Esperança

abrigo rs

Por Carlos Silveira, de Ijuí (RS)

Sempre nova. Sempre a mesma. Esperança. Bebendo-se sem ter sede. Agora vivendo há um mês num abrigo depois da crescente que destruiu sua casa. Vinda de uma ilha cercada de soja por todos os lados, sempre soube que um dia a natureza cobraria reintegração de posse. Testemunhou toda a destruição das matas ciliares, a derrubada pioneira e heroica das matas, o aterro das vertentes e banhados, a impermeabilização das rodovias e o assoreamento dos cursos d’água pela erosão, pelo esgoto sanitário não tratado, por todo tipo de detrito depositado nos leitos dos rios.

Viveu todo o ciclo do gaúcho a pé desde menina. Na pequena propriedade de sua infância e adolescência, nunca houve um cavalo. Apenas o cavalo da razão e da persistência, alimentado apenas pro gasto por uma religiãozinha tão somente legitimadora da vidinha cotidiana – solidamente medíocre e feita de inércia e esquecimento. Inviável. Assim como quase tudo em sua vida: a propriedade familiar, a permanência no interior do estado, a fuga para as grandes cidades, o tudo sempre igual de todos os dias na passagem das semanas, meses e anos. A mão invisível do destino guiou-a a esmo num interminável êxodo.

Do subúrbio superpovoado ao trabalho de diarista, sempre se soube inviável. Por isso, sempre repudiou a determinação de se casar e construir um biongo (pequena moradia) no bairro, com marido e filhos. Envelheceu resistindo. Incompreendida. Vista como alguém que muito escolhe até ser o escolhido. Até ser vencida pela velhice e pelo fim. Uma que outra hóstia de sol em namoros fortuitos. Pura ilusão repudiada pela certeza de amores impossíveis. Não era direito apenas repetir(se) no cortiço. Um cadáver a parir novos cadáveres. Daí seu não definitivo a João Romão. Ninguém pode servir a dois senhores.

Assim a vida foi envelhecendo e a confiança em si e num tempo mais justo foi mermando. O mesmo já não era sempre novo. Foi branquejando atrevido até ir diminuindo e, por fim, desaparecendo. Agora o sentimento já vê como impossível a realização do desejo. A expectativa, o aguardo, a confiança foram dando lugar à desconfiança e enfraquecendo o coração. O entardecer chegou cedo e o dia deu em chuvoso. O Senhor mandou chuva para regar a terra e o solo assim ficar mais rico e produzir muito. As águas foram colhendo as lavouras, os animais, as casas, até agora há desaparecidos e soterrados. E não choveu pão dos céus e o povo saiu – e ela também – sem colher sua porção para cada dia nem provar se andava ou não nas leis divinas. Ah, como às vezes Deus se esquece de como sofre a gente pobre!

Dona Esperança saiu com seu cão (que já descobriu estar abrigado com mais 12 mil bichos de estimação), a roupa do corpo e alguns documentos. É a terceira vez, a terceira lâmina, a terceira estocada no coração. Desta vez, talvez não sobre nem o alicerce. A arca veio lotada de cães, gatos e pássaros, mas a maioria foi esquecida. Na hora do salve-se quem puder, poucos lembraram que os bichos são sempre crianças. Um barco foi sua tábua de salvação. Para outros, botes, jet-skis e até helicópteros. As ações, desde os salvamentos às doações, foram, predominantemente, do povo em geral, do povo pelo povo, daqui e de tantas outras querências do país e do mundo, mais alguns administradores a posteriori, na tarefa de reconstrução propriamente dita.

As ações públicas, oficiais, salvo as atuações de algumas forças estaduais, foram bem precárias. Da Presidência da República ao Paço Municipal, passando pelo Governo Estadual, mostraram todos um certo descaso, ineficiência, negligência, salvo nas boas horas dos holofotes. Muita propaganda oficial, inclusive da justiça eleitoral, muito grito e pouca lã. O terreno não era favorável, o clima não era favorável, as aeronaves eram tantas e causavam confusão quase como se fossem inimigas. Fora isso, houve também muitos oportunistas atacando de papagaios de pirata. Gente fingida pra cachorro. É o que é e foi o que foi, salvo raras e honrosas exceções ou salvo melhor juízo.

A única coisa que devemos temer é o próprio medo, era um ditado que repetia. Agora só aguardava o sol e as águas baixarem. Engoliu muito choro e, também, viu a morte sem chorar. Já não sonha nem tem desespero ou esperança. Nem ama por não ser poeta. Nem almeja sucesso sem a superação de práticas carcomidas que seguem dissimulando a história. Por ora, não confia em nada e nem ninguém. Menos ainda em si. Não espera a hora, a onda salvadora, a ocasião. É inviável e não espera mais nada. O exército derrotado de uma mulher só. Mas sem viver o medo nem ao meio. Segue a dizer não. Em caixa e em voz altas. Cabeça, tronco e membros plenamente vazios. Inviável. Pensa sem palavras sobre si mesma. Inviável.

