A quem serve a súbita e peculiar urgência do Prefeito Neco em mudar o ordenamento territorial de São João da Barra?

porto do açu

O prefeito de São João da Barra, Neco, mostrado acima na companhia do seu secretário de Planejamento, Sidney Salgado, na enésima visita à maquete do Porto do Açu (Aqui!) resolveu comprar mais uma briga com a Câmara Municipal e se negou a ampliar o tempo de discussão para três projetos de lei que mexem com o ordenamento territorial, limites urbanos e usos da terra.  

É que segundo consta no blog do Arnaldo Neto, hospedado no jornal Folha da Manhã, Neco decidiu usar a justiça (Aqui!) para tentar sufocar as demandas por mais prazo para realizar uma discussão que deverá afetar toda a população sanjoanense, mas, em especial, a do V Distrito onde estão previstas algumas alterações que prometem causar ainda mais transtornos em uma área que já foi bem transtornada ao longo dos últimos 6 anos, exatamente os de vigência do Plano Diretor Municipal aprovado às 19 horas do dia 31 de Dezembro de 2008. 

Felizmente, a justiça indeferiu uma ação  liminar da procuradoria municipal que requeria um mandado de segurança para obrigar a Câmara Municipal a deliberar sobre os três projetos em caráter de urgência, dando a oportunidade a oportunidade para que a Câmara Municipal possa se manifestar sobre a rejeição ao caráter de urgência pretendido pelo Prefeito Neco para a tramitação dessas leis (Aqui!). Essa decisão da justiça é salutar, pois oferece a possibilidade do legislativo sanjoanense explicar suas razões para rejeitar a pressa repentina do Prefeito Neco.

Aliás, o que me surpreende nessa urgência é que, neste exato momento, vários fatos realmente urgentes estão acontecendo até na vizinhança do Prefeito Neco, mas ele se mantém ocupado em visitas de pouca ou nenhuma importância ao interior do Porto do Açu. Alguém em São João da Barra deveria lembrar, com o máximo de respeito que sua posição exige, que ele é prefeito do município inteiro, e não apenas do enclave estadunidense em que o Porto do Açu efetivamente se transformou após o naufrágio do conglomerado de empresas do ex-bilionário Eike Batista.

O fenômeno da salinização no V Distrito: era para ser pontual , mas não foi!

sal durval

Em meio aos reclamos da população que vive no V Distrito de São João da Barra por causa de uma percebida piora na qualidade da água por causa da salinização, estou realizando visitas a diferentes pontais da região para coletar água e realizar medidas de condutividade elétrica nas amostras. Esse é um projeto que deverá ocorrer ao longo de 2015, e por causa de critérios básicos de validação científica, não posso ainda afirmar categoricamente o que, de fato, está ocorrendo nas diferentes localidades onde o fenômeno da salinização está sendo notado pelos moradores.

Mas sobre um local específico eu posso me manifestar por causa das repetidas medidas de condutividade que realizei em amostras coletadas. Falo da propriedade rural do Sr. Durval Alvarenga que está localizada nas imediações da localidade de Água Preta, e que foi um dos pontos mais atingidos pela água salgada que saiu do aterro hidráulico do Porto do Açu. Pois bem, estive novamente no ponto onde o sal se acumulou, e coletei uma amostra cujo valor alcançou 5.760 μS/cm, o que equivale a cerca de 10% do encontrado na água do mar.  Por qualquer parâmetro que se utilize, essa água é inviável para o consumo humano e usos agrícolas. Além disso, esse resultado demonstra que a propalada característica pontual (no tempo e no espaço) da salinização causada pela água que escapou do aterro hidráulico não se sustenta.

Enquanto isso, o Sr. Durval continua sem sequer receber uma visita dos responsáveis pelo empreendimento para tratar do ressarcimento das perdas econômicas (ao menos para o Sr. Durval elas são gigantescas e com efeitos extremamente perversos) que ele acumula desde Novembro de 2012 quando as águas salgadas invadiram a parte mais produtiva da sua propriedade.

 

Traduzindo a notícia: Prumo Logística procura parceiros para se manter viável

nº 19

Para leigos que eventualmente leiam a matéria abaixo, eu diria que a mesma parece uma daquelas palavras cruzadas sincopadas, onde se tira letras essenciais para se dificultar o processo de preenchimento de lacunas.

É que se lermos com maior atenção, o que a notícia diz é que a Prumo Logística está procurando parceiros para viabilizar a quitação de suas dívidas e para viabilizar o seu terminal multiuso (T-2). Mas, com toda justiça à Prumo, a empresa lembra que não há qualquer garantia de que ela conseguirá arrumar os parceiros que necessita.

