Anthony Garotinho: derrotado, mas longe de ser terminado

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No dia 19 de Setembro, escrevi uma postagem onde comentava que as coisas não andavam nada fáceis para Anthony Garotinho na eleição para prefeito de Campos dos Goytacazes (Aqui!). Ontem, minha avaliação se confirmou com a vitória em primeiro turno do candidato Rafael Diniz do PPS.

Reconheço que minha percepção de dificuldade não me possibilitou ver que a derrota já ocorreria em primeiro turno, mas ela veio de forma avassaladora. Para mim, vários fatores contaram para essa derrota, a começar pelo desgaste de se estar no comando de uma prefeitura por 8 anos, sem que tivesse sido aberto um horizonte de mudanças. Aliás, muito pelo contrário. Além disso, a impossibilidade de que o próprio Garotinho pudesse ser candidato, a opção recaiu sobre um personagem que quando foi chamado a ocupar o posto de frente não mostrou o molejo necessário para ganhar a eleição. Por fim, a marcação cerrada da justiça eleitoral e a ação da Polícia Federal completaram o serviço.

Agora, sei que muitos desafetos de Anthony Garotinho estão festejando a sua derrota no dia de hoje. E, convenhamos, festejam com justiça porque derrotá-lo em Campos dos Goytacazes não é uma tarefa fácil. Mas que depois dos festejos ninguém se dê ao trabalho de desfilar com um caixão em praça pública para marcar o fim de sua influência local. É que além de outros já terem feito isso antes para depois aderir ao seu grupo, um simples olhar para os vereadores eleitos mostrará que Garotinho atuou com um claro Plano B nessas eleições. Se perdesse a Prefeitura, não poderia perder a Câmara de Vereadores. E isso ele conseguiu. Além disso, apesar de haver quem ache que aquela costumeira distribuição de afagos poderá melhorar a correlação, há que se lembrar que 2017 será um ano especialmente difícil para as finanças municipais. E mais do que ninguém, Anthony Garotinho saberá trabalhar essa realidade de vacas magras para, digamos, segurar o rebanho.

Além disso, basta dar uma olhada nos prefeitos eleitos em outros municípios para verificar que Anthony Garotinho não atuou apenas pensando em Campos dos Goytacazes, e a vitória de seu candidato em Itaperuna está aí para provar isso de forma clara. É esse olhar para além de Campos dos Goytacazes, que chega até a aliança com Marcelo Crivella no Rio de Janeiro, que mostra que apesar de ter tomado um torpedo na proa, não é ainda dessa vez que o encouraçado de Garotinho vai afundar.

Mais do que ninguém o prefeito eleito de Campos dos Goytacazes vai ter que se lembrar de rapidamente de que agora passou de estilingue para vidraça. E, pior, que na condição de vidraça, o principal estilingue que terá apontado contra ele será o de Anthony Garotinho. Como antecipo que, em nome da governabilidade, a coalizão vencedora vai começar um processo de cortes de custos que atingirá basicamente os programas sociais da Prefeitura, vamos como fica essa passagem de estilingue para vidraça. Enfim, que o novo prefeito festeje bastante até 31 de Dezembro, pois a partir de 01 de Janeiro vem chumbo quente por ai.

Dezoito madeireiros tentam ser eleitos nos 52 municípios que mais desmatam no país (2)

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Levantamento feito pelo De Olho nos Ruralistas mostra que candidatos à prefeitura já estiveram envolvidos em algumas das principais investigações já feitas sobre extração ilegal de madeira

Por Alceu Luís Castilho, no De olho nos Ruralistas

Dono de um patrimônio de R$ 24 milhões (R$ 5 milhões em dinheiro), o candidato à reeleição na prefeitura de Marcelândia (MT), Arnóbio Vieira de Andrade (PSD), declarou à Justiça Eleitoral uma empresa chamada Ava Desmatamento e Pecuária. O nome não é à toa: as atividades estão bem interligadas na Amazônia Legal. Pecuarista, ele registrou também na Justiça Eleitoral a propriedade de duas motosserras à gasolina, profissionais, modelo 381 – destinada a corte de árvores de médio porte.

