Vozes do Açu: Noêmia Magalhães fala dos diferentes significados do Sítio do Birica

 

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Neste sábado (21/06), estive novamente no V Distrito de São João da Barra para gravar um depoimento da Sra. Noêmia Magalhães, uma das principais lideranças da resistência que foi colocada por centenas de famílias de agricultores familiares contra o indecoroso processo de expropriação de terras conduzido pelo (des) governo liderado por Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão para beneficiar o ex-bilionário Eike Batista e seu conglomerado de empresas pré-operacionais.

Fui colher um depoimento e colhi dois. Abaixo segue aquele onde a “Dona Noêmia”, como ela é conhecida no V Distrito, fala dos diferentes significados que sua propriedade, o Sítio do Birica, possui na sua e na vida de seu esposo, o Sr. Valmir Batista. Para quem nunca foi ao V Distrito, é importante saber que o Sítio do Birica, além de ser um símbolo da resistência contra o (des) governo do Rio de Janeiro e o Grupo EBX, se tornou um dos principais refúgios para muitas espécies que foram ecologicamente desapropriadas pelo gigantesco desmatamento que foi feito para a construção do Porto do Açu.

Abaixo segue o primeiro depoimento da Dona Noêmia, avisando que o outro irá ser postado amanhã.

 

Em graves dificuldades financeiras, Eike Batista vai entregar bens para pagar fundo árabe

Eike tenta acordo com fundo de Abu Dhabi

O empresário trava intensas negociações com o Mubadala, a quem deve quase US$ 2 bilhões

Mariana Durão e Mariana Sallowicz, do 

Douglas Engle/Bloomberg News 

O empresário Eike Batista

 Eike Batista: ele quer pagar parte da dívida com ativos que ainda possui

 Rio – Desde que a crise do império X veio à tona, há dois anos, Eike Batista já se desfez de participações nas empresas que fundou e conseguiu aprovar o plano de recuperação judicial da petroleira OGX, mas ainda enfrenta desafios para equacionar suas dívidas.O empresário trava intensas negociações com o Mubadala, fundo soberano de Abu Dhabi, a quem deve quase US$ 2 bilhões, e com credores do estaleiro OSX.

A capacidade de levantar recursos com a venda de ações, porém, encolheu: a fatia de Eike nas companhias de capital aberto do grupo – hoje de R$ 1,42 bilhão – era 21 vezes maior às vésperas da derrocada.

As atenções hoje estão voltadas para fechar o acordo com o fundo estrangeiro no prazo de até três meses, segundo fontes envolvidas nas negociações.

Eike quer pagar parte da dívida com ativos que ainda possui. Sobre o residual, reivindica um desconto. O pagamento está parado atualmente e parte do compromisso já venceu.

O Mubadala aceitou, em 2012, aportar US$ 2 bilhões e comprar 5,6% da holding EBX. Em julho do ano passado, o negócio foi reestruturado, sem divulgação de detalhes.

“O acordo, na origem, previa investimentos na empresa, em ações, mas virou dívida”, diz uma fonte. Eike considera ter sido prejudicado na renegociação porque estava mais fragilizado naquele momento, e busca reverter o quadro pressionando o fundo a ficar com parte das suas companhias.

O Mubadala avalia os ativos que mais lhe interessam. Entre eles, estão participações de Eike na Eneva (antiga MPX) e na Prumo (antiga LLX).

A fatia na MMX e na OGX (rebatizada de Óleo e Gás Participações) também estão no radar. Falta um consenso quanto ao valor das participações. O objetivo das conversas é evitar uma briga entre as partes.

Quadro atual

O quinhão do fundador do grupo correspondia, em 31 de maio de 2012, a R$ 29,8 bilhões ou 60% do valor de mercado total de OGX, OSX, CCX, Prumo (ex-LLX) e Eneva (ex-MPX) na Bolsa.