A questão que fica para os acionistas da Prumo Logística é a seguinte: e se não conseguir, vai fazer o que?

Prumo Logística busca parceiria em terminal no Porto do Açu

Porto de Açú

Porto de Açu: a Prumo Logística é controlada pela norte-americana EIG, que passou a deter participação de cerca de 74 por cento na companhia

São Paulo – A Prumo Logística disse nesta segunda-feira que vem mantendo negociações para alongar o perfil de sua dívida, que estuda formas de obtenção de recursos para seu plano de negócios e busca potenciais parceiros para seu terminal de movimentação de petróleo no Porto do Açu.

“A companhia esclarece que, além de manter conversas com potenciais clientes para prestação de serviços portuários e instalação de unidades industriais no Porto do Açu, a Prumo está em negociação com potenciais parceiros, envolvendo o seu terminal de movimentação de petróleo e multiuso”, disse a empresa em fato relevante.

“No entanto, a companhia não pode garantir que qualquer destas conversas ou negociações poderão se converter em acordos definitivos”, completou.

A Prumo Logística é controlada pela norte-americana EIG, que passou a deter participação de cerca de 74 por cento na companhia após a homologação de seu aumento de capital.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/prumo-logistica-busca-parceiria-em-terminal-no-porto-do-acu

Enquanto isso no Açu: No porto falta minério, na praia, areia!

O professor Roberto Moraes informou ontem em seu blog que o embarque de minério de ferro está temporariamente suspenso no Porto do Açu por um motivo bem prosaico e esquisito: a Anglo American estaria realizando um processo de manutenção no recém-inaugurado mineroduto Minas-Rio (Aqui!)!

Pois bem, hoje estive na Praia do Açu para participar da etapa inicial de uma dissertação de mestrado que estou orientando no Programa de Ecologia e Recursos Naturais (PGERN) e pude notar que ali está também faltando algo, mas não é minério de ferro.  E novamente o que falta seria prosaico em outras etapas, pois o elemento ausente é areia! Como resultado, ao caminhar pela porção central daquela praia, pude notar os testemunhos de mais intrusão de água do mar.

Entretanto, ao contrário do Porto do Açu deverá voltar a funcionar assim que a Anglo American encerrar a “manutenção” do mineroduto, a Praia do Açu continua sem perspectivas de qualquer medida efetiva para conter o avanço do mar. Aliás, na sequência abaixo dá para notar que os montes de areia que foram colocados como medida paliativa contra o avanço do mar já foram quase todos consumidos. 

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Avanço do mar e a possível contaminação do lençol freático na Barra do Açu

Estou recebendo informes dando conta que há uma crescente preocupação entre os moradores da Barra do Açu em torno da possível contaminação das fontes de abastecimento de água por sal.

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Essa é uma velha novidade, pois coletas feitas ao longo dos últimos 4 anos por pesquisadores da Uenf mostram que o problema existe, apesar das negativas oficiais cuja preocupação é notoriamente isentar o Porto do Açu como causa de mais essa mazela ambiental no V Distrito de São João da Barra.

Agora com os seguidos casos de invasão de água do mar, podemos estar diante de um sério agravament do problema. Isto exigirá mais do que desmentidos oficiais visto as sérias implicações que o consumo de água salinizada pode trazer para a saúde humana. A ver!

Band TV produz matéria sobre o Porto do Açu: das super expectativas à dura realidade

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A Band TV enviou a jornalista Mariana Procópio ao V Distrito de São João da Barra e produziu uma interessante matéria sobre o descompasso entre as promessas de desenvolvimento e a dura realidade dos agricultores que foram desapropriados e que, até hoje, não receberam as compensações financeiras devidas.

Essa matéria apenas uma das que deverão ir ao ar no Brasil e fora dele onde onde fica demonstrado que a única que tem escala super no Porto do Açu é a diferença entre as promessas e o que foi de fato transformado em realidade positiva. É que as negativas claramente são também SUPER!

E como resumiu uma moradora do V Distrito… depois que entrou o porto, ficou pior. Simples assim!

Porto do Açu: investimentos bilionários combinados com multiplicação de mazelas socioambientais colocam em xeque a Prumo Logística

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A Prumo Logística vem encontrando eco na imprensa corporativa e na blogosfera para disseminar a informação de que investimentos bilionários já foram realizados no porto idealizado pelo ex-bilionário Eike Batista (Aqui!,  Aqui! Aqui!). Segundo os dados divulgados, apenas na construção do Porto do Açu já teriam sido investidos algo em torno de R$ 5,0 bilhões, o que somado a outros investimentos feitos em parceria com a Anglo American e com outros clientes chegaria a fabulosos R$ 10,3 bilhões!

