Após 7 anos, Porto do Açu fica “pronto” em abril, mas na marcha lenta com só 10% de ocupação

A matéria abaixo, produzida pelo jornal O ESTADO e repercutida pela revista EXAME, é um primor no que tange a oferecer um cenário mais realista sobre a situação presente e futura do Porto do Açu. Além disso, apesar do tom otimista, a matéria oferece informações sobre alguns gargalos graves que a Prumo Logística enfrenta para tirar o projeto do ritmo “marcha lenta” em que está afundado neste momento.

E há que se ressaltar que não há qualquer menção aos conflitos socioambientais que estão espalhados no entorno do Porto do Açu. É que isso fosse mencionado, a “carteira de clientes” da Prumo certamente iria enfrentar desafios ainda maiores para crescer. 

 

Após 7 anos, Porto do Açu fica pronto em abril

Mariana Durão, do Estadão Conteúdo
Porto do Açu, no Rio de Janeiro

Porto do Açu, no RJ: atrair investimentos tornou-se uma missão ainda mais difícil com a economia em marcha lenta, a crise do petróleo e da Petrobrás

São João da Barra, RJ – Considerado por muitos um sonho megalomaníaco do empresário Eike Batista, o Porto do Açu é um projeto que impressiona.

Sete anos e R$ 3,9 bilhões depois do início da obra pela antiga LLX, hoje Prumo Logística, a infraestrutura portuária básica do porto em São João da Barra, norte fluminense, recebe os últimos reparos até abril.

Os dois terminais foram inaugurados no fim de 2014, com o primeiro embarque de minério e a primeira operação comercial.

Apesar do avanço, transformar a área de 90 quilômetros quadrados – maior que a ilha de Manhattan, em Nova York – em complexo industrial ainda é um desafio.

Há duas semanas, quando o jornal O Estado de S. Paulo visitou o local, caminhões faziam fila para transportar pedras usadas no revestimento do canal do porto.

Os últimos blocos gigantes de concreto feitos pelas espanholas Acciona e FCC – de um total de 89 – estavam sendo assentados no fundo do mar.

A americana Edison Chouest, do segmento marítimo, cravava as primeiras estacas para a construção de sua base de apoio no Terminal 2, que abriga empresas da cadeia de óleo e gás.

A área molhada do Terminal Multicargas está pronta. A Prumo busca contratos para movimentar ali contêineres e cargas de bauxita e coque a partir do terceiro trimestre.

Seis mil pessoas, segundo a Prumo, trabalham nas obras do Porto ou de algumas das nove empresas instaladas no local. Juntas, considerando o aporte da própria Prumo, elas já investiram R$ 6,2 bilhões no complexo.

E ainda há muito o que fazer, porque só 10% do Açu estão ocupados. Atrair investimentos tornou-se uma missão ainda mais difícil com a economia em marcha lenta, a crise do petróleo e da Petrobrás. O cenário pode dificultar os planos da EIG Global Energy Partners, dona do Açu desde 2013, para o projeto.

Em entrevista ao jornal O Estado, depois de comprar o ativo de Eike Batista, o presidente da companhia americana, Blair Thomas, disse que o porto era a joia da coroa do grupo X, graças à localização privilegiada: “O Açu será o ‘hub’ logístico para o desenvolvimento do pré-sal”.

A perspectiva se mantém, mas o prazo de desenvolvimento do pré-sal pode ser mais lento que o desejável, atrasando os planos da Prumo de ter um fluxo de caixa positivo em dois anos.

“O estágio final do porto não está sob risco, mas (a conjuntura) impacta a velocidade para chegar lá. Temos dois anos duros pela frente”, diz o presidente da Prumo, Eduardo Parente, contratado há um ano para tirar o empreendimento do papel.

Estratégico

O executivo evita mostrar apreensão com o futuro do porto que, em suas palavras, é parte da solução da crise da Petrobrás. O Açu fica a 128 km da Bacia de Campos, mais perto que Macaé (190 km) e Niterói (230 km).

Com uma base ali, a estatal pode reduzir custos com diesel e barcos de apoio.

Parente admite, porém, a importância de atrair novas empresas o quanto antes. Uma vez por semana ele leva potenciais investidores ao Açu. Ter mais contratos facilitaria a negociação para alongar a dívida com o BNDES.

São R$ 2,8 bilhões aprovados, dos quais a Prumo ainda pode receber R$ 500 milhões.

