Ururau: Operários amargam não cumprimento de trabalho no Porto do Açu

Vinte e cinco operários e representantes do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria e Construção Civil e Imobiliária (Sticoncim) foram parar na 134ª Delegacia Legal de Campos na tarde desta terça-feira (14/05), para registrar Boletim de Ocorrência contra a empresa K Mendes Construções por descumprimento de compromisso com os trabalhadores firmado junto ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Oriundos do Maranhão e da Bahia, os operários chegaram a São João da Barra no dia 05 de abril com a promessa de trabalho da referida empresa, para atuarem no Porto do Açu, como armadores, mas de acordo com o presidente do Sticoncim, José Carlos Eulálio, eles nem chegaram a iniciar o serviço, ficando a disposição da empresa por 30 dias, a qual agora não quer assumir a responsabilidade sobre eles.

No Termo de Ajustamento assinado pelo supervisor administrativo, Luís Carlos de Mendonça, a K Mendes Construções fechou acordo onde se responsabilizou a pagar o salário [pelos 30 dias que ficaram alojados em pousadas por conta da empresa], o equivalente a R$ 30.190.09, e o valor das passagens de vinda e da volta para suas cidades de origem, que foi orçado em R$ 23.668,50, totalizando um crédito dos trabalhadores para com a empresa de R$ 53.858,89. O prazo para o pagamento era até dia 12 deste mês, mas a empresa não cumpriu. A K Mendes é subcontratada pela empresa espanhola FCC, que por sua vez tomou para si a responsabilidade de efetuar o pagamento nesta quarta-feira (14/05), mas também descumpriu o acordo.

“Espero que o Ministério do Trabalho, enquanto órgão defensor, se posicione contra a empresa porque ela diz que não vai pagar e o sindicato não tem como arcar com o custo desses funcionários. O subdelegado do MTE não honrou em acompanhar os trabalhadores”, disparou José Carlos Eulálio.

Ainda de acordo com Eulálio o descumprimento gera multa no valor de um salário mínimo prevista do artigo 477, que é atraso de rescisão contratual. “A empresa alega que não reconhece para pagamento os 25 trabalhadores porque os nomes não constam na lista da contratante, mas também não deu nenhum posicionamento do que vai fazer com eles”, disse acrescentando que ao todo eram 191 trabalhadores, porém 166 receberam seus direitos trabalhistas e já retornaram para seus estados.

Desde que chegaram a São João da Barra, os operários estavam hospedados em pousadas de Grussaí e na sede do município, mas o contrato com esses estabelecimentos, assim como fornecedores de alimentação, também venceram nesta quarta-feira, não tendo os trabalhadores onde dormir e fazer as refeições.

Francisco Carvalho de Jesus, de 36 anos, é natural de São Luís do Maranhão. Ele, que foi contratado para trabalhar como armador, relatou que recebeu um telefonema do supervisor da empresa pedindo que conseguisse 20 operários para fazer o mesmo serviço no Porto do Açu. “Viemos para cá com dinheiro do nosso bolso, mas com a promessa de seremos reembolsados. Chagando aqui, além de fazer o exame admissional, recebemos treinamento, e um funcionário recolheu nossas carteiras de trabalho, mas 12 dias depois as devolveu sem assinar alegando que a empresa estava passando por problemas”, contou Francisco.

O trabalhador explicou ainda que foram orientados a permanecerem nas pousadas aguardando que seriam reembolsados pelo valor da passagem e os dias que ficaram alojados, mas isso não aconteceu. “Estamos todos na mesma situação, com a família esperando lá no Maranhão e na Bahia e sem ter como voltar”, desabafou.

Após saírem da 134ª DL, trabalhadores e representantes do Sticoncim foram para a frente da sede do Ministério Público do Trabalho (MTE), mas até a publicação desta matéria não haviam sido recebidos pelos responsáveis pelo órgão.

A equipe do Site Ururau tentou contato, por telefone, com Clóvis Santarém, mas não obteve êxito. O mesmo procedimento foi adotado com as empresas K Mendes Construções e FCC, mas também não conseguimos resposta.

O Diário: Trabalhadores do Açu prestam queixa-crime

O Diário

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Um grupo de 25 trabalhadores prestou queixa-crime contra a empresa K-Mendes, que presta serviços de Recursos Humanos para FCC Tarrio, do Porto do Açu, nesta quarta-feira (14) na 134ª Delegacia Legal (DL/Centro). Eles alegam que a empresa K-Mendes não pagou os salários, além dos direitos trabalhistas em função de uma rescisão contratual. Os trabalhadores estavam acompanhados pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil e Mobiliários (STICONCIMO), José Carlos da Silva Eulálio. 