Segundo dados da Economática, essas empresas juntas valiam, na época, R$ 49,6 bilhões. Menos de um mês depois, a petroleira do grupo comunicou que o campo de Tubarão Azul, na Bacia de Campos, produziria bem menos que o previsto, dando início à derrocada das empresas, que operavam interligadas.

De lá pra cá, Eike reduziu consideravelmente as participações nas companhias com o objetivo de pagar credores, ao mesmo tempo em que o valor de mercado delas encolheu como reflexo da crise de credibilidade e com ajuda da retração do mercado acionário doméstico.

No último dia 9, o valor de mercado das mesmas empresas somava R$ 4,5 bilhões e o porcentual do empresário era de apenas 31%.

A diluição do controlador da EBX foi a saída encontrada em negociações de empresas como a LLX e a MPX, com as estrangeiras EIG Global Energy Partners e E.ON.

As duas perderam o X do nome e foram rebatizadas de Prumo e Eneva. A MMX, empresa que Eike ainda controla com 55% do capital, seguirá o mesmo rumo.

A reestruturação da OGX prevê que a presença de Eike mingue ainda mais. Com a conversão das dívidas de US$ 5,8 bilhões e de novo empréstimo de US$ 215 milhões em ações da petroleira, sua participação cairá de 50,16% para 5,02%.

As tratativas com credores da OSX também estão no centro das atenções do empresário. Há um impasse nas negociações com a Prumo (ex-LLX), dona do Porto do Açu, em São João da Barra (RJ).

O plano de recuperação judicial apresentado em maio não é definitivo. Entre outras coisas, o grupo busca financiamento de US$ 100 milhões para viabilizar sua operação durante o processo.

Logística

Uma das principais financiadoras do estaleiro, a Caixa Econômica Federal, quer que a Prumo assuma a gestão do negócio.

Além do crédito de R$ 450 milhões incluído na recuperação judicial, o banco concedeu mais R$ 700 milhões para a unidade de construção naval e teme que a OSX não consiga levar o projeto adiante.

A instituição tenta incluir o valor na recuperação judicial, elevando seu crédito a R$ 1,2 bilhão e a dívida da OSX em juízo a R$ 6,4 bilhões.

A ideia era uma associação entre Prumo e OSX para gerenciar o aluguel das áreas do estaleiro no Açu, mas, segundo fontes, as discussões podem avançar para um empréstimo da antiga LLX à companhia de construção naval, da qual passaria a ser sócia. A presença da Prumo, controlada pelo fundo EIG, recuperaria a credibilidade do projeto na visão dos credores.

Até aqui, porém, não se chegou a um denominador comum. A Prumo estaria insatisfeita com a remuneração proposta e as negociações devem se arrastar por dois a quatro meses. Procurada, a EBX não se pronunciou sobre a atual situação do grupo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/eike-tenta-acordo-com-fundo-de-abu-dhabi

Denúncia de condição de alojamento impróprios para operários da Acciona no Porto do Açu

Recebi no e-mail interno deste blog, a denúncia abaixo que me parece genuína, pois já tinha ouvido rumores de que o problema. Agora, o que me impressiona é o fato de que o denunciante diz que ninguém está indo fiscalizar as condições em que os operários estão sendo acomodados! Agora vamos que o Ministério Público do Trabalho ou o próprio Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Campos apurem essa denúncia, Mesmo porque o denunciante deu o local onde estaria hospedado.
 

Denúncia sobre más condições de alojamento de operários da Acciona

Acordei muito cedo,cheguei quase  agora do trabalho e estou tentando dormir e não consigo porque o quarto é muito abafado e apertado. Todos os amigos estão reclamando porque sou funcionário da empresa Acciona Infraestrutura, e quarta-feira(11/06) fomos obrigados a sair do alojamento em que estávamos a mais de um ano no bairro Alphaville em Campos, que  era muito bom porque tinha ar condicionado nos quartos, tudo muito novo e limpinho,refeitório com ar condicionado, quartos limpos e roupas lavadas,quartos com janelas grandes,quarto muito bom com cortina,garagem. Enfim, tudo direito.
 