Apesar do cenário, a ordem é terminar até abril a dragagem e a construção do quebra-mar dos terminais 1 e 2. No primeiro, funciona o mineroduto da Anglo e cinco navios já atracaram. No segundo, operam as fornecedoras do setor de petróleo Technip, NOV e Intermoor.

Além delas, a finlandesa Wärtsila e a Edison Chouest pretendem iniciar operações neste semestre. Marca Ambiental e Vallourec também já alugaram áreas no local.

A ideia original de transformar o Açu em um complexo industrial diversificado está mantida, mas é projeto para 20 anos. Na entrada do porto, placas da antiga LLX indicam onde ficaria o polo metalomecânico. No projeto de Eike, o Açu teria as siderúrgicas Wisco e Ternium, que não vingaram. A térmica da Eneva (ex-MPX) ficou para trás com as dificuldades financeiras da empresa.

A chinesa JAC Motors acabou indo para a Bahia, mas atrair uma montadora continua no radar.

A Prumo conversa com elétricas que entrarão no leilão A-5 este ano e com incorporadoras. O objetivo é construir um condomínio no entorno do porto, com shopping, hotel e um prédio comercial. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

FONTE: http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/apos-7-anos-porto-do-acu-fica-pronto-em-abril

Conflito pela água no entorno do Porto do Açu em vias de se agravar

Ao longo desta segunda-feira estou sendo contactado por agricultores do V Distrito de São João da Barra que estão indignados com o tratamento que está sendo dado pela Prumo Logística Global ao problema que está afetando o rebanho de gado que foi tirado das áreas desapropriadas e confinado em áreas que estão ficando sem água.

Segundo o que me disse um dos agricultores é incompreensível que quem disse ter tido tanto trabalho para resgatar animais silvestres, agora deixe o gado dos agricultores morrerem de sede. Nas palavras de um deles, como é que “essa gente que  diz se preocupar com as tartarugas marinhas, deixa as nossas vacas morrerem de sede?”

É bom ressaltar que também recebi um telefonema do vereador sanjoanense Franquis Arêas (PR) que se mostrou preocupado com toda a situação aflitiva que está estabelecida no V Distrito de São João da Barra.  O curioso é que nesta segunda-feira (02/02) deve ocorrer uma sessão extraordinária da Câmara de Vereadores, e este assunto deverá ser ventilado. Afinal, vários vereadores, bem como o prefeito Neco,  têm ligação  direta com o V Distrito. Esta seria, portanto, uma excelente oportunidade para situação e oposição mostrarem que não estão inertes ao drama em curso em suas bases eleitorais.

Por outro lado, acho que a Prumo Logística Global, especialmente seus responsáveis pela parte ambiental está devendo uma explicação sobre o descompasso entre discurso e prática que os agricultores do V Distrito estão denunciando.

Finalmente, eu fico só pensando onde andam os representantes do (des) governo do Rio de Janeiro, incluindo os técnicos da CODIN e do INEA, no meio dessa crise toda. É que boa parte desse conflito está diretamente relacionado à forma com que o processo de licenciamento ambiental do Porto do Açu e das desapropriações de terras se deram. Agora, temos o pior dos dois mundos numa situação só: agricultores que tiveram suas terras tomadas para a construção de um suposto Distrito Industrial que estão sendo privadas de usar a água que necessitam para matar a sede de seus rebanhos.

Uma chance de prestar solidariedade ativa à resistência dos agricultores no V Distrito

IMG_2103Nos últimos cinco anos me acostumei com as idas e vindas da Dona Noêmia Magalhães em sua teimosa resistência contra as injustiças cometidas contra os agricultores familiares do V Distrito de São João da Barra. De lá para cá, pude visitar incontáveis vezes o agora famoso “Sítio do Birica” que se transformou num oásis para os agricultores que tiveram suas propriedades tomadas, e mesmo para os animais silvestres que foram expulsos pela massiva devastação da maior faixa contínua de vegetação de restinga que existia no Brasil até a implantação do Porto do Açu.

Pois bem, agora se apresenta uma excelente oportunidade de prestar solidariedade à Dona Noêmia e os projetos que ela continua tentando transformar em realidade, apesar de todas as tentativas de coação e intimidação que ocorreram desde que ela se transformou numa das lideranças da resistência organizada pela ASPRIM no V Distrito de São João da Barra.

