Docentes da UENF realizam paralisação em 2 de junho e reforçam mobilização em defesa da universidade pública

Movimento denuncia perdas salariais, ataques à previdência e falta de valorização das universidades estaduais fluminenses

No próximo dia 2 de junho, os docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) realizarão uma paralisação de 24 horas como forma de protesto contra a contínua desvalorização salarial, os ataques à previdência pública e a falta de investimentos adequados nas universidades estaduais do Rio de Janeiro. A mobilização foi aprovada pela categoria em meio ao crescente descontentamento com a ausência de respostas concretas do governo estadual para demandas históricas dos servidores públicos. 

A paralisação ocorre em um contexto marcado pela corrosão do poder de compra dos salários, pelo agravamento das condições de trabalho e pelas incertezas em torno do futuro da previdência dos servidores. Além disso, há que se lembrar que a proposta do novo Plano de Cargos e Vencimentos (PCV) está tramitando e sem resolução desde maio de 2021, o que agrava o quadro de perdas salariais que já alcança mais de 60%. Para os docentes, a defesa da universidade pública passa necessariamente pela valorização de seus trabalhadores e pela garantia de financiamento adequado para as instituições de ensino superior.

A Uenf, reconhecida nacionalmente pela qualidade de sua produção científica, pela formação de recursos humanos e pela contribuição ao desenvolvimento regional, enfrenta desafios cada vez maiores para manter suas atividades acadêmicas, de pesquisa e extensão. Enquanto cresce a cobrança por resultados e inovação, persistem problemas relacionados à insuficiência de recursos e à falta de políticas efetivas de valorização dos profissionais que sustentam a universidade pública.

Como parte da programação do dia de mobilização, será realizada uma roda de conversa com o tema “Salário, Previdência e Dívida do Estado do Rio de Janeiro”, que contará com a participação de Paulo Lindesay, coordenador da Auditoria Cidadã da Dívida – Núcleo RJ. O debate ocorrerá a partir das 14 horas, na Sala de Multimídia do CCH, e buscará discutir os impactos da política de endividamento estadual sobre o financiamento das universidades públicas e dos serviços essenciais.

A atividade pretende contribuir para ampliar a compreensão sobre as escolhas econômicas e políticas que afetam diretamente a educação superior pública, ao mesmo tempo em que fortalece a construção coletiva de alternativas para a defesa dos direitos dos servidores e da população.

Mais do que uma reivindicação corporativa, a paralisação do dia 2 de junho representa um chamado à reflexão sobre o papel estratégico das universidades públicas para o desenvolvimento científico, tecnológico e social do estado do Rio de Janeiro. Em um momento de crescentes desafios para a educação pública brasileira, a mobilização dos docentes da Uenf reafirma a necessidade de fortalecer instituições que produzem conhecimento, formam profissionais qualificados e contribuem para a construção de uma sociedade mais justa e democrática.

Chega de perder, é hora de ganhar. Em defesa da Uenf, dos direitos dos servidores e da educação pública.

A incorporação sem projeto: os riscos da absorção do Antônio Sarlo pela Uenf

Enquanto docentes acumulam sobrecarga e perdas salariais históricas, a Uenf assume novas funções sem apresentar um projeto claro de integração do Antônio Sarlo nem definir quem conduzirá a transição institucional 

O anúncio de que a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) assumirá a gestão do Colégio Técnico Estadual Antônio Sarlo foi apresentado pela reitoria como um “marco histórico” para a educação do Norte Fluminense. Mas, por trás da retórica triunfalista da notícia oficial, permanecem questões fundamentais sem resposta — e justamente as mais importantes para o futuro da própria Uenf e da escola incorporada.

A primeira delas é a ausência de um projeto institucional claro. O texto publicado pela universidade celebra a incorporação como um fim em si mesmo, mas praticamente não explica como essa absorção será operacionalizada nem de que maneira o Antônio Sarlo será integrado às atividades já desenvolvidas pela Uenf. Isso é especialmente grave porque a universidade possui uma estrutura fortemente baseada na articulação entre ensino, pesquisa e extensão, sobretudo através do Centro de Ciências e Tecnologias Agropecuárias (CCTA).