A grandeza e a pequenez humanas vêm de braços e abraços. Entre imaginações de visões da noite, quando cai sobre os homens o sono profundo, sobrevieram-lhe o espanto e o tremor, e todos os seus ossos estremeceram. Então um espírito passou por diante dela e fez-lhe arrepiar os cabelos da sua carne. Inviável. Vem Deus deslizando entre brumas de mil megatons. Esperança é a última que morre. Ou nunca morre. Quem observa o vento nunca semeará, e o que olha para as nuvens nunca ceifará. O obscuro do instante se eterniza. Não há rastreadores para os desvios de rotas nem de recursos ou doações. Inviável. Assim como tu não sabes qual o caminho do vento, nem como se formam os ossos no ventre da mulher grávida, assim tu também não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas. O Senhor fez o mundo e tudo o que nele há nos céus e na terra, e derrama sobre nossas casas todos os seus mananciais. Esperança inviável. A luz dos olhos alegra o coração e a boa nova fortalece os ossos, mas o Senhor não habita em santuários feitos por mãos humanas.

PUCRS realiza pesquisa emergencial sobre situação dos desabrigados

Pesquisadores dos cursos de Ciência da Computação e de Arquitetura e Urbanismo fazem pesquisa colaborativa

Abrigo-do-Parque-Esportivo-da-PUCRS---Foto-Giordano-Toldo-PUCRS

Os cursos de Ciência da Computação e de Arquitetura e Urbanismo, da Escola Politécnica da PUCRS, convocaram estudantes e se uniram com o objetivo de avaliar as dimensões das enchentes, os deslocamentos populacionais, as condições dos abrigos emergenciais, as perspectivas de continuidade, analisando o espaço físico e demandas para projetar alternativas futuras. O trabalho colaborativo, liderado pelas professoras Soraia Musse e Cibele Figueira, também conta com doutores, doutorandos e graduandos do VHLab da PUCRS e outras instituições de ensino, pesquisadores da UFRGS e o arquiteto Rodrigo Marsillac, da prefeitura de Porto Alegre.    

“Utilizando-se modelos computacionais de dinâmica populacional, pretende-se simular o cenário atual e cenários futuros que ainda possam ocorrer em decorrência de aumentos de chuvas, novos bairros alagados e evacuados, ou ainda imigração de pessoas de fora de Porto Alegre para os abrigos”, explica a professora de Ciência da Computação, Soraia Musse.    

O simulador LODUS, criado por Gabriel Fonseca, doutorando orientado por Soraia no Programa de Pós–Graduação em Ciência da Computação (PPGCC), foi utilizado para simular situações reais e que ainda não ocorreram, tanto da dinâmica de movimentação das populações, quanto dos seus perfis, em caso de bairros afetados. Também é possível estimar as necessidades de provisões por pessoa, no tempo e no espaço, estimar necessidades de abrigos que precisam ser abertos e até simular pessoas nos abrigos.    

“Fazemos projeções com base em dados reais e abertos, disponibilizados no site AbrigosRS, criado por voluntários, prevendo futuros que esperamos que não aconteçam. Quero ser otimista e dizer que nossas projeções estão sendo pessimistas”, ressalta a professora.    

Os dados fornecidos pelo site também permitem que os pesquisadores realizem um trabalho de simulação de deslocamento, nos casos de pessoas que precisam ir para um abrigo ou mudar de local, por exemplo. Os mais de 100 abrigos da cidade estão no mapa, com sua taxa de lotação indicada, e última data de atualização disponível.    

Outra frente deste amplo trabalho de pesquisa é observar e relatar a situação atual dos abrigos de Porto Alegre, como um primeiro foco, para que fique de registro para eventuais cenários que possam voltar a acontecer no futuro. Pensando que muitos dos locais que servem de abrigo funcionando normalmente, como escolas, clubes, igrejas e outros, o grupo também pensará alternativas de acolhimento para quem não conseguir sair do abrigo até o prazo de reabertura de atividades. 

Nesta parte, os pesquisadores de Arquitetura e Urbanismo também pensam em como adaptar construções para que sirvam ao propósito de receber centenas de pessoas. Um dos objetivos é criar um guia para construção de abrigos, contendo as necessidades mínimas para ocupação de pessoas, assim como previsão de insumos necessários para a população abrigada. Com a evolução da pesquisa, a ideia é apresentar os resultados ao poder público. 