É que, como mostra o convite abaixo, no próximo domingo (08/02) o Sítio do Birica será palco de um almoço para arrecadação de fundos para a continuidade dos projetos idealizados para acontecer no Sítio do Birica. Os interessados em participar da atividade podem entrar em contato comigo através do endereço do blog que eu passarei as informações sobre como entrar em contato com a Dona Noêmia.

birica

Porto do Açu, escassez hídrica e os conflitos emergentes

Estive ontem numa reunião promovida pelo projeto “Territórios do Petróleo” e que está ocorrendo no Espaço da Ciência de São João da Barra. Na tarde de ontem o objetivo era promover uma discussão sobre os conceitos de desenvolvimento sustentável, justiça ambiental e educação ambiental. A conversa foi bastante por incontáveis exemplos dados por moradores de São João da Barra sobre como o Porto do Açu afetou suas vidas, e de como o empreendimento acabou sendo um exemplo de um modelo de desenvolvimento insustentável, injusto e que não contribui para o processo de formar uma consciência ambiental, tantos foram os erros cometidos seja no campo dos direitos sociais ou no da preservação ambiental.

O interessante é que neste debate estava presente um grupo de agricultores do V Distrito que foram lá compartilhar suas experiências e contar da situação aflitiva que se encontram neste momento, já que a escassez hídrica que também se manifesta por lá está causando a morte de animais e a salinização das águas que estavam sendo utilizadas para irrigação de suas culturas.

Ainda voltarei com mais detalhe à situação da salinização em um futuro próximo, já que existem fortes evidências de que os danos causados por esse processo estão se alastrando e causando novos impactos em novas áreas do V Distrito, em meio a uma completa negação de que o problema existe por parte daqueles que deveriam estar trabalhando para evitar sua ocorrência. 

Aqui trato de compartilhar imagens de um conflito que já está ocorrendo entre os agricultores que tiveram suas terras desapropriadas e a Prumo Logística Global e se refere ao acesso (ou a falta de) às áreas que foram supostamente desapropriadas pela Companhia de Desenvolvimento Industrial (CODIN), e que hoje possuem fontes de água para o rebanho bovino existente no V Distrito.

As fotos abaixo poderiam criar a falsa sensação de que foram tiradas em algum rincão distante do semi-árido nordestino, pois lembram cenas do livro “Vidas Secas” de Graciliano Ramos. Mas não, essas fotos foram tiradas pelo agricultor Reginaldo Toledo durante o incidente que resultou na apreensão de motocicletas de trabalho e sua condução à 145a. Delegacia de Polícia para prestar esclarecimentos sobre uma suposta invasão de terras controladas pela Prumo Logística. Na verdade, como Reginaldo demonstrou na 145a. DP as terras em questão pertencem legalmente à sua família. Mas essa nem é a questão principal (Aliás, pensando bem, é sim, mas volto a tratar deste assunto mais tarde!) .

É que o que vemos é que em vez de permitir o uso da água que o gado tanto necessita, a opção é pela repressão e pelas tentativas de coerção, mesmo nos casos em que os agricultores do V Distrito estão apenas tentando resgatar reses que ficaram atoladas ao tentarem matar sua sede! Enquanto isso dentro do Porto do Açu, milhões de litros de água vindos de Minas Gerais estão sendo desperdiçados! Se isso não é uma situação de completa injustiça ambiental e desenvolvimento insustentável, eu realmente não sei mais o que seria!

 

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Porto do Açu: Conflito de terras no V Distrito agora virou conflito pelo acesso à água presa dentro das áreas desapropriadas

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Coincidência ou não, o conflito de terras que acontece no entorno do Porto do Açu desde 2009 agora parece ter ganho um novo e preocupante capítulo para se tornar também um conflito pelo acesso à água que está cercada dentro de propriedades que foram tomadas pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN) de agricultores familiares, e que hoje estão sob o controle da Prumo Logística Global.

A prova disso está num acontecimento em curso nesta 6a. feira (30/01) envolvendo o agricultor Reginaldo Toledo, um dos 29 signatários da notícia-crime contra o trio formado por Sérgio Cabral, Eike Batista e Luciano Coutinho. Acabo de falar com o agricultor neste momento e ele me informou que está se dirigindo à 145a. Delegacia Policial em São João da Barra para prestar depoimento, após ter sua moto confiscada ao tentar salvar uma cabeça de gado que se encontrava dentro de uma área pertencente à sua família, mas que é reclamada como desapropriada pelos atuais controladores do Porto do Açu.

