A crise hídrica no V Distrito de São João da Barra tem novo capítulo: Prumo tentou impedir cumprimento de medida judicial

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No dia 11 de Novembro de 2013, logo após a venda da LL(X), publiquei este blog uma nota onde apontava o risco da área do Porto do Açu passar a se tratado como um enclave estadunidense pela EIG Global Partners, que submeteria aquele território a um controle ainda mais estrito, ferindo o direito de acesso a moradores tradicionais do V Distrito de São João da Barra (Aqui!).

Pois bem, hoje a Prumo Logística Global tentou transformar aquela minha previsão em realidade, como bem mostra a matéria produzida pelo site jornalístico Quotidiano, que segue abaixo, que mostra com detalhes como a empresa tentou desacatar a ordem judicial assinada pelo juiz Leonardo Cajueiro. Essa é uma situação muito didática de como as coisas vem sendo implementadas no V Distrito de São João da Barra, tendo como vítimas centenas de famílias de agricultores e pescadores artesanais.

A coisa mais estapafúrdia que emerge deste caso é o uso de contingentes da Polícia Militar para desacatar uma ordem judicial em prol dos interesses de uma empresa estrangeira, e contra os interesses de moradores tradicionais daquele território.

Será que sou só eu que acha isso muito estranho?

De toda forma estão de parabéns os agricultores que continuam dando lição de como organizados e devidamente apoiados podem dar bonitas lições de ação ativa em defesa de seus direitos.

Prumo tenta impedir entrada em propriedade mesmo com decisão judicial

A decisão foi do juiz Leonardo Cajueiro d’Azevedo que ontem autorizou a ação. A Prumo montou um verdadeiro arsenal com setor jurídico, polícia militar e segurança.

 

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Diversos carros da Polícia Militar foram acionados pela Prumo Logística
Crédito: Secretaria Municipal de Agricultura

A Prumo Logística está levando à risca o conceito de capitalismo selvagem e intensifica os conflitos no Quinto Distrito de São João da Barra. Na manhã desta sexta-feira (06), com uma autorização judicial, produtores rurais, máquinas da prefeitura municipal, o vereador Franquis Areas e o secretário municipal de Agricultura, Pedro Nilson Alves Berto, estiveram numa propriedade em Água Preta – estrada Saco D’antas – para efetuar limpeza e abastecimento dos poços secos e sujos em áreas onde o gado está morrendo de sede.

Tentando desacatar a decisão do juiz Leonardo Cajueiro d’Azevedo que ontem autorizou a ação, a Prumo montou um verdadeiro arsenal, evocando o setor jurídico da empresa, questionando a deliberação do juiz e mobilizando mais de 20 policiais militares, além do setor de segurança da empresa. O maquinário chegou ao local por volta das 7 horas da manhã e só conseguiu adentrar às 9 horas.

O vereador Franquis relata o ocorrido: “tentaram impedir a todo custo a nossa entrada. Eu perguntei onde estava o setor de relação institucional, a relação com a comunidade. E disse que ia entrar. Para se ter uma ideia, tinha entre quatro e cinco viaturas da PM no local”.

Segundo Pedro Nilson, é preciso urgentemente se encontrar uma solução para o problema para que mais uma vez o produtor rural não saia prejudicado. O secretário de Agricultura de São João da Barra frisa, ainda, que deve ter em torno de 1500 cabeças de gado onde 30 já morreram com a seca.

“Muitos produtores estão com seu gado nesta situação porque as coisas ainda estão mal resolvidas e eles não têm outra opção. Para muitos, o gado é a única renda. Entendo que é uma área desapropriada, eles não permitem o manejo adequado, mas é preciso ter bom senso. Esta autorização judicial veio na hora certa”, afirma Pedro Nilson, acrescentando que a questão do controle sanitário é outra preocupação. “Se tivermos um problema de aftosa, por exemplo, para tudo, inclusive o porto”, finaliza.