IPT e o atendimento de emergência no Sul

O pesquisador Marcelo Fischer Gramani, do IPT, faz um relato do recente atendimento ao estado do Rio Grande do Sul, no momento em que a região é assolada por chuvas de grande intensidade

unnamed (7)

Gramani, do IPT (E), conversa com moradores e autoridades em Teutônia/RS 

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT cumpre mais uma vez um dos seus papéis relevantes, sempre buscando superar os desafios da sociedade com apoio à população por meio da ciência, tecnologia e inovação. A ação foi realizada em apoio à primeira equipe da Defesa Civil do Estado de São Paulo mobilizada neste atendimento. 

“A convocação chegou na madrugada, aos cinco minutos do dia 1º de maio! O Governo do Estado de São Paulo decidiu enviar uma equipe técnica para ajudar o Rio Grande do Sul, assolado pelo maior desastre ocorrido na região. Era urgente a necessidade de profissionais para apoiar as equipes de resposta ao resgate, busca e salvamento. Às 07h30 daquele dia, um grupo de agentes da Defesa Civil de São Paulo e do IPT seguiu para o município de Lajeado.

Durante a viagem recebemos dados meteorológicos, orientações a respeito da segurança dos locais e procedimentos para atender a mais uma emergência, um serviço que o IPT presta à Defesa Civil Estadual há mais de 30 anos.

A situação nos municípios gaúchos atingidos ainda era desconhecida. Chegar no município de Lajeado já não era possível. A ponte que fazia a ligação entre os municípios de Estrela e Lajeado estava obstruída, praticamente coberta pelas águas do rio Taquari… eram 23h15 do dia 1º.

Ficamos isolados em Estrela, cidade castigada pelo impacto das águas da inundação e, naquele momento, sem luz, água e comunicação. Este foi o início de um roteiro de atendimento de emergência de grandes proporções. Aos poucos, com moradores e gestores tendo conhecimento da presença de um geólogo na região, foram chegando os pedidos de vistorias nos morros e nas áreas de baixada.

Trincas, rachaduras, cicatrizes de escorregamentos e água brotando aqui e ali. Intensos escoamentos nas encostas eram as principais evidências, que elevavam o grau de risco. Teutônia, Westfália, Colinas, Roca Sales, Arroio do Meio e Estrela foram os primeiros municípios vistoriados após chuvas da ordem de 730 milímetros, acumulados em apenas quatro dias! Entramos na fase de mitigação dos riscos, preparando as equipes das prefeituras e a população que se encontrava em áreas de risco.

Em paralelo aconteciam as ações de ajuda humanitária! É a fase da assistência e acolhimento, pois começam a chegar nos centros de distribuição milhares de materiais de doação. Nesse momento o geólogo, ou outro profissional, passa a integrar as equipes para vistoriar abrigos, carregar e descarregar caminhões etc.

Tenho no currículo cerca de 120 atendimentos emergenciais em dezenas de municípios fora do estado de São Paulo. Conhecendo a situação, muitas vezes precária, das ocupações no Brasil, precisamos estar prontos para novas situações de emergência que, certamente, virão.”

Estará Campos preparada para a próxima grande inundação? Tudo indica que não!

wladimir-santo-eduardo-2

Enquanto assistia a cenas estarrecedoras de cidades inteiras sendo engolidas pelas águas dos rios no RS, me coloquei a pensar o que acontecerá aqui em Campos dos Goytacazes se tivermos uma combinação semelhantes de fortes chuvas nas bacias do Paraíba do Sul e do Muriaé nos próximos anos.  Como já se ensaiou em anos recentes com a elevação do nível dos rios e a entrada de suas águas em partes da cidade, também pudemos ver diferentes prefeitos ostentando impecavelmente limpos jalecos da Defesa Civil como se fossem uma criança indo pela primeira a um desfile de Sete de Setembro.

Mas e o orçamento destinado à Defesa Civil? E os investimentos na manutenção de diques e barragens? E a limpeza de canais com a necessária recomposição das matas ciliares? E, mais ainda, os planos para iniciar o urgente processo de adaptação climática, começando por Santo Eduardo?

Cerca de 90% da população de Santo Eduardo foi atingida pelas fortes chuvas  Folha1 - Geral

Quem assiste hoje de forma aliviada e condescendente às cenas que mostram a desgraça do povo pobre do Rio Grande do Sul deveria estar tomado com o mesmo de alarde e urgência daqueles que hoje estão com água até o pescoço ou abrigados em ginásios de esportes sabendo que não terão mais casas para onde voltar quando as enchentes finalmente retrocederem porque elas foram levadas pelas águas?

Uma coisa é certa: a desgraça dos gaúchos não é algo natural, mas foi produzido por um sistema que despreza os conhecimentos científicos e os alertas sobre a necessidade de se mudar as formas de usar a paisagem natural e de se investir na conservação ou construção de estruturas de adaptação climática.

lajeado_1-1-1024x613

05/09/2023, Enchente do Rio Taquari na cidade de Lajeado (RS). Foto: marcelocaumors/Instagram

E sim, quem hoje acha que está fora de perigo precisa saber que esse é um sentimento ilusório e que nas próximas chuvas o Rio Grande do Sul poderá ser aqui.