Um primeiro detalhe a ser lembrado é que uma parcela nada desprezível desses recursos chegou via empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que apenas num empréstimo-ponte concedeu R$ 1,8 bilhão para a Prumo Logística tentar concluir as obras no Porto do Açu (Aqui!), o que tornou a empresa a principal beneficiária de empréstimos do banco estatal em 2014.

Diante de valores tão fabulosos, e levando em conta que a Prumo Logística também anuncia estar empenhada em estabelecer um modelo exemplar de governança corporativa (Aqui!), é que me parece estranho (para não dizer claramente contraditório) que uma série de mazelas estejam ocorrendo no entorno do Porto do Açu sem que a empresa passe do discurso e das promessas feitas nas apresentações de Powerpoint (do tipo daquelas que Eike Batista tanto usou para encantar e atrair sócios) para a ação prática. 

É que apenas para começo de conversa, sendo heranças malditas vindas do tempo da LL(X), o que temos atualmente é uma sinergia entre salinização, erosão costeira, dispersão de material particulado e, ainda mais importante, centenas de famílias que tiveram suas terras tomadas pelo (des) governo do Rio de Janeiro e permanecem há quase cinco anos a ver navios (que não são aqueles que estão saindo carregados de minério do Porto do Açu, devo frisar!). E diante disso, o que tem feito essa empresa se não negar suas responsabilidades e jogar o problema para o colo da Companhia de Desenvolvimento Industrial (CODIN).

O problema é que não estamos mais numa época em que a informação não circula de forma rápida. Aliás, muito pelo contrário! Assim, além de ver a imagem vendida colocada em xeque pela realidade que se impõe a partir dos fatos objetivos, o que a Prumo está arriscando é ter que arcar com custos mais altos quando não tiver outra alternativa a não ser assumir suas responsabilidades. Por isso, talvez já tenha passado da hora de praticar as palavras proferidas pelo  seu gerente-geral de Sustentabilidade, Vicente Habib, durante a audiência pública realizada na Câmara Municipal de São João da Barra em 01 de Outubro de 2014 para discutir a situação da erosão na Praia do Açu , quando ele afirmou que a Prumo não iria virar as costas para a população de São João da Barra (Aqui!).

Afinal de contas, dinheiro para isso, segundo declara a própria Prumo Logística, não falta!

 

Erosão no Porto do Açu: enquanto Câmara Municipal discute, água do mar chega na porta da casa de vereador

A Câmara Municipal de São João da Barra está reunida na noite desta 3a. feira (24/03) para discutir estratégias que possam obter ações concretas por parte do (des) governo do Rio de Janeiro e da Prumo Logística para conter o processo erosivo que está ameaçando engolir a tradicional localidade de Barra do Açu, que fica localizada a menos de 7 km do Porto do Açu.

Numa dessas ironias da vida, acabo de receber uma imagem (vejam logo abaixo) que mostra a chegada da água do mar no início desta noite na principal rua da Barra do Açu, especificamente nas imediações da casa do vereador sanjoanense Franquis Arêas (PR) que é um dos ameaçados diretos da ameaça que hoje intranquiliza centenas de famílias daquela localidade.

açu 24032015Um aspecto que merece ser ressaltado nessa imagem é que esta intrusão de água marinha ocorre apesar das expectativas de que o fenômeno acalmaria após o período de marés particularmente altas que ocorreram até o domingo passado. 

Agora vamos ver o que dizem as autoridades municipais e estaduais e os representantes da Prumo Logística. Uma coisa é certa: o quanto antes passarem da omissão para a ação mais economizarão no futuro. Afinal, toda a procrastinação que vem ocorrendo desde que o fenômeno erosivo foi detectado, agora implicará na necessidade de investimentos maiores. Simples assim!

No Açu, em vez do mar virar sertão, a Avenida Atlântica é que virou praia

A profecia nordestina atribuída ao líder messiânico Antonio Conselheiro de que “o sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão” acaba de ganhar uma forma bem particular de materialização bem aqui na Praia do Açu.

É que como bem mostram as imagens abaixo, a Avenida Atlântica que resistiu por décadas à ação das marés, hoje virou praia! E antes que venham dizer que a profecia realizada é fruto da ação da Natureza, eu digo que a primeira das imagens mostra o caminho para onde foi a areia que está faltando na Praia do Açu.

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