A dança do PPS: Comte Bittencourt é Rafael aqui, e Rafael é Comte Bittencourt lá

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Soube há um tempo atrás que na última audiência da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, mereci uma daquelas falas animadas que deputados normalmente reservam para os dias em que os alvos de suas mensagens não estão presentes. O interessante é que o deputado que se animou a me atacar “in absentia” foi o normalmente fleumático presidente da referida comissão, o deputado Comte Bittencourt (PPS).

Segundo o que me foi dito, o deputado Comte Bittencourt teria carregado com tintas a fala ao apontar uma suposta aproximação minha com o ex-governador Anthony Garotinho no que constituiria uma espécie de contradição com a minha trajetória política. 

Fiquei meio intrigado sobre como tal aliança com o ex-governador Garotinho estaria se dando, pois não o encontro pessoalmente há quase 14 anos e conto nos dedos as vezes em que conversamos.  Inferi que a ira do deputado Comte Bittenocurt contra a minha pessoa não poderia ser apenas por causa da atual pendenga em torno da extinção da Escola Técnica Estadual Antonio Sarlo (ETEAAS).

A explicação mais ampla seriam as repetidas e merecidas críticas que tenho feito à desastrosa gestão do jovem prefeito Rafael Diniz à frente da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes já que os mesmos pertencem ao mesmo partido, o PPS.

Hoje minha inferência foi confirmada pelo jornalista Saulo Pessanha que informou em sua coluna no jornal Folha da Manhã que Comte Bittencourt teria sido ungido por Rafael Diniz como seu candidato a deputado estadual nas eleições que deverão ocorrer em Outubro (ver reprodução abaixo), no que se configuraria num “Comte é Rafael aqui, e Rafael é Comte lá”. 

rafael comte

Interessante notar que o deputado Comte Bittencourt, cujo nome completo é Plínio Comte Leite Bittencourt, é um tipo de presidente “ad eternum” da Comissão de Educação da Alerj, provavelmente valendo-se da sua larga empresarial na área da educação, pois até 2010 era um dos proprietários da Sociedade Educacional Plínio Leite S/S Ltda, mantenedora do Centro Universitário Plínio Leite (Unipli), na região de Niterói (RJ),  que foi vendida por R$ 56,972 milhões, ao Grupo Anhanguera que, por sua vez, foi comprado pela Kroton Educacional em 2014. Em outras palavras,  há que se reconhecer que se há algo de que o deputado Comte Bittencourt entende é de educação, particularmente aquela que dá muito, mais muito lucro mesmo, ao proprietários de escolas particulares.

De toda forma, que fique claro a quem quer que seja que criticar os grosseiros equívocos e ações anti–populares do governo do jovem prefeito Rafael Diniz não significa estar alinhado a Anthony Garotinho. Apesar desta ser a via mais fácil de me desqualificar em um ambiente político tão conflagrado como o que temos neste momento, a mesma carece de qualquer sustentação objetiva, mesmo porque não basta concordar na crítica para que haja alinhamento em qualquer instância que seja. Em outras palavras,  o deputado Comte Bittencourt perdeu tempo precioso me atacando, quando deveria ter se concentrado em tentar salvar (e não em ajudar a fechar) a Antonio Sarlo.

Finalmente,  ao eleitor campista caberá na hora de decidir o seu voto em outubro, que  “Comte Bittencourt é Rafael aqui, e Rafael é Comte Bittencourt lá”. 

E Rafael Diniz segue firme nas pegadas de Pezão…

 

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Já notei mais de uma vez neste blog a alta semelhança entre as receitas ultraneoliberais que estão sendo aplicadas pelo jovem prefeito Rafael Diniz  (PPS) com aquelas impostas à população fluminense, especialmente os servidores públicos estaduais, pelo (des) governador Luiz Fernando Pezão.   As semelhanças estão por todos os lados, mas mais explicitamente no corte de políticas sociais e no tratamento dado aos servidores públicos.