Desculpe Caramelo, eles “não” sabem o que fazem!

CARAMELO

Por João Anschau

Quando o “principal” assunto que domina parte das conversas virtuais se dá em torno do salvamento ou não de um cavalo ilhado em cima de um telhado, é sinal que continuamos dando errado enquanto sociedade. Nem na dor aprendemos.

Caramelo não é responsável por nada que seus olhos assustados enxergam. Não foi consultado. Tiraram seu chão e seu habitat e agora discutem se devem ou não garantir sua permanência por aqui. Esse comportamento tem nome, sobrenome e vários filhos parasitas.

E não é hora de achar culpados, lembram os mais apressados. Para não magoar ninguém, eu vou usar outra palavra. Representantes. O que acontece no Rio Grande do Sul tem representação com CNPJ e muitos vendedores que agora apelam para o pix alheio. Nada de mexer no bolso dos donos do negócio. Filho feio não tem pai.  . 

E a natureza nos oferta mais um momento – não confundir com o discurso asqueroso e escroto de coachings que convenceram muitos, durante a pandemia de COVID-19, a desafiar a lógica com a surrada “são nas dificuldades que surgem as oportunidades” -, para refletir, debater e cobrar mudanças. Elementos e eventos sobram para que paremos de brincar de Highlander e tratemos pelo nome o que acontece em nosso entorno. Se os muristas encontram “dificuldades” para pensar, eu, humildemente, sugiro ‘Os miseráveis’, de Victor Hugo, para início da prosa.  .

E como zelador do memorial da destruição, eis que o governador Eduardo Leite nos apresenta o plano Marshall bagual cheiroso. Resumindo, a proposta, além de incoerências que pipocam de direita a direita, traz um amontoado do mesmo, feito pelos mesmos de sempre, cuja sensibilidade humana opera como de costume abaixo de menos 50 graus Celsius. São péssimos escritores, porém, têm as costas quentes e contam com o apoio de seus financiadores e a sempre azeitada máquina do capital a lhe assoprar e sugerir Estado mínimo, para os outros.

A reconstrução deve – ou deveria – passar obrigatoriamente pelo discutir modelos produtivos. Desenvolvimento econômico com água tomando conta das casas não é o mesmo que desenvolvimento econômico numa cama quentinha e nove refeições por dia. Ninguém come PIB enquanto a riqueza estiver concentrada.  Na roleta russa do plantar que tudo dá a banca nunca perde. Têm-se estiagem ou excesso de chuvas, ela ganha nas duas pontas. Governador Eduardo Leite, em seus cálculos liberais, bancos e indústria vão contribuir com quantos zeros depois do primeiro ponto? Não creio que depois do senhor usar aquele colete laranja sempre limpo e bem passado que, outra vez, eu e o Caramelo seremos convocados a dar mais um passinho à frente no busão lotado.  

Quem vai produzir comida de verdade, saudável e sem agrotóxicos, é uma pergunta recorrente que faço para os meus mais chegados há muito. Vale para o governador e para o/a prefeito/a. É um assunto que envolve a nossa e a saúde do planeta, e não brotou na catástrofe mais recente. Mais do que nunca se trata de um tema de casa obrigatório para a/os gestora/es públicos. Pros que desaprenderam por falta de uso e para os que desconhecem, é hora de praticar literalmente a definição de prioridade. Temos um case de insucesso de como não agir. Deu muito ruim, senhores e senhoras. Portanto, liberem os consultores de receitas prontas para achacarem os rentistas da Faria Lima e se concentrem na base da pirâmide.  .

É cristalino que os generosos incentivos públicos não podem ser direcionados apenas e tão somente às chamadas cadeias agroalimentares. O bolo delfiniano cresceu muito e tá na hora de cortá-lo e dividi-lo com sabedoria entre os terceirizados. A natureza é generosa e, sábia, já deixou claro que ela, mesmo esgualepada, fica e se recria. Já nós… Mais com menos dá negativo para a maioria. 

Meu companheiro de jornada, Caramelo, temos uma distopia em curso e sem prazo para finalizar. Alterações no roteiro, meu amigo, dependerão em parte de nós humanos. Os coadjuvantes terão que se mobilizar e demonstrar insatisfação com os rumos da História. Mas esse levante não pode ficar na responsa de um ou dois. Eu sei, eu sei. Muitos dirão que minha sugestão é utópica. Concordo. Mas a outra opção é aprender a dormir com os olhos abertos e enriquecer ainda mais a indústria farmacêutica. Escolham.

Grande Caramelo, por falta de tempo, não percebemos que aos poucos nos tornamos ‘o Rio 40 graus purgatório da beleza e do caos’. Que daqui a pouco surgirá um “Moisés” que conduzirá famílias inteiras expulsas pelo êxodo para algum lugar seguro. Ficarão para trás histórias e memórias e voltaremos ao século XIX com cobertura em tempo real. Esse novo normal já nasce doente. Caramelo, eu poderia sugerir o Pampa sulriograndense como um local seguro para a sua vivência.