O novo conflito iniciou devido a Prumo impedir a entrada de produtores nas áreas desapropriadas – diga-se de passagem que muitos ainda nem foram indenizados e em diversos casos sequer há imissão de posse – para salvar os gados que estavam morrendo de sede e estavam ficando atolados, conforme publicamos aqui.

FONTE: http://www.quotidiano.com.br/noticia-1964/prumo-tenta-impedir-entrada-em-propriedade-mesmo-com-decisao-judicial

Agricultores do V Distrito conseguem na justiça, a autorização que a Prumo negou

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Um grupo de agricultores do V Distrito de São João da Barra obteve uma importante vitória na luta para salvar seu rebanho bovino a partir de uma decisão do juiz Leonardo Cajueiro d´Azevedo que autoriza a entrada de máquinas da Prefeitura Municipal de São João da Barra em áreas indicadas pelos agricultores para “efetuar a limpeza/abastecimento dos poços secos e sujos das terras informadas na petição inicial“.

Na prática essa decisão implica numa dura derrota à Prumo Logística que, de maneira completamente insensível, estava negando o direito dos agricultores a entrarem em áreas em litígio para salvar seus animais que estão morrendo de sede em áreas que tiveram sua desapropriação decreta, mas cuja imissão de posse definitiva ainda não ocorreu na maioria dos casos.

O juiz Leonardo Cajueiro estipulou ainda que seja realizada uma audiência de conciliação no dia 11/03/2015. Até lá, a Prumo Logística não poderá mais usar de sua segurança privada para coagir e deter agricultores como ocorreu recentemente com o agricultor Reginaldo Toledo.

Agora, o que eu espero sinceramente é que a Prumo Logística colabore de forma pronta e rápida para assegurar o cumprimento dessa decisão judicial, visto que as perdas materiais desses agricultores já são consideráveis. 

Abaixo segue o alvará que deverá ser usada já a partir das 06:30 desta 6a .feira (06/02).

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Açu em transe: num dia gado morre de sede, em outro o mar volta a tomar as ruas da Barra do Açu

A Prumo Logística anunciou ter contratado seu novo diretor de “regulação e sustentabilidade”, o jovem advogado Eduardo Xavier. Pois bem, espero que o salário acertado tenha sido muito bom. É que só assim toda a dor-de-cabeça que espera o ex-assessor da “Secretaria de Portos da Presidência da República” vai ter algum tipo de compensação financeira à altura dos problemas que estão acumulados no entorno do Porto do Açu.

É que só na semana que se sucedeu á contratação do Sr. Eduardo Xavier, dois problemas graves apareceram num horizonte já conturbado: o caso da “vaca atolada” e o da salinização de águas e solos em diversas localidades do V Distrito de São João da Barra.

Pois bem, nesta 5a. feira reapareceu um problema que já vem angustiando centenas de famílias que vivem na Praia do Açu, qual seja, a invasão de ruas pelas águas do mar que  teima em ultrapassar os limites que vinha obedecendo por décadas. Hoje a área atingida foi justamente aquela onde está localizada o palco de shows onde a Prefeitura Municipal de São João da Barra, com o prefeito Neco ocupando a condição de mestre de cerimônias, realizou um show com a dupla caipira formada por Teodoro e Sampaio (Aqui!).

Agora vamos ver o que dizem as autoridades municipais, o INEA e a Prumo Logística acerca desse novo evento de invasão marinha. Só espero não ter que ouvir ou ler novamente que um determinado estudo isentou o Porto do Açu de responsabilidade sobre um fenômeno que nada parece ter de natural. É que essa versão não acalma mais nem os bagres que surfam nas ondas da Praia do Açu.

Abaixo imagens da invasão marinha que ocorreu hoje.

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Matéria no site “Quotidiano” retrata revolta com descaso da Prumo Logística no caso da “Vaca Atolada”

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O “Quotidiano“, um portal de notícias baseado em São João da Barra acaba de produzir uma interessante matéria sobre a revolta que está se disseminando nas redes socais por causa do comportamento insensível da Prumo Logística no caso da morte por sede de animais pertencentes aos agricultores que foram desapropriados pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN).

