Curso em Direitos Humanos do Instituto Vladimir Herzog está disponível no Rio de Janeiro

Usina de Valores quer estimular diferentes agentes sociais para estimular cultura de direitos humanos

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Usina de Valores, que tem o objetivo de disseminar valores que promovam uma cultura de direitos humanos e engajar pessoas na construção de uma sociedade justa e não violenta, está com inscrições abertas até o dia 03 de maio, próxima quinta-feira, às 16h. O início do curso, para Rio de Janeiro, será em 05 de maio (sábado) e os interessados receberão a confirmação para participação até às 12h do dia 04 de maio (sexta-feira).

Este curso integra o ciclo de ações educativas, eventos e vivências presenciais que serão desenvolvidas ao longo de 2018 na zona sul de São Paulo, no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, e em diferentes regiões de Recife. A realização do projeto conta com a parceria de iniciativas como Periferia em Movimento (SP), o Coletivo Papo Reto (RJ) e a Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas (Recife).

A proposta, construída em conjunto com educadores e articuladores em cada um dos territórios, é provocar reflexões e contribuir com ferramentas que possibilitem o diálogo. A identificação de pontos convergentes para superar a escassez de escuta entre grupos com possibilidade de entendimento mútuo é a linha condutora do processo formativo. O público-alvo prioritário são pessoas que sejam moradoras das periferias da cidade e atuem em movimentos sociais, grupos religiosos ou com comunicação e redes sociais.

No total, serão seis encontros entre os meses de maio e outubro, sendo um sábado por mês, com 4h de duração cada. Todos as reuniões acontecerão das 14h ás 18h, na Nave do Conhecimento de Nova Brasília, localizado no Complexo do Alemão.

Alguns dos tópicos que serão abordados nos encontros são: Direitos Humanos. Que parada é essa?; Sejamos diferentes, mas não desiguais; Do senso comum ao ativismo: caminhos diários dos Direitos Humanos; Comunicação: alienação midiática e ferramenta de mudanças; Comunicação Crítica Comunitária: usar e fortalecer; Sustentabilidade da Cultura de Direitos.

Clique aqui para se inscrever e aqui para saber mais informações sobre o plano de aula.

 Serviço

Datas05/05, 09/06, 07/07, 04/08,  01/09, 06/10.
Local: Nave do Conhecimento de Nova Brasília – Complexo do Alemão, ao lado do cinema da Nova Brasília.
Vagas: 60
Carga horária: 24 horas total, 4horas por encontro.
Certificado: Serão fornecidos certificados aos participantes – com o total de horas de participação.
Período das inscrições: do dia 25 de abril às 16hs do dia 03 de maio. As pessoas selecionadas receberão a confirmação da inscrição até o dia 04 de maio, às 12hs.

13o. salário de 2017 ainda custará lágrimas de sangue aos servidores públicos estaduais

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Com justeza inconteste haverá muito servidor público que está celebrando o pagamento do 13o. salário referente ao ano de 2017. É que submetidos a um asfixiante cerco financeiro pelo (des) governo Pezão ao longo do ano passado tem gente que deve não um, mas vários consignados aos bancos que agiram tal qual urubus agem em cima da carniça de animais abatidos na beira da estrada.

Mas esse é um dinheiro que ainda vai custar muitas lágrimas de sangue aos servidores estaduais, dado que a base da captação, a securitização de royalties do petróleo, deverá causar um abalo tectônico na já abalada capacidade financeira do RioPrevidência.

Lamentavelmente essa é a realidade que muitos escolhem esquecer por uns poucos dias de tranquilidade.  Agora é esperar que o Ministério Público do Rio de Janeiro use a parte da sentença que liberou a securitização da receita dos royalties pertencente ao RioPrevidência para esmiuçar os detalhes da Operação Delaware II. Do contrário, correremos o risco de ficarmos como cegos dentro de um tsunami esperando a onda quebrar na praia.

Desta forma, e acima de qualquer outra coisa, é fundamental que o júbilo por um pagamento que está sendo feito atrasado e as devidas correções monetárias, não cegue os servidores públicos acerca dos problemas que ainda estão por vir.  E, mais importante ainda, que nas eleições de outubro todos neguem seus votos aos continuadores das políticas de destruição que o (des) governo Pezão deixará como seu único legado ao povo do Rio de Janeiro. Simples assim.

