Porto do Açu: um belo exemplo de que tamanho não é documento

dúvidas

A matéria abaixo publicada pelo jornal  O DIÁRIO é mais uma daquelas que estão sendo disseminadas na imprensa regional para que nós pobres mortais possamos nos dar conta do brilhante futuro que o Porto do Açu nos assegurará. Desse tipo de matéria já vi várias, só que não no  O DIÁRIO. Parece que a tática de “enamoramento” adotada pela Prumo Logística está tendo efeito, ainda que não na medida desejada.

Por que digo isso? É que se lermos atentamente o conteúdo da matéria, notaremos a presença de vários elementos condicionantes, tais como “poderão“, “irá“, “sejam gerados“, “previstas“. Em outras palavras, passados oito anos, tudo de bom ainda parece estar reservado para um futuro incerto. E como se sabe, o futuro a Deus pertence.

Mas se olharmos também os números declarados, veremos que o Porto do Açu diminuiu para não sumir de vez. No lugar dos centenas de milhares de empregos prometidos por Eike Batista, a matéria nos conta que o Porto do Açu emprega um mirrado número de 6.000 trabalhadores! E ainda temos os 20 navios que terem vindo ser carregados de minério desde outubro de 2014! É que como estamos efetivamente no final de maio, isto representa um número médio de 2,86 navios por mês. E como se sabe que o mineroduto está operando no limite do custo operacional, esse número de navios não está dando nem para a Anglo American começar a recuperar as pesadas perdas financeiras que lhes foram causadas pelo empreendimento. E como a mineradora sul africana não anda bem das pernas, esse número irrisório de navios carregados aponta para catástrofe se não for rapidamente revertido.

Para mim, como em outras áreas sensíveis da vida, o Porto do Açu é um exemplo cristalino de que “tamanho não é documento”. É que em meio ao gigantismo herdado de Eike Batista, a situação das áreas ainda desocupadas representa uma verdadeira bomba de tempo, que pode explodir a qualquer momento caso, por exemplo, a CODIN não consiga mais sustentar as indecorosas desapropriações que foram realizadas em tempo expedito, apenas para criar um grande latifúndio improdutivo no V Distrito de São João da Barra.

Também achei peculiar a narrativa de que o “Porto do Açu tem como vocações o minério de ferro, petróleo e apoio ao setor offshore”. É que numa empreendimento que já passou por tantas mudanças, descobrir que ele virou um ‘jack of all trades” é, no mínimo, peculiar.

Por fim, eu espero sinceramente que mais matérias como essa continuem aparecendo na mídia regional. É que com elas podemos efetivamente, tomando-se o devido cuidado de ler a matéria por detrás da matéria, saber a quantas anda o tamanho do problema com o qual se defronta hoje a atual controladora do Porto do Açu. Simples assim!

Seis mil empregos no Porto do Açu

Phillipe Moacyr
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Porto do Açu tem como vocações o minério de ferro, petróleo e apoio ao setor offshore

Keylla Thederich

Desde o lançamento da pedra fundamental do Complexo Industrial do Porto do Açu, no município de São João da Barra (SJB), em 2007, oito anos se passaram. Durante esse tempo, o empreendimento passou por muitas mudanças e até incertezas. Hoje, seis mil pessoas trabalham no empreendimento, que possui além da Prumo Logística Global, atual responsável pela administração, mais 11 empresas que têm contrato, cinco delas efetivamente operando.

A principal dificuldade ocorreu com a derrocada do seu principal idealizador e acionista, o empresário Eike Batista, no ano passado. Mudanças ocorreram, desde a reformulação estrutural até o controle administrativo. As previsões eram ruins diante da crise, mas a nova administração trouxe boas perspectivas. Até o final deste ano, duas importantes operações devem ter início no complexo.