Mas hoje, apesar de bravas e bravos pelejarem para manter a casa em ordem e com sua arquitetura o mais próximo do natural, eu temo que você corra o risco de ser expulso pelo “progresso econômico” que está transformando o Bioma em uma grande lavoura. E mais Caramelo. Lá, como cá, “investimentos” são comemorados e estampam as manchetes dos jornais como se finalmente Karl Marx fosse atendido e entendido e a riqueza dividida entre todos. Não há contraponto vivo e tampouco a vida entra na pauta dos patrocinadores da extinção da biodiversidade. Finalmente nos aproximamos da civilização, gritam alguns. E outros, do mesmo grupo, comemoram a saída dos “bárbaros” preservacionistas. 

Caramelo, o plano Marshall original surgiu após uma guerra. O que o Rio Grande do Sul enfrenta atualmente não deixa de ser uma batalha. Ambas, resultado da estupidez humana. A nossa luta é por (sobre)vivência. Nas duas frentes, sabe-se quem são os inimigos da razão, mas por estas bandas, os algozes são tratados com pompa e circunstância, idolatrados e tidos como indispensáveis para a nossa continuidade. E o senso comum, adubado sem descanso, aceita e reproduz o discurso Chicó, “não sei, só sei que foi assim”.

 Força Caramelo!


*João Anschau é jornalista e Mestre em Educação nas Ciências pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. Também é criador e impulsionador do podcast “Salve, Terra!” que está disponível no Spotify.

Eventos extremos serão cada vez mais comuns e exigem medidas urgentes

Em coletiva na Câmara dos Deputados, diretora adjunta de Políticas Públicas do IPAM diz que adaptação aos efeitos das mudanças climáticas passa pela implementação estratégica de leis e reorganização territorial e urbana.  

lajeado_1-1-1024x613

Enchente do Rio Taquari na cidade de Lajeado (RS). Foto: marcelocaumors/Instagram

Eventos climáticos extremos como as chuvas catastróficas que paralisaram o Rio Grande do Sul serão cada vez mais frequentes e exigem uma atuação enfática para seu enfrentamento, alertou Gabriela Savian, diretora adjunta de Políticas Públicas do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), durante coletiva convocada pela Frente Parlamentar Mista Ambientalista. O evento foi convocado em vista da das chuvas intensas no Rio Grande do Sul, que já deixam 95 mortos, mais de 207 mil desabrigados e afeta 80% das cidades do Estado. 

“Infelizmente, eventos extremos como estes serão cada vez mais recorrentes e exigem medidas urgentes de combate ao aquecimento global. As chuvas já afetaram rios de todo o estado, impactando milhares de pessoas. O desmatamento deve ser controlado e a ciência deve ser levada em consideração para a tomada de decisão nos planos de ação emergenciais decorrentes da urgência no atendimento da catástrofe do Rio Grande do Sul e demais estados, como o que vimos recentemente nos estados da Amazônia”, destacou.

Durante o encontro, foram apresentados documentos com medidas para avançar o pacote de legislações consideradas fundamentais para o combate às mudanças climáticas. Entre as propostas destacadas estão a implementação estratégica do Código Florestal, a destinação de florestas públicas na Amazônia, a recuperação de áreas degradadas e a proteção de áreas não-florestais, como o Pampa e Cerrado.

“Temos hoje mais de 16 milhões de hectares de passivos de Reserva Legal no Brasil que precisam ser recuperados e um montante muito maior de quase 200 milhões de hectares de excedente de florestas em áreas privadas que precisam ser preservadas. Estas áreas cumprem papel importante nos serviços ecossistêmicos imprescindíveis para a resiliência dos ecossistemas”, alertou Gabriela.

Código Florestal 

Ambientalistas e membros da sociedade civil presentes na coletiva também destacaram a importância de um acompanhamento da implementação do Código Florestal e a mobilização contra a flexibilização de leis ambientais.

“O que a gente tem acompanhado na Câmara e no Senado nos últimos meses é um movimento para flexibilizar a legislação ambiental, quando sabemos que o foco deve ser no fortalecimento da lei. O Rio Grande do Sul, por exemplo, não possui um Programa de Regularização Ambiental regulamentado. Isso significa que o Estado está atrasado na recuperação de seus passivos ambientais, na conservação da sua biodiversidade e seus recursos naturais”, destaca Jarlene Gomes, pesquisadora do IPAM.

O Rio Grande do Sul possui atualmente cerca de 255 mil hectares que deveriam estar preservados em áreas de Reserva Legal, mas que se encontram desprotegidos. Os dados são do Termômetro do Código Florestal, iniciativa do OCF (Observatório do Código Florestal), desenvolvida pelo IPAM e parceiros.

