Trincas forçam Vale a alertar mercado sobre suspensão de uso de barragem em Barão de Cocais (MG)

laranjeiras

Ao longo de 2019 abordei diversas situações de risco envolvendo barragens de mineração da Vale no estado de Minas Gerais. Entretanto, ao longo dos últimos meses, a coisa parecia menos dramática do que no início do ano, quando várias dessas estruturas construídas para receber rejeitos da mineração de ferro da Vale no território mineiro ameaçavam ruir.

Mas eis que hoje, a Vale emitiu um novo comunicado ao mercado dando conta da suspensão dos despejos de resíduos na barragem Laranjeiras vindos da mina Brucutu, localizada nos municípios de Barão de Cocais e de São Gonçalo do Rio Abaixo (ver imagem abaixo).

vale barragem

A Vale informa que a suspensão do despejo de rejeitos na barragem de Laranjeiras está se dando para que sejam conduzidas “avaliações sobre as características geotécnicas da barragem”. Entretanto, o Diário de Barão informou em sua página oficial na rede social Facebook que a interdição de Laranjeiras se deve à constatação da existência de duas trincas (ou seja, rachaduras) nas paredes da barragem Laranjeiras.

O jornal Estado de Minas já informou que a barragem de Laranjeiras tem capacidade de 5,8 milhões de metros cúbicos de lama e rejeitos, e que uma eventual inundação decorrente de sua ruptura se estenderia por 183 km a jusante no Rio Piracicaba, o que inevitavelmente levaria o material até a calha principal do Rio Doce, que já foi duramente atingido pelo Tsulama da Mineradora Samarco (Vale+ BHP) que eclodiu no Distrito de Bento Rodrigues em Novembro de 2015.

Há que se lembrar que a Barragem Laranjeiras havia sido paralisada pela Justiça em fevereiro  deste ano, junto com outras sete após ação civil pública movida pelo Ministério Público, processo que ainda que corre em segredo de Justiça. A mineradora havia conseguido voltar a operar, mas houve nova suspensão no dia 6 de maio, a qual foi novamente suspensa, o que permitiu despejar rejeitos em Laranjeiras até o dia de hoje.

Enquanto isso, os governos de Romeu Zema e Jair Bolsonaro assistem tudo como se não tivessem nada com os graves riscos que estão colocados sobre a população dos municípios localizados imediatamente a jusante da barragem Laranjeiras ou sobre os ecossistemas naturais da região, incluindo os do Rio Doce.