Fomos pegos de surpresa sem explicação e nos levaram para uma pousada chamada W.A no inicio de Grussaí, que não tem área de lazer,quartos com umidade e tem um basculante nos quartos. Se fosse na época da OSX não ia permitir porque está tudo errado.Ficamos sabendo que o motivo foi para economizar,só que não viram como estamos ficando e nosso bem estar.
 
Peço que não divulgue meu nome porque fomos avisados que se falássemos ou reclamássemos,  a gente seria mandado embora. Ajude-nos. A empresa Acciona não está respeitando nem as normas e nem seus empregados.

Peço que venha ver o que está acontecendo porque  a Acciona está fazendo isso e ninguém fala conosco, e estou até agora sem dormir! Aqui ninguém veio fiscalizar: mandaram a gente entrar e acabou.

Em nova visita ao Porto do Açu, o que se vê é areia, muita areia se esparramando até no ar

Estive novamente no dia de hoje no V Distrito de São João da Barra visitando agricultores que foram atingidos pelas escabrosas desapropriações promovidas pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN). Aproveitei para dar um pulo até as imediações do porto, especificamente na estrada de acesso à localidade da Barra do Açu. O que eu vi hoje, confirmado pela ardência nos meus olhos, é que os ventos continuam erodindo o chamado aterro hidráulico do Porto do Açu, empurrando assim muita areia salgada para o interior do continente. 

O interessante é que esse assunto continua aparentemente sendo ignorado, apesar do INEA possuir pelo menos uma estação de amostragem próximo à localidade de Água Preta. 

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No dia em que Pezão visita São João da Barra, a justiça informa de mais desapropriações no V Distrito

No dia em que o (des) governador Luiz Fernando Pezão vai visitar São João da Barra para inaugurar uma cabeça de ponte também serviu para que a justiça comunique a desapropriação de mais quatro pequenas propriedades rurais no V Distrito, todas contra supostos “réus ignorados” como mostram os editais abaixo.

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Um padrão que se repete: desapropriações contra réu ignorados num distrito onde todos se conhecem

Apesar desta tática da Companhia de Desenvolvimento Industrial (CODIN) já ser mais do manjada, a repetição à exaustão não deixa de ser uma indignidade que se comete contra agricultores pobres que não estão tendo sequer o direito básico de que estão tendo suas terras tomadas pelo Estado para a construção de um distrito industrial que hoje só existe nas pranchetas empoeiradas que estão encostas em algum lugar, este sim ignorado.

Mas essas escabrosas desapropriações são apenas a ponta de um longo iceberg de violações de direitos, calotes e degradação ambiental. E o pior é que tudo acontece sob os olhares plácidos de quem deveria fiscalizar isso tudo.

E pensar que Eike Batista está tendo se preocupar é com acionistas minoritários que querem seu dinheiro de volta após notarem que caíram num belo conto do vigário. 

Ururau: calote gera protesto de empresários no Porto do Açu

Sem receber, empresários de SJB realizam manifestação no Porto do Açu

Manifestantes foram recebidos por representantes da FCC e Anglo American

Manifestantes foram recebidos por representantes da FCC e Anglo American

Empresários dos setores de hotelaria e alimentação de São João da Barra realizaram na manhã desta quinta-feira (05/06) uma manifestação com o objetivo de chamar a atenção da empresa FCC-Tarrio, responsável por pagar as despesas de funcionários da obra no Porto do Açu.

Com faixas, os aproximadamente 40 manifestantes se organizaram em frente ao portão principal do complexo. O empresário e representante do grupo, Josemi Lima, foi um dos prejudicados. Em menos de três meses ele hospedou 108 trabalhadores em duas pousadas, mas o que parecida ser um bom negócio se transformou em saldo negativo. Nesse período ele teve um prejuízo de R$ 90 mil.