Mas sejamos justos: não encontramos nenhuma denúncia de crime ambiental contra o prefeito. O mesmo não se pode dizer de outros candidatos no Arco do Desmatamento. Várias operações – mais ou menos famosas – de combate à exploração ilegal de madeira na Amazônia tiveram a presença de políticos candidatos em 2016. Entre 52 dos municípios que mais desmatam no Brasil, 18 madeireiros tentam ser prefeitos. E a maior parte deles já esteve envolvida em alguma denúncia relativa à extração proibida ou outro tipo de crime ambiental relacionado à madeira.

É o caso do candidato à reeleição em Feliz Natal (MT), Toni Dubiella. Ele já presidiu o Sindicato das Madeireiras do município. Declarou R$ 14,8 milhões em bens este ano (bem mais que os R$ 3,7 milhões de 2012), entre eles a Madeireira Vinícius Ltda, onde trabalham 120 pessoas. O próprio site da prefeitura traz um Dubiella sorridente, se promovendo, e contando que, quando jovem, deixou a pequena empresa de seu pai em busca de seus sonhos: “tornar-se um empresário madeireiro”.

O Ibama de Sinop registrou em 2013 um auto de infração contra a empresa. Em 2015, teve a pena prescrita por um crime ambiental denunciado em 2008: a venda de 68 mil metros quadrados de madeira serrada sem licença. Não foi um caso isolado. Segundo o Ministério Público, ele dificultou a ação dos fiscais do Ibama durante uma inspeção em 2010. Estavam armazenados sem licença pedaços serrados de madeira itaúba, champagne, cupiúba, cambará, cedrinho, sucupira preta, angelim e cambará-rosa. Todos apreendidos. O Tribunal de Justiça do Mato Grosso acolheu no ano passado a denúncia.

Outro caso emblemático é o de Eudes Aguiar (DEM), prefeito de Brasnorte (MT) candidato à reeleição em uma coligação chamada É Pra Frente que se Anda – com PP, PT e PMDB, entre outros. Dono da madeireira Imperatriz, ele foi preso em 2005 numa das maiores operações já feitas contra o desmatamento, a Curupira. A ofensiva da Polícia Federal e do Ministério Público Federal ocorreu em 16 municípios de oito Unidades da Federação. Com 95 acusados de integrar o que foi chamado, então, de “maior quadrilha” a praticar crimes ambientais no país. A madeira retirada ilegalmente encheria 66 mil caminhões.

Em 2010, Aguiar foi flagrado em Jaraguari (MS) transportando galos de rinha em uma caminhonete. Mas é mesmo pela madeira que ele costuma ser investigado. Ele e a madeireira são réus em ação civil pública movida pelo Ministério Público mato-grossense. E a punição em relação à Operação Curupira ainda se arrasta, mais de dez anos depois: ele e mais cinco pessoas são acusados pelo Ministério Público Federal em pedido de prisão temporária. E tudo isto em relação a um esquema que mobilizou 450 policiais, em 2005, e teria rendido R$ 890 milhões à quadrilha – nos valores da época.

Outros se lembrarão da Operação Arco de Fogo – mais um nome pelo qual é conhecido o Arco do Desmatamento. Em Rondônia, em 2008, um dos que estiveram na mira da Polícia Federal foi o prefeito de Nova Mamoré (RO), Laerte Queiroz (PMDB), candidato à reeleição em coligação que inclui o PT, o PPS e o PV. A declaração de bens de 2012 registra a participação na empresa S.F. Madeiras, ao lado de Salete Queiroz. Ambos foram denunciados em 2014 por “fraude para legalizar madeira clandestina”, em 2007 e 2008, segundo o Ministério Público do Estado de Rondônia. As guias florestais tinham informações falsas. O TJ-RO aceitou este ano a denúncia por falsidade ideológica.

A LISTA DOS MADEIREIROS

Entre 308 candidatos em 52 dos municípios que mais desmatam no Brasil, são 18 os madeireiros. Fora os simpatizantes. E a maioria não quer ser vice, não. Apenas três deles tentam ser vice-prefeitos. Os demais tentam a reeleição, como Andrade, ou chegar pela primeira vez à prefeitura, comandando secretarias como a da Agricultura e Pecuária ou a do Meio Ambiente. O levantamento foi feito nas últimas semanas pelo De Olho nos Ruralistas, na reportagem especial Eleições 2016 – O Arco Político do Desmatamento. PSDB e PMDB são os partidos com mais candidatos madeireiros:

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A lista acima exclui candidatos que não declararam nenhuma empresa do setor, mas são diretamente ligados a madeireiros. Caso da ex-deputada estadual Luciane Bezerra (PSB), candidata em Luara (MT). Ela é nora do madeireiro Orivaldo Bezerra, investigado pela Polícia Federal por retirada de madeira de terras indígenas. Ou do prefeito de Lábrea (AM), Gean Barros (PMDB), genro de Oscar Gadelha, dono de uma micro empresa destinada à “extração de madeira em florestas plantadas”. Barros e Gadelha foram flagrados utilizando trabalho escravo em propriedade reivindicada pelo prefeito, em plena Reserva Extrativista do Médio Purus, na beira do Rio Umari.

Candidato à reeleição, Gean Barros tentou impedir fiscalizações de crimes ambientais nas reservas, no sul do Amazonas. Ao lado do deputado estadual Adjuto Afonso (PDT) e do ex-diretor-presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas, Graco Fregapani, ele mobilizou a população para expulsar fiscais do Instituto Chico Mendes (ICMBio) do município. Eles tinham ido checar a denúncia de que a unidade de conservação estava sendo utilizada para a extração de madeira. O nome de Gadelha aparece desde os anos 90 em denúncias de venda ilegal de toras.

Outro candidato à reeleição, Antonio Rufatto (PSDB), já presidiu o Sindicato dos Madeireiros de Paranaíta, no Mato Grosso. Em 2016, não declarou nenhuma madeireira, só fazendas. Seu irmão, Lir Rufatto, também filiado ao PSDB de Paranaíta, é madeireiro no Mato Grosso e no sul do Amazonas. Está na lista suja do trabalho escravo, por exploração no km 180 da Rodovia Transamazônica, no distrito de Santo Antônio do Matupi, em Manicoré (AM). É um local – que deveria ser um assentamento do Incra – conhecido como o “180”, pivô dos conflitos com os Tenharim, da terra indígena vizinha.

Lir Rufatto – conhecido na família como Moreira – responde a vários processos criminais pelo país. Pertence a uma família de madeireiros: uma das empresas está no nome de sua mulher, Vitória. Antonio Rufatto, o irmão candidato à reeleição, já foi absolvido num processo que apontava sua madeireira, a Perimetral, como beneficiária do furto de autorizações do Ibama para transporte de madeira. O caso ocorreu em 2005 e foi arquivado em maio deste ano. Segundo o desembargador que relatou o caso, o juiz não deveria ter acolhido a denúncia, pois Rufatto já era prefeito.

TUCANOS E MADEIREIROS

Poucas madeireiras foram declaradas pelos candidatos por valores acima de R$ 100 mil. Uma exceção é a empresa do tucano João Rogério de Souza, que tenta voltar à prefeitura de Nova Bandeirantes (MT). Ela vale R$ 500 mil. Pouco em relação ao total de bens do político, R$ 7,6 milhões – sete vezes mais que em 2008. A madeireira J.R. de Souza, ou União, já foi alvo de auto de infração do Ibama em outro município do Mato Grosso, Sinop, em 2008. Com apreensão de madeira.

A madeireira do candidato Milton Amorim (PSDB) em Colniza (MT), a Santa Clara, foi declarada por apenas R$ 25 mil. O município ficou conhecido em 2015 como “o município que mais desmata no Brasil”. Entre agosto e dezembro, respondeu por 19% de todo o desmatamento no Mato Grosso. O pecuarista Miltinho, presidente do Sindicato Rural do município, assinou no ano passado um termo de ajustamento proposto pelo Ministério Público do Estado por causa dos danos ambientais causados pelos resíduos de sua serraria, “casca, cavaco, costaneira, pó de serra, maravalha e aparas”.

Outro tucano que assinou um Termo de Ajustamento de Conduta foi Altamir Kurten, candidato em Cláudia (MT) e dono da Kurten Madeiras do Norte. A promotora Luane Rodrigues Bonfim determinou em julho que ele não corte a mata nativa ou área de proteção permanente de sua propriedade, bem como não utilize “fogo para a limpeza de área”. Sob pena de levar uma multa diária de R$ 5 mil. A Kurten Madeiras foi declarada por R$ 95 mil apenas, mas o candidato registrou na Justiça Eleitoral um empréstimo de R$ 911 mil à madeireira.