Operação Delaware II: (Des) governo Pezão usa servidores para aumentar dívida pública

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O (des) governo Pezão está anunciando que pagará o 13o. salário de 2017 que ainda é devido a 166.607 servidores estaduais para a próxima 3a.  feira (24/04) conforme mostra o informe abaixo.

13 o. salário 2017

Os recursos que serão usados para pagar este salário em atraso foram obtidos com a securitização dos royalties do petróleo pertencentes ao RioPrevidência (a famosa “venda do futuro), no que convencionei chamar de Operação Delaware II.

O Ministério Público que tentou ingressar com uma ação para impedir a concretização dessa operação lesiva à saúde financeira do estado do Rio de Janeiro demonstrou que a partir de 2024 o RioPrevidência deverá perder completamente sua capacidade de honrar suas obrigações com pensionistas e aposentados, passando a obrigar aportes financeiros por parte dos cofres estaduais.  

Por esse simples e básico fato de contabilidade financeira, a Operação Delaware II deveria ter sido barrada a bem da saúde financeira do Rio de Janeiro. Entretanto, essa operação foi liberada pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro sob o argumento estapafúrdio de que a sua interrupção atrapalharia os usos planejados pelo (des) governo Pezão, mesmo que isso custe muito caro num futuro não muito distante, principalmente para os próprios servidores que estão sendo usados como bucha de canhão para justificar a realização da Operação Delaware II.

Vi muitas manifestações irritadas de servidores estaduais contra a ação impetrada pelo Ministério Público. Ainda que o desespero causado pelas dívidas acumuladas em função dos muitos atrasos ocorridos em 2017, a irritação desses servidores deveria estar sendo direcionada ao (des) governo Pezão que não apenas causou o drama do ano passado, mas está deixando um bomba relógio para os próximos governadores. É que na ausência de soluções estruturais, o caos reinante no (des) governo Pezão deverá aumentar quando as muitas dívidas que estão sendo criadas começarem a ter que ser pagas. Aí sim veremos o que é caos.

Lamentavelmente não temos assistido a uma ação coordenada por parte de partidos de oposição e dos sindicatos que supostamente representam os servidores para impedir o aumento do empobrecimento do Rio de Janeiro via essas operações de securitização.

(Des) governo Pezão ignora emenda constitucional e continua asfixiando as universidades estaduais

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No final do ano de 2017 a aprovação da chamada PEC 47 pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (inclusive com votos da bancada que apoia o (des) governo Pezão) foi celebrada como o início do fim da agonia financeira a que as universidades estaduais vem sendo submetidas desde 2015. 

Eis que em plena metade do mês de abril, o (des) governo Pezão continua ignorando o disposição constitucional que obriga o repasse mínimo de 25% do orçamento aprovado pela Alerj na forma de duodécimos! Até aqui, até essa fração menor do orçamento da três universidades estaduais fluminenses (Uenf, Uerj e Uezo) continua retida, e sem perspectiva de quando será entregue.

O resultado disso é o crescimento ainda maior do estoque de dívidas financeiras que as universidades já tem acumulado. Em função disso, a situação continua se agravando, de modo a que já antevê que, se nada mudar, a Uenf não terá como reiniciar as aulas após o breve recesso que ocorrerá no mês de julho.

Enquanto o fechamento não vem, situações vergonhosas continuam ocorrendo e se acumulando todos os dias nos campi das universidades estaduais, incluindo desde depredações de veículos nos estacionamentos que estão completamente desprotegidos até a comunicados de que os docentes que quiserem levar os seus estudantes para atividades extra-muros terão que pagar pelo combustível que será utilizado nos translados que essas atividades demandam.

Enquanto isso, as reitorias  continuam se fingindo de mortas, evitando cumprir a ameaça de que iriam acionar o (des) governo Pezão na justiça caso a PEC 47 não fosse cumprida. A alegação que é apresentada entre paredes é que os dirigentes não querem abalar a boa relação que possuem com o (des) governo Pezão! Ora bolas, que boa relação seria essa é que ninguém ainda apareceu para explicar.

