Os problemas de Eike Batista agora estão na esfera policial

Ainda que os problemas de Eike Batista com a justiça não sejam recentes, agora a sua situação parece estar tomando um rumo mais problemática após a Polícia Federal (PF) começar uma investigação a pedido do Ministério Público Federal sobre crimes contra a ordem financeira, como mostra a matéria do Jornal O GLOBO que vai publicada abaixo.

Essa investigação da PF poderá acelerar também o andamento da queixa-crime que 48 agricultores desapropriados no Porto do Açu deram entrada em julho de 2013 no STF (Aqui!). Como de lá para cá muitas coisas foram reveladas sobre os usos e costumes de Eike Batista, o mais provável é que essas investigações da PF se encontrem com a queixa-crime. Afinal, nunca é demais lembrar que muito do que foi feito por Eike Batista recebeu as bençãos do ex-(des) governador Sérgio Cabral e do governo federal através, principalmente do BNDES.

 

 

PF abre inquérito para investigar Eike por supostos crimes financeiros

Penas das três acusações, somadas, pode chegar a 23 anos

 DANIELLE NOGUEIRA, HENRIQUE GOMES BATISTA, MARCIO BECK

RIO – A Polícia Federal instaurou inquérito para investigar o empresário Eike Batista, controlador da ex-OGX, por supostos crimes financeiros “envolvendo negociações de ações, em tese, irregulares, realizadas em 2013”.

Os três crimes investigados pela PF –manipulação de mercado, insider trading (uso de informação privilegiada) e lavagem de dinheiro –, somados, podem resultar em pena de até 23 anos.

Em nota, a PF informou apenas que abriu uma investigação, em caráter sigiloso, para apurar crimes que teriam sido cometidos pelo “acionista controlador de uma empresa que atuou na área de petróleo”, sem mencionar o nome do empresário nem da empresa.

O pedido de investigação havia sido feito pelo Ministério Público, no dia 7 deste mês, e foi confirmado pela PF na última terça-feira.

Conforme antecipou O GLOBO, o procurador se baseou em um parecer técnico feito pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que aponta “crime de ação penal pública”.

O mesmo documento serve de base para outro processo contra o empresário, no âmbito da CVM, que pode resultar em multa de até R$ 500 mil. A CVM vai acompanhar a investigação da PF.

Os crimes de manipulação de mercado e insider trading estão previstos na Lei Lei 6.385/76, com pena de 1 a 8 anos e de 1 a 5 anos, respectivamente. Já a lavagem de dinheiro está prevista na Lei nº 9.613/98 e pode resultar em pena de 3 a 10 anos de prisão.

A EBX disse que ainda não foi oficialmente notificada da decisão da PF e mantém a posição de que não houve irregularidades na atuação do empresário à frente da OGX. O GLOBO também entrou em contato com os advogados de Eike Batista, mas ainda não recebeu resposta.

 * Colaborou Antônio Werneck


FONTE: http://oglobo.globo.com/economia/pf-abre-inquerito-para-investigar-eike-por-supostos-crimes-financeiros-12230774#ixzz2zEiRTOVZ  cast, reescrito ou redistribuído sem autorização. 

Valor informa que auditor da OSX não atesta viabilidade de estaleiro no Porto do Açu

A situação das empresas que ainda são do ex-bilionário Eike Batista continua sendo para lá de problemática, afetando diretamente o Porto do Açu. Abaixo segue matéria publicada pelo Valor Econômico dando conta que a Ernst and Young, empresa que auditou as contas da OS(X) se absteve de dar opinião sobre a situação financeira da empresa, e não teve como garantir a viabilidade da recuperação do estaleiro no Porto do Açu. Em outras palavras, a coisa está feia para a OS(X!

Agora, o que eu gostaria de saber se aqueles que aqui na região diziam ter investido nas empresas da franquia “X” e que ficariam com as ações até o fim, fizeram isso ou era só outro blefe.