A questão central, portanto, não é simplesmente “assumir” uma escola agrícola, mas definir qual será sua função dentro do projeto universitário. O Antônio Sarlo será apenas um colégio técnico administrado burocraticamente pela Uenf? Ou será transformado em escola de aplicação, espaço de formação integrada, laboratório de inovação agroecológica e extensão rural, articulado aos cursos de Agronomia, Zootecnia, Veterinária e licenciaturas? O silêncio da administração universitária sobre isso é eloquente.

Esse vazio estratégico chama ainda mais atenção porque o debate sobre a incorporação já se arrasta há muitos anos. Desde pelo menos 2011 discutia-se a possibilidade de anexar o Antônio Sarlo à estrutura universitária, inclusive com expectativas de transformá-lo em uma escola de aplicação vinculada à Uenf. No entanto, mais de uma década depois, continua nebuloso qual modelo acadêmico e administrativo efetivamente se pretende construir.

Outro aspecto preocupante é a forma pouco democrática com que o processo vem sendo conduzido. Uma decisão dessa magnitude deveria passar por amplo debate interno envolvendo centros, colegiados, sindicatos, técnicos, estudantes e docentes. Afinal, incorporar uma instituição de ensino básico e técnico modifica profundamente a natureza administrativa, pedagógica e financeira da universidade. Porém,  essa discussão foi restrita a pequenos círculos decisórios, sem a construção de um consenso real dentro da comunidade universitária.  Lembro ainda que quando esta questão foi discutida no Conselho Universitário, fui um dos poucos a problematizar as consequências dessa assimilação.

Isso produz uma sensação perigosa de fato consumado. A universidade é chamada a absorver novas responsabilidades sem que se saiba claramente quais serão os impactos orçamentários, administrativos e acadêmicos dessa decisão. Quem coordenará a transição? Qual estrutura administrativa será criada? Haverá orçamento adicional? Haverá contratação de professores doutores para realizar a transição? Quais setores assumirão as demandas pedagógicas e burocráticas? O texto oficial praticamente ignora essas perguntas.

A indefinição é particularmente séria porque a Uenf já enfrenta um quadro estrutural de sobrecarga funcional. Ao longo dos últimos anos, a universidade viu reduzir seu quadro técnico e docente sem reposição adequada, enquanto as exigências institucionais cresceram continuamente. Os professores acumulam ensino, orientação, pesquisa, extensão, administração e captação de recursos em condições cada vez mais precárias. Nesse contexto, a incorporação de uma nova estrutura educacional exige planejamento robusto — algo que não aparece no discurso institucional.

Além disso, há o problema da corrosão salarial. Os docentes da Uenf convivem há anos com perdas inflacionárias massivas,  estimadas pelo DIEESE como estando em torno de 60% até  o início deste mês, o que produz desmotivação, evasão de quadros qualificados e deterioração das condições de trabalho. Nesse cenário, soa contraditório que o governo estadual e a  reitoria da Uenf apresentem a expansão de responsabilidades como sinal de fortalecimento institucional, enquanto a própria universidade  continua sem um novo Plano de Cargos de Vencimentos e pagando salários baixos.

Existe aí uma contradição típica das políticas públicas contemporâneas: amplia-se a missão institucional sem ampliar proporcionalmente os meios materiais para executá-la. A expansão aparece como símbolo político de dinamismo administrativo, mas pode acabar aprofundando a precarização cotidiana dos trabalhadores responsáveis por sustentar a universidade.

Isso não significa negar a importância histórica do Antônio Sarlo. Ao contrário. A escola possui enorme relevância regional, trajetória histórica consolidada e potencial extraordinário para fortalecer a formação agrícola e tecnológica do Norte Fluminense. O problema é que esse potencial somente poderá ser realizado se houver um verdadeiro projeto acadêmico e social de integração, e não apenas uma transferência administrativa.