Há que se lembrar que essas terras foram desapropriadas pela CODIN e repassadas sem a conclusão do processo para a empresa LL(X) do ex-bilionário Eike Batista, terras essas que depois foram entregues à Prumo Logística como parte do espólio resultante do colapso do Grupo EBX.

O interessante é notar que o descompasso entre discurso de responsabilidade socioambiental e a prática efetiva é que está na raiz da revolta que está explodindo nas redes sociais. Como se vê, não basta ter discurso bonito, há que se praticar.

Insensibilidade da Prumo com morte de animais gera revolta

As fotos publicadas nas redes sociais dos animais que morreram de sede devido à proibição da Prumo causou indignação na sociedade, no meio acadêmico e político.

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Animais mortos no quinto distrito causam indignação na sociedade, Crédito: Blog do Pedlowski

Por Bruno Costa, bruno.costa@quotidiano.com.br

As fotos publicadas nas redes sociais dos animais que morreram de sede devido à proibição da Prumo para que os produtores rurais pudessem adentrar nos locais para salvá-las, causa ainda mais desgaste da imagem da empresa perante a sociedade, meio acadêmico e político.

 O vereador Franquis Areas (PR) publicou em seu perfil no facebook e utilizou o plenário da Câmara Municipal de São João da Barra para denunciar a covardia ocorrida no quinto distrito.

“Os produtores não estão podendo limpar os bebedouros, máquinas não podem entrar nas propriedades, a situação está complicada. Entrei em contato com o Caio da Prumo logística e o mesmo me relatou que é proibido o acesso dos produtores a propriedade, mesmo estando lá os animais deles”. O representante da empresa a qual o vereador se refere é Caio Cunha, assessor da presidência da Prumo Logística, que tem como CEO, Eduardo Parente.

Imediatamente a notícia repercutiu nas rádios locais, imprensa em geral e nas redes sociais. O blog do professor Roberto Moraes fez um panorama dos conflitos e das desapropriações que assolam os produtores que até hoje não foram indenizados. Em relação à seca e morte dos animais, Moraes comenta: “Em meio a esses problemas, eles agora enfrentam, como outros produtores rurais, a forte seca que se abate sobre o sudeste brasileiro. Em meio a tudo isso, eu presenciei um destes produtores buscando ajuda com máquinas para cavar um poço e dar água para que seus animais não morressem. O mais interessante é que desta vez o acesso ao gado foi negado e o produtor detido pela Polícia Militar e levado para a delegacia policial na sede do município em São João da Barra”.

No blog do professor da Uenf, Marcos Pedlowski, a crítica também é dura para a empresa. “Estou sendo contactado por agricultores do V Distrito de São João da Barra que estão indignados com o tratamento que está sendo dado pela Prumo Logística Global ao problema que está afetando o rebanho de gado que foi tirado das áreas desapropriadas e confinado em áreas que estão ficando sem água”.

REDES SOCIAIS

Nas redes sociais a indignação com a Prumo Logística pode ser observada em diversos depoimentos. Para Denis Freitas Toledo há contradição, falta de sensibilidade e de respeito. “O engraçado é que o Caio se orgulha da empresa dele soltar umas tartarugas no mar, mas esse mesmo Caio não se comove com o gado morrendo de sede, ele é o responsável pela sustentabilidade do empreendimento? Onde não se respeita o produtor rural e os moradores do quinto Distrito! É o mesmo que acha que está tudo a mil maravilhas e que não há impactos negativos. Enfim, vive em um conto de fadas!”, publicou.

Rosângela Conceição Ferreira da Silva faz duras críticas a Caio. “É o representante do cinismo puro que foi licenciado pelo INEA! Protege tartaruga, mas não se importa com bois; diz que preserva meio ambiente, mas não enxerga que a Empresa que ele representa esta acabando com a localidade do Açu! É o verdadeiro cara-de-pau que não presta nem pra cupim morder!”, comenta.

