Rio de Janeiro, o governo do PMDB deixou de pagar as aposentadorias de algo em torno de 120 mil aposentados que ganham acima de R$ 2.000.00. Para esses aposentados, não houve oferta de rega bofe em mansão, mas a dura realidade de não ter como pagar suas contas ou, sequer, enterrar seus mortos.

Se existe alguém que acha que o Brasil vai melhorar num eventual governo comandado por Michel Temer, sugiro que olhe bem para o que está acontecendo no Rio de Janeiro. É que mantido o mesmo estilo de governo, o Rio de Janeiro de hoje sob Pezão é o Brasil de amanhã sob Temer.