Mas eu não imaginava que Rafael Diniz fosse reproduzir também o calote no pagamento do 13o. salário, mas não é que na 23a. hora o site da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes anunciou o parcelamento deste crucial abono salarial!? [1]. De quebra, ainda colocou uma pitada de cinismo tão ao gosto do (des) governo Pezão ao anunciar o pagamento parcelado do 13o. salário como uma grande injeção de recursos na economia municipal. A coisa é tão descarada que me vi forçado a usar uma caneta corretora para informar aos leitores deste blog o que, de fato, está sendo empurrado goela abaixo dos servidores públicos municipais.

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Agora, se o jovem prefeito campista e sua equipe de menudos neoliberais acham que sua pequena peça de propaganda enganosa enganou por muito tempo, que pensem de novo. É que quase imediatamente após a publicação do anúncio disfarçado do parcelamento do 13o. salário,  já circulavam em grupos de Whatsapp formado por servidores da PMCG uma série de memes tecendo “homenagens” a Rafael Diniz (ver um deles abaixo). E servidores com quem conversei sobre essa decisão de parcelar o 13o. salário não esconderam sua indignação com a postergação da divulgação. É que muitos até já fizeram compromissos financeiros contando com o cumprimento do calendário salarial que agora foi jogado no lixo.

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Um dos meus interlocutores salientou ainda que, ao feito do (des) governo Pezão, havia prometido que a venda da folha salarial dos servidores municipais para o Banco Santander teria arrecadado recursos que seriam usados para justamente pagar o 13o. salário que agora vai ser parcelado.   O mesmo tipo de promessa teria sido feito com a parcela de Dezembro do fundo de participação especial dos royalties.  O que muitos estranhos agora é que a alegação é que inexistem recursos para honrar o pagamento integral do 13o. salário de 2017.

Mas uma coisa é certa: a gestão de Rafael Diniz foi extremamente consistente em seu primeiro ano: exterminou políticas sociais e agora promove este calote contra os servidores municipais. O problema é que a consistência aqui tem a ver com as fórmulas ultraneoliberais que têm sido aplicadas pelo (des) governo Pezão e não com o programa eleitoral com o qual se projetou um processo de mudanças para a cidade de Campos dos Goytacazes.

Agora, interessante esperar pelas manchetes da mídia corporativa local sobre este parcelamento com anúncio tardio. É que se fosse no ano passado, quando Rosinha Garotinho ainda governava Campos dos Goytacazes, certamente teríamos manchetes garrafais denunciando este parcelamento como o fim do mundo, especialmente para o comércio local.

Aliás, falando em Rosinha Garotinho, sempre se lembra de Anthony Garotinho que continua cumprindo sua ordem de prisão sem condenação. Desconfio que neste momento de pedidos natalinos, o pedido de Rafael Diniz e sua equipe é que Anthony Garotinho continue um longo tempo trancafiado. É que do jeito que anda a quebra de promessas que o ex-governador havia anunciado que ocorreriam, o risco de soltá-lo logo é de vê-lo sendo carregado em uma gloriosa volta olímpica pela cidade de Campos dos Goytacazes por eleitores arrependidos de Rafael Diniz que se sentem vítimas de um estelionato eleitoral. E esses, meus caros leitores, já são muitos e com tendência de aumentar ainda mais.

E antes que eu me esqueça ai vai minha síntese para a relação simbiótica que prefeito e (des) governador parecem estar mantendo: Diniz é Pezão e Pezão é Diniz. Simples assim.


[1] https://www.campos.rj.gov.br/exibirNoticia.php?id_noticia=42773

PEC 241 e o engano de quem promete algo aqui e vota outra acolá

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Como preâmbulo quero observar que só pode estar no auto-engano ou no engano puro e simples quem dissemina a visão de que a simples eleição de um novo operador  pode mudar as relações de compadrio que vigoram na vida política brasileira. Essa impossibilidade se dá primariamente porque a imensa maioria dos partidos opera com base no princípio do “toma lá dá cá” e muitos muitos agentes que ocupam quase ad eternum a máquina pública sabem perfeitamente disso. 

Tanto o que eu disse é verdade que no caso da prefeitura de Campos dos Goytacazes existem personagens que estão ocupando cargos desde que o avô do prefeito eleito ainda reinava soberano na política local. E tenho certeza que já em Janeiro teremos várias figurinhas carimbadas novamente sentando em cadeiras para as quais a única habilitação que possuem é a capacidade de transmutação de lealdades.