Com a saída das empresas “X”, houve uma mudança vocacional no porto. O empreendimento, que antes tinha como principais vocações o minério de ferro e a instalação de duas siderúrgicas, tem hoje como principais atividades, além do minério, petróleo e apoio ao setor offshore. Com essa nova demanda, o projeto original precisou sofrer ajustes e novos negócios se tornaram possíveis.

Novas operações no Terminal 2

As novidades são que, no segundo semestre do ano, duas importantes operações estão previstas para serem iniciadas: o Terminal Multicargas (T-Mut) da Prumo e as operações da Edison Chouest em parceria com a Petrobras, ambos no Terminal 2. O T-Mult irá movimentar cargas como contêineres, rochas, veículos, petróleo, entre outros, de várias empresas. Com 500 metros de cais já prontos para operação, o TMULT possui atualmente dois berços, que poderão movimentar até quatro milhões de toneladas entre graneis sólidos e carga geral. Sua capacidade estática de armazenagem é superior a 100 mil toneladas de granéis sólidos e 20 mil toneladas de carga geral.

Já a americana Edison Chouest fechou parceria com a Petrobras para atuar como base de apoio logístico offshore e estaleiro de reparos navais para suas próprias embarcações que atuam na Bacia de Campos. Essa é a segunda expansão da empresa no porto, cujo montante de investimentos previstos é de R$ 950 milhões. Com o início das operações para novembro deste ano, a estimativa é que sejam gerados 900 empregos na base.

Outras operações também estão previstas para ter início no segundo semestre de 2015 e início do ano que vem, que são: movimentação de container, instalação de usina termoelétrica, polo de reparo naval, transbordo de petróleo, distribuição de gás, entre outras.

Tamanho é documento

Com uma área total de 130 km², sendo 90 km² do empreendimento com o Terminal 1 (T1 – offshore) e o Terminal 2 (T2 – onshore), e 40 km² de área de reserva natural, o complexo conta com 17 km de píeres. O T1 é dedicado à movimentação de minério de ferro e petróleo e teve sua primeira operação outubro de 2014, já tendo recebido 20 navios.

Já o T2 está instalado no entorno de um canal para navegação, que conta com 6,5 km de extensão, 300 metros de largura e profundidade de, pelo menos, 10 metros em toda a sua extensão, chegando a 14,5 metros na sua maior profundidade. O T2 irá movimentar carga de projetos, contêineres, rochas, bauxita, grãos agrícolas, veículos, granéis líquidos e sólidos, carga geral e petróleo, através das empresas já instaladas e que têm contratos. Ainda no T2, tem a área da OSX, cujas primeiras instalações foram feitas e paralisadas em função do pedido de recuperação judicial. Os dois terminais juntos ocupam 10% da área.

Além disso, o porto ainda conta com uma extensa área a ser ocupada, que é chamada de retroárea, onde serão instalados um hotel, um centro de conveniência e outras empresas. As possibilidades de ocupação da área são enormes e por isso, vários negócios estão sendo discutidos. Com a ocupação e efetiva operacionalização, o Porto do Açu, que é considerado estratégico pela sua localização, possui área e vocação para ser o maior da América Latina.

FONTE: http://www.odiariodecampos.com.br/seis-mil-empregos-no-porto-do-acu-21744.html

Porto do Açu: sucesso de mídia , mas só na regional

tapete

Tenho observado um esforço concentrado da atual controladora do Porto do Açu de promover uma volta daquelas famosas visitadas guiadas dos tempos de Eike Batista, onde o alvo principal é a mídia regional. Os relatos, como é de se esperar, são sempre bem impressionados e contribuem para um esforço de construção de imagem que não tem preço, especialmente em tempos de tanta incerteza por falta de interessados.

Essa volta das visitas guiadas ao interior do Porto do Açu é, contudo, um fenômeno regional. Tenho observado os grandes órgãos de imprensa nacional e internacional (por ex: Exame, Valor Econômico, Bloomberg, BBC, Reuters), e as entradas de matérias voltadas para cobrir o empreendimento são, quando muito, escassas e antigas. Em outras palavras, todo esse esforço é aparentemente para legitimar o empreendimento no plano local, visto que não se nota qualquer repercussão para além dos municípios diretamente influenciados por sua existência.