EM DEFESA DO SETOR

A madeireira mais valiosa entre as declaradas pelos candidatos no Arco do Desmatamento é a 3F Madeiras, do prefeito de Aripuanã (MT), Ednilson Faitta (PMDB). Ele declarou cotas no total de R$ 1,44 milhão, metade do capital da empresa. Ele preside desde 1999 a Associação das Indústrias Madeireiras de Aripuanã, mas abriu a serraria 3F em 2010. Seu vice, Junior Dalpiaz (PDT), já assinou documento cobrando do governo valorização do que chama de “setor florestal” – a exploração de madeira é a principal atividade econômica do município – e defendendo o manejo em terras indígenas.

Nem sempre é fácil localizar a madeireira do candidato. No caso de Valdinei Correa Pereira, o Valdinei do Posto (PMN), candidato a vice-prefeito em Pimenta Bueno (RO), localizamos uma de suas duas empresas, a Rondo Madeiras, esta de Espigão D’Oeste (RO), pelo CPF. A outra, a Madbel Madeiras, já estava mencionada em uma condenação feita pelo Tribunal de Justiça em 2015. Em 2009, Valdinei foi flagrado pela Polícia Rodoviária Federal transportando um reboque furtado. Em 2012, ele era procurado, como sócio da Rondo Madeiras, mas estava em “lugar incerto e não sabido”.

MEMÓRIA

Em alguns casos, o político vai reconstruindo seu perfil rumo a algo mais amigável – e as notícias sobre exploração de madeira vão ficando distantes. O prefeito de São Félix do Xingu (PA), João Cleber de Sousa Torres (PMDB), era mencionado pelo Ministério Público Federal em 2003 como um dos principais mandantes de uma “máfia da grilagem” na região. Candidato à reeleição em município que ainda lidera o ranking de homicídios na Amazônia, ele era descrito pelos procuradores como dono das madeireiras Impanguaçu e Maginga. Em 2016, João Cleber declarou possuir um total de R$ 20 milhões em bens, oriundos principalmente de 15 mil cabeças de gado.

Quem também andou se beneficiando do esquecimento foi o ex-deputado estadual Paulo Jasper, o Macarrão (DEM), candidato em Tailândia (PA). Em 2008, era apontado como integrante de uma quadrilha da madeira que lucrava R$ 90 milhões com fraudes, segundo promotores paraenses. O município chegou a ser ocupado por tropa da Força Nacional. Áreas devastadas havia mais de 15 anos eram “esquentadas” a partir de papéis fraudulentos: duas fazendas existiam apenas em cartório, para justificarem o desmatamento. Quem denunciou o esquema foi um antigo sócio de Macarrão.

E tem mais. O tucano Paulo Pombo Tocantins, candidato à reeleição em Paragominas (PA), é dono do único cartório no município. Vejamos esta notícia de 2003, do Greenpeace: “Madeireiros destroem castanhais dentro da área proposta para a criação de reserva em Porto de Moz”. Os ativistas percorreram a estrada que ligava o plano de manejo, pertencente a Paulo Tocantins, e encontraram toras abandonadas, tocos e trilhas de arraste de toras por tratores. Segundo a organização, ele fornecia madeira para várias indústrias madeireiras: Eidai do Brasil, Intelnave e Tropical. Em 2004, o Greenpeace atualizou o caso: a madeira apreendida pelo Ibama tinha sumido.

FONTE: http://racismoambiental.net.br/2016/09/17/dezoito-madeireiros-tentam-ser-eleitos-nos-52-municipios-que-mais-desmatam-no-pais/#.V-NKu141OlR.facebook

PMDB e Eduardo Paes apostam no conservadorismo dos pobres para manter candidatura de Pedro Paulo

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Estive hoje conversando com uma pessoa que conhece bem as entranhas do PMDB carioca, e ela compartilhou comigo a percepção que guia Eduardo Paes para manter a candidatura do seu pupilo Pedro Paulo para as eleições da prefeitura do Rio de Janeiro em 2016.

Segundo essa pessoa a pedra no sapato representada pela agressão de Pedro Paulo à sua ex-mulher seria apenas um problema na Zona Sul e entre eleitores mais educados, e que esse efeito negativo seria minimizado nas zonas oeste e norte, onde a questão da violência contra a mulher seria mais tolerado.