Até a questão básica de informar as comunidades universitárias sobre a continuidade da asfixia financeira está sendo descumprida pelos dirigentes institucionais.  Pelo menos no caso da Uenf, a associação dos docentes (Aduenf) está tomando medidas para espalhar a informação de que o (des) governo Pezão vem descumprindo a PEC 47. Se não fosse pela Aduenf ninguém saberia que o caixa da universidade continua zerado. 

O interessante é que em vez de vir a público para denunciar o (des) governo Pezão por não cumprir a constituição estadual, a Comissão de Educação da Alerj criou uma daquelas comissões que não servem para muita coisa, a não ser para oferecer espaços de catarse para que os presentes possam debulhar suas apreensões com o futuro das suas universidades. De prático mesmo, nada.

Por essas e outras é que vamos precisar sair da completa letargia que gera um falso clima de normalidade dentro da Uenf e de suas co-irmãs localizadas na cidade do Rio de Janeiro.  O fato é que se não houver mobilização política para pressionar o (des) governador Luiz Fernando Pezão, ele continuará tendo todo o espaço que precisa para afundar ainda mais as universidades estaduais na crise que já compromete a própria existência desta intituições estratégicas para o processo de desenvolvimento e econômico social do Rio de Janeiro.

A hora, lamento informar, não é de ficar trancado em gabinetes e salas de audiência para se discutir o óbvio. A hora é de tomada de ações concretas para pressionar o (des) governo Pezão a cumprir o dispositivo constitucional criado com a aprovação da PEC 47. Simples assim. 

Sob a desculpa de pagar servidores, (des) governo Pezão consuma Operação Delaware II e faz os fundos abutres ainda mais ricos

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A mídia corporativa fluminense divulgou na última 6a. feira a informação dando conta que o (des) governo Pezão deverá saldar a dívida com parcela do funcionalismo estadual no que toca ao 13o. salário de 2017 com recursos “captados” via uma operação de securitização do petróleo realizada no exterior (ver imagens abaixo).

Na matéria do jornal “EXTRA” há a informação de que “a excursão (de agentes do (des) governo)  passou por cidades como Londres, Nova York, Boston, Wasghinton, São Francisco e Los Angeles”  para supostamente concretizar a captação de  US$ 600 milhões, o equivalente a 2 bilhões de reais [ 1 & 2].

A informação crucial que faltou nas matérias produzidas sobre o assunto é de que essa securitização implica no aumento da dívida pública do estado do Rio de Janeiro e, pior, sem que se saiba o custo financeiro final da mesma.

Além disso, nenhuma matéria que li acerca dessa nova operação de captação de recursos cita o fato de que os royalties do petróleo já foram objeto de outra operação de captação de recursos, a hoje mal falada “Operação Delaware” que implicou na falência de fato do fundo próprio dos servidores do estado do Rio de Janeiro, o RioPrevidência.

O impressionante é que a ocontrário da Operação Delaware I, esta operação não teve sequer que passar pelo crivo da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, pois estava prevista no conjunto de pacotes do chamado “Regime de Recuperação Fiscal” (RRF) que foi empurrado goela abaixo do (des) governador Luiz Fernando Pezão pelo presidente “de facto” Michel Temer e seu ex-ministro e banqueiro Henrique Meirelles.

Aos servidores que se iludem com o fato deste pagamento atrasado significar algum tipo de noramlização é preciso que se diga que a Operação Delaware II deverá ser cobrado na forma de mais suor, sangue e lágrimas em um tempo não muito distante. É que quase certamente quando a  “ema gemer” para que o estado pague ao que deve aos fundos abutres por mais esta operação lesiva aos cofres estaduais, os servidores públicos estaduais serão novamente penalizados com mais congelamento salarial e aumento de contribuições para financiar o RioPrevidência que deverá estar ainda mais falido. 

Então que ninguém se iluda, pois o que está ruim ainda deverá piorar, e muito.   Para alegria total dos fundos abutres, os únicos vencedores do caos que será criado com o aumento da dívida do Rio de Janeiro.


[1] https://extra.globo.com/emprego/servidor-publico/governo-do-estado-deve-quitar-13-salario-de-2017-ainda-este-mes-22585521.html

[2] https://odia.ig.com.br/colunas/servidor/2018/04/5531571-estado-do-rio-esta-a-um-passo-de-receber-recursos-para-quitar-13.html#foto=1

Intervenção, que intervenção?