OSX: Auditor não teve acesso a plano sobre viabilidade de estaleiro

Por Natalia Viri | Valor

SÃO PAULO  –  A Ernst & Young informou que não teve acesso a documentos que mostram a viabilidade da recuperação do estaleiro do Açu, que está sendo construído pela OSX. A informação consta no parecer de auditoria do balanço de 2013 da empresa de construção naval da empresa de Eike Batista, apresentado na noite de quarta-feira.

Divulgação

 “Não nos foram apresentadas as documentações que dão suporte ao […] plano de negócios que sustenta a recuperação da unidade de construção naval por seus fluxos de caixa”, informou a firma de auditoria no documento. A  Ernst & Young deu um parecer com “abstenção de opinião”, jargão que significa que não é possível garantir que os valores apresentados estejam corretos.

A auditoria ressaltou ainda que, como o plano de recuperação judicial da OSX ainda não foi apresentado e aprovado pelos credores, não é possível saber se os números deveriam ser apresentados com base na continuidade normal dos negócios ou no valor de liquidação de seus ativos.

A OSX encerrou 2013 com prejuízo de R$ 2,4 bilhões, ocasionado sobretudo por baixa de ativos. Ao fim do ano passado, a empresa tinha apenas R$ 164 milhões em caixa, contra dívidas de curto prazo de mais de R$ 4 bilhões.

FONTE: http://www.valor.com.br/empresas/3520276/osx-auditor-nao-teve-acesso-plano-sobre-viabilidade-de-estaleiro#ixzz2z9q00uY2

Reuters: CVM conclui que Eike usou informações privilegiadas em venda de ações da OGX, diz jornal

Reuters

SÃO PAULO, 11 Abr (Reuters) – A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apurou que o empresário Eike Batista e administradores da antiga OGX (OGXP3), atual Óleo e Gás, sabiam da inviabilidade de campos da petróleo da companhia dez meses antes do mercado ser informado a respeito, publicou um jornal nesta sexta-feira (11).

Citando informações do processo a qual teve acesso, o jornal “Valor Econômico” disse que a CVM concluiu que o empresário vendeu ações da companhia nesse meio tempo, contrariando lei que proíbe a utilização de informações privilegiadas.

À autarquia, Eike alegou que as operações teriam sido feitas para saldar dívidas, disse o Valor. A CVM alega no processo que o empresário poderia ter se desfeito de outros ativos que não os papéis, acrescentou o jornal.

A CVM e a assessoria do grupo de Eike não puderam ser contatados de imediato para comentar o assunto.

Nesta semana, a CVM decidiu prorrogar o prazo de defesa do empresário para 14 de maio em processo no qual ele é questionado por manipulação de preços e utilização de informações não divulgadas ao mercado para negociar ações.

A petroleira, que foi a principal empresa do grupo EBX do empresário, entrou com pedido de recuperação judicial em outubro do ano passado, na sequência de uma aguda crise iniciada com a declaração da inviabilidade econômica dos campos de Tubarão Azul, Tubarão Tigre, Tubarão Gato e Tubarão Areia, em julho.

No acumulado de 2013, a companhia teve prejuízo de R$ 17,4 bilhões. 

FONTE: http://economia.uol.com.br/noticias/reuters/2014/04/11/cvm-conclui-que-eike-usou-informacoes-privilegiadas-em-venda-de-acoes-da-ogx-diz-jornal.htm#fotoNav=13

Porto do Açu: um berço de violações dos direitos dos trabalhores

Apesar de toda a propaganda de que o Porto do Açu agora “vai decolar e deixar o passado de problemas para trás”, a realidade acaba se mostrando bem diferente como bem mostra a matéria abaixo do jornalista Bruno Costa do site jornalístico “Quotidiano”.  Agora mais uma categoria em revolta por falta do cumprimento de seus direitos trabalhistas é a dos vigilantes privados que prestam segurança que trancaram a entrada do Porto do Açu.

