Campos dos Goytacazes vivenciou o padrão atmosférico extremo das mudanças climáticas e mostrou o seu despreparo

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Se existe uma certeza no mundo científico nos tempos atuais é que o clima da Terra está passando por um forte padrão de mudança causado pela emissão de gases poluentes, mais popularmente conhecido como mudanças climáticas.
Esse padrão é responsável por alterar o ritmo e a intensidade dos eventos atmosféricos que passarão a ser extremos. Lamentavelmente, pouca atenção tem sido dada à necessidade de serem produzidos ajustes na forma de organização das cidades, de forma a preparar seus habitantes para o que parece inevitável a estas alturas do campeonato.
Esse preâmbulo é apenas para dizer que o que aconteceu ontem em Campos dos Goytacazes com ventos médios de 80 km/h e chuva intensa por algo em torno de 30 minutos, mas que serviu para criar um rastro de destruição por toda a cidade, é apenas um aperitivo do que pode estar por vir nas próximas décadas.


Imagens de destruição na cidade de Campos dos Goytacazes são o prenúncio do que virá com as mudanças climáticas. Fonte: Isaías Fernandes, Folha da Manhã.
Frente a esse cenário é forçoso reconhecer que a atual administração municipal comandada pelo jovem prefeito Rafael Diniz conseguiu piorar uma área que nunca foi, digamos, muito lustrosa que é a do meio ambiente.
Venho falando, por exemplo, dos problemas que temos na área da arborização urbana desde que cheguei na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) em 1998, mas parece que minha mensagem sempre cai em ouvidos mocos. Entretanto, entre uma administração e outra tivemos alguns lapsos de melhoria e até algumas sinalizações de que teríamos um plano diretor de arborização. Entretanto, passados mais de dois anos da atual gestão, desconhece-se qualquer ação nesse sentido. E, pior, o que venho assistindo é a paulatina destruição do pouco que foi construído.
A queda de árvores no padrão de ventos intensos que predominaram ontem é devido ao fato de terem sido plantadas espécies de rápido crescimento (mormente leguminosas) mas que possuem raízes emergentes. Se houvesse um mínimo de cuidado e atenção com que a ciência climática vem alertando, a cidade de Campos dos Goytacazes não só estaria plantando mais árvores, mas como também estaria optando por espécies que possuam raízes profundas. E há que se lembrar que no mundo das mundaças climáticas, as árvores serão nossas grandes aliadas.
A minha expectativa é que o episódio de ontem sirva de alerta para a chegada do mundo novo das mudanças climáticas onde eventos atmosféricos extremos serão a sua principal marca. E que o jovem prefeito Rafael Diniz saia da seu eterno discurso (de fachada) de que buscará expertise científica nas universidades que atuam em Campos dos Goytacazes para estabelecer mecanismos que nos preparem para a repetição do que atingiu a nossa cidade no dia de ontem. E que ninguém se iluda, o que se viu ontem é apenas o começo deste novo tempo que as mudanças climáticas causarão. A inércia representará a certeza de grandes perdas econômicas e humanas.

Placar do Marcão Gomes: Buffet 1 X 0 Restaurante Popular

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Uma conversa ao pé do ouvido entre Rafael Diniz e Marcão Gomes que não deve ter sido sobre a reabertura do Restaurante Popular.

Eu sinceramente pensei que o primeiro ato notável do vereador Marcão Gomes (PR) após assumir a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social seria dar a grande notícia de qual seria o dia de reabertura do Restaurante Popular Romilton Bárbara, uma demanda para saciar a fome diária de milhares de cidadãos pobres da pobre/rica cidade de Campos dos Goytacazes.

Mas ao ler a página que o sempre atento jornalista Saulo Pessanha mantém na rede social Facebook, vejo que novamente depositei expectativas positivas de um mato de onde não sai coelho.  Como mostra a reprodução digital abaixo,  um dos primeiros atos do agora secretário Marcão Gomes foi contratar uma empresa especializada na prestação de serviço de buffet, para atender a eventos do órgão pelo “módico” preço de R$ 68.558,00 por 4 meses.

