Quo vadis Observatório Social de Campos dos Goytacazes?

Apresentado por seus criadores como uma ferramenta na luta pela transparência e combate à corrupção, o Observatório Social de Campos dos Goytacazes (OSCG) hoje parece imerso num profundo processo de hibernação.  A prova disso é o fato de que a última postagem no blog do OSCG se deu no dia 03 de Dezembro de 2016 sob o sugestivo título de “Chequinho?” [1].

observatorio

Confesso que nunca mantive muita expectativa de que uma entidade privada pudesse nos fornecer algo que em democracias mais avançadas só se consegue por causa da ação combinada de órgãos reguladores com militância política com ampla base social. Mas, ao contrário, de críticos mais mordazes deste tipo de iniciativa não me pareceu nenhum absurdo que o OSCG viesse a público se apresentar como um eventual instrumento de luta pela transparência na gestão pública do município.

observatorio 1

Mas agora me parece que é necessário cobrar  daqueles que vieram à público se apresentar como paladinos na luta pela transparência dos atos da administração pública municipal, especialmente porque há um mantra oficial de que o município vive uma crise histórica sem precedentes. Essa seria uma boa hora de vermos o OSCG vindo a público cobrar dados e, mais importante ainda, posturas transparentes no uso indiscriminado da dispensa de licitação, como o que vem ocorrendo na gestão de Rafael Diniz. 

Um problema para que o OSCG cumpra o papel que sempre anunciou que iria cumprir é simples: alguns dos personagens que o impulsionaram e dirigiram ocupam hoje cargos chaves na administração do jovem prefeito Rafael Diniz.  Dois exemplos dessa passagem de estilingue para vidraça são os dois últimos diretores gerais do OSCG, José Paes Neto e Renato César Arêas Siqueira, que ocupam, respectivamente, os cargos de Procurador Geral do Município e Diretor do Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT). 

Aqui é que a porca parece torcer o rabo. É que até para o mais ingênuo dos cidadãos fica aparente que toda a militância que foi expressa pelo OSCG tinha outro objetivo que não o de garantir uma gestão mais transparente dos recursos públicos pela prefeitura de Campos dos Goytacazes.  E que sendo o objetivo alcançado, não haveria como ser diferente: dirigentes para dentro da estrutura do executivo municipal, e OSCG partindo para um interminável estado de  hibernação.

As consequências dessa saída de cena do OSCG são múltiplas. A primeira me parece ser o descrédito presente e futuro de qualquer grupo que apareça para anunciar que cumprirá um papel similar.  A outra, que é consequência da primeira, parece ser a manutenção de uma forma opaca de gerir a coisa pública com a continuidade, ou até aprofundamento de práticas que objetivamente alienam a população do processo de controle social dos recursos municipais.

Por fim, fica ainda mais evidente que não se pode acreditar sem questionar em determinados paladinos da moral pública que surgem de tempos em tempos se apresentando como salvadores da pátria.   A verdade é que sempre será melhor fortalecer a organização autônoma daqueles que mais dependem do gerenciamento transparente e democrático das finanças públicas do que esperar que a libertação caia do céu pelas mãos de paladinos auto indicados. 


[1] https://observatoriocampos.blogspot.com.br/2016/12/chequinho.html?spref=fb

Alô IMTT! Sete de Setembro virou um corredor da morte, cadê os radares?

IMG_9614

Após quase 3 meses de governo do jovem prefeito Rafael Diniz a coisa não mudou muito na ordenação do inexplicavelmente caótico trânsito de Campos dos Goytacazes, e até agora o Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT) tem reproduzido o que já era feito no governo anterior , qual seja, praticamente nada.

Como residente da Avenida de Setembro, já tive oportunidade de assistir inúmeros acidentes nos últimos 7 anos, e a única coisa eficiente que vejo atuando são os socorristas do Corpo de Bombeiros que sempre mostram um profissionalismo e cuidado com os muitos feridos que são de nível excelente.

Ontem (11/03) estava calmamente tomando um café em casa quando ouvi aquele som característica de um acidente com automóveis, e logo fui ver se havia algum ciclista ou motociclista envolvido, pois esses sempre sofrem mais danos físicos. Mas o que descobri foram dois veículos bastante amassados (ver imagens abaixo) e uma pessoa, a motorita de um dos carros envolvidos no sinistro, paralisada pela dor, enquanto que lá de fora seu filho chorova com sangue escorrendo pelo nariz.

Ainda que boa parte da culpa pelo acidente de ontem tenha sido humana, o que vem ocorrendo na Avenida Sete de Setembro e outras vias com trânsito intenso em Campos dos Goytacazes extrapola a falta de educação no trânsito. O que temos de fato é a completa ausência de políticas de ordenamento do tráfego e também medidas de contenção que ultrapassem as medidas triviais de guinchamento que aparantemente são as únicas em curso na nossa cidade.

O incrível é que Itaperuna, uma cidade menor que Campos dos Goytacazes, possui vários radares em funcionamento, o que contribui para a diminuição da velocidade e, provavelmente, de acidentes. Por que Campos não possui essas ferramentas nas vias com trânsito mais intenso é um enorme mistério para mim. No caso específico do trecho da Avenida Sete de Setembro que vai até a Rua dos Goytacazes,também não entendo porque ainda se permite a passagem de caminhões pesados que não raramente transportam cargas perigosas.

A minha expectativa é que a partir da entrada do arquiteto Renato Siqueira na direção do IMTT as coisas iriam melhorar. Mas até agora, sabe-se-lá o porquê, nada mais substancial foi feito até agora. Resta esperar que as mudanças comecem logo, começando pelo ordenamento do trânsito na Avenida Sete de Setembro. Ou se vai esperar que algo pior do que os acidentes triviais aconteça para se tomar medidas mais arrojadas? Espero sinceramente que não.

Alô IMTT! Viação São João diminuiu horários em Morro do Coco e moradores estão sofrendo

morro-do-coco

A indicação do arquiteto Renato Siqueira para presidir o Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT) foi para mim uma das melhores apostas feitas pelo jovem prefeito de Campos, Rafael Diniz, na montagem da sua equipe.

É que se há uma área em que precisamos uma evolução clara e rápida é na chamada mobilidade urbana, especialmente no acesso das inúmeras localidades rururbanas (misto de rural e urbano) que se espalham pela imensa extensão territorial do nosso município.

Essa questão é ainda mais significativa quando se verifica que milhares de trabalhadores se movimentam todos os dias para trabalhar na área urbana principal, exercendo todo tipo de função, sendo que muitos precisam percorrer mais de 100 Km todos os dias para sair e retornar às suas residências em localidades como Santo Eduardo, Santa Maria e Morro do Coco.

E aí é que a porca torce o rabo para o IMTT.  Um exemplo disso é a situação que foi criada a partir desta última segunda-feira (16/07) pela Viação São João quando diminuiu sem qualquer aviso o número e a frequência de veículos para atender os moradores de Morro do Coco. Além disso, agora além de terem de usar veículos super lotados, esses trabalhadores ainda precisam conviver com o total despreparo das unidades disponibilizadas para prestar serviços em áreas mais distantes.

Assim, como já fiz cobranças no governo anterior em relação ao transporte de passageiros, não vejo problema de solicitar que o IMTT, agora sob o comando de Renato Siqueira, aja de forma urgente para exigir que a Viação São João preste serviços adequados, especialmente nas localidades mais distantes.

Afinal, quando prometeu fazer um governo de mudanças, eu estou supondo que o jovem prefeito de Campos não estivesse sugerindo que a mudança também poderia ser para pior. Ou estava?