Impacto econômico 

Além dos crescentes impactos sociais e ambientais, ambientalistas também destacam o prejuízo econômico causado por eventos climáticos extremos. No Brasil, grande produtor agrícola, o aumento das temperaturas está diretamente ligado à quebra de safras, morte de gado e queda na produtividade agropecuária. Atualmente, 30% das fazendas na fronteira agrícola Amazônia-Cerrado, no Mato Grosso, Goiás e Matopiba, já estão fora do ideal climático para a agricultura por conta das alterações no clima.

“Uma coisa extremamente importante é que a Câmara dos Deputados possa levar para todos os rincões do Brasil o debate da adaptação às mudanças climáticas. Teremos eleições municipais no meio do ano e isso precisa ser debatido porque vivemos em um país em que 56% dos municípios não têm nenhum tipo de ação climática e apenas 1,8% monitoram a efetividade de suas leis ambientais. Essa crise afeta os mais pobres e vulneráveis primeiro, mas já afeta também as elites, afeta a nossa produção industrial e agropecuária”, alerta Marcos Woortmann, coordenador de políticas ambientais do IDS (Instituto de Desenvolvimento Socioambiental), que compõe a Virada Parlamentar Sustentável.

Entrevista sobre a catástrofe climática no RS no metacast “Subversiva”

chuvas rs

Ontem tive a oportunidade de participar do  metacast “Subversiva” que é produzido pela jornalista Marina Valente a partir de Fortaleza, capital do Ceará.  O tema da entrevista/conversa foi a catástrofe climática que se abate neste momento sobre o estado do Rio Grande do Sul. 

Ao longo da entrevista, pudemos conversar não apenas sobre os mecanismos climáticos que explicam a ocorrência de chuvas extremas, mas também dos problemas que causam a falta de respostas mais efetivas aos problemas que esses eventos disparam.

Coloco abaixo a entrevista para quem desejar saber mais do que foi abordado ao longo de pouco de mais uma hora de conversa.

O RS virou mar, mas não foi por falta de avisos

mar rs

O Rio Grande do Sul virou mar, mas não foi por falta de avisos

Por João Anschau*

Não foi por falta de avisos. No plural mesmo, pois nos últimos sete meses, o Rio Grande do Sul enfrenta a quarta catástrofe. Quarta. As anteriores mandaram recados duros e claros. Ao que tudo indica, os poderes públicos – leia-se governos – estadual e, de muitos Municípios, preferiram pagar para ver. E estamos, parte considerável dos moradores do extremo sul do Brasil, vendo, pagando e assistindo em tempo real. Os quase 200 km percorridos hoje cedo, até chegar à minha cidade, me fizeram ver bem mais que estragos. Rodovias sendo invadidas por água e com ela muita terra. Cadê as matas que margeavam as estradas? O rato do capitalismo comeu para plantar mais um filete de commodities. Mais adiante vi um rio quase pari passu com a ponte que separa dois municípios. Em duas décadas cruzando por aquele local algo novo se apresentou e sem pedir permissão para quem quer que seja. Apenas foi engolindo o que a sua frente insistiu em ficar. Passando lentamente, para além da curiosidade humana em olhar o infortúnio patrocinado pelos donos do capital, foi possível ver pequenos animais tentando um refúgio em alguns metros quadrados cada vez menores, já sendo tomado pela força das águas.

Um pouco mais além, em conversas com outros que também testemunham o que por aqui acontece, foi possível perceber que mais uma vez a tragédia que nos assola criará uma comoção momentânea, que logo será substituída por algo, provavelmente, bem menos importante. E para variar, outra vez, muitos jogarão nas costas  Dele a responsabilidade. “Deus quis assim” não rola mais. Não é apenas covardia colocar toda a responsa que é nossa nas costas de alguém que não faz orçamento público. Que não desmata. Que não transforma áreas de proteção ambiental em lavouras. Não. Somos nós que aceitamos passivamente que os homens do dinheiro façam leis e nos digam que “crescimento econômico” tem os seus problemas e bora bater metas.

Chuvas no RS: Leite faz demagogia, mas aprovou só R$ 50 mil para a Defesa  Civil

Eduardo Leite derrama lágrimas de crocodilo, mas só destinou R$ 50 mil para a Defesa Civil

E nessa toada de muito discurso e zero prática, seguimos em frente empurrados pelas enchentes ou pelos ciclones. E o poder público? O governo do Estado conseguiu a proeza de destinar 50 mil reais para a Defesa Civil. Vou repetir: R$ 50.000,00. Calma caro leitor/a. Tem mais. O RS é pioneiro em nos fazer passar vergonha nacional. Em setembro de 2023, o governador Eduardo Leite, em entrevista a Globonews, afirmou que as chuvas ocorridas naquele período não tinham sido previstas. Você não leu errado. Eduardo Leite tentou dar uma de João sem braço e tirar o dele da reta. Como não estamos mais na década de 1950, e as informações, para o bem e para o mal, chegam em tempo real, a Metsul, prestadora de serviços meteorológicos, teve que desmentir o mandatário sulriograndense. Entramos para a história pela porta dos fundos e não foi nada engraçado. Mas, como bem lembrou a empresa em nota, ” a ciência meteorológica cumpriu o seu papel”. Já o poder público… 