Mas o mais grave que o Reginaldo Toledo me revelou é que o gado dos agricultores desapropriados está morrendo de sede, enquanto as terras tomadas pela CODIN permanecem abandonadas, sem qualquer tipo de uso.  Assim, estão aumentando as perdas econômicas que já são altas, enquanto os agricultores e suas famílias são deixados à mercê da própria sorte.

Essa situação cria um grande impasse entre os agricultores e a CODIN, bem como com a Prumo Logística. O estranho nisso tudo é saber que dentro desse verdadeiro latifúndio improdutivo que a CODIN criou existe água que está sendo negada aos agricultores do V Distrito de São João da Barra.

Esse é mais uma das facetas absurdas de todo esse processo. Afinal, no caso específico das terras da família do Reginaldo Toledo, quem continua arcando com os custos do Imposto Territorial Rural (ITR) são os agricultores.

Mais informações sobre a situação envolvendo o Reginaldo Toledo deverão aparecer até o final de hoje. 

Terceira Via confirma razões do fechamento da entrada principal do Porto do Açu

Trabalhadores do Porto do Açu bloqueiam entradas de acesso

Os profissionais voltaram a manifestar contra as condições de trabalho e outras irregularidades

Centenas de funcionários de empresas que prestam serviço ao Porto do Açu bloquearam todas as entradas que dão acesso ao complexo portuário na manhã desta quarta-feira (28 de janeiro). A BR-356, uma das entradas principais, também está fechada.

 De acordo com os manifestantes, eles reivindicam melhores condições de trabalho, além das horas extras que estão atrasadas.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), 25 ônibus com mais de mil trabalhadores impedem a passagem.

O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil e Imobiliário de Campos (Sticoncimo) informou que não foi solicitado por nenhum trabalhador e que, caso não seja chamado,  nenhum fiscal deverá ir ao local da manifestação. 

FONTE: http://jornalterceiravia.com.br/noticias/norte_noroeste_fluminense/63853/trabalhadores-do-porto-do-acu-bloqueiam-entradas-de-acesso#prettyPhoto

Entrada prinicipal do Porto do Açu “trancada” por protesto de trabalhadores

O site jornalístico Quotidiano baseado em São João da Barra colocou no ar, e eu já verifiquei com fontes locais no V Distrito, o fechamento da entrada principal de acesso ao interior do canteiro de obras do Porto do Açu.

Esse novo protesto de trabalhadores precisa ser mais bem esclarecido, mas é sinal de que como no caso de outros megaempreendimentos, o Porto do Açu está sob o choque da situação real da economia brasileira. No caso do Porto do Açu, o problema é agravado pela baixíssima cotação do minério de ferro cuja exportação seria uma das âncoras econômicas do empreendimento.

Protesto nas imediações do Complexo Portuário do Açu

Segundo informações extraoficiais, o protesto foi organizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos devido às novas leis medidas econômicas do governo Dilma.

 Victor Azevedo
victor.azevedo@quotidiano.com.br

A manifestação que fechou alguns acessos ao Porto do Açu na manhã desta quarta-feira, 28, acabou agora pouco. O protesto foi realizado pela empresa Integra Offshore.Segundo informações extraoficiais, o protesto foi organizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos devido às novas medidas econômicas do governo Dilma.

Mais informações a qualquer momento.

FONTE: http://www.quotidiano.com.br/noticia-1931/protesto-nas-imediacoes-do-complexo-portuario-do-acu

 

Crise hídrica: por que o discurso apocalítico deixa os minerodutos de fora?

Vem de blog do Professor Roberto Moraes, que por sua vez retirou do Facebook do economista Ranulfo Vidigal, um interessante artigo escrito pelo jornalista Bruno Porto sobre o uso extensivo de água por minerodutos que saem de Minas Gerais e alcançam portos no Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Essa matéria desvela uma interessante contradição entre o discurso apocalíptico que está sendo disseminado para pressionar o cidadão comum para que este se ajuste à escassez hídrica, enquanto se permite que o agronegócio e as mineradores gastam água de forma perdulária e ambientalmente insustentável. Isto sem falar nos diversos de contaminação causados por defeitos nos tubos de transmissão do minério de ferro.