Sobre o caso ‘Vaca Atolada’ a Prumo Logística disse à redação do Quotidiano que não iria se pronunciar sobre o assunto. 

FONTE: http://www.quotidiano.com.br/noticia-1958/insensibilidade-da-prumo-com-morte-de-animais-gera-revolta

O que você faria se tomassem sua terra e deixassem seu gado morrer de sede?

O conflito em curso no entorno do Porto do Açu vem desde 2009 quando a Companhia de Desenvolvimento Industrial (CODIN) iniciou um processo de desapropriações de centenas de pequenas propriedades usadas para a agricultura familiar para entregá-las ao então bilionário Eike Batista.

Com o colapso do conglomerado de empresas pré-operacionais de Eike Batista, essas terras foram passadas adiante para nova controladora do Porto do Açu, a Prumo Logística Global, braço do fundo de investimentos EIG Global Partners, com sede na capital dos EUA, Washington.

Enquanto isso, as ações relativas às desapropriações e que dariam uma suposta compensação financeira se arrastam na justiça de São João da Barra, o que deixa a maioria das famílias sem receber um centavo pelas terras que foram tomadas pela CODIN para a instalação de um suposto distrito industrial que hoje os controladores do Porto do Açu já assumem não deverá ficar pronto em menos de 20 anos!

Para completar essa saga de vergonha, agora os agricultores estão vendo o que restou de seu rebano bovino morrer de sede porque a Prumo Logística, com a concordância explícita da CODIN, não permite que o uso da água que está retida em terras que se encontram em trâmite judicial, e sem a imissão definitiva de posse.

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A pergunta que se coloca: o que o leitor desse blog faria se fosse um dos agricultores descrito acima?

O Diário: Demissão em massa no Porto do Açu

 

Divulgação
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Trabalhadores já haviam feito manifestações

Depois da demissão de 400 funcionários do Consórcio Integra (Mendes Junior e OSX) que trabalhavam no Porto do Açu, na última sexta-feira, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Campos, João Paulo Cunha, informou que a categoria definiu sua pauta de reivindicações e que vai entrar na justiça, com uma ação de dissídio coletivo de natureza jurídica. Está previsto também para a próxima semana um ato de protesto na BR-101.

Segundo Cunha, o aviso prévio indenizatório foi pago pelo consórcio, porém, existem pendências. “Aprovamos a pauta de reivindicações com a data-base, que é em março, o adicional de periculosidade e de insalubridade, as horas ‘in itinere’ que estão na justiça, entre outros”, disse.

João também ressaltou que não houve nenhuma negociação do consórcio com o sindicato antes das demissões. “A empresa não pode demitir 400 trabalhadores sem que haja uma negociação. Vamos negociar medidas para amenizar o impacto dessas demissões e entrar na justiça para tentar reverter essa situação”, afirmou.

Os trabalhadores atuavam no setor metalúrgico na construção de módulos de plataformas, cujo projeto inicial tinha duração de cinco anos. Segundo Cunha, as demissões aconteceram porque a Mendes Junior é uma das empresas envolvidas no escândalo “Lava à Jato” da Petrobras, porque a OSX está em concordata judicial e por causa da crise econômica. Em dezembro de 2014, o consorcio Integra demitiu 200 funcionários.

A Prumo informou que as demissões não afetam as operações no Porto. A assessoria da Mendes Junior foi contatada sobre a legalidade das demissões e sobre suas operações no Porto, mas até o fechamento desta edição não respondeu.

FONTE: http://www.odiariodecampos.com.br/demissao-em-massa-no-porto-do-acu-18721.html

Após 7 anos, Porto do Açu fica “pronto” em abril, mas na marcha lenta com só 10% de ocupação

A matéria abaixo, produzida pelo jornal O ESTADO e repercutida pela revista EXAME, é um primor no que tange a oferecer um cenário mais realista sobre a situação presente e futura do Porto do Açu. Além disso, apesar do tom otimista, a matéria oferece informações sobre alguns gargalos graves que a Prumo Logística enfrenta para tirar o projeto do ritmo “marcha lenta” em que está afundado neste momento.