“Nossa manifestação foi pacífica e começou por volta das 7h30. Usei um extintor de incêndio para chamar a atenção e fomos atendidos pelos diretores da FCC, que prometeu uma solução para a próxima segunda ou terça-feira. Depois, representantes jurídicos da Anglo American vieram falar com a gente e pedimos para eles intercedessem pra gente com a FCC”, contou o empresário.

Além do Josemi, outras 15 empresas estão sem receber e outras receberam parte da dívida.

FONTE: http://ururau.com.br/cidades45351_Sem-receber,-empres%C3%A1rios-de-SJB-realizam-manifesta%C3%A7%C3%A3o-no-Porto-do-A%C3%A7u

Noemia Magalhães, liderança da resistência no Porto do Açu tem casa arrombada

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Noêmia Magalhães, uma das principais lideranças da ASPRIM, organização que vem tendo um papel central no processo de resistência que os agricultores do V Distrito de São João da Barra realizam desde 2009, teve sua casa, mas estranhamente nada foi levado. Esse é o segundo evento no qual algum tipo de violência é cometido contra dona Noêmia e sua família, que já teve a entrada do famoso Sítio do Birica alvejado no meio da noite (Aqui!).

Como no caso passado, a família da Dona Noêmia irá até a DP para prestar queixa e confeccionar um boletim de ocorrência.

Agora, esse arrombamento onde o arrombador não leva nada é muito esquisito e toda atenção deverá ser dada à Dona Noêmia e sua família por parte dos que apoiam a luta dos agricultores do Açu.

Vozes do Açu (3): Durval Ribeiro Alvarenga fala dos prejuízos causados pela salinização de sua propriedade

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No bombeamento de 3,8 milhões de metros cúbicos de areia da jazida marítima para o aterro hidráulico, foram utilizados 7 km de tubos, conectados à draga belga Cristobal Colón, a maior do mundo, com 223 m de comprimento (Fonte: http://infraestruturaurbana.pini.com.br/)

Desde Novembro de 2012, a vida mudou muito para o Sr. Durval Ribeiro Alvarenga depois que sua propriedade foi invadida pela água salgada que escorreu do aterro hidráulico construído pela LL(X) (atual Prumo) para depositar a areia escavada na área costeira adjacente ao Porto do Açu. Desde então, parte da propriedade do Sr. Durval se tornou inviável para o uso agrícola e pecuário, e ele agora luta na justiça para ser ressarcido pelos prejuízos que sofreu.

Uma das coisas que mais indigna o Sr. Durval é que nenhum dos responsáveis pela construção do aterro hidráulico apareceu para conversar e se desculpar.  Abaixo o depoimento que colhi hoje pela manhã (31/05), mais de um ano e meio após a inundação da propriedade do Sr. Durval Alvarenga.

Belisa Ribeiro fala sobre problemas do Porto do Açu no programa de Ricardo Boechat

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Foi ao ar neste sexta-feira (30/05), mais uma edição da coluna “Que fim levou” que teve como objeto os problemas que circundam o Porto do Açu. A jornalista Belisa Ribeiro participa semanalmente do programa de rádio que o jornalista Ricardo Boechat leva ao ar através da Rádio Band e se interessa por problemas que causam grande impacto, mas que depois somem da atenção da mídia, e também veicula esse material num blog homônimo (Aqui!).  

E no caso do Porto do Açu, a matéria é mais do que oportuna, pois como tem sido mostrado aqui e em outros blogs (como o do Prof. Roberto Moraes) os múltiplos problemas que acompanham a implantação desse megaempreendimento continuam sem a devida responsabilização por parte do (des) governo estadual do Rio de Janeiro.

A reportagem produzida pela Belisa Ribeiro pode ser ouvida logo abaixo.