Uenf realiza seminário sobre Religião, Política e Sociedade nos dias 29 e 30/05

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Os programas de pós-graduação em Políticas Sociais e Sociologia Política da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) estão dando suporte à realização do “Seminário – Religião, Política e Sociedade” nos dias 29 e 30 de Maio.

Abaixo segue vídeo explicativo produzido pelos dois organizadores do evento,  Fábio Py e Roberto Dutra, sobre os objetivos e características do evento.

É importante lembrar que a inscrição e presença neste evento são gratuitas.         

 

Marketing acadêmico: Uenf promove seminário sobre religião, política e sociedade nos dias 29 e 30/05

Já estão abertas as inscrições para o Seminário “Religião, Política e Sociedade”  que será realizado pela Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), nos dias 29 e 30 de maio, na Sala de Multimídia do Centro de Ciências do Homem.

Inscrições pelo email: seminarioreligiaopolitica@gmail.com.

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E se Eduardo Cunha fosse ateu?

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Uma das coisas que mais causa horror a muitas pessoas com que converso sobre minhas posições acerca da religião é exatamente o fato de que eu não possuo uma.  Parece que a mim falta alguma coisa fundamental para que eu alcance os critérios éticos com que as pessoas pensam se guiar.  Não sei o que é pior na reação das pessoas: o asco ou o dó que vejo em suas faces em face da minha falta de afiliação religiosa.

Mas como nunca tive religião, essa postura não me incomoda, pois entendo a perspectiva da qual a maioria dos religiosos partem para se posicionarem, qual seja, que a afiliação religiosa concede um certo tipo de selo de garantia moral à pessoa que se declara convencido de que há um ser sobrenatural que rege nossas vidas e destinos. 

Pois bem,  a curiosa situação do deputado Eduardo Cunha que acaba de ser pego em um complexo enredo de contas secretas na Suíça que teriam abastecidas com recursos oriundos de fontes ilegais parece confirmar a minha percepção de que aos que declaram ser religiosos sempre cabe uma tolerância que aos ateus não é dispensada.  O pior é que mesmo em face de todas as provas enviadas pelo Ministério Público da Suiça, o silêncio protetor permanece.

Aí é que me ocorre perguntar aos leitores deste blog: o que aconteceria se em vez de religioso declarado, Eduardo Cunha se revelasse um ateu? Será que haveria tanta tolerância às suas incongruências entre o que prega e o que pratica?

Ricardo Melo: Ateu, graças a deus

inquisição - morte aos hereges

Durante quase 700 anos, a Inquisição católica espalhou o terror pelo mundo, torturando e matando judeus, muçulmanos, bruxas, gays ou quem se atrevesse a pensar diferente

Ricardo Melo, na Folha de S. Paulo

A barbárie estampada na chacina parisiense suscita inúmeras questões. O ponto de partida: sob nenhum ponto de vista é possível justificar o ataque dos fanáticos contra a Redação do Charlie Hebdo. Agiram como facínoras, quaisquer que tenham sido suas motivações. Não merecem nenhum tipo de comiseração. Invocar atenuantes é renunciar aos (poucos) avanços que a civilização humana proporcionou até agora.

“A religião é o ópio do povo”, diz uma frase de velhos pensadores. Permanece verdadeira até hoje. Qual a diferença entre as Cruzadas, a Inquisição e o jihadismo atual? Nenhuma na essência. Tanto uns como outros usaram, e usam, a religião como justificativa para atrocidades desmedidas.

Tanto uns como outros servem a interesses que não têm nada a ver com o progresso da civilização e a solidariedade humana. Todos glorificam o sofrimento como bênção maior, em nome de um além cheio de felicidade e redenção. Se você é pobre, está abençoado. Se você é rico, dê uns trocados no semáforo para conquistar o passaporte para o céu.

Com base em conceitos simplórios como estes, milhões e milhões de homens e mulheres são amestrados para se conformar com a exploração, as injustiças e o sofrimento cotidiano. Sejam cristãos, islamitas ou evangélicos. Por trás dessa retórica, sempre haverá um califa, um Paul Marcinkus, um bispo evangélico, um papa pronto para amealhar os benefícios do rebanho obediente.

A figura de deus, em minúscula mesmo, é recorrente em praticamente todas as religiões. Com nomes diferenciados, ajudou a massacrar islamitas, montar alianças com o nazismo e dar suporte a ditaduras mundo afora. Na outra ponta, serviu, e serve, de “salvo conduto” para desequilibrados assassinarem jornalistas, cartunistas ou inocentes anônimos numa lanchonete ou ponto de ônibus.

Um minuto de racionalidade basta para destruir estes dogmas. A Igreja Católica combate a camisinha quando milhões de africanos morrem como insetos por causa da Aids. Muçulmanos fundamentalistas aceitam estupros como “adultério” e subjugam as mulheres como seres inferiores em nome de Maomé.

Certo que, paradoxalmente, o obscurantismo religioso algumas vezes serviu de combustível para mudanças sociais. Khomeini, no Irã, é um exemplo, embora o resultado final não seja exatamente promissor. Já a primavera árabe atolou num inverno sem fim. Hosni Mubarak, ditador de papel passado, recentemente foi absolvido de todos os seus crimes contra o povo do Egito. Os milhões que se reuniram na praça Tahrir para denunciar o autoritarismo em manifestações memoráveis repentinamente viraram réus. Tão triste quanto isso é saber que a grande maioria deles conforma-se com o destino cruel. “É o desejo do profeta”, em minúscula mesmo.

A história registra à exaustão a aliança espúria entre religiosos e um sistema que privilegia desigualdade e opressão. O Estado Islâmico foi armado até os dentes por nações “democráticas”. Bin Laden e sua seita de fanáticos receberam durante muito tempo o apoio da CIA. Hitler, Mussolini e sua gangue mereceram a complacência do Vaticano em momentos cruciais. Binyamin Netanyahu, o algoz dos palestinos e carrasco da Faixa de Gaza, posou de humanitário numa manifestação em Paris contra o “terror”.

Respeitar credos é uma coisa; nada contra a tolerância diante das crenças de cada um. Mas, sem tocar na ferida da idiotia religiosa como anteparo para interesses bem materiais, o drama de Charlie Hebdo será apenas a antessala de novos massacres abomináveis.

FONTE: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/ricardo-melo-ateu-gracas-deus.html