E ai é que reside um detalhe curioso: no plano local o que se vê é uma combinação de “cash in” e “trash out”.  Em português claro, isso significa que o Porto do Açu se tornou um ponto focal de entrada de dinheiro público graças aos generosos empréstimos do BNDES, mas por causa da sua natureza de enclave estadunidense, não há muita repercussão positiva para o entorno. Aliás, muito pelo contrário! O que se sobra para o entorno é muito lixo, seja na forma mais básica, ou na mais complexa que são suas múltiplas e profundas mazelas sociais e ambientais. Na prática, quem caminha pelas comunidades de entorno notará cenas que mais parecem saídas das regiões mais pobres do Brasil, e não de uma área que tem sido tão generosamente abastecida com vários bilhões de reais.

Apenas numa contagem básica, o que temos de objetivo do Porto do Açu para o município de São João da Barra? Os mais otimistas apontarão seus dedos para a única coisa palpável: o aumento no recolhimento do Imposto sobre Serviços (ISS). Mas e o custo social e ambiental? Começando pela salinização de águas e solos, passando pela erosão costeira que segue incontida e por incêndios na floresta de restinga, e mais recentemente no despejo de minério de ferro nas águas oceânicas que banham a área de carregamento. 

O mais impressionante é que todas essas mazelas ambientais continuam crescendo todos os dias, sem que haja qualquer esforço palpável para contê-las, o que permite estabelecer um cenário de profunda degradação ambiental caso todas as promessas de novos empreendimentos dentro do Porto do Açu se concretizam. È como se estivéssemos vivendo a aurora de uma nova “Cubatão” em nossa região, sem que ninguém pareça querer notar.

E ai todo esse esforço para angariar simpatia entre a mídia regional faz muito sentido. Resta saber se haverá como se jogar para debaixo tantos problemas… e por quanto tempo. É que não há campanha agressiva de mídia positiva que consiga encobrir tantos problemas por todo o tempo. A ver!

Porto do Açu: quem está controlando os embarques de minério de ferro?

Acabo de receber a imagem abaixo que foi publicada na página da rede social  Facebook pelo “Radar OZK”, e a mesma aparentemente mostra o derrame de minério de ferro nas águas oceânicas no entorno do Porto do Açu (Aqui!)!

radar ozk

Tentando algum tipo de confirmação adicional, conversei com um colaborador do blog que está familiarizado com o funcionamento do Porto do Açu, e ele me informou que existem informações de que problemas estão de fato ocorrendo no momento do carregamento  dos navios, e que uma quantidade incalculável de minério de ferro está sendo despejado diretamente em águas oceânicas! O problema estaria relacionado a um desenho inapropriado das esteiras de transporte e à ausência de pelotização do material, o que facilita a ocorrência de perdas.

Uma preocupação que deveria desde já ser avaliada se refere às potenciais impurezas que estão presentes neste minério de ferro e da presença de elementos móveis que possam ser incorporados por organismos vivos, muitos dos quais podem ser consumidos pela população, a começar pelo camarão e vários tipos de peixes.

Ai é que eu me pergunto: quem anda fiscalizando a condição em que estão se dando esses carregamentos e as medidas que foram adotadas para impedir esse tipo de contaminação? Como o Porto do Açu é um empreendimento privado, é de se esperar que a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTaq), o Instituto Estadual do Ambiente (INEA),e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA). O fato é que esse processo representa fonte potencial de contaminação da atmosfera e das águas oceânicas, as consequências para a saúde humana são as mais variadas.