Do jeito que vai outros “trancaços” vão acabar ocorrendo, e não seria surpresa se os calendários de cumprimento das obras atrasarem ainda mais. É o que dá manter o padrão de desrespeito aos direits básicos dos trabalhadores.

Eike Batista pode ter até saído da cena principal. Mas o “modus operandi” de suas empresas parece mesmo fincado pé no Açu.

 

Manifestação de vigilantes fecha entrada do Porto do Açu

Desta vez a categoria é de segurança da empresa Angel’s Vigilantes. Funcionários reivindicam direitos já que a empresa perdeu a licitação para continuidade dos serviços.

Bruno Costa,  bruno.costa@quotidiano.com.br
 

Mais uma mobilização de funcionários de empresas terceirizadas aconteceu na manhã desta quinta-feira (10) na entrada do Porto do Açu. Desta vez a categoria é de segurança da empresa Angel’s Vigilantes.

Segundo informações, a empresa perdeu a licitação para continuidade dos serviços e se recusa a pagar os direitos trabalhistas dos funcionários da região. Um dos relatos de funcionário diz: “Fomos ao Rio de Janeiro, na sede da empresa, e fomos maltratados. Queríamos receber o último pagamento e nos deram dez reais para alimentação e a passagem de ida, recolheram os crachás e nos mandaram de volta sem sequer pagar a passagem de volta”, acrescentando que as pessoas passaram mal com tamanha demora no atendimento. “Eles se recusam a fazer até mesmo acordo”, finaliza indignado. 

Estamos buscando contato com a empresa Angel’s Vigilantes.

FONTE: http://www.quotidiano.com.br/noticia-865/manifestacao-de-vigilantes-fecha-entrada-do-porto-do-acu

Jornal Terceira Via: Vigilância Sanitária arquiva caso sobre caso coletivo de diarreia e vômitos em 100 funcionários do Porto do Açu

O Jornal Terceira Via publicou hoje uma matéria (veja abaixo) informando que o caso envolvendo a ida de mais 100 operários trabalhando nas obras do Port do Açu foi arquivado pela Vigilância Sanitária por não terem sido encontradas provas de contaminação na alimentação fornecida pela empresa “Vivace Alimentação”. 

Bom, até ai tudo bem. Mas a pergunta que me fica na cabeça é o seguinte: se não foi a alimentação fornecida pela Vivace, o que terá sido? Obra do acaso é que não foi.

Uma coisa certa, o proprietário da Vivace Alimentação deve ter respirado de alívio. Afinal, contaminação coletiva por comida contaminada é péssimo para os negócios. Aliás, quem é mesmo o dono da Vivace?

Análise de intoxicação de operários do Porto é divulgada

Mais de 100 funcionários deram entrada no Centro Municipal de Emergência Pedro Otávio Enes Barreto com sintomas de diarreia e vômitos

 A empresa Vivace Alimentação, responsável pelo fornecimento da alimentação dos funcionários do Porto do Açu, divulgou na tarde desta quarta-feira (9 de abril), o resultado do laudo sobre intoxicação ocorrido no dia 25 de março.

De acordo com a empresa, o resultado não constatou nenhuma contaminação nos alimentos.

Mais de 100 funcionários de duas empresas terceirizadas deram entrada no Centro Municipal de Emergência Pedro Otávio Enes Barreto, com sintomas de diarreia e vômitos. Na época, Agentes do Programa Saúde do Trabalhador e da Vigilância Sanitária do município apuraram as possíveis irregularidades por parte das empresas Carioca Engenharia e Armatek, onde atuam os trabalhadores, e, ainda, na Vivace Alimentação.

Como nada de irregular foi confirmado, a Vigilância Sanitária finalizou o caso. 