E há que se ressaltar que não há qualquer menção aos conflitos socioambientais que estão espalhados no entorno do Porto do Açu. É que isso fosse mencionado, a “carteira de clientes” da Prumo certamente iria enfrentar desafios ainda maiores para crescer. 

 

Após 7 anos, Porto do Açu fica pronto em abril

Mariana Durão, do Estadão Conteúdo
Porto do Açu, no Rio de Janeiro

Porto do Açu, no RJ: atrair investimentos tornou-se uma missão ainda mais difícil com a economia em marcha lenta, a crise do petróleo e da Petrobrás

São João da Barra, RJ – Considerado por muitos um sonho megalomaníaco do empresário Eike Batista, o Porto do Açu é um projeto que impressiona.

Sete anos e R$ 3,9 bilhões depois do início da obra pela antiga LLX, hoje Prumo Logística, a infraestrutura portuária básica do porto em São João da Barra, norte fluminense, recebe os últimos reparos até abril.

Os dois terminais foram inaugurados no fim de 2014, com o primeiro embarque de minério e a primeira operação comercial.

Apesar do avanço, transformar a área de 90 quilômetros quadrados – maior que a ilha de Manhattan, em Nova York – em complexo industrial ainda é um desafio.

Há duas semanas, quando o jornal O Estado de S. Paulo visitou o local, caminhões faziam fila para transportar pedras usadas no revestimento do canal do porto.

Os últimos blocos gigantes de concreto feitos pelas espanholas Acciona e FCC – de um total de 89 – estavam sendo assentados no fundo do mar.

A americana Edison Chouest, do segmento marítimo, cravava as primeiras estacas para a construção de sua base de apoio no Terminal 2, que abriga empresas da cadeia de óleo e gás.

A área molhada do Terminal Multicargas está pronta. A Prumo busca contratos para movimentar ali contêineres e cargas de bauxita e coque a partir do terceiro trimestre.

Seis mil pessoas, segundo a Prumo, trabalham nas obras do Porto ou de algumas das nove empresas instaladas no local. Juntas, considerando o aporte da própria Prumo, elas já investiram R$ 6,2 bilhões no complexo.

E ainda há muito o que fazer, porque só 10% do Açu estão ocupados. Atrair investimentos tornou-se uma missão ainda mais difícil com a economia em marcha lenta, a crise do petróleo e da Petrobrás. O cenário pode dificultar os planos da EIG Global Energy Partners, dona do Açu desde 2013, para o projeto.

Em entrevista ao jornal O Estado, depois de comprar o ativo de Eike Batista, o presidente da companhia americana, Blair Thomas, disse que o porto era a joia da coroa do grupo X, graças à localização privilegiada: “O Açu será o ‘hub’ logístico para o desenvolvimento do pré-sal”.

A perspectiva se mantém, mas o prazo de desenvolvimento do pré-sal pode ser mais lento que o desejável, atrasando os planos da Prumo de ter um fluxo de caixa positivo em dois anos.

“O estágio final do porto não está sob risco, mas (a conjuntura) impacta a velocidade para chegar lá. Temos dois anos duros pela frente”, diz o presidente da Prumo, Eduardo Parente, contratado há um ano para tirar o empreendimento do papel.

Estratégico

O executivo evita mostrar apreensão com o futuro do porto que, em suas palavras, é parte da solução da crise da Petrobrás. O Açu fica a 128 km da Bacia de Campos, mais perto que Macaé (190 km) e Niterói (230 km).

Com uma base ali, a estatal pode reduzir custos com diesel e barcos de apoio.

Parente admite, porém, a importância de atrair novas empresas o quanto antes. Uma vez por semana ele leva potenciais investidores ao Açu. Ter mais contratos facilitaria a negociação para alongar a dívida com o BNDES.

