Nova esquerda ou esquerda neoliberal?

Imagem relacionada

Ainda refletindo sobre a indicação de Guilherme Boulos para ser o candidato do PSOL para presidente do Brasil,  vejo que essa opção pelos dirigentes do partido abre espaço para uma reflexão mais ampla sobre o que vem a ser, ao menos no caso brasileiro, o aparecimento de um suposta “nova esquerda” que é uma referência clara a uma suposta superação da “velha esquerda”.

Como ando lendo uma série de materiais sobre a economia política do Neodesenvolvimentismo,  tenho visto vários autores associando os anos Lula/Dilma a uma opção pela manutenção do estado neoliberal que foi inaugurado por Fernando Collor, aprofundado por Fernando Henrique Cardoso, e mantido de forma dissimulada por Lula, e explicitado por Dilma Rousseff.

É bom lembrar que no período em que perdurou o Neodesenvolvimentismo lulista, qualquer cidadão que ousasse criticar as políticas do governo de conciliação de classes centrado nas parcerias público-privadas era logo rotulado de “ultra esquerdista”. Esse rótulo era aplicado sobre uma gama de posições, que iam desde os setores moderados do PSOL até os mais radicais do PSTU.  Todos cabiam no balaio do ultraesquedismo dos neopetistas.

Dada a hegemonia mantida pelo PT na classe trabalhadora  brasileira é evidente que o rótulo de ultra esquerdista colou e pressionou os partidos de esquerda que não aderiram, ou foram excluídos propositalmente, das alianças engendradas por Lula. Essa pressão fez com que houvesse o fortalecimento de posturas identitárias que passaram a excluir a classe social como elemento norteador das estratégias de luta política.  Nesse sentido, o PSOL passou a ser o lócus de todo tipo de luta identitária em detrimento da luta de classes e da unificação das lutas que os trabalhadores realizam mundialmente.  

Um exemplo extremo disso é o ex-BBB e deputado federal Jean Willys que passou a cumprir o papel de defensor “pela esquerda” do estado de Israel (ironicamente um dos ícones da defesa de Israel  “pela direita” é Jair Bolsonaro) , basicamente pelas supostas liberdades que os gays desfrutam naquele país. Nem as centenas de crianças  transformadas em prisioneiras por Israel para sufocar a luta pela libertação nacional palestina parecem comover Jean Willys e, muito menos, a leva-lo a questionar o caráter anti-democrático das políticas do governo israelense.  E os que ousam questionar essa posição claramente míope acabam sendo duramente atacados nas redes sociais, como foi o caso recente de Milton Temer.

Mas o parlamentar fluminense está longe de ser um caso solitário. É que, com raras exceções, a maioria dos poucos parlamentares eleitos pelo PSOL se vale desta ou daquele identidade para angariar votos. Já os que centram sua ação pelo viés da classe são inexistentes.

Uma decorrência adicional dessa opção pela identidade é que quando o problema é claramente de classe, a nova esquerda  identitária simplesmente se dissolve e desaparece da cena política. Um exemplo disso foi a luta dos servidores do Rio de Janeiro para receberem seus salários em 2017. Ainda que os parlamentares do PSOL  na Alerj fossem os mais vocais na defesa dos servidores, o PSOL como partido nunca deu exatamente as caras nos muitos atos realizados sob forte repressão policial.   Uma explicação para mim é que salário lembra classe e ultrapassa as eventuais identidades contidas dentro dos servidores públicos, tornando a luta dos servidores em uma pauta desinteressante.

O interessante é que quanto mais o capitalismo se financeiriza, mais suas práticas anti-trabalhadores se aprofundam. Vivemos efetivamente um período de extrema reação política cujo o saldo é ampliar a extração da chamada “mais valia”, o que contribuiu para a precarização exponencial da condição de vida dos trabalhadores. Mas sobre isso, a “nova esquerda” não quer ou não tem condições de abordar.  É que se fizer isso, os postulados pós-modernos e pós-classe da nova esquerda serão reduzidos à insignificância e as múltiplas identidades que eles legitimam serão mostradas como o que realmente são, um abandono da classe como elemento de formulação política.

Lamentavelmente num contexto histórico tão complexo, a supremacia da “nova esquerda” desarma os trabalhadores do cidade e do campo e os torna “sitting ducks” das forças mais reacionárias que sustentam o atual modelo de exploração neoliberal.  