 

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Vá lá que os canapés diários que são servidos na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social não podem sofrer solução de continuidade, mas e a fome dos mais pobres pode?

É como eu venho dizendo desde que foram realizados pelos primeiros atos de ataques às políticas sociais herdadas de governos anteriores pelo governo de Rafael Diniz: vão acabar conseguindo que o grupo político de Anthony Garotinho volte para o comando da Prefeitura de Campos dos Goytacazes sem sequer precisar fazer esforço. 

Se sofrer uma vitória acachapante em 2020 que o jovem prefeito Rafael Diniz não venha reclamar da sapiência dos eleitores pobres desta cidade. A verdade é que ele só terá a si próprio para culpar pelo desperdício do capital político que o catapulpou para a cadeira de prefeito em primeiro turno em 2016. A ele mesmo e a seus insensíveis menudos neoliberais.

Rafael Diniz, quando vai ocorrer a prometida reabertura do Restaurante Popular?

A matéria abaixo pode até confundir um campista mais desavisado, pois foi publicada pelo jornal “Diário dos Campos” e fala da reabertura de um restaurante popular que deverá servir 1.200 refeições diárias, e com uma lista de alimentos que não deixam nada a dever em termos do que é oferecido em estabelecimentos privados.

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Mas, lamentavelmente para os antigos e desamparados usuários do Restaurante Popular Romilton Bárbara, a notícia acima vem da região de onde veio no Paraná, os Campos Gerais, e o município que está reabrindo o seu restaurante popular é Ponta Grossa que é governado por Marcelo Rangel do PSDB. Dois detalhes importantes sobre Ponta Grossa que deveriam deixar o jovem prefeito Rafael Diniz (PPS) rubro de vergonha por ainda não ter cumprido a promessa feita logo após a derrota eleitoral de seus candidatos em Outubro de 2018 de reabrir um restaurante que nem deveria ter sido fechado: o município possui cerca de  348 mil habitantes e um orçamento estimado para 2019 de R$ 941 milhões.

Enquanto isso, Campos dos Goytacazes que tem um orçamento estimado de R$ 2 bilhões para este ano, com uma população de mais de 500  mil habitantes, a gestão de Rafael Diniz continua procrastinando em cumprir a promessa de reabrir um equipamento de importância fundamental para milhares de cidadãos pobres.

Alguém precisa avisar ao jovem prefeito Rafael Diniz que os muitos “selfies” que ela tirando em suas férias de verão no Farol de São Thomé não aplacar a ira dos eleitores campistas com o estelionato eleitoral que foi aplicado sob a capa de “governo da mudança” com que ele se se elegeu em primeiro turno em 2016. É que Rafael Diniz não é o primeiro e nem será o último prefeito que se deixa ludibriar com pessoas que pedem “selfies” para depois irem na esquina denunciar o político que aparece na imagem.

Rafael Diniz e Marcão Gomes faltam na posse de Fred Machado e abrem espaço para a prefeita de São João da Barra brilhar

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Já se sabe que o jovem prefeito Rafael Diniz e o vereador Marcão Gomes (PR) formam uma dupla inseparável. O que ninguém aparentemente esperava, ao menos os presentes ontem na Câmara de Vereadores de Campos dos Goytazes, é que os dois dessem um chá de sumiço na posse do aliado de primeira, o vereador Fred Machado (PPS).

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A prefeita de São João da Barra e irmão do novo presidente da Câmara de Vereadores, Carla Machado, que é mais treinada para não sumir em momentos como esse, acabou sendo a estrela da noite, ouvindo inclusive conclamações para que se candidate para substituir Rafael Diniz a partir de 2021.

Além disso, como de boba não tem nada, Carla Machado postou logo imagens da cerimônia de posse de seu irmão na sua página pessoal na rede social Facebook (ver imagem abaixo).

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Em minha modesta opinião, alguém precisa informar à dupla de “gazeteiros” que não se falta em cerimônias como a de ontem, sob pena de se alienar aliados, especialmente quando a popularidade já se está em baixa, como é o caso do jovem prefeito de Campos dos Goytacazes.