Na última segunda-feira, uma manifestação já havia sido realizada no Porto do Açu por conta destes salários não pagos. A promessa da empresa era de que o pagamento seria efetuado nesta quarta-feira (14), o que não aconteceu.

Os 25 trabalhadores que estiveram na delegacia nesta quarta estavam hospedados em pousadas em São da Barra à disposição da K-Mendes. A empresa FCC Tarrio havia se comprometido a repassar o dinheiro para a K-Mendes a fim de que a indenização fosse paga. 

Um grupo de trabalhadores da mesma empresa chegou a receber parte dos direitos e esperava receber o restante hoje, assim como os outros.

Segundo José Eulálio, o próximo passo agora será acionar o Ministério do Trabalho para denunciar as empresas.

FONTE: http://www.odiariodecampos.com.br/trabalhadores-do-acu-prestam-queixa-crime-11580.html

 

 

Salários corroídos e prédios com goteiras: esse é o retorno que o (des) governo Cabral dá ao sucesso da UENF

A imagem abaixo não é de uma das muitas ruas que se encontram alagadas na cidade de Campos dos Goytacazes neste momento em função do alto volume de chuvas que estão se abatendo na região. A imagem, a despeito dos barquinhos que imitam o Rio Paraíba do Sul, é de uma das salas existentes no Centro de Ciências Tecnológicas (CCT) da UENF que ficou alagada por causa de vazamentos existentes no telhado do prédio. Como essa não é a única sala que está com este problema no momento, é de se esperar que vários equipamentos valiosos estejam sendo protegidos contra goteiras no dia de hoje.

sala de aula

E isso tudo na melhor universidade do Rio de Janeiro pelo índice Geral de Cursos (IGC) do MEC e naquela onde a pós-graduação acaba de ser bem avaliada pela CAPES,  sediando inclusive um programa que atingiu nível de qualidade internacional.

Esse sucateamento, além dos piores salários do Brasil, é o reconhecimento que o (des) governo de Sérgio Cabral dá ao esforço que é realizado todos os dias pela comunidade universitária da UENF. E o pior é que o orçamento do ano que vem promete ser ainda menor. Assim, desculpem-me o trocadilho, mas esse (des) governo não dá mesmo Pé(zão) em 2014!

Paradoxo da UENF: melhor universidade do Rio, piores salários do Brasil

A divulgação dos resultados da avaliação do Índice Geral de Cursos (IGC) do Ministério de Educação e Cultura (MEC) que coloca a Universidade Estadual do Norte Fluminense como a melhor universidade do Rio de Janeiro e a décima-segunda do Brasil não poderia vir num momento mais paradoxal, pois os seus professores estão terminando o ano sem que o (des) governo de Sérgio Cabral tenha cumprido a promessa de resolver a grave crise salarial instalada na instituição.

Para quem não se lembra, os professores suspenderam uma greve no final de 2012 sob o compromisso do (des) governo Cabral que neste ano haveria uma resposta positiva para o problema salarial que aflige todos os servidores da UENF. Mas nada de positivo aconteceu, apesar das dezenas de viagens e manifestações da Associação de Docentes da UENF (ADUENF).

Aliás, o que houve por parte desse (des) governo, sob a batuta do Sr. Sérgio Ruy, (des) secretário estadual de Planejamento e Gestão, de destruir o modelo de universidade criado por Darcy Ribeiro, que se baseia no regime de Dedicação Exclusiva para todos os seus professores-doutores. Para isso, o (des) governo estadual contou com a valorosa ajuda da reitoria da UENF que fez aprovar a toque de caixa uma minuta de lei no Conselho Universitário que não apenas quebrou a espinha dorsal do modelo institucional, mas instituiu uma escabrosa figura do professor titular 20 horas.

Agora, voltando ao ranking do MEC, há que se dizer que não sou um desses fãs ardosos deste tipo de classificação, pois se nivelam maças com batatas sob um viés normalizador que certamente causa distorções graves. Mas mesmo assim, não deixa de ser interessante que, ao menos neste ranking, a UENF se mantenha consistentemente bem posicionada desde 2008, enquanto os salários dos seus servidores vão morro abaixo. A conta simplesmente não fecha, e as consequências já são vistas dentro do campus, pois está cada vez mais difícil trabalhar.

E se cedo ou tarde a UENF implodir pela evasão incontrolável de seus professores-doutores, o principal culpado disso  será o (des) governador Sérgio Cabral e seus (des) secretários, tendo o Sr. Sérgio Ruy à frente. Por outro lado, que ninguém reclame se os professores voltarem à greve no início de 2014. Pois paciência tem limite, até a de professores-doutores que precisam pagar contas e criar seus filhos como qualquer outro trabalhador.