Uma incorporação conduzida sem planejamento, sem participação democrática e sem recomposição estrutural da universidade corre o risco de produzir um resultado perverso: fragilizar simultaneamente o Antônio Sarlo e a própria Uenf. Em vez de criar um polo articulado de formação técnica, pesquisa aplicada e extensão rural, pode-se acabar construindo apenas mais uma estrutura precarizada sustentada pelo voluntarismo e pela sobrecarga de servidores já exaustos.

No fundo, a questão central talvez seja esta: a incorporação do Antônio Sarlo servirá para fortalecer o projeto original de universidade concebido por Darcy Ribeiro — integrado ao desenvolvimento regional e à transformação social — ou será apenas mais um movimento administrativo improvisado em meio à crise permanente do ensino público fluminense? Hoje, infelizmente, os sinais apontam mais para a segunda hipótese do que para a primeira.

UENF em luta: O significado do 1º de Maio no Rio de Janeiro

O 1º de Maio, mais do que uma data comemorativa, permanece como um marco histórico de  luta e afirmação coletiva. No Brasil — e de forma particularmente aguda no estado do Rio de Janeiro — o dia de hoje ganha contornos ainda mais urgentes: não se trata apenas de celebrar o trabalho ou os trabalhadores, mas de defender as condições mínimas para que se possa trabalhar com dignidade.

A imagem que inspira este texto traduz com força essa realidade. O campus Leonel Brizola, visto de cima, deixa de ser apenas um espaço físico e passa a simbolizar um território em disputa. Ali, onde deveriam florescer ensino, pesquisa e extensão, também é marcado pela resistência. A universidade pública, gratuita e de qualidade não é um dado garantido — é uma construção permanente, sustentada pelo trabalho cotidiano de professores, servidores técnicos e estudantes. 

No Rio de Janeiro, essa luta assume um peso particular. Décadas de instabilidade fiscal, má gestão, escândalos de corrupção e políticas de austeridade corroeram as bases do serviço público. As universidades estaduais, como a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, tornaram-se alvos recorrentes de corrosão salarial, cortes orçamentários e desvalorização institucional. O resultado é um cenário em que produzir conhecimento, formar profissionais e manter projetos de impacto social exige não apenas competência, mas resistência.

É nesse contexto que o 1º de Maio se reinventa como dia de denúncia e mobilização. As palavras de ordem que ecoam — por recomposição salarial, pela adoção do novo PCV, por investimento, por respeito à educação — não são retóricas vazias. Elas expressam a necessidade concreta de recompor condições de trabalho e de existência. Falar em valorização docente é, em última instância, falar sobre o futuro da própria sociedade.

 Defender a universidade pública no Rio de Janeiro hoje é também enfrentar um ambiente mais amplo de precarização social, marcado pela violência cotidiana e pela erosão da confiança nas instituições políticas. Nesse cenário, as universidades estaduais (Uenf e Uerj) se mantém como um espaços capazes de produzir conhecimento crítico, formar cidadania e oferecer alternativas para o desenvolvimento social.

Por isso, o 1º de Maio, neste contexto, não pode ser reduzido a uma celebração vazia. Ele é, antes de tudo, um chamado  à organização, à solidariedade e à ação coletiva. Um lembrete de que direitos não são concessões, mas conquistas — e que, como tal, precisam ser defendidos continuamente.

Celebrar o Dia do Trabalhador, portanto, é reafirmar um compromisso: com a educação pública e gratuita de qualidade, com os trabalhadores da educação e com a construção de um futuro que não seja refém do atraso, da negligência e da desigualdade. É preciso reconhecer que, enquanto houver luta, haverá também a possibilidade de transformação.

Estado de Greve na Uenf é objeto de entrevista no Programa “Faixa Livre”

Em defesa do PCV, professores da Uenf decidem entrar em estado de greve  para pressionar governo do RJ |

Participei hoje do tradicional “Programa Faixa Livre” que é um dos principais canais da mídia alternativa brasileira.  A razão da participação foi uma entrevista conduzida pelo jornalista Anderson Gomes sobre a situação de “Estado de Greve” em que os professores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) se encontram desde novembro de 2025.