Entrevista mostra que 2 anos depois, Rafael Diniz ainda não saiu do palanque

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A entrevista concedida pelo jovem prefeito de Campos dos Goytacazes, Rafael Diniz (PPS), ao jornal Folha da Manhã mostra que ele ainda não saiu do palanque que o elegeu em 2016 [1]. Entre negações em relação às suas responsabilidades, incapacidade de assumir descumprimento de promessas, e sua tendência à culpar uma oposição praticamente inexistente, Rafel Diniz insiste em não enxergar o que a maioria da população de Campos já enxergou: seu governo não viveu minimamente à altura das promessas eleitorais. Por isso, talvez, ele instintivamente insista em se manter em clima de palanque.

O problema para Rafael Diniz e seu grupo de menus neoliberais é que a passagem pela metade de governo normalmente indica aos governantes de plantão aquelas coisas que precisam ser melhoradas. Como ele demonstra ainda forte incapacidade de estabelecer o que se convenciona chamar de “análise crítica”, é pouco provável que ele consiga reordenar suas ações para lograr a retomada do crédito político que de forma tão irresponsável, ele optou por jogar fora em seus dois primeiros anos de governo.

A nova realidade política do Brasil exigirá de gestores municipais grande capacidade de operar com menos recursos, pois já se tornou óbvio que o futuro ministro da Fazenda, Paulo Guedes, cortará algumas linhas de aporte de recursos do governo federal para as prefeituras. O tamanho do arrocho deverá ficar logo evidente nos primeiros dias de 2019.  Mas, independent do tamanho, o arrocho será inevitável e Rafael Diniz e seus menudos deveriam já estar pensando no que fazer para efetivamente melhorar a eficácia da sua gestão, e não simplesmente eliminar programas sociais.

Há ainda que se dizer que de nada servirá a insistência em jogar a culpa de seus próprios erros em uma suposta herança maldita deixada pela ex-prefeita Rosinha Garotinho. É que passados dois anos, a tal arrumação da casa de que Rafael Diniz se gabou na já citada entrevista em nada melhorou o padrão dos serviços públicos municipais.

O mais correto seria conduzir uma auto avaliação, de preferência longe das praias e restaurantes luxuosos situação em Armação de Búzios, local que o jovem prefeito adora frequentar enquanto os nossos hospitais sofrem com a falta de itens básicos. 

Uma coisa é certa: a hora é de sair do palanque e colocar os pés nas ruas. Sem isso, 2020 não trará boas notícias eleitorais para Rafael Diniz e seu grupo, e o único alavancamento que ele terá será uma passagem de volta para as margens da Lagoa do Vigário.


[1] http://opinioes.folha1.com.br/2018/12/30/rafael-projeta-2019-evita-2020-e-diz-ser-a-hora-de-avancar-politicamente/

Rafael Diniz e sua seletiva pontualidade britânica com a Águas do Paraíba

Rafael Diniz, um prefeito que veste com gosto o chaoéu da Águas do Paraíba

No dia 29 de Dezembro de 2017 postei neste blog a nota “Aumento da conta da água e esgoto, uma bela síntese para o primeiro ano de Rafael Diniz na PMCG” [1], onde teci considerações sobre a promulgação dos valores cobrados pela concessionária “Águas do Paraíba” por serviços de águas e esgotos em Campos dos Goytacazes como sendo a conclusão perfeita para um primeiro ano de completo estelionato eleitoral por parte do jovem prefeito eleito para fazer a mudança chegar à nossa cidade.

Agora, exatamente um ano após aquela postagem, me vejo forçado a postar sobre o mesmo assunto, já que em seu último decreto de 2018,  Rafael Diniz decidiu elevar ainda mais a já salgada conta que os campistas pagam por um serviço que, convenhamos, continua aquém do preço cobrado [2].

