A “pequena” lacuna na decisão judicial sobre a greve dos rodoviários de Campos

Ônibus voltam a circular

Abaixo posto a decisão da juíza do trabalho Raquel Pereira de Farias Moreira que decidiu favoravelmente a uma Ação Pública impetrada pela Prefeitura de Campos dos Goytacazes contra o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes de Cargas e Passageiros de Campos dos Goytacazes e outros visando interromper a greve iniciada no dia de ontem.

A decisão da meritíssima é toda calcada na essencialidade do serviço prestado pelos rodoviários de Campos dos Goytacazes e na necessidade da manutenção do transporte público de passageiros no município.

Essa decisão só possui uma “pequena” lacuna. Ela é completamente omissa sobre a causa do movimento paredista, qual seja, o atraso no pagamento de salários e demais direitos que têm sido sonegados pelos donos das empresas de ônibus aos seus empregados.

Diante dessa “pequena” lacuna: essa é a justiça do trabalho ou dos patrões? Bom, deixa para lá.  E que certas perguntas possuem respostas que são tão auto evidentes que dispensam o questionamento.

Quanto à gestão do jovem prefeito de Campos dos Gpytacazes, me parece altamente pedagógico que a única ação tomada seja contra os trabalhadores que estão sem salários. Mas o que esperamos de uma gestão que também deve salários à parte mais precarizada de seus próprios servidores? Essa é a famosa pedagogia da superexploração do trabalhador posta em funcionamento explícito. Que bela  mudança!

No dia do trabalhador, o direito de greve mais uma vez é transformado em caso de polícia

Eu venho acompanhando de forma tangencial a atual greve dos rodoviários em Campos dos Goytacazes cujas reivindicações me parecem tão básicas que não deveria nem estar sendo motores de uma greve. Agora veio a intervenção do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) de intervir com a ajuda da Polícia Militar para que os 30% mínimos de veículos sejam colocados na rua por profissionais cuja habilitação e capacidade para fazê-lo é, no mínimo, questionável.

Essa situação me parece peculiar, pois não entendo poro que o MPRJ já não interveio a mais tempo nas diferentes facetas que expõe o caos quase completo que a população pobre dessa cidade é obrigada a viver imersa todos os dias. E aqui não falo apenas da falta de ação objetiva da PMCG e do órgão teoricamente responsável por garantir um mínimo de qualidade nos serviços, o tal Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT), mas também das condições terríveis de trabalho a que são submetidos muitos profissionais que hoje se colocam em greve. Para quem já teve a oportunidade de adentrar um desses veículos caquéticos que circulam pela  cidade verá trabalhadores à beira da exaustão, quase sempre irritados em função da condição em que precisam trabalhar todos os dias.

E a tal famigerada política da passagem a R$ 1,00. Por que até hoje não tivemos uma auditoria externa para verificar se os números declarados de repasse às empresas coincide com a realidade? E por que até hoje e R$ 150 milhões depois, a população de Campos ainda é submetida a esse tipo de transporte público?

Os defensores do grupo político do deputado Anthony Garotinho poderão dizer que os donos das empresas é que estão bloqueando a licitação que poderia colocar um pouco de ordem e qualidade nos serviços prestados à população. Mas esse argumento não resolve a questão de porque até hoje não viu a mesma urgência aplicada na tomada de parte da frota que volta circular, sem que se saiba quem garantir, por exemplo, a limpeza e a manutenção dos veículos se a greve durar mais tempo.

Finalmente, só posso lamentar que em pleno Dia do Trabalhador, uma greve seja tratada como caso de polícia.

Rodoviários12-RS

Greve dos rodoviários só expõe a péssima qualidade do transporte público em Campos

greve onibus

A greve dos rodoviários que está ocorrendo na cidade de Campos dos Goytacazes tem um mérito inquestionável que é o de mostrar a ruindade dos serviços que são prestados pela maioria ( se não pela totalidade das empresas que operam no município). Um desavisado que chegasse na cidade no meio da semana passada que se encontrasse com outro chegado no dia de hoje não poderia contar grande diferença, pois a ausência de hoje é quase a mesma de todos os dias. 

Essa situação me é exposta frequentemente por uma pessoa que trabalha comigo e precisa vir sair de Travessão de Campos logo cedo. Segundo o que já me foi dito de forma repetida, a situação do transporte piorou muito depois da instalação da dita política da passagem a R$ 1,00, pois a frequência teria, contraditoriamente, diminuído. Isto tem obrigado a que muitas pessoas usem formas irregulares de transporte. Eu mesmo já mostrei aqui a existência de uma “fila da bandalha” que opera no centro da cidade todos os dias, sem que nenhum fiscal da PMCG se dê ao trabalho de ir verificar o que aquilo. Deve ser porque todo mundo já sabe do que se trata.

Enfim, acho muito estranho que a PMCG seja tão célere para questionar na justiça o direito de greve dos rodoviários e faça tão pouco para impor um padrão mínimo de qualidade ao transporte público numa cidade que não para de crescer.