Mais tarde, pensando com meus botões, me dei conta que esse raciocínio dos “estrategistas” do PMDB tem tudo a ver com outras peripécias que outros vetustos líderes do partido enfrentam, como é o caso de Eduardo Cunha que está afogado em denúncias de corrupção e mesmo assim continua mandando e desmandando na Câmara dos Deputados.

Agora que é duro ver que há uma aposta de que os pobres e menos educados são mais tolerantes com a violência praticada por maridos contra suas esposas. De toda forma, essa é uma aposta arriscada, já que quem conhece as pessoas mais facilmente assimilada. 

E pensando bem, partido que tolera corrupto, tolera qualquer coisa.

Violência: é esse o “progresso” que o Porto do Açu tem para o V Distrito?

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Em pleno ano eleitoral, onde os partidos hegemônicos em São João da Barra certamente vão vir com a conversa de que o Porto do Açu é a redenção do município, as evidências do mundo real mostram que a coisa pode muito distante disso.

Em uma pesquisa de mestrado que orientei na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), os resultados mostravam que embora apoiando a instalação do porto, a maioria dos moradores do V Distrito tinha uma visão pessimista sobre o efeito que isto teria sobre suas vidas, especialmente na disseminação da violência.

Eis que 6 anos depois daquela pesquisa, eis que a realidade que os moradores do V Distrito mais temiam se confirmou. Pelo menos é o que podemos entender do relato que recebi hoje de uma pessoa com intensa relação familiar com o Distrito. Vejamos o que diz a mensagem que eu recebi:

” Professor, suponho que o senhor esteja sabendo da onda de assaltos que vem ocorrendo no V Distrito de S.J.B.  A população pacata do V Distrito não tem mais paz! É preciso que as autoridades responsáveis tomem providências e prendam logo esses assaltantes. O senhor com seu grande conhecimento poderia dar uma divulgada nesse assunto?”

Eu não apenas divulgo esse grave efeito colateral da instalação via criação de um enclave do Porto do Açu.  A disseminação da violência é um produto mais do que conhecido do processo de atração de novos contingentes populacionais para participar da construção de megaempreendimentos que acabam se fixando de maneira precária nas áreas onde isso ocorre. 

Agora, onde andam a Prefeitura de São João da Barra e a Prumo Logística para investir não apenas na melhoria do aparato de segurança, mas, principalmente, para oferecer possibilidades reais de aperfeiçoamento profissional para os contingentes que foram atraídos pelas obras? Pelo jeito, tal como a Companhia de Desenvolvimento Industrial (Codin) estão mais preocupados com o avanço da expropriação das terras da agricultura familiar no V Distrito do que com a solução dos graves problemas sociais e ambientais que estão emergindo após a instalação do Porto do Açu.

E a pergunta final: é isso que Estado e empresa chamam de progresso? A população do V Distrito pacatamente (até hoje) discorda!

Indignação seletiva é, acima de tudo, cinismo

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Definitivamente a minha paciência com os moralistas seletivas se esgotou, seja no plano federal, estadual ou municipal. Peguemos por exemplo os que denunciam de forma “ad nauseum” o (des) governo municipal comandado por Rosinha Garotinho em Campos dos Goytacazes.  Pessoalmente considero a atual gestão muito pobre em todos os níveis, e olha que não estou falando da aparente penúria que grassa nos cofres municipais. Falo efetivamente no que conta: a capacidade de atacar os problemas que tornam a vida do campista um completo desafio todos os dias. E para mim basta passar na esquina das ruas Formosa (a.k.a Tenente Coronel Cardoso) e do Ouvidor (a.k.a Marechal Floriano) e me deparar, após vários dias, com os riscos causados pela inexistência de um sinal de trânsito que repentinamente tomou Doril.  Para mim, nem é preciso ir depois dali para ver que a atual gestão está cambaleando.

Agora, é chato demais notar que os mesmos articulistas que criticam Rosinha Garotinho são os mesmos que inventam mil maneiras para esconder da nossa população que o (des) governador Luiz Fernando Pezão lançou o Rio de Janeiro no maior caos de sua história recente. Nada funciona no Rio de Janeiro quase todo privatizado para beneficiar os financiadores das campanhas do PMDB e dos seus partidos satélites. Falência dos serviços de trem, metrô, barcas e hospitais,  e o calote no décimo terceiro salário dos servidores? Disso os supostos puristas anti-corrupção no plano municipal querem ser lembrados. 