De toda forma, o Porto do Açu parece ter se transformado num ambiente ideal para todos os que desejem estudar as consequências sociais e ambientais de megaempreendimentos que são construídos e colocados para funcionar sem as devidas precauções. Já para os trabalhadores, e especialmente os moradores de comunidades localizadas no entorno do Porto do Açu, as perspectivas já não são tão animadoras. É que depois de salinização, erosão, fogo e desapropriação, agora aparece a contaminação por minério de ferro. É muita mazela junta!

OGX: de “campeã nacional” do neodesenvolvimentismo lulista ao fundo do poço

dilmanoaçu

A matéria abaixo, produzida pelo jornal Valor Econômico traz ainda mais notícias para os acionistas, principalmente os minoritários, da OG(X), a petroleira que causou o colapso do império do ex-bilionário Eike Batista. 

A leitura da matéria não deixa dúvidas sobre o final melancólico para a qual se dirige uma empresa que mereceu todos os carinhos e suporte financeiro por parte dos governos de Lula e Dilma Rousseff. Aliás, se Eike Batista tem alguém para culpar por o destino inglório da OGX, basta se olhar no espelho.

OGX

Finalmente, não custa nada lembrar que da visita que a presidente Dilma Rousseff fez ao Porto do Açu, onde foi feita uma imensa cerimônia com direito a todos os gestos de grandeza. É que se olharmos os cenários otimistas pintados hoje pela atual controladora do porto, veremos que apenas otimismo e promessas de futuro róseo não bastam para fazer do empreendimento algo mais do que uma promessa.

Porto do Açu e o efeito encantador de um colete sobre os políticos sanjoanenses

políticos

Ao longo dos últimos anos tenho visto uma sucessão de políticos do município de São João da Barra adentrando o canteiro de obras do Porto do Açu, onde são devidamente paramentados com vistosos coletes esverdeados. É que o basta para que declarações para lá de otimistas sejam emitidas, normalmente ao arrepio das evidências empíricas. Esse parece também ser o caso do jovem deputado estadual Bruno Dauaire (PR) como mostra a matéria abaixo publicada no jornal “O DIÁRIO”.

Uma das atribuídas ao deputado Dauaire é a seguinte:

” O porto está funcionando, operando a todo vapor, mas é preciso que se estabeleça uma correlação de forças com a população local, inclusive ajudando a qualificar a mão de obra.

Se o deputado estivesse lendo, por exemplo, o blog do professor Roberto Moraes saberia que não apenas o porto não está “funcionando a todo vapor” (Aqui!), mas como uma das suas principais âncoras que é o minério de ferro está afundada em problemas, com a possibilidade crescente de que a gigante sul africana Anglo American caia fora do empreendimento para minimizar suas perdas bilionárias com um negócio que começou mal, continuou pior, e hoje parece atingir a camada pré-sal das notícias ruins .

Enquanto isso, as mazelas sociais e ambientais causadas pela implantação do Porto do Açu continuam se avolumando, sem que haja qualquer visita de deputados aos locais que tiveram suas águas salinizadas ou aos agricultores que tiveram suas terras desapropriadas e que até hoje seguem sem as devidas reparações conforme o estabelecido pelo Artigo 265 da Constituição fluminense. Eu diria que as mazelas, essa sim, estão crescendo a todo vapor. E só não vê, quem não visita.  Aliás, para mediar conflitos há que se ver todos os lados, e começar pelo empreendedor é um começo, como diriam os jovens, sinistro! Simples assim!

Bruno Dauaire visita Porto do Açu

Portal OZK
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Bruno Dauaire acompanhou o embarque de minério no Porto

O deputado estadual Bruno Dauaire (PR), presidente da comissão especial criada na Alerj para mediar os conflitos do Porto do Açu, visitou o empreendimento na última segunda-feira e presenciou o embarque de minério de ferro para a Ásia.