FONTE: http://www.jornalterceiravia.com.br/noticias/norte-noroeste_fluminense/45768/analise_de_intoxicacao_de_operarios_do_porto_e_divulgada

Porto do Açu: dragagem avança e junto com ela areia e água salgada

Ontem (31/03) falei aqui no blog de uma perícia judicial que seria feita numa propriedade rural no V Distrito de São João da Barra na chamada “Estrada da Figueira”. Uma pessoa que estava presente nessa perícia me enviou imagens da área e informações de que a areia depositada nos limites da área avaliada estaria se espalhando pela região por causa da ação dos ventos. Como essa é uma areia salgada, os danos ao ambiente e às atividades humanas acaba se tornando inevitável.

Mas há outra faceta agravando a situação que é o avanço do processo de dragagem para a construção de um canal de adução para os terminais do Porto do Açu que estão sendo construídos na área continental. Segundo me foi informado está ocorrendo afloramento de água salgada nas áreas vizinhas às obras, o que termina inviabilizando não apenas as práticas agropecuárias, mas até a realização de perícias judiciais.

Agora é que eu me pergunto: por onde andam os órgãos ambientais como INEA e IBAMA? E por que não ouvimos nada por parte da Prumo que agora é a proprietária do Porto do Açu e responsável pelas obras de conclusão do empreendimento?

Para não deixar dúvidas, posto abaixo algumas imagens da área que foi avaliada ontem e que foram tiradas sob os olhos vigilantes de vários seguranças privados. A verdade é que nada ou quase nada mudou no Porto do Açu após a saída de cena de Eike Batista. E querem saber, isto não me surpreende nenhum pouquinho!

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Nova perícia no V Distrito deverá aumentar exponencialmente os problemas da CODIN

areia

O dia de hoje (31/03) poderá trazer um duro golpe sobre as nebulosas desapropriações realizadas pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN) para beneficiar o ex-bilionário Eike Batista na construção do Porto do Açu. É que está programada para esta manhã a realização de uma nova pericia de uma propriedade rural de localização central na chamada “Estrada da Figueira”, e que deveria aumentar bastante os custos da desapropriação realizada pela CODIN.

Um detalhe que deverá aumentar o custo financeiro é a invasão de areia vinda do aterro hidráulico construído pela LL(X) e que hoje torna a propriedade praticamente inviável para a prática da agricultura, o que tornaria a vida do agricultor desapropriado ainda pior se a justiça resolvesse simplesmente suspender a desapropriação.

Agora é só esperar para ver qual será o tamanho do prejuízo da CODIN, pois do proprietário expropriado já se encontra na casa do incalculável.

 

Da série do “O TEMPO” sobre o mineroduto da Anglo American: Ministério Púbico  Federal exige reparos 

Previsão de escavação de 80 cm em Nova Era, em Minas Gerais, já está em torna 32 metros e ainda ameaça desmoronar

Economia - Especial - Minas GeraisMineroduto Minas Rio o maior do mundo aproximadamente 525km ligando Conceicao do Mato Dentro em Minas Gerais com o porto em Acu distrito de Sao Joao da Barra no Rio de Janeiro Empresas responsaveis pela Obra MMX Anglo A

Área rural de Nova Era teve nascentes de água destruídas, além dos inconvenientes causados pela obra que passa em sua propriedade. Foto: Mariela Guimarães

Quando a administradora de empresas Olímpia Guerra fez o acordo com a Anglo American para que o mineroduto do projeto Minas-Rio passasse por sua fazenda, em Nova Era, na região Central do Estado, a previsão era que a escavação tivesse cerca de 80 cm de profundidade, o suficiente para enterrar os tubos. Três anos depois, a intervenção já tem 32 m de profundidade e ainda ameaça desmoronar. Instável, o terreno cede à pressão do pé de uma pessoa adulta.