 Ao certo, o que temos agora é destruição, mortes e, mais uma vez, os atingidos em boa parte são aqueles que não tem nenhuma culpa pelas decisões equivocadas e criminosas de pessoas que, neste momento, estão em suas seguras casas e muito bem alimentados, conseguindo dormir tranquilamente sem o risco de serem acordados por novas enxurradas. O artigo 225 da Constituição Federal estabelece que “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. Cabe perguntar: falta interpretação de texto – não quero, nem posso acreditar que somos governados por analfabetos funcionais – ou o vale tudo em nome do progresso e desenvolvimento para poucos em detrimento de milhões é a lei informal que define o amanhã dos moradores do planeta terra e está tudo certo?

Mais uma vez, os mais afetados são as pessoas em situações mais vulneráveis. O direito básico à dignidade e a consequente busca pela justiça climática já deveria estar na ponta da lista das pautas prioritárias. Não existe justiça ambiental quando se discute o futuro do planeta sem a participação dos chamados povos vulneráveis. Não é mais aceitável discutir justiça climática sem debater privilégios. Encerro, deixando uma pergunta para os meus irmãos e irmãs de trincheira: que façanhas – destacadas no hino sulriograndense – de modelo à toda terra, queremos que sejam lembradas amanhã?


*João Anschau é jornalista e Mestre em Educação nas Ciências pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. Também é criador e impulsionador do podcast “Salve, Terra!” que está disponível no Spotify.

A hegemonia política do agronegócio e o desmanche das leis ambientais transformaram o RS no epicentro da crise climática global

havan lajeado

Com a estátua da liverdade como testemunha, loja da rede Havan, construída na área de preservação permanente do Rio Taquari, é tomada pelas águas no município de Lajeado.

Não há quem assista às cenas das inundações causadas pelas intensas chuvas que se abatem no Rio Grande do Sul sem se chocar com a dimensão da catástrofe que se abate sobre centenas de municípios e milhões de gaúchos.  O maior problema é que esse evento climático extremo atual ainda deverá se estender por, pelo menos, mais uma semana com volumes de chuvas esperados na mesma escala do que já se assiste agora.

Para quem duvidava da ocorrência das mudanças climáticas com algum grau de sinceridade, bastará agora olhar para as cenas de devastação causadas pelas chuvas extremas para entender que vivemos um período em que a alteração da dinâmica atmosférica ainda causará muitas perdas de vidas, estruturas materiais e recursos naturais.  O pior é que toda essa situação já vem sendo alertada pela comunidade científica global, especialmente aqueles que estudam o clima. Para quem desejar entender como esses eventos extremos estão sendo criados, recomendo a leitura do livro “Angry Weather” da física e filósofa alemã Friederike Otto cujo grupo de pesquisas criou uma ferramenta para estimar como a clima afeta a ocorrência e a magnitude de eventos meteorológicos.

Mas se já se sabe o que está acontecendo com o clima da Terra e quais são as suas repercussões em termos das alterações das escalas de eventos meteorológicos, como pode ser possível que continuemos a parecer tão despreparados e facilmente surpreendidos quando algo como o que está acontecendo no Rio Grande do Sul neste momento?

As explicações para esse aparente despreparo não são assim tão difíceis de serem encontradas. No caso do Brasil como um todo, o que se vê é a inexistência objetiva de uma plataforma que guie ações governamentais e que estejam distribuídas no tempo e no espaço, abrangendo a participação das 3 esferas de governo (i.e., municipal, estadual e governamental). Até o momento, as análises sobre o grau de preparação para o necessário processo de adaptação climática mostram que o Brasil está muito atrasado na adoção de medidas básicas para ajustar a vida dos brasileiros ao “novo normal climático”.

A crise do RS é aprofundada pela hegemonia do (o)gronegócio bolsonarista

Uma coisa que não pode ser esquecida é que nas últimas décadas houve um avanço da agenda comandada pelo latifúndio agro-exportador no RS, o que foi agravado pela adesão dos grandes fazendeiros ao negacionismo climático, o que foi fortemente aprofundado durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A hegemonia do (o) gronegócio também tem sido fortalecido no plano estadual por governos de natureza neoliberal que trataram de desmontar as estruturas que existiam para garantir a regulação ambiental no RS. Essa hegemonia também ficou ainda mais forte na Assembleia Legislativa gaúcha, onde a legislação ambiental foi enfraquecida em vários aspectos para facilitar ainda mais as atividades dos grandes produtores rurais. 