Ele foi recebido por diretores da Prumo e questionou a empresa sobre projetos para absorção de mão de obra local, incentivo ao comércio do município e valorização das vocações tradicionais, como a agricultura. As solicitações vão ser encaminhadas por ofício pela comissão

– Apesar do cenário nacional e regional de crise econômica, a impressão passada pelos diretores e técnicos da Prumo é que o porto é uma alternativa ao momento de dificuldade. O porto está funcionando, operando a todo vapor, mas é preciso que se estabeleça uma correlação de forças com a população local, inclusive ajudando a qualificar a mão de obra. Esta é a grande preocupação da comissão – disse Bruno. O deputado ouviu dos diretores da empresa que foi formado um comitê para cadastro dos fornecedores locais e quer acompanhar todo o processo, que visa valorizar as empresas locais

– É uma boa notícia que haja essa preocupação da Prumo com São João da Barra e região Mas vamos acompanhar. Precisamos da participação dos empresários, do parlamento e do governo local e da população – destacou Bruno Dauaire.

FONTE: http://www.odiariodecampos.com.br/bruno-dauaire-visita-porto-do-acu-21203.html

Neco: prefeito de São João da Barra ou do Porto do Açu?

neco prumo

A imagem acima que mostra o prefeito de São João da Barra, o Sr. José Amaro Martins de Souz (Neco), em uniforme completo da Prumo Logística e segurando o minério de ferro da Anglo American no interior do Porto do Açu é uma daquelas que levantam mais perguntas do que oferecem respostas.

Inicialmente  (seja lá por qual gênio da propaganda for) a imagem seria, em tese, destinada a expressar uma saudação de Neco aos trabalhadores sanjoanenses pelo dia do trabalhador.  Até ai tudo bem porque é realmente importante reconhecer a importância dos trabalhadores no processo de desenvolvimento econômico.

Mas por que usar o uniforme da Prumo Logística, o Porto do Açu e a área de depósito de minério de ferro como background da mensagem? Essa combinação é estranha, mesmo porquê o Porto do Açu tem se caracterizado por ser um palco de greves e mobilizações dos trabalhadores que têm constantemente revelado um cenário de desrespeito a direitos básicos por parte das empresas que ali operam.

Além disso, Neco deveria ser informado que trabalhador sanjoanense empregado no Porto do Açu que é bom, nada ou quase nada. Segundo é que a verdadeira âncora econômica do município ainda é a agricultura, a qual praticamente dizimada (mas que resiste graças à teimosia dos agricultores familiares) pelo megaempreendimento iniciado por Eike Batista e hoje controlado por um fundo de investimento privado sediado na capital dos EUA!

Finalmente, alguma alma amiga deveria lembrar a Neco que ele é prefeito de São João da Barra e não do Porto do Açu. Aliás, pela imagem até parece que Neco é funcionário da Prumo Logística Global e não o chefe do executivo municipal. 

Aliás, é quase certo que seus adversários políticos explorem muito bem as contradições nessa imagem nas eleições de 2016. A ver!

Porto do Açu: negócio da ou para a China?

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A matéria abaixo assinada pelo jornalista Nicola Pamplona é mais uma daquelas que vem para dar uma força a mais no esforço de apresentar o Porto do Açu como um negócio de futuro. Desse tipo de matéria/press release já se viram muitas. Mas eu diria que essa, intencional ou acidentalmente, nos traz informações excelentes sobre, digamos, as entranhas do empreendimento. 

À guisa de exemplo cito o montante de R$ 100 milhões que a Prumo Logística Global estaria arrecadando com a cobrança de aluguéis das empresas que já se instalaram na retroárea do Porto do Açu. Esse montante é, convenhamos, um valor considerável, especialmente se considerarmos que uma parcela dessas terras foi desapropriada pelo (des) governo de Sérgio Cabral de agricultores e pescadores humildes que, em sua maioria, ainda esperam pelo pagamento das indenizações previstas na Constituição Federal. Tomando apenas essa questão, esse é um negócio (desculpem-me o trocadilho) da China! Nada mais conveniente, diga-se de passagem, já que o Porto do Açu foi pensado para servir à China.