Esse tipo de moralismo seletivo é indicativo de que em 2016 teremos uma das eleições mais sujas da história já manchada por contínuos escândalos em Campos dos Goytacazes. É que os moralistas seletivos vão continuar omitindo a situação trágica que o Estado vive, enquanto descerão impiedosamente o relho na prefeita.

A questão para nós que queremos mudanças efetivas no jeito de governar não bastará ficar olhando de fora das quatro linhas, como se isso fosse nos dar o que precisamos. Vai ser preciso participar de forma crítica do processo eleitoral, de modo a aumentar as chances de que possamos discutir as coisas que precisam ser discutidas, sem os maniqueísmos de bem e mal que servem apenas para encobrir uma triste verdade que é de que os supostos salvadores da Pátria poderão ser até piores do que o que temos no momento. Mas como dizia meu falecido pai, jacaré parado vira bolsa. E ai, o que vamos querer? Jacaré em movimento ou bolsa de madame?

Conflito agrário no Porto do Açu: depois do resgate de paralelepípedos, Prefeitura inaugura a caça às vacas desgarradas

Como não sou conhecedor de como funciona o processo decisório dentro do executivo municipal de São João da Barra, nem vou me estender em ilações sobre determinadas ações que vem ocorrendo no âmbito do V Distrito, especificamente nas respostas ao processo de erosão que corrói a Praia do Açu e ao conflito envolvendo agricultores familiares expropriados pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (Codin) e a Prumo Logística Global, atual controladora do Porto do Açu. É que ambos os casos, as respostas da Prefeitura sanjoanense têm sido pelos moradores do V Distrito como sendo, digamos, insuficientes.

Mas para quem pensou que a operação de resgate de paralelepípedos na Praia do Açu havia representado os píncaros da glória para a resposta da Prefeitura aos múltiplos problemas que afligem os moradores do V Distrito, pense de novo! É que recebi de diferentes fontes as imagens abaixo que, ao invés de trazer a sensação de que há preocupação real com os problemas concretos dos cidadãos, estão causando ainda mais controvérsia e aumentando a desconfiança sobre os reais motivos dessa ação.

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E qual seria o problema desses outdoors? É que dado o conflito que ficou explícito quando os agricultores desapropriados montaram um acampamento cujo fator causador foi justamente a tentativa de coibir o uso das pastagens existentes nas propriedades expropriadas pela Codin, o aparecimento deste outdoors está sendo visto como uma intervenção da Prefeitura em favor da Prumo Logística.

É que segundo os agricultores que me enviaram as imagens, o aparecimento do gado em estradas foi concomitante ao aumento da repressão contra o uso das pastagens dentro das áreas expropriados. Aliás, aparecimento este que escasseou após as negociações que ocorreram após a decisão da justiça que levou ao desmanche do acampamento. Dai que para desconfiar das reais intenções da colocação destes outdoors é um pulo. E quem poderia culpar os agricultores? Afinal de contas, como diz aquele provérbio, cachorro mordido por cobra tem medo de linguiça.

Pescadores de Ponta Grossa dos Fidalgos reclamam de abandono por parte da Prefeitura de Campos

Silesio Correa

Acabo de receber uma mensage do Prof. José Colaço do  Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional da UFF/Campos, e que há mais de uma década realiza pesquisas antropológicas com a comunidade de pescadores da Lagoa Feia, especialmente em Ponta Grossa dos Fidalgos.

Vejam o que me escreveu o Prof. Colaço acerca do problema que está atrapalhando em muito a labuta diária dos pescadores de Ponta Grossa dos Fidalgos:

 

“Pedlowski,

Quero tentar “resolver” uma questão e queria saber se você pode me ajudar. Esta semana estive em Ponta Grossa dos Fidalgos e os pescadores reclamaram muito da falta de assistência que a Prefeitura de Campos está dando para eles.

Explico: de acordo com eles, nos últimos meses o vento sul soprou mais forte do que o comum e trouxe muita vegetação de outras partes da Lagoa Feia para frente de Ponta Grossa. O resultado é que eles estão com muita dificuldade de sair todos os dias com os barcos para pescar, e como a vegetação está bem em frente aos portos eles tem que parar os barcos praticamente fora de Ponta Grossa em uma fazenda vizinha. O deslocamento – como você imagina – dificulta ainda mais o trabalho porque que eles tem que levar os apetrechos de pesca e voltar com os isopores e caixas cheios de peixe em uma caminhada que, para alguns, pode chegar a até 3 km.