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Com isso, a tarifa básica que hoje é de R$ 78,88 passará a R$ 87,26, exatamente num momento em que existem milhares de famílias com todos os seus membros desempregados em função da crise brutal que assola o  Brasil e, mais especificamente, a cidade de Campos dos Goytacazes.

Com essa pontualidade, o prefeito Rafael Diniz irá garantir que a “Águas do Paraíba” irá continuar sendo a empresa mais lucrativa do grupo “Águas do Brasil”. Com isso, ele provavelmente poderá alardear uma “Parceria Público Privada” para shows musicais com artistas de alcance nacional, para os quais a maioria da população não terá como pagar o transporte para assistir!

Enquanto isso, os programas sociais que Rafael Diniz exterminou ao iniciar o seu governo irão ter sua retomada procastinada para algum momento indefinido. Aparentemente, caberia aos pobres juntarem algum dinheiro para se tornarem acionistas da Águas do Paraíba.  Talvez aí tivessem o mesmo tipo de pontualidade britânica que é dispensada à concessionária que parece morar no coração de Rafael Diniz.


[1] https://blogdopedlowski.com/2017/12/29/aumento-da-conta-da-agua-e-esgoto-uma-bela-sintese-para-o-primeiro-ano-de-rafael-diniz-na-pmcg

[2] http://www.tribunanf.com.br/no-ultimo-dia-util-no-ano-rafael-diniz-aumenta-tarifa-de-agua-e-esgoto/

Movimento em defesa do Restaurante Popular faz reunião de esclarecimento sobre proposta da Prefeitura de Campos dos Goytacazes

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O chamado “Movimento em defesa do Restaurante Popular” de Campos dos Goytacazes faz nesta segunda-feira uma reunião de esclarecimentos sobre a proposta (altamente excludente, grifo meu) que o governo Rafael Diniz preparou para retomar a oferta de refeições subsidiadas com recursos públicos municipais.

Segundo o que está circulando nas redes sociais,   a reunião de esclarecimento ocorrerá nesta 2a. feira (17/12) a partir  das 9:00h, e será precedida por uma panfletagem. O objetivo desta reunião é segundo o “Movimento em defesa do Restaurante Popular”  é promover um debate público sobre a proposta do governo Rafael Diniz,  e promover uma reformulação desta política pública. 

Do meu ponto de vista, a simples sugestão de que apenas famílias que tenham renda mensal de apenas R$ 178,00 possam ter acesso à refeição é um completo despautério, na medida em que o limiar da pobreza extrema não deveria ser a condição “sine qua non” para que uma política social seja aplicada de forma mais compreensiva. Aliás, uma política social que foi interrompida de forma completamente despropositada, já que cumpria um papel relevante.

Já em relação ao governo de Rafael Diniz, esta postura reflete um pouco mais do engodo eleitoral que sua proposta de mudança se mostrou ser. É que manter uma série de contratos de necessidade duvidosa em detrimento de fornecer comida subsidiada aos mais pobres ultrapassa em muito o limiar do estelionato eleitoral a que estamos acostumados.

Por isso,  é muito importante essa mobilização do “Movimento em defesa do Restaurante Popular” que está colocando as questões certas no momento em que se decide o destino dessa política social em Campos dos Goytacazes.

Uma bandeira necessária, um debate urgente: a reabertura do Restaurante Popular em Campos dos Goytacazes

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Por Luciane Soares da Silva*

Tenho acompanhado com atenção a questão da reabertura do restaurante popular de Campos. Em primeiro lugar, acho fundamental ao processo democrático a prática do debate público ampliado. Ou seja, fora das esferas estritamente governamentais. Em segundo lugar, recebi com celeridade todos os esclarecimentos solicitados à Secretaria de Desenvolvimento Humano e Social. Mas com boas intenções não se faz necessariamente uma boa política pública e creio que é necessário explicitar o que tenho visto neste processo.