Por outro lado, a divulgação dessas cifras milionárias deve deixar muita gente de orelha em pé, a começar pelos muitos agricultores que ainda disputam na justiça os baixos valores que lhes foram designados pela Companhia de Desenvolvimento Industrial (CODIN) como compensação pela desapropriação de suas terras. Mas a conta não deverá para por ai, pois ao contrário do que a matéria do O DIA aponta, nem tudo é alegria lá pelas bandas do Porto do Açu.

Finalmente, eu acho muito interessante que tenhamos o presidente da Prumo Logística Global como fonte dessa reportagem. É que tendo o Sr. Eduardo Parente divulgado expectativas financeiras tão positivas para o empreendimento, agora há toda condição para que os grupos afetados pelas diferentes mazelas associadas à implantação do Porto do Açu (por exemplo: erosão costeira, salinização de águas e solos, poluição atmosférica, desapropriações) possam exigir compensações financeiras e cumprimento de contingências sem que se tenha de ouvir o discurso de que não há dinheiro para tanto. Pelo que se depreende da matéria, dinheiro não será problema. A ver!

 

Terminal de transbordo de petróleo Porto do Açu deve gerar R$ 100 mi por ano

Empreendimento foi desenvolvido por Eike Batista em São João da Barra e deve iniciar operações em 2016

NICOLA PAMPLONA

Rio – O gargalo logístico do setor de petróleo é um dos motivos pelos quais a Prumo Logística Global se esforça para virar o jogo no Porto do Açu, gigantesco empreendimento desenvolvido por Eike Batista em São João da Barra, que viveu tempos sombrios após a implosão do Império X. Em fase final de obras, o terminal de transbordo de petróleo tem início de operações previsto para o ano que vem, contribuindo com uma receita anual de até R$ 100 milhões para o projeto. Com os recursos, a empresa passa a gerar caixa suficiente para começar a reduzir sua dívida de R$ 3 bilhões. “É o nosso grande pulo do gato”, diz o presidente da empresa, Eduardo Parente.

Obras do Porto do Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense. O terminal de transbordo de petróleo deve começar a funcionar ano que vem

Foto:  Fernando Souza / Agência O Dia

“Cliente óbvio” do porto, nas palavras de Parente, a indústria do petróleo desponta como a atividade com maior potencial de crescimento neste momento, uma vez que o projetado polo siderúrgico caiu por terra após a crise internacional. Os clientes instalados garantem à Prumo uma receita anual de R$ 100 milhões com aluguel. Já o terminal de minério, em funcionamento desde outubro do ano passado, acrescenta R$300 milhões. “Fazendo uma conta absolutamente de padaria, começamos a poder pagar dívida na hora em que passarmos de R$ 400 milhões em receita. E a gente já vê isso acontecendo no curto prazo”, diz Parente.

A perspectiva reside na projeção de receita de R$100 milhões com o terminal de transbordo de petróleo, operação conhecida como ‘ship to ship’, que consiste em passar a produção de navios aliviadores (que retiram o óleo das plataformas) para grandes petroleiros, que levam a o óleo bruto para exportação. O gargalo na infraestrutura para este tipo de operação leva parceiras da Petrobras no pré-sal, como a BG, ao Uruguai, em uma viagem que dura três ou quatro dias a mais em cada trecho. Este mês, o Instituto Estadual de Meio Ambiente (Inea) revogou a licença para operações ‘ship to ship’ em Angra dos Reis, reduzindo ainda mais a capacidade brasileira.

No porto, o vaivém de caminhões carregados indica que o pior da crise, que chegou a paralisar quase completamente as obras em 2013, está passando. As grandes obras de infraestrutura devem ser concluídas este ano, gerando um alívio de caixa na empresa, após investimentos já realizados de R$ 7,6 bilhões.

