Para a direita, a voz das urnas só é boa quando seus partidos ganham

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Não é preciso ir longe para dizer que desacredito completamente nas eleições burguesas como um instrumento de validação da vontade da maioria pobre da população brasileira.  Um sistema eleitoral como o nosso, onde quem tem dinheiro carrega chances muito maiores do que os que não tem não pode construir governos que estejam efetivamente antenados com a realidade da maioria. Esse é claramente um sistema voltado para manter os privilégios de uma minoria que é privilegiada desde que os portugueses encostaram as suas naus na costa brasileira. O famoso pessoal do 1% dos mais ricos que adora passear na Europa, mas quer nosso povo vivendo eternamente em favelas e guetos.

Mas de vez em quando são eleitos determinados partidos que se afastam um pouco da cartilha que defendem apenas os interesses daquele 1% que fica com quase toda a riqueza gerada pelo trabalho da maioria. Quando isso acontece normalmente a culpa é dos mais pobres que se deixaram levar por promessas populistas e vantagens passageiras. No caso de Campos dos Goytacazes, essas “vantagens” (que na verdade são medidas meramente paliativas voltadas para suavizar o profundo social criado pela concentração da renda) incluem a passagem a R$ 1,00 e o Cheque Cidadão. Nestes momentos em que os partidos do 1% perdem, as eleições são apontadas como viciadas e controladas por populistas que as usam com propósitos sempre escusos. E o pobre, coitado do pobre, é um ser vil e venal, incapaz de ver o que se passa diante de seu nariz.

Entretanto, quando ganham os partidos que, por exemplo, apoiaram o golpe de estado que apeou a presidente Dilma Rousseff ilegalmente do poder, o que se vê é que as eleições mudaram magicamente a condição política do país e das cidades. Aí a população pobre é repentinamente formada por sábios e críticos, capazes de discernir propostas e candidatos. Esse fenômeno de conversão do pobre vendilhão em sábio democrático está presente aqui mesmo em Campos dos Goytacazes com a vitória de Rafael Diniz do  Partido Popular e Socialista (sic!) que foi um dos mais ativos organizadores do golpe de estado “light” contra Dilma Rousseff.  Agora, os antes manipulados pelas benesses populistas estão sendo transformados em iluminados defensores da democracia.

Qual é a lição que eu tiro dessa repentina aclamação do voto dos pobres em candidatos da direita? Que a voz das urnas só é boa quando eles ganham. Mas, me perdoem os mais entusiasmados, vamos ver como a coisa fica quando em nome da governabilidade que só serve aos membros do 1% forem cortados os programas sociais que tem melhorado a vida dos mais pobres.  E não tenho dúvidas, esses programas serão cortados em Campos dos Goytacazes,  como já estão sendo cortados em nível federal. A ver!

 

 

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