Ampliar este debate é urgente. Precisamos compreender as mudanças na forma de funcionamento do Restaurante Popular em Campos dos Goytacazes. Compreendi que existe uma defesa do acesso universal por parte do Conselho de Assistência Social em detrimento das formas segmentadas de acesso apresentadas pela Prefeitura. E isto me pareceu absolutamente correto. Mesmo compreendendo a função do Cadastro Único, fico em dúvida sobre dividir em 3 grupos os usuários a partir de critérios como renda (situação de extrema pobreza, usuários cadastrados no Cadastro único e demais usuários). Creio que esta é uma das diferenças principais na posição de Conselheiros e Prefeitura.

O funcionamento de um Conselho é algo importante para o aprimoramento da democracia. E aqui, torna-se especialmente importante pela qualidade dos conselheiros envolvidos nesta construção. Uma vez eleito, ele deve ter poder efetivo em sua ação, não pode ser uma peça decorativa.

Acredito que seria fundamental a apresentação de um projeto, não sobre segurança alimentar (que me parece aliás ser muito mais amplo e complexo do que o modelo disposto para Campos pela Prefeitura, sendo um legado do governo Lula para o país). Seria fundamental compreender: a) a necessidade real de atuação de uma empresa terceirizada; b) a forma de contratação dos pequenos agricultores, já que suas condições são singulares e muitas vezes, precarizadas quanto ao escoamento da produção e documentação; c) o cálculo para estabelecimento dos valores praticados pois estão altos em relação a outros restaurantes populares no país, embora o poder público possa declarar o contrário; d) a relação entre o recolhimento de alimentos a serem reaproveitados e a empresa que os reaproveitará. 

Mesmo que estas explicações já tenham sido prestadas nas instâncias devidas, me parece necessário que estudantes, trabalhadores e demais usuários da cidade, possam acessar a informação com transparência. E não creio que seja correto ver nesta solicitação a ação de uma oposição soturna e mal intencionada. A oposição em um sistema democrático é absolutamente saudável. Há que se apresentar o máximo de informações e esgotar o diálogo antes que a Câmara de Vereadores aprove um projeto (seja o de segurança alimentar inclusive) de tamanha importância. Como seria diferente? Por que seria diferente?

Exatamente porque a transparência é um ideal que diferencia gestões, estas questões poderiam nortear um projeto. Ouvir quem está realizando o Café Solidário, ouvir os comerciários do centro, ouvir a população em situação de rua, os pesquisadores do tema e incorporar sugestões antes da reabertura.

Um dos maiores problemas que encontrei no acompanhamento desta reabertura são as informações desencontradas. Há quem pense que o restaurante terá gratuidade (pois esta declaração de fato foi dada), há quem não saiba o que é o Cadastro Único, há quem esteja desempregado e não corresponda a nenhuma das faixas estabelecidas por não enquadrar-se na classificação de “extrema pobreza”. Aqueles que se arvoram a gerir a coisa pública, não devem agir com ansiedade ou irritação diante das demandas da sociedade civil. Creio que há sim que se falar de envio de projeto á Câmara pois não cabe ao gestor estabelecer o conteúdo da ação da sociedade civil e de seus representantes.

Não cabe questionar a forma da produção de documentos. Se foram escritos a mão, se não dominam exatamente o linguajar jurídico, se apresentam erros de português. Nada disto invalida o essencial: a organização dos interessados na defesa de um bem público. Se estes julgarem que a qualidade da informação é insuficiente, estão absolutamente legitimados para apresentação de todo tipo de questionamento dentro do período estabelecido por lei. E creio que é este o caso. Como é este o caso em várias outras esferas da administração Diniz, conhecida por sua dificuldade de diálogo. Compreendo que a falta de experiência anterior possa produzir insegurança. O próprio prefeito ao gravar um vídeo chamando o ex governador Anthony Garotinho para briga, expôs publicamente estas fraquezas. Mas passado o tempo, é hora de assumir com probidade os processos de gestão. Cessando com os discursos que endereçam a terceiros as responsabilidades que cabem unicamente a esta atual administração municipal.