O fato que os números mostrados na matéria assinado por Bruno Porto demonstram que é que precisamos sair da armadilha da escassez relativa que está sendo disseminado pela mídia corporativa para então fazermos uma análise crítica dos usos e costumes que cercam a crise hídrica em curso!

Em meio à crise hídrica, minerodutos utilizam água dos rios para levar polpa de ferro ao porto
Bruno Porto – Hoje em Dia

“A seca prolongada ameaça o abastecimento de água e energia elétrica, mas a crise hídrica passa longe das atividades de mineração em Minas Gerais. Os minerodutos – tubulações que levam o minério de ferro em estado arenoso misturado com água, como se fosse uma polpa – operam a todo vapor, e novos projetos estão em andamento, sinalizando para a continuação do desperdício de um recurso precioso.

Os quatro projetos de mineração do Estado que têm dutos para o transporte do ferro contam com uma outorga de captação de água suficiente para suprir uma cidade de 1,6 milhão de habitantes. O uso de água pelos minerodutos chama a atenção porque muitas vezes não há o reaproveitamento do recurso hídrico, que é descartado no mar.

A Manabi, por exemplo, mineradora em implantação no município mineiro de Morro do Pilar, tem outorga para uso de 2.847 metros cúbicos (m3) de água por hora. Deste volume, um terço, ou 949 m3 por hora serão usados no mineroduto, que irá até Linhares, no Espírito Santo. A própria empresa informa: “o projeto não prevê reuso da água usada no mineroduto, mas para essa mistura que segue para Linhares, a Manabi projetou um sistema de tratamento e filtragem, garantindo atendimento da qualidade definida pelo Conama, antes do seu descarte no mar”.

Os volumes de água utilizados pelos minerodutos não foram informados, mas, caso as três outras empresas com minerodutos em operação ou em licenciamento ambiental no Estado utilizem a mesma proporção de um terço da outorga para uso no transporte via dutos, seriam 3.711 m3 por hora de água retirada dos mananciais mineiros que teriam como destino o descarte no mar. Esse volume equivale a 3,711 milhões de litros de água por hora, e é suficiente para abastecer um município com 558 mil habitantes, mais do que a população de 546 mil pessoas de Juiz de Fora, a quarta cidade mais populosa de Minas Gerais.

A conta considera o diagnóstico dos Serviços de Água e Esgoto do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, do Ministério das Cidades, que apontou um consumo médio per capita de água, em Minas Gerais, de 159 litros por dia, ou 4.782 litros mensais.
Atualmente, quatro minerodutos estão em operação com captação de água em rios de Minas Gerais (três da Samarco e um da Anglo American) e outros dois (Ferrous e Manabi) estão em fase de licenciamento ambiental junto ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama). A permissão para captação de água nos cursos de água é concedida pelo Instituto Mineiro de Gestão de Águas (Igam), órgão subordinado à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad).

Lei prevê cobrança pelo uso de recursos hídricos

As quatro mineradoras com atuação em Minas Gerais que utilizam o mineroduto como meio de escoamento da produção foram procuradas pelo Hoje em Dia. Samarco e Ferrous foram as únicas que não informaram as outorgas que possuem, mas os dados foram informados pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad).

A Anglo American, que possui um mineroduto em operação, sustenta que parte da água usada nos dutos de transporte de minério de ferro é reutilizada, mas não informa o volume e não detalha como o reuso se tornou viável.

A Manabi, em resposta aos questionamentos apresentados, ressaltou que nos estudos para verificação da viabilidade de seu projeto de mineração, a avaliação da disponibilidade hídrica foi um dos temas principais, “cercado dos cuidados demandados pela questão, com antecipação das tratativas legais associadas à obtenção da outorga de direito de uso das águas”.

Infraestrutura
A proliferação do uso do mineroduto surgiu como alternativa para o escoamento da produção, devido aos altos custos do transporte rodoviário para volumes elevados de minério de ferro e à saturação da malha ferroviária.

O investimento em novos ramais de ferrovias é considerado muito alto, o que assegura atratividade ao mineroduto. O ganho logístico gerado pelos minerodutos está ainda no fato de operarem 24 horas por dia, todos os dias.

A Política Nacional de Recursos Hídricos e a Política Estadual de Recursos Hídricos de Minas Gerais, regulamentada pelo Decreto 44.046, de 13 de junho de 2005, estabeleceu a cobrança pelo uso da água, até então sem nenhum ônus para as empresas.