Intervenção federal no Rio de Janeiro

Tenho lido várias reportagens sobre os efeitos supostamente inesperados da intervenção militar decretada pelo presidente “de facto” Michel Temer na segurança pública do estado do Rio de Janeiro, sendo a expansão da área controlada pelas milícias a mais saliente delas [1].

O curioso é que tendo viajado ao sul fluminense neste feriado de Páscoa, passando pelo Arco Metropolitano do Rio de Janeiro, não tive que cruzar com nenhuma barreira militar em mais de 400 km de trajeto, ao contrário do que enfrentei no final de 2017. Aliás, nem reforço na atuação da Polícia Rodoviária Federal ou da Polícia Militar pude notar. O resultado é que o Arco Metropolitano hoje parece uma daquelas cenas do filme “Mad Max” tamanha é a destruição de sua infraestrutura.  Só falta uma daquelas placas “Você está no Arco Metropolitano por sua própria conta e risco”.

Diante disso, concluo que se está havendo uma intervenção militar no Rio de Janeiro, a mesma está efetivamente concentrada nas comunidades mais pobres como a da Favela da Rocinha, onde, pasmemos todos, o nível de violência explodiu nos últimos meses.

O curioso é notar os altos índices de aprovação que são divulgados pela mídia corporativa em relação à esta dita intervenção militar.  Mas como a confecção de estatísticas nem sempre é livre de contaminações, a resposta pode ser mais por aí.  Mas segurança pública que é bom, nada parece ter efetivamente mudado onde mais conta.


[1] http://www.gazetadopovo.com.br/politica/republica/milicias-crescem-e-ocupam-200-comunidades-do-rio-mais-do-que-o-trafico-3awciedsq8hme63ic2d3hru7j

Nota pública da Força-Tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro sobre declarações do ministro Gilmar Mendes

Força-Tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro se manifesta sobre afirmações do ministro

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A propósito da notícia publicada no Jornal Migalhas na última terça-feira (20/03/2018) sob o título “Gilmar Mendes conta que procuradores do RJ ameaçaram Eike de ser estuprado na prisão”, os procuradores da Lava Jato no Rio de Janeiro repudiam com veemência a afirmação irresponsável e leviana que teria sido lançada em sessão de  julgamento do STF.
O mínimo que se espera de um Ministro da mais alta Corte do país é que profira seus votos com base em elementos de convicção seguros e de preferência produzidos nos autos do caso a ser julgado, não em insinuações ou aleivosias lançadas a partir de versões por “ouvir dizer”.
Os procuradores da Lava Jato afirmam que sempre primaram pela dignidade de todas as pessoas conduzidas à prisão nas várias fases da operação no RJ, fiscalizando o cumprimento da lei e o respeito aos seus direitos, inclusive acompanhando pessoalmente as buscas e prisões. Por duas vezes os membros do MPF visitaram as custódias de Bangu e Benfica, numa delas acompanhados da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão,  entrevistando todos os presos sobre as suas condições no cárcere e o respeito às garantias que a lei lhes confere, incluindo o Sr Eike Batista, que em nenhum momento relatou ter sido ameaçado por qualquer agente público.
As injustas palavras assacadas pelo Ministro Gilmar Mendes estão absolutamente dissonantes da realidade e principalmente do zelo que os membros da Lava Jato no RJ têm buscado conferir na condução dos complexos trabalhos de repressão ao crime organizado e à corrupção que assolam o nosso Estado.
FONTE: Assessoria de Comunicação da Procuradoria da República no Rio de Janeiro

O assassinato de Marielle Franco atiçou a legião de imbecis que espalha ódio nas redes sociais

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O escritor e filólogo italiano Umberto Eco afirmou no dia em que recebia o título de Honoris Causa na Universidade de Turim que as redes sociais deram o direito à palavra a uma “legião de imbecis” que antes falavam apenas “em um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade” [1].

O problema é que a “legião de imbecis” de Umberto Eco está se sentindo livre o bastante para conspurcar pessoas e suas ideias, mesmo após a morte de quem é vitima das imbecilidades dos legionários.