A entrevista aborda as raízes da crise salarial que aflige os professores da Uenf, os passos que estão sendo adotadas para informar a comunidade universitária e a população de Campos dos Goytacazes, e ainda os esforços para estabelecer de diálogo com o governo do estado do Rio de Janeiro.

Abaixo segue o conteúdo completo da entrevista ocorrida no Faixa Livre.

Sindicâncias foram transformadas em ferramentas de perseguição política na Seeduc/RJ, mostra relatório

Um relatório publicado em 2024, mas ainda relativamente desconhecido, e que foi produzido pelo do Grupo de Trabalho Contra Perseguição Política do SEPE/ RJ, com revisões e contribuições da equipe do Observatório Nacional da Violência contra Educadoras/a, e acompanhado e assinado pelo Campanha Nacional pelo Direito à Educação e pela Associação Brasileira de Ensino de Ciências Sociais trouxe evidências robustas de como sindicâncias foram transformadas em ferramentas de perseguição política na Secretaria Estadual de Educação do estado do Rio de Janeiro (Seeduc/RJ).

O estudo se baseia em publicações feitas no Diário Oficial do estado do Rio de Janeiro entre 01 de janeiro de 2020 e 31 de maio de 2024 (em um total de 1.320 sindicâncias). A partir da análise dos dados coletados, os responsáveis pelo relatório realizaram uma análise detalhada dos processos de sindicância e identificaram padrões inequívocos de utilização dessa ferramenta que levam a um diagnóstico inequívoco sobre o assédio continuada que vem se cometendo contra os educadores em todas as regiões onde está presente rede estadual fluminense.

Desta forma, a partir de reclamações, denúncias e depoimentos colhidos junto a profissionais da Educação de diferentes regiões do Rio de Janeiro,  foi possível desnudar os métodos que estão sendo utilizados pela referida Seeduc/RJ  para perseguir política e institucionalmente educadores divergentes da linha ideológica seguida no âmbito do governo estadual, atualmente comandado por Cláudio Castro.

Os dados mostram que, por meio da manipulação do instrumento de sindicância, os agentes públicos perseguidores têm buscado criminalizar, isolar, silenciar e impedir os educadores de participarem da vida democrática de suas comunidades escolares.  Os autores do relatório apontam que tais práticas têm trazido, também, prejuízos significativos para as vidas funcionais dos educadores perseguidos.

A partir da leitura dos resultados desse relatório é evidente que há uma política de militarização das sindicâncias na Seeduc/RJ com o objetivo claro de impedir as práticas pedagógicas de cunho crítico, o que impede a formação daquilo que Darcy Ribeiro chamava de consciência cidadã nos estudantes. A lógica parece ser de oprimir e silenciar os educadores para viabilizar a formação de estudantes dóceis para as forças que hegemonizam a política e a economia do estado do Rio de Janeiro.

Quem desejar ler o relatório em sua íntegra, basta clicar [Aqui!]. Ler e disseminar este relatório é uma tarefa urgente para todos os que desejam que a educação no Rio de Janeiro possa atender efetivamente ao desenvolvimento de formas de conhecimento que transformem para melhor a vida dos estudantes e de suas famílias, além de garantir um ambiente democrático e saudável de trabalho para os educadores fluminenses.

Professores temporários são a maioria nas redes estaduais, com precarização, diminuição de direitos trabalhistas e piora na performance dos estudantes

 

Um estudo elaborado pelo  Todos pela Educação, um movimento que articula um conjunto de instituições que atuam junto ao poder público na elaboração das políticas educacionais brasileiras desde meados dos anos 2000, revela dados assustadores sobre o avanço do processo de precarização do trabalho dos professores nos estados brasileiros nos últimos anos.

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O documento “Professores Temporários nas redes estaduais do Brasil, publicado em abril de 2024, revela que a contratação temporária nas redes estaduais do país se tornou o regime de trabalho hegemônico, no qual os professores são destituídos de direitos trabalhistas, já que são contratados a partir de processos seletivos bastante questionáveis, concentrados na comprovação de certificação ou de experiência profissional prévia.

Em somente 5 estados foram localizados editais que exigiram prova teórica sobre a disciplina a ser ministrada e, em 2, prova didática.   Segundo o estudo, em 2023, o cenário de professores temporários no Brasil foi de 51,46%, enquanto o de efetivos, foi de 46,5%. Além disso, o estudo sinaliza uma gradual diminuição de professores efetivos nas redes estaduais, desde 2013 (17%), enquanto ocorreu um crescimento de 41% no mesmo período de professores temporários (ver figura abaixo).

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Em alguns estados, como é o caso de Minas Gerais e de Tocantins, em  2023, o número de professores temporários foi de 80 e 79 %, respectivamente.  Enquanto isso, outros estados, como Paraná e São Paulo, dispõem de 51% de professores temporários, em relação ao número total de professores que atuam na rede estadual. Em geral, o relatório constata que, dos 27 estados da federação, em 15% a modalidade de contrato temporário é a que predomina nos sistemas estaduais de ensino. A partir de 2013, em 16 estados da federação houve um aumento significativo de professores temporários e a redução dos efetivos. No caso do estado de Minas Gerais, o aumento do total de professores temporários foi de 540%.

Os dados apontados no relatório ainda indicam que  os docentes temporários, em geral, permanecem 24 meses (em 9 estados  e, 48 meses, (em 6 estados), porém, podendo o tempo de contrato temporário chegar até 72 meses em 2 estados.

Em Pernambuco, a diferença salarial entre professor temporário e efetivo em início de carreira é de 140%. Contudo, é importante registrar que direitos trabalhistas assegurados aos concursados estão ausentes nos contratos temporários (por exemplo: férias e 13 salário),  não havendo para os temporários a possibilidade de atuar em cursos de formação continuada e, os trabalhadores precarizados ainda enfrentam uma  alta rotatividade, em função de terem que complementar o salário com outros empregos.

Finalmente, um dado dado importante, mas que está ausente no relatório, é que esse panorama de predomínio de professores temporários dificulta a organização sindical, na medida em que coexistem em unidades escolares diferentes categorias de trabalhadores, o que contribui para a fragmentação da categoria. Portanto, trata-se de um contexto de intenso ataque aos direitos dos trabalhadores da educação dos sistemas de ensino estaduais, contribuindo para a ampliação do processo de precarização da educação pública.

O primeiro resultado deste cenário é a diferença de performance entre os estudantes

Ao analisar os resultados da performance de estudantes do 9º ano, os pesquisadores verificaram que o fato de um estudante ter um professor temporário tem uma relação, em média, negativa com o seu
desempenho, quando comparado àqueles alunos com características semelhantes que tiveram aulas com docentes efetivos. 

De maneira similar ao que foi observado para 9º ano, os pesquisadores notaram que os resultados para os alunos do Ensino Médio que têm professores temporários também é menor, com exceção de 2015, em que as diferenças são nulas. Ao analisar os dados de 2019, por exemplo, os estudantes que tiveram aulas com professores temporários obtiveram uma nota, em média, 5,5 pontos menor em Matemática e 5,6 pontos menor em Língua Portuguesa do que os estudantes que tiveram aulas com docentes efetivos.

Ainda que outras variáveis possam ter impactado a performance dos estudantes, o que fica patente é que o aumento de professores temporários tem sim um grau significativo de impacto nas notas dos estudantes.

E em Campos dos Goytacazes, como estamos?

Como o nível de análise do relatório é estadual,  eu fico curioso em saber como é a situação, por exemplo em Campos dos Goytacazes.  Pelo que eu me lembre bem,  o último concurso ocorreu em 2014,  mas ois aprovados não foram todos chamados para assumir seus cargos. 

A opção aqui, inclusive da atual administração, é lançar os famigerados processos seletivos para professores temporários, que se vê agora servem para precarizar o trabalho docente e, pior, diminuir as chances das crianças de terem uma educação minimamente qualificada que possa lhes assegurar o acesso à vagas oferecidas localmente pela Uenf, UFF e IFF.

Se alguém tiver a informação da porcentagem de professores temporários na municipal de Campos dos Goytacazes, por favor me envie que eu publicarei.

Na educação municipal de Campos é assim: trabalhe hoje, mas sem saber quando o salário será pago

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Em Campos dos Goytacazes, professores contratados via processo seletivo simplificado trabalham sem saber quando vão receber

Os servidores municipais de Campos dos Goytacazes estão anunciando uma greve geral a partir de 3a .feira (17/05) para demandar a reposição de perdas salariais que a rica Prefeitura Municipal diz não ter como realizar, apesar de estar c om os cofres cheios. Apesar de achar a demanda dos servidores mais do que justa, eu fico pensando se a pauta de greve não deveria ser estendida para algo mais simplório e urgente: o pagamento dos salários dos servidores com contratos precários, especialmente aqueles servem à causa da educação.

É que ontem tive a oportunidade de conversar com um professor contratado via o famigerado “Processo Seletivo Simplificado” que nada mais que é um forma de precarizar o trabalho docente e, pior, que deixa os profissionais em condições desesperadoras. É que este profissional me informou que apesar de estar trabalhando, não possui a menor ideia de quando será pago.  Segundo ele, informes dados por colegas em situação semelhante dão conta que deverá esperar de 3 a 4 meses para ver dinheiro que lhe é devido por exercer funções docentes em condição precária.

Mais um detalhe aumenta a condição de indignidade dos educadores contratados em condições precárias pela Secretaria Municipal de Educação, comandada pelo professor Marcelo se refere ao montante legal de 20% para atividades de planejamento, as quais estão sendo reduzidas para 10%, o que é feito para aumentar a carga em sala de aula. Então, vejamos, trabalha-se mais em sala de aula para ficar sem sequer se saber quando o salário devido será pago.

Diante desse quadro é que anúncios de que, por exemplo, a subutilizada Cidade da Criança (que custou uma fortuna aos cofres públicos municipais) será transformada em um centro de referência em Educação Inclusiva me parecem surreais, como alardeado pelo prefeito Wladimir Garotinho em sua página na rede social Facebook (ver imagem abaixo).

educação inclusiva

O problema é que sequer se paga os salários em dia, como esperar que os servidores precários tenham condições de realizar atividades como as que se espera seriam realizadas neste centro de referência? 

Como já bem disse a mãe do prefeito, Rosangela Matheus, Wladimir parece achar que está no cargo por causa dos seus olhos verdes e, em vez de observar como os que tocam o barco estão sendo tratados, prefere ficar exibindo seus supostos feitos nas redes sociais.  Um bom sinal de que se entende a importância do cargo ocupado seria evitar situações vexatórias como as que foram arroladas nesta postagem. Vamos lá prefeito, arregace as mangas e pague os salários dos professores contratos precários. Eles certamente vão agradecer.

 

 

Forçar volta às aulas presencias em meio ao agravamento da pandemia = empurrar profissionais da educação para o cadafalso

Cadafalso - UNIVERSO HQ
Li com um misto de incredulidade e pasmo a informação de que o prefeito Wladimir Garotinho está propalando a possibilidade da volta das aulas presenciais em escolas do município de Campos dos Goytacazes. O sentimento duplo se deve ao fato de que, por outro lado, as notícias em relação à pandemia da COVID-19 vão no sentido de que o nosso município enfrenta um quadro de agravamento no total de infecções e mortes.
A impressão que fica é que o destino não apenas de professores, mas de todo o pessoal que carrega as escolas nas costas é sem importância para um prefeito que ao longo da campanha eleitoral prometeu valorizar os servidores municipais e, principalmente, respeita-los.
Mas na prática o que se vê é que, muito provavelmente, para satisfazer demandas vindas dos proprietários de escolas particulares, o prefeito e seu secretário municipal de Educação estão se preparando para enviar profissionais, muitos deles com múltiplas comorbidades, para o cadafalso. Aliás, acho muito peculiar a pressão vinda do setor privado pelo retorno às aulas presencias. A minha suspeita é que as contas de muitas escolas particulares mergulharam no vermelho e seus proprietários precisam ter os alunos nas escolas para gerar mais receita, principalmente com suas cantinas e serviços extras que transformam os pais em uma espécie de vaca leiteira.
De quebra, em um momento em que a carestia invade de forma impiedosa a casa dos trabalhadores, Wladimir Garotinho sapeca mais 3% na cobrança das contribuições a um fundo de previdência que está claramente em dificuldades de se manter de pé, fruto de alguns investimentos mal feitos e de seguidas mordidas por diferentes administrações municipais que se serviram do Previcampos para cobrir buracos criados por ações desastradas.
Aos servidores da educação restará a mobilização e uma ação decisiva para impedir que uma volta às aulas seja imposta em meio ao agravamento de uma pandemia que deverá se aprofundar antes de melhor, mesmo porque teremos ainda conviver com a falta de vacinas que sejam suficientes para imunizar todos os servidores municipais, principalmente os da saúde e da educação.
Finalmente, alguém precisa lembrar ao prefeito Wladimir Garotinho que não adianta abraçar gari em um dia, e no outro mandar centenas de servidores municipais para escolas que têm tudo para se transformar em centros de disseminação da COVID-19 e, última instância, em centros de morte de profissionais da educação.

Reforma administrativa de Bolsonaro ameaça criar um Brasil sem professores

professores

A (anti) reforma administrativa recém-enviada pelo governo Bolsonaro (e recebida com saudações efusivas pelo presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM), deixou de fora as carreiras mais caras do serviço público (justamente aquelas que deveriam ser as primeiras a passarem por mudanças para acabar com uma série de regalias).

Por outro lado, a reforma Bolsonaro/Guedes vai criar condições ainda mais difíceis para as categorias que recebem os menores salários, a começar pelos professores. É curiosamente sobre esses segmentos já conhecidos por serem altamente sacrificados em termos da demanda de serviços, condições difíceis de trabalho e adoecimento que a chamada administrativa mais deverá pesar. E saliente-se que isso trará pouca ou nenhuma mudança na situação daquelas carreiras que causam mais custos aos cofres públicos.

Uma consequência dessa (contra) reforma seria uma menor atratibilidade para a profissão de professor no Brasil.  E note-se que já há algum tempo que os cursos de licenciatura, justamente aqueles que formam profissionais para a área da Educação, estão com cada vez menos interessados nas vagas abertas, seja na rede privada ou pública de ensino superior.

Corte de turmas de colégios estaduais causa superlotação em salas no ensino  fundamental - Educação - Extra OnlineSalas de aulas lotadas são apenas um dos elementos que diminuem o interesse na carreira de professor

Esta perda de interesse dos jovens em se tornarem professores já resultou em um envelhecimento da população de professores em atividade em nosso país. Com a falta de renovação que a (contra) reforma de Bolsonaro e Guedes deverá criar, não é impensável que até o final desta década, o Brasil talvez tenha que importar professores se não quiser que suas escolas fechem.

Problema semelhante deverá ocorrer também na área da Saúde, onde igualmente as condições de trabalho já são bastante difíceis. Com a perda de direitos e a consequente perda de poder aquisitivo, não será surpreendente que também faltem pessoas interessadas em oferecer seus serviços em ambientes altamente insalubres como os existentes na maioria das unidades hospitalares.

reforma

O interessante é que nada disso parece ter sido pensado pela genial equipe do dublê de banqueiro e ministro da Fazenda, o Sr. Paulo Guedes.  Há que se ver se haverá alguém que lembre a Rodrigo Maia que esta reforma que ele tanto parece apreciar é uma espécie de um Cavalo de Tróia que arriscar tornar o Brasil em um deserto pedagógico, onde ninguém vai querer ser professor.