São R$ 2,8 bilhões aprovados, dos quais a Prumo ainda pode receber R$ 500 milhões.

Apesar do cenário, a ordem é terminar até abril a dragagem e a construção do quebra-mar dos terminais 1 e 2. No primeiro, funciona o mineroduto da Anglo e cinco navios já atracaram. No segundo, operam as fornecedoras do setor de petróleo Technip, NOV e Intermoor.

Além delas, a finlandesa Wärtsila e a Edison Chouest pretendem iniciar operações neste semestre. Marca Ambiental e Vallourec também já alugaram áreas no local.

A ideia original de transformar o Açu em um complexo industrial diversificado está mantida, mas é projeto para 20 anos. Na entrada do porto, placas da antiga LLX indicam onde ficaria o polo metalomecânico. No projeto de Eike, o Açu teria as siderúrgicas Wisco e Ternium, que não vingaram. A térmica da Eneva (ex-MPX) ficou para trás com as dificuldades financeiras da empresa.

A chinesa JAC Motors acabou indo para a Bahia, mas atrair uma montadora continua no radar.

A Prumo conversa com elétricas que entrarão no leilão A-5 este ano e com incorporadoras. O objetivo é construir um condomínio no entorno do porto, com shopping, hotel e um prédio comercial. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

FONTE: http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/apos-7-anos-porto-do-acu-fica-pronto-em-abril

Conflito pela água no entorno do Porto do Açu em vias de se agravar

Ao longo desta segunda-feira estou sendo contactado por agricultores do V Distrito de São João da Barra que estão indignados com o tratamento que está sendo dado pela Prumo Logística Global ao problema que está afetando o rebanho de gado que foi tirado das áreas desapropriadas e confinado em áreas que estão ficando sem água.

Segundo o que me disse um dos agricultores é incompreensível que quem disse ter tido tanto trabalho para resgatar animais silvestres, agora deixe o gado dos agricultores morrerem de sede. Nas palavras de um deles, como é que “essa gente que  diz se preocupar com as tartarugas marinhas, deixa as nossas vacas morrerem de sede?”

É bom ressaltar que também recebi um telefonema do vereador sanjoanense Franquis Arêas (PR) que se mostrou preocupado com toda a situação aflitiva que está estabelecida no V Distrito de São João da Barra.  O curioso é que nesta segunda-feira (02/02) deve ocorrer uma sessão extraordinária da Câmara de Vereadores, e este assunto deverá ser ventilado. Afinal, vários vereadores, bem como o prefeito Neco,  têm ligação  direta com o V Distrito. Esta seria, portanto, uma excelente oportunidade para situação e oposição mostrarem que não estão inertes ao drama em curso em suas bases eleitorais.

Por outro lado, acho que a Prumo Logística Global, especialmente seus responsáveis pela parte ambiental está devendo uma explicação sobre o descompasso entre discurso e prática que os agricultores do V Distrito estão denunciando.

Finalmente, eu fico só pensando onde andam os representantes do (des) governo do Rio de Janeiro, incluindo os técnicos da CODIN e do INEA, no meio dessa crise toda. É que boa parte desse conflito está diretamente relacionado à forma com que o processo de licenciamento ambiental do Porto do Açu e das desapropriações de terras se deram. Agora, temos o pior dos dois mundos numa situação só: agricultores que tiveram suas terras tomadas para a construção de um suposto Distrito Industrial que estão sendo privadas de usar a água que necessitam para matar a sede de seus rebanhos.

Uma chance de prestar solidariedade ativa à resistência dos agricultores no V Distrito

IMG_2103Nos últimos cinco anos me acostumei com as idas e vindas da Dona Noêmia Magalhães em sua teimosa resistência contra as injustiças cometidas contra os agricultores familiares do V Distrito de São João da Barra. De lá para cá, pude visitar incontáveis vezes o agora famoso “Sítio do Birica” que se transformou num oásis para os agricultores que tiveram suas propriedades tomadas, e mesmo para os animais silvestres que foram expulsos pela massiva devastação da maior faixa contínua de vegetação de restinga que existia no Brasil até a implantação do Porto do Açu.