Um exemplo recente de desmanche da legislação ambiental foi a aprovação e sanção do projeto de lei 151/2023, que alterou o Código Estadual do Meio Ambiente para permitir, entre outras coisas, intervenções em Áreas de Preservação Permanente (APP) para fins de irrigação. Esse projeto foi facilmente aprovado na Assembleia Legislativa e rapidamente assinado pelo governador Eduardo Leite (PSDB), o mesmo que agora aparece para reclamar por mais apoio federal, especialmente em termos de recursos financeiros. E, pasmem, essa alteração foi sancionada no dia 9 de abril de 2024!

Há ainda que se falar que na esteira dessa hegemonia, os latifundiários gaúchos avançaram na destruição do bioma Pampa cujas áreas desmatadas, transformadas em monoculturas ou pastagens, estão agora sendo incapazes de cumprirem suas funções ecológicas, incluindo a capacidade de estocar águas das chuvas.

Assim, não há nada de natural na catástrofe que se abate sobre o RS, havendo responsáveis que podem ser facilmente identificados e responsabilizados. Aliás, quanto mais tempo se levar para que se faça o devido ajuste de contas, maiores continuarão a ser os impactos do tipo de evento climático extremo que se abate neste momento sobre a população gaúcha.

O RS como o epicentro da crise climática global

Oito meses depois, Muçum está embaixo d'água novamente; veja fotos | GZH

Para quem achava que a crise climática global ia dar suas caras em algum lugar bem longe do Brasil, sempre apresentado como “protegido por Deus e bonito por natureza”.  A verdade é que tudo indica, especialmente a partir das contribuições científicas do grupo de pesquisas liderado Friederike Otto, o nosso país será um dos epicentros da crise climática global, muito em função das grandes modificações que estão sendo causadas nos nossos biomas florestais por um latifúndio agro-exportador que não possui qualquer preocupação com a crise climática, cuja maioria de seus membros nega existir.

E dado o que vem acontecendo nos últimos anos, com alternância de secas e chuvas extremas, o RS se tornou o epicentro dentro do epicentro. É que no RS existem todos os elementos de sinergia que irão potencializar as repercussões desastrosas das mudanças climáticas. 

Somente uma mudança radical nas formas de gestão ambiental irão desacelerar a crise socioambiental que engole o RS neste momento.  Porém, antecipo que antes que algo possa começar a ser feito, há que se quebrar a hegemonia política do (o) ogronegócio e a remoção das políticas neoliberais que hoje tornam o meio ambiente uma presa fácil desse setor.

O impacto monumental das chuvas no Rio Grande do Sul explicita a crise climática

IMG-20231123-WA0037

A mídia corporativa brasileira está literalmente ocultando as dimensões diluvianas do que está acontecendo no extremo sul do Brasil após um período inclemente de fortes chuvas. Inexistem matérias mostrando a escala dos transbordamentos de bacias hidrográficas inteiras após semanas de chuvas torrenciais.  A inexistência de matérias mais completas e com a devida documentação fotográfica serve provavelmente para manter a maioria dos brasileiros ignorante em relação ao tamanho do problema que se abateu sobre os estados do sul, especialmente sobre a região central do Rio de Grande do Sul.

Agora, graças ao meu colega professor de Filosofia na Universidade Estadual do Norte Fluminense, o gaúcho César Meurer, posso mostrar algumas imagens de um sobrevoo que ele realizou na região central do Rio Grande do Sul na confluência dos rios Taquari e Jacui (ver imagens abaixo)

O que transparece nessas imagens é algo completamente oposto ao que está sendo vivenciado na bacia Amazônia que vive a maior seca de mais de 100 anos. O problema é que este padrão de seca extrema para uns e inundações diluvianas para outros está sendo previsto pelos estudiosos do clima pelo menos há 30 anos, e deverá ser agravado pelo contínuo aquecimento da atmosfera da Terrapela emissão dos gases estufa.

No caso do sul do Brasil,  a situação atual deverá ser agravada ainda mais porque o pico do atual ciclo do El Niño ainda não foi alcançado. Além disso, estudiosos do El Niño lembram que os piores impactos de cada ciclo deste fenômeno se dão basicamente 12 meses após o seu encerramento. Assim, se a coisa está ruim para quem vive próximo dos rios no Rio Grande do Sul, o problema poderá ser maior ainda no início de 2025.

Enquanto isso, nada de termos uma discussão mais séria sobre a adoção de uma política nacional de adaptação climática. Na verdade, o principal movimento no plano federal atualmente no plano federal é tentar aprovar um acordo comercial com a União Europeia que deverá acelerar ainda mais o processo de desmatamento dos biomas florestais brasileiros, incluindo o pouco que ainda resta da Mata Atlântica!