“Houve uma negociação com a empresa, mas não é um salvo-conduto. Eu não sou pessoa de obstar o progresso, mas respeito é bom”, desabafa a proprietária, que recebeu R$ 43 mil na negociação realizada entre 2007 e 2010. Ela diz que, em períodos de chuva, a terra desmorona e a água se acumula no fundo do vale que foi aberto. No fim do ano passado, um deslizamento de terra causado pelas chuvas deslocou os tubos do mineroduto em 1,2 m.

Casos como os de Olímpia Guerra motivaram o Ministério Público Federal em Minas Gerais (MPF-MG) a assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Anglo American, em fevereiro deste ano. Recuperar áreas degradadas, prevenir futuras degradações e diminuir os impactos sociais causados pelo projeto Minas-Rio são os compromissos assumidos pela mineradora. O prazo para que a empresa entregue os projetos com as ações que serão adotadas termina no início de abril.

“Ainda que não se possa desfazer o que foi feito, pode ser imputada a ela uma multa de valor significativo caso não sejam feitas as compensações”, diz o procurador da República José Adércio Leite Sampaio, que está à frente das negociações. O TAC faz parte de uma ação que o MPF-MG move contra o projeto Minas-Rio desde 2009 e que foi motivada pelo grande número de queixas que chegaram ao órgão.

De acordo com o procurador, antes de ajuizar a ação, o MPF-MG tentou acordos com a Anglo, sem sucesso. Ele destaca que, se a interlocução da empresa com os atingidos fosse mais eficaz, as queixas seriam menores. Sampaio informa que o foco do MPF-MG são os danos ambientais, mas garante que o órgão não é insensível aos problemas sociais causados pelo empreendimento. “Os relatos são dramáticos”, diz.

FONTE: http://www.otempo.com.br/cmlink/hotsites/especial-mineroduto/minist%C3%A9rio-p%C3%BAbico-federal-exige-reparos-1.815711

Série de reportagens do “O TEMPO” publica artigos sobre o Porto do Açu

Porto do Açu ‘salgou’  a terra dos produtores 

Morador reclama que a construção do porto, destino final do minério que sairá de Conceição do Mato Dentro, na região Central de Minas, tirou dos agricultores a possibilidade de plantar

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“Eu não sou contra o porto. Eu sou contra o ‘desarrespeito’”. A frase é do agricultor José Roberto de Almeida, 51, o Pinduca, morador do distrito de Água Preta, em São João da Barra (RJ), onde fica o porto do Açu. Ele reclama que a construção do porto, destino final do minério que sairá de Conceição do Mato Dentro, na região Central de Minas, tirou dos agricultores a possibilidade de plantar. “Quando eles puxaram a água do mar, o sal veio junto, e isso arrasou a agricultura”, conta.

Ele caminha rápido para mostrar as plantações totalmente secas, e as palavras saem quase que no mesmo ritmo dos passos, dando dimensão da revolta. “Aqui era abacaxi, aqui era maxixe, aqui era quiabo. Agora, olha, tudo seco. Perdi 70% do que plantei. A água que usamos para irrigar a lavoura está podre por causa do sal. O que é isso? É crescimento?”, desabafa.

Essa revolta levou os agricultores a procurarem o Laboratório de Ciências Ambientais (LCA), da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), que, desde de 2012, faz um estudo para medir a salinização no canal de Quitingute, na bacia do rio Doce, que banha a região. Na ocasião, foram encontradas amostras com índice de até 640 microsiemens por centímetro (µS/cm – unidade de medida de condutividade, usada para verificar a quantidade de sódio e indicar se a água é salobra). Segundo o professor Carlos Rezende, que coordenou o estudo, a água boa para irrigação deve ter, no máximo, 300 µS/cm.

Outro levantamento, feito pela empresa ERM em 2013, comprovou que a condutividade alcançou picos de 42 mil µS/cm. Para abacaxi, que tem presença marcante na região, o recomendável é 3.000 µS/cm. As referências estão em um estudo inédito, ao qual a reportagem teve acesso.