Sem clareza na apresentação do funcionamento da relação jurídica entre as partes envolvidas, todo o discurso sobre inclusão, segurança alimentar, ampliação do atendimento, perde força, transformando-se em um engodo para a população. Lembrando que o valor subsidiado pelo governo municipal é dinheiro do contribuinte. Ou seja,mais uma razão para entender porque teremos de pagar X ou Y por uma refeição. Seria importante sabermos se de fato seria mais custoso, moroso e burocrático ter a Prefeitura como principal ente de operação do restaurante sem a empresa terceirizada. E seria igualmente importante saber quais empresas se apresentaram e com quais condições de operação, ou seja, como será feita a licitação para isto.

Para conversar com a população e sobre o restaurante, será realizada na segunda feira, dia 17 de dezembro as 9:00 horas, uma plenária pública sobre o tema em frente ao Restaurante Popular atualmente fechado. Todos os setores da sociedade civil estão convidados. Será fundamental a presença de representantes da Prefeitura de Campos dos Goytacazes, afinal é uma grande oportunidade de conversar diretamente com os usurários do serviço sobre a reabertura e as formas de funcionamento. Mesmo após o fechamento, o endereço segue como ponto de aglutinação de pessoas em busca de alimento. Creio que esta parcela da população tem direito a refeições de qualidade e informação. 

*Luciane Soares da Silva é presidente da Associação de Docentes da UENF (ADUENF)  e chefe do Laboratório de Estudos da Sociedade Civil e do Estado  LESCE/UENF

Campos dos Goytacazes, a cidade dos sequestros milionários

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Mesmo estando longe de Campos dos Goytacazes, fico sendo informado sobre fatos “sui generis” que ocorrem em nossa cidade.  A mais recente é o sequestro de um empreiteiro que, segundo fui informado, foi “aliviado” de uma vultosa quantia (me foi dito que é na casa dos milhões!!) que guardava dentro de sua residência em um dos muitos condomínios fechados que abrigam as pessoas “de bem” de Campos dos Goytacazes [1]. 

Em particular fiquei intrigado com o conhecimento que os sequestradores/ladrões tinham da existência de quantia vultosa dentro da residência do sequestrado. Isso me leva a pensar na possibilidade de um “inside job“. E como o sequestrado seria ligado de forma sanguínea a uma figura importante da gestão do jovem prefeito Rafael Diniz, o caso fica ainda mais curioso.

Mas com certeza as investigações policiais irão nos revelar quem foram os autores e mentores desse curioso evento policial. É que dado o valor envolvido, a chance de chegar aos responsáveis é maior do que, por exemplo, uma tunga de menor impacto financeiro. A ver!


[1] http://www.jornalterceiravia.com.br/2018/12/07/policia-civil-investiga-sequestro-de-empresario-da-construcao-civil-em-campos/

A trágica opção de Rafael Diniz: propaganda sim, produção de alimentos não

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Em meio à discussão sobre o modelo de reabertura do Restaurante Popular, encontrei a belíssima análise feita pelo economista José Alves Neto,  meu colega de Universidade Estadual do Norte Fluminense, sobre a execução orçamentária da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes, mostrando que houve um aumento de 240% nos gastos com a comunicação, num montante absoluto que é 11 vezes maior do que os investimentos em agricultura (ver postagem logo abaixo). 

Em outras palavras, o governo de Rafael Diniz prefere realizar gastos em auto imagem em vez de apoiar, como aliás prometeu em sua campanha eleitoral,  a agricultura familiar que hoje representa o principal vetor de geração de renda e alimentos em escala local. 

Como alguém que conhece relativamente bem os assentamentos de reforma agrária existentes no município de Campos dos Goytacazes, vejo com algum pasmo o desprezo institucional pela agricultura familiar que tem mostrado uma forte capacidade de produzir alimentos sem qualquer apoio do poder público municipal.

É que se já produzem sem apoio nenhum, imaginemos o que poderia ser feito se Rafael Diniz gastasse os quase R$ 2,5 milhões que gastou em propaganda oficial com a estruturação de unidades de beneficiamento e distribuição da produção dos assentamentos de reforma agrária!