Samarco e Ferrous não informaram o valor que pagaram pelas captações. A Anglo American informou que, em 2014, o pagamento foi de cerca de R$ 900 mil. A Manabi declarou ter pago R$ 542,3 mil.

Editoria de Arte/Hoje em Dia

FONTE: http://www.hojeemdia.com.br/noticias/economia-e-negocios/em-meio-a-crise-hidrica-minerodutos-utilizam-agua-dos-rios-para-levar-polpa-de-ferro-ao-porto-1.295245

Qual é a sustentabilidade que a Prumo quer?

A simpática assessoria de imprensa me enviou, e coloco abaixo, uma nota sobre a liberação de 50 tartarugas (!!) na Praia de Atafona, e de atividades de educação ambiental sobre a Toninha no Espaço da Ciência que existe em São João da Barra.

Afora a imprecisão temporal de afirmar que a Prumo Logística realiza esse trabalho desde 2008, o que não é verdade já que a empresa nem existia até a crise agônica que consumiu o Grupo EBX de Eike Batista em 2013, tenho que notar a ironia que é, por um lado, disseminar ações de sustentabilidade ambiental e, por outro, contratar um “expert” para produzir um relatório cientificamente questionável para se eximir de qualquer responsabilidade sobre o processo erosivo que hoje abala parte da costa litorânea nas áreas de influência direta e indireta do Porto do Açu.

Essa postura me leva a pensar se há um mínimo de sentido de propagandear essa ação de mitigação usando as simpáticas tartarugas como bandeira para uma suposta responsabilidade ambiental corporativa, enquanto milhares de famílias vivem abandonadas no sobressalto causados pelos vários impactos (erosão, salinização, desapropriação de terras) trazidos pela instalação do Porto do Açu. 

Afinal, o que vem primeiro na sustentabilidade que a Prumo Logística nos vende: as pessoas, as tartarugas ou a necessidade de valorizar suas ações?

Prumo realiza soltura de tartarugas marinhas

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A Prumo realizou nesta quinta-feira (22) a soltura de cerca de 50 filhotes de tartarugas marinhas na praia de Atafona. A ação foi realizada pela equipe da Gerência Socioambiental da Prumo que desenvolve o programa de monitoramento de tartarugas marinhas na região. Cerca de 60 crianças e adolescentes, que integram o projeto Botinho, acompanharam a soltura e receberam informações sobre a forma de vida e preservação desta espécie ameaçada de extinção.

Como parte dessa ação de educação ambiental, o grupo participou ainda de palestra no Espaço da Ciência, em Atafona, sobre a Toninha, uma espécie de golfinho também ameaçada de extinção. Eles receberam dicas de preservação e informações sobre as ameaças a esses animais, como redes de pesca e o lixo no mar. O encontro também informou sobre fotopoluição nas praias e seu impacto às tartarugas.

Desde 2008, a Prumo realiza o programa de monitoramento de tartarugas marinhas com atendimento a diretrizes técnicas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) – Tamar e do Instituto Estadual do Ambiente (INEA). Diariamente, 11 moradores locais que participam como monitores percorrem 62 km de praia, entre Atafona e Barra do Furado, registrando qualquer ocorrência relativa às tartarugas marinhas, coletando dados e gerando um conjunto de informações importantes para o manejo e preservação desta espécie.

FONTE: Assessoria de Imprensa da Prumo Logística

Praia do Açu: ontem e hoje. Haverá amanhã?

Acabo de receber um conjunto de fotos tiradas na Praia do Açu: uma em 2013 e outras hoje. Coloco inicialmente uma da área da praia de 2013 e outra de hoje

açu 2013

2013

açu hoje

Hoje (22/01/2015)

Penso que qualquer pessoa poderá notar que a Praia do Açu está encolhendo. De quebra, se olharmos bem na linha do horizonte veremos que entre de 2013 e 2015, o que apareceu foi o Terminal 2 do Porto do Açu! Já a areia……

Agora, para aumentar o senso de urgência de ações de mitigação para conter a devastação, posto duas imagens do dia de ontem no que ainda resta da avenida que existe, ainda, na orla da Praia do Açu.

calçada 2

calçada 1

E ai eu pergunto: os responsáveis por dar respostas ao problema, estão esperando o que para começarem a agir?