Pois bem, agora se apresenta uma excelente oportunidade de prestar solidariedade à Dona Noêmia e os projetos que ela continua tentando transformar em realidade, apesar de todas as tentativas de coação e intimidação que ocorreram desde que ela se transformou numa das lideranças da resistência organizada pela ASPRIM no V Distrito de São João da Barra.

É que, como mostra o convite abaixo, no próximo domingo (08/02) o Sítio do Birica será palco de um almoço para arrecadação de fundos para a continuidade dos projetos idealizados para acontecer no Sítio do Birica. Os interessados em participar da atividade podem entrar em contato comigo através do endereço do blog que eu passarei as informações sobre como entrar em contato com a Dona Noêmia.

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Porto do Açu, escassez hídrica e os conflitos emergentes

Estive ontem numa reunião promovida pelo projeto “Territórios do Petróleo” e que está ocorrendo no Espaço da Ciência de São João da Barra. Na tarde de ontem o objetivo era promover uma discussão sobre os conceitos de desenvolvimento sustentável, justiça ambiental e educação ambiental. A conversa foi bastante por incontáveis exemplos dados por moradores de São João da Barra sobre como o Porto do Açu afetou suas vidas, e de como o empreendimento acabou sendo um exemplo de um modelo de desenvolvimento insustentável, injusto e que não contribui para o processo de formar uma consciência ambiental, tantos foram os erros cometidos seja no campo dos direitos sociais ou no da preservação ambiental.

O interessante é que neste debate estava presente um grupo de agricultores do V Distrito que foram lá compartilhar suas experiências e contar da situação aflitiva que se encontram neste momento, já que a escassez hídrica que também se manifesta por lá está causando a morte de animais e a salinização das águas que estavam sendo utilizadas para irrigação de suas culturas.

Ainda voltarei com mais detalhe à situação da salinização em um futuro próximo, já que existem fortes evidências de que os danos causados por esse processo estão se alastrando e causando novos impactos em novas áreas do V Distrito, em meio a uma completa negação de que o problema existe por parte daqueles que deveriam estar trabalhando para evitar sua ocorrência. 

Aqui trato de compartilhar imagens de um conflito que já está ocorrendo entre os agricultores que tiveram suas terras desapropriadas e a Prumo Logística Global e se refere ao acesso (ou a falta de) às áreas que foram supostamente desapropriadas pela Companhia de Desenvolvimento Industrial (CODIN), e que hoje possuem fontes de água para o rebanho bovino existente no V Distrito.

As fotos abaixo poderiam criar a falsa sensação de que foram tiradas em algum rincão distante do semi-árido nordestino, pois lembram cenas do livro “Vidas Secas” de Graciliano Ramos. Mas não, essas fotos foram tiradas pelo agricultor Reginaldo Toledo durante o incidente que resultou na apreensão de motocicletas de trabalho e sua condução à 145a. Delegacia de Polícia para prestar esclarecimentos sobre uma suposta invasão de terras controladas pela Prumo Logística. Na verdade, como Reginaldo demonstrou na 145a. DP as terras em questão pertencem legalmente à sua família. Mas essa nem é a questão principal (Aliás, pensando bem, é sim, mas volto a tratar deste assunto mais tarde!) .

É que o que vemos é que em vez de permitir o uso da água que o gado tanto necessita, a opção é pela repressão e pelas tentativas de coerção, mesmo nos casos em que os agricultores do V Distrito estão apenas tentando resgatar reses que ficaram atoladas ao tentarem matar sua sede! Enquanto isso dentro do Porto do Açu, milhões de litros de água vindos de Minas Gerais estão sendo desperdiçados! Se isso não é uma situação de completa injustiça ambiental e desenvolvimento insustentável, eu realmente não sei mais o que seria!

 

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