Vejamos o caso ainda recente da vereadora Marielle Franco que está sendo vítima de ataques vis vindo de pessoas igualmente vis. O problema é que as mentiras e imbecilidades que estão sendo espalhadas como fezes ao vento encontram eco (e não estou falando de Umberto Eco) em pessoas das quais se esperaria mais bom senso e capacidade crítica.

Desconfiar das informações que criminalizam alguém que foi brutalmente assassinada por causa de suas ideias deveria ser a primeira tarefa de qualquer cidadão responsável, especialmente aqueles que se dizem “pessoas de bem” e “cristãs”.  Mas não é isso o que estamos vendo, pois o preconceito e a inveja estão sendo usados para impedir que se veja claramente o significado e as consequências do extermínio físico de uma liderança política emergente que era bem preparada intelectualmente, e que recusava perder de vista com quem estavam as suas reais preocupações e responsabilidades.

Uma coisa é certa. Aqueles que reproduzirem todo o lixo que está sendo produzido para apagar quem foi Marielle Franco e o que ela significou para as pessoas que dela precisaram vão ser banidos das minhas redes sociais.  De gente que usa subterfúgios para pregar o ódio de classe e o preconceito racial  quero distância. Elas simplesmente não cabem em minhas relações.

E luta que segue, pois certamente seria isso que Marielle Franco nos diria para fazer em sua ausência.


[1] https://www.terra.com.br/noticias/educacao/redes-sociais-deram-voz-a-legiao-de-imbecis-diz-umberto-eco,6fc187c948a383255d784b70cab16129m6t0RCRD.html

De que segurança precisamos em Campos?

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Por Luciane Soares da Silva*

Desde que a intervenção iniciou no estado do Rio de Janeiro, com foco na cidade e especialmente nas favelas cariocas,tenho recebido questões de jornalistas da cidade de Campos sobre minha opinião em relação a ação do Exército no território fluminense. Escrevo este texto com um único objetivo: mais do que esclarecer minha posição sobre a intervenção no Rio, explicitar minha preocupação com a cobertura do fenômeno. 

Considero que é vital para pesquisadoras e pesquisadores, divulgar suas pesquisas e aceitar ocupar um lugar no debate público. Tenho feito isto nos últimos anos, tanto por televisão como rádio e jornal. Digo isto porque embora todos saibam das edições de programas televisivos que reduzem uma fala de 10 minutos a 40 segundos, em alguns casos, a redução ou a edição das posições do entrevistado, pode ser grave. Como temos cada vez mais um jornalismo quase em tempo real, creio que o que possibilitará a continuidade da profissão, bela e nobre do jornalista e portanto, dos jornais, é a capacidade de informar bem. Ou melhor, informar em compromisso concreto com o bem estar de seu público. 

Ou seja, pauto minhas falas para evitar o pânico. Por exemplo: dois homicídios em Guarus, um no Jóquei e outro perto da Rodoviária saindo da cidade, não são razão para pânico se observados em seu contexto e investigados. E digo isto porque é preciso olhar sempre em perspectiva para pensar segurança pública. Não se pode, para aumentar audiência ou vender mais jornais e programas de televisão, ligar pontos, que à princípio não têm conexão. O resultado disto serve apenas para aumentar no cidadão comum a sensação de insegurança que ele já vive. Isto é negar que as taxas de criminalidade tenham aumentado? De forma alguma. Acontece que para fazer esta afirmação, qualquer trabalhador sabe que é preciso mostrar os números. Estamos comparando o quê? Com que período? 

Decorre desta observação o tipo de manchete que tem me preocupado: a de que a intervenção no Rio impacta os números de criminalidade em Campos. Esta afirmação é o pior tipo de serviço que veículos de informação podem prestar. Ela causa pânico de fato. Porque ao criar algo que seria possível (hipoteticamente) sem apresentar dados, gera uma percepção borrada dos fatos. 

Acabamos de sair de um período de verão, o que em geral, altera taxas de criminalidade em qualquer cidade que viva o fenômeno de deslocamento de população como é o caso de Campos. A cidade de Macaé tem vivido dias complicados no seu policiamento cotidiano e acredito que as forças policiais em comunicação, acabam focando nestas áreas, tendo de solicitar colaboração de cidades próximas quanto a efetivo. Se não temos um Observatório de Segurança que relacione investigação, tipo de crimes e áreas, não podemos saber se há relação entre intervenção na cidade do Rio e aumento de criminalidade nas cidades do interior.