Tudo isso é para te perguntar se você tem algum contato na Secretaria do Ambiente ou mesmo de Obras (não sei se é assim) porque o que eles precisam é que a Prefeitura envie uma máquina para limpar esta vegetação e liberar o acesso pelos portos deles. eu gostaria de interceder a favor deles, mas não sei os canais institucionais para este caso.

Você tem como ajudar? se não tiver, obrigado pela atenção mesmo assim. abraços, José Colaço”

A minha reação a essa situação tão esdrúxula quanto inaceitável é a seguinte: será que algum leitor do blog poderia fazer chegar aos ouvidos ou olhos de alguém nas várias secretarias que poderiam solucionar o problema afligindo os pescadores de Ponta Grossa dos Fidalgos? É que essa  comunidade cumpre um papel tão fundamental em nossas existências ao prover alimentação a troco de quase nada que me parece descabido que eles não recebam um mínimo de assistência do poder público municipal.

Leitor do blog denuncia crime ambiental em área próxima do campus da UENF

Acabo de receber o texto e imagens que vão abaixo dando conta de um crime ambiental nas imediações do campus da UENF. Dado a gravidade do que está sendo denunciado, espero que as autoridades municipais e estaduais tomem as devidas providências!

Especulação imobiliária e o desaparecimento das áreas verdes em Campos

Desde a segunda-feira (09/12) uma empresa não identificada vem cometendo um crime ambiental num terreno localizado às margens da Avenida Arthur Bernardes, no trecho que dá acesso a Avenida Alberto Lamego e a UENF. Com uso de um trator do tipo esteira, o desmatamento está sendo realizado pela supressão de uma importante área verde remanescente do município de Campos dos Goytacazes.

Como era de se esperar, com o avanço da construção da recém-implantada Avenida Arthur Bernardes, os terrenos localizados no entorno de sua malha viária já sofrem com a especulação imobiliária. Tais áreas, que eram anteriormente dominadas pela monocultura da cana-de-açúcar, sofreram um processo de desuso em longo prazo, o que acarretou em algumas décadas na regeneração gradual da vegetação.

Apesar de a área que está sendo suprimida ainda compor uma vegetação em estágio inicial de desenvolvimento, a mesma já apresentava diversas espécies arbóreas componentes da vegetação nativa. Estudos científicos em outras áreas verdes urbanas demonstram que tais locais podem abrigar principalmente espécies de aves nativas que constroem seus ninhos em meio à vegetação. Além disso, outros animais pertencentes ao grupo dos répteis e anfíbios podem se estabelecer em sítios com regeneração da vegetação.

Segundo informação obtida no local, a área é constantemente utilizada por moradores para colheita de plantas frutíferas e espécies utilizadas na medicina caseira. Outro fator preocupante é que tais áreas por conterem uma vegetação estabelecida, poderiam funcionar como filtros ambientais para conter o espalhamento da poluição veicular. Tais locais poderiam ainda ser destinados para a recreação, prática de esportes e Educação Ambiental, caso parques urbanos fossem estabelecidos como medida protetiva a estas florestas urbanas. Isto poderia contribuir diretamente com a melhoria da qualidade de vida da população do município como já ocorre em outras cidades brasileiras.

O município de Campos dos Goytacazes  carece de parques que possam preservar estas áreas verdes remanescentes escassas no município. Um caso disso é o acordo judicial para criação de um Parque Municipal de 100 mil metros quadrados pela Prefeitura Municipal de Campos em terras localizadas atrás do Shopping Boulevard. Um acordo que ainda precisa ser validado pela Procuradoria Geral e pelo Tribunal Regional do Trabalho.

Ao que se sabe,  vários órgãos da área ambiental (na Prefeitura de Campos e no INEA) já foram informados desta supressão da vegetação, mas até o momento não há informação sobre a existência de licença ou aplicação de multa ambiental. Isto poderá ocasionar até o final da semana no aumento da degradação desta área verde urbana de décadas de regeneração, já que quatro hectares de sua área de recolonização vegetal já foram dizimados.

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