Se fizesse isso com certeza não teria que ir buscar produção agrícola vendida por empresas situadas no Espírito Santo para oferecer alimentação escolar. De quebra, além de economizar comprando localmente, o provável que oferecesse comida de maior qualidade e em quantidade mais associadas às necessidades nutricionais dos estudantes da rede municipal.

Mas não é isso que tem sido feito e aqui aparece a lógica nefasta que tem guiado este governo: mais vale manter a pose do que colocar a mão na massa. E para manter a pose, há que se irrigar as contas bancárias dos proprietários da mídia corporativa. Enquanto isso, a produção da agricultura familiar cai nas mãos dos atravessadores e o restaurante popular continua fechado.  E eu só posso dizer: que opção trágica e pouco inteligente!

Enquanto isso, a cidade do Rio de Janeiro irá acolher a 10a. edição da Feira Estadual da Reforma Agrária Cícero Guedes nos dias 10, 11 e 12 de Dezembro, com a expectativa de que sejam comercializadas mais de 150 toneladas de alimentos agroecológicos durante os três dias do evento, que promete ser ainda maior que os anos anteriores [1]. E, pasmem, com uma quantidade significativa desses alimentos saindo aqui mesmo de Campos dos Goytacazes, onde Cícero viveu e conduziu sua luta pela reforma agrária antes de ser covardemente assassinado.

Em dez meses de execução orçamentário do ano de 2018 em relação ao mesmo período de 2017, o Governo Diniz, reduz os gastos em 34,19% na Assistência Social e aumenta em 240,35% os gastos na Comunicação Social

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Fonte: PMCG

Em dez meses de execução orçamentário do ano de 2018 em relação ao mesmo período de 2017, o Governo Diniz, reduz os gastos em 34,19% na Assistência Social e aumenta em 240,35% os gastos na Comunicação Social

De acordo com o Balanço de Execução Orçamentária da Prefeitura Municipal de Campos, de janeiro a outubro do ano de 2018, comparado ao mesmo período do ano de 2017, os gastos realizados efetivamente pelo Governo Rafael Diniz, nas principais áreas representadas, no gráfico e na tabela, foram os seguintes.

No ano de 2018, o governo gastou na Saúde R$ 612,488 milhões, contra o valor de R$ 570,853 milhões no ano de 2017. Os gastos de janeiro a outubro aumentaram no ano de 2018, 7,29% em relação ao ano de 2017.

No setor da Educação, foram gastos de janeiro a outubro de 2018, o quantitativo financeiro de 255,524. Em 2017 os gastos atingiram o valor de 239,341 milhões. O aumento de 2018 em relação ao ano de 2017 foi de 6,76%.

Na Agricultura, segmento desprestigiado pelo governo municipal, em 2018 se gastou R$ 200,522 mil, enquanto, de janeiro a outubro do ano de 2017 se executou financeiramente do orçamento, apenas, R$ 66,00 mil.

Em relação a política social do governo, a cargo da Assistência Social. Os gastos sofreram significativa redução. No ano de 2018, os valores executados financeiramente, atingiram o patamar de R$ 28,052 milhões. No ano de 2017, este quantitativo ficou em R$ 42,624 milhões. Os recursos destinados pelo Governo Diniz, na área social de janeiro a outubro do ano de 2018, reduziram 34,19%.

O Poder Legislativo campista, aumentou os seus gastos em 2018 em relação ao ano de 2017 em 10,18%, conforme registrado no gráfico e na tabela. E a Comunicação Social, os gastos, também, se elevaram no exercício fiscal de 2018, em relação ao ano de 2017 em 240,35%.

Por fim, acima estão os valores referentes a execução financeira de dez meses do orçamento aprovado pela Câmara Municipal, para viger no ano fiscal de 2018.

FONTE: http://blogdojosealvesneto.blogspot.com/2018/12/em-dez-meses-de-execucao-orcamentario.html


[1] https://www.brasildefato.com.br/2018/12/05/caminhos-da-producao-agroecologica-se-encontram-na-feira-cicero-guedes-no-rio/