E não adiantará nada os aliados de primeira hora do prefeito eleito franzirem a testa para esboçar sinais de reclamo.  É que se não houver a possibilidade de se permitir a adesão dos camaleões que vão passar da cor rosa para a verde, o novo alcaide não conseguirá uma semana de paz sequer para dizer a que veio.

Mas já que o tópico desta postagem é engano, eu vou ficar esperando para ver como o prefeito eleito dará conta de manter os programas sociais que têm impedido a cidade de explodir em conflito aberto com a implementação dos termos da PEC 241 cuja aprovação contou com a votação total do seu partido, o Partido Popular e Socialista (sic!). É que diante não apenas da pesada dívida que está sendo deixada para ele, e com os novos limites de gastos em áreas como saúde e educação, os cortes orçamentários serão inevitáveis e atingirão exatamente os mais pobres.

Esse “conundrum” (i.e, enigma) é que o prefeito eleito terá de resolver. É que não vai ter como continuar atendendo os pobres sem romper com as determinações que o seu partido ajudou a aprovar na PEC 241. E não vai adiantar nada a classe média reacionária apoiar o fim da passagem a R$ 1,00, a extinção do Cheque Cidadão ou o fim do Morar Feliz. É que esse apoio da minoria que se julga privilegiada terá como contrapartida a ira contida da maioria pobre. E haja concertina para colocar nos muros dos condomínios fechados e prédios nababescos que enfeitam as áreas mais abastadas desta pobre cidade rica.

Para a direita, a voz das urnas só é boa quando seus partidos ganham

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Não é preciso ir longe para dizer que desacredito completamente nas eleições burguesas como um instrumento de validação da vontade da maioria pobre da população brasileira.  Um sistema eleitoral como o nosso, onde quem tem dinheiro carrega chances muito maiores do que os que não tem não pode construir governos que estejam efetivamente antenados com a realidade da maioria. Esse é claramente um sistema voltado para manter os privilégios de uma minoria que é privilegiada desde que os portugueses encostaram as suas naus na costa brasileira. O famoso pessoal do 1% dos mais ricos que adora passear na Europa, mas quer nosso povo vivendo eternamente em favelas e guetos.

Mas de vez em quando são eleitos determinados partidos que se afastam um pouco da cartilha que defendem apenas os interesses daquele 1% que fica com quase toda a riqueza gerada pelo trabalho da maioria. Quando isso acontece normalmente a culpa é dos mais pobres que se deixaram levar por promessas populistas e vantagens passageiras. No caso de Campos dos Goytacazes, essas “vantagens” (que na verdade são medidas meramente paliativas voltadas para suavizar o profundo social criado pela concentração da renda) incluem a passagem a R$ 1,00 e o Cheque Cidadão. Nestes momentos em que os partidos do 1% perdem, as eleições são apontadas como viciadas e controladas por populistas que as usam com propósitos sempre escusos. E o pobre, coitado do pobre, é um ser vil e venal, incapaz de ver o que se passa diante de seu nariz.

Entretanto, quando ganham os partidos que, por exemplo, apoiaram o golpe de estado que apeou a presidente Dilma Rousseff ilegalmente do poder, o que se vê é que as eleições mudaram magicamente a condição política do país e das cidades. Aí a população pobre é repentinamente formada por sábios e críticos, capazes de discernir propostas e candidatos. Esse fenômeno de conversão do pobre vendilhão em sábio democrático está presente aqui mesmo em Campos dos Goytacazes com a vitória de Rafael Diniz do  Partido Popular e Socialista (sic!) que foi um dos mais ativos organizadores do golpe de estado “light” contra Dilma Rousseff.  Agora, os antes manipulados pelas benesses populistas estão sendo transformados em iluminados defensores da democracia.

Qual é a lição que eu tiro dessa repentina aclamação do voto dos pobres em candidatos da direita? Que a voz das urnas só é boa quando eles ganham. Mas, me perdoem os mais entusiasmados, vamos ver como a coisa fica quando em nome da governabilidade que só serve aos membros do 1% forem cortados os programas sociais que tem melhorado a vida dos mais pobres.  E não tenho dúvidas, esses programas serão cortados em Campos dos Goytacazes,  como já estão sendo cortados em nível federal. A ver!