Para terminar, sobretudo, sem investimento não se faz segurança pública. Lojistas não são gestores de veículos. A Polícia Militar é e tem autonomia para ação em áreas que considere estratégicas. A não ser que mudemos o contrato, o Estado tem o monopólio para decisões desta natureza e entendo isto como poder público. 

O que precisamos em Campos é um grande debate entre Prefeitura, Universidade, população, escolas, comércio, sobre a segurança que queremos. E que ao contrário do Rio, ela não aja de forma inconstitucional nas regiões de periferia da cidade. Precisamos de espaços realmente democráticos de discussão que possam esclarecer o cidadão comum e não apavorá-lo.

*Luciane Soares da Silva é professora associada da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) e presidente da ADUENF. Tem estudado racismo, favela e cultura urbana. Temas de seu interesse e sobre os quais desenvolve pesquisas.

Intervenção militar no Rio de Janeiro escancara Apartheid brasileiro

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Tendo vivido fora do Brasil por quase uma década eu sempre chocava meus interlocutores quando afirmava que no Brasil exisitia uma forma de apartheid social pior do que aquele que vigiu na África do Sul. Para as pessoas com quem conversava era inimaginável que tal coisa existisse na terra do samba e do futebol. Eu justificava minha posição afirmando que no Brasil o racismo e o apartamento social eram velados, sendo, portanto, mais difíceis de serem combatidos.

Agora, graças à intervenção militar determinada pelo presidente “de facto” Michel Temer, estamos vendo imagens que tornam evidente o apartheid social  (e, sim, racial) que separa a maioria da população pobre (e majoritariamente descendentes de africanos que foram trazidos para o Brasil como escravos) dos segmentos mais abastados.  E, mais uma vez, isto está ficando claro apenas pela presença de veículos da mídia internacional que estão mostrando o que de fato representam algumas das ações das tropas militares que estão dentro das comunidades pobres para praticar uma série de ações que violam a Constituição Federal de 1988.

Um exemplo disso aparece na reportagem publicada pelo jornal espanhol “El País” sob o título “Sem amparo legal, militares usam celulares pessoais para ‘fichar’ moradores de favelas” [1], e que aborda o fato de que militares estão tirando fotos das carteiras de identidade e do rosto de pessoas em três comunidades na zona oeste do Rio (ver imagem abaixo), uma ação sem qualquer amparo legal (em outras palavras, ilegal).

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Mas também nas redes sociais circulam imagens de como a intervenção militar está se dando na forma de uma invasão dos poucos espaços públicos existentes nas comunidades pobres da Zona Oeste.  Um exemplo é mostrado abaixo, onde as tropas de intervenção resolveram se instalar num pequeno campo de futebol, privando os habitantes de uma favela na Vila Kennedy de uma das suas únicas áreas de convivência coletiva.

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Além de terem impactos mínimos no que deveriam ser os objetivos estratégicos dessa intervenção militares já que dificilmente os membros das milicias e do narcotráfico vão se deixar fotografar , os constrangimentos que estão ocorrendo nas favelas da Zona do Rio de Janeiro servem para explicitar o apartheid que jazia submerso nas comunidades pobres.  Nesse sentido, é bom que as pessoas que estão hoje apoiando a intervenção militar estejam prontas para encarar as consequências inevitáveis dessa forma de tratar os pobres, dentre as quais a elevação das tensões sociais é a mais previsível. 

É que o explicitamento da realidade de apartheid social acabará criando um ambiente hostil às reformas ultraneoliberais que estão sendo aplicadas desde o federal até o municipal.  Isto se dará, entre outras coisas, pela demonstração de que no Brasil a lei só protege os ricos. Este fato não passará impune, especialmente em uma situação em que o tratamento diferenciado aos cidadãos se dá em meio a uma profunda crise social e econômica.  

meia hora intervenção

Em relação a esse explicitamento do apartheid social que existe no Brasil, não custa lembrar uma frase presente no livro “O Pequeno Príncipe” de Antoine de Saint-Exupéry: “tú te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas“. 


[1] https://brasil.elpais.com/brasil/2018/02/24/politica/1519433345_411126.html