O orçamento de 2015 prevê investimentos de R$ 1 bilhão, quase metade do ano passado, parte em execução física e parte para o pagamento de fornecedores que tiveram que desmobilizar pessoal e equipamentos durante o período crítico. “O risco do negócio é hoje bem menor”, diz o executivo.

5 MINUTOS COM:

EDUARDO PARENTE, presidente da Prumo

Qual a previsão de conclusão das obras?
Não vai acabar nunca. Se olharmos o Porto de Tubarão, que é do início dos anos 70, há obras até hoje. E vai continuar. A infraestrutura básica, o grande gasto de capital para botar de pé, para a gente conseguir operar, está praticamente pronta.

O porto já começa a gerar receita. Há alguma previsão de chegar a fluxo de caixa positivo?
Estamos em uma situação bem mais confortável. O terminal de transbordo de petróleo não opera este ano ainda, mas esperamos ter boas notícias de contratos de longo prazo em breve. Na hora em que o porto está pronto, a situação comercial fica muito mais simples.

A evolução financeira do projeto é comum para um empreendimento deste porte ou foi prejudicada pela crise?
Difícil encontrar um projeto deste porte para comparar. Tem projetos grandes, como Belo Monte e a duplicação de Carajás, mas um projeto de uso público financiado com capital privado não tem. As pessoas comparam com Suape, mas é uma realidade muito diferente.

FONTE: http://odia.ig.com.br/noticia/economia/2015-05-03/terminal-de-transbordo-de-petroleo-porto-do-acu-deve-gerar-r-100-mi-por-ano.html

Prumo Logística e a alma da propaganda: vender sonhos que podem virar pesadelos

mentira

A nota abaixo vem do blog do jornalista Esdras Pereira que é hospedado no site do jornal Folha da Manhã.  A nota traz um informe auspicioso: a Prumo Logística Global  estará participando da “Offshore Technology Conference (OTC), principal feira do setor de óleo e gás do mundo, que será realizada de 4 a 7 de maio, em Houston (Texas).

Lá, segundo a nota, a Prumo Logística estará apresentando o Porto do Açu como “um dos mais eficientes e seguros complexos industriais do mundo, que está preparado para atender às demandas das indústrias de óleo e gás”.

Bom, ainda que se entenda a premência da Prumo Logística de viabilizar o que é, muito provavelmente, o seu mais importante negócio no mundo, anunciar o Porto do Açu como “um dos mais eficientes e seguros complexos industriais do mundo, que está preparado para atender às demandas das indústrias de óleo e gás” é só um ato de pura propaganda.

Afinal, até os bagres mais ingênuos que nadam nas imediações dos dois terminais do Porto do Açu sabem que isto não passa de “wishful thinking” ou, na melhor hipótese, propaganda ideológica. Aliás, nunca é demais lembrar que a maioria da propaganda na Alemanha Nazista foi produzida pelo Ministério da Conscientização Pública e Propaganda (“Promi” na abreviação alemã), e que Joseph Goebbels foi encarregado desse ministério logo após a tomada do poder por Hitler em 1933. E de Goebells vem a máxima de que “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”.  Simples assim!

Porto do Açu em Houston

OTC-2015

A Prumo vai apresentar o Porto do Açu na Offshore Technology Conference (OTC), principal feira do setor de óleo e gás do mundo, que será realizada de 4 a 7 de maio, em Houston (Texas), como “um dos mais eficientes e seguros complexos industriais do mundo, que está preparado para atender às demandas das indústrias de óleo e gás”.

FONTE: http://fmanha.com.br/blogs/esdras/2015/04/29/porto-do-acu-em-houston/

Gestão Neco: no ritmo da lebre para aprovar o Plano Diretor, e da tartaruga para tratar das mazelas causadas pelo Porto do Açu

lebre

Acabo de ler no blog do Prof. Roberto Moraes que o projeto de lei que estabelece o novo ordenamento territorial do município de São João da Barra será levado a voto na próxima, aparentemente para atender os interesses da Prumo Logística Global, atual controladora  do Porto do Açu (Aqui!). Essa é a versão “lebre” da gestão comandada pelo Prefeito Neco, de São João da Barra.

