PEC 241 e o engano de quem promete algo aqui e vota outra acolá

engano

Como preâmbulo quero observar que só pode estar no auto-engano ou no engano puro e simples quem dissemina a visão de que a simples eleição de um novo operador  pode mudar as relações de compadrio que vigoram na vida política brasileira. Essa impossibilidade se dá primariamente porque a imensa maioria dos partidos opera com base no princípio do “toma lá dá cá” e muitos muitos agentes que ocupam quase ad eternum a máquina pública sabem perfeitamente disso. 

Tanto o que eu disse é verdade que no caso da prefeitura de Campos dos Goytacazes existem personagens que estão ocupando cargos desde que o avô do prefeito eleito ainda reinava soberano na política local. E tenho certeza que já em Janeiro teremos várias figurinhas carimbadas novamente sentando em cadeiras para as quais a única habilitação que possuem é a capacidade de transmutação de lealdades.

E não adiantará nada os aliados de primeira hora do prefeito eleito franzirem a testa para esboçar sinais de reclamo.  É que se não houver a possibilidade de se permitir a adesão dos camaleões que vão passar da cor rosa para a verde, o novo alcaide não conseguirá uma semana de paz sequer para dizer a que veio.

Mas já que o tópico desta postagem é engano, eu vou ficar esperando para ver como o prefeito eleito dará conta de manter os programas sociais que têm impedido a cidade de explodir em conflito aberto com a implementação dos termos da PEC 241 cuja aprovação contou com a votação total do seu partido, o Partido Popular e Socialista (sic!). É que diante não apenas da pesada dívida que está sendo deixada para ele, e com os novos limites de gastos em áreas como saúde e educação, os cortes orçamentários serão inevitáveis e atingirão exatamente os mais pobres.

Esse “conundrum” (i.e, enigma) é que o prefeito eleito terá de resolver. É que não vai ter como continuar atendendo os pobres sem romper com as determinações que o seu partido ajudou a aprovar na PEC 241. E não vai adiantar nada a classe média reacionária apoiar o fim da passagem a R$ 1,00, a extinção do Cheque Cidadão ou o fim do Morar Feliz. É que esse apoio da minoria que se julga privilegiada terá como contrapartida a ira contida da maioria pobre. E haja concertina para colocar nos muros dos condomínios fechados e prédios nababescos que enfeitam as áreas mais abastadas desta pobre cidade rica.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s