O levantamento foi encomendado pela LLX (atual Prumo e ex-empresa do grupo de Eike Batista) ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense (IFF) para verificar as condições atuais das águas do canal de Quitingute. De acordo com o relatório, a água foi avaliada em 55 propriedades, e, em agosto de 2013, 11% ainda apresentavam alto nível sódico no solo.

A medição aconteceu um ano depois que um dos tanques de transferência da LLX apresentou uma falha técnica durante as perfurações e extração do sal para a construção do porto do Açu. A água salgada vazou para córregos e rios.

Estudos como os da Uenf embasaram uma ação civil pública do Ministério Público Federal de Campos dos Goytacazes para provar que as obras para a construção do porto causaram a salinização em áreas de solo, de águas doces em canais e lagoas e da água tratada para o consumo humano. Em fevereiro deste ano, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) reconheceu que houve impactos no canal de Quitingute e em toda a região. A desembargadora Maria Helena Cisne reconheceu que a salinização pode ter atingido ainda a rede de água para abastecimento humano em toda região.

Grupo X

Desde 2012, o procurador da República, Eduardo Santos de Oliveira, do MPF de Campos dos Goytacazes, move uma ação civil pública contra EBX, OSX (do grupo de Eike) e LLX (agora Prumo), por conta da degradação ambiental causada pelas obras do porto do Açu. O Instituto Estadual do Meio Ambiente (Inea) e o Ibama também são réus.

Agora, com a decisão do TRF2, Oliveira espera um precedente para que os agricultores sejam ressarcidos. “Essa vitória significa que o MPF foi reconhecido como órgão competente para fiscalizar os impactos das obras do porto do Açu, o que era questionado, pois o licenciamento é fatiado e, no caso do porto, foi concedido pelo Estado do Rio de Janeiro, e não pelo Ibama. A partir daí, temos expectativas de decisões favoráveis aos prejudicados”, diz.

FONTE: http://www.otempo.com.br/cmlink/hotsites/especial-mineroduto/porto-do-a%C3%A7u-salgou-a-terra-dos-produtores-1.814800

Quotidiano informa: Intoxicação alimentar atinge mais de 100 funcionários do Porto do Açu

Município vai acionar o Programa de Saúde do Trabalhador e a inspeção da Vigilância Sanitária para que acompanhe e entre em contato com as empresas responsáveis.

Por: Bruno Costa

Intoxicação alimentar atinge mais de 100 funcionários do Porto do Açu
Mais de 100 funcionários do Porto do Açu deram entrada no Centro de Emergência

Crédito: Bruno Costa

A manhã deste terça-feira (25) foi atípica no Centro de Emergência de São João da Barra. Quatro ônibus trouxeram mais de 100 funcionários de empresas do Porto do Açu que deram entrada no centro médico com sintomas de intoxicação alimentar e estão sendo atendidos pela equipe médica do posto que requisitou reforço de médicos de outras localidades. Cerca de 20 pacientes foram remanejados para outras unidades de saúde.

A secretária de Saúde do município, Denise Esteves, estava no local e disse que já acionou o Programa de Saúde do Trabalhador e a inspeção da Vigilância Sanitária para que acompanhe e entre em contato com as empresas responsáveis, tanto as empregadoras, Carioca e Armatek, quanto a prestadora de serviços de alimentação, Vivace.

Segundo Anderson Dutra de Oliveira (29), empregado na Carioca há um ano e meio, esta não é a primeira vez que o fato ocorre no Porto. “Isso já aconteceu três vezes, só que esta com uma proporção maior. Acho que desta vez foi a carne, encontramos minhoca na salada”, denuncia o trabalhador que já fez parte da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) e faz reclamação há tempos sobre o serviço de alimentação da Vivace. Ele ressalta que diariamente tem funcionário passando mal lá no Porto.

Em contato com a Vivace, que tem sede no Parque Imperial, em Campos dos Goytacazes, o gerente Sassá, que estava em reunião, disse que nos atenderia daqui a pouco.