Pena que essa velocidade toda não seja vista quando se trata de cuidar do drama vivido por centenas de famílias de agricultores pobres que tiveram suas terras tomadas pelo (des) governo Sérgio Cabral para serem entregues ao ex-bilionário Eike Batista, e que caíram de graça no portfólio de ativos da Prumo Logística. Tampouco se vê a mesma velocidade para cuidar dos problemas causados pela erosão costeira que hoje devora a Praia do Açu, ou do processo de salinização de águas e solos que já causou prejuízos milionários a inúmeros agricultores, os quais esperam até hoje em vão pela ação “lebre” da Prefeitura de São João da Barra. É que em todos esses casos,  o que aparece é a versão “tartaruga”, e aviso que não são aquelas lindas tartaruguinhas que o projeto Tamar tenta proteger no litoral sanjoanense que estou falando.

O lastimável é que o prefeito Neco entrega a sua versão tartaruga para quem mereceria a lebre, e vice-versa. Depois que ele não reclame se em 2016 for democraticamente ejetado do assento que hoje ocupa. É que, em determinados casos, ainda vale o velho ditado “do aqui se faz, aqui se paga”. E normalmente na velocidade da lebre. A ver!

Prumo gasta fortunas em dragagem, mas faz investimento zero na mitigação da erosão ocorrendo na Praia do Açu

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Ainda em relação à postagem onde o Professor Roberto Moraes fez uma minuciosa análise dos gastos feitos pela Prumo Logística em 2014, um dado em particular me chamou a atenção: os  R$ 180,3 milhões referentes à dragagem do Canal de Navegação (CN) (Aqui!). Esse valor milionário contrasta com os investimentos feitos pela Prumo Logística para conter a erosão que está ocorrendo na Praia do Açu, em área situada dentro da Área de Influência Direta do Porto, que foi de um zero real bem redondo.

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Aliás, o único investimento que a Prumo Logística parece ter feito na questão da erosão em curso no litoral próximo ao Porto do Açu foi com a contratação do doutor, e professor do Programa de Engenharia Oceânica da COPPE/UFRJ, Paulo César Rosman que, surpresa das surpresas!, produziu um relatório isentando o empreendimento de qualquer responsabilidade no problema que hoje tira o sono de centenas de famílias que moram na Barra do Açu (Aqui! e Aqui!.

Há que se lembrar que o processo de erosão que está hoje consumindo a passos largos (ou seria a ondas rápidas?) a porção central da Praia do Açu estava previsto no Relatório de Impacto Ambiental apresentado pela OS(X) para a construção do mesmo CN onde a Prumo Logística gasta centenas de milhões para dragar! É muita contradição ou não? Eu acho que é totalmente contraditório, especialmente para uma empresa cujo representante, Vicente Habib, proclamou em audiência pública na Câmara de Vereadores de São João da Barra que “não viraria as costas para a população de São João da Barra” (Aqui!). 

Uma questão que também me parece passível de análise é o fato de que a dragagem do CN é uma operação que equivale a enxugar gelo no verão sob o sol de meio dia no centro velho de Manaus, capital do Amazonas. Eu digo isso porque os processos de erosão e deposição de sedimentos que agiam na área do CN em 2014, continuam agindo em 2015. Mas importante mesmo é saber quanto do R$ 1 bilhão que a Prumo Logística prevê gastar na sua atual etapa de investimento será alocado na dragagem do CN, e quanto será investido na mitigação do processo erosivo que está ocorrendo na Praia do Açu. É que diante desses números se poderá verificar se a Prumo está virando ou não as costas para a população da Barra do Açu. Simples assim!