Não, nem todos os partidos são corruptos. As doações das empreiteiras mostram isso

Uma reportagem publicada pelo jornal paranaense Gazeta do Povo no já distante dia 27 de Novembro (Aqui! ) trouxe uma informação impressionante mesmo para mim: nas eleições de 2014, as empreiteiras envolvidas na Lava Jato (ou seja no escândalo de corrupção na Petrobras) “doaram” nada menos do que R$ 277 milhões para 28 dos 32 partidos que concorrem no pleito  (ver gráfico abaixo).

empreiteiras

E o leitor deste blog poderia se perguntar sobre quem seriam os 4 partidos que ficaram de fora desta lista de recebedores das generosidades agora sob fogo cerrado das empreiteiras. Pois bem, aí é que a porca torce o rabo para os manifestantes “coxinhas”: Partido Comunista Brasileiro (PCB), Partido da Causa Operário (PCO), Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU).  

Em suma, ficaram de fora os partidos da esquerda nos quais eu venho votando de forma consistente desde 1998 quando retornei ao Brasil  e vi que o Partido dos Trabalhadores (PT) havia feito uma opção programática que eu considerava equivocada e antipopular em nome de uma questionável viabilidade eleitoral.

Agora que os principais partidos políticos estão literalmente chafurdando na lama, fico imaginando o que me dirão os profetas do pragmatismo neopetista que me diziam que os partidos de esquerda eram inviáveis eleitoralmente porque não aceitavam fazer o jogo como estava dado. Pois bem, eu não tenho outra saída a não ser concluir que é melhor se inviabilizar eleitoralmente do que entregar bandeiras históricas.

Se algo de bom existe nessa crise vergonhosa que assola a política partidária brasileira é oferecer aos partidos de esquerda a possibilidade, com todas as suas fragilidades e limitações, de buscarem pontes de contato com a maioria da população brasileira que nas últimas décadas votou no PT como forma de buscar a construção de uma sociedade mais justa no Brasil.   

Entretanto, para que isso ocorra os partidos de esquerda vão ter que superar a comodidade de manter isolados na periferia da luta de classes como fizeram ao longo dos anos de hegemonia eleitoral do PT dentro da classe trabalhadora.  Esse é um desafio formidável, e resta saber se a esquerda vai aceitar fazer as correções internas para, enfim, dialogar com a maioria da classe trabalhadora brasileira.

 

E se a “oposição” virasse o jogo em Campos, o que mudaria?

Em resposta à minha própria pergunta, eu diria que muito pouco ou quase nada, o que pode não ser o mesmo mas é quase igual. É que ao olhar quem compõe a oposição e quem está oposição apoiou para o governo do Rio de Janeiro, o que se vê é até um receituário ainda pior para os pobres. Aliás, isto é tão evidente para a maioria da população que ninguém dessa oposição se preocupa em apresentar uma perspectiva distinta de governar. E não é preciso lembrar que quando tiveram o controle do governo municipal, os resultados foram catastróficos.

O problema em minha modesta opinião é que em Campos a maioria gostaria de ser como o deputado Anthony Garotinho, mas ninguém na oposição tem a mesma disposição para o embate ou para o incansável trabalho de sustentar um grupo político coeso.  O que unifica a maioria é apenas a vontade de controlar o butim representado pelo gordo orçamento que os royalties do petróleo fornecem ao município. Agora, o que há de concreto por detrás dos discursos de moralidade e compromisso com a transparência? Nada!

Se este comportamento me é indiferente naqueles que se agrupam dentro dos partidos da direita, o mesmo não posso dizer daqueles partidos que se reivindicam como sendo de esquerda como o PSOL, o PSTU e  o PCB.  Se há algo que as últimas eleições mostraram foi que o isolamento de candidaturas serviu, quando muito, para uma clarificação para uma fração mais organizada da população sobre as nuances programáticas destes partidos. Além disso, no caso de Campos, me preocupa a visão de que o problema se resolve personificando todo o mal em Anthony Garotinho, enquanto se flerta com setores extremamente atrasados da classe política local.

A esquerda ideológica só sairá do limbo se conseguir ultrapassar a fixação reinante na figura de Anthony Garotinho e apontar para a construção de um modelo de cidade que cesse a hiper concentração de renda nas mãos dos mesmos de sempre. A perpetuação desta situação sob a égide do grupo de Anthony Garotinho é muito pouco explorado pelos partidos de esquerda. Questionar este modelo de cidade partida é uma obrigação dos partidos da esquerda ideológica. Mas para fazer isto há que se superar modelos baseados no culto à personalidade no processo de construção partidária. Afinal, se é para ser assim, ninguém faz isto melhor do que Garotinho.

 

Campos 24 horas: Candidata do PSTU ao governo RJ faz campanha em Campos

Foto: Filipe Lemos / Campos 24 Horas

dayse nas ruasGEDSC DIGITAL CAMERADayse Oliveira

A candidata do PSTU ao governo do Estado do Rio de Janeiro, Dayse Oliveira, esteve nesta sexta-feira (5), em Campos. A candidata cumpriu agenda de campanha, distribuindo panfletos na área industrial da Codim, em Guaurs, no Mercado Municipal e visitou o Campus Centro do Instituto Federal Fluminense (IFF) e a Universidade Federal Fluminense (UFF).

Com 1% das intenções de votos, ela é a penúltima colocada nas pesquisas. Dayse Oliveira é a única mulher da disputa e está à frente apenas de Ney Nunes(PCB), que não pontuou.

No IFF, Dayse falou Campos 24 Horas sobre seus projetos. Ela ressaltou que dará prioridade a educação.

“Na área da educação pretendo valorizar os professores, aumentando os salários, investir na educação tecnológica e investir em cursos. A educação está abandonada e os profissionais estão desmotivados. Para se ter uma idéia, 500 profissionais pediram demissão  da rede pública e isso afeta todos os municípios”, disse.

Ela ainda informou que se for eleita pretende acabar com as Unidades de Polícia Pacificadora UPP’s, investir 10% do PIB na educação pública e 6% do PIB na saúde pública, aumento geral dos salários, congelar os preços dos alimentos.

Essa foi a segunda vez que a candidata esteve na cidade. A primeira visita aconteceu em julho, quando também caminhou pelas ruas da cidade.

dayse iff

 FONTE: http://campos24horas.com.br/portal/dayse-oliveira-cumpre-agenda-em-campos/#.VAtfkvldVvA

 

 

 

 

 

Dayse Oliveira Gomes , candidata do PSTU ao governo do Rio de Janeiro divulga agenda de atividades em Campos dos Goytacazes

dayse

Acabo de receber e distribuo para conhecimento dos interessados a agenda que a candidata do PSTU ao governo do Rio de Janeiro, Dayse Oliveira Gomes, cumprirá na cidade de Campos nesta 6a. feira (05/09). Num momento em que a imprensa corporativa não dá um mínimo de espaço para que se conheça as ideias e programas dos partidos de esquerda, ver e ouvir o que a candidata do PSTU tem a dizer é importante.

 Eis a programação:

 6h – Panfletagem na CODIN.

9h – Visita ao Mercado Municipal.

11h30min – Visita ao campus centro do Instituto Federal Fluminense (IFF).

14h – Apresentação do programa a comunidade do IFF.

15h30min – Coletiva de imprensa

19h – Atividade político cultural com o Movimento Negro – Varanda da Mami – Rua Mário Veloso de Carvalho, 25, próximo a Universo

O PSTU e os ataques ao Black Bloc: exemplo clássico de tiro no alvo errado

Venho acompanhando faz algum tempo a insistência da direção do PSTU em gastar tempo com os praticantes da tática “Black Bloc”. Afora, as caracterizações equivocadas do que vem a ser este fenômeno, passei a notar uma ação deliberada de perder mais tempo com críticas aos Black Bloc do que à ação repressiva dos agentes do Estado, como foi o caso recente de prisões arbitrárias de jornalistas em manifestações ocorridas no Rio de Janeiro.

Ainda que eu pressinta que a questão de fundo tem a ver com a organização horizontal dos participantes do Black Bloc que, em muitos casos reclamam para si a condição de anarquistas, penso que o PSTU causa um profundo prejuízo à luta dos trabalhadores e da juventude ao mirar numa tática, em vez de se concentrar no combate ao Estado e suas ações repressivas. E, por isto, implica num grave erro de avaliação que hoje torna o PSTU tão impopular e combatido entre grandes parcelas da juventude.

E não posso deixar de achar curioso que o PSOL e o PCB tenham uma posição mais equilibrada em relação aos “Black Bloc” ao manter um viés crítico em suas respectivas análises, sem que isto implique num ataque frontal. Eu digo curioso porque no passado não seria assim, especialmente no caso do PCB. Aparentemente, o PCB e o PSOL entenderam melhor as mudanças